{"id":81880,"date":"2026-04-07T17:53:16","date_gmt":"2026-04-07T20:53:16","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/o-projeto-oculto-das-elites-brasileiras\/"},"modified":"2026-04-07T17:53:16","modified_gmt":"2026-04-07T20:53:16","slug":"o-projeto-oculto-das-elites-brasileiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/o-projeto-oculto-das-elites-brasileiras\/","title":{"rendered":"O projeto oculto das elites brasileiras"},"content":{"rendered":"<figure><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"986\" height=\"1500\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/B69-Hill-scaled.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/04\/07180355\/B69-Hill-986x1500.png 986w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/04\/07180355\/B69-Hill-197x300.png 197w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/04\/07180355\/B69-Hill-768x1169.png 768w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/04\/07180355\/B69-Hill-1009x1536.png 1009w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/04\/07180355\/B69-Hill-1346x2048.png 1346w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/B69-Hill-scaled.png 1682w\" sizes=\"(max-width: 986px) 100vw, 986px\"><figcaption>Arte: Branche Coverdale<\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Tornou-se lugar comum afirmar que o Brasil sofre de curto-prazismo. A ideia aparece em an\u00e1lises econ\u00f4micas, debates pol\u00edticos e editoriais, geralmente associada \u00e0 incapacidade do pa\u00eds de formular projetos estruturais de longo prazo.<\/p>\n<p>Esse diagn\u00f3stico n\u00e3o \u00e9 destitu\u00eddo de fundamento. Ele capta um tra\u00e7o vis\u00edvel da experi\u00eancia pol\u00edtica brasileira: a fragmenta\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas, a instabilidade institucional e a dificuldade de sustentar agendas estruturais voltadas \u00e0 maioria da popula\u00e7\u00e3o e supera\u00e7\u00e3o da posi\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica do Brasil na divis\u00e3o internacional do trabalho. Seu limite est\u00e1 em permanecer no plano da manifesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando observamos a forma\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e social brasileira sob a lente do conflito entre classes na especificidade de um pa\u00eds perif\u00e9rico, percebe-se que o que aparece como curto-prazismo para a maioria \u00e9, na realidade, a forma pela qual o projeto de longo prazo das classes dominantes se imp\u00f5e.<\/p>\n<div>\n<div><img decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/1-13.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/1-13.png 680w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2025\/12\/04164347\/15-300x110.png 300w\" sizes=\"(max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>No cotidiano da maioria dos brasileiros, o Estado aparece como gestor da urg\u00eancia. A pol\u00edtica social assume a forma de programas focalizados, transit\u00f3rios e permanentemente condicionados \u00e0 conjuntura fiscal e eleitoral. Direitos s\u00e3o implementados de maneira parcial, sujeitos a contingenciamentos e revis\u00f5es constantes. Essa din\u00e2mica produz a sensa\u00e7\u00e3o de improviso permanente e alimenta a percep\u00e7\u00e3o de que o pa\u00eds \u00e9 incapaz de planejar o futuro.<\/p>\n<p>Se o improviso \u00e9 vis\u00edvel para todos, o que ningu\u00e9m pode ver, porque simplesmente n\u00e3o existe, \u00e9 sequer um esbo\u00e7o de projeto consistente de transforma\u00e7\u00e3o estrutural. N\u00e3o h\u00e1 qualquer horizonte de mudan\u00e7a na distribui\u00e7\u00e3o de renda, na universaliza\u00e7\u00e3o de direitos e servi\u00e7os p\u00fablicos ou no reposicionamento do Brasil na divis\u00e3o internacional do trabalho. Permanece intocado o padr\u00e3o centro-periferia que organiza a economia nacional, sustentado por fra\u00e7\u00f5es dominantes vinculadas ao complexo prim\u00e1rio-exportador e ao capital rentista.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, quando se observa a trajet\u00f3ria das (contra)reformas institucionais e econ\u00f4micas brasileiras, emerge um quadro bastante distinto. O pa\u00eds possui uma longa tradi\u00e7\u00e3o de planejamento estrutural quando se trata de organizar e reorganizar as condi\u00e7\u00f5es de acumula\u00e7\u00e3o para atender aos interesses das classes dominantes em cada quadra hist\u00f3rica. Para n\u00e3o ir muito longe, o que foi o amplo conjunto de contrarreformas liberais que, de forma articulada e coordenada, conjugou medidas fiscais, trabalhistas, previdenci\u00e1rias, monet\u00e1rias e regulat\u00f3rias, formuladas e implementadas com not\u00e1vel continuidade estrat\u00e9gica nos \u00faltimos anos, sen\u00e3o a consecu\u00e7\u00e3o bem-sucedida de um projeto de pa\u00eds?<\/p>\n<p>Essa din\u00e2mica possui ra\u00edzes profundas na pr\u00f3pria forma\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do pa\u00eds. O Brasil n\u00e3o foi estruturado como um espa\u00e7o vazio \u00e0 espera de um projeto nacional, como sup\u00f5em os mais otimistas que ainda aguardam a emerg\u00eancia de uma burguesia nacional redentora. Foi organizado desde a origem para cumprir fun\u00e7\u00f5es espec\u00edficas na expans\u00e3o do capitalismo mundial. Sua inser\u00e7\u00e3o como economia prim\u00e1rio-exportadora, dependente de tecnologia, cr\u00e9dito e mercados externos, longe de resultar de improviso hist\u00f3rico, expressa uma forma particular de planejamento subordinado, internalizado e continuamente reproduzido por suas classes dominantes.<\/p>\n<p>Mesmo quando o pa\u00eds avan\u00e7ou em um projeto mais estrutural de industrializa\u00e7\u00e3o, esse processo foi rapidamente incorporado a um padr\u00e3o de moderniza\u00e7\u00e3o conservadora, consolidado ap\u00f3s o golpe de 1964 e a instaura\u00e7\u00e3o da Ditadura Civil-Militar, que reorganizou o Estado como instrumento de repress\u00e3o \u00e0 classe trabalhadora. Se, de um lado, havia um projeto coordenado de industrializa\u00e7\u00e3o, de outro persistiam o arrocho salarial, a precariedade dos servi\u00e7os p\u00fablicos, a manuten\u00e7\u00e3o das desigualdades sociais e regionais e o poder das velhas oligarquias associadas ao imperialismo.<\/p>\n<p>Nesse percurso, ap\u00f3s muitos anos de luta da classe trabalhadora, a Constitui\u00e7\u00e3o de 1988 representou uma inflex\u00e3o importante ao projetar um amplo sistema de direitos sociais e estabelecer o princ\u00edpio da universaliza\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas. A cria\u00e7\u00e3o do Sistema \u00danico de Sa\u00fade, a reorganiza\u00e7\u00e3o da seguridade social, a institucionaliza\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas universais nas \u00e1reas de assist\u00eancia, educa\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o ao trabalho, a vincula\u00e7\u00e3o constitucional de recursos para pol\u00edticas sociais, a amplia\u00e7\u00e3o dos mecanismos de participa\u00e7\u00e3o social e a consagra\u00e7\u00e3o de princ\u00edpios de desenvolvimento nacional e de fun\u00e7\u00e3o social da propriedade expressaram a tentativa de aproximar o pa\u00eds de uma forma perif\u00e9rica e tardia de <em>welfare state.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, por\u00e9m, esse horizonte passou rapidamente a ser enquadrado por severas restri\u00e7\u00f5es macroecon\u00f4micas. No final dos anos 1980 e ao longo da d\u00e9cada de 1990 consolidou-se um regime marcado pela liberaliza\u00e7\u00e3o financeira e comercial, pela austeridade fiscal e monet\u00e1ria e pela retra\u00e7\u00e3o do papel produtivo do Estado, reconfigurado como organizador de amplos processos de privatiza\u00e7\u00e3o, em meio a uma crescente especializa\u00e7\u00e3o prim\u00e1rio-exportadora da economia. Tratava-se, em \u00faltima inst\u00e2ncia, da afirma\u00e7\u00e3o de um projeto das classes dominantes articulado \u00e0 reorganiza\u00e7\u00e3o neoliberal do capitalismo e subordinado \u00e0s hierarquias da economia mundial, no qual a austeridade operava como mecanismo de precariza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os p\u00fablicos e de legitima\u00e7\u00e3o das privatiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<div>\n<div><img decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Banner-fixo.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Banner-fixo.png 728w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2024\/07\/31195529\/Banner-fixo-300x37.png 300w\" sizes=\"(max-width: 728px) 100vw, 728px\" width=\"728\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<p>O resultado foi a progressiva limita\u00e7\u00e3o das bases materiais de sustenta\u00e7\u00e3o do projeto social esbo\u00e7ado na Constitui\u00e7\u00e3o. Estabeleceu-se, assim, uma conviv\u00eancia tensa e subordinada entre uma arquitetura constitucional orientada \u00e0 universaliza\u00e7\u00e3o de direitos e um regime macroecon\u00f4mico neoliberal que restringe sistematicamente sua realiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Durante a primeira d\u00e9cada deste s\u00e9culo, o projeto de inser\u00e7\u00e3o subordinada do Brasil na divis\u00e3o internacional do trabalho, embora amplamente dominante, conviveu com uma esp\u00e9cie de ensaio social-desenvolvimentista de baixa intensidade que operou nos marcos institucionais abertos pela Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, precisamente porque n\u00e3o colocava em quest\u00e3o o n\u00facleo estrutural do projeto liberal. A conjuntura externa favor\u00e1vel e o dinamismo do mercado interno permitiram alguma margem de acomoda\u00e7\u00e3o social, abrindo espa\u00e7o para concess\u00f5es distributivas como a valoriza\u00e7\u00e3o real do sal\u00e1rio-m\u00ednimo, a expans\u00e3o das universidades p\u00fablicas, a amplia\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas de transfer\u00eancia de renda, o aumento da formaliza\u00e7\u00e3o do emprego e a retomada do investimento p\u00fablico, especialmente em infraestrutura e no financiamento p\u00fablico ao investimento produtivo. Ainda assim, tratava-se de uma acomoda\u00e7\u00e3o limitada, que produziu avan\u00e7os sociais relevantes sem alterar os fundamentos do padr\u00e3o dependente de acumula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Esse arranjo come\u00e7ou a se esgotar ao longo da d\u00e9cada de 2010. Mesmo as concess\u00f5es limitadas realizadas no per\u00edodo anterior passaram a gerar fric\u00e7\u00f5es crescentes no interior do padr\u00e3o de acumula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>De um lado, a crise internacional iniciada em 2008 aprofundava suas consequ\u00eancias no centro do capitalismo. A desacelera\u00e7\u00e3o do crescimento e a compress\u00e3o das taxas de lucro intensificaram a press\u00e3o das grandes corpora\u00e7\u00f5es e do capital financeiro por novos espa\u00e7os de valoriza\u00e7\u00e3o. Nesse contexto, economias perif\u00e9ricas como a brasileira passaram a se tornar cada vez mais atrativas para o capital das pot\u00eancias imperialistas, sendo vistas como territ\u00f3rios privilegiados para a reabertura de oportunidades de acumula\u00e7\u00e3o e recomposi\u00e7\u00e3o das taxas de lucro, seja pela amplia\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o de recursos naturais, seja pela apropria\u00e7\u00e3o de ativos estrat\u00e9gicos por meio de privatiza\u00e7\u00f5es, liberaliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e desorganiza\u00e7\u00e3o de capacidades produtivas nacionais.<\/p>\n<p>Por outro lado, a redu\u00e7\u00e3o do desemprego, a eleva\u00e7\u00e3o da renda do trabalho e o fortalecimento do poder de barganha da classe trabalhadora intensificavam os conflitos distributivos. A melhora das condi\u00e7\u00f5es no mercado de trabalho ampliava o poder social do trabalho e tensionava as margens de rentabilidade do capital. Diante desse cen\u00e1rio, fra\u00e7\u00f5es dominantes da burguesia dom\u00e9stica passaram a pressionar pela recomposi\u00e7\u00e3o das taxas de lucro e pela restaura\u00e7\u00e3o da disciplina sobre o trabalho, tendo a austeridade fiscal e o ajuste do gasto social como instrumentos centrais dessa ofensiva.<\/p>\n<p>O espa\u00e7o pol\u00edtico e econ\u00f4mico para concess\u00f5es, por m\u00ednimas que fossem, \u00e0 classe trabalhadora come\u00e7ou, ent\u00e3o, a se fechar rapidamente. Fra\u00e7\u00f5es dominantes do capital passaram a se mobilizar de forma cada vez mais agressiva pela revers\u00e3o daquele ciclo, exigindo a recomposi\u00e7\u00e3o das taxas de lucro, a restaura\u00e7\u00e3o da disciplina sobre o trabalho e uma profunda reconfigura\u00e7\u00e3o do Estado em favor da acumula\u00e7\u00e3o privada sem freios. J\u00e1 n\u00e3o se tolerava sequer a manuten\u00e7\u00e3o daquele esbo\u00e7o inacabado e prec\u00e1rio de projeto de bem-estar social inscrito na Constitui\u00e7\u00e3o de 1988.<\/p>\n<p>Foi nesse contexto que, a partir de 2015, o conflito se deslocou para um novo patamar. A tentativa do governo Dilma de recompor a confian\u00e7a das fra\u00e7\u00f5es dominantes por meio de um ajuste ortodoxo revelou-se rapidamente insuficiente. Veio o golpe. Para amplos setores do capital, j\u00e1 n\u00e3o se tratava de corrigir rumos ou administrar a conjuntura dentro dos marcos existentes. O que estava em jogo era a remo\u00e7\u00e3o dos limites institucionais que ainda restringiam a plena realiza\u00e7\u00e3o de seu projeto, especialmente aqueles inscritos na Constitui\u00e7\u00e3o de 1988 e em sua arquitetura de direitos sociais. Nada que pudesse obstruir esse movimento seria tolerado, nem a democracia.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse momento que ganha centralidade o documento <em>Uma Ponte para o Futuro<\/em>, apresentado em 2015 pelo PMDB, como plataforma program\u00e1tica das classes dominantes para a reorganiza\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica econ\u00f4mica brasileira. O texto defendia a consolida\u00e7\u00e3o de um regime de austeridade fiscal radical e permanente, a desvincula\u00e7\u00e3o constitucional de receitas or\u00e7ament\u00e1rias, a revis\u00e3o dos mecanismos de indexa\u00e7\u00e3o do gasto p\u00fablico, a amplia\u00e7\u00e3o das privatiza\u00e7\u00f5es e concess\u00f5es, a flexibiliza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de trabalho e uma abertura mais ampla da economia ao capital privado, nacional e estrangeiro. Tratava-se de uma ofensiva destinada a remover qualquer limite institucional ainda preservado pela Constitui\u00e7\u00e3o de 1988 \u00e0 expans\u00e3o do capital, liberando sua tend\u00eancia a converter em mercadoria tudo o que encontra pela frente, a submeter sem freios o trabalho e a natureza \u00e0 l\u00f3gica da valoriza\u00e7\u00e3o e a dissolver os remanescentes de soberania econ\u00f4mica nacional.<\/p>\n<p>Nos anos seguintes, essa agenda se materializou em uma s\u00e9rie de contrarreformas estruturais: a institui\u00e7\u00e3o do teto de gastos por vinte anos, cuja l\u00f3gica reapareceu no atual regime fiscal; a contrarreforma trabalhista, que desmontou mecanismos de prote\u00e7\u00e3o ao trabalho; as mudan\u00e7as no sistema previdenci\u00e1rio, que ampliaram o espa\u00e7o para a previd\u00eancia privada; a autonomia formal do Banco Central; e a expans\u00e3o de programas de privatiza\u00e7\u00e3o, concess\u00f5es e parcerias p\u00fablico-privadas. Consolidou-se, assim, um Estado simultaneamente austero no plano social e ativo na reorganiza\u00e7\u00e3o institucional e regulat\u00f3ria necess\u00e1ria \u00e0 amplia\u00e7\u00e3o dos processos de desestatiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Longe de qualquer improviso ou curto-prazismo, avan\u00e7a a pleno vapor um projeto de longo prazo para as elites, enquanto a maioria n\u00e3o sabe se poder\u00e1 se aposentar, se os jovens ter\u00e3o um emprego minimamente digno ou, em muitos casos, se haver\u00e1 comida na mesa amanh\u00e3.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. 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Mas \u00e9 enganoso culpar <i>cultura do curto prazo<\/i>. H\u00e1 s\u00e9culos, um setor sabe manter-se \u00e0 tona e enriquecer, enquanto a maioria estagna. A partir de 2008, este ardil tomou a forma de um programa regressivo claro<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/crise-brasileira\/projeto-oculto-das-elites-brasileiras\/\">O projeto oculto das elites brasileiras<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":81881,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[5511,35419,6007,32234,44872,44873,44874,6208,6073,8766,22491,8550,44875,4972,31867],"tags":[],"class_list":["post-81880","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-capa","category-cassino-financeiro","category-crise-brasileira","category-desindustrializacao-brasileira","category-economia-primaria","category-economia-primario-exportadora","category-elite-brasileira","category-escravismo","category-faria-lima","category-financismo","category-parceria-publico-privada","category-ppp","category-regressao-produtiva","category-rentismo","category-reprimarizacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81880","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=81880"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81880\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/81881"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=81880"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=81880"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=81880"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}