{"id":82477,"date":"2026-04-10T17:52:05","date_gmt":"2026-04-10T20:52:05","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/o-projeto-lula-iv-em-sua-encruzilhada\/"},"modified":"2026-04-10T17:52:05","modified_gmt":"2026-04-10T20:52:05","slug":"o-projeto-lula-iv-em-sua-encruzilhada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/o-projeto-lula-iv-em-sua-encruzilhada\/","title":{"rendered":"O projeto Lula IV em sua encruzilhada"},"content":{"rendered":"<figure><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1200\" height=\"800\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/photo_5100342147713535082_y-1.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/photo_5100342147713535082_y-1.jpg 1200w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/04\/10182034\/photo_5100342147713535082_y-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/04\/10182034\/photo_5100342147713535082_y-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/04\/10182034\/photo_5100342147713535082_y-1-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\"><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>MAIS<\/strong><br \/>Vers\u00e3o de 04 de abril de 2026. O texto revisa texto originalmente preparado para semin\u00e1rio na Funda\u00e7\u00e3o Escola de Sociologia e Pol\u00edtica de S\u00e3o Paulo-FESPSP em 06\/12\/2025, e se destina a novo semin\u00e1rio agendado para 11\/04\/2026 no mesmo local.<\/p>\n<p>T\u00edtulo original:<br \/><strong>Entre a austeridade e a soberania: tecnologia, geopol\u00edtica e desenvolvimento no Brasil de 2026<\/strong><\/p>\n<p>Como superar os desafios estruturais que um programa desenvolvimentista enfrenta no Brasil contempor\u00e2neo? Minha contribui\u00e7\u00e3o aqui busca articular duas dimens\u00f5es desse desafio: primeiro, as restri\u00e7\u00f5es dom\u00e9sticas impostas pelo arcabou\u00e7o fiscal \u00e0 execu\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica econ\u00f4mica desenvolvimentista; segundo, as oportunidades abertas pela reconfigura\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica global, particularmente a rivalidade sino-americana, que criam condi\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas para uma estrat\u00e9gia de autonomia tecnol\u00f3gica e reindustrializa\u00e7\u00e3o. Meu argumento central \u00e9 que essas duas dimens\u00f5es est\u00e3o intrinsecamente conectadas: sem reformar as amarras fiscais que inviabilizam investimentos p\u00fablicos estrat\u00e9gicos, o Brasil permanecer\u00e1 incapaz de aproveitar a janela geopol\u00edtica que se abre. Nas elei\u00e7\u00f5es de 2026, a esquerda n\u00e3o pode prometer \u201cmenos do mesmo\u201d: precisa demonstrar sua capacidade de propor mais e melhores pol\u00edticas p\u00fablicas que dialoguem inclusive com os grupos sociais resistentes ao governo Lula.<\/p>\n<div>\n<div><img decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Prancheta--18.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Prancheta--18.png 680w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2022\/12\/31181126\/Prancheta-4-300x110.png 300w\" sizes=\"(max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<h3><strong>I. A armadilha da austeridade permanente<\/strong><\/h3>\n<p>O chamado \u201carcabou\u00e7o fiscal\u201d ou \u201cregime fiscal sustent\u00e1vel\u201d representa a continuidade, sob nova roupagem, da l\u00f3gica da austeridade que domina a pol\u00edtica econ\u00f4mica brasileira pelo menos desde 2015. Embora apresentado como mais flex\u00edvel que o teto de gastos de Temer, o novo regime mant\u00e9m o essencial: a subordina\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica fiscal a metas de resultado prim\u00e1rio e a limita\u00e7\u00e3o do crescimento das despesas prim\u00e1rias a um teto m\u00f3vel vinculado a 70% do crescimento da receita, com crescimento real m\u00e1ximo de 2,5% ao ano.<\/p>\n<p>As consequ\u00eancias dessa arquitetura institucional s\u00e3o evidentes (BASTOS, 2023a, b). Primeiro, ela perpetua a compress\u00e3o dos investimentos da Uni\u00e3o. Entre 2010 e 2014, o investimento do governo central rodou a 0,68% do PIB. Na m\u00e9dia de 2023 e 2024, ficou em 0,305%, subindo pouco em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e9dia do per\u00edodo 2019-2022, 0,29% (PIRES, 2025). O investimento do setor p\u00fablico como um todo caiu menos \u2013 de 3,46% do PIB entre 2010 e 2014 para 2,83% no bi\u00eanio 2023-4 \u2013, mas isso n\u00e3o \u00e9 consolo, por causa de car\u00eancias que s\u00f3 podem ser supridas pela Uni\u00e3o. Segundo, o arcabou\u00e7o fiscal imp\u00f5e uma conten\u00e7\u00e3o permanente dos gastos sociais justamente quando o pa\u00eds deveria expandir sua rede de prote\u00e7\u00e3o e seus servi\u00e7os p\u00fablicos. Afinal, itens de gastos como educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e previd\u00eancia social que t\u00eam vincula\u00e7\u00f5es or\u00e7ament\u00e1rias constitucionais e que tendem a crescer mais do que o limite geral autorizado pelo arcabou\u00e7o (2,5%) s\u00e3o incompat\u00edveis com ele. Terceiro, e crucialmente para o argumento que desenvolvo aqui, inviabiliza a capitaliza\u00e7\u00e3o de empresas estatais e os investimentos em infraestrutura necess\u00e1rios para viabilizar um projeto desenvolvimentista.<\/p>\n<p>O problema n\u00e3o \u00e9 meramente t\u00e9cnico ou cont\u00e1bil. Trata-se de uma escolha pol\u00edtica que prioriza a rentabilidade dos t\u00edtulos p\u00fablicos e a tranquilidade dos mercados financeiros em detrimento da capacidade do Estado de induzir o desenvolvimento econ\u00f4mico. \u00c9 uma escolha pol\u00edtica de um ref\u00e9m que, como tal, tem pouco apelo al\u00e9m da base agradecida por pol\u00edticas j\u00e1 executadas. Como demonstrei em an\u00e1lises anteriores, essa escolha reflete a posi\u00e7\u00e3o defensiva perante um condom\u00ednio hegem\u00f4nico entre o capital estrangeiro e o grande capital financeiro dom\u00e9stico que se consolidou ap\u00f3s o golpe de 2016 e que resiste a qualquer projeto que ameace suas estrat\u00e9gias de acumula\u00e7\u00e3o que integram a economia brasileira de modo cada vez mais dependente no capitalismo mundial, com grande influ\u00eancia sobre os poderes legislativo e judici\u00e1rio. A recupera\u00e7\u00e3o do gasto p\u00fablico, seja na infraestrutura social seja na econ\u00f4mica, ao contr\u00e1rio, \u00e9 fundamental para ativar um modelo de crescimento econ\u00f4mico que combine apoio popular e investimentos p\u00fablicos e privados orientados para atendimento das necessidades da popula\u00e7\u00e3o brasileira, inclusive mirando deliberadamente em pol\u00edticas que beneficiam grupos sociais resistentes ao governo Lula sem prejudicar os j\u00e1 apoiadores (como faz o arcabou\u00e7o fiscal em uma soma-zero)<\/p>\n<h3><strong>II. Reforma fiscal estrat\u00e9gica: exclus\u00f5es necess\u00e1rias<\/strong><\/h3>\n<p>Diante desse impasse, o ideal seria propormos a supera\u00e7\u00e3o do arcabou\u00e7o fiscal. Se n\u00e3o tivermos for\u00e7a pol\u00edtica para tanto, pelo menos devemos obter duas exclus\u00f5es fundamentais do c\u00e1lculo dos gastos limitados pelo arcabou\u00e7o.<\/p>\n<p><strong>Primeira: exclus\u00e3o dos gastos em sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, ci\u00eancia e tecnologia. <\/strong>A racionalidade dessa proposta \u00e9 evidente. <strong>Sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, ci\u00eancia e tecnologia<\/strong> s\u00e3o investimentos de longo prazo na capacidade produtiva da na\u00e7\u00e3o, n\u00e3o gastos de consumo. Trat\u00e1-los como despesas ordin\u00e1rias que devem ser contidas \u00e9 condenar o pa\u00eds ao subdesenvolvimento permanente. Mais ainda, em um momento hist\u00f3rico em que a competi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica global se desloca crescentemente para setores intensivos em conhecimento \u2014 intelig\u00eancia artificial, biotecnologia, transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, entre outros \u2014, comprimir investimentos em educa\u00e7\u00e3o, ci\u00eancia e tecnologia \u00e9 renunciar antecipadamente a qualquer possibilidade de inser\u00e7\u00e3o soberana na economia mundial, e de ascens\u00e3o social sustentada dos menos favorecidos de modo a tamb\u00e9m favorecer camadas m\u00e9dias<\/p>\n<p><strong>Segunda: exclus\u00e3o dos gastos com capitaliza\u00e7\u00e3o de empresas estatais e investimentos em infraestrutura realizados pela administra\u00e7\u00e3o direta e unidades federadas. <\/strong>Esta exclus\u00e3o \u00e9 crucial para o argumento que desenvolvo aqui. Sem capacidade de capitalizar empresas como Petrobras, Eletrobras (onde o Estado ainda mant\u00e9m participa\u00e7\u00e3o minorit\u00e1ria), BNDES e outros bancos p\u00fablicos, o Estado brasileiro fica desarmado para implementar pol\u00edticas industriais substantivas e, consequentemente, para sustentar a gera\u00e7\u00e3o de empregos de maior produtividade e remunera\u00e7\u00e3o. Contudo, tal capitaliza\u00e7\u00e3o, inclu\u00edda no teto do arcabou\u00e7o fiscal, \u00e9 financeiramente invi\u00e1vel. Limitado na capacidade de investir em infraestrutura log\u00edstica, energ\u00e9tica e digital fora do teto de gastos, o pa\u00eds permanece prisioneiro de gargalos estruturais que inviabilizam planejar qualquer estrat\u00e9gia de desenvolvimento.<\/p>\n<p>Um pequeno sinal disso \u00e9 que, em 05\/12, a LDO de 2026 aprovada pelo Congresso Nacional retirou algo como R$ 10 bilh\u00f5es do teto do arcabou\u00e7o para auxiliar na recupera\u00e7\u00e3o financeira dos Correios, viabilizando a continuidade de um servi\u00e7o essencial para integrar a na\u00e7\u00e3o. Merit\u00f3ria em si, a exclus\u00e3o deste gasto do teto do arcabou\u00e7o e da meta fiscal levanta uma pergunta \u00f3bvia: por que s\u00f3 atender a necessidades urgentes de investimento p\u00fablico \u2014 como os Correios ou a reconstru\u00e7\u00e3o de infraestruturas destru\u00eddas por desastres clim\u00e1ticos \u2014 ao inv\u00e9s de viabilizar a expans\u00e3o planejada do investimento p\u00fablico orientado para restaurar o desenvolvimento econ\u00f4mico e social?<\/p>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<p>Essas exclus\u00f5es n\u00e3o representam irresponsabilidade fiscal, mas sim uma compreens\u00e3o mais sofisticada do que significa \u201csustentabilidade\u201d em pol\u00edtica econ\u00f4mica. Sustent\u00e1vel n\u00e3o \u00e9 aquilo que agrada aos mercados financeiros no curto prazo, mas sim aquilo que constr\u00f3i capacidades produtivas de longo prazo. Pa\u00edses desenvolvidos jamais impuseram a si mesmos as amarras que o Brasil se autoinflige.<\/p>\n<h3><strong>III. A janela geopol\u00edtica sino-americana<\/strong><\/h3>\n<p>Enquanto o Brasil se paralisa em debates sobre d\u00e9cimos de ponto percentual no resultado prim\u00e1rio, o mundo passa por uma reconfigura\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica de magnitude hist\u00f3rica. A ascens\u00e3o da China como pot\u00eancia tecnol\u00f3gica e industrial, e a resposta estadunidense, primeiro na forma de conten\u00e7\u00e3o e \u201cdesacoplamento\u201d, agora na forma do imperialismo nu e cru, criam oportunidades sem precedentes para pa\u00edses de desenvolvimento intermedi\u00e1rio que souberem aproveitar as contradi\u00e7\u00f5es dessa nova guerra fria.<\/p>\n<p>Os dados s\u00e3o eloquentes. A participa\u00e7\u00e3o da China no com\u00e9rcio exterior brasileiro saltou de menos de 2% entre 1997 e 2000 para 28,7% em 2025, sendo nosso principal parceiro comercial. Simultaneamente, a participa\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos caiu de 23,9% para 10,8% no mesmo per\u00edodo. Essa reorienta\u00e7\u00e3o comercial n\u00e3o \u00e9 mero acidente estat\u00edstico, mas express\u00e3o de uma transforma\u00e7\u00e3o estrutural na economia mundial.<\/p>\n<p>Mais significativo ainda: essa transforma\u00e7\u00e3o n\u00e3o se limita ao com\u00e9rcio. Empresas chinesas tornaram-se protagonistas em setores estrat\u00e9gicos da infraestrutura brasileira. Segundo o Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC, 2025), 45% de todo o estoque de investimento chin\u00eas no Brasil desde 2007 concentra-se no setor de eletricidade, somando US$ 35 bilh\u00f5es. A State Grid controla a CPFL Energia, com cerca de 15% do mercado nacional de distribui\u00e7\u00e3o e presen\u00e7a relevante em transmiss\u00e3o de alta tens\u00e3o; a China Three Gorges (CTG) acumula 8,3 GW de capacidade instalada em gera\u00e7\u00e3o h\u00eddrica; e a SPIC opera aproximadamente 4 GW em renov\u00e1veis. Somente em 2024, o setor el\u00e9trico concentrou 34% do total investido pela China no pa\u00eds, somando US$ 1,43 bilh\u00e3o. Em telecomunica\u00e7\u00f5es, a Huawei consolidou-se como fornecedora fundamental, apesar das press\u00f5es estadunidenses para sua exclus\u00e3o das redes 5G.<\/p>\n<p>O segundo governo Trump, com sua \u00eanfase em unilateralismo e protecionismo, tende a aprofundar essa tend\u00eancia. Enquanto Washington imp\u00f5e tarifas, restri\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas e exige subordina\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica de seus parceiros, Beijing oferece financiamento, transfer\u00eancia tecnol\u00f3gica e parcerias sem condicionalidades pol\u00edticas expl\u00edcitas.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 a janela hist\u00f3rica que se abre: aproveitar a competi\u00e7\u00e3o sino-americana para negociar transfer\u00eancias tecnol\u00f3gicas substantivas e construir capacidades produtivas aut\u00f4nomas. Mas \u2014 e aqui retorno ao primeiro argumento \u2014 essa janela s\u00f3 pode ser aproveitada se o Estado brasileiro tiver capacidade fiscal e institucional para ser um parceiro relevante, n\u00e3o um mero receptor passivo de investimentos.<\/p>\n<h3><strong>IV. Parcerias estrat\u00e9gicas: transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, IA e semicondutores<\/strong><\/h3>\n<p>Proponho tr\u00eas eixos concretos de parcerias estrat\u00e9gicas com a China, todos mais ou menos dependentes da reforma fiscal que defendo. Tais eixos n\u00e3o dependem tanto da coopera\u00e7\u00e3o chinesa quanto da vontade pol\u00edtica nacional, mas podem ser muito apoiados por ela. O objetivo n\u00e3o \u00e9 apenas atrair investimentos, mas assegurar transfer\u00eancia de tecnologia, atrav\u00e9s de licenciamento apoiados pelos dois governos e, eventualmente, com forma\u00e7\u00e3o de empreendimentos conjuntos (joint ventures) que incluam cl\u00e1usulas expl\u00edcitas de transfer\u00eancia tecnol\u00f3gica e produ\u00e7\u00e3o local de componentes de alta intensidade tecnol\u00f3gica. A China possui tanto o interesse estrat\u00e9gico (diversificar cadeias produtivas diante de press\u00f5es ocidentais) quanto a capacidade tecnol\u00f3gica para viabilizar esse tipo de parceria. Isso exige contrapartida brasileira: capacidade de co-investimento via capitaliza\u00e7\u00e3o de estatais, algo imposs\u00edvel sob o atual arcabou\u00e7o fiscal, ou financiamento de longo prazo de empresas privadas alinhando-o com finalidades estrat\u00e9gicas via empr\u00e9stimos do BNDES e\/ou participa\u00e7\u00e3o do BNDESPAR.<\/p>\n<p><strong>Primeiro eixo: transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica. <\/strong>O Brasil possui vantagens comparativas evidentes em energia renov\u00e1vel \u2014 hidrel\u00e9trica, e\u00f3lica, solar, biomassa \u2014 e j\u00e1 conta com um ecossistema de gera\u00e7\u00e3o renov\u00e1vel robusto (EPE, 2025), com empresas privadas como Engie Brasil, Neoenergia, CPFL, Omega Green (ex-Omega Energia), Elera Renov\u00e1veis e Auren Energia (ex-AES Brasil), al\u00e9m de estatais como Eletrobras e Petrobras. A WEG, maior empresa de equipamentos el\u00e9tricos da Am\u00e9rica Latina, j\u00e1 atua em sistemas de armazenamento de energia por baterias (BESS) e forneceu infraestrutura para a planta pioneira de hidrog\u00eanio verde de Furnas em Itumbiara\/MG, em parceria com Unicamp, Unesp e Senai (WEG, 2021). Contudo, h\u00e1 lacunas cr\u00edticas na cadeia produtiva: na fabrica\u00e7\u00e3o de pain\u00e9is fotovoltaicos de alta efici\u00eancia, oito dos dez maiores fabricantes mundiais s\u00e3o chineses, enquanto a participa\u00e7\u00e3o de m\u00f3dulos nacionais em nosso mercado caiu de 35% para 1% entre 2020 e 2024\u00a0 (BNDES SETORIAL, 2025); a WEG encerrou a produ\u00e7\u00e3o de turbinas e\u00f3licas em 2024, em contexto j\u00e1 descrito como\u00a0 a maior crise da ind\u00fastria de energia e\u00f3lica e solar no Brasil (BLOOMBERG L\u00cdNEA, 2025); e o mercado de baterias de escala e eletrolisadores para hidrog\u00eanio verde ainda \u00e9 incipiente no pa\u00eds (ABSOLAR, 2024). A proposta, portanto, n\u00e3o \u00e9 necessariamente criar novas estatais ou joint ventures para cada segmento, mas combinar o fortalecimento das capacidades industriais existentes \u2014 via capitaliza\u00e7\u00e3o pela BNDESPar, financiamento da Finep e encomendas tecnol\u00f3gicas \u2014 com aporte tecnol\u00f3gico chin\u00eas nas lacunas onde o Brasil n\u00e3o possui base industrial. Esse aporte pode se dar por m\u00faltiplas vias: licenciamento de tecnologias, acordos de P&amp;D conjunto entre empresas brasileiras e chinesas, participa\u00e7\u00f5es cruzadas ou, onde necess\u00e1rio, joint ventures com cl\u00e1usulas expl\u00edcitas de transfer\u00eancia tecnol\u00f3gica e produ\u00e7\u00e3o local de componentes.<\/p>\n<p>Ampliar investimentos para expandir capacidade produtiva e obter capacita\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, contudo, s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel caso sejam resolvidos outros dois problemas que afligem o setor de energia renov\u00e1vel: 1) a car\u00eancia de redes de transmiss\u00e3o para levar a energia gerada no Nordeste ou nos telhados de \u00e1reas metropolitanas at\u00e9 \u00e1reas carentes de energia e 2) as limita\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas e a escassez de capacidade de armazenamento, em baterias, da energia gerada de dia para uso \u00e0 noite ou em per\u00edodos de seca, concorrendo com o poderoso lobby das usinas termoel\u00e9tricas.[1] Resolver essas outras quest\u00f5es envolve embate pol\u00edtico, planejamento complexo e capacidade de investimento da Eletrobr\u00e1s, o que por sua vez se choca com o arcabou\u00e7o fiscal e com os limites pol\u00edticos \u00e0 amplia\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o na governan\u00e7a da estatal depois da privatiza\u00e7\u00e3o parcial realizada no governo Bolsonaro. Ampliar investimentos e empregos no setor el\u00e9trico, reduzir custos de energia el\u00e9trica e, ao mesmo tempo, caminhar para reduzir emiss\u00f5es de gases de efeito estufa \u00e9 bandeira que mobiliza amplos grupos sociais.<\/p>\n<p><strong>Segundo eixo: intelig\u00eancia artificial e economia digital. <\/strong>A corrida pela supremacia em IA \u00e9 um front central da competi\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica global. O Brasil n\u00e3o tem capacidade de competir globalmente com Estados Unidos ou China nesse campo, mas j\u00e1 possui iniciativas relevantes de aplica\u00e7\u00e3o de IA a especificidades nacionais \u2014 iniciativas que operam, contudo, de forma fragmentada, subfinanciada e com alcance limitado. Vou dar exemplo de tr\u00eas dom\u00ednios em que uma pol\u00edtica nacional coordenada pode escalar essas iniciativas, garantindo financiamento est\u00e1vel e as integrando a parcerias internacionais de transfer\u00eancia tecnol\u00f3gica.[2] Todas essas iniciativas dialogam com grupos sociais resistentes ao governo Lula, na agricultura de pequenos e m\u00e9dios propriet\u00e1rios e seus assalariados, na oferta de servi\u00e7os m\u00e9dicos, na ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o. Uma quarta possibilidade ser\u00e1 discutida com mais vagar adiante, dialogando diretamente com a categoria de motoristas e entregadores que se consideram aut\u00f4nomos na sua rela\u00e7\u00e3o com plataformas monop\u00f3licas de aplicativos digitais e que resistem \u00e0 perda de autonomia associada \u00e0 \u201cinterven\u00e7\u00e3o\u201d estatal.<\/p>\n<p><strong>2.1) Agricultura de precis\u00e3o tropical. <\/strong>O Brasil \u00e9 o maior exportador mundial de soja, caf\u00e9, a\u00e7\u00facar, suco de laranja e prote\u00edna animal, mas opera com produtividade m\u00e9dia por hectare inferior \u00e0 dos concorrentes em culturas como milho e trigo (CONAB, 2024; USDA, 2024). A aplica\u00e7\u00e3o de IA \u00e0 agricultura de precis\u00e3o tropical j\u00e1 \u00e9 realidade no pa\u00eds: startups como Agrosmart, Solinftec e BrainAgro aplicam IA em monitoramento clim\u00e1tico, automa\u00e7\u00e3o de maquin\u00e1rio e gest\u00e3o de lavouras de caf\u00e9, cana e soja; e a Embrapa coordena uma Rede de Agricultura de Precis\u00e3o que, em mais de uma d\u00e9cada, produziu resultados expressivos \u2014 economia de at\u00e9 30% em fertilizantes, aumento de produtividade de 15% a 20% (EMBRAPA, 2024) e acur\u00e1cia de 97% no mapeamento de uso do solo no Cerrado com algoritmos de IA (BOLFE et al., 2023). Modelos de IA treinados com dados de sensoriamento remoto e imagens de sat\u00e9lite e drones j\u00e1 demonstraram capacidade de identificar pragas, defici\u00eancias nutricionais e estresse h\u00eddrico espec\u00edficos de cultivares tropicais, por meio de \u00edndices espectrais como NDVI e NDWI (MELO et al., 2021), e algoritmos de aprendizado de m\u00e1quina alimentados por dados meteorol\u00f3gicos regionalizados conseguem prever safras com meses de anteced\u00eancia (SHARMA et al., 2021).<\/p>\n<p>Embora conv\u00eanios internacionais possam contribuir para resolver o problema, o gargalo principal n\u00e3o \u00e9 tecnol\u00f3gico, mas de acesso e escala: mais da metade das propriedades rurais brasileiras ainda n\u00e3o possui conectividade adequada, e o custo inicial permanece proibitivo para pequenos produtores. O que se pode propor \u00e9 uma pol\u00edtica p\u00fablica que financie a expans\u00e3o da conectividade rural e subsidie o acesso de pequenos e m\u00e9dios produtores a essas tecnologias, liderada pela Embrapa em parceria com universidades p\u00fablicas \u2014 especialmente as faculdades de agronomia, computa\u00e7\u00e3o e engenharia agr\u00edcola das regi\u00f5es produtoras \u2014, desenvolvendo modelos abertos calibrados para condi\u00e7\u00f5es tropicais e subtropicais, um ativo tecnol\u00f3gico ainda insuficiente nos grandes provedores globais de IA. \u00c9 claro que as redes de conectividade criadas para esses fins tamb\u00e9m contribuem para levar acesso \u00e0 internet a popula\u00e7\u00f5es afastadas dos grandes centros urbanos e aos equipamentos urbanos das pequenas cidades e vilas.<\/p>\n<p><strong>2.2) Gest\u00e3o de biomas complexos e bioeconomia. <\/strong>A Amaz\u00f4nia e o Cerrado s\u00e3o biomas de biodiversidade e complexidade ecol\u00f3gica sem paralelo, cuja gest\u00e3o exige monitoramento cont\u00ednuo em escala continental. Neste dom\u00ednio, o Brasil j\u00e1 \u00e9 refer\u00eancia mundial. O INPE opera os sistemas PRODES e DETER h\u00e1 d\u00e9cadas, e em setembro de 2025 lan\u00e7ou o Deter N\u00e3o Floresta (Deter NF), que utiliza intelig\u00eancia artificial para identificar degrada\u00e7\u00e3o em forma\u00e7\u00f5es n\u00e3o florestais da Amaz\u00f4nia, ampliando o monitoramento di\u00e1rio para todo o bioma (INPE, 2025). O programa BiomasBR j\u00e1 integra sensoriamento remoto, IA e Big Data para gerar dados de desmatamento em todos os biomas brasileiros. Em 2025, pesquisadores da PUC-Rio desenvolveram, em parceria com INPE, Ibama e MMA, um modelo de IA capaz de prever com at\u00e9 15 dias de anteced\u00eancia as \u00e1reas com maior risco de desmatamento na Amaz\u00f4nia Legal, j\u00e1 em opera\u00e7\u00e3o na plataforma TerraBrasilis e disponibilizado a 67 munic\u00edpios amaz\u00f4nicos (FEITOSA et al., 2025). Essas capacidades, contudo, dependem de financiamento cont\u00ednuo e prote\u00e7\u00e3o institucional do INPE contra cortes or\u00e7ament\u00e1rios. O que se pode propor \u00e9 garantir recursos est\u00e1veis para a expans\u00e3o desses sistemas a todos os biomas \u2014 a Mata Atl\u00e2ntica, a Caatinga e o Pampa ainda n\u00e3o t\u00eam cobertura di\u00e1ria \u2014 e para o desenvolvimento de modelos de IA de pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o, por cons\u00f3rcios entre o INPE, universidades amaz\u00f4nicas (UFPA, UFAM, UEA, INPA etc.) e centros de computa\u00e7\u00e3o avan\u00e7ada (LNCC, UNICAMP, USP, PUC etc.), com transfer\u00eancia tecnol\u00f3gica de parceiros internacionais. Ademais, tal pol\u00edtica deve conectar-se com incentivos \u00e0 bioeconomia ou \u00e0 economia circular nos biomas, com manejo sustent\u00e1vel de culturas florestais e incentivos \u00e0 agrega\u00e7\u00e3o de valor e \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de marcas associadas \u00e0 refina\u00e7\u00e3o dos produtos das florestas e matas, se poss\u00edvel mobilizando cooperativas de produtores (BASTOS, 2023c).<\/p>\n<p><strong>2.3) Sa\u00fade p\u00fablica em escala continental. <\/strong>O SUS atende 215 milh\u00f5es de pessoas em um territ\u00f3rio de dimens\u00f5es continentais, com desigualdades regionais extremas de acesso. A IA j\u00e1 demonstrou capacidade de transformar tr\u00eas gargalos cr\u00edticos da sa\u00fade p\u00fablica brasileira: em triagem e diagn\u00f3stico remoto, pesquisadores da USP e do Institut Pasteur desenvolveram ferramentas que utilizam dados de buscas na internet e mobilidade humana para antecipar surtos de dengue, COVID-19 e outras epidemias em estados brasileiros (NAKAYA et al., 2024); em vigil\u00e2ncia epidemiol\u00f3gica, a Fiocruz criou ferramenta que cruza dados clim\u00e1ticos e epidemiol\u00f3gicos para gerar mapas de risco preditivo de dengue, e a Unioeste desenvolveu sensores com IA que identificam esp\u00e9cies de mosquitos em tempo real pelo som, j\u00e1 testados em campo (PARAN\u00c1, 2025); segundo especialistas consultados informalmente, a rapidez no avan\u00e7o na an\u00e1lise de imagens m\u00e9dicas \u00e9 muito significativa.<\/p>\n<p>O Plano Brasileiro de Intelig\u00eancia Artificial 2024-2028 (BRASIL, 2024) prev\u00ea R$ 23 bilh\u00f5es em investimentos e menciona explicitamente o uso de IA para vigil\u00e2ncia epidemiol\u00f3gica preditiva e diagn\u00f3stico em regi\u00f5es remotas. Contudo, a implementa\u00e7\u00e3o em escala no SUS permanece incipiente. A Fiocruz, em articula\u00e7\u00e3o com as faculdades de medicina e computa\u00e7\u00e3o das universidades p\u00fablicas, pode coordenar o escalamento desses pilotos, garantindo que os modelos sejam treinados com dados representativos da popula\u00e7\u00e3o brasileira \u2014 e n\u00e3o com dados de popula\u00e7\u00f5es europeias ou estadunidenses, como ocorre com a maioria dos sistemas comerciais de IA em sa\u00fade.<\/p>\n<p>Em todos essas tr\u00eas tecnologias sociais, as universidades p\u00fablicas brasileiras desempenham papel insubstitu\u00edvel: s\u00e3o elas que possuem os pesquisadores capazes de compreender simultaneamente as especificidades do problema (agr\u00edcola, ambiental, sanit\u00e1rio, educacional) e as possibilidades t\u00e9cnicas da IA. A estrat\u00e9gia de parcerias internacionais \u2014 com empresas chinesas de IA que enfrentam crescente fechamento de mercados ocidentais \u2014 deve, portanto, ter as universidades como n\u00f3 articulador: elas garantem que a transfer\u00eancia tecnol\u00f3gica se traduza em capacidade end\u00f3gena de pesquisa e forma\u00e7\u00e3o de quadros, n\u00e3o em mera depend\u00eancia de solu\u00e7\u00f5es importadas. O Brasil pode oferecer n\u00e3o apenas um mercado de 215 milh\u00f5es de habitantes, mas tamb\u00e9m dados e problemas \u00fanicos que enriqueceriam o desenvolvimento dessas tecnologias. Em contrapartida, exigimos transfer\u00eancia tecnol\u00f3gica, para apoiar nossos investimentos em forma\u00e7\u00e3o de quadros brasileiros e desenvolvimento de capacidades computacionais nacionais \u2014 data centers soberanos, processamento em territ\u00f3rio nacional, seguran\u00e7a de dados.<\/p>\n<p>Nesse campo, avan\u00e7os recentes s\u00e3o promissores, mas insuficientes. O projeto SoberanIA (dez. 2025) re\u00fane o Governo do Piau\u00ed, o MCTI, a Telebras e as empresas Modular e Scala Data Centers para permitir o acesso a modelos e datasets nacionais por meio de uma nuvem soberana, com arquitetura distribu\u00edda: F\u00e1brica de IA (Piau\u00ed), Cofre de Dados (Bras\u00edlia, Tier IV em \u00e1rea militar) e Distrito Soberano no Sul para processamento de GPUs (MATRONE, 2025). O Regime Especial de Tributa\u00e7\u00e3o para Data Centers (REDATA, MP 1.318\/2025) prev\u00ea R$ 5,2 bilh\u00f5es no or\u00e7amento de 2026 para incentivar novos empreendimentos. Contudo, cerca de 60% das cargas digitais brasileiras ainda dependem de servi\u00e7os prestados no exterior, gerando d\u00e9ficit de aproximadamente US$ 40 bilh\u00f5es em produtos el\u00e9tricos e eletr\u00f4nicos em 2024 (MIN. FAZENDA, 2025). O Brasil ocupa a 12\u00aa posi\u00e7\u00e3o no ranking global de data centers e lidera a Am\u00e9rica Latina, com cerca de 200 instala\u00e7\u00f5es e previs\u00e3o de R$ 60 a R$ 100 bilh\u00f5es em investimentos nos pr\u00f3ximos quatro anos (MIN. COMUNICA\u00c7\u00d5ES, 2026). Microsoft (R$ 14,7 bilh\u00f5es), Amazon (R$ 10,1 bilh\u00f5es) e BNDES (linha de R$ 2 bilh\u00f5es) j\u00e1 anunciaram aportes.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que, apesar do r\u00f3tulo de \u201cNuvem Soberana\u201d, o arranjo comercial atual conecta sistemas implementados a servidores estrangeiros, colocando dados cr\u00edticos sob legisla\u00e7\u00e3o de outros pa\u00edses (C\u00c2MARA DOS DEPUTADOS, 2025). A soberania computacional real exige n\u00e3o apenas data centers em territ\u00f3rio nacional, mas controle efetivo sobre a infraestrutura de processamento e os dados nela armazenados. Mesmo se acumularmos for\u00e7a e construirmos vontade pol\u00edtica coletiva para isso, tal projeto \u00e9 incompat\u00edvel com os cortes futuros do investimento p\u00fablico federal (que raramente poupam a ci\u00eancia e a tecnologia) e\/ou do or\u00e7amento da educa\u00e7\u00e3o e da sa\u00fade determinados pelo arcabou\u00e7o fiscal no futuro pr\u00f3ximo.[3]<\/p>\n<p><strong>Terceiro eixo: semicondutores e autonomia tecnol\u00f3gica. <\/strong>A depend\u00eancia brasileira de semicondutores importados \u00e9 quase absoluta \u2014 mais de 85% dos chips utilizados no pa\u00eds s\u00e3o importados (BRASIL, 2025) \u2014, tornando o pa\u00eds vulner\u00e1vel tanto a choques de oferta (como vimos na pandemia) quanto a press\u00f5es geopol\u00edticas. A China investiu centenas de bilh\u00f5es de d\u00f3lares na \u00faltima d\u00e9cada para reduzir sua pr\u00f3pria depend\u00eancia de chips ocidentais, especialmente diante das restri\u00e7\u00f5es impostas pelos EUA.<\/p>\n<p>Proponho negociar com grupos chineses do setor a instala\u00e7\u00e3o no Brasil de plantas de fabrica\u00e7\u00e3o de semicondutores de gera\u00e7\u00f5es anteriores (n\u00e3o necessariamente os chips mais avan\u00e7ados de 3 ou 5 nan\u00f4metros, mas chips de 28nm ou superiores que atendem mais de 70% das aplica\u00e7\u00f5es industriais, automotivas e de infraestrutura (ABISEMI, 2025). Em troca, oferecemos mercado garantido via compras p\u00fablicas, incentivos fiscais e, crucialmente, uma localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica que oferece alguma prote\u00e7\u00e3o contra press\u00f5es geopol\u00edticas estadunidenses.<\/p>\n<p>Esses tr\u00eas eixos, por sua vez, devem estar conectados a projetos coordenados pelo Estado de expans\u00e3o da infraestrutura econ\u00f4mica e social orientada para um modelo de crescimento que combine redu\u00e7\u00e3o de desigualdades, sustentabilidade ecol\u00f3gica e atendimento de necessidades reconhecidas da popula\u00e7\u00e3o brasileira. Algo que, de novo, s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel sem as amarras do arcabou\u00e7o fiscal.<\/p>\n<h3><strong>V. IA, desemprego e alternativas democr\u00e1ticas: o caso das cooperativas de plataforma<\/strong><\/h3>\n<p>Se a intelig\u00eancia artificial oferece as oportunidades de desenvolvimento descritas acima, ela tamb\u00e9m representa riscos concretos e j\u00e1 mensur\u00e1veis para o emprego, particularmente entre trabalhadores jovens e em in\u00edcio de carreira. Um estudo recente de Brynjolfsson, Chandar e Chen (2025), utilizando dados administrativos de alta frequ\u00eancia da ADP \u2014 a maior processadora de folha de pagamento dos Estados Unidos, com registros mensais de milh\u00f5es de trabalhadores \u2014, documentou seis fatos sobre os efeitos da IA generativa no mercado de trabalho estadunidense. O achado central \u00e9 que trabalhadores em in\u00edcio de carreira (22 a 25 anos) em ocupa\u00e7\u00f5es mais expostas \u00e0 IA \u2014 como desenvolvedores de software e representantes de atendimento ao cliente \u2014 experimentaram uma queda relativa de 16% no emprego, controlando por choques no n\u00edvel da firma, enquanto o emprego de trabalhadores experientes nas mesmas ocupa\u00e7\u00f5es permaneceu est\u00e1vel ou cresceu. Crucialmente, os autores mostram que as redu\u00e7\u00f5es de emprego se concentram em usos da IA que automatizam o trabalho, e n\u00e3o naqueles que o aumentam: quando a IA complementa tarefas humanas, o emprego cresce inclusive entre jovens.<\/p>\n<p>A distin\u00e7\u00e3o entre automa\u00e7\u00e3o e aumenta\u00e7\u00e3o \u00e9 politicamente decisiva. Se a IA for implantada exclusivamente segundo a l\u00f3gica de redu\u00e7\u00e3o de custos do capital privado, a tend\u00eancia \u00e9 de substitui\u00e7\u00e3o massiva de trabalho em ocupa\u00e7\u00f5es de entrada \u2014 justamente aquelas que funcionam como porta de acesso ao mercado formal para jovens. Em breve, mesmo empregos nos n\u00edveis m\u00e9dios das empresas podem ser substitu\u00eddos pelo uso de \u201cagentes de IA\u201d coordenados por equipes menores de executivos, gerentes e, quem sabe, programadores. O executivo-chefe da Anthropic, Dario Amodei, afirmou em janeiro de 2026 que estar\u00edamos \u201ca 6-12 meses de modelos capazes de fazer tudo o que engenheiros de software fazem de ponta a ponta\u201d, mencionando que engenheiros dentro da pr\u00f3pria Anthropic j\u00e1 n\u00e3o escrevem c\u00f3digo (AMODEI, 2026).<\/p>\n<p>N\u00e3o devemos esperar que o mercado crie os empregos substitutivos para os desempregados produzidos massivamente por tamanha transforma\u00e7\u00e3o estrutural do capitalismo e sua estrutura de ocupa\u00e7\u00e3o. Precisamos de projetos p\u00fablicos \u2014 sejam estatais, sejam de economia solid\u00e1ria e cooperativa. Se a IA for desenvolvida e implantada com governan\u00e7a democr\u00e1tica e orienta\u00e7\u00e3o para a aumentar a autonomia e a capacidade dos trabalhadores cooperados e servidores p\u00fablicos, pode gerar ganhos de produtividade compat\u00edveis com manuten\u00e7\u00e3o ou expans\u00e3o do emprego. A op\u00e7\u00e3o entre essas trajet\u00f3rias n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 tecnol\u00f3gica: \u00e9 pol\u00edtica e institucional.<\/p>\n<p>Uma proposta concreta para empoderar trabalhadores \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de uma rede nacional de cooperativas municipais de motoristas e entregadores, dotada de plataforma digital pr\u00f3pria com intelig\u00eancia artificial desenvolvida e mantida como infraestrutura p\u00fablica. A proposta, que sintetizo aqui, parte de um diagn\u00f3stico simples: as plataformas digitais de transporte e entrega \u2014 Uber, 99, iFood, Rappi \u2014 cobram comiss\u00f5es de 25% a 40% do valor de cada corrida ou entrega, mas o custo marginal da tecnologia em si \u2014 servidores, algoritmos, manuten\u00e7\u00e3o de aplicativos \u2014 representa fra\u00e7\u00e3o modesta do valor capturado. O restante financia amortiza\u00e7\u00e3o de investimentos em expans\u00e3o agressiva, remunera\u00e7\u00e3o de acionistas e estruturas corporativas transnacionais. A pr\u00f3pria Uber cobrava inicialmente apenas 10% dos motoristas, indicando que esse patamar era suficiente para cobrir custos de plataforma.<\/p>\n<p>A proposta articula tr\u00eas camadas: uma infraestrutura tecnol\u00f3gica nacional (plataforma digital como software livre, com IA para pareamento, otimiza\u00e7\u00e3o de rotas, previs\u00e3o de demanda e detec\u00e7\u00e3o de anomalias), cooperativas municipais regidas pela legisla\u00e7\u00e3o cooperativista brasileira, e uma inst\u00e2ncia de coordena\u00e7\u00e3o nacional com governan\u00e7a federativa. O papel do governo federal \u00e9 decisivo na primeira e na terceira camadas: o desenvolvimento e a manuten\u00e7\u00e3o da plataforma digital podem ser atribu\u00eddos a uma empresa p\u00fablica de tecnologia (nos moldes da Serpro ou do Dataprev), a um cons\u00f3rcio de universidades p\u00fablicas, ou a uma funda\u00e7\u00e3o h\u00edbrida p\u00fablico-cooperativa com governan\u00e7a tripartite (governo, cooperativas e universidades). O financiamento inicial pode vir da Finep, do BNDES e do FNDCT, e eventualmente de bancos p\u00fablicos internacionais como o Banco dos Brics. As universidades p\u00fablicas contribuem por meio da Rede de Incubadoras Tecnol\u00f3gicas de Cooperativas Populares (ITCPs), presente em cerca de 60 universidades, que pode liderar a forma\u00e7\u00e3o, a assessoria t\u00e9cnica e a constitui\u00e7\u00e3o das cooperativas municipais \u2014 mobilizando compet\u00eancias simult\u00e2neas em engenharia de software, ci\u00eancia de dados, economia solid\u00e1ria e extens\u00e3o universit\u00e1ria. Com comiss\u00f5es reduzidas a 5%-12%, estima-se aumento de 20% a 35% na renda l\u00edquida dos cooperados. A viabilidade est\u00e1 demonstrada por experi\u00eancias existentes: a Coomappa de Araraquara repassa 93% a 95% do valor da corrida ao motorista; a Green Taxi Cooperative de Denver conquistou 37% do mercado local; a Drivers Cooperative de Nova York re\u00fane mais de 5.000 membros.<\/p>\n<p>As vantagens v\u00e3o al\u00e9m do plano econ\u00f4mico. A plataforma cooperativa democratiza a governan\u00e7a do algoritmo: pre\u00e7os, distribui\u00e7\u00e3o de corridas e crit\u00e9rios de avalia\u00e7\u00e3o s\u00e3o decididos em assembleia, n\u00e3o por uma corpora\u00e7\u00e3o opaca. Os dados de mobilidade urbana tornam-se patrim\u00f4nio coletivo, \u00fateis para planejamento p\u00fablico. A formaliza\u00e7\u00e3o como cooperados garante direitos previdenci\u00e1rios e prote\u00e7\u00e3o social. E a plataforma, desenvolvida como software livre, constitui ativo tecnol\u00f3gico reutiliz\u00e1vel para cooperativas em outros setores \u2014 cuidadores, eletricistas, pequenos produtores rurais, artes\u00e3os.<\/p>\n<p>Essa proposta tem ainda uma dimens\u00e3o pol\u00edtica que merece aten\u00e7\u00e3o. Motoristas de aplicativo s\u00e3o, tipicamente, propriet\u00e1rios de seus ve\u00edculos e percebem-se como empreendedores aut\u00f4nomos, n\u00e3o como trabalhadores assalariados. Essa auto-identifica\u00e7\u00e3o os afastou historicamente dos partidos de esquerda no Brasil, que operam com categorias sindicais e trabalhistas que nem sempre dialogam com a experi\u00eancia de quem investe capital pr\u00f3prio e assume risco. O cooperativismo de plataforma oferece exatamente o enquadramento institucional que respeita essa autonomia: o cooperado \u00e9 s\u00f3cio, n\u00e3o empregado; participa das decis\u00f5es, n\u00e3o recebe ordens; e melhora sua renda n\u00e3o por regulamenta\u00e7\u00e3o estatal do pre\u00e7o, mas pela elimina\u00e7\u00e3o do intermedi\u00e1rio que captura parcela desproporcional do valor gerado. Trata-se de uma proposta que pode abrir canal de di\u00e1logo com uma categoria profissional numerosa, urbana e organizada que dificilmente seria atingida por formas tradicionais de mobiliza\u00e7\u00e3o da esquerda. O modelo \u00e9 generaliz\u00e1vel: se funcionar para motoristas e entregadores, pode ser estendido a qualquer categoria de trabalhadores mediados por plataformas digitais.<\/p>\n<h3><strong>VI. S\u00edntese: reforma fiscal como pr\u00e9-condi\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica<\/strong><\/h3>\n<p>Retorno ao argumento central: as parcerias estrat\u00e9gicas e as alternativas democr\u00e1ticas de uso da IA descritas acima n\u00e3o s\u00e3o vi\u00e1veis sem a reforma fiscal que proponho. Joint ventures substantivas exigem que o parceiro brasileiro entre com capital e capacita\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, n\u00e3o apenas com territ\u00f3rio e m\u00e3o-de-obra barata. Transfer\u00eancia tecnol\u00f3gica genu\u00edna s\u00f3 ocorre quando o receptor demonstra capacidade de absor\u00e7\u00e3o e inova\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, o que exige investimentos massivos em educa\u00e7\u00e3o, pesquisa e desenvolvimento institucional. Por exemplo, as plataformas cooperativas com IA de qualidade exigem investimento p\u00fablico em tecnologia e forma\u00e7\u00e3o para competir com plataformas transnacionais. Autonomia tecnol\u00f3gica n\u00e3o se conquista com passividade fiscal.<\/p>\n<p>Nesse contexto, \u00e9 analiticamente significativo \u2014 e politicamente preocupante \u2014 que integrantes da pr\u00f3pria equipe econ\u00f4mica do governo Lula venham sinalizando, para o mandato p\u00f3s-2026, reformas fiscais que aprofundariam a austeridade em vez de revert\u00ea-la. Declara\u00e7\u00f5es p\u00fablicas do secret\u00e1rio do Tesouro Rog\u00e9rio Ceron e da ex-ministra do Planejamento Simone Tebet apontam na dire\u00e7\u00e3o de novas reformas previdenci\u00e1rias e de conten\u00e7\u00e3o de despesas obrigat\u00f3rias em sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o \u2014 ou seja, exatamente a agenda de consolida\u00e7\u00e3o fiscal pelo lado da despesa social que o mercado financeiro demanda. O fato de essa agenda ser naturalizada e vocalizada pela equipe econ\u00f4mica de um governo de centro-esquerda indica a profundidade com que a l\u00f3gica da austeridade penetrou o aparato estatal, a ponto de os pr\u00f3prios gestores que deveriam promover a expans\u00e3o do investimento p\u00fablico tornarem-se portadores do discurso que a inviabiliza.<\/p>\n<p>A reforma fiscal que defendo vai na dire\u00e7\u00e3o inversa. N\u00e3o se trata de comprimir despesas obrigat\u00f3rias para gerar super\u00e1vits prim\u00e1rios que acalmem credores \u2014 estrat\u00e9gia que, al\u00e9m de socialmente perversa, \u00e9 economicamente contraproducente, pois deprime a demanda agregada e reduz a pr\u00f3pria base tribut\u00e1ria. Trata-se de excluir gastos correntes e investimentos estrat\u00e9gicos do teto de gastos para que o Estado recupere sua capacidade de induzir o desenvolvimento, financiando essa expans\u00e3o com crescimento econ\u00f4mico (que amplia receitas) e com recomposi\u00e7\u00e3o da tributa\u00e7\u00e3o progressiva sobre renda e patrim\u00f4nio.<\/p>\n<p>O momento \u00e9 agora. A janela geopol\u00edtica aberta pela rivalidade sino-americana n\u00e3o permanecer\u00e1 aberta indefinidamente. Se o Brasil n\u00e3o aproveitar a atual conjuntura para negociar parcerias substantivas, voltaremos \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de receptores passivos de investimentos em setores de baixo valor agregado.<\/p>\n<p>Em 2026, o Brasil estar\u00e1 cada vez mais dividido em torno de duas candidaturas presidenciais que, inevitavelmente, inviabilizam candidaturas alternativas em cada campo ao nuclear os polos sociais e as campanhas pol\u00edticas nos estados. Por um lado, n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o pol\u00edtico s\u00e9rio na elei\u00e7\u00e3o presidencial fora da polariza\u00e7\u00e3o entre Lula e Bolsonaro no Brasil. Por outro lado, n\u00e3o h\u00e1 como ganhar uma elei\u00e7\u00e3o polarizada oferecendo \u201cmenos do mesmo\u201d com o arcabou\u00e7o fiscal. Neste contexto, as cr\u00edticas feitas ao arcabou\u00e7o fiscal s\u00e3o construtivas, no sentido de buscarem alertar para o risco eleitoral da op\u00e7\u00e3o pela in\u00e9rcia neoliberal. Como alternativa ao \u201cmenos do mesmo\u201d, precisamos ganhar cora\u00e7\u00f5es e mentes para um horizonte ut\u00f3pico de reformas vi\u00e1veis.<\/p>\n<p>As elei\u00e7\u00f5es de 2026 devem ser disputadas em torno dessa escolha civilizat\u00f3ria: continuar prisioneiros de uma austeridade que nos condena ao subdesenvolvimento permanente e nos amea\u00e7a com a vit\u00f3ria eleitoral do neofascismo, ou realizar as reformas institucionais \u2014 come\u00e7ando pela fiscal \u2014 que viabilizam uma estrat\u00e9gia soberana de inser\u00e7\u00e3o na economia mundial do s\u00e9culo XXI que \u00e9 compat\u00edvel com desenvolvimento justo e ambientalmente sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>A pergunta que coloco para debate n\u00e3o \u00e9 se podemos fazer isso, mas se teremos a coragem pol\u00edtica de faz\u00ea-lo.<\/p>\n<h3><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h3>\n<hr>\n<p>ABISEMI; GAZETA DO POVO. Como o Brasil corre para entrar na produ\u00e7\u00e3o de semicondutores. Gazeta do Povo, 16 jun. 2025. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/brasil\/como-brasil-deve-enfrentar-atraso-producao-semicondutores\/. Acesso em: 3 abr. 2026.<\/p>\n<p>ABSOLAR. Hidrog\u00eanio verde e armazenamento de energia el\u00e9trica: novas fronteiras de desenvolvimento da fonte solar. S\u00e3o Paulo: ABSOLAR, 2024. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.absolar.org.br\/artigos\/hidrogenio-verde-e-armazenamento-de-energia-eletrica-novas-fronteiras-de-desenvolvimento-da-fonte-solar\/. Acesso em: 30 mar. 2026.<\/p>\n<p>AMODEI, Dario. The day after AGI [Painel com Demis Hassabis, moderado por Zanny Minton Beddoes]. In: WORLD ECONOMIC FORUM ANNUAL MEETING 2026, Davos, 20 jan. 2026. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.weforum.org\/meetings\/world-economic-forum-annual-meeting-2026\/sessions\/the-day-after-agi\/. Acesso em: 4 abr. 2026.<\/p>\n<p>BASTOS, Pedro P. Z. (2023a) Quatro tetos e um funeral: o novo arcabou\u00e7o\/regra fiscal e o projeto social-liberal do ministro Haddad. Campinas: Instituto de Economia, Centro de Estudos de Conjuntura e Pol\u00edtica Econ\u00f4mica (CECON), Unicamp, 2023. (Nota do CECON, n. 21). Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.eco.unicamp.br\/images\/arquivos\/nota-cecon\/nota-do-cecon-21-23395ab8.pdf. Acesso em: 4 abr. 2026.<\/p>\n<p>BASTOS, Pedro P. Z. (2023b) N\u00e3o existe alternativa? Considera\u00e7\u00f5es sobre o impacto econ\u00f4mico e a economia pol\u00edtica do novo arcabou\u00e7o fiscal (\u201cRegime Fiscal Sustent\u00e1vel\u201d). Revista do N\u00facleo de Estudos de Economia Catarinense, 12(23), 26-46.<\/p>\n<p>BASTOS, Pedro P. Z. (2023c) Fundo Amaz\u00f4nia e desenvolvimento socioambiental inclusivo: problemas e recomenda\u00e7\u00f5es. Campinas: Instituto de Economia, Centro de Estudos de Conjuntura e Pol\u00edtica Econ\u00f4mica (CECON), Unicamp, 2023. (Nota do CECON, n. 20). Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.eco.unicamp.br\/images\/arquivos\/nota-cecon\/nota-do-cecon-20.pdf. Acesso em: 4 abr. 2026.<\/p>\n<p>BLOOMBERG L\u00cdNEA. Com excesso de energia, setor e\u00f3lico e solar no Brasil enfrenta crise sem precedente. Bloomberg L\u00ednea, 25 jun. 2025.<\/p>\n<p>BNDES SETORIAL. Gera\u00e7\u00e3o de energia solar fotovoltaica. BNDES Set., Rio de Janeiro, v. 31, n. 59, p. 57-118, mar. 2025.<\/p>\n<p>BOLFE, \u00c9dson L. et al. Mapping agricultural intensification in the Brazilian savanna: a machine learning approach using harmonized data from Landsat Sentinel-2. ISPRS International Journal of Geo-Information (IJGI), v. 12, n. 7, art. 263, 2023. DOI: 10.3390\/ijgi12070263. Dispon\u00edvel em: https:\/\/doi.org\/10.3390\/ijgi12070263. Acesso em: 3 abr. 2026.<\/p>\n<p>BOR\u00c7A JR., Gilberto. Comportamento recente do investimento p\u00fablico no Brasil. BNDES Estudos Especiais. Rio de Janeiro: BNDES, 2025. Dispon\u00edvel em: https:\/\/blogdodesenvolvimento.bndes.gov.br\/serie\/estudos-especiais\/Comportamento-recente-do-investimento-publico-no-Brasil\/<\/p>\n<p>BOR\u00c7A JR., Gilberto. OBSERVAT\u00d3RIO DE POL\u00cdTICA FISCAL. Comportamento recente do investimento p\u00fablico no Brasil. Rio de Janeiro: FGV IBRE, 2025. Dispon\u00edvel em: https:\/\/observatorio-politica-fiscal.ibre.fgv.br\/politica-economica\/outros\/comportamento-recente-do-investimento-publico-no-brasil. Acesso em: 30 mar. 2026.<\/p>\n<p>BRASIL. Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o. Entre chips, dados e intelig\u00eancia artificial, 2025 marcou o avan\u00e7o da soberania tecnol\u00f3gica do Brasil. Bras\u00edlia: MCTI, 26 dez. 2025. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.gov.br\/mcti\/pt-br\/acompanhe-o-mcti\/noticias\/2025\/12\/entre-chips-dados-e-inteligencia-artificial-2025-marcou-o-avanco-da-soberania-tecnologica-do-brasil. Acesso em: 3 abr. 2026.<\/p>\n<p>BRYNJOLFSSON, Erik; CHANDAR, Bharat; CHEN, Ruyu. Canaries in the coal mine? Six facts about the recent employment effects of artificial intelligence. Stanford Digital Economy Lab, 13 nov. 2025. Dispon\u00edvel em: https:\/\/digitaleconomy.stanford.edu\/publications\/canaries-in-the-coal-mine\/. Acesso em: 30 mar. 2026.<\/p>\n<p>C\u00c2MARA DOS DEPUTADOS. EP#91 \u2014 Soberania nacional e a pol\u00edtica de data centers no Brasil. R\u00e1dio C\u00e2mara, 2025. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.camara.leg.br\/radio\/programas\/1116955-ep91-soberania-nacional-e-a-politica-de-data-centers-no-brasil\/. Acesso em: 3 abr. 2026.<\/p>\n<p>CAVALHEIRO, Gabriel. Livro da Embrapa sobre agricultura de precis\u00e3o na era digital j\u00e1 est\u00e1 dispon\u00edvel para download. Canal Rural, 1 dez. 2024. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.canalrural.com.br\/agricultura\/livro-da-embrapa-sobre-agricultura-de-precisao-na-era-digital-ja-esta-disponivel-para-download\/. Acesso em: 3 abr. 2026.<\/p>\n<p>CEBC. Investimentos chineses no Brasil 2024: reindustrializa\u00e7\u00e3o e transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica. Rio de Janeiro: Conselho Empresarial Brasil-China, 2025. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.cebc.org.br\/2025\/09\/04\/brasil-foi-a-economia-emergente-que-mais-recebeu-investimentos-chineses-em-2024\/. Acesso em: 3 abr. 2026.<\/p>\n<p>CONAB. Acompanhamento da safra brasileira de gr\u00e3os: s\u00e9ries hist\u00f3ricas de produtividade. Bras\u00edlia: Companhia Nacional de Abastecimento, 2024. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.conab.gov.br\/info-agro\/safras\/serie-historica-das-safras. Acesso em: 30 mar. 2026.<\/p>\n<p>CORREIO BRAZILIENSE. Brasil desperdi\u00e7ou 20% da energia renov\u00e1vel em 2025. Correio Braziliense, 28 dez. 2025 (com base em dados de VOLT ROBOTICS, Curtailment 2025: retrospectiva e proje\u00e7\u00e3o). Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/economia\/2025\/12\/7322085-brasil-desperdicou-20-da-energia-renovavel-em-2025.html. Acesso em: 3 abr. 2026.<\/p>\n<p>EMBRAPA. Agricultura de precis\u00e3o: um novo olhar na era digital. Bras\u00edlia: Embrapa, 2024. 811 p. https:\/\/www.embrapa.br\/busca-de-publicacoes\/-\/publicacao\/1169415\/agricultura-de-precisao-um-novo-olhar-na-era-digital<\/p>\n<p>EPE. Balan\u00e7o Energ\u00e9tico Nacional 2025: ano base 2024. Rio de Janeiro: Empresa de Pesquisa Energ\u00e9tica, 2025.<\/p>\n<p>FEITOSA, Raul Q. et al. Novo mapeamento com Intelig\u00eancia Artificial ajudar\u00e1 a prevenir desmatamento na Amaz\u00f4nia. The Conversation, 5 set. 2025. Dispon\u00edvel em: https:\/\/theconversation.com\/novo-mapeamento-com-inteligencia-artificial-ajudara-a-prevenir-desmatamento-na-amazonia-263413. Acesso em: 30 mar. 2026.<\/p>\n<p>IFI. Relat\u00f3rio de Acompanhamento Fiscal n. 108, janeiro de 2026. Bras\u00edlia: Institui\u00e7\u00e3o Fiscal Independente, Senado Federal, 2026.<\/p>\n<p>INPE. INPE\/MCTI e SECD\/MMA lan\u00e7am sistema DETER N\u00e3o Floresta para monitoramento di\u00e1rio de todo o bioma Amaz\u00f4nia. S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos: Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, 15 set. 2025. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.gov.br\/inpe\/pt-br\/assuntos\/ultimas-noticias\/inpe-mcti-e-secd-mma-lancam-sistema-deter-nao-floresta-para-monitoramento-diario-de-todo-o-bioma-amazonia. Acesso em: 30 mar. 2026.<\/p>\n<p>JORNAL DA USP. S\u00e9rie Energia: altern\u00e2ncia entre energia solar e termel\u00e9tricas cria a curva do pato, um problema estrat\u00e9gico. Jornal da USP, 13 fev. 2026. Dispon\u00edvel em: https:\/\/jornal.usp.br\/noticias\/serie-energia-alternancia-entre-energia-solar-e-termeletricas-cria-a-curva-do-pato-um-problema-estrategico\/. Acesso em: 3 abr. 2026.<\/p>\n<p>MATRONE, Bella Winckler. 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Data centers devem receber US$ 3 trilh\u00f5es em investimentos e Brasil desponta na Am\u00e9rica Latina. Bras\u00edlia: Min. Comunica\u00e7\u00f5es, 13 jan. 2026. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.gov.br\/mcom\/pt-br\/noticias\/2026\/janeiro\/data-centers-devem-receber-us-3-trilhoes-em-investimentos-e-brasil-desponta-na-america-latina. Acesso em: 3 abr. 2026.<\/p>\n<p>NAKAYA, Helder I. et al. Innovations in AI promise to revolutionize epidemic monitoring and medical diagnostics in Brazil. Apresenta\u00e7\u00e3o no Institut Pasteur de S\u00e3o Paulo\/USP, 2024. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.pasteur-sp.org.br\/en\/news-en\/innovations-in-ai-promise-to-revolutionize-epidemic-monitoring-and-medical-diagnostics-in-brazil\/. Acesso em: 31 mar. 2026.<\/p>\n<p>ONS. Diagn\u00f3stico e perspectiva da evolu\u00e7\u00e3o dos cortes de gera\u00e7\u00e3o no Brasil. RT DGL-ONS 0189-2025. Rio de Janeiro: Operador Nacional do Sistema El\u00e9trico, 2025. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.ons.org.br\/AcervoDigitalDocumentosEPublicacoes\/RT%20DGL-ONS%200189-2025%20-%20GT%20Curtailment%20rev1.pdf. Acesso em: 3 abr. 2026.<\/p>\n<p>PARAN\u00c1. Tecnologia criada pela Unioeste permite monitoramento do mosquito da dengue com IA. Curitiba: Ag\u00eancia Estadual de Not\u00edcias, 28 out. 2025. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.parana.pr.gov.br\/aen\/Noticia\/Tecnologia-criada-pela-Unioeste-permite-monitoramento-do-mosquito-da-dengue-com-IA. https:\/\/www.parana.pr.gov.br\/aen\/Noticia\/Tecnologia-criada-pela-Unioeste-permite-monitoramento-do-mosquito-da-dengue-com-IA<\/p>\n<p>PIRES, M. C.. Investimentos p\u00fablicos: 1947-2024. OBSERVAT\u00d3RIO DE POL\u00cdTICA FISCAL. Rio de Janeiro: FGV IBRE, 2025. Dispon\u00edvel em: https:\/\/observatorio-politica-fiscal.ibre.fgv.br\/series-historicas\/investimentos-publicos\/. Acesso em: 30 mar. 2026.<\/p>\n<p>SHARMA, Abhinav et al. Machine learning applications for precision agriculture: a comprehensive review. <strong>IEEE Access<\/strong>, v. 9, p. 4843-4873, <strong>2021<\/strong>. DOI: 10.1109\/ACCESS.2020.3048415<\/p>\n<p>USDA. World Agricultural Supply and Demand Estimates (WASDE). Washington, DC: United States Department of Agriculture, 2024. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.usda.gov\/oce\/commodity\/wasde. Acesso em: 30 mar. 2026.<\/p>\n<p>WEG. WEG fornece sistema de armazenamento de energia para planta de gera\u00e7\u00e3o de hidrog\u00eanio verde de Furnas. Jaragu\u00e1 do Sul: WEG, 2021. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.weg.net\/institutional\/BZ\/en\/news\/products-and-solutions\/weg-supplies-energy-storage-system-for-furnas-green-hydrogen-generation-plant. Acesso em: 30 mar. 2026.<\/p>\n<h3><strong>Notas<\/strong><\/h3>\n<hr>\n<p>[1] Esses problemas configuram o fen\u00f4meno conhecido como \u201ccurtailment\u201d \u2014 o corte for\u00e7ado de gera\u00e7\u00e3o renov\u00e1vel por excesso de oferta ou insufici\u00eancia de escoamento. Em 2025, 20,6% de toda a gera\u00e7\u00e3o solar e e\u00f3lica dispon\u00edvel no Brasil deixou de ser aproveitada, com perdas estimadas em mais de R$ 6 bilh\u00f5es (CORREIO BRAZILIENSE, 2025). Segundo o ONS (2025), a restri\u00e7\u00e3o total imposta \u00e0s fontes e\u00f3lica e solar atingiu a ordem de 20 GW. A Lei n. 15.269\/2025, que estabelece diretrizes para o primeiro Leil\u00e3o de Reserva de Capacidade para armazenamento (em baterias), previsto para abril de 2026, \u00e9 um marco importante, mas chega com atraso significativo (JORNAL DA USP, 2026).<\/p>\n<p>[2] Refiro-me aqui a quest\u00f5es n\u00e3o mencionadas ou pouco desenvolvidas no Plano Brasileiro de Intelig\u00eancia Artificial (Brasil, 2024), cuja leitura \u00e9 recomend\u00e1vel.<\/p>\n<p>[3] Pois, como se sabe, itens de gastos com vincula\u00e7\u00f5es constitucionais de receitas (como educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade) que tendem a crescer mais do que o limite geral autorizado pelo arcabou\u00e7o (2,5%) s\u00e3o incompat\u00edveis com ele.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. Se voc\u00ea valoriza nossa produ\u00e7\u00e3o, seja nosso apoiador e fortale\u00e7a o jornalismo cr\u00edtico: <strong>apoia.se\/outraspalavras<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>The post O projeto Lula IV em sua encruzilhada appeared first on Outras Palavras.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/milhares-saem-as-ruas-de-teera-em-apoio-a-resistencia-iraniana-contra-israel-e-eua\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/1404040321315421733223404-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Milhares saem \u00e0s ruas de Teer\u00e3 em apoio \u00e0 resist\u00ean...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/apos-duas-mortes-em-um-mes-eua-vivem-revolta-popular-contra-politicas-migratorias-de-trump\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Ap\u00f3s duas mortes em um m\u00eas, EUA vivem revolta popu...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/pressao-da-direita-por-transicao-mais-longa-adia-entrega-do-relatorio-do-fim-da-escala-6x1-governo-defende-reducao-mais-rapida\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Press\u00e3o da direita por transi\u00e7\u00e3o mais longa adia e...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/peru-a-republica-do-crime-e-da-corrupcao\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/peru-150x150.webp') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Peru, a rep\u00fablica do crime e da corrup\u00e7\u00e3o<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Janela geopol\u00edtica e China abrem espa\u00e7o para superar regress\u00e3o de quatro d\u00e9cadas. H\u00e1 caminhos em IA, energias limpas, cooperativismo digital, SUS e biomas. Mas diante do rentismo, campanha vacila e arrisca-se a prometer \u201cmenos do mesmo\u201d<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/crise-brasileira\/projeto-lula-iv-em-sua-encruzilhada\/\">O projeto Lula IV em sua encruzilhada<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":82478,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[2626,13608,4590,6307,5511,6007,13668,696,46257,1312,6219,1228,11242,3408,30581,753,5810,5498,2729,553],"tags":[],"class_list":["post-82477","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-arcabouco-fiscal","category-ascensao-da-china","category-austeridade","category-bioeconomia","category-capa","category-crise-brasileira","category-economia-digital","category-eleicoes","category-eleicoes-2010","category-geopolitica","category-ia","category-inteligencia-artificial","category-lula-4","category-plano-brasileiro-de-inteligencia-artificial","category-reforma-fiscal","category-saude-publica","category-semicondutores","category-soberania-digital","category-teto-de-gastos","category-transicao-energetica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82477","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=82477"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82477\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/82478"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=82477"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=82477"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=82477"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}