{"id":82632,"date":"2026-04-13T04:00:00","date_gmt":"2026-04-13T07:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/programa-artemis-brasil-cria-superplantas-que-servirao-de-alimento-no-espaco-e-na-terra\/"},"modified":"2026-04-13T04:00:00","modified_gmt":"2026-04-13T07:00:00","slug":"programa-artemis-brasil-cria-superplantas-que-servirao-de-alimento-no-espaco-e-na-terra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/programa-artemis-brasil-cria-superplantas-que-servirao-de-alimento-no-espaco-e-na-terra\/","title":{"rendered":"Programa Artemis: Brasil cria \u201csuperplantas\u201d que servir\u00e3o de alimento no espa\u00e7o e na Terra"},"content":{"rendered":"<p>O Brasil j\u00e1 \u00e9 conhecido como o \u201cceleiro do mundo\u201d e pode estar prestes a dar um novo salto. Pesquisadores brasileiros est\u00e3o desenvolvendo plantas que podem crescer no espa\u00e7o. E essa tecnologia pode ser decisiva para um mundo que precisa produzir alimentos em condi\u00e7\u00f5es cada vez mais adversas, causadas pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>A pesquisa integra o programa Artemis, o mesmo que encerrou sua segunda miss\u00e3o de viagem tripulada \u00e0 Lua, nesta sexta-feira, 10 de abril, com o retorno de quatro astronautas \u00e0 Terra.<\/p>\n<p>O Brasil pretende criar as bases para a produ\u00e7\u00e3o de alimentos em \u201cfazendas\u201d extraterrestres para alimentar astronautas em miss\u00f5es. Chamada Rede Space Farming Brazil, a pesquisa \u00e9 liderada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa), com apoio da Ag\u00eancia Espacial Brasileira (AEB) e cientistas de 22 institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A ideia \u00e9 criar \u201csuperplantas\u201d por meio da variabilidade gen\u00e9tica, que tenham maior produtividade, resist\u00eancia e valor nutricional, al\u00e9m de maior efici\u00eancia no uso de \u00e1gua e energia.<\/p>\n<p>A batata-doce e o gr\u00e3o-de-bico foram escolhidos para os testes na primeira fase do projeto, por precisarem de menos \u00e1gua e calor do que outras culturas. Outras plantas devem ser inseridas gradativamente, como as utilizadas na produ\u00e7\u00e3o de rem\u00e9dios e fibras.<\/p>\n<p>\u201cA adapta\u00e7\u00e3o dessas plantas possibilitar\u00e1 a sele\u00e7\u00e3o de novos gen\u00f3tipos mais adaptados \u00e0s condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas a serem enfrentadas nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas, simulando artificialmente o que se prev\u00ea para temperatura e outros fatores ambientais no futuro\u201d, afirma Alessandra F\u00e1vero, pesquisadora da Embrapa que coordena a pesquisa.<\/p>\n<div>\n<div>\n<h2>Por que isso importa?<\/h2>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<ul>\n<li>O programa Artemis teve in\u00edcio em 2012, liderado pelos Estados Unidos e mais sete pa\u00edses signat\u00e1rios. Atualmente, j\u00e1 s\u00e3o 56 pa\u00edses que assinaram acordo de coopera\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>Segundo auditoria da NASA, o programa j\u00e1 gastou, em 13 anos de exist\u00eancia, 93 bilh\u00f5es de d\u00f3lares.<\/li>\n<\/ul><\/div>\n<\/p><\/div>\n<p>F\u00e1vero destaca que os prot\u00f3tipos poder\u00e3o ser usados em \u00e1reas vulner\u00e1veis \u00e0 crise do clima, seja em grandes centros urbanos ou em \u00e1reas rurais remotas. \u201c\u00c9 uma estrat\u00e9gia para auxiliar na seguran\u00e7a alimentar das popula\u00e7\u00f5es locais\u201d, continua.<\/p>\n<figure><figcaption>Coordenadora da pesquisa, Alessandra F\u00e1vero diz que prot\u00f3tipos auxiliar\u00e3o na seguran\u00e7a alimentar global<\/figcaption><\/figure>\n<h2><strong>O desafio de cultivar vida no \u201cvazio\u201d c\u00f3smico<\/strong><\/h2>\n<p>Um dos maiores desafios para os pesquisadores \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o de um inv\u00f3lucro que consiga proteger as plantas da radia\u00e7\u00e3o ionizante c\u00f3smica. Apesar de parecer um grande vazio escuro, o espa\u00e7o \u00e9 repleto de part\u00edculas min\u00fasculas que viajam a velocidades alt\u00edssimas e, quando entram em contato com mat\u00e9ria, podem arrancar el\u00e9trons dos \u00e1tomos, inviabilizando qualquer forma de vida como a conhecemos.<\/p>\n<p>Essas condi\u00e7\u00f5es extremas est\u00e3o sendo simuladas em laborat\u00f3rios no Brasil. No ano passado, houve um primeiro teste em uma miss\u00e3o espacial an\u00e1loga, ambiente terrestre com condi\u00e7\u00f5es parecidas \u00e0s de uma esta\u00e7\u00e3o espacial.<\/p>\n<p>O experimento, bem-sucedido, ocorreu no Habitat Marte, espa\u00e7o da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) que reproduz o planeta vermelho, com mudas de tomate que utilizam sistemas hidrop\u00f4nicos e aerop\u00f4nicos \u2013 ambos sem uso de solo.<\/p>\n<p>Em abril de 2025, a Rede Space Farming Brazil enviou sementes de gr\u00e3o-de-bico e batata-doce em um foguete da Blue Origin, empresa comercial do bilion\u00e1rio norte-americano Jeff Bezos. Os alimentos ficaram expostos \u00e0 microgravidade por cinco minutos, para depois passarem por uma an\u00e1lise gen\u00e9tica. Em agosto, o grupo enviou outras plantas brasileiras, como morango e orqu\u00eddeas, para a Esta\u00e7\u00e3o Espacial Internacional (ISS).<\/p>\n<p>Segundo F\u00e1vero, a primeira fase do programa tem dura\u00e7\u00e3o prevista de cinco anos, com simula\u00e7\u00f5es na Terra. A segunda fase prev\u00ea testes em \u00f3rbita terrestre e, na terceira fase, experimentos em espa\u00e7o profundo, como na Lua.<\/p>\n<h2><strong>Da \u00f3rbita lunar \u00e0 floresta tropical<\/strong><\/h2>\n<p>A ci\u00eancia brasileira tem outra iniciativa para al\u00e9m da agricultura espacial: o pa\u00eds se prepara para a sua primeira miss\u00e3o lunar. Tamb\u00e9m como parte do programa Artemis, o Brasil est\u00e1 desenvolvendo o SelenITA, um nanossat\u00e9lite que pretende ir \u00e0 \u00f3rbita da Lua e contornar o seu polo sul para estudar campos magn\u00e9ticos e relevo. O nome \u00e9 derivado da selenita, um tipo de cristal cujo brilho lembra o da lua.<\/p>\n<p>O nanossat\u00e9lite ser\u00e1 lan\u00e7ado na pr\u00f3xima fase do programa Artemis, prevista para 2028. As informa\u00e7\u00f5es coletadas ser\u00e3o essenciais para futuras miss\u00f5es tripuladas \u00e0 Lua, de acordo com a AEB. O projeto \u00e9 realizado pelo Instituto de Tecnologia Aeron\u00e1utica (ITA) em parceria com a ag\u00eancia brasileira e a norte-americana Nasa.<\/p>\n<p>De acordo com a For\u00e7a A\u00e9rea Brasileira (FAB), os estudos relacionados ao SelenITA devem colaborar com o avan\u00e7o em outras \u00e1reas, como o de sistemas embarcados espaciais, navega\u00e7\u00e3o orbital, telecomunica\u00e7\u00f5es em espa\u00e7o profundo e sistemas de engenharia de energia.<\/p>\n<p>Esse tipo de tecnologia \u00e9 usada em ferramentas do cotidiano, como o monitoramento via sat\u00e9lite da Amaz\u00f4nia, a vigil\u00e2ncia de fronteiras e o compartilhamento seguro de informa\u00e7\u00f5es sens\u00edveis.<\/p>\n<p>\u201cIniciativas como a SelenITA viabilizam o desenvolvimento de tecnologias pr\u00f3prias, a capacita\u00e7\u00e3o de engenheiros e a consolida\u00e7\u00e3o de uma base industrial robusta. Al\u00e9m disso, contribuem para o est\u00edmulo \u00e0 forma\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e ao engajamento de novas gera\u00e7\u00f5es em \u00e1reas estrat\u00e9gicas\u201d, disse a Aeron\u00e1utica em resposta \u00e0 <strong>Ag\u00eancia P\u00fablica<\/strong>.<\/p>\n<h2><strong>O que significa o Brasil participar do programa Artemis<\/strong><\/h2>\n<p>Assinado pelo Brasil em 2021, os acordos relacionados ao programa Artemis servem como um protocolo de inten\u00e7\u00f5es e salvaguardas entre na\u00e7\u00f5es e n\u00e3o estipula obriga\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas.<\/p>\n<p>\u201cEles regulamentam os fins pac\u00edficos e n\u00e3o predat\u00f3rios da explora\u00e7\u00e3o do sistema solar, em particular da Lua e de Marte. Os deveres do Brasil s\u00e3o os mesmos de outros pa\u00edses, similar ao que acontece na explora\u00e7\u00e3o da Ant\u00e1rtida\u201d, afirma o astrof\u00edsico Gabriel Rodrigues Hickel, da Universidade Federal de Itajub\u00e1 (Unifei).<\/p>\n<p>Para o cientista, a participa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds no Artemis n\u00e3o deve trazer retorno imediato \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, mas sim \u00e0 m\u00e9dio e longo prazo. \u201cA tecnologia desenvolvida em fun\u00e7\u00e3o da corrida espacial entre 1950 e 1970 nos beneficia hoje com avan\u00e7os que v\u00e3o desde as telecomunica\u00e7\u00f5es via sat\u00e9lite at\u00e9 diagn\u00f3sticos m\u00e9dicos mais eficazes\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Hickel destaca que um dos fatores mais promissores para o Brasil \u00e9 a partir dos estudos realizados pela Embrapa. \u201cOs resultados podem ser aplic\u00e1veis a terrenos \u00e1ridos, menos f\u00e9rteis e sob condi\u00e7\u00f5es de ilumina\u00e7\u00e3o n\u00e3o ideais\u201d, diz. \u201cNo caminho para obter esp\u00e9cies de plantas adequadas a ambientes espaciais, pode-se encontrar plantas mais produtivas para ambientes terrestres n\u00e3o ideais\u201d, explica.<\/p>\n<p>Segundo a AEB, o pa\u00eds tem o cuidado de pautar suas a\u00e7\u00f5es relacionadas \u00e0 explora\u00e7\u00e3o espacial pelos princ\u00edpios do multilateralismo, com parcerias tanto com os Estados Unidos quanto com a China, como no programa CBERS, existente h\u00e1 mais de 30 anos.<\/p>\n<p>As prioridades do programa espacial brasileiro dividem-se em tr\u00eas frentes: a renova\u00e7\u00e3o da frota de sat\u00e9lites, o acesso aut\u00f4nomo ao espa\u00e7o e a consolida\u00e7\u00e3o de seus centros de lan\u00e7amento. O foco, de acordo com a AEB, \u00e9 transformar o Centro de Lan\u00e7amento de Alc\u00e2ntara, no Maranh\u00e3o, em um polo comercial competitivo para o mercado global, ampliando a frequ\u00eancia de lan\u00e7amentos iniciada com a empresa sul-coreana Innospace.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 negocia\u00e7\u00f5es em curso para o envio de um astronauta brasileiro ao espa\u00e7o, pelo menos at\u00e9 2030.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/queremos-candidatura-propria-ao-gdf-diz-presidente-eleito-do-pt-df\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; 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