{"id":82839,"date":"2026-04-13T17:28:49","date_gmt":"2026-04-13T20:28:49","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/a-janela-brasileira-para-o-fim-da-escala-6x1\/"},"modified":"2026-04-13T17:28:49","modified_gmt":"2026-04-13T20:28:49","slug":"a-janela-brasileira-para-o-fim-da-escala-6x1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/a-janela-brasileira-para-o-fim-da-escala-6x1\/","title":{"rendered":"A janela brasileira para o fim da escala 6\u00d71"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1500\" height=\"1000\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/manifestaccca7acc83o-jornada6x1.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/04\/13172624\/manifestaccca7acc83o-jornada6x1-1500x1000.jpg 1500w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/04\/13172624\/manifestaccca7acc83o-jornada6x1-300x200.jpg 300w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/04\/13172624\/manifestaccca7acc83o-jornada6x1-768x512.jpg 768w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/04\/13172624\/manifestaccca7acc83o-jornada6x1-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/04\/13172624\/manifestaccca7acc83o-jornada6x1-272x182.jpg 272w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/manifestaccca7acc83o-jornada6x1.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1500px) 100vw, 1500px\"><figcaption>Foto: T\u00e2nia Rego\/Ag\u00eancia Brasil<\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Este texto, originalmente intitulado\u00a0\u201c<strong>Viabilidade econ\u00f4mica para redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho no Brasil<\/strong>\u201d foi escrito por <strong><strong>Isadora Scheide Muller<\/strong> <\/strong>e<strong> <strong>C\u00e1ssio da Silva Calvete<\/strong><\/strong> e faz parte de um dossi\u00ea organizado pelo Cesit\/Unicamp, Site DMT, Remir, GEPT\/UNB e FCE\/UFRGS e publicado em parceria com o <em>Outras Palavras<\/em>.\u00a0<strong>Leia aqui a s\u00e9rie completa<\/strong><\/p>\n<h3><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p>Perto de completar 40 anos em vigor, a Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988 foi respons\u00e1vel por instituir a \u00faltima redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho formal no Brasil. A jornada de at\u00e9 8 horas di\u00e1rias e 44 semanais substituiu a jornada em vigor at\u00e9 ent\u00e3o, de 48 horas semanais, estabelecida formalmente desde a Constitui\u00e7\u00e3o de 1934. No entanto, as reivindica\u00e7\u00f5es da classe trabalhadora em conjunto com as centrais sindicais nos anos que antecederam essa \u00faltima redu\u00e7\u00e3o eram de 40 horas semanais, 4 a menos que o formalmente institu\u00eddo quando concretizada a medida. Tomando-se uma perspectiva hist\u00f3rica os argumentos utilizados pelos empres\u00e1rios em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 medida, e que eventualmente influenciaram a op\u00e7\u00e3o pela jornada de 44 horas semanais, foram os mesmos comumente empregados ao longo da hist\u00f3ria: que a medida aumentaria custos, causando um cen\u00e1rio de crise econ\u00f4mica e desemprego (Cardoso, 2025).<\/p>\n<p>O que se observou \u00e0 \u00e9poca, entretanto, foi que os impactos da medida no mercado de trabalho foram positivos. Segundo Gonzaga, Menezes Filho e Camargo (2003), que exploraram os efeitos das principais altera\u00e7\u00f5es constitucionais (redu\u00e7\u00e3o da jornada, aumento da hora extra e dos custos fixos do trabalho no exemplo da licen\u00e7a paternidade, FGTS e outras inclus\u00f5es) no emprego de curto prazo produziram uma s\u00e9rie de considera\u00e7\u00f5es relevantes. O estudo demonstrou que a medida foi eficaz em reduzir a jornada de trabalho na pr\u00e1tica, implicando um deslocamento expressivo de trabalhadores de uma jornada de 48 horas para 44 horas semanais entre 1987 e 1990. No per\u00edodo, 60,4% dos trabalhadores que tinham jornadas de 45 a 48 horas e permaneceram empregados reduziram a sua jornada para 40-44 horas. Al\u00e9m disso, a redu\u00e7\u00e3o n\u00e3o aumentou a probabilidade de um trabalhador que teve sua jornada reduzida ficar desempregado em 1989, ano em que a redu\u00e7\u00e3o j\u00e1 estava em vigor, quando comparado a outros anos. Este indicador, na verdade, diminuiu em 1,2%.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/14--15.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/14--15.png 680w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2025\/12\/04164350\/14-1-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Adicionalmente, para os trabalhadores impactados, registrou-se uma probabilidade 1% menor de passarem para um emprego sem carteira assinada, quando comparados a outros grupos de trabalhadores. Dal Rosso (1998) ao analisar o caso brasileiro quando da RJT de 48 horas para 44, quantificou o efeito na cria\u00e7\u00e3o de novos postos de trabalho. A redu\u00e7\u00e3o de 8,33% da jornada de trabalho legal resultou na cria\u00e7\u00e3o de, aproximadamente, 0,7% de novos postos de trabalho. Segundo o autor, essa diferen\u00e7a de 7,63% \u00e9 explicada pelas estrat\u00e9gias adotadas pelas empresas para compensar a medida. A principal delas foi o aumento da utiliza\u00e7\u00e3o de horas extras, que saltou de 24,4% dos assalariados fazendo horas extras nos seis meses anteriores \u00e0 promulga\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o para 41,2% nos seis meses posteriores.<\/p>\n<p>Os resultados da RJT em 1988, verificados pelos estudos de Gonzaga, Menezes Filho e Camargo (2003) e Dal Rosso (1998), foram positivos para o mercado de trabalho brasileiro. Talvez n\u00e3o com o impacto esperado pelos defensores da medida, mas, sem d\u00favida, contrariando a previs\u00e3o dos opositores. \u00c9 legitimo supor que as causas do baixo impacto positivo da RJT se devam, em parte, ao fato de a sua implanta\u00e7\u00e3o ter ocorrido em um ano com altas taxas de infla\u00e7\u00e3o e de recess\u00e3o econ\u00f4mica \u2212 a taxa real da varia\u00e7\u00e3o anual do Produto Interno Bruto (PIB) e a do PIB per capita foram, respectivamente, 0,1% e -1,9% \u2212, em parte, devido ao fato de que em torno da metade dos trabalhadores j\u00e1 estarem contratados por jornada igual ou inferior a 44 horas semanais mesmo antes da promulga\u00e7\u00e3o da medida e, em parte, pela forma como ela foi implantada, sem propor ou induzir a negocia\u00e7\u00e3o no local de trabalho e sem contar com uma fiscaliza\u00e7\u00e3o eficiente dos \u00f3rg\u00e3os respons\u00e1veis. Provavelmente, os resultados seriam mais significativos se a RJT tivesse sido adotada tendo preocupa\u00e7\u00e3o em observar esses aspectos e, a partir dessa observa\u00e7\u00e3o, definir o melhor momento e a melhor forma para sua implanta\u00e7\u00e3o. Diante dessas an\u00e1lises, podemos ter como hip\u00f3tese que os resultados ser\u00e3o ainda melhores caso a RJT seja adotada em per\u00edodo de crescimento econ\u00f4mico e de produtividade, como o atual, refor\u00e7ando a argumenta\u00e7\u00e3o sindical de que a RJT n\u00e3o s\u00f3 diminuiria o tempo de trabalho como aumentaria a estabilidade no emprego e o sal\u00e1rio hor\u00e1rio. Os resultados positivos de 1988, apesar da ado\u00e7\u00e3o em per\u00edodo adverso, indicam que a RJT pode ser uma pol\u00edtica importante para compor um amplo programa de melhoria da distribui\u00e7\u00e3o de renda e crescimento econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>A proposta atual de fim da Escala 6\u00d71 e de redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho revelou uma transforma\u00e7\u00e3o no car\u00e1ter e na concep\u00e7\u00e3o da medida ao longo do S\u00e9culo XXI. Enquanto as principais propostas de redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho no Brasil no final do s\u00e9culo passado e in\u00edcio do atual se sustentassem na justificativa da gera\u00e7\u00e3o de postos de trabalho em sincronia com uma tend\u00eancia mundial, propostas mais recentes, no exemplo da PEC n\u00ba 8\/2025 e da pr\u00f3pria Lei das 40 Horas do Chile (Muller e Calvete, 2026), demonstram uma \u00eanfase na qualidade de vida dos trabalhadores. Mesmo considerando esse enfoque, \u00e9 importante que a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do pa\u00eds permita que essas medidas aconte\u00e7am sem sobressaltos \u00e0 economia. Assim, o objetivo desse estudo \u00e9 analisar se a economia brasileira oferece as condi\u00e7\u00f5es adequadas para a ado\u00e7\u00e3o do fim da Escala 6\u00d71 e redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho.<\/p>\n<h3><strong>Valor adicionado e mercado de trabalho<\/strong><\/h3>\n<p>O Gr\u00e1fico 1 retrata a economia brasileira no per\u00edodo compreendido entre os anos de 2012 e 2024. Neste recorte, destacam-se momentos distintos: o per\u00edodo entre 2012 e 2016 representa, para al\u00e9m da crise econ\u00f4mica e pol\u00edtica, o fim de um ciclo de crescimento acelerado na economia brasileira. A partir de 2002, o Brasil experimentou um momento de expans\u00e3o expressiva associado a boa gest\u00e3o da economia que soube aproveitar o ambiente externo favor\u00e1vel e o boom das commodities, entre outros fatores, levando a um crescimento m\u00e9dio anual de 3,9% entre 2002 e 2010 (Leal e Nakane, 2025). Tal per\u00edodo teve papel relevante para a compreens\u00e3o do comportamento observado no Gr\u00e1fico 1.<\/p>\n<p><strong>Gr\u00e1fico 1 \u2013 Evolu\u00e7\u00e3o do Valor Adicionado Bruto Real do Brasil (2012- 2024).<\/strong><\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"883\" height=\"361\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-21.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-21.png 883w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/04\/13143011\/image-21-300x123.png 300w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/04\/13143011\/image-21-768x314.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 883px) 100vw, 883px\"><figcaption><strong>Nota<\/strong>: Valores em bilh\u00f5es de reais a pre\u00e7os constantes de 2024.<br \/><strong>Fonte<\/strong>: Elabora\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria com dados do IBGE (2025).<\/figcaption><\/figure>\n<p>A crise econ\u00f4mica pela qual passou o pa\u00eds no recorte inicial do Gr\u00e1fico 1 particularmente entre os anos 2014 e 2016, se explicita nas duas quedas consecutivas no n\u00edvel do valor adicionado bruto. Em termos de propostas de redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho, esses dois ciclos distintos da economia brasileira \u2013 crescimento expressivo seguido de recess\u00e3o e retra\u00e7\u00e3o do valor adicionado bruto \u2013 podem explicar dois elementos abordados na se\u00e7\u00e3o anterior: o hiato de mais de 10 anos entre propostas relevantes de RJT, e a mudan\u00e7a no car\u00e1ter da medida particularmente na \u00faltima d\u00e9cada e no cen\u00e1rio p\u00f3s-pand\u00eamico.<\/p>\n<p>O per\u00edodo compreendido entre 2017 e 2019 reflete, por sua vez, uma trajet\u00f3ria de recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica a ritmos mais lentos que anteriores \u00e0 crise, e em seguida o per\u00edodo pand\u00eamico corresponde \u00e0 uma queda de cerca de 3,3% no PIB (IBGE, 2022). O per\u00edodo p\u00f3s-pand\u00eamico, por sua vez, demonstra recupera\u00e7\u00e3o e crescimento significativo.<\/p>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<p>O Gr\u00e1fico 2 desagrega o crescimento do Valor Adicionado Bruto entre as duas principais atividades econ\u00f4micas do Brasil: Servi\u00e7os e Ind\u00fastria. Optou-se, neste momento, por n\u00e3o apresentar o setor da Agropecu\u00e1ria no pr\u00f3ximo gr\u00e1fico para fins de melhor visualiza\u00e7\u00e3o dada a diferen\u00e7a entre a participa\u00e7\u00e3o de cada atividade no valor adicionado. Enquanto Servi\u00e7os e Ind\u00fastria comp\u00f5em juntos mais de 90% do Valor Adicionado Bruto da economia, o setor Agropecu\u00e1rio representa pouco menos de 7% em 2024 (IBGE)[i].<\/p>\n<p><strong>Gr\u00e1fico 2 \u2013 Evolu\u00e7\u00e3o do Valor Adicionado Bruto Real do Brasil \u2013 Ind\u00fastria e Servi\u00e7os (2012-2024).<\/strong><\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"885\" height=\"396\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-20.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-20.png 885w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/04\/13142935\/image-20-300x134.png 300w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/04\/13142935\/image-20-768x344.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 885px) 100vw, 885px\"><figcaption><strong>Nota<\/strong>: Valores em bilh\u00f5es de reais a pre\u00e7os constantes de 2024.<br \/><strong>Fonte<\/strong>: Elabora\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria com dados do IBGE (2025).<\/figcaption><\/figure>\n<p>Observa-se no Gr\u00e1fico 2, que a economia brasileira \u00e9 composta majoritariamente pela participa\u00e7\u00e3o do setor de Servi\u00e7os, tendo um aumento absoluto de 1.39 trilh\u00e3o de reais, cerca de 25%, ao longo do per\u00edodo observado. O Setor Industrial, por sua vez, apresenta crescimento moderado, em cerca de 404 bilh\u00f5es de reais (19%) ao longo do per\u00edodo. Em compara\u00e7\u00e3o ao Chile, no entanto, a diferen\u00e7a de participa\u00e7\u00e3o entre o Setor de Servi\u00e7os e o Industrial \u00e9 menor, com este sendo mais relevante para o todo da economia que no caso chileno. Isso se reflete em uma maior possibilidade de substitui\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra por capital em caso de choques de custos associados \u00e0 uma redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho, dada a natureza do Setor Industrial.<\/p>\n<p>Analisando especificamente o setor Agropecu\u00e1rio, tem-se crescimento expressivo dessa atividade especialmente a partir de 2019. No per\u00edodo ocorreu um aumento de 394 bilh\u00f5es para 655 bilh\u00f5es de reais, cerca de 66% entre 2012 e 2024, sendo o maior crescimento relativo dentre os tr\u00eas setores (IBGE, 2025). Este crescimento se relaciona a um movimento de ordem mais ampla do \u201cAgroneg\u00f3cio\u201d, que de acordo com Castro (2022) chegou a representar mais de 25% do PIB no per\u00edodo pand\u00eamico, evitando com que o PIB brasileiro sofresse uma queda t\u00e3o acentuada quanto a da economia chilena no per\u00edodo, por exemplo (Muller e Calvete, 2026). O crescimento do setor Agropecu\u00e1rio e do \u201cAgroneg\u00f3cio\u201d representa a gera\u00e7\u00e3o de um excedente econ\u00f4mico expressivo em particular nos \u00faltimos 5 anos, que se soma aos ganhos econ\u00f4micos observados ao longo do per\u00edodo.<\/p>\n<p><strong>Gr\u00e1fico 3 \u2013 Evolu\u00e7\u00e3o da Taxa de Participa\u00e7\u00e3o no Brasil (2012-2024).<\/strong><\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"879\" height=\"413\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-19-1.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-19-1.png 879w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/04\/13142927\/image-19-300x141.png 300w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/04\/13142927\/image-19-768x361.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 879px) 100vw, 879px\"><figcaption><strong>Fonte<\/strong>: Elabora\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria com dados do IBGE (2025).<\/figcaption><\/figure>\n<p>Examinando o mercado de trabalho brasileiro no per\u00edodo compreendido entre 2012 e 2024, a principal caracter\u00edstica que chama nossa aten\u00e7\u00e3o no Gr\u00e1fico 3 \u00e9 a diferen\u00e7a significativa entre a taxa de participa\u00e7\u00e3o masculina e feminina. A diferen\u00e7a percentual entre a participa\u00e7\u00e3o de ambos os sexos foi de cerca de 20%. Tal fen\u00f4meno indica uma dificuldade estrutural pela qual passam as mulheres de participarem plenamente do mercado de trabalho. Este retrato traz sustenta\u00e7\u00e3o \u00e0s an\u00e1lises trazidas pelo movimento Vida Al\u00e9m do Trabalho (VAT) no que diz respeito \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho agindo tamb\u00e9m como um instrumento de atenua\u00e7\u00e3o das desigualdades de g\u00eanero.<\/p>\n<p>O vi\u00e9s do conflito trabalho-fam\u00edlia, portanto, ressurge como um instrumento de an\u00e1lise tamb\u00e9m para o caso brasileiro, que conta com um desequil\u00edbrio na acomoda\u00e7\u00e3o de atividades de cuidado, que recaem desproporcionalmente sobre as mulheres. O Gr\u00e1fico 4 demonstra a trajet\u00f3ria do n\u00edvel de desemprego no Brasil ao longo do mesmo per\u00edodo analisado anteriormente, de 2012 a 2024. O retrato que se obt\u00e9m a partir deste recorte, para al\u00e9m de refor\u00e7ar o quadro de desigualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho tamb\u00e9m no que se refere ao desemprego, revela uma volatilidade maior quando comparado ao caso chileno, em decorr\u00eancia da crise pol\u00edtica e econ\u00f4mica pela qual passou o Brasil a partir de 2015, chegando a ultrapassar a taxa de 12% em 2016. A pandemia da COVID-19, por sua vez, leva a um outro pico na taxa de desocupa\u00e7\u00e3o, que chegou a 14% em 2020.<\/p>\n<p><strong>Gr\u00e1fico 4 \u2013 Evolu\u00e7\u00e3o da Taxa de Desocupa\u00e7\u00e3o no Brasil (2012-2024).<\/strong><\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"874\" height=\"457\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-18.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-18.png 874w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/04\/13142906\/image-18-300x157.png 300w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/04\/13142906\/image-18-768x402.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 874px) 100vw, 874px\"><figcaption><strong>Fonte<\/strong>: Elabora\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria com dados do IBGE (2025).<\/figcaption><\/figure>\n<p>O per\u00edodo p\u00f3s-pand\u00eamico, no entanto, revela uma trajet\u00f3ria de recupera\u00e7\u00e3o significativa dos n\u00edveis de emprego, resultando em uma taxa de desocupa\u00e7\u00e3o total de 6% em 2024 com uma tend\u00eancia de queda at\u00e9 o fim do per\u00edodo. Tal recupera\u00e7\u00e3o e tend\u00eancia de queda para o n\u00edvel de desemprego do Brasil parece ser um dos elementos que sustenta a transi\u00e7\u00e3o do car\u00e1ter da redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho nas propostas vistas at\u00e9 aqui, dado que a economia brasileira n\u00e3o se encontra com um problema de desemprego. Dessa forma, \u00e9 fact\u00edvel supor que a precariza\u00e7\u00e3o do trabalho particularmente ap\u00f3s a pandemia da Covid-19 e a subsequente manuten\u00e7\u00e3o de baixos n\u00edveis de desemprego influenciou nas discuss\u00f5es em torno da medida, cuja materializa\u00e7\u00e3o se deu no formato da PEC n\u00ba 8\/2025.<\/p>\n<h3><strong>Produtividade e Custos do Trabalho<\/strong><\/h3>\n<p>Na se\u00e7\u00e3o anterior foi realizado um exame dos dados quantitativos do Brasil no que se refere ao comportamento do valor adicionado e do mercado de trabalho. Ao todo, \u00e9 poss\u00edvel aferir que o valor adicionado apresentou uma significativa taxa de crescimento associado aos Setores da Ind\u00fastria e Servi\u00e7os, e destacadamente, para a Agropecu\u00e1ria, o que sugere a produ\u00e7\u00e3o de um excedente econ\u00f4mico, em particular nos \u00faltimos 5 anos, pass\u00edvel de distribui\u00e7\u00e3o no formato de uma redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, as m\u00e9tricas associadas ao mercado de trabalho no Brasil revelam uma desigualdade estrutural entre homens e mulheres tanto nas taxas de participa\u00e7\u00e3o quanto nas de desocupa\u00e7\u00e3o, sendo esta mais vol\u00e1til em fun\u00e7\u00e3o das duas crises incorridas ao longo do per\u00edodo no Brasil, a crise pol\u00edtica e econ\u00f4mica a partir de 2015 e a pandemia da Covid-19.<\/p>\n<p>No que se refere \u00e0 produtividade do trabalho, o Gr\u00e1fico 5 demonstra uma trajet\u00f3ria de ganhos reais no Brasil ao longo do per\u00edodo compreendido entre 2012 e 2024. De forma similar ao restante dos indicadores j\u00e1 analisados, destaca-se aqui a volatilidade do comportamento da produtividade do trabalho como um todo, em sincronia com alguns dos momentos de maior destaque na economia brasileira no per\u00edodo observado. Como em decorr\u00eancia da natureza do c\u00e1lculo da produtividade \u2212 uma raz\u00e3o entre o PIB e as horas trabalhadas \u2212, os momentos de alta da produtividade coincidem com aqueles de maior desemprego na economia, como ap\u00f3s a crise de 2015 e o per\u00edodo pand\u00eamico.<\/p>\n<p><strong>Gr\u00e1fico 5 \u2013 Evolu\u00e7\u00e3o da Produtividade do Trabalho no Brasil (2012- 2024).<\/strong><\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"878\" height=\"414\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-17.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-17.png 878w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/04\/13142805\/image-17-300x141.png 300w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/04\/13142805\/image-17-768x362.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 878px) 100vw, 878px\"><figcaption><strong>Fonte<\/strong>: Elabora\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria com dados do IBGE e da PNAD cont\u00ednua (2025).<\/figcaption><\/figure>\n<p>Ao todo, a produtividade do trabalho aumentou em 12% ao longo do per\u00edodo, mesmo em meio a duas crises, sendo uma de ordem global, que afetaram significativamente os n\u00edveis de emprego e produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Gr\u00e1fico 6 \u2013 Evolu\u00e7\u00e3o da Produtividade do Trabalho no Brasil por Atiidade Econ\u00f4mica (2012-2024).<\/strong><\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"872\" height=\"441\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-16.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-16.png 872w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/04\/13142757\/image-16-300x152.png 300w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/04\/13142757\/image-16-768x388.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 872px) 100vw, 872px\"><figcaption><strong>Fonte<\/strong>: Elabora\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria com dados do IBGE e da PNAD cont\u00ednua (2025).<\/figcaption><\/figure>\n<p>O Gr\u00e1fico 6 demonstra o crescimento da produtividade do trabalho nos setores de Servi\u00e7os, Ind\u00fastria e Agropecu\u00e1ria. Observa-se um crescimento moderado para o Setor de Servi\u00e7os, na ordem de 3% entre 2012 e 2024, ainda que seja o setor de maior produtividade absoluta[ii] devido \u00e0 sua relev\u00e2ncia no agregado produtivo, e \u00e0 sua natureza heterog\u00eanea que engloba algumas atividades de produtividade mais elevada. O Setor da Ind\u00fastria, por sua vez, apresentou um crescimento de 23%, crescendo em quase R$ 10 de produtividade hora, e passou do segundo setor com mais produtividade para o terceiro em decorr\u00eancia da expressiva expans\u00e3o em produtividade do setor Agropecu\u00e1rio, com uma varia\u00e7\u00e3o de cerca de 112% ao longo do per\u00edodo, indo de pouco mais de R$ 20 por hora para quase R$ 50.<\/p>\n<p>Quanto aos custos com trabalho, a Tabela a seguir revela que, quando comparado aos principais pa\u00edses da Europa e da Am\u00e9rica Latina, e em particular com o Chile que est\u00e1 experimentando uma redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho nesse momento, o Brasil ($6.31) apresenta custos com o trabalho significativamente mais baixos, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o somente do Equador e do Peru, mais baixos relativamente \u00e0 m\u00e3o de obra brasileira em 6% e 29%, respectivamente. Com rela\u00e7\u00e3o aos pa\u00edses europeus, a m\u00e3o de obra brasileira representa cerca de 14% do custo hor\u00e1rio m\u00e9dio da m\u00e3o de obra europeia. Finalmente em compara\u00e7\u00e3o ao Chile, o principal destaque \u00e9 o fato do custo hor\u00e1rio da m\u00e3o de obra avaliada em $13.65, ser mais que o dobro da brasileira ($ 6.31), com o custo da m\u00e3o de obra brasileira representando 46,3% da chilena. Ressalta-se que a imprecis\u00e3o dos dados referentes \u00e0 Argentina e ao Uruguai impediu a inclus\u00e3o de ambos na Tabela 1.<\/p>\n<p><strong>Tabela 1: Custo Hor\u00e1rio da M\u00e3o de Obra<\/strong><\/p>\n<figure>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td>Pa\u00eds<\/td>\n<td>Ano<\/td>\n<td>Custo Hor\u00e1rio da M\u00e3o de Obra (USD)<\/td>\n<td>Custo relativo \u00e0 m\u00e3o de obra brasileira<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Alemanha<\/td>\n<td>2024<\/td>\n<td>$ 59.96<\/td>\n<td>850%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Fran\u00e7a<\/td>\n<td>2024<\/td>\n<td>$ 58.98<\/td>\n<td>835%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>It\u00e1lia<\/td>\n<td>2024<\/td>\n<td>$ 47.56<\/td>\n<td>654%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Estados Unidos da Am\u00e9rica<\/td>\n<td>2023<\/td>\n<td>$ 43.11<\/td>\n<td>583%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Espanha<\/td>\n<td>2024<\/td>\n<td>$ 42.11<\/td>\n<td>567%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Canad\u00e1<\/td>\n<td>2024<\/td>\n<td>$ 38.37<\/td>\n<td>508%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Pol\u00f4nia<\/td>\n<td>2024<\/td>\n<td>$ 35.90<\/td>\n<td>469%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Portugal<\/td>\n<td>2024<\/td>\n<td>$ 31.41<\/td>\n<td>398%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Reino Unido<\/td>\n<td>2016<\/td>\n<td>$ 29.04<\/td>\n<td>360%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Chile<\/td>\n<td>2022<\/td>\n<td>$ 13.65<\/td>\n<td>116%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Brasil<\/td>\n<td>2020<\/td>\n<td>$ 6.31<\/td>\n<td>\u2013<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Equador<\/td>\n<td>2015<\/td>\n<td>$ 5.92<\/td>\n<td>-6%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Peru<\/td>\n<td>2024<\/td>\n<td>$ 4.49<\/td>\n<td>-29%<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table><figcaption><strong>Fonte<\/strong>: Elabora\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria com dados da ILOSTAT (2025).<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Uma breve compara\u00e7\u00e3o com o Chile<strong>[iii]<\/strong><\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 interessante fazermos uma breve compara\u00e7\u00e3o do Brasil com o Chile, tendo em vista que s\u00e3o dois pa\u00edses emergentes, da Am\u00e9rica Latina, que obtiveram ganhos econ\u00f4micos e de produtividade do trabalho muito pr\u00f3ximos (ver Tabela 2) e que est\u00e3o discutindo ao mesmo tempo a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho, com o diferencial que o Chile j\u00e1 implementou e a est\u00e1 vivenciando.<\/p>\n<p>O Chile est\u00e1 implementando uma redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho em meio a um quadro de custos com trabalho mais de duas vezes maior que os do Brasil, tendo, ainda, um hiato menor desde a \u00faltima redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho feita em 2005, em contraste aos 38 anos desde a \u00faltima redu\u00e7\u00e3o no Brasil. O Brasil, adicionalmente, conta com taxas de desemprego mais baixas em 2024 quando comparado ao Chile.<\/p>\n<p><strong>Tabela 2: Comparativo consolidado entre Chile e Brasil.<\/strong><\/p>\n<figure>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td>\u00a0<\/td>\n<td>Chile<\/td>\n<td>Brasil<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Custo hor\u00e1rio da m\u00e3o de obra (USD)<\/td>\n<td>$ 13,65 (2022)<\/td>\n<td>$ 6,31 (2020)<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Crescimento econ\u00f4mico<\/td>\n<td>+23% (2013-2024)<\/td>\n<td>+25% (2012-2024)<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Crescimento da produtividade do trabalho<\/td>\n<td>+13% (2013-2024)<\/td>\n<td>+12% (2012-2024)<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Taxa de desemprego (2024)<\/td>\n<td>8%<\/td>\n<td>6%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>RJT mais recente<\/td>\n<td>2005<\/td>\n<td>1988<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table><figcaption><strong>Fonte<\/strong>: Elabora\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Reafirma-se, portanto, que para al\u00e9m da exist\u00eancia de ganhos de produtividade do trabalho como uma forma de viabilizar a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho, entram em a\u00e7\u00e3o distintos contextos pol\u00edticos e sociais que determinam se, e como, \u00e9 feita a distribui\u00e7\u00e3o do excedente econ\u00f4mico gerado. No contexto chileno, os ganhos econ\u00f4micos e de produtividade obtidos desde 2013 j\u00e1 passam a ser traduzidos em ganhos para os trabalhadores, enquanto no Brasil, at\u00e9 o momento de realiza\u00e7\u00e3o deste trabalho, tal redistribui\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 alvo de discuss\u00f5es e formula\u00e7\u00f5es sem um desfecho definido.<\/p>\n<h3><strong>Considera\u00e7\u00f5es Finais<\/strong><\/h3>\n<p>As discuss\u00f5es em torno da Redu\u00e7\u00e3o da Jornada de Trabalho ressurgiram, no Brasil e na Am\u00e9rica Latina, como resposta \u00e0s novas din\u00e2micas de precariza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de trabalho a partir de transforma\u00e7\u00f5es do sistema capitalista, em particular vinculadas \u00e0 Terceira Revolu\u00e7\u00e3o Industrial e \u00e0 ascens\u00e3o do neoliberalismo no Ocidente. No Brasil, tais discuss\u00f5es foram particularmente estimuladas a partir do movimento Vida Al\u00e9m do Trabalho e da PEC 8\/25 da deputada Erika Hilton.<\/p>\n<p>Juntamente \u00e0s crescentes reivindica\u00e7\u00f5es por jornadas menos onerosas aos trabalhadores, surgiram novamente argumentos comumente empregados ao longo da hist\u00f3ria no que se refere \u00e0 viabilidade econ\u00f4mica da redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho, fundamentados na ideia de que a redu\u00e7\u00e3o, quando n\u00e3o acompanhada de ganhos de produtividade do trabalho, representar\u00e3o um choque de custos \u00e0s empresas, ou ainda, que baixos n\u00edveis de produtividade em si j\u00e1 servem como fator impeditivo \u00e0 medida. O presente trabalho trouxe a perspectiva dos ganhos em produtividade acumulados ao longo do tempo como um excedente econ\u00f4mico j\u00e1 pass\u00edvel de distribui\u00e7\u00e3o no formato da redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho. Al\u00e9m disso, a an\u00e1lise do custo hor\u00e1rio da m\u00e3o de obra revela o valor extremamente reduzido no Brasil. Enquanto o pa\u00eds tem um custo de apenas ($ 6.31) por hora, o Chile que j\u00e1 aprovou a redu\u00e7\u00e3o da jornada tem um custo de ($ 13,65) e os pa\u00edses desenvolvidos t\u00eam custos bastante superiores: Alemanha ($59.96), Fran\u00e7a ($58.98), It\u00e1lia ($47.56), Estados Unidos ($43.11), Espanha ($42,11) Portugal ($ 31.41) e Reino Unido $ 29.04.<\/p>\n<p>Cabe ressaltar que a an\u00e1lise realizada neste trabalho observou os ganhos acumulados de produtividade do trabalho apenas ao longo do per\u00edodo de (2012-2024) em que os dados est\u00e3o mais acess\u00edveis. Mas se apelarmos para o bom senso, podemos intuir que desde 1988, data da \u00faltima redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho no Brasil, o aumento da produtividade do trabalho foi muito superior. Passados esses 38 anos experimentamos duas Revolu\u00e7\u00f5es Industriais: a terceira revolu\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m conhecida por toyotismo que ocorreu efetivamente no Brasil ap\u00f3s o Plano Real em 1994 que introduziu na produ\u00e7\u00e3o de bens e servi\u00e7os o <em>just-in-time<\/em>, as tecnologias de informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o, rob\u00f4s e a microeletr\u00f4nica entre outras tecnologias; e a quarta revolu\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m conhecida por Industria 4.0, que vem introduzindo a Intelig\u00eancia Artificial, Internet das coisas, big data, impressora 3D, computa\u00e7\u00e3o nas nuvens etc. Tamb\u00e9m, devemos levar em considera\u00e7\u00e3o as perspectivas futuras de ganhos de produtividade associados \u00e0 pr\u00f3pria redu\u00e7\u00e3o da jornada e do avan\u00e7o tecnol\u00f3gico que estamos a vivenciar.<\/p>\n<p>No entanto, se atendo apenas ao per\u00edodo que obtivemos os dados, a trajet\u00f3ria da economia brasileira no per\u00edodo de (2012-2024), revelam que o crescimento econ\u00f4mico (25%) e os ganhos de produtividade acumulados (12%) criaram margem para a redistribui\u00e7\u00e3o do tempo de trabalho sem que isso acarrete maiores problemas para as empresas e para a economia do pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>Nenhuma teoria econ\u00f4mica, repetimos, nenhuma teoria econ\u00f4mica<\/strong> afirma que a distribui\u00e7\u00e3o dos ganhos de produtividade do trabalho quando repassados aos trabalhadores v\u00e3o gerar algum tipo de dificuldade econ\u00f4mica \u00e0s empresas ou \u00e0 economia do pa\u00eds, como recess\u00e3o, desemprego ou infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<hr>\n<h3><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h3>\n<p>CARDOSO, A. C. M. As disputas em torno do tempo e da vida. <strong>Le Monde Diplomatique Brasi<\/strong>l, S\u00e3o Paulo, 3 fev. 2025. Dispon\u00edvel em: https:\/\/diplo- matique.org.br\/as-disputas-em-torno-do-tempo-e-da-vida\/.<\/p>\n<p>CASTRO, N. R. <strong>Afinal, quanto o agroneg\u00f3cio representa no PIB brasileiro? <\/strong>Piracicaba: Cepea\/Esalq\/USP, 2022. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.cepea.org.br\/br\/opiniao-cepea\/afinal-quanto-o-agronegocio-representa-no-pib-brasileiro.aspx.<\/p>\n<p>DAL ROSSO, S. <strong>O debate sobre a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho<\/strong>. S\u00e3o Paulo: ABET, 1998.<\/p>\n<p>GONZAGA, G. M.; MENEZES FILHO, N. A.; CAMARGO, J. M. Os efeitos da redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho de 48 para 44 horas semanais em 1988. <strong>Revista Brasileira de Economia<\/strong>, v. 57, n. 2, pp. 369-400, 2003.<\/p>\n<p>IBGE. <strong>Estat\u00edsticas<\/strong>. 2025. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.ibge.gov.br\/estatisticas\/.<\/p>\n<p>IBGE. <strong>Com servi\u00e7os afetados pela pandemia, PIB de 2020 cai 3,3%.<\/strong> 4 nov. 2022. Dispon\u00edvel em: https:\/\/agenciadenoticias.ibge.gov.br\/agencia-no- ticias\/2012-agencia-de-noticias\/noticias\/35349-com-servicos-afetados-pela-pandemia-pib-de-2020-cai-3-3.<\/p>\n<p>ILO<strong>. ILOSTAT: the leading source of labour statistics<\/strong>. 2025. Dispon\u00edvel em: https:\/\/ilostat.ilo.org\/.<\/p>\n<p>LEAL, M. C.; NAKANE, M. I. Brazilian economy in the 2000\u2019s: a tale of two recessions. Latin American Journal of Central Banking, v. 6, n. 1, pp. 100-162, 2025.<\/p>\n<p>MULLER, I. <strong>A redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho no Brasil: uma an\u00e1lise a partir da experi\u00eancia chilena<\/strong>. [Trabalho de Conclus\u00e3o de Curso]. Porto Alegre: UFRGS, 2025.<\/p>\n<p>MULLER, I.; CALVETE, C. O recente caso chileno de redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho: o equil\u00edbrio entre a vida familiar e laboral. In: <strong>Dossi\u00ea Fim da Escala 6\u00d71 e Redu\u00e7\u00e3o da Jornada de Trabalho<\/strong>. 2026. No prelo.<\/p>\n<p>OCDE. Measuring productivity. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.oecd.org\/en\/topics\/measuring-productivity.html. Acesso em: 15 out. 2025.<\/p>\n<h3><strong>Notas<\/strong><\/h3>\n<hr>\n<p>[i] Cabe, no entanto, um adendo no que se refere \u00e0 tipifica\u00e7\u00e3o desses valores na metodologia empregada pelo IBGE, que enquadra na categoria \u201cAgropecu\u00e1ria\u201d somente atividades do setor prim\u00e1rio, de tal forma que o chamado \u201cAgroneg\u00f3cio\u201d, por englobar atividades agroindustriais e toda a cadeia de servi\u00e7os envolvida na realiza\u00e7\u00e3o de produtos agropecu\u00e1rios e agroindustriais, podendo chegar a mais de 20% do valor adicionado, acaba por estar contido nos indicadores de valor adicionado de Servi\u00e7os e Ind\u00fastria, al\u00e9m da pr\u00f3pria Agropecu\u00e1ria (Castro, 2022).<\/p>\n<p>[ii] A produtividade \u00e9 amplamente definida como a rela\u00e7\u00e3o entre o volume de produ\u00e7\u00e3o (Outputs) e o volume de entradas (Inputs) em um determinado per\u00edodo (OCDE, 2025). As formas de calcul\u00e1-la podem variar de acordo com a pesquisa, sendo que neste trabalho ela \u00e9 tida como a rela\u00e7\u00e3o entre o PIB e o total de horas trabalhadas e, portanto, medida de acordo com as unidades destas vari\u00e1veis (R$\/hora). S\u00e3o poss\u00edveis e usuais, no entanto, pesquisas que a quantificam em termos da rela\u00e7\u00e3o entre quantidades f\u00edsicas e horas trabalhadas, n\u00e3o sendo utilizadas medidas monet\u00e1rias.<\/p>\n<p>[iii] Para um maior aprofundamento ver Muller (2025).<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. Se voc\u00ea valoriza nossa produ\u00e7\u00e3o, seja nosso apoiador e fortale\u00e7a o jornalismo cr\u00edtico: <strong>apoia.se\/outraspalavras<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>The post A janela brasileira para o fim da escala 6\u00d71 appeared first on Outras Palavras.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/ex-primeira-dama-do-peru-pede-asilo-em-embaixada-do-brasil-ela-foi-condenada-por-corrupcao-em-caso-que-envolve-a-odebrecht\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Ex-primeira-dama do Peru pede asilo em embaixada d...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/guerra-na-ucrania-escalada-de-ataques-enfraquece-negociacoes-de-paz\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Guerra na Ucr\u00e2nia: escalada de ataques enfraquece ...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/parecer-da-indicacao-de-jorge-messias-ao-stf-e-lido-na-ccj-do-senado\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Parecer da indica\u00e7\u00e3o de Jorge Messias ao STF \u00e9 lid...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/milton-nascimento-e-um-rei-negro-brasileiro-diz-teresa-cristina-sobre-escolha-da-portela-em-homenagear-musico\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">\u2018Milton Nascimento \u00e9 um rei negro brasileiro...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Produtividade do trabalho cresceu, apesar de duas crises econ\u00f4micas globais. Baixa desocupa\u00e7\u00e3o reflete cen\u00e1rio positivo. Custo da m\u00e3o-de-obra \u00e9 baix\u00edssimo \u2013 e revela que n\u00e3o h\u00e1 repasse dos ganhos econ\u00f4micos aos sal\u00e1rios. H\u00e1 chance hist\u00f3rica para a redu\u00e7\u00e3o da jornada<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/trabalhoeprecariado\/a-janela-brasileira-para-o-fim-da-escala-6x1\/\">A janela brasileira para o fim da escala 6\u00d71<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":82840,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[27204,571,1963,4099,1865,23524,2482,5834],"tags":[],"class_list":["post-82839","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cesit-jornada","category-chile","category-escala-6x1","category-mao-de-obra","category-precarizacao","category-produtividade","category-reducao-da-jornada","category-trabalho-e-precariado"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82839","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=82839"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82839\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/82840"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=82839"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=82839"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=82839"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}