{"id":83026,"date":"2026-04-14T18:47:58","date_gmt":"2026-04-14T21:47:58","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/a-hipnose-fatal-dos-celulares\/"},"modified":"2026-04-14T18:47:58","modified_gmt":"2026-04-14T21:47:58","slug":"a-hipnose-fatal-dos-celulares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/a-hipnose-fatal-dos-celulares\/","title":{"rendered":"A hipnose fatal dos celulares"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1500\" height=\"844\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/2-with-color-4-1-2048x1152.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/04\/14185817\/2-with-color-4-1-1500x844.jpg 1500w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/04\/14185817\/2-with-color-4-1-300x169.jpg 300w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/04\/14185817\/2-with-color-4-1-768x432.jpg 768w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/04\/14185817\/2-with-color-4-1-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/2-with-color-4-1-2048x1152.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1500px) 100vw, 1500px\"><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Por <strong>Laura J. Martin<\/strong>, na revista <em>Noema<\/em> | Tradu\u00e7\u00e3o: <strong>Antonio Martins<\/strong><\/p>\n<p>Na primeira vez que verifiquei meu e-mail de trabalho no banheiro, n\u00e3o me senti como se estivesse fazendo uma concess\u00e3o. Foi como se houvesse conquistado uma pequena vit\u00f3ria, uma nova sensa\u00e7\u00e3o de efici\u00eancia em meio a um dia atarefado. A internet tinha me seguido at\u00e9 o mais \u00edntimo dos c\u00f4modos. Como foi que eu fui parar ali, respondendo a colegas enquanto o chuveiro esquentava, rolando a tela no vaso sanit\u00e1rio e lendo not\u00edcias alarmantes?<\/p>\n<p>Fa\u00e7o essa pergunta como algu\u00e9m da gera\u00e7\u00e3o pr\u00e9-Tinder, cuja inf\u00e2ncia foi livre da internet e cuja adolesc\u00eancia foi discretamente ligada a ela. Lembro-me de quando acessar a rede exigia esfor\u00e7o, e tamb\u00e9m de quando esse esfor\u00e7o desapareceu. A grande mudan\u00e7a no in\u00edcio dos anos 2000 n\u00e3o foi simplesmente o aumento do n\u00famero de pessoas que acessaram a internet. Foi que ela deixou de ser um lugar para onde se ia e se tornou algo em que se vivia. A internet tornou-se um ambiente.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/14--16.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/14--16.png 680w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2025\/12\/04164350\/14-1-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Eu tinha 14 anos quando minha fam\u00edlia conseguiu internet discada. Naquela \u00e9poca, cerca de um quarto dos lares nos EUA tinha acesso \u00e0 internet. (Hoje, mais de 90% t\u00eam.) Naqueles primeiros tempos, conectar-se exigia uma cerim\u00f4nia. Era preciso negociar com as pessoas com quem voc\u00ea morava. Diz\u00edamos coisas como: \u201cPosso ter mais 10 minutos?\u201d e \u201cDesligue, preciso ligar para a vov\u00f3\u201d. Acessar a internet exigia permiss\u00e3o. O modem tocava seu hino nervoso.<\/p>\n<p>A internet chegou \u00e0 minha casa como uma janela, um portal encantado aberto no espa\u00e7o dom\u00e9stico comum. Uma janela \u00e9 fixa. \u201cVou entrar na internet\u201d significava que voc\u00ea estava indo para um lugar espec\u00edfico da casa, algo como \u201cVou para o meu quarto\u201d. Para espiar a internet, eu tinha que sentar na cadeira de computador bord\u00f4 dos meus pais. \u00c0 minha esquerda, atrav\u00e9s da janela n\u00e3o metaf\u00f3rica, podia ver os fios de telefone descendo a rua, levando minhas mensagens.<\/p>\n<p>Nasci num mundo que continha telefones assim como continha pedras e \u00e1rvores. A internet diferia do telefone por ser silenciosa, mas ambos compartilhavam uma infraestrutura familiar. Era f\u00edsica e localizada. Havia um \u201caqui\u201d que algu\u00e9m havia conectado, com fios de cobre, a um \u201cl\u00e1\u201d.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o surgiu o AOL Instant Messenger. Era um lugar horr\u00edvel para alunos do ensino fundamental, mas l\u00e1 est\u00e1vamos n\u00f3s, um enxame de nomes de usu\u00e1rios em salas de bate-papo, o meu (PyRoAnGeL5) entre eles. De repente, a vida escolar passou a ter dois canais: o que acontecia na escola e o que acontecia na escola em casa.<\/p>\n<p>Mesmo assim, era poss\u00edvel ir embora.<\/p>\n<p>Voc\u00ea podia se levantar, se afastar do computador, voltar para o seu corpo e para a sua casa. Na verdade, tinha que fazer isso. Nossas vidas digitais eram estruturadas por sa\u00eddas.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 volto\u201d, sua amiga digitava. E assim, voc\u00ea esperava que ela voltasse para o computador da fam\u00edlia, um gabinete sob uma escrivaninha de f\u00f3rmica, que por sua vez ficava embaixo de um p\u00f4ster emoldurado dos girass\u00f3is de Monet na sala de jantar. Talvez ela precisasse ir ao banheiro. Talvez estivesse pegando um copo de refrigerante. Talvez a m\u00e3e dela precisasse ligar para algu\u00e9m. Voc\u00ea confiava que ela voltaria logo. A sigla prometia isso.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/BANNER-outraspalavras-JULHO-corsaria-1.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/BANNER-outraspalavras-JULHO-corsaria-1.jpg 728w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2025\/05\/31183543\/BANNER-outraspalavras-JULHO-corsaria-300x37.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 728px) 100vw, 728px\" width=\"728\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<p>\u00c9 1998. Sua amiga mora a dois quarteir\u00f5es de dist\u00e2ncia, mas voc\u00ea est\u00e1 conversando com ela e com outros dois amigos, e sente uma estranha emo\u00e7\u00e3o: voc\u00ea atravessou uma janela para um lugar que n\u00e3o \u00e9 bem um lugar.<\/p>\n<p>Aquele lugar come\u00e7ou a se dissolver por volta de 2005, o ano em que completei 21 anos. Roteadores sem fio se espalharam por apartamentos e dormit\u00f3rios. Laptops flutuavam de um c\u00f4modo para o outro. Sem estarem mais presos \u00e0 tomada, a conectividade invadia bancadas de cozinha, mesas de centro, a cama desarrumada que se transformava em um espa\u00e7o de trabalho improvisado \u00e0 meia-noite. Estar online envolvia menos cerim\u00f4nia e menos pedidos de permiss\u00e3o. Voc\u00ea n\u00e3o atravessava um portal para se conectar, bastava inclinar a tela, ajustar-se \u00e0 nova luz e entrar no fluxo intenso. \u201cVou pesquisar depois\u201d se tornou pesquisar no corredor, a caminho da pr\u00f3xima atividade.<\/p>\n<p>Depois de nos acostumarmos com terminais fixos, come\u00e7amos a reorganizar nossas casas em torno de zonas sem sinal e pontos de acesso intenso. Seguimos os padr\u00f5es de funcionamento dos nossos dispositivos e aprendemos uma nova f\u00edsica, adaptando-nos \u00e0 forma como o microondas bloqueava a banda de 2,4 GHz, como os espelhos reduziam o alcance do roteador, como uma porta fechada podia tanto proporcionar privacidade quanto enfraquecer o sinal. Remapeamos nossos ambientes.<\/p>\n<p>Era dif\u00edcil dizer exatamente onde a internet se localizava na casa. Parecia menos uma janela e mais o clima, uma condi\u00e7\u00e3o ambiental \u00e0 qual adapt\u00e1vamos os movimentos de nossos corpos.<\/p>\n<p>Com o Wi-Fi, convidamos o mundo para dentro de nossas casas. Com os smartphones, transformamos nossas casas em mundos. Ganhei meu primeiro smartphone em 2013, tarde o suficiente para j\u00e1 ter formado h\u00e1bitos adultos e cedo o bastante para v\u00ea-los serem reformulados. O smartphone n\u00e3o apenas tornou a internet port\u00e1til; tornou-a pr\u00f3xima. N\u00e3o apenas carreg\u00e1vamos a conectividade, n\u00f3s a acolh\u00edamos. N\u00f3s a acarici\u00e1vamos.<\/p>\n<p>Come\u00e7amos a conversar de olhos baixos, as m\u00e3os inquietas quando a tela brilhou como uma estrela cadente. \u201cPreciso responder a isso\u201d, dissemos, como se responder n\u00e3o fosse uma escolha, mas uma obriga\u00e7\u00e3o. O computador de mesa nos chamava, sim, uma janela brilhante para outros mundos. Mas o telefone era diferente. Vibrava contra nossas coxas. Insistia.<\/p>\n<p>A pandemia exp\u00f4s o mundo para o qual est\u00e1vamos caminhando, um mundo onde a casa \u00e9 escrit\u00f3rio, escola, est\u00fadio. Em 2020, reorganizamos os m\u00f3veis, buscando a ilumina\u00e7\u00e3o que mais nos favorecia. Descobrimos quais c\u00f4modos tinham eco e quais absorviam o som. Vivi sozinha naquele primeiro ano de pandemia, transmitindo minha imagem para familiares e amigos do outro lado do pa\u00eds. Eu ansiava por contato f\u00edsico e n\u00e3o tinha contato. Comecei a levar meu celular de um c\u00f4modo para o outro.<\/p>\n<p>Foi a\u00ed que comecei a levar a internet para o banheiro.<\/p>\n<p>Tornei-me viciada no design elegante do meu telefone, nas suas vibra\u00e7\u00f5es e nos seus flashes. Sentia um crescente desconforto ao pensar em ficar desconectado, como se a conectividade n\u00e3o fosse um servi\u00e7o, mas uma necessidade vital. Ansiava pela conectividade como anseio pelo ar.<\/p>\n<p>Professora de estudos ambientais, dediquei minha carreira a estudar como o mundo constru\u00eddo remodela o mundo natural. Tendemos a tratar a internet como uma abstra\u00e7\u00e3o, algo vazio, sem lugar definido, ilimitado. Mas nada nela \u00e9 et\u00e9reo. A internet \u00e9 ind\u00fastria pesada. S\u00e3o cabos submarinos. S\u00e3o <em>data centers<\/em> gigantescos refrigerados pela \u00e1gua dos rios. Cada busca, cada v\u00eddeo transmitido, cada email automatizado de acompanhamento depende de sistemas f\u00edsicos.<\/p>\n<p>Servidores e smartphones cont\u00eam materiais extra\u00eddos de locais espec\u00edficos: c\u00e9rio de Bayan Obo, na Mong\u00f3lia Interior; cobalto da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo; l\u00edtio do Salar de Atacama, no Chile. Esses metais s\u00e3o frequentemente extra\u00eddos por trabalhadores com pouca prote\u00e7\u00e3o, em condi\u00e7\u00f5es extremamente arriscadas.<\/p>\n<p>Mesmo antes do lan\u00e7amento do ChatGPT em 2022 e da subsequente explos\u00e3o da IA, os <em>data centers <\/em>j\u00e1 consumiam cerca de 1% da eletricidade mundial. O banco Morgan Stanley prev\u00ea que os <em>data centers<\/em> produzir\u00e3o o equivalente a 2,5 bilh\u00f5es de toneladas m\u00e9tricas de di\u00f3xido de carbono at\u00e9 2030. O termo \u201cnuvem\u201d evoca algo sem peso, ef\u00eamero, sem dono. A nuvem n\u00e3o \u00e9 nada disso.<\/p>\n<p>Mas a extra\u00e7\u00e3o e as emiss\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o as \u00fanicas mudan\u00e7as ambientais provocadas pela internet. A conectividade transformou a maneira como percebemos nossos ambientes e como nos movemos por eles. Mudou a sensa\u00e7\u00e3o de viver em um lugar, como nos orientamos em c\u00f4modos e ruas, com que frequ\u00eancia estamos sozinhos. E tudo isso aconteceu sem dissipar a ilus\u00e3o de que o digital \u00e9 ilimitado e livre de fronteiras geogr\u00e1ficas.<\/p>\n<p>Falamos de \u201ctempo de tela\u201d como se o tempo fosse o \u00fanico eixo. Mas o eixo espacial tamb\u00e9m importa.<\/p>\n<p>A conectividade constante acostumou nossos corpos \u00e0 postura defensiva de rolar a tela, ao movimento involunt\u00e1rio da m\u00e3o abrindo-se em dire\u00e7\u00e3o a uma notifica\u00e7\u00e3o, \u00e0 onipresen\u00e7a da vibra\u00e7\u00e3o. O problema n\u00e3o \u00e9 apenas quanto tempo passamos online. \u00c9 como nos movemos nos espa\u00e7os que constru\u00edmos para a vida online e que tipo de liberdades perdemos.<\/p>\n<p>Se a rede acompanha o corpo pela casa, que espa\u00e7os podemos construir para permitir que o corpo fique sozinho? O que significaria limitar n\u00e3o apenas o tempo de tela, mas o espa\u00e7o ocupado pelas telas?<\/p>\n<p>\u00c9 tentador romantizar uma inf\u00e2ncia sem aparelhos eletr\u00f4nicos, um passeio de bicicleta sem nenhum sinal de GPS. O que me faz falta, na internet na escrivaninha de minha juventude, n\u00e3o \u00e9 a pureza. \u00c9 a fric\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A internet daquela \u00e9poca tinha limita\u00e7\u00f5es que me protegiam. Estar <em>online<\/em> significava estar em um lugar compartilhado. O computador dom\u00e9stico for\u00e7ou a internet a se relacionar com a mesa de jantar, a linha telef\u00f4nica, o fato comum da conviv\u00eancia.<\/p>\n<p>O <em>smartphone<\/em> faz o oposto. Ele leva o \u201coutro lugar\u201d para o banheiro, a biblioteca, o encontro, a cama. O lar, que antes definia o fim do expediente, agora o estende. Meus alunos s\u00e3o especialistas em manter duas conversas simultaneamente, uma na sala e outra na tela. Muitos est\u00e3o exaustos por isso. Somos todos sujeitos em um experimento de d\u00e9cadas, concebido para monetizar nossa aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>De vez em quando, tento tratar meus dispositivos como fixos no espa\u00e7o. Decido usar meu laptop apenas na minha mesa e meu celular apenas na bancada da cozinha, onde ele carrega. \u00c9 um exerc\u00edcio \u00fatil e tamb\u00e9m um tanto humilhante. Permite-me sentir com o corpo o quanto sou ref\u00e9m da conectividade. Fico frustrada quando a internet parece uma janela: acostumei-me ao clima.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s alguns minutos ou horas, inevitavelmente acabo cedendo e desconectando o celular ao sair pela porta.<\/p>\n<p>Algumas pessoas recorrem a extremos peri\u00f3dicos, trancando seus dispositivos para uma \u201cdesintoxica\u00e7\u00e3o digital\u201d. \u00c9 poss\u00edvel pagar por um retiro digital luxuoso. Mas essa abordagem de tudo ou nada em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 internet n\u00e3o nos oferece um modelo de como viver no meio-termo, como usar a internet como uma ferramenta, mantendo a liberdade de nossos corpos.<\/p>\n<p>O problema, come\u00e7o a pensar, n\u00e3o \u00e9 apenas usarmos nossos celulares no banheiro. \u00c9 imaginarmos que socializar, produzir conhecimento, fazer pol\u00edtica e ser criativo possa ser feito fora do espa\u00e7o f\u00edsico. Cometemos o mesmo erro com a IA generativa que cometemos com a internet, quando a tratamos como um lugar nenhum em vez de um lugar. Deixamos de reconhecer que o virtual opera dentro \u2014 e n\u00e3o al\u00e9m \u2014 do mundo espacial e material.<\/p>\n<p>\u00c9 a diferen\u00e7a entre o C-3PO de \u201cStar Wars\u201d e Samantha de \u201cEla\u201d, de Spike Jonze: o primeiro, um humanoide encarnado de forma c\u00f4mica, mas obrigat\u00f3ria; a outra, literalmente transcendente. Talvez antes med\u00edssemos a intelig\u00eancia por meio de compet\u00eancias f\u00edsicas, como a capacidade de abrir portas e subir escadas, de interpretar gestos, de manter contato visual; mas hoje a medimos por sua onipresen\u00e7a.<\/p>\n<p>J\u00e1 n\u00e3o consideramos um rob\u00f4 inteligente apenas por conseguir mover-se num mundo constru\u00eddo para corpos como os nossos. Os grandes modelos de linguagem (LLMs), na nossa imagina\u00e7\u00e3o, s\u00e3o seres conversacionais sem corpos, sem qualquer atrito com o ambiente. Falamos com eles como se estivessem por perto, mas n\u00e3o est\u00e3o em nenhum lugar que a nossa imagina\u00e7\u00e3o consiga situar. E assim come\u00e7amos a aceitar a estranha premissa de que a intelig\u00eancia pode existir fora do mundo f\u00edsico, flutuando acima das restri\u00e7\u00f5es que tornam a vida humana compreens\u00edvel.<\/p>\n<p>No entanto, a intelig\u00eancia \u00e9 ambiental.<\/p>\n<p>Meu colega do Williams College, Joe Cruz, observa que, para uma IA nos parecer genuinamente inteligente, ela precisa ser corporificada, pois muitas das caracter\u00edsticas que valorizamos na intelig\u00eancia humana (e animal) surgiram da tarefa de manter um corpo vivo enquanto ele se move pelo espa\u00e7o compartilhado. Reconhecemos os c\u00e3es como inteligentes, por exemplo, em parte porque eles t\u00eam tr\u00e2nsito em nossos espa\u00e7os constru\u00eddos e sociais, comunicando-se por meio de express\u00f5es emocionais compartilhadas, tendo evolu\u00eddo para viver em nossos ambientes. Alguns cientistas cognitivos argumentam que a intelig\u00eancia n\u00e3o pode ser compreendida isoladamente do corpo e do ambiente.<\/p>\n<p>A imagem de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica do c\u00e9rebro flutuante, que encontra um corpo e aprende a andar (ou a amar), inverte os passos. Aprendemos atrav\u00e9s dos nossos corpos; percebemos o mundo, tomamos decis\u00f5es sobre ele e agimos dentro dele. A intelig\u00eancia desencarnada n\u00e3o nos parecer\u00e1 intelig\u00eancia.<\/p>\n<p>No entanto, no Vale do Sil\u00edcio, prevalece a vis\u00e3o oposta. Pessoas influentes, incluindo especialistas em tecnologia e muitos dos nossos representantes eleitos, acreditam que, com os grandes modelos de linguagem (LLMs) da IA, encontraremos uma maneira melhor de vivermos juntos e de governarmos nosso ambiente compartilhado.<\/p>\n<p>Sam Altman, CEO da OpenAI, argumentou que a acelera\u00e7\u00e3o da IA inaugurar\u00e1 uma \u201cEra da Intelig\u00eancia\u201d de prosperidade \u201cinimagin\u00e1vel\u201d e \u201ccompartilhada\u201d, al\u00e9m de \u201ctriunfos surpreendentes\u201d, como \u201cresolver os problemas clim\u00e1ticos\u201d. Ele explica que o aprendizado profundo \u00e9 um algoritmo capaz de realmente aprender as regras por tr\u00e1s de qualquer distribui\u00e7\u00e3o de dados. Quanto mais poder computacional e dados dispon\u00edveis, melhor ele poder\u00e1 ajudar as pessoas a \u201cresolver problemas complexos\u201d.<\/p>\n<p>A vis\u00e3o de Altman colide com verdades fundamentais sobre como as pessoas vivem. N\u00f3s nos importamos com os lugares porque os habitamos. O amor pelo lugar surge tanto do nosso corpo quanto da nossa mente.<\/p>\n<p>Mas aqueles comprometidos com a intelig\u00eancia desencarnada buscam uma solu\u00e7\u00e3o diferente: a representa\u00e7\u00e3o total. Se o modelo n\u00e3o pode habitar o mundo, o mundo deve ser feito para habitar o modelo como um \u201cg\u00eameo digital\u201d, renderizado em resolu\u00e7\u00e3o cada vez mais fina, at\u00e9 que o ambiente se torne dados e os dados se tornem ambiente.<\/p>\n<p>A par\u00e1bola do escritor argentino Jorge Luis Borges, \u201cSobre o Rigor na Ci\u00eancia\u201c, imagina um imp\u00e9rio que produz um mapa do tamanho exato do territ\u00f3rio. \u00c9 uma ferramenta in\u00fatil, pois se torna o pr\u00f3prio territ\u00f3rio. \u201cNos desertos do Ocidente\u201d, conclui Borges em sua hist\u00f3ria, \u201cexistem ru\u00ednas esfarrapadas desse mapa, habitadas por animais e mendigos.\u201d<\/p>\n<p>Aqueles que sonham com uma nascente revolu\u00e7\u00e3o cognitiva imaginam que o mapa um-para-um de Borges finalmente ser\u00e1 \u00fatil \u2014 que se simplesmente alimentarmos a m\u00e1quina com texto suficiente, conhecimento humano suficiente, ela compreender\u00e1 o mundo de uma maneira que n\u00f3s jamais conseguiremos.<\/p>\n<p>Mesmo que tiv\u00e9ssemos tempo, trabalho e energia para tentar isso, por que o far\u00edamos? Por que n\u00e3o usar esse esfor\u00e7o para conversar uns com os outros?<\/p>\n<p>A alternativa \u00e9 um solipsismo cada vez mais comum. Uma pessoa solipsista acredita que o eu \u00e9 a \u00fanica realidade. Outras mentes, outros corpos, podem muito bem ser uma ilus\u00e3o.<\/p>\n<p>A internet atual nos inclina ao solipsismo. N\u00e3o nos imaginamos mais inserindo nossas imagens e vozes na internet. Imaginamos a n\u00f3s mesmos \u2014 nossos seres f\u00edsicos \u2014 vivendo <em>dentro <\/em>dela. Imaginamos a internet como nosso ambiente.<\/p>\n<p>Em \u201cTrick Mirror\u201d, a jornalista Jia Tolentino alertou que a internet, antes imaginada como um espa\u00e7o de liberdade, tornou-se um mecanismo de vigil\u00e2ncia, performance e mercantiliza\u00e7\u00e3o. A vida <em>online<\/em> incentiva a auto-otimiza\u00e7\u00e3o e a constru\u00e7\u00e3o de marca pessoal em detrimento da conex\u00e3o. \u201cEm espa\u00e7os f\u00edsicos, h\u00e1 um p\u00fablico e um per\u00edodo de tempo limitados para cada performance\u201d, escreve Jia. \u201cOnline, seu p\u00fablico pode, hipoteticamente, continuar crescendo indefinidamente, e a performance nunca precisa terminar.\u201d<\/p>\n<p>Jia focava no tempo, mas esta internet tamb\u00e9m \u00e9 um palco infinito, sem asas, sem sa\u00edda, sem lugar para onde ir e ficar sozinho novamente.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 volto\u201d simbolizou um dia a partida e a esperan\u00e7a de retorno. Lembrava-nos do corpo por tr\u00e1s da tela. Agora, estamos infinitamente dispon\u00edveis, e a IA nos \u00e9 vendida como a assistente incans\u00e1vel e desnecess\u00e1ria. Mas nossos corpos continuam a viver no mundo com obstinada persist\u00eancia, apesar do sonho do Vale do Sil\u00edcio do avatar imortal , a capacidade de transferir nossa ess\u00eancia para uma m\u00e1quina dur\u00e1vel, um sonho de escapar tanto da morte quanto do ambiente.<\/p>\n<p>A maioria das perguntas que vale a pena fazer n\u00e3o s\u00e3o sobre como transcender o ambiente, mas sim sobre como habit\u00e1-lo. Como viver juntos em um espa\u00e7o compartilhado.<\/p>\n<p>Diversas for\u00e7as sociais, hist\u00f3ricas e econ\u00f4micas me levaram a checar meus emails de trabalho no banheiro. Entre elas, est\u00e1 a maneira como passamos a imaginar a internet n\u00e3o como um lugar para onde vamos, mas como um espa\u00e7o que habitamos. Damos sentido \u00e0 experi\u00eancia abstrata por meio de met\u00e1foras corporais baseadas em orienta\u00e7\u00e3o e sensa\u00e7\u00e3o: para cima \u00e9 bom, para baixo \u00e9 ruim, calor \u00e9 afeto, peso \u00e9 import\u00e2ncia. Essas met\u00e1foras moldam como agimos e o que valorizamos.<\/p>\n<p>Janela, clima: mude a met\u00e1fora e voc\u00ea muda as possibilidades de pensamento e a\u00e7\u00e3o. Se a internet um dia nos ensinou a dizer \u201cj\u00e1 volto\u201d, talvez o trabalho daqui para frente seja recuperar essa \u00e9tica da interrup\u00e7\u00e3o, lembrar do corpo em um c\u00f4modo, esperando para voltar.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Sem publicidade ou patroc\u00ednio, dependemos de voc\u00ea. Fa\u00e7a parte do nosso grupo de apoiadores e ajude a manter nossa voz livre e plural: <strong>apoia.se\/outraspalavras<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>The post A hipnose fatal dos celulares appeared first on Outras Palavras.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/a-greve-nos-ensina-que-unidos-podemos-conquistar-novos-direitos\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/P7-greve-DF-_-Donavan-Sampaio-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">\u201cA greve nos ensina que, unidos, podemos conquista...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/trump-telefona-para-putin-em-meio-a-frustracao-sobre-ucrania-afirma-washington\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/5cd6959e-b649-4385-8d3e-2c2c4ffcfaa3-nato1-150x150.webp') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Trump telefona para Putin em meio \u00e0 \u2018frustra\u00e7\u00e3o\u2019 s...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/tarifaco-dos-estados-unidos-e-boicote-contra-o-brasil-diz-ministro-do-empreendedorismo\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Tarifa\u00e7o dos Estados Unidos \u00e9 boicote contra o Bra...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/russia-realiza-grande-ataque-em-kiev-deixando-mais-de-18-mortos-e-40-feridos\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">R\u00fassia realiza grande ataque em Kiev, deixando mai...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 ang\u00fastia, e tamb\u00e9m luta de classes, no dispositivo que alterou nossos la\u00e7os com o tempo e o espa\u00e7o. 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