{"id":83140,"date":"2026-04-15T14:29:56","date_gmt":"2026-04-15T17:29:56","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/integra-das-respostas-moratoria-da-soja\/"},"modified":"2026-04-15T14:29:56","modified_gmt":"2026-04-15T17:29:56","slug":"integra-das-respostas-moratoria-da-soja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/integra-das-respostas-moratoria-da-soja\/","title":{"rendered":"\u00cdntegra das respostas \u2013 Morat\u00f3ria da Soja"},"content":{"rendered":"<p>Leias as respostas completas de Cristiano Oliveira e Eduardo Gaban para a reportagem \u201cEstudo usado por ruralistas no STF contra morat\u00f3ria da soja \u00e9 contestado por ambientalistas\u201d  <\/p>\n<p><strong>Eduardo Gaban e Cristiano Oliveira<\/strong><\/p>\n<p>Agradecemos o interesse pelo nosso trabalho e a oportunidade de esclarecer as d\u00favidas levantadas pela reportagem. A Morat\u00f3ria da Soja \u00e9 um tema de grande relev\u00e2ncia para o debate p\u00fablico brasileiro, e acreditamos que a produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica independente tem um papel fundamental nessa discuss\u00e3o \u2014 especialmente em um momento em que o tema \u00e9 objeto de an\u00e1lise tanto no STF quanto no CADE. Respondemos a cada uma das perguntas com a mesma seriedade e transpar\u00eancia que orientaram a elabora\u00e7\u00e3o do estudo, e esperamos que as respostas contribuam para uma cobertura informada e equilibrada.<\/p>\n<ol>\n<li><strong>O estudo utiliza o desmatamento agregado como vari\u00e1vel principal. Segundo os especialistas, h\u00e1 o entendimento na literatura cient\u00edfica de que a vari\u00e1vel de resultado deve estar diretamente ligada ao mecanismo da pol\u00edtica, sob risco de dilui\u00e7\u00e3o do efeito estimado. Considerando que a morat\u00f3ria atua sobre a convers\u00e3o direta para soja, como os autores justificam o uso de desmatamento total?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>\u00c9 uma pergunta bastante pertinente, pois ela toca num ponto central do nosso trabalho. A escolha do desmatamento total foi intencional e reflete exatamente o que queremos medir: se a Amaz\u00f4nia ficou mais preservada.<\/p>\n<p>Pense assim: imagine que uma cidade pro\u00edbe que caminh\u00f5es despejem lixo numa rua espec\u00edfica. Se medirmos apenas o lixo naquela rua, pode parecer um sucesso. Mas se os caminh\u00f5es simplesmente mudarem para a rua do lado, o bairro continua sujo. A pol\u00edtica falhou no que realmente importa.<\/p>\n<p>Com a Morat\u00f3ria da Soja acontece algo parecido. Ela pro\u00edbe que os produtores comprem soja plantada diretamente sobre \u00e1reas desmatadas. Mas os dados do pr\u00f3prio GTS (o grupo que monitora a morat\u00f3ria) mostram que essa convers\u00e3o direta de floresta para soja representa apenas 2,4% do desmatamento total na Amaz\u00f4nia. Os outros 97,6% ocorrem por outras raz\u00f5es, principalmente pela pecu\u00e1ria, que est\u00e1 fora do alcance da morat\u00f3ria.<\/p>\n<p>Se med\u00edssemos apenas aqueles 2,4%, poder\u00edamos concluir que a pol\u00edtica funcionou, mas estar\u00edamos ignorando o que acontece na floresta como um todo. Nossa pergunta de pesquisa \u00e9 mais ambiciosa e mais honesta: a Amaz\u00f4nia foi efetivamente protegida? Para isso, s\u00f3 o desmatamento total responde.<\/p>\n<p>Vale destacar ainda que n\u00e3o estamos inventando nada novo. O desmatamento total medido pelo PRODES \u00e9 exatamente a mesma base utilizada pelos relat\u00f3rios do pr\u00f3prio GTS e pelos principais estudos acad\u00eamicos que avaliaram pol\u00edticas de prote\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia, como as an\u00e1lises do PPCDAm e da Lista Negra de munic\u00edpios feitas por Assun\u00e7\u00e3o e coautores. Portanto, apenas seguimos o padr\u00e3o estabelecido pela literatura e pelo pr\u00f3prio sistema de monitoramento que a morat\u00f3ria adota.<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li><strong>O estudo conclui que a morat\u00f3ria n\u00e3o teve impacto estatisticamente detect\u00e1vel e atribui a redu\u00e7\u00e3o do desmatamento a pol\u00edticas p\u00fablicas. No entanto, estudos revisados por pares, como Heilmayr et al. (2020), utilizam recortes espaciais em \u00e1reas aptas \u00e0 soja para isolar esse efeito e encontram redu\u00e7\u00e3o associada ao acordo. Esse tipo de abordagem foi testado no estudo? Como os autores explicam a diferen\u00e7a de resultados?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Heilmayr e seus coautores fizeram um trabalho respeit\u00e1vel, e \u00e9 natural que estudos diferentes usem abordagens diferentes. Mas h\u00e1 uma distin\u00e7\u00e3o importante que explica a diferen\u00e7a nos resultados.<\/p>\n<p>O estudo de Heilmayr recorta o mapa da Amaz\u00f4nia e olha apenas para as \u00e1reas onde a soja poderia ser plantada, como se voc\u00ea avaliasse o impacto de uma lei antifumo medindo apenas em locais onde cigarros s\u00e3o vendidos. Nesse recorte menor, os n\u00fameros parecem mais favor\u00e1veis \u00e0 morat\u00f3ria.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que esse recorte cria uma ilus\u00e3o. Se um fazendeiro deixa de desmatar para soja numa \u00e1rea apta, mas outro fazendeiro desmata do lado para criar gado (empurrando a press\u00e3o para outra \u00e1rea), o recorte de Heilmayr registra um \u201csucesso\u201d \u2014 mas a floresta continuou sendo destru\u00edda.<\/p>\n<p>\u201cO estudo de Heilmayr comete um erro b\u00e1sico de m\u00e9trica: ele foca na probabilidade de haver desmatamento em pontos espec\u00edficos do mapa, e n\u00e3o na \u00e1rea total destru\u00edda. \u00c9 como tentar medir a gravidade de uma enchente contando o n\u00famero de dias que choveu no m\u00eas, ignorando o volume de \u00e1gua que caiu em cada tempestade. O estudo fatiou a Amaz\u00f4nia em quadradinhos no mapa e respondeu a uma pergunta simples: \u2018teve desmatamento aqui, sim ou n\u00e3o?\u2019 (zero ou um). Ao descobrir que a probabilidade de um \u2018sim\u2019 caiu, os autores multiplicaram isso pela \u00e1rea total e cravaram que 18 mil km\u00b2 foram salvos. Essa conta exige uma suposi\u00e7\u00e3o heroica e irreal: a de que o tamanho m\u00e9dio das \u00e1reas desmatadas nunca muda. Se o n\u00famero de focos de desmatamento cair pela metade, mas o tamanho de cada \u00e1rea desmatada triplicar, a probabilidade cai, mas a floresta continua encolhendo.<\/p>\n<p>Por esta raz\u00e3o, nosso estudo optou por uma medida concreta \u2014 a \u00e1rea desmatada medida pelo PRODES, o sistema oficial do INPE \u2014 e por um recorte mais amplo, justamente para capturar esses efeitos indiretos. O que encontramos \u00e9 que a queda do desmatamento no per\u00edodo coincide com a entrada em vigor de pol\u00edticas p\u00fablicas robustas \u2014 como a Lista Negra de munic\u00edpios e as restri\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito rural \u2014 que atuavam sobre toda a cadeia de press\u00e3o sobre a floresta, n\u00e3o apenas sobre a soja. E pouco tem rela\u00e7\u00e3o com o monitoramento pelo GTS ou com o boicote imposto pela Morat\u00f3ria.<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li><strong>Para controlar pol\u00edticas p\u00fablicas, o estudo exclui munic\u00edpios da lista priorit\u00e1ria de desmatamento. Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que essa estrat\u00e9gia pode introduzir vi\u00e9s de sele\u00e7\u00e3o ao retirar justamente as \u00e1reas com maior press\u00e3o de desmate, onde o efeito da pol\u00edtica tenderia a ser mais observ\u00e1vel. Como os autores respondem a essa cr\u00edtica?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Trata-se de uma preocupa\u00e7\u00e3o leg\u00edtima \u00e0 primeira vista. Mas, com respeito aos especialistas consultados, a l\u00f3gica aqui est\u00e1 invertida: a exclus\u00e3o dos munic\u00edpios priorit\u00e1rios n\u00e3o cria um vi\u00e9s \u2014 ela corrige um vi\u00e9s que existiria caso eles fossem mantidos.<\/p>\n<p>Veja o racioc\u00ednio com uma analogia simples. Imagine que voc\u00ea quer testar se um novo rem\u00e9dio contra a press\u00e3o alta funciona. Mas, ao mesmo tempo em que voc\u00ea d\u00e1 esse rem\u00e9dio aos pacientes, o m\u00e9dico tamb\u00e9m prescreve tr\u00eas outros medicamentos fort\u00edssimos para os mesmos pacientes. No fim, a press\u00e3o caiu \u2014 mas como saber o que fez o qu\u00ea? \u00c9 imposs\u00edvel. Para medir o efeito real do rem\u00e9dio novo, voc\u00ea precisa de um grupo de pacientes que tomou apenas ele.<\/p>\n<p>O ano de 2008 foi exatamente esse cen\u00e1rio para a Amaz\u00f4nia. No mesmo momento em que a Morat\u00f3ria da Soja entrava em vigor, o governo federal lan\u00e7ou a Lista de Munic\u00edpios Priorit\u00e1rios \u2014 um choque de fiscaliza\u00e7\u00e3o sem precedentes, com presen\u00e7a permanente do IBAMA, corte de cr\u00e9dito rural em bancos p\u00fablicos e embargos severos. Estudos independentes mostram que essa a\u00e7\u00e3o estatal, por si s\u00f3, evitou o desmatamento de mais de 11.000 km\u00b2. Se mantiv\u00e9ssemos esses munic\u00edpios na an\u00e1lise, seria matematicamente imposs\u00edvel separar o que foi resultado da press\u00e3o do Estado do que foi resultado do acordo privado das tradings. Na pr\u00e1tica, estar\u00edamos atribuindo \u00e0 Morat\u00f3ria o m\u00e9rito do trabalho do IBAMA \u2014 e isso sim seria um vi\u00e9s grave.<\/p>\n<p>Ao excluir esses munic\u00edpios, o estudo cria o que os cientistas chamam de um ambiente de identifica\u00e7\u00e3o limpo. A amostra que restou \u00e9 composta por munic\u00edpios com produ\u00e7\u00e3o expressiva de soja e monitoramento ativo pelo GTS, mas sem o cerco m\u00e1ximo do Estado. S\u00e3o lugares onde a press\u00e3o por expans\u00e3o agr\u00edcola existe de forma intensa e real. Se a Morat\u00f3ria tivesse um poder de dissuas\u00e3o genu\u00edno \u2014 se a amea\u00e7a de boicote das grandes tradings realmente mudasse o comportamento dos produtores \u2014, esse efeito deveria aparecer com clareza justamente nesses munic\u00edpios. O fato de o impacto ser estatisticamente nulo nesse ambiente controlado \u00e9 a evid\u00eancia mais honesta que se pode produzir sobre a pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Por fim, vale um esclarecimento sobre o m\u00e9todo. A abordagem que seguimos est\u00e1 alinhada com o que h\u00e1 de mais rigoroso na ci\u00eancia econ\u00f4mica contempor\u00e2nea. Essa metodologia exige que os grupos comparados sejam suficientemente parecidos entre si para que a compara\u00e7\u00e3o seja justa \u2014 o que os cientistas chamam de comparar \u201cma\u00e7\u00e3s com ma\u00e7\u00e3s\u201d. Manter na amostra munic\u00edpios que sofreram interven\u00e7\u00f5es estatais radicalmente diferentes seria o equivalente a comparar ma\u00e7\u00e3s com laranjas, e qualquer resultado obtido dessa forma seria, no m\u00ednimo, question\u00e1vel.<\/p>\n<ol start=\"4\">\n<li><strong>O estudo utiliza o estimador de Sun &amp; Abraham (2021), desenvolvido para contextos de tratamento escalonado. Considerando que a morat\u00f3ria foi implementada de forma simult\u00e2nea no bioma Amaz\u00f4nia, como os autores justificam a adequa\u00e7\u00e3o desse m\u00e9todo ao caso analisado?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Para responder a esta pergunta, \u00e9 necess\u00e1rio fazer uma corre\u00e7\u00e3o factual importante: a premissa de que a Morat\u00f3ria foi implementada de forma simult\u00e2nea em todo o bioma \u00e9 incorreta na pr\u00e1tica. No papel, a regra vale para toda a Amaz\u00f4nia desde 2008. Na realidade, o monitoramento \u2014 que \u00e9 o que efetivamente muda o comportamento dos produtores \u2014 chegou a cada munic\u00edpio em momentos completamente diferentes.<\/p>\n<p>O funcionamento real da pol\u00edtica \u00e9 assim: o Grupo de Trabalho da Soja, respons\u00e1vel pela fiscaliza\u00e7\u00e3o, s\u00f3 inclui um munic\u00edpio na sua malha de monitoramento por sat\u00e9lite quando a produ\u00e7\u00e3o local de soja ultrapassa 5.000 hectares. \u00c9 como a instala\u00e7\u00e3o de um radar numa rodovia. A lei de tr\u00e2nsito vale para a estrada inteira, mas o risco real de ser multado s\u00f3 existe no trecho onde o radar foi instalado. Como a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola avan\u00e7a em ritmos distintos em cada regi\u00e3o, os munic\u00edpios entraram na lista de monitoramento em anos completamente diferentes. O pr\u00f3prio livro cita casos como Nova Bandeirantes e Aripuan\u00e3, no Mato Grosso, que s\u00f3 passaram a ser monitorados na safra 2022\/2023 \u2014 quinze anos depois do in\u00edcio formal da pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a intensidade da pr\u00f3pria pol\u00edtica mudou radicalmente ao longo do tempo. De 2008 a 2016, a Morat\u00f3ria era um acordo provis\u00f3rio, renovado periodicamente, o que gerava nos produtores a expectativa de que as restri\u00e7\u00f5es poderiam acabar a qualquer momento. Em 2016, o acordo tornou-se permanente, alterando de forma significativa a percep\u00e7\u00e3o de risco de quem opera no setor. Tratar os quatorze anos de 2008 a 2022 como um bloco uniforme e simult\u00e2neo seria ignorar essa realidade institucional.<\/p>\n<p>\u00c9 exatamente por isso que o m\u00e9todo de Sun &amp; Abraham \u00e9 o mais adequado. Quando uma pol\u00edtica chega em \u201condas\u201d \u2014 munic\u00edpio a munic\u00edpio, ano a ano \u2014 o m\u00e9todo estat\u00edstico tradicional comete um erro grave: ele acaba usando como grupo de compara\u00e7\u00e3o munic\u00edpios que j\u00e1 est\u00e3o sob monitoramento intenso h\u00e1 anos, como se ainda fossem um ponto de refer\u00eancia neutro. \u00c9 como comparar o comportamento de um motorista veterano no radar com o de algu\u00e9m que acabou de ver o equipamento pela primeira vez \u2014 a compara\u00e7\u00e3o perde o sentido. O m\u00e9todo de Sun &amp; Abraham corrige exatamente esse problema, garantindo que cada munic\u00edpio seja comparado apenas com outros que ainda n\u00e3o entraram na malha de fiscaliza\u00e7\u00e3o. N\u00e3o por acaso, essa fam\u00edlia de m\u00e9todos est\u00e1 no cora\u00e7\u00e3o da tradi\u00e7\u00e3o que rendeu o Pr\u00eamio Nobel de Economia em 2021.<\/p>\n<p>Usar uma metodologia mais antiga nesse contexto n\u00e3o seria uma escolha conservadora, seria um erro t\u00e9cnico com consequ\u00eancias diretas sobre as conclus\u00f5es do estudo.<\/p>\n<ol start=\"5\">\n<li><strong>O estudo utiliza dados autodeclarados de produtores para estimar impactos econ\u00f4micos da morat\u00f3ria. Fontes ouvidas pela reportagem afirmam que esse tipo de levantamento pode refletir percep\u00e7\u00f5es dos produtores, inclusive associadas a fatores como log\u00edstica, clima ou acesso a mercado, e n\u00e3o necessariamente efeitos causais do acordo privado.\u00a0 Quais procedimentos metodol\u00f3gicos foram adotados para mitigar esses efeitos no estudo?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Trata-se de um questionamento v\u00e1lido para uma pesquisa de opini\u00e3o comum. Mas o nosso estudo foi desenhado metodologicamente para eliminar exatamente esse tipo de vi\u00e9s. Adotamos tr\u00eas camadas de prote\u00e7\u00e3o contra o risco de estarmos medindo \u201cchoro de produtor\u201d em vez de impacto real.<\/p>\n<p>A primeira camada \u00e9 a mais importante: a pesquisa n\u00e3o perguntou aos produtores o que eles achavam da Morat\u00f3ria. A classifica\u00e7\u00e3o de quem foi impactado pela pol\u00edtica foi feita de forma inteiramente objetiva, cruzando a localiza\u00e7\u00e3o da fazenda com os relat\u00f3rios oficiais do pr\u00f3prio Grupo de Trabalho da Soja. Se o munic\u00edpio do produtor constava na lista de monitoramento das tradings, ele foi classificado como impactado, independentemente de ele sequer saber o que \u00e9 a Morat\u00f3ria. O pre\u00e7o que ele declarou ter recebido pela soja foi ent\u00e3o comparado com o de produtores fora dessa lista. Isso n\u00e3o \u00e9 percep\u00e7\u00e3o: \u00e9 um dado de mercado cruzado com um documento oficial da pr\u00f3pria pol\u00edtica.<\/p>\n<p>A segunda camada responde diretamente \u00e0 preocupa\u00e7\u00e3o com log\u00edstica e clima. Utilizamos um m\u00e9todo econom\u00e9trico de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o (chamado IPWRA, duplamente robusto) que compara apenas produtores que chamar\u00edamos de \u201cg\u00eameos estat\u00edsticos\u201d: fazendas de mesmo tamanho, com produtores de experi\u00eancia equivalente e, fundamentalmente, \u00e0 mesma dist\u00e2ncia do silo ou ponto de descarga mais pr\u00f3ximo. Em outras palavras, o frete j\u00e1 estava descontado antes de calcularmos qualquer diferen\u00e7a de pre\u00e7o. Mesmo ap\u00f3s esse controle rigoroso, a fazenda localizada na \u00e1rea monitorada pela Morat\u00f3ria recebe, em m\u00e9dia, R$ 5,40 a menos por saca.<\/p>\n<p>A terceira camada \u00e9 talvez a mais dif\u00edcil de contestar. Realizamos duas an\u00e1lises completamente independentes: uma usando os dados declarados pelos produtores e outra usando bases oficiais do governo federal, como o IBGE. As duas chegaram \u00e0 mesma conclus\u00e3o: produtores em \u00e1reas monitoradas sofrem um des\u00e1gio severo no pre\u00e7o recebido. Quando dados de fazendas individuais e dados macroecon\u00f4micos oficiais apontam para o mesmo resultado sem nunca terem se \u201cfalado\u201d, n\u00e3o estamos mais diante de uma percep\u00e7\u00e3o. Estamos diante de um fato econ\u00f4mico confirmado por duas fontes independentes.<\/p>\n<p>Por fim, h\u00e1 um dado do pr\u00f3prio estudo que desfaz de vez a tese do vi\u00e9s de percep\u00e7\u00e3o. Testamos separadamente o grupo de produtores que declararam explicitamente ter sido prejudicados pela Morat\u00f3ria \u2014 exatamente aqueles que, se a cr\u00edtica fosse v\u00e1lida, deveriam apresentar os maiores \u201cexageros\u201d. O resultado foi o oposto: esse grupo relatou perdas menores do que a m\u00e9dia objetiva encontrada para o munic\u00edpio como um todo. A explica\u00e7\u00e3o \u00e9 simples: quem sofre embargo direto das grandes tradings tende a migrar para cerealistas menores, reduzindo parte do preju\u00edzo. Os dados n\u00e3o capturam indigna\u00e7\u00e3o: capturam a din\u00e2mica real de adapta\u00e7\u00e3o do mercado.<\/p>\n<ol start=\"6\">\n<li><strong>Para controle de pol\u00edticas p\u00fablicas, foram exclu\u00eddos munic\u00edpios da lista priorit\u00e1ria de desmatamento. Como essa decis\u00e3o foi considerada na an\u00e1lise dos efeitos da morat\u00f3ria?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Essa quest\u00e3o foi abordada em detalhe numa pergunta anterior, mas vale retomar o racioc\u00ednio central de forma direta.<\/p>\n<p>A exclus\u00e3o dos munic\u00edpios da Lista Priorit\u00e1ria de Desmatamento n\u00e3o foi uma omiss\u00e3o. Foi uma decis\u00e3o metodol\u00f3gica deliberada e necess\u00e1ria. Em 2008, exatamente o mesmo ano em que a Morat\u00f3ria entrou em vigor, o governo federal submeteu esses munic\u00edpios a um choque de fiscaliza\u00e7\u00e3o sem precedentes: presen\u00e7a permanente do IBAMA, corte de cr\u00e9dito rural em bancos p\u00fablicos e embargos severos. Manter essas \u00e1reas na amostra tornaria imposs\u00edvel separar o que foi efeito da Morat\u00f3ria do que foi efeito das pol\u00edticas p\u00fablicas, e qualquer resultado encontrado seria, na melhor das hip\u00f3teses, uma mistura dos dois.<\/p>\n<p>Ao excluir esses munic\u00edpios, o estudo n\u00e3o ignorou uma parte do problema: ele criou as condi\u00e7\u00f5es para medir a Morat\u00f3ria de forma isolada e honesta. A an\u00e1lise se concentrou em munic\u00edpios com produ\u00e7\u00e3o expressiva de soja e monitoramento ativo pelo GTS, mas sem a interfer\u00eancia direta do Estado, exatamente o ambiente onde o efeito do acordo privado, se existisse, deveria aparecer com clareza.<\/p>\n<ol start=\"7\">\n<li><strong>Fontes ouvidas pela reportagem classificam o estudo como uma an\u00e1lise com \u201cfragilidades metodol\u00f3gicas\u201d e \u201criscos de vi\u00e9s\u201d na constru\u00e7\u00e3o dos resultados. Como os autores respondem a essas avalia\u00e7\u00f5es?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Recebemos essa avalia\u00e7\u00e3o com respeito, mas precisamos ser diretos: cr\u00edticas gen\u00e9ricas, sem apontar qual fragilidade espec\u00edfica foi identificada e por qual raz\u00e3o, n\u00e3o constituem uma avalia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, constituem uma opini\u00e3o. A ci\u00eancia avan\u00e7a por meio de argumentos t\u00e9cnicos concretos e estamos inteiramente dispostos a respond\u00ea-los, como fizemos com cada uma das perguntas anteriores.<\/p>\n<p>Se as fontes ouvidas pela reportagem identificaram fragilidades concretas, o caminho natural seria submet\u00ea-las ao debate acad\u00eamico aberto \u2014 publicando uma cr\u00edtica formal, participando de semin\u00e1rios cient\u00edficos ou propondo uma rean\u00e1lise dos dados. Esse \u00e9 o protocolo da ci\u00eancia. Portanto, avalia\u00e7\u00f5es an\u00f4nimas concedidas a ve\u00edculos de imprensa, sem especifica\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, n\u00e3o seguem esse protocolo.<\/p>\n<p>O que podemos afirmar com clareza \u00e9 que o estudo utiliza dados p\u00fablicos e oficiais e teve todas as suas escolhas metodol\u00f3gicas documentadas e justificadas. Qualquer pesquisador que queira replicar, contestar ou aprimorar os resultados encontrar\u00e1 tudo o que precisa dispon\u00edvel para isso.<\/p>\n<ol start=\"8\">\n<li><strong>O estudo apresenta argumentos semelhantes aos utilizados por entidades que questionam a morat\u00f3ria em processos no STF e no Cade, como soberania nacional, caracteriza\u00e7\u00e3o do acordo como pr\u00e1tica anticoncorrencial e questionamentos sobre sua efic\u00e1cia ambiental. Como os autores explicam essa converg\u00eancia de argumentos?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Compreendemos a insinua\u00e7\u00e3o impl\u00edcita na pergunta e vamos respond\u00ea-la diretamente: a converg\u00eancia de conclus\u00f5es entre um estudo acad\u00eamico e outros atores n\u00e3o diz nada sobre a origem ou a integridade do estudo. Diz apenas que diferentes pessoas, partindo de pontos distintos, chegaram ao mesmo lugar.<\/p>\n<p>A l\u00f3gica inversa dessa cr\u00edtica levaria a conclus\u00f5es absurdas. O fato de que estudos cient\u00edficos sobre os malef\u00edcios do tabaco convergem com os argumentos de advogados que processam fabricantes de cigarro n\u00e3o torna esses estudos suspeitos \u2014 torna-os \u00fateis. Da mesma forma, se uma an\u00e1lise econ\u00f4mica independente conclui que um acordo privado tem efic\u00e1cia ambiental limitada e gera efeitos econ\u00f4micos negativos sobre produtores, \u00e9 natural que essa conclus\u00e3o seja citada por quem litiga sobre o mesmo tema.<\/p>\n<p>O que determina a credibilidade de um estudo cient\u00edfico n\u00e3o \u00e9 com quem ele concorda, mas como ele foi feito. E nesse ponto o nosso trabalho tem resposta clara: utilizamos dados p\u00fablicos e oficiais, m\u00e9todos reconhecidos pela literatura internacional e documentamos cada escolha metodol\u00f3gica de forma transparente. Qualquer pesquisador pode replicar nossos resultados \u2014 e essa replicabilidade \u00e9 a \u00fanica medida que importa na ci\u00eancia.<\/p>\n<p>Sugerimos que as mesmas perguntas sejam feitas na dire\u00e7\u00e3o oposta: estudos que concluem pela efic\u00e1cia da Morat\u00f3ria convergem com os interesses comerciais das grandes tradings de soja, que utilizam o acordo como certifica\u00e7\u00e3o de sustentabilidade para acessar mercados europeus. Essa converg\u00eancia tamb\u00e9m merece escrut\u00ednio?<\/p>\n<p>A ci\u00eancia n\u00e3o escolhe seus resultados para agradar ou desagradar a nenhuma parte. E \u00e9 exatamente por isso que ela \u00e9 \u00fatil.<\/p>\n<ol start=\"9\">\n<li><strong>Registros p\u00fablicos de agenda indicam que os autores Eduardo Gaban e Cristiano Aguiar de Oliveira participaram de reuni\u00f5es no Cade, entre setembro e outubro de 2025, em encontros que mencionam Aprosoja e CNA, entidades que questionam a morat\u00f3ria no Cade e no STF. Em reuni\u00f5es com a participa\u00e7\u00e3o do professor Cristiano Aguiar de Oliveira, tamb\u00e9m consta a presen\u00e7a da advogada da CNA, Amanda Oliveira. Qual foi o objetivo dessas reuni\u00f5es?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>As reuni\u00f5es decorreram de um trabalho anterior e separado do livro. Durante minha Licen\u00e7a para Interesses Particulares, elaborei um parecer t\u00e9cnico para a CNA sobre aspectos concorrenciais do caso em julgamento no CADE. Quando o processo avan\u00e7ou ao plen\u00e1rio, j\u00e1 ap\u00f3s meu retorno \u00e0 universidade, como ningu\u00e9m da CNA se sentiu \u00e0 vontade para responder eventuais questionamentos a respeito dos m\u00e9todos empregados, fui convidado a participar de algumas reuni\u00f5es para esclarecer os aspectos t\u00e9cnicos do parecer, que continham econometria de alta complexidade. O prof. Cristiano participou de uma ou duas reuni\u00f5es presenciais e pelo menos uma outra de forma virtual, fora do seu hor\u00e1rio de trabalho e sem preju\u00edzo \u00e0s suas obriga\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas. As demais reuni\u00f5es previstas foram canceladas. No mesmo sentido, o Professor Eduardo Gaban teve uma atua\u00e7\u00e3o pontual e n\u00e3o remunerada a convite de um dos escrit\u00f3rios atuantes no CADE para avaliar junto ao Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal e ao conselheiro relator do caso no CADE a possibilidade ou viabilidade do CADE considerar par\u00e2metros de outros acordos ambientais exitosos celebrados pelo MPF relacionados ao tema ent\u00e3o em tr\u00e2mite no CADE. Como n\u00e3o houve sinaliza\u00e7\u00e3o positiva por parte das autoridades, o trabalho foi encerrado naquele mesmo per\u00edodo.<\/p>\n<ol start=\"10\">\n<li><strong>Essas intera\u00e7\u00f5es podem configurar algum tipo de conflito de interesse em rela\u00e7\u00e3o ao estudo? Caso n\u00e3o, por que essa rela\u00e7\u00e3o institucional n\u00e3o foi detalhada no documento?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>N\u00e3o configuram conflito de interesse por raz\u00f5es objetivas. Conflito de interesse existe quando um benef\u00edcio financeiro ou institucional tem o potencial de distorcer resultados de pesquisa. No nosso caso, n\u00e3o recebemos qualquer remunera\u00e7\u00e3o pela produ\u00e7\u00e3o do livro. Nem da CNA, nem da Aprosoja, nem de qualquer outra entidade. O conte\u00fado do livro n\u00e3o foi submetido \u00e0 revis\u00e3o ou aprova\u00e7\u00e3o de partes interessadas, e publicamos exatamente o que a evid\u00eancia emp\u00edrica indicava. Vale destacar que uma parte relevante da an\u00e1lise, justamente aquela sobre o impacto no desmatamento, foi desenvolvida de forma independente e n\u00e3o integrou o parecer entregue \u00e0 CNA, porque n\u00e3o era do interesse deles uma vez que estavam focados nas quest\u00f5es concorrenciais. Acredito que isso ilustra com clareza que a agenda do livro era acad\u00eamica, n\u00e3o advocat\u00edcia.<\/p>\n<p>Acreditamos que vale salientar que ter uma posi\u00e7\u00e3o acad\u00eamica cr\u00edtica sobre uma pol\u00edtica p\u00fablica n\u00e3o \u00e9 conflito de interesse:\u00a0 \u00e9 o papel da ci\u00eancia. Reconhecemos que, como boa pr\u00e1tica, uma se\u00e7\u00e3o expl\u00edcita de declara\u00e7\u00e3o de financiamento e v\u00ednculos teria sido bem-vinda no livro. Em retrospecto, sua inclus\u00e3o teria evitado especula\u00e7\u00f5es desnecess\u00e1rias. Mas sua aus\u00eancia n\u00e3o altera os fatos: n\u00e3o h\u00e1 financiamento externo a declarar na elabora\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o do trabalho, e n\u00e3o existiram instru\u00e7\u00f5es de terceiros sobre como conduzir ou apresentar os resultados.<\/p>\n<ol start=\"11\">\n<li><strong>As reuni\u00f5es no Cade do Prof. Cristiano foram realizadas de forma presencial? Em caso afirmativo, como foram custeadas, de forma detalhada, as despesas de deslocamento, hospedagem e alimenta\u00e7\u00e3o relacionadas \u00e0 participa\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Sim, a reuni\u00e3o foi presencial em Bras\u00edlia. As despesas de deslocamento e hospedagem foram parcialmente custeadas pela CNA, no contexto do parecer t\u00e9cnico que havia sido contratado durante minha LIP. O prof. Cristiano n\u00e3o recebeu honor\u00e1rios adicionais por essa participa\u00e7\u00e3o. O custeio, na forma de di\u00e1rias, cobriu apenas parte das despesas de viagem, e o restante foi arcado por ele. N\u00e3o houve qualquer remunera\u00e7\u00e3o pela reuni\u00e3o em si.<\/p>\n<ol start=\"12\">\n<li><strong>Quem financiou o estudo elaborado pelo IBCI e a pesquisa conduzida pela consultoria respons\u00e1vel pelo levantamento com produtores? Houve apoio direto ou indireto de entidades do setor?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>A elabora\u00e7\u00e3o do conte\u00fado acad\u00eamico do livro \u2014 as an\u00e1lises econom\u00e9tricas e a revis\u00e3o da literatura \u2014 n\u00e3o teve financiamento externo. Trata-se de trabalho intelectual volunt\u00e1rio, motivado exclusivamente pelo interesse acad\u00eamico no tema. Quanto ao levantamento de dados prim\u00e1rios com produtores, esse trabalho foi conduzido por uma consultoria independente, e n\u00e3o temos conhecimento sobre a origem dos recursos utilizados para esse fim. Fomos convidados a analisar os dados j\u00e1 coletados, e nossa contribui\u00e7\u00e3o foi estritamente t\u00e9cnica e n\u00e3o remunerada.<\/p>\n<ol start=\"13\">\n<li><strong>Por que o estudo n\u00e3o apresenta uma se\u00e7\u00e3o com declara\u00e7\u00e3o de financiamento e potenciais conflitos de interesse, como \u00e9 usual em pesquisas acad\u00eamicas?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Como mencionamos anteriormente, reconhecemos que a inclus\u00e3o dessa se\u00e7\u00e3o seria uma boa pr\u00e1tica acad\u00eamica e que sua aus\u00eancia gerou questionamentos que poderiam ter sido evitados. Dito isso, a aus\u00eancia da se\u00e7\u00e3o n\u00e3o significa que h\u00e1 algo a ocultar: significa que o livro, por ter sido publicado fora do fluxo tradicional de peri\u00f3dicos cient\u00edficos, n\u00e3o passou por um checklist editorial que normalmente exigiria essa declara\u00e7\u00e3o. No m\u00e9rito, n\u00e3o h\u00e1 financiamento externo a declarar, n\u00e3o recebemos remunera\u00e7\u00e3o de qualquer parte interessada, e o conte\u00fado foi produzido e publicado sem interfer\u00eancia externa.<\/p>\n<p>Seja como for, em virtude desses questionamentos recebidos, vamos encaminhar uma sugest\u00e3o ao IBCI para que considere incluir esse disclaimmer na vers\u00e3o eletr\u00f4nica do livro e nas pr\u00f3ximas tiragens impressas, se houver.<\/p>\n<ol start=\"14\">\n<li><strong>Como os produtores foram convidados a participar da pesquisa? A divulga\u00e7\u00e3o foi feita por meio de associa\u00e7\u00f5es do setor, como a Aprosoja-MT e a Famato?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>O recrutamento dos produtores para o levantamento de dados prim\u00e1rios foi conduzido pela consultoria respons\u00e1vel pela pesquisa de campo, etapa da qual n\u00e3o participamos. N\u00e3o temos conhecimento detalhado sobre os canais utilizados para esse recrutamento. O que podemos afirmar \u00e9 que recebemos os dados j\u00e1 coletados e aplicamos sobre eles m\u00e9todos econom\u00e9tricos, documentados no livro, que controlam poss\u00edveis vieses de sele\u00e7\u00e3o amostral.<\/p>\n<ol start=\"15\">\n<li><strong>Considerando o regime de dedica\u00e7\u00e3o exclusiva do professor Cristiano Aguiar de Oliveira, houve remunera\u00e7\u00e3o pela elabora\u00e7\u00e3o do estudo? Em caso afirmativo, como essa atividade foi formalizada junto \u00e0 universidade?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>N\u00e3o houve remunera\u00e7\u00e3o pela elabora\u00e7\u00e3o do livro. O parecer econ\u00f4mico anterior, entregue \u00e0 CNA, foi produzido durante a Licen\u00e7a para Interesses Particulares do prof. Cristiano, per\u00edodo em que n\u00e3o havia v\u00ednculo ativo com a universidade e durante o qual estava legalmente livre para exercer qualquer atividade remunerada ou n\u00e3o. A participa\u00e7\u00e3o nas reuni\u00f5es presenciais e online no CADE ocorreu ap\u00f3s o seu retorno, fora do hor\u00e1rio de trabalho e sem preju\u00edzo \u00e0s suas obriga\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas. A produ\u00e7\u00e3o do livro em si se enquadra naturalmente entre as atividades de pesquisa esperadas de um professor universit\u00e1rio: produzir conhecimento e torn\u00e1-lo p\u00fablico, especialmente sobre temas de relev\u00e2ncia para pol\u00edticas p\u00fablicas em debate, \u00e9 parte central da miss\u00e3o acad\u00eamica.<\/p>\n<p>Desejamos sucesso com a reportagem e esperamos que as respostas acima tenham esclarecido as d\u00favidas levantadas. Esperamos tamb\u00e9m que o texto final reflita, com a devida isen\u00e7\u00e3o, os argumentos que apresentamos ou ao menos os considere com o mesmo rigor com que foram elaborados.<\/p>\n<p>Por fim, gostar\u00edamos de deixar claro que pesquisadores e jornalistas comprometidos com a verdade dos fatos est\u00e3o, no fundo, do mesmo lado: o lado de quem acredita que decis\u00f5es p\u00fablicas devem ser baseadas em evid\u00eancias. Nossa pesquisa n\u00e3o defende interesses econ\u00f4micos de nenhuma parte. Ela questiona se um mecanismo privado, controlado por grandes multinacionais do agroneg\u00f3cio global, est\u00e1 de fato cumprindo o papel ambiental que lhe \u00e9 atribu\u00eddo, ou se serve principalmente como instrumento de certifica\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel para acesso a mercados europeus ou qualquer outro fim. Proteger a Amaz\u00f4nia \u00e9 um objetivo que compartilhamos. E \u00e9 exatamente por isso que achamos importante desmistificar narrativas que, ao atribuir a pr\u00f3pria iniciativa privada o m\u00e9rito da preserva\u00e7\u00e3o, acabam desviando a aten\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas que realmente funcionaram e que merecem ser estimuladas.<\/p>\n<p>The post \u00cdntegra das respostas \u2013 Morat\u00f3ria da Soja appeared first on Rep\u00f3rter Brasil.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/stf-abre-ao-publico-geral-credenciamento-para-julgamento-de-bolsonaro-saiba-como-participar\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; 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A Morat\u00f3ria da Soja \u00e9 um tema [\u2026]<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2026\/04\/integra-das-respostas-moratoria-da-soja\/\">\u00cdntegra das respostas \u2013 Morat\u00f3ria da Soja<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/\">Rep\u00f3rter Brasil<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[5803,5879],"tags":[],"class_list":["post-83140","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-anexos-posicionamentos","category-conteudo-original-em-portugues"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83140","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=83140"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83140\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=83140"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=83140"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=83140"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}