{"id":83141,"date":"2026-04-15T14:31:22","date_gmt":"2026-04-15T17:31:22","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/estudo-usado-por-ruralistas-no-stf-contra-moratoria-da-soja-e-contestado-por-ambientalistas\/"},"modified":"2026-04-15T14:31:22","modified_gmt":"2026-04-15T17:31:22","slug":"estudo-usado-por-ruralistas-no-stf-contra-moratoria-da-soja-e-contestado-por-ambientalistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/estudo-usado-por-ruralistas-no-stf-contra-moratoria-da-soja-e-contestado-por-ambientalistas\/","title":{"rendered":"Estudo usado por ruralistas no STF contra morat\u00f3ria da soja \u00e9 contestado por ambientalistas"},"content":{"rendered":"<p><strong>UM ESTUDO<\/strong> defendido pela Aprosoja (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira dos Produtores de Soja), mas questionado por acad\u00eamicos e ambientalistas, vai estar no centro do debate sobre a chamada \u201cmorat\u00f3ria da soja\u201d, durante audi\u00eancia marcada pelo ministro Fl\u00e1vio Dino para a quinta-feira (16), no STF (Supremo Tribunal Federal).\u00a0<\/p>\n<p>Usado como argumento t\u00e9cnico pela entidade do agroneg\u00f3cio contra a morat\u00f3ria, o documento sustenta que o pacto empresarial criado h\u00e1 quase duas d\u00e9cadas \u2014 e que pro\u00edbe a compra de gr\u00e3os produzidos em \u00e1reas desmatadas na Amaz\u00f4nia depois de julho de 2008 \u2014 n\u00e3o teria reduzido o desmatamento no bioma. Especialistas ouvidos pela reportagem, no entanto, contestam a an\u00e1lise e apontam falhas metodol\u00f3gicas.<\/p>\n<p>Elaborado pelo IBCI (Instituto Brasileiro de Concorr\u00eancia e Inova\u00e7\u00e3o), o documento est\u00e1\u00a0 anexado a um julgamento em curso no STF sobre leis estaduais do Mato Grosso e de Rond\u00f4nia que retiram benef\u00edcios fiscais das tradings (comercializadoras) de gr\u00e3os que aderirem a compromissos volunt\u00e1rios de sustentabilidade. Por causa dessas legisla\u00e7\u00f5es, defendidas por sojicultores, multinacionais como ADM, Bunge e Cargill abandonaram a morat\u00f3ria, por receio de perderem incentivos estaduais bilion\u00e1rios.<\/p>\n<p>A audi\u00eancia de concilia\u00e7\u00e3o prevista para quinta-feira foi convocada pelo relator do caso, ministro Fl\u00e1vio Dino. O objetivo do encontro \u00e9 tentar aproximar produtores rurais, empresas processadoras dos gr\u00e3os e organiza\u00e7\u00f5es ambientalistas.<\/p>\n<div data-elementor-type=\"section\" data-elementor-id=\"77670\" data-elementor-post-type=\"elementor_library\">\n<div data-id=\"17a659f\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\" data-settings='{\"background_background\":\"classic\"}'>\n<div>\n<div data-id=\"386385d\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n<div>\n<h2>ASSINE NOSSA NEWSLETTER<\/h2>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div data-id=\"6546917\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"html.default\">\n<div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n<\/p><\/div>\n<div data-id=\"8c2e333\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-settings='{\"button_width\":\"20\",\"step_next_label\":\"Next\",\"step_previous_label\":\"Previous\",\"button_width_mobile\":\"20\",\"step_type\":\"number_text\",\"step_icon_shape\":\"circle\"}' data-widget_type=\"form.default\">\n<div>\n<div>\n<div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<label for=\"form-field-email\"><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\tEmail\t\t\t\t\t\t\t<\/label><\/p><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<button type=\"submit\"><br \/>\n\t\t\t\t\t\t<span><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<span><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<i aria-hidden=\"true\"><\/i>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<span>Submit<\/span><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/span><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/span><br \/>\n\t\t\t\t\t<\/button>\n\t\t\t\t<\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<h2>O que diz o estudo do IBCI<\/h2>\n<p>O documento tem tr\u00eas pontos centrais. Primeiro, sustenta que a morat\u00f3ria n\u00e3o teria\u00a0 efeito ambiental comprovado. Em segundo lugar, diz que o acordo trouxe preju\u00edzos econ\u00f4micos aos produtores de soja. Por fim, afirma que impor restri\u00e7\u00f5es al\u00e9m das previstas na legisla\u00e7\u00e3o ambiental brasileira seria ilegal.<\/p>\n<p>Argumentos semelhantes j\u00e1 haviam aparecido na audi\u00eancia realizada pelo STF em 19 de mar\u00e7o. Na ocasi\u00e3o, representantes da Aprosoja e da CNA (Confedera\u00e7\u00e3o da Agricultura e Pecu\u00e1ria do Brasil) defenderam teses alinhadas ao estudo.\u00a0<\/p>\n<p>Durante a audi\u00eancia, o advogado da Aprosoja afirmou, por exemplo, que a morat\u00f3ria \u201catropela o nosso C\u00f3digo Florestal\u201d e disse que cerca de \u201c95% do desmatamento na regi\u00e3o monitorada n\u00e3o estariam relacionados \u00e0 soja\u201d. J\u00e1 a advogada da CNA classificou a pol\u00edtica como um \u201ccartel cl\u00e1ssico\u201d e \u201c\u00e0 margem da lei\u201d.<\/p>\n<p>Organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil, por outro lado, defendem o legado da morat\u00f3ria da soja. Estudo do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amaz\u00f4nia) aponta que o fim do pacto pode elevar em at\u00e9 30% a \u00e1rea desmatada na Amaz\u00f4nia at\u00e9 2045, com emiss\u00f5es acumuladas da ordem de 20 bilh\u00f5es de toneladas de di\u00f3xido de carbono decorrentes da convers\u00e3o de floresta em \u00e1reas de explora\u00e7\u00e3o agr\u00edcola.<\/p>\n<figure><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"533\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/desmatamento-labrea-greenpeace-christian.jpg\" alt=\"Sobrevoo do Greenpeace \u00e1rea de desmatamento no munic\u00edpio de L\u00e1brea, Amazonas, em mar\u00e7o de 2022 (Foto: Christian Braga\/Greenpeace)\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/desmatamento-labrea-greenpeace-christian.jpg 800w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/desmatamento-labrea-greenpeace-christian-300x200.jpg 300w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/desmatamento-labrea-greenpeace-christian-768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\"><figcaption>Sobrevoo do Greenpeace \u00e1rea de desmatamento no munic\u00edpio de L\u00e1brea, Amazonas, em mar\u00e7o de 2022 (Foto: Christian Braga\/Greenpeace)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em quase duas d\u00e9cadas, a morat\u00f3ria teria se consolidado como refer\u00eancia para dissociar a expans\u00e3o da soja do desmatamento na Amaz\u00f4nia, segundo porta-vozes de diferentes entidades ambientalistas, como Greenpeace, WWF-Brasil, Imaflora e Ipam.\u00a0<\/p>\n<p>Dados do pr\u00f3prio setor indicam que a \u00e1rea m\u00e9dia desmatada nos munic\u00edpios monitorados caiu 69%, de 11.424 km\u00b2\/ano entre 2002 e 2008 para 3.526 km\u00b2\/ano de 2009 a 2022. A \u00e1rea plantada com soja no bioma, por sua vez, aumentou 344% no per\u00edodo. Ou seja: a expans\u00e3o das lavouras foi acompanhada da redu\u00e7\u00e3o do desmatamento \u2014 e a morat\u00f3ria tamb\u00e9m contribuiu para esse cen\u00e1rio, defendem ambientalistas.<\/p>\n<p>Em entrevista por e-mail \u00e0 <strong>Rep\u00f3rter Brasil<\/strong>, os autores do estudo do IBCI, Cristiano Oliveira e Eduardo Gaban, afirmam que a an\u00e1lise foi feita de forma independente, sem interfer\u00eancia de associa\u00e7\u00f5es do agroneg\u00f3cio.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cA converg\u00eancia de conclus\u00f5es entre um estudo acad\u00eamico e outros atores n\u00e3o diz nada sobre a origem ou a integridade do estudo. Diz apenas que diferentes pessoas, partindo de pontos distintos, chegaram ao mesmo lugar\u201d, dizem os autores. Oliveira \u00e9 professor de economia da FURG (Universidade Federal do Rio Grande). J\u00e1 Gaban \u00e9 advogado e professor da USP (Universidade de S\u00e3o Paulo). Leia as respostas na \u00edntegra.<\/p>\n<p>Registros p\u00fablicos levantados pela reportagem mostram que Oliveira e Gaban j\u00e1 estiveram em reuni\u00f5es no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econ\u00f4mica), onde tamb\u00e9m tramita um processo administrativo sobre a morat\u00f3ria, com participa\u00e7\u00e3o de representantes da Aprosoja e da CNA. Segundo ambientalistas, a proximidade levanta d\u00favidas sobre poss\u00edvel conflito de interesses.<\/p>\n<h2>Autores atribuem queda do desmatamento a \u2018pol\u00edticas estatais\u2019<\/h2>\n<p>De acordo com os autores do estudo apresentado pela Aprosoja, o efeito da morat\u00f3ria sobre o desmatamento seria \u201cestatisticamente indistingu\u00edvel de zero\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cOs resultados demonstram que as redu\u00e7\u00f5es dram\u00e1ticas no desmatamento amaz\u00f4nico entre 2004 e 2012 (queda de 83,5%, de 27.772 km\u00b2 para 4.571 km\u00b2) decorrem primordialmente de pol\u00edticas estatais\u201d, afirmam os autores.\u00a0<\/p>\n<p>Dentre essas pol\u00edticas, estariam o aumento da fiscaliza\u00e7\u00e3o ambiental, as restri\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito rural, o monitoramento por sat\u00e9lite e a cria\u00e7\u00e3o da \u201cLista de Munic\u00edpios Priorit\u00e1rios\u201d, instrumento do governo federal que identifica cidades com altos \u00edndices de desmatamento na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>Os autores tamb\u00e9m argumentam que apenas 2,4% da supress\u00e3o de vegeta\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia estaria diretamente associada \u00e0 expans\u00e3o da soja, enquanto 97,6% decorreriam de outras atividades econ\u00f4micas, especialmente pecu\u00e1ria e especula\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria.<\/p>\n<p>\u201cSe med\u00edssemos apenas aqueles 2,4%, poder\u00edamos concluir que a pol\u00edtica funcionou, mas estar\u00edamos ignorando o que acontece na floresta como um todo. Nossa pergunta de pesquisa \u00e9 mais ambiciosa e mais honesta: a Amaz\u00f4nia foi efetivamente protegida? Para isso, s\u00f3 o desmatamento total responde\u201d, afirmam os autores \u00e0 reportagem.<\/p>\n<h2>Ambientalistas apontam erro de abordagem<\/h2>\n<p>Segundo especialistas ouvidos pela reportagem, o estudo falha ao mensurar os efeitos da morat\u00f3ria da soja. Ao se debru\u00e7ar sobre o desmatamento total na Amaz\u00f4nia, a an\u00e1lise deixaria de capturar o efeito espec\u00edfico do pacto, que atua sobre a expans\u00e3o da soja nas \u00e1reas rec\u00e9m-desmatadas.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cApesar de frear o desmatamento total, a morat\u00f3ria tem o objetivo [particular] de reduzir o desmatamento causado pela expans\u00e3o da soja\u201d, afirma Tiago Reis, especialista em conserva\u00e7\u00e3o do WWF-Brasil.<\/p>\n<p>Fontes ouvidas pela reportagem tamb\u00e9m contestam uma das principais hip\u00f3teses do estudo: a de que o efeito da morat\u00f3ria n\u00e3o poderia ser isolado de outras pol\u00edticas p\u00fablicas e que, por essa raz\u00e3o, seria irrelevante.\u00a0<\/p>\n<p>Segundo eles, essa dificuldade j\u00e1 \u00e9 reconhecida na literatura cient\u00edfica, mas n\u00e3o invalida resultados j\u00e1 produzidos. \u201cNingu\u00e9m nunca afirmou que a morat\u00f3ria da soja \u00e9 a principal causa da redu\u00e7\u00e3o do desmatamento, tornando irrelevantes a fiscaliza\u00e7\u00e3o ou a cria\u00e7\u00e3o de unidades de conserva\u00e7\u00e3o\u201d, rebate Raoni Raj\u00e3o, professor da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e ex-diretor do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente.<\/p>\n<p>Pesquisas que comparam diferentes regi\u00f5es mostram que, ap\u00f3s a implementa\u00e7\u00e3o da morat\u00f3ria, a convers\u00e3o direta de vegeta\u00e7\u00e3o nativa para lavouras de soja caiu de cerca de 30% para at\u00e9 2% na Amaz\u00f4nia. J\u00e1 no Cerrado \u2014 especialmente no Matopiba, que re\u00fane partes de Maranh\u00e3o, Tocantins, Piau\u00ed e Bahia \u2014 essa taxa varia de 25% a 30%.<\/p>\n<p>Para Raj\u00e3o, a diferen\u00e7a entre as regi\u00f5es indica o efeito da morat\u00f3ria sobre a din\u00e2mica de desmatamento, ainda que combinado a outras pol\u00edticas p\u00fablicas. \u201cN\u00e3o tem como n\u00e3o atribuir isso como resultado positivo do ponto de vista ambiental\u201d, afirma o professor da UFMG.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/arvore-solitaria-campo-soja-ogronegocio.jpg\" alt=\"Altamira, Par\u00e1, Brasil 22-09-2023 Vista da propriedade da Fazenda Talism\u00e3 na borda do Rio Xingu em Altamira. S\u00e9rie de reportagens do projeto Pulitzer Center sobre viol\u00eancia no campo. Percorremos assentamentos e acampamentos em v\u00e1rias cidades do Mato Grosso e Par\u00e1, mostrando como a pol\u00edtica do governo do ex\u2013presidente Jair Bolsonaro amplificou a viol\u00eancia na Amaz\u00f4nia. \u00a9Foto: Fernando Martinho\" srcset=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/arvore-solitaria-campo-soja-ogronegocio-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/arvore-solitaria-campo-soja-ogronegocio-300x200.jpg 300w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/arvore-solitaria-campo-soja-ogronegocio-768x511.jpg 768w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/arvore-solitaria-campo-soja-ogronegocio.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption>Vista a\u00e9rea da fazenda em Altamira (PA), vizinha \u00e0 rodovia Transamaz\u00f4nica. Ambientalistas defendem legado de morat\u00f3ria da soja no combate ao desmatamento (Fernando Martinho\/Rep\u00f3rter Brasil)<br \/><\/figcaption><\/figure>\n<h2>Recorte do estudo exclui as \u00e1reas mais desmatadas<\/h2>\n<p>A metodologia do estudo tamb\u00e9m \u00e9 questionada por excluir da an\u00e1lise os munic\u00edpios priorit\u00e1rios para o combate ao desmatamento, onde a press\u00e3o sobre a Amaz\u00f4nia \u00e9 maior.\u00a0<\/p>\n<p>Os autores do documento defendido pela Aprosoja afirmam que a decis\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria para separar os efeitos da morat\u00f3ria de outras pol\u00edticas p\u00fablicas direcionadas a esses territ\u00f3rios.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cSe mantiv\u00e9ssemos esses munic\u00edpios na an\u00e1lise, seria matematicamente imposs\u00edvel separar o que foi resultado da press\u00e3o do Estado do que foi resultado do acordo privado das tradings\u201d, dizem os autores do estudo em resposta por escrito \u00e0 <strong>Rep\u00f3rter Brasil<\/strong>.\u00a0<\/p>\n<p>Fontes ouvidas pela reportagem, no entanto, contestam a escolha. \u201cEles falam assim: vamos tirar os munic\u00edpios que est\u00e3o desmatando muito, porque s\u00f3 vamos analisar os munic\u00edpios que est\u00e3o desmatando pouco. N\u00e3o faz sentido\u201d, afirma Raj\u00e3o, professor da UFMG.<\/p>\n<p>Para Tiago Reis, da WWF, o estudo apresenta problemas estruturais. \u201cO estudo \u00e9 metodologicamente falho. A todo momento, a evid\u00eancia [de dados] vai sendo moldada ao argumento\u201d, resume.<\/p>\n<h2>Estudo aponta preju\u00edzo no pre\u00e7o da soja; ambientalistas contestam<\/h2>\n<p>A an\u00e1lise econ\u00f4mica do estudo do IBCI sustenta que produtores rurais de \u00e1reas atingidas pela morat\u00f3ria receberiam menos pelo gr\u00e3o do que aqueles fora dessas regi\u00f5es. A conclus\u00e3o se baseia em informa\u00e7\u00f5es declaradas pelos sojicultores, posteriormente cruzadas com bases oficiais.<\/p>\n<p>Ana Clis Ferreira, porta-voz da frente de desmatamento zero do Greenpeace Brasil, contesta a interpreta\u00e7\u00e3o e diz que diferen\u00e7as de pre\u00e7o est\u00e3o mais relacionadas a fatores como acesso a rotas de escoamento e condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas do que \u00e0 morat\u00f3ria em si.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cA soja acaba sendo mais barata ou mais lucrativa em munic\u00edpios que est\u00e3o mais perto de zonas de escoamento. E a gente tem uma quest\u00e3o clim\u00e1tica que a cada ano que passa est\u00e1 condicionando mais o plantio\u201d, explica..<\/p>\n<p>As informa\u00e7\u00f5es sobre os pre\u00e7os da soja analisadas no estudo do IBCI foram coletadas por uma consultoria independente, sem envolvimento dos pesquisadores. No total, 1.091 produtores de 94 munic\u00edpios de Mato Grosso teriam participado voluntariamente do levantamento \u2014 o que, segundo o pr\u00f3prio estudo, \u201cpode gerar vi\u00e9s de autossele\u00e7\u00e3o\u201d. Embora os autores afirmem ter cruzado as informa\u00e7\u00f5es com bases oficiais, a principal fonte continua sendo autodeclarada.<\/p>\n<p>\u201cFomos convidados a analisar os dados j\u00e1 coletados, e nossa contribui\u00e7\u00e3o foi estritamente t\u00e9cnica e n\u00e3o remunerada\u201d, afirmam. Para especialistas, a falta de transpar\u00eancia sobre a origem e o recorte da amostra pode comprometer a interpreta\u00e7\u00e3o dos resultados.<\/p>\n<h2>Autores j\u00e1 participaram de reuni\u00f5es no Cade com entidades do agro<\/h2>\n<p>A disputa sobre a morat\u00f3ria da soja se intensificou no segundo semestre de 2025, com o avan\u00e7o de a\u00e7\u00f5es no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econ\u00f4mica). O \u00f3rg\u00e3o vinculado ao Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a analisa se o acordo poderia ser caracterizado como pr\u00e1tica anticoncorrencial.\u00a0<\/p>\n<p>A Aprosoja e a CNA argumentam que a iniciativa funcionaria como uma coordena\u00e7\u00e3o entre multinacionais para restringir a compra de soja e controlar pre\u00e7os, o que poderia configurar uma esp\u00e9cie de cartel. Ambientalistas, no entanto, rejeitam essa interpreta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cCartel \u00e9 um acordo entre empresas para eliminar ou restringir a concorr\u00eancia. No caso da morat\u00f3ria, as tradings se uniram para limitar o desmatamento na cadeia, n\u00e3o para excluir competidores\u201d, afirma Tiago Reis, do WWF-Brasil.<\/p>\n<p>Em de setembro do ano passado, o Cade suspendeu a morat\u00f3ria por avaliar que o acordo poderia configurar pr\u00e1tica anticoncorrencial. Em novembro, o ministro do STF Fl\u00e1vio Dino suspendeu os processos em curso no pa\u00eds, incluindo o do Cade, e centralizou a discuss\u00e3o na suprema corte.<\/p>\n<p>Registros p\u00fablicos indicam que Eduardo Gaban e Cristiano Oliveira, autores do estudo do IBCI, j\u00e1 estiveram em reuni\u00f5es na sede do Cade, em Bras\u00edlia, que tamb\u00e9m contaram com representantes de entidades ruralistas cr\u00edticas \u00e0 morat\u00f3ria.\u00a0<\/p>\n<p>No caso de Gaban, a pauta do encontro menciona especificamente a Aprosoja. J\u00e1 nas tr\u00eas reuni\u00f5es com a presen\u00e7a de Oliveira, os registros tamb\u00e9m indicam a presen\u00e7a da advogada da CNA, Amanda Oliveira.<\/p>\n<p>Segundo Oliveira, as reuni\u00f5es estariam ligadas a um parecer t\u00e9cnico elaborado para a CNA, durante sua licen\u00e7a acad\u00eamica. Ele afirma que n\u00e3o recebeu remunera\u00e7\u00e3o pela participa\u00e7\u00e3o no Cade, embora suas despesas de viagem tenham sido parcialmente custeadas pela entidade. J\u00e1 Gaban diz ter atuado, tamb\u00e9m sem remunera\u00e7\u00e3o, a convite de um escrit\u00f3rio envolvido no processo em discuss\u00e3o no Cade.\u00a0<\/p>\n<p>O Cade informou que reuni\u00f5es com partes envolvidas s\u00e3o pr\u00e1ticas comuns e que a lista de participantes \u00e9 p\u00fablica, mas n\u00e3o comentou o conte\u00fado discutido. A reportagem tamb\u00e9m procurou Aprosoja e CNA, mas n\u00e3o obteve resposta at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o desta reportagem.<\/p>\n<h2>\u2018Avan\u00e7o do desmatamento compromete soberania nacional\u2019<\/h2>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Ana Paula Valdiones, coordenadora do programa de conserva\u00e7\u00e3o e clima do ICV (Instituto Centro de Vida), o combate ao desmatamento est\u00e1 diretamente ligado \u00e0 soberania nacional. \u201c\u00c9 uma discuss\u00e3o de interesse nosso, sobre como a gente quer preservar ou n\u00e3o nossas florestas\u201d.<\/p>\n<p>Na mesma linha, Ana Clis Ferreira, do Greenpeace, contesta a leitura de que a morat\u00f3ria, por ser um acordo privado, configuraria pr\u00e1tica anticoncorrencial ou afronta \u00e0 soberania. \u201cO que efetivamente compromete a soberania nacional \u00e9 o avan\u00e7o do desmatamento\u201d, afirma.<\/p>\n<p>O embate ocorre em meio a incertezas sobre o futuro da morat\u00f3ria. Ap\u00f3s mudan\u00e7as legais em Mato Grosso, empresas deixaram o acordo, enquanto compradores europeus sinalizaram preocupa\u00e7\u00e3o. Estudo da UFMG indica que o enfraquecimento da pol\u00edtica pode ampliar o risco de desmatamento e comprometer o acesso a mercados mais exigentes.\u00a0<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um enfraquecimento grande desse acordo, uma sinaliza\u00e7\u00e3o negativa e um retrocesso no aspecto dos compromissos de combate ao desmatamento\u201d, afirma Valdiones.<\/p>\n<p>A <strong>Rep\u00f3rter Brasil <\/strong>tamb\u00e9m procurou a Abiove (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira das Ind\u00fastrias de \u00d3leos Vegetais), entidade que representa as principais compradoras de soja em opera\u00e7\u00e3o no pa\u00eds, , mas n\u00e3o recebeu posicionamento at\u00e9 a conclus\u00e3o desta reportagem. O espa\u00e7o segue aberto a manifesta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<div data-elementor-type=\"container\" data-elementor-id=\"75228\" data-elementor-post-type=\"elementor_library\">\n<div data-id=\"5e8db1e6\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n<div>\n<div data-id=\"36eb6c91\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n<div>\n<div data-id=\"6f52f515\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n<div data-id=\"65d9f401\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"divider.default\">\n<div>\n<div>\n\t\t\t<span><br \/>\n\t\t\t\t\t\t<\/span>\n\t\t<\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div data-id=\"134a1245\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n<div>\n<div data-id=\"10fe55fe\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n<div>\n<p>Leia tamb\u00e9m<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div data-id=\"3c9495ae\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-settings='{\"template_id\":\"75221\",\"columns\":1,\"row_gap\":{\"unit\":\"px\",\"size\":10,\"sizes\":[]},\"_skin\":\"post\",\"columns_tablet\":\"2\",\"columns_mobile\":\"1\",\"edit_handle_selector\":\"[data-elementor-type=\"loop-item\"]\",\"row_gap_tablet\":{\"unit\":\"px\",\"size\":\"\",\"sizes\":[]},\"row_gap_mobile\":{\"unit\":\"px\",\"size\":\"\",\"sizes\":[]}}' data-widget_type=\"loop-grid.post\">\n<div>\n<div>\n\t\t<\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<p><\/p>\n<p><\/p>\n<p><\/p>\n<p>The post Estudo usado por ruralistas no STF contra morat\u00f3ria da soja \u00e9 contestado por ambientalistas appeared first on Rep\u00f3rter Brasil.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/abono-salarial-calendario-de-pagamentos-do-pis-pasep-para-2025-comeca-em-fevereiro\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; 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acad\u00eamicos e ambientalistas contestam an\u00e1lise e apontam falhas metodol\u00f3gicas <\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2026\/04\/estudo-ruralistas-stf-moratoria-soja\/\">Estudo usado por ruralistas no STF contra morat\u00f3ria da soja \u00e9 contestado por ambientalistas<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/\">Rep\u00f3rter Brasil<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":83142,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[13690,7452,11216,5879,15337,5799],"tags":[],"class_list":["post-83141","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-_destaque-da-home-1","category-agro-quer-tudo","category-aprosoja","category-conteudo-original-em-portugues","category-moratoria-da-soja","category-reportagens"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83141","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=83141"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83141\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/83142"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=83141"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=83141"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=83141"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}