{"id":83257,"date":"2026-04-15T15:20:59","date_gmt":"2026-04-15T18:20:59","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/escala-6x1-o-novo-capitulo-da-luta\/"},"modified":"2026-04-15T15:20:59","modified_gmt":"2026-04-15T18:20:59","slug":"escala-6x1-o-novo-capitulo-da-luta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/escala-6x1-o-novo-capitulo-da-luta\/","title":{"rendered":"Escala 6\u00d71: o novo cap\u00edtulo da luta"},"content":{"rendered":"<figure><figcaption>Foto: Edi Sousa\/Ato Press<\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>\u00c0 quinze dias do 1\u00ba de Maio, no dia de ontem, ter\u00e7a-feira (14), o governo enviou \u00e0 C\u00e2mara dos Deputados um Projeto de Lei em regime de urg\u00eancia pautando o fim da Escala 6\u00d71, com redu\u00e7\u00e3o da jornada para 40 horas semanais e sem redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios.<\/p>\n<p>A ideia j\u00e1 era uma possibilidade divulgada na m\u00eddia h\u00e1 cerca de 30 dias, quando representantes do Planalto se diziam temer\u00e1rios da m\u00e1 vontade do Congresso para o encaminhamento das diferentes Propostas de Emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o (PEC\u2019s), travadas na C\u00e2mara e no Senado. O PL \u00e9 um instrumento de press\u00e3o, for\u00e7ando o poder legislativo a votar a mat\u00e9ria em at\u00e9 45 dias, seja dando andamento \u00e0s PECs travadas nas Comiss\u00f5es ou aguardando despacho, ou votando o pr\u00f3prio projeto do governo.<\/p>\n<p><em>Discutimos como encaminhar a quest\u00e3o do fim da escala 6\u00d71. O presidente disse que fazia quest\u00e3o de encaminhar o projeto do governo, disse que ia mandar nesta semana. O presidente Hugo disse que existe uma PEC na C\u00e2mara tramitando sobre esse tema. Combinamos que Hugo, Guimar\u00e3es e eu vamos dialogar para construir uma forma de como tramitar\u00e1 a PEC e o projeto do governo. Vamos conversar para construir como ser\u00e1 essa tramita\u00e7\u00e3o \u2014 <\/em>disse o l\u00edder do governo na C\u00e2mara, Paulo Pimenta (PT-RS) ao Globo.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Prancheta--22.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Prancheta--22.png 680w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2022\/12\/31181126\/Prancheta-4-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Apesar de contar com enorme apoio da popula\u00e7\u00e3o \u2013 cerca de 71%, segundo o \u00faltimo Datafolha \u2013 os representantes do petismo e seus sat\u00e9lites tinham motivos para ter medo, devido \u00e0 forte resist\u00eancia do grande capital, cujos interesses dominam o Congresso. Em fevereiro, Valdemar da Costa Neto (PL) e Antonio Rueda (PP),\u00a0 presidentes dos principais partidos do bolsonarismo, haviam dito explicitamente que a t\u00e1tica adotada pela oposi\u00e7\u00e3o deveria ser de impedir que o tema fosse \u00e0 vota\u00e7\u00e3o, pois se isso acontecesse, ele claramente seria aprovado \u2013 devido \u00e0 alta popularidade do tema e o ano eleitoral.<\/p>\n<p>Hoje, cerca de um ter\u00e7o da for\u00e7a de trabalho brasileira est\u00e1 ocupada na Escala 6\u00d71, que relega ao trabalhador apenas um dia da semana a todos os afazeres da vida que n\u00e3o s\u00e3o o trabalho assalariado. Os setores em que ela \u00e9 mais comum s\u00e3o os servi\u00e7os e o com\u00e9rcio varejista, embora parte da ind\u00fastria e da constru\u00e7\u00e3o civil tamb\u00e9m a adotem. Essa escala tem efeito especialmente pesado sobre as fra\u00e7\u00f5es mais vulner\u00e1veis da classe trabalhadora brasileira, com menores possibilidades de qualifica\u00e7\u00e3o e piores sal\u00e1rios, como s\u00e3o a popula\u00e7\u00e3o negra, a juventude e as mulheres \u2013 essas \u00faltimas que, frequentemente, utilizam o \u201cdia de descanso\u201d n\u00e3o para descansar, mas para o trabalho dom\u00e9stico n\u00e3o remunerado.<\/p>\n<p>O atual governo, marcado pelos limites da Frente Ampla que lhe garantiu a chegada ao Pal\u00e1cio do Planalto, tenta hoje emplacar o fim da 6\u00d71 como dividendo pr\u00f3prio ao lado da isen\u00e7\u00e3o do imposto de renda para quem ganha at\u00e9 5 mil reais. Mas, uma vez mais, \u00e9 dif\u00edcil prever os resultados de um governo cuja caracter\u00edstica menos amb\u00edgua \u00e9 a contradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3><strong>6\u00d71: Luta pelo tempo, luta pela vida<\/strong><\/h3>\n<p>A luta pelo fim da Escala 6\u00d71 se insere no \u00e2mbito das hist\u00f3ricas lutas da classe trabalhadora pela redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho, isto \u00e9, pela limita\u00e7\u00e3o do tempo em que a for\u00e7a de trabalho (a capacidade f\u00edsica e cognitiva do trabalhador para trabalhar) fica dispon\u00edvel para a apropria\u00e7\u00e3o capitalista. A pr\u00f3pria origem do 1\u00ba de Maio \u2013 Dia do Trabalhador, como j\u00e1 publicado em outra ocasi\u00e3o, remonta a essa luta, quando os trabalhadores de Chicago, nos EUA, sa\u00edram \u00e0s ruas aos milhares para reivindicar a redu\u00e7\u00e3o da jornada.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e0 toa, a jornada de trabalho \u00e9 um dos temas \u00e0 que Marx dedica longu\u00edssimas exposi\u00e7\u00f5es no Vol. I de <em>O Capital<\/em>, a fim de explicitar o mecanismo de extra\u00e7\u00e3o da mais-valia capitalista, que ocorre pelo tempo em que o trabalhador trabalha <em>a mais<\/em> do que o estritamente necess\u00e1rio para produzir aquilo que cobre o seu sal\u00e1rio. Ou seja, na empresa capitalista, o trabalhador nunca recebe o equivalente \u00e0quilo que produziu, recebe sempre menos \u2013 caso contr\u00e1rio, n\u00e3o haveria lucros. O que \u00e9 pago, na realidade, n\u00e3o \u00e9 <em>seu trabalho<\/em>, mas o valor da mercadoria que ele, trabalhador, vende ao capitalista \u2013 a for\u00e7a de trabalho.<\/p>\n<p>Mercadoria como qualquer outra, a for\u00e7a de trabalho vale propriamente <em>o tempo socialmente necess\u00e1rio para produzi-la<\/em>, precificada, no caso, atrav\u00e9s do conjunto de alimentos e bens necess\u00e1rios para a reprodu\u00e7\u00e3o do trabalhador, que far\u00e1 com que ele continue tendo <em>a capacidade f\u00edsica e cognitiva de produzir<\/em>.<\/p>\n<p>Como apontado no texto citado (com o perd\u00e3o da repeti\u00e7\u00e3o):<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/HUCITEC-basaglia1.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/HUCITEC-basaglia1.png 728w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2022\/11\/31182113\/HUCITEC-basaglia1-300x37.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 728px) 100vw, 728px\" width=\"728\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<p>\u201cA luta pela redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho \u00e9 uma luta crucial da classe trabalhadora. \u00c9 ela que vai colocar os limites, na vida do trabalhador, entre o tempo que lhe pertence e o tempo que lhe \u00e9 roubado para a explora\u00e7\u00e3o. Marx em 1867, quando publicou o livro I d\u2019O Capital, colocava a centralidade dessa reivindica\u00e7\u00e3o no conjunto da luta de classes, dedicando um longu\u00edssimo cap\u00edtulo \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o e an\u00e1lise da busca do proletariado por definir esse contorno e limit\u00e1-la a par\u00e2metros \u201cnormais\u201d.<\/p>\n<p>No capitalismo, o empres\u00e1rio compra do trabalhador a utiliza\u00e7\u00e3o de sua for\u00e7a de trabalho <em>por determinado per\u00edodo de tempo<\/em>, no qual ser\u00e3o feitas as mercadorias. A venda dessas mercadorias (mesmo que sejam servi\u00e7os) realizar\u00e1 o valor de \u201cinvestimento\u201d (o custo da for\u00e7a de trabalho + o custo dos meios de produ\u00e7\u00e3o) com o acr\u00e9scimo da mais-valia, a parte correspondente ao trabalho n\u00e3o pago, conte\u00fado substancial do lucro burgu\u00eas.<\/p>\n<p><em>Por determinado per\u00edodo de tempo.<\/em> Este, ent\u00e3o, se coloca como o centro da disputa entre a classe burguesa e a classe trabalhadora, uma luta de classes.\u201d<\/p>\n<p>\u00c9 neste terreno, portanto, e n\u00e3o nas avenidas dos grandes centros financeiros globais, que se deve procurar o sentido verdadeiro do lema capitalista \u201c<em>Time is Money<\/em>\u201d (<em>Tempo \u00e9 Dinheiro)<\/em>. O capital, de fato, tem um rosto de vampiro: ele suga tudo aquilo que puder, a fim de tornar mercadoria. Mas para isso, precisa do trabalhador \u2013 da sua vida, cujo conte\u00fado principal, seu tecido permanente, \u00e9 o tempo.<\/p>\n<h3><strong>De desabafo \u00e0 pauta nacional<\/strong><\/h3>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o da jornada esteve, assim, sempre no horizonte das reivindica\u00e7\u00f5es mais concretas dos trabalhadores \u2013 no mundo e no Brasil. A pr\u00f3pria redu\u00e7\u00e3o da jornada para 40h semanais \u2013 hoje proposta pelo governo federal \u2013 era uma pauta do processo constituinte da redemocratiza\u00e7\u00e3o no final dos anos 80. Mas aconteceram fen\u00f4menos espec\u00edficos para que a luta pelo fim da 6\u00d71 tivesse tamanha repercuss\u00e3o, ganhasse a boca do povo, entrasse nos pal\u00e1cios da institucionalidade burguesa e pudesse, assim, se tornar foco de grande disputa nacional.<\/p>\n<p>Rick Azevedo, hoje vereador pelo PSOL do Rio de Janeiro e fundador do Movimento Vida Al\u00e9m do Trabalho (VAT) \u00e9 comumente creditado como um dos principais respons\u00e1veis por essa evolu\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o atendente de farm\u00e1cia no Rio de Janeiro, Rick era em 2023 um caso bastante exemplar do paradigma vivido por um largo setor da classe trabalhadora brasileira: vindo de fam\u00edlia pobre, nunca teve condi\u00e7\u00f5es para se formar e se especializar na faculdade, e viveu pulando de trabalho prec\u00e1rio em trabalho prec\u00e1rio, passando per\u00edodos longos na informalidade, e algumas vezes realizando mais de uma atividade simultaneamente.<\/p>\n<p>Naquela \u00e9poca, Rick trabalhava na farm\u00e1cia e vendia sacol\u00e9 na praia para complementar a rede, al\u00e9m de monetizar seus conte\u00fados na internet como influencer de pequeno porte, falando de cultura pop \u201ce alguma coisa de pol\u00edtica\u201d. Exausto do trabalho, revoltado com a limita\u00e7\u00e3o que a Escala 6\u00d71 provocava na sua vida, Rick publicou ent\u00e3o, no dia 13 de setembro de 2023, um v\u00eddeo de desabafo.<\/p>\n<blockquote>\n<p><em>\u201cGente, eu estou revoltado com essa escala 6 por 1. Eu t\u00f4 querendo saber quando \u00e9 que n\u00f3s, da classe trabalhadora, iremos fazer uma revolu\u00e7\u00e3o neste pa\u00eds relacionada \u00e0 escala 6 por 1. \u00c9 uma escravid\u00e3o moderna. Moderna n\u00e3o, ultrapassada. (\u2026) Imagina quem tem filho, tem marido, tem casa pra cuidar. A pessoa tem que se doar para a empresa seis dias na semana e ter s\u00f3 um dia para folga? Pra ganhar sal\u00e1rio m\u00ednimo? Gente, n\u00e3o d\u00e1 (\u2026).\u201d<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>O v\u00eddeo bombou: em horas, chegava \u00e0s centenas de milhares de visualiza\u00e7\u00f5es, para, posteriormente, chegar a milh\u00f5es. Poucos dias passados, Rick decidiu fundar um Movimento, cuja atividade pol\u00edtica era centralizada na sua figura, com uma ampl\u00edssima rede de apoiadores digitais. Esse movimento, o VAT, viria a escrever o manifesto online apenas algumas semanas depois, que atingiu milh\u00f5es de assinaturas em poucos meses.<\/p>\n<p>Passado menos de meio ano da publica\u00e7\u00e3o original do v\u00eddeo, Rick e seus companheiros j\u00e1 tinham formalizado a exist\u00eancia do VAT, sa\u00eddo \u00e0s ruas em manifesta\u00e7\u00f5es e a\u00e7\u00f5es de panfletagem, e estavam em contato com o gabinete da deputada Erika Hilton, que decidiu transformar a ideia em PEC, apresentada no 1\u00ba de Maio de 2024.<\/p>\n<p>Daquele momento at\u00e9 a efetiva protocoliza\u00e7\u00e3o da Proposta \u00e0 C\u00e2mara \u2013 com 63 assinaturas a mais do que o necess\u00e1rio, diga-se de passagem \u2013 n\u00e3o foram poucas as turbul\u00eancias internas sofridas por Rick e seu movimento, com sa\u00eddas de integrantes e entrada na disputa institucional. Vale lembrar, afinal, que o movimento tinha como principal sustenta\u00e7\u00e3o o ecossistema digital, e n\u00e3o espa\u00e7os permanentes de encontro entre os integrantes espalhados nacionalmente e coordenados \u00e0 n\u00edvel estadual.<\/p>\n<p>\u00c0 essa altura, por\u00e9m, o \u00eaxito do movimento j\u00e1 era inquestion\u00e1vel: a pauta da 6\u00d71 havia se tornado de grande alcance; deputados de extrema-direita se viam completamente constrangidos perante seus eleitores para justificar suas negativas ao projeto, havendo o caso de alguns, inclusive, as apoiando. Mas e o governo?<\/p>\n<h3><strong>O governo<\/strong><\/h3>\n<p>A postura do governo foi de uma t\u00edpica transi\u00e7\u00e3o \u00e0 brasileira, abrindo-se lenta e gradualmente \u2013 de forma segura? \u2013 \u00e0 incorpora\u00e7\u00e3o do Fim da Escala 6\u00d71 como agenda pr\u00f3pria. O processo s\u00f3 se deu com a press\u00e3o dos trabalhadores, tendo como frente do processo o Movimento VAT, sobretudo por sua influ\u00eancia digital.<\/p>\n<p>Durante todo o ano de 2024, os membros do governo limitaram-se a meras afirma\u00e7\u00f5es marginais sobre o tema, incluindo o pr\u00f3prio Ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, que, de in\u00edcio, n\u00e3o aderiu \u00e0 PEC enviada pela Deputada \u00c9rika Hilton. Apesar de ter dito que a Escala 6\u00d71 \u201c\u00e9 cruel\u201d, em nota nas redes sociais afirmou que o assunto deveria ser tratado por conven\u00e7\u00f5es coletivas, reproduzindo o mantra do <em>acordado acima do legislado<\/em> da Contrarreforma Trabalhista de 2017. Marinho foi largamente criticado pela esquerda, com o VAT \u00e0 frente, nas redes sociais e posteriormente teve de reavaliar sua posi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio Lula foi se referir ao tema apenas em 2025, durante seu pronunciamento em 1\u00ba de Maio, dizendo que era preciso \u201caprofundar o debate\u201d sobre o fim da Escala 6\u00d71.<\/p>\n<p>Passados dois meses, no entanto, passava a criticar explicitamente aquilo que Rick Azevedo chamara em seu v\u00eddeo-desabafo de \u201cescravid\u00e3o moderna\u201d. Isso ocorreu no embalo do limitado \u201cgiro \u00e0 esquerda\u201d a partir de junho \u2013 quando as polariza\u00e7\u00f5es com o Congresso Inimigo do Povo e com Donald Trump, imperador dos tarifa\u00e7os, se impuseram como necessidade (e demonstraram ter bons resultados nas pesquisas\u2026).<\/p>\n<p>Disse Lula:\u201ca humanidade n\u00e3o quer mais 6\u00d71\u201d, embora n\u00e3o houvesse qualquer indica\u00e7\u00e3o concreta do governo de que movimentos tomaria. Nesse momento, o governo j\u00e1 tinha marcado sua posi\u00e7\u00e3o <em>discursiva<\/em> claramente \u201ccontra os poderosos\u201d, ap\u00f3s a vota\u00e7\u00e3o do dia 25 de junho em que o Congresso derrubou o decreto presidencial de aumento do IOF \u2013 Imposto sobre Opera\u00e7\u00f5es Financeiras \u2013 epis\u00f3dio que tamb\u00e9m j\u00e1 tratamos neste blog.<\/p>\n<p>Sob press\u00e3o dos movimentos sociais e vis\u00edvel bloqueio institucional pelo Legislativo, a comunica\u00e7\u00e3o do governo se transformava sob o comando de Sid\u00f4nio Palmeira e, em breve, trocaria o lema \u201cUni\u00e3o e Reconstru\u00e7\u00e3o\u201d por \u201cAo Lado do Povo Brasileiro\u201d.<\/p>\n<p>Mas foi somente no fim do ano passado que o presidente passou a articular publicamente o Fim da Escala 6\u00d71 como uma de suas prioridades de governo, buscando embalar um discurso que unia a cruzada por justi\u00e7a tribut\u00e1ria, com a medida de isen\u00e7\u00e3o para quem ganha at\u00e9 5 mil reais (e descontos parciais para quem ganha at\u00e9 7 mil), bancada por uma maior al\u00edquota sobre os mais ricos; a luta contra \u201co andar de cima do crime organizado\u201d \u2013 por meio da Opera\u00e7\u00e3o Carbono Oculto-; e o trunfo final: a luta pelo direito ao descanso do trabalhador brasileiro<sup>[1]<\/sup>.<\/p>\n<p>Vale lembrar: com um claro rebaixamento da PEC elaborada pelo gabinete de Erika Hilton, Rick Azevedo \u2013 j\u00e1 vereador pelo PSOL do Rio de Janeiro \u2013 e o Movimento VAT, que propunham a redu\u00e7\u00e3o para 36 horas semanais e limita\u00e7\u00e3o para a Escala 4\u00d73. De toda forma, a partir dali, o Fim da 6\u00d71, passado 1 ano e meio, institucionalizou-se como demanda popular e agenda do governo do PT, vista por seus representantes com potencial de render grandes frutos eleitorais. Mas n\u00e3o sem rea\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3><strong>O patronato em p\u00e9 de guerra<\/strong><\/h3>\n<p>O ano de 2026 se iniciou e, t\u00e3o logo chegou fevereiro, se pode notar nos notici\u00e1rios tradicionais um aumento relevante das not\u00edcias, manchetes, reportagens, artigos de opini\u00e3o, \u201cestudos\u201d e pronunciamentos de representantes do empresariado brasileiro demonstrando \u201cuma grande preocupa\u00e7\u00e3o\u201d com o impacto econ\u00f4mico que o fim da Escala 6\u00d71 acarretaria para a economia brasileira. Isso quando n\u00e3o apontando que o brasileiro \u201ctrabalha pouco\u201d comparado aos trabalhadores dos outros pa\u00edses do mundo.<\/p>\n<p>De fato, em poucas situa\u00e7\u00f5es nos anos recentes se viu t\u00e3o grande uni\u00e3o horizontal das grandes associa\u00e7\u00f5es da burguesia brasileira em termos de aparecimento midi\u00e1tico e pol\u00edtico: foram mais de 100 confedera\u00e7\u00f5es patronais que assinaram o chamado <em>Manifesto pela Moderniza\u00e7\u00e3o da Jornada de Trabalho no Brasil<\/em>, entregue ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (Uni\u00e3o Brasil), no in\u00edcio (3) de mar\u00e7o. O Documento era um recado expl\u00edcito contra o movimento do governo de ades\u00e3o ao fim da 6\u00d71.<\/p>\n<p>\u00c9 bom esclarecer: <em>confedera\u00e7\u00f5es<\/em> significa que \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o que agrega v\u00e1rias outras associa\u00e7\u00f5es patronais dentro dela. Ou seja, a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional das Ind\u00fastrias, integra, dentro dela, diversas outras organiza\u00e7\u00f5es, associa\u00e7\u00f5es, de executivos brasileiros do setor da ind\u00fastria. A Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Transporte, a mesma coisa \u2013 e assim por diante.<\/p>\n<p>Foram mais de 100 confedera\u00e7\u00f5es assinantes. Representantes nacionais de praticamente todos os setores da economia assinaram a carta: dos patr\u00f5es da soja \u00e0 federa\u00e7\u00e3o nacional de call centers; dos controladores de hotel aos produtores de latic\u00ednios.<\/p>\n<p>\u00c0 frente de todas elas, Ricardo Alban, presidente da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria, uma das mais importantes ao lado da FIESP, liderada por Paulo Skaf, seguido de seus engravatados. Quadro org\u00e2nico da burguesia industrial, advindo do setor qu\u00edmico e ex-presidente da Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias da Bahia, Alban n\u00e3o possui perfil midi\u00e1tico, mas foi eficaz em coordenar os diferentes setores das classes possuidoras para demonstrar uma rea\u00e7\u00e3o \u00e0 ascens\u00e3o da pauta do 6\u00d71 e propor \u201cum debate mais equilibrado\u201d. Em discurso \u00e0 imprensa na apresenta\u00e7\u00e3o do documento, conseguiu mistificar, em absoluto, toda a hist\u00f3ria das rela\u00e7\u00f5es de trabalho:<\/p>\n<blockquote>\n<p><em>\u201cEm qualquer \u00e9poca, em todos os tempos, em qualquer sociedade, em qualquer tipo de governo, o capital e o trabalho se complementam. N\u00f3s tivemos discuss\u00f5es longevas e prof\u00edcuas para a reforma tribut\u00e1ria. N\u00f3s tivemos discuss\u00f5es longevas e prof\u00edcuas, que foi a Reforma Trabalhista e a Reforma da Previd\u00eancia. Por que que n\u00f3s temos que fazer uma discuss\u00e3o t\u00e3o importante para a economia do pa\u00eds, pro trabalhador, pras pequenas, pras m\u00e9dias empresas e pro capital-trabalho, de forma t\u00e3o a\u00e7odada, em um ano eleitoral? Isso n\u00e3o \u00e9 justo, isso n\u00e3o \u00e9 justo nem pros empregados nem pros empregadores. A hist\u00f3ria recente contempor\u00e2nea das rela\u00e7\u00e3o capital-trabalho, sempre foi feita de uma transi\u00e7\u00e3o entre a melhoria das condi\u00e7\u00f5es de trabalho e a redu\u00e7\u00e3o de uma poss\u00edvel jornada, de forma gradativa e com muito entendimento. Preferencialmente, com muito entendimento.\u201d<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Al\u00e9m de mentir em praticamente tudo o que diz, o Sr. Alban repete o estranho paradoxo do documento entregue ao presidente Senado, em que se critica o fim da Escala 6\u00d71 sob o manto de defesa da formalidade do emprego, ao mesmo tempo em que defende a Reforma Trabalhista \u2013 a maior causa do aumento da informalidade no mercado de trabalho brasileiro deste s\u00e9culo<sup>[2]<\/sup>. Repercutindo os cl\u00e1ssicos argumentos dos \u201cestudos\u201d do terrorismo econ\u00f4mico das associa\u00e7\u00f5es empresariais, o manifesto burgu\u00eas repete a fal\u00e1cia segundo a qual a redu\u00e7\u00e3o da jornada estaria ocorrendo em um cen\u00e1rio sem aumento de produtividade, o que levaria a um aumento dos custos e repasse destes para o consumidor final.<\/p>\n<p>Ora, mas a jornada \u00e9 a mesma h\u00e1 mais de 30 anos, nos quais n\u00e3o teria havido ent\u00e3o, nenhum ganho de produtividade no pa\u00eds? Vale ressaltar, \u00e0 rigor, que a jornada inclusive aumentou em n\u00edvel real, quando se leva em considera\u00e7\u00e3o a instaura\u00e7\u00e3o do banco de horas, a legaliza\u00e7\u00e3o do trabalho intermitente, entre outras formas de prolongamento extensivo da jornada possibilitadas \u2013 vejam voc\u00eas \u2013 pela Contrarreforma de 2017.<\/p>\n<p>\u00c9 obviamente falso o argumento utilizado pelos economistas a servi\u00e7o das entidades empresariais. Como afirma relat\u00f3rio publicado pelo Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (CESIT) da Unicamp, ainda em julho de 2024:<\/p>\n<blockquote>\n<p><em>\u201cEntre 2012 e 2019, o custo unit\u00e1rio do trabalho na ind\u00fastria teve tend\u00eancia de queda. Em 2019 a queda foi de 3,6%, sendo o terceiro pa\u00eds com maior redu\u00e7\u00e3o, atr\u00e1s da Argentina e da Fran\u00e7a em primeiro e segundo lugar. Segundo a Confedera\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias (2020), o principal fator para a queda do custo do trabalho foi o aumento da produtividade, cujo crescimento m\u00e9dio foi de 2,9%, somado \u00e0 queda do sal\u00e1rio real em 1,3%.\u201d<\/em> (p.7)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>O relat\u00f3rio ainda cita documento da OCDE, que avaliou a jornada de trabalho de 46 pa\u00edses no mundo e concluiu a posi\u00e7\u00e3o do Brasil com a 4\u00aa maior jornada, apenas atr\u00e1s de M\u00e9xico, Costa Rica e Col\u00f4mbia, dentre os analisados.<\/p>\n<p>A <em>Agenda Institucional<\/em> da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional de Bens, Servi\u00e7os e Turismo, entregue das m\u00e3os de seu Presidente, Jos\u00e9 Roberto Tadros, para os presidentes da C\u00e2mara e do Senado, no \u00faltimo dia 1\u00ba de abril, tamb\u00e9m reafirma a posi\u00e7\u00e3o do setor mais afetado com o Fim da Escala 6\u00d71. Em seu cap\u00edtulo sobre Legisla\u00e7\u00e3o Trabalhista, o documento com a agenda pol\u00edtica do patronato faz um alerta sobre a \u201cinseguran\u00e7a jur\u00eddica e os impactos negativos\u201d que poderiam ser causados com a fixa\u00e7\u00e3o \u201cuniversal e compuls\u00f3ria\u201d de uma nova jornada de trabalho.\u00a0<\/p>\n<p>Ambos os documentos e, especialmente o <em>Manifesto<\/em>, portanto, apesar de reproduzirem mentiras no que se refere ao impacto real na economia brasileira, s\u00e3o bastante coerentes do ponto de vista da racionalidade burguesa, ao expressarem uma vontade comum de diferentes fra\u00e7\u00f5es da burguesia em n\u00e3o arredar o p\u00e9 do atual padr\u00e3o de super-explora\u00e7\u00e3o presente na jornada da maioria dos trabalhadores brasileiros.<\/p>\n<p>A articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica das diferentes fra\u00e7\u00f5es capitaneadas pela CNI \u00e9 relevante, e exp\u00f5e uma demonstra\u00e7\u00e3o de for\u00e7a que pressiona o Congresso a adiar mais e mais a solu\u00e7\u00e3o das PEC\u2019s, como queriam Rueda e Costa Neto. Do outro lado da moeda, pra n\u00e3o dizer que n\u00e3o viu, Lula disse no dia seguinte que era preciso encontrar um \u201cacordo entre o empres\u00e1rio e o trabalhador\u201d.<\/p>\n<p>Mas a realidade o for\u00e7ou a um enfrentamento maior com o Parlamento, apesar de o pr\u00f3prio presidente da C\u00e2mara, Hugo Motta, ter tentado se colar \u00e0 pauta do Fim da 6\u00d71, como forma de retomar popularidade. Veio ent\u00e3o, o PL em regime de urg\u00eancia.<\/p>\n<h3><strong>6X1: Cap\u00edtulo final?<\/strong><\/h3>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o da jornada \u00e9 uma tend\u00eancia global, devido \u00e0 press\u00e3o dos trabalhadores (mas n\u00e3o s\u00f3) por sa\u00fade mental, tempo de vida, e pela produtividade do trabalho. Diversos pa\u00edses centrais j\u00e1 possuem como jornadas normais abaixo das 40h semanais; outros nas periferias, como \u00e9 o caso do M\u00e9xico governado por Cl\u00e1udia Sheinbaum, tamb\u00e9m caminha para uma redu\u00e7\u00e3o da jornada para at\u00e9 40h de 2025 a 2030.<\/p>\n<p>No Brasil, ela retornou atrav\u00e9s do tema do Fim da Escala 6\u00d71, emergida absolutamente por fora das tradicionais estruturas sindicais, assim como o outro grande movimento de trabalhadores dos \u00faltimos anos, o Breque dos Apps. Essa luta levantou uma juventude negra, precarizada, sem proximidade tradicional com os partidos pol\u00edticos e com forte capacidade de articula\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o na via digital. Veio da\u00ed grande parte da sua for\u00e7a: o surgimento espont\u00e2neo, por fora das burocracias sindicais ou dos meios universit\u00e1rios que, por vezes, engessam as organiza\u00e7\u00f5es de esquerda e impedem a sua renova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Apesar disso, ela teve dificuldades de se tornar uma luta com peso de massas, e t\u00e3o logo se institucionalizou na forma de PEC, o peso popular ficou majoritariamente restrita \u00e0s a\u00e7\u00f5es em redes sociais, embora o tema estivesse latente nas conversas entre amigos, encontros de fam\u00edlia, mesas de bar e afins. Aqui \u00e9 preciso levar em conta a dificuldade existente em se organizar um setor da classe que trabalha 6 dias por semana, e n\u00e3o tem tempo para a organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o se trata apenas disso. \u00c9 preciso tamb\u00e9m levar em conta a atual dificuldade da esquerda brasileira de capitalizar demandas sociais, mesmo as latentes e com larga amplitude, para um movimento que se espraie pelas bases. O lulismo, com suas caracter\u00edsticas, mant\u00e9m-se voltado para um modelo de gest\u00e3o que n\u00e3o opta pelo \u201cgoverno \u00e0 quente\u201d, ou seja, pelo chamamento da popula\u00e7\u00e3o \u00e0s ruas quando precisa do enfrentamento com seus principais inimigos: o \u201cCongresso\u201d, o \u201cMercado\u201d e o imperialismo.<\/p>\n<p>Como aponta Carlos Bittencourt, a limitada \u201creorienta\u00e7\u00e3o \u00e0 esquerda\u201d do governo, desencadeada a partir de junho do ano passado, foi uma necessidade conjuntural e n\u00e3o uma transforma\u00e7\u00e3o estrutural do modo de governar. Por essa raz\u00e3o, conseguiu-se, no embalo daquele momento, vit\u00f3rias importantes contra a extrema-direita, com as mobiliza\u00e7\u00f5es de julho \u2013 \u201cCongresso Inimigo do Povo\u201d \u2013 e contra a PEC da Blindagem em setembro.<\/p>\n<p>Mas se tratava ali da pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia do governo, diante de uma oposi\u00e7\u00e3o avessa aos cl\u00e1ssicos \u201cpactos conservadores\u201d caracter\u00edsticos do lulismo. E n\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o de uma agenda sustentada pela mobiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A entrada de Guilherme Boulos na Secretaria Geral da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica \u2013 contrariando as decis\u00f5es congressuais de seu partido (PSOL) \u2013 poderiam provocar a sensa\u00e7\u00e3o de que isso ocorreria, mas na realidade tratava-se de institucionalizar as demandas populares, movimento t\u00edpico lulista; e n\u00e3o de governar atrav\u00e9s das mobiliza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>E isso \u00e9 o que traz o car\u00e1ter de incertezas \u00e0 atual situa\u00e7\u00e3o da luta pelo fim da Escala 6\u00d71: se for aprovada \u2013 o que \u00e9 prov\u00e1vel, mas n\u00e3o garantido \u2013 trar\u00e1 uma grande vit\u00f3ria para a classe trabalhadora brasileira. Mas, paira ainda uma d\u00favida, sob as condi\u00e7\u00f5es em que isso ser\u00e1 feito (redu\u00e7\u00e3o de 1h por ano?) e se conseguir\u00e1, como tem potencial, de ser uma luta que aglutine for\u00e7as em favor de novos horizontes organizativos e propositivos da esquerda, de rela\u00e7\u00e3o com a classe trabalhadora precarizada, e de organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Precisamos ir \u00e0s ruas fazer o que falta: pressionar o Congresso e fortalecer um movimento, pois nada est\u00e1 ganho e \u00e9 necess\u00e1rio contar com as pr\u00f3prias for\u00e7as da mobiliza\u00e7\u00e3o, para al\u00e9m dos governos e representantes. Hoje, 15 de mar\u00e7o, \u00e9 uma oportunidade; mas devemos aglutinar as for\u00e7as poss\u00edveis para o 1\u00ba de Maio, data hist\u00f3rica para a classe trabalhadora, tamb\u00e9m originada, como sabemos, da luta pela redu\u00e7\u00e3o da jornada, por uma vida al\u00e9m do trabalho.<\/p>\n<h3><strong>Notas<\/strong><\/h3>\n<hr>\n<p>[1] Soma-se agora o Caso do Banco Master como exemplo combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o e \u00e0 mesquinhez dos superricos, em que o governo apareceria, novamente, \u201cao lado do povo brasileiro\u201d. Embora, claro, alguns como o sionista Jacques Wagner tivessem rela\u00e7\u00f5es com o Sr. Vorcaro.<\/p>\n<p>[2] Para ver mais sobre a rela\u00e7\u00e3o entre a reforma trabalhista e o aumento da informalidade ver: KREIN e COLOMBI, 2019; PATTA DE BARROS, 2023.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. 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Debate entre patr\u00f5es e trabalhadores reaquece. Poderia um 1\u00ba de maio de mobiliza\u00e7\u00f5es levar \u00e0 conquista hist\u00f3rica?<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/trabalhoeprecariado\/escala-6x1-o-novo-capitulo-da-luta\/\">Escala 6\u00d71: o novo cap\u00edtulo da luta<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":83258,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[3936,5225,2008,17,478,32212,2482,5834,1964,25323],"tags":[],"class_list":["post-83257","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-1o-de-maio","category-dia-do-trabalhador","category-fim-da-escala-6x1","category-governo-lula","category-guilherme-boulos","category-pec-8-2025","category-reducao-da-jornada","category-trabalho-e-precariado","category-vat","category-vida-alem-do-trabalho"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83257","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=83257"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83257\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/83258"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=83257"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=83257"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=83257"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}