{"id":83290,"date":"2026-04-16T05:01:00","date_gmt":"2026-04-16T08:01:00","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/massacre-de-eldorado-do-carajas-sobrevivente-tem-bala-no-olho-ha-30-anos\/"},"modified":"2026-04-16T05:01:00","modified_gmt":"2026-04-16T08:01:00","slug":"massacre-de-eldorado-do-carajas-sobrevivente-tem-bala-no-olho-ha-30-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/massacre-de-eldorado-do-carajas-sobrevivente-tem-bala-no-olho-ha-30-anos\/","title":{"rendered":"Massacre de Eldorado do Caraj\u00e1s: sobrevivente tem bala no olho h\u00e1 30 anos"},"content":{"rendered":"<p><strong>DE CANA\u00c3 DOS CARAJ\u00c1S (PA)<\/strong> \u2013 Os dias se arrastam para Jos\u00e9 Carlos Agarito Moreira, de 48 anos. Sentado no terreiro da pequena casa onde vive, ele passa a maior parte do tempo com os p\u00e9s para cima. \u201cFico esperando anoitecer para ir deitar\u201d, diz, enquanto tenta esquecer a dor que atravessa a cabe\u00e7a e, de vez em quando, escorre em pus pela nuca e pelo ouvido, impedindo que ele trabalhe.<\/p>\n<p>\u201cAcho que \u00e9 o zinabre da bala que ficou l\u00e1 dentro\u201d, afirma, apontando para a pr\u00f3tese que carrega no lugar do olho direito, depois de ser atingido por um tiro disparado por um policial militar. Ao lado de um papagaio, ele observa o pequeno movimento da rua em um bairro de Cana\u00e3 dos Caraj\u00e1s, no sudeste do Par\u00e1, e quase n\u00e3o se levanta. A rotina s\u00f3 muda tr\u00eas vezes por semana, quando sai para fazer hemodi\u00e1lise.<\/p>\n<p>H\u00e1 tr\u00eas d\u00e9cadas, Z\u00e9 Carlos foi baleado na Curva do S, em Eldorado do Caraj\u00e1s, o maior massacre da hist\u00f3ria recente do campo brasileiro. Em 17 de abril de 1996, policiais militares abriram fogo contra um grupo do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) que bloqueavam a rodovia PA-150, durante um protesto em defesa da reforma agr\u00e1ria.<\/p>\n<p>Na hora, 19 pessoas foram assassinadas e dezenas ficaram feridas. Outros dois trabalhadores morreram dias depois, v\u00edtimas dos disparos. Na Justi\u00e7a, apenas os dois comandantes da opera\u00e7\u00e3o foram condenados por homic\u00eddio.<\/p>\n<div data-elementor-type=\"section\" data-elementor-id=\"77670\" data-elementor-post-type=\"elementor_library\">\n<div data-id=\"17a659f\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\" data-settings='{\"background_background\":\"classic\"}'>\n<div>\n<div data-id=\"386385d\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n<div>\n<h2>ASSINE NOSSA NEWSLETTER<\/h2>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div data-id=\"6546917\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"html.default\">\n<div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n<\/p><\/div>\n<div data-id=\"8c2e333\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-settings='{\"button_width\":\"20\",\"step_next_label\":\"Next\",\"step_previous_label\":\"Previous\",\"button_width_mobile\":\"20\",\"step_type\":\"number_text\",\"step_icon_shape\":\"circle\"}' data-widget_type=\"form.default\">\n<div>\n<div>\n<div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<label for=\"form-field-email\"><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\tEmail\t\t\t\t\t\t\t<\/label><\/p><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<button type=\"submit\"><br \/>\n\t\t\t\t\t\t<span><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<span><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<i aria-hidden=\"true\"><\/i>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<span>Submit<\/span><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/span><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/span><br \/>\n\t\t\t\t\t<\/button>\n\t\t\t\t<\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<p>Na semana que marca os 30 anos do massacre, o MST organiza uma marcha de cinco dias entre Curion\u00f3polis e Eldorado do Caraj\u00e1s, com atos pol\u00edticos, debates e atividades culturais ao longo do percurso. A mobiliza\u00e7\u00e3o termina na Curva do S, onde ser\u00e1 realizado um ato em mem\u00f3ria das v\u00edtimas e em defesa da reforma agr\u00e1ria.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca do massacre, Z\u00e9 Carlos tinha 18 anos e havia chegado poucos dias antes ao acampamento onde estavam seus pais, na fazenda Macaxeira. A fam\u00edlia migrou do Maranh\u00e3o para o sudeste do Par\u00e1 quando ele ainda era crian\u00e7a, atra\u00edda pela corrida em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Serra Pelada. O ouro n\u00e3o veio, e eles passaram a trabalhar em fazendas da regi\u00e3o, sem acesso \u00e0 pr\u00f3pria terra.<\/p>\n<p>Z\u00e9 Carlos foi visitar os pais no acampamento e acabou ficando. Cerca de dez dias depois, j\u00e1 estava entre os trabalhadores que marchavam pela rodovia em dire\u00e7\u00e3o a Marab\u00e1, pressionando o governo do ent\u00e3o presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) pela desapropria\u00e7\u00e3o da Macaxeira. No fim da tarde daquele 17 de abril, a Pol\u00edcia Militar cercou a estrada pelos dois lados e avan\u00e7ou para desobstruir o bloqueio.<\/p>\n<p>No in\u00edcio, ele pensou se tratar de bombas de efeito moral. A impress\u00e3o mudou quando viu um companheiro cair. \u201cMataram primeiro o Am\u00e2ncio, o Surdinho\u201d, diz Z\u00e9 Carlos. Conhecido pelo apelido por ter defici\u00eancia auditiva, Am\u00e2ncio dos Santos Silva avan\u00e7ou na dire\u00e7\u00e3o dos policiais sem compreender o que ocorria e foi baleado.<\/p>\n<p>A partir dali, os trabalhadores perceberam que n\u00e3o se tratava de dispers\u00e3o, mas de tiros com muni\u00e7\u00e3o letal. Z\u00e9 Carlos tentou sair da linha de fogo, mas n\u00e3o conseguiu. \u201cO policial apontou na minha cara. Na testa. Pra matar\u201d, lembra. A bala entrou pelo olho direito e ele caiu: \u201cNa hora n\u00e3o d\u00f3i. Ela pesa demais e voc\u00ea cai\u201d.<\/p>\n<p>Ele conta que, apesar de ferido, ainda conseguiu se levantar com ajuda de outros trabalhadores e come\u00e7ou a caminhar, sem compreender a gravidade do ferimento: \u201cEsse olho aqui n\u00e3o \u00e9 mais meu\u201d. A bala ficou alojada e nunca foi retirada.<\/p>\n<p>Z\u00e9 Carlos afirma que j\u00e1 teve acompanhamento m\u00e9dico regular, determinado pela Justi\u00e7a, mas que o tratamento foi interrompido. Hoje tenta retomar o atendimento com o apoio de um advogado e da associa\u00e7\u00e3o de sobreviventes. \u201cA gente t\u00e1 correndo atr\u00e1s pra ver se consegue de novo\u201d, diz.<\/p>\n<figure><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/ze-carlos-familia.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/ze-carlos-familia-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/ze-carlos-familia-300x200.jpg 300w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/ze-carlos-familia-768x512.jpg 768w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/ze-carlos-familia.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption>Depois de receber um terreno pelo programa de reforma agr\u00e1ria, Z\u00e9 Carlos precisou vender a \u00e1rea e mudar para cidade para realizar tratamentos de sa\u00fade (Foto: Fernando Martinho\/Rep\u00f3rter Brasil)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Segundo Maur\u00edlio da Silva Soares, que preside a associa\u00e7\u00e3o das v\u00edtimas, o caso de Z\u00e9 Carlos n\u00e3o \u00e9 isolado. Ele afirma que dezenas de sobreviventes seguem com sequelas graves e sem acesso regular ao atendimento previsto em decis\u00f5es judiciais e acordos firmados com o Estado do Par\u00e1 desde o fim dos anos 1990.<\/p>\n<p>\u201cO massacre n\u00e3o acabou. Ele continua na vida dessas pessoas\u201d, diz Soares. Segundo a associa\u00e7\u00e3o, entre os 69 trabalhadores feridos, ao menos 25 ainda aguardam indeniza\u00e7\u00e3o e relatam dificuldades para manter tratamento m\u00e9dico.<\/p>\n<p>Procurada, a Sespa (Secretaria de Estado de Sa\u00fade P\u00fablica do Par\u00e1) afirmou que aguarda a formaliza\u00e7\u00e3o das demandas por parte dos representantes dos sobreviventes para dar continuidade aos tr\u00e2mites administrativos dentro do SUS (Sistema \u00danico de Sa\u00fade). Segundo a pasta, apesar de solicita\u00e7\u00f5es anteriores, os documentos necess\u00e1rios ainda n\u00e3o foram encaminhados.<\/p>\n<p>A secretaria n\u00e3o informou quantos sobreviventes s\u00e3o atendidos hoje nem explicou como funciona o acompanhamento m\u00e9dico.<\/p>\n<p>\u201cTodos os sobreviventes est\u00e3o sem assist\u00eancia m\u00e9dica. O Z\u00e9 Carlos \u00e9 o caso mais grave. Mas todos est\u00e3o na fila do SUS como qualquer outra pessoa\u201d, afirma Soares, presidente da associa\u00e7\u00e3o. \u201cNo nosso caso foi o governo que provocou as sequelas. Ent\u00e3o, o governo tem que dar uma aten\u00e7\u00e3o especial. Nossos sobreviventes est\u00e3o morrendo por falta de assist\u00eancia m\u00e9dica\u201d, complementa.\u00a0<\/p>\n<p>J\u00e1 a PGE (Procuradoria-Geral do Estado) declarou que o Par\u00e1 cumpre as obriga\u00e7\u00f5es assumidas junto \u00e0 Uni\u00e3o no \u00e2mbito do Sistema Interamericano de Direitos Humanos. Sobre as decis\u00f5es judiciais, afirmou que \u201ctodas foram cumpridas e liquidadas\u201d.<\/p>\n<h2>Par\u00e1 \u00e9 l\u00edder em viol\u00eancia no campo<\/h2>\n<p>Soares tamb\u00e9m foi ferido no dia do massacre. Conhecido no movimento como M\u00e1rcio Lima, passou a usar o codinome nos primeiros anos de organiza\u00e7\u00e3o do MST no sudeste do Par\u00e1, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990, em um contexto de viol\u00eancia brutal no campo.<\/p>\n<p>Levantamento baseado em dados da CPT (Comiss\u00e3o Pastoral da Terra) indica que o Par\u00e1 registrou 1.003 assassinatos no campo entre 1980 e 2024, mais do que qualquer outro estado \u2014 quase\u00a0 75% dos casos est\u00e3o concentrados no sul e sudeste paraenses. Os dados constam do livro <em>Assassinatos e Impunidade no Campo no Par\u00e1: 1980 a 2024<\/em> (Editora Dial\u00e9tica), de Jos\u00e9 Batista Gon\u00e7alves Afonso e Airton dos Reis Pereira.<\/p>\n<p>Esse padr\u00e3o de viol\u00eancia se intensificou ap\u00f3s a repress\u00e3o da ditadura militar \u00e0 Guerrilha do Araguaia, organizada pelo PCdoB (Partido Comunista do Brasil) na d\u00e9cada de 1970, e marcou a rela\u00e7\u00e3o entre trabalhadores rurais, grandes propriet\u00e1rios e for\u00e7as de seguran\u00e7a na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>No dia do massacre, Soares foi atingido por estilha\u00e7os e por uma coronhada de fuzil que lesionou seu bra\u00e7o esquerdo. Afastado da dire\u00e7\u00e3o do MST desde 2002, afirma que assumiu a presid\u00eancia da associa\u00e7\u00e3o dos mutilados com o objetivo de fortalecer a cobran\u00e7a por direitos.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/soares-carajas.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/soares-carajas-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/soares-carajas-300x200.jpg 300w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/soares-carajas-768x512.jpg 768w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/soares-carajas.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption>Maur\u00edlio Soares foi uma das principais lideran\u00e7as do MST no Par\u00e1 e atualmente preside a associa\u00e7\u00e3o das v\u00edtimas do Massacre de Eldorado do Caraj\u00e1s (Foto: Fernando Martinho\/Rep\u00f3rter Brasil)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Soares vive em uma ch\u00e1cara na periferia de Parauapebas, onde planta hortali\u00e7as em pequena escala e realiza trabalhos eventuais como servente de pedreiro. J\u00e1 n\u00e3o possui o lote que recebeu ap\u00f3s o massacre.<\/p>\n<p>\u201cOs sobreviventes nunca deixaram de cobrar\u201d, afirma Poliana Soares, da coordena\u00e7\u00e3o nacional do setor de direitos humanos do MST. Segundo ela, ao longo dos anos essa press\u00e3o foi mantida pelos pr\u00f3prios atingidos e voltou a ganhar apoio direto do movimento diante da persist\u00eancia das viola\u00e7\u00f5es. A atua\u00e7\u00e3o hoje inclui articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, audi\u00eancias p\u00fablicas e a tentativa de pressionar o Estado a cumprir as obriga\u00e7\u00f5es assumidas com os feridos \u2014 principalmente, indeniza\u00e7\u00f5es e tratamento m\u00e9dico.<\/p>\n<p>O caso foi apresentado \u00e0 CIDH (Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos) em 1996 pelo MST e pelo Centro pela Justi\u00e7a e o Direito Internacional, apontando a responsabilidade do Estado brasileiro pelas mortes, pelos ferimentos e pelas falhas na investiga\u00e7\u00e3o e puni\u00e7\u00e3o dos respons\u00e1veis. Em 2003, a CIDH declarou a peti\u00e7\u00e3o admiss\u00edvel. A tramita\u00e7\u00e3o segue h\u00e1 d\u00e9cadas, ainda sem decis\u00e3o final.\u00a0<\/p>\n<p>Dos 144 policiais denunciados, 142 foram absolvidos, e apenas os comandantes da opera\u00e7\u00e3o, o coronel M\u00e1rio Colares Pantoja e o major Jos\u00e9 Maria Oliveira, foram condenados por homic\u00eddio.<\/p>\n<h2>A terra que n\u00e3o p\u00f4de sustentar<\/h2>\n<p>Z\u00e9 Carlos foi assentado no Projeto de Assentamento 17 de Abril, criado na antiga fazenda Macaxeira, menos de um ano ap\u00f3s o massacre. Ficou l\u00e1 por cerca de 20 anos, plantando e criando os filhos. Por\u00e9m, as dores provocadas pela bala foram se intensificando. \u201cTinha dia que eu n\u00e3o aguentava. Tinha dia que eu desmaiava\u201d, diz. Sem conseguir manter o trabalho, vendeu o lote e se mudou para Eldorado do Caraj\u00e1s em busca de tratamento m\u00e9dico.<\/p>\n<p>Passou a fazer hemodi\u00e1lise em Marab\u00e1, em viagens que consumiam o dia inteiro. Sa\u00eda de madrugada e voltava \u00e0 noite, passando pela mesma estrada onde havia sido baleado. Mais tarde, vendeu tamb\u00e9m a casa em Eldorado e se mudou para Cana\u00e3 dos Caraj\u00e1s, em busca de tratamento com deslocamento menor.<\/p>\n<p>Hoje vive com a esposa em uma casa de madeira, com um quarto, sala e cozinha. A renda da indeniza\u00e7\u00e3o \u00e9 consumida por empr\u00e9stimos consignados para as despesas m\u00e9dicas. Restam cerca de R$ 500 por m\u00eas. Depende da ajuda dos dois filhos para poder comer.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/ze-carlos-cadeira.jpg\" alt=\"Z\u00e9 Carlos parou de trabalhar em raz\u00e3o das fortes dores de cabe\u00e7a causadas pela bala alojada atr\u00e1s do olho (Foto: Fernando Martinho\/Rep\u00f3rter Brasil)\" srcset=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/ze-carlos-cadeira-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/ze-carlos-cadeira-300x200.jpg 300w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/ze-carlos-cadeira-768x512.jpg 768w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/ze-carlos-cadeira.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption>Z\u00e9 Carlos parou de trabalhar em raz\u00e3o das fortes dores de cabe\u00e7a causadas pela bala alojada atr\u00e1s do olho (Foto: Fernando Martinho\/Rep\u00f3rter Brasil)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Mesmo assim, Z\u00e9 Carlos diz que a luta pela terra valeu. Lembra do que conseguiu produzir no assentamento e do que aquilo representou para a fam\u00edlia. \u201cA reforma agr\u00e1ria, pra mim, \u00e9 luta, \u00e9 conquista, pra gente conquistar uma terra, trabalhar e comer\u201d, afirma. \u201cSe n\u00e3o fosse a reforma agr\u00e1ria, tu acha que a gente tinha terra? N\u00e3o tinha\u201d.<\/p>\n<p>Entende, por\u00e9m, que a viol\u00eancia e as sequelas mudaram tudo. \u201cHoje eu estou desse jeito, com a bala na cabe\u00e7a, n\u00e3o posso trabalhar\u201d, afirma. Tamb\u00e9m n\u00e3o guarda m\u00e1goa de quem atirou: \u201cSe eu encontrasse o policial, eu chamava ele pra comer uma galinha caipira mais eu. Porque pelo menos ele me deixou vivo\u201d, complementa.<\/p>\n<p>Sem conseguir trabalhar e sem a terra que conquistou, Z\u00e9 Carlos passa os dias sentado do lado de fora de casa, \u00e0 espera do cair da noite, para deitar.<\/p>\n<div data-elementor-type=\"container\" data-elementor-id=\"75228\" data-elementor-post-type=\"elementor_library\">\n<div data-id=\"5e8db1e6\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n<div>\n<div data-id=\"36eb6c91\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n<div>\n<div data-id=\"6f52f515\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n<div data-id=\"65d9f401\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"divider.default\">\n<div>\n<div>\n\t\t\t<span><br \/>\n\t\t\t\t\t\t<\/span>\n\t\t<\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div data-id=\"134a1245\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n<div>\n<div data-id=\"10fe55fe\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n<div>\n<p>Leia tamb\u00e9m<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div data-id=\"3c9495ae\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-settings='{\"template_id\":\"75221\",\"columns\":1,\"row_gap\":{\"unit\":\"px\",\"size\":10,\"sizes\":[]},\"_skin\":\"post\",\"columns_tablet\":\"2\",\"columns_mobile\":\"1\",\"edit_handle_selector\":\"[data-elementor-type=\"loop-item\"]\",\"row_gap_tablet\":{\"unit\":\"px\",\"size\":\"\",\"sizes\":[]},\"row_gap_mobile\":{\"unit\":\"px\",\"size\":\"\",\"sizes\":[]}}' data-widget_type=\"loop-grid.post\">\n<div>\n<div>\n\t\t<\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<p>The post Massacre de Eldorado do Caraj\u00e1s: sobrevivente tem bala no olho h\u00e1 30 anos appeared first on Rep\u00f3rter Brasil.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/pequim-recebe-exposicao-o-brasil-de-portinari-primeira-grande-mostra-do-artista-na-asia\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; 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Hoje mora na cidade, faz hemodi\u00e1lise e cobra do Estado o cumprimento de decis\u00f5es judiciais <\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2026\/04\/massacre-eldorado-do-carajas-sobrevivente-tem-bala-no-olho-ha-30-anos\/\">Massacre de Eldorado do Caraj\u00e1s: sobrevivente tem bala no olho h\u00e1 30 anos<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/\">Rep\u00f3rter Brasil<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":83291,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[13690,36513,5879,5160,302,722,5799],"tags":[],"class_list":["post-83290","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-_destaque-da-home-1","category-carajas","category-conteudo-original-em-portugues","category-massacre-de-eldorado-dos-carajas","category-mst","category-para","category-reportagens"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83290","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=83290"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83290\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/83291"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=83290"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=83290"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=83290"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}