{"id":83586,"date":"2026-04-17T14:21:33","date_gmt":"2026-04-17T17:21:33","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/17-de-abril-internacionalizado-como-dia-internacional-das-lutas-camponesas-um-plantio-em-memoria-da-luta-camponesa-mundial\/"},"modified":"2026-04-17T14:21:33","modified_gmt":"2026-04-17T17:21:33","slug":"17-de-abril-internacionalizado-como-dia-internacional-das-lutas-camponesas-um-plantio-em-memoria-da-luta-camponesa-mundial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/17-de-abril-internacionalizado-como-dia-internacional-das-lutas-camponesas-um-plantio-em-memoria-da-luta-camponesa-mundial\/","title":{"rendered":"17 de abril, internacionalizado como Dia Internacional das Lutas Camponesas: Um plantio em mem\u00f3ria da luta camponesa mundial!"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Elizabet Cerqueira da Concei\u00e7\u00e3o<br \/>Da P\u00e1gina do MST<\/em><\/p>\n<p>Eu tentei proteger aquela \u00e1rvore espec\u00edfica, e esta \u00e9 a minha recompensa. Esta \u00e9 a hist\u00f3ria de Sawyer Prempeh Samuel, um jovem rec\u00e9m-formado da Universidade Kwame Nkrumah de Ci\u00eancia e Tecnologia, em Gana. Ele cumpria seu servi\u00e7o nacional obrigat\u00f3rio na Comiss\u00e3o Florestal de Gana trabalho que todo graduado de institui\u00e7\u00e3o terci\u00e1ria precisa fazer no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Durante seu servi\u00e7o, enquanto cumpria seu dever de proteger o patrim\u00f4nio florestal do pa\u00eds, ele e sua equipe se depararam com operadores ilegais de motosserra. A confronta\u00e7\u00e3o virou viol\u00eancia. Sawyer levou golpes graves na cabe\u00e7a e na boca. Foi hospitalizado, o caso foi registrado na pol\u00edcia, os agressores foram presos e soltos em liberdade condicional. Desde setembro de 2023, o caso est\u00e1 parado. A justi\u00e7a n\u00e3o anda porque alguns \u201cl\u00edderes\u201d interferem. Enquanto isso, Sawyer vive com dores de cabe\u00e7a constantes e uma vida sem justi\u00e7a.<\/p>\n<p>Ele pede ajuda a quem tem no cora\u00e7\u00e3o a prote\u00e7\u00e3o do meio ambiente e da sustentabilidade para que se mobilize em sua defesa e exija justi\u00e7a.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria de Sawyer Prempeh Samuel n\u00e3o \u00e9 um caso isolado. \u00c9 a mesma viol\u00eancia de Estado que mata trabalhadores quando eles defendem a terra n\u00e3o como mercadoria, mas como meio de vida. \u00c9 o mesmo sistema que transforma quem protege a floresta em v\u00edtima, enquanto quem destr\u00f3i sai impune.<\/p>\n<h2>Oziel Alves A Ousadia de um Jovem que Virou Semente<\/h2>\n<p>Na tarde de 17 de abril de 1996, na Curva do S, um trecho da antiga PA-150, hoje BR-155, em Eldorado do Caraj\u00e1s, Par\u00e1, a Pol\u00edcia Militar do Estado massacrou 19 trabalhadores sem-terra. Entre eles estava Oziel Alves Pereira, um jovem de apenas 17 anos, executado \u00e0 queima-roupa com um tiro na testa<\/p>\n<p>Oziel n\u00e3o era apenas um n\u00famero entre os mortos. Era um militante, algu\u00e9m que carregava a ousadia da juventude na luta pela terra. Sua trajet\u00f3ria de vida, marcada pelo compromisso com a causa dos sem-terra, transformou seu nome em s\u00edmbolo de resist\u00eancia. A cada ano, quando o MST rememora o massacre na Curva do S, os trabalhadores sem-terra evocam a mem\u00f3ria de Oziel Alves, destacando sua coragem e seu papel na luta<\/p>\n<p>A viol\u00eancia na Curva do S n\u00e3o foi acidente. Foi a\u00e7\u00e3o planejada do Estado para defender os interesses dos latifundi\u00e1rios. Os sem-terra marchavam em demanda de terra, trabalho e dignidade. A resposta foi bala. Oziel, aos 17 anos, pagou com a vida o pre\u00e7o de sonhar com um peda\u00e7o de terra para plantar e viver.<\/p>\n<p>Mas a semente que Oziel plantou n\u00e3o morreu. Em 2003, o MST criou o Acampamento Pedag\u00f3gico da Juventude Sem Terra Oziel Alves Pereira, na pr\u00f3pria Curva do S, transformando o cen\u00e1rio do massacre em espa\u00e7o de forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Todos os anos, centenas de jovens sem-terra se re\u00fanem ali para estudar, organizar e fortalecer a luta. \u00c9 o que chamam de \u201cm\u00edstica\u201d, \u00a0a arte de transformar dor em resist\u00eancia, mem\u00f3ria em a\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Neste ano, em 2026, completou 30 anos do massacre e 23 anos do acampamento. A Brigada Nacional Oziel Alves continua sendo lan\u00e7ada na Curva do S, levando o nome do jovem que, aos 17 anos, foi assassinado por defender que a terra \u00e9 para quem nela trabalha<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria de Oziel Alves n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 brasileira. \u00c9 a mesma hist\u00f3ria de jovens que, em todo o mundo, s\u00e3o assassinados pelo crime de querer terra para viver, n\u00e3o para lucrar. \u00c9 a mesma viol\u00eancia de Estado que repete seu roteiro: primeiro criminaliza quem ocupa, depois mata, depois tenta apagar a mem\u00f3ria. Mas a mem\u00f3ria de Oziel resiste, brota, floresce e como as \u00e1rvores que plantamos em sua homenagem.<\/p>\n<figure><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"392\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-14.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-14.jpg 600w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-14-300x196.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\"><figcaption><em>Foto: J.R. Ripper<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<h2>Amandla! Ngawethu! O Poder \u00e9 Nosso!<\/h2>\n<p>Na \u00c1frica do Sul, a palavra <strong>\u201cAmandla\u201d<\/strong> significa <strong>poder<\/strong> em zulu e xhosa e ecoou por d\u00e9cadas como grito de guerra contra o apartheid. N\u00e3o era apenas uma palavra; era uma convoca\u00e7\u00e3o, um chamado \u00e0 resist\u00eancia que unia o povo nas ruas, nas pris\u00f5es, nos campos de trabalho for\u00e7ado. Quando algu\u00e9m gritava \u201cAmandla!\u201d, a multid\u00e3o respondia em coro: \u201cNgawethu!\u201d quer dizer \u201c\u00c9 nosso!\u201d<\/p>\n<p>A m\u00fasica foi a alma dessa luta. Can\u00e7\u00f5es de liberdade nasciam das favelas, das igrejas, das cadeias. Vuyisile Mini, compositor e sindicalista, foi enforcado em 1964 pelo regime racista. Dizem que ele foi para a morte cantando, transformando a pr\u00f3pria execu\u00e7\u00e3o em ato de resist\u00eancia. A m\u00fasica consolava quem estava encarcerado, motivava quem estava na linha de frente e criava uma forma subterr\u00e2nea de comunica\u00e7\u00e3o dentro das pris\u00f5es.<\/p>\n<p>O <strong>toyi-toyi,<\/strong> a dan\u00e7a de passos altos, quase uma marcha de guerra, tornou-se uma ferramenta de luta nos anos 1980. Servia para condicionar fisicamente os guerrilheiros e intimidar a pol\u00edcia do regime. Era dan\u00e7a e resist\u00eancia ao mesmo tempo. A juventude sul-africana, como Thandi Modise presa aos 19 anos e que passou a segunda metade dos anos 1970 na cadeia carregava nas can\u00e7\u00f5es a mem\u00f3ria do primeiro amor, da dor da separa\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m da determina\u00e7\u00e3o de acabar com o apartheid<\/p>\n<p>O Massacre de <strong>Marikana<\/strong>, em 2012, exp\u00f4s ao mundo que a viol\u00eancia de Estado n\u00e3o acabou com o apartheid. Trabalhadores organizados da minera\u00e7\u00e3o, enquanto exigiam dignidade e sal\u00e1rios justos, foram brutalmente reprimidos pela pol\u00edcia sul-africana. 34 mineiros foram assassinados. Era o mesmo sistema que expulsa, explora e mata, agora com nova roupagem, mas com a mesma l\u00f3gica de sempre.<\/p>\n<p>A luta de Amandla continua. A juventude sul-africana segue usando a m\u00fasica, a dan\u00e7a e o grito de \u201cAmandla! Ngawethu!\u201d para resistir \u00e0s desigualdades que persistem. A mem\u00f3ria de quem caiu alimenta a resist\u00eancia de quem segue em p\u00e9.<\/p>\n<p>Ao conectar Eldorado dos Caraj\u00e1s, Marikana, Amandla e as lutas em curso pelo continente africano, afirmamos que essas realidades est\u00e3o profundamente entrela\u00e7adas. \u00c9 o mesmo sistema que expulsa, explora e viola, mas que tamb\u00e9m \u00e9 a mesma resist\u00eancia que se organiza, denuncia e constr\u00f3i alternativas.<\/p>\n<p>Igualmente, \u00e9 essencial destacar o que vem acontecendo em Gana, onde comunidades e movimentos t\u00eam denunciado o avan\u00e7o do desmatamento, a destrui\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios e os impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas diretamente ligados \u00e0 explora\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria dos recursos naturais. Nesse contexto, a luta pela terra \u00e9 tamb\u00e9m uma luta pela preserva\u00e7\u00e3o ambiental, pela soberania dos povos e pela continuidade da vida.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" width=\"624\" height=\"416\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-7.jpeg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-7.jpeg 624w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-7-300x200.jpeg 300w\" sizes=\"(max-width: 624px) 100vw, 624px\"><figcaption><em>Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<h2>Internacionalismo, Solidariedade do Sul Global e Autodetermina\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>Impulsionada pela La Via Campesina, essa data re\u00fane a\u00e7\u00f5es por diferentes territ\u00f3rios, conectando resist\u00eancias e denunciando as m\u00faltiplas formas de despossess\u00e3o que atingem os povos do campo.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m buscamos ampliar a perspectiva sobre o continente africano, trazendo elementos concretos da luta pela terra, que muitas vezes \u00e9 invisibilizada. A viol\u00eancia contra os trabalhadores n\u00e3o \u00e9 um fato isolado; ela se manifesta em todos os territ\u00f3rios.<\/p>\n<p>Portanto, o dia Internacional das Lutas Camponesas, celebrado em 17 de abril, n\u00e3o \u00e9 apenas uma data de lembran\u00e7a, \u00e9 uma convoca\u00e7\u00e3o \u00e0 solidariedade ativa entre os povos do Sul Global.<\/p>\n<p>Quando plantamos \u00e1rvores frut\u00edferas na Nossa \u00c1rea de Experimenta\u00e7\u00e3o Agroecol\u00f3gica em Z\u00e2mbia \u00e9 em mem\u00f3ria de Oziel Alves, de Marikana e de Sawyer Prempeh Samuel, estamos afirmando que a luta pela terra ultrapassa fronteiras e une territ\u00f3rios separados pelo colonialismo, mas conectados pela resist\u00eancia. O internacionalismo dos trabalhadores e trabalhadoras do campo \u00e9 o reconhecimento de que nossas dores s\u00e3o as mesmas, nossos algozes s\u00e3o os mesmos, e nossa for\u00e7a est\u00e1 na uni\u00e3o das nossas vozes.<\/p>\n<p>A autodetermina\u00e7\u00e3o dos povos \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o dessa luta. N\u00e3o aceitamos que modelos de desenvolvimento impostos de fora sejam a repress\u00e3o do Estado, o agroneg\u00f3cio brasileiro, a minera\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria sul-africana ou a explora\u00e7\u00e3o madeireira em Gana definam nosso destino. Quem vive na terra \u00e9 quem deve decidir seu futuro. Terra para quem nela vive e trabalha!<\/p>\n<p>\u00a0O plantio que fazemos na Z\u00e2mbia \u00e9, portanto, um ato de soberania: afirmamos nosso direito de cultivar, preservar e viver em harmonia com a natureza, recusando a l\u00f3gica do lucro que destr\u00f3i florestas, comunidades e vidas. A solidariedade do Sul Global nasce dessa recusa compartilhada e da constru\u00e7\u00e3o coletiva de outro mundo poss\u00edvel\u00a0 onde a terra perten\u00e7a a quem a trabalha e a vida valha mais do que o capital.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" width=\"624\" height=\"468\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-8.jpeg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-8.jpeg 624w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-8-300x225.jpeg 300w\" sizes=\"(max-width: 624px) 100vw, 624px\"><figcaption><em>Foto: MST<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p><em>*Editado por Fernanda Alc\u00e2ntara<\/em><\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/mst.org.br\/2026\/04\/17\/17-de-abril-internacionalizado-como-dia-internacional-das-lutas-camponesas-um-plantio-em-memoria-da-luta-camponesa-mundial\/\">17 de abril, internacionalizado como Dia Internacional das Lutas Camponesas: Um plantio em mem\u00f3ria da luta camponesa mundial!<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/mst.org.br\/\">MST<\/a>.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/crianca-de-2-anos-e-primeira-crianca-baleada-no-rio-de-janeiro-em-2025\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; 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