{"id":8377,"date":"2024-12-13T17:38:15","date_gmt":"2024-12-13T20:38:15","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/iv-encontro-das-mulheres-camponesas-nao-podemos-produzir-alimentos-saudaveis-com-relacoes-doentes-diz-coordenadora-do-mpa\/"},"modified":"2024-12-13T17:38:15","modified_gmt":"2024-12-13T20:38:15","slug":"iv-encontro-das-mulheres-camponesas-nao-podemos-produzir-alimentos-saudaveis-com-relacoes-doentes-diz-coordenadora-do-mpa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/iv-encontro-das-mulheres-camponesas-nao-podemos-produzir-alimentos-saudaveis-com-relacoes-doentes-diz-coordenadora-do-mpa\/","title":{"rendered":"IV Encontro das Mulheres Camponesas: &#8216;N\u00e3o podemos produzir alimentos saud\u00e1veis com rela\u00e7\u00f5es doentes\u2019, diz coordenadora do MPA"},"content":{"rendered":"<p>\u201cEu digo que sou filha e neta da fome, porque minha m\u00e3e e minha av\u00f3 deixaram o Nordeste fugindo dela. Mas sou m\u00e3e da esperan\u00e7a, porque eu vou dizer para minha filha que eu vim de um encontro de mulheres corajosas, valentes, amorosas, sofridas e determinadas, que faz poss\u00edvel nos encararmos e enfrentar a fome.\u201d\u00a0<\/p>\n<p>O relato foi feito pela coordenadora nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2023\/11\/21\/congresso-brasileiro-de-agroecologia-cozinha-solidaria-no-rj-recebe-r-140-mil-para-reforma-equipamentos-e-producao\">Glaucia Nascimento<\/a>, durante o <a href=\"https:\/\/www.brasildefators.com.br\/2024\/12\/03\/iv-encontro-nacional-das-mulheres-camponesas-tem-como-tema-abastecer-lutar-construir-o-projeto-popular\">IV Encontro Nacional das Mulheres Camponesas<\/a>, do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA). Realizado na cidade de Salvador (BA), entre os dias 3 e 6 de dezembro, o encontro que teve como tema \u201cAbastecer, Lutar, Construir o Projeto Popular!\u201d, reuniu mais de mil mulheres de 18 estados. Juntamente ao encontro aconteceu a Feira Camponesa das mulheres do MPA.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s somos a maioria nos movimentos sociais, somos a maioria do eleitorado, somos a maioria de quem faz esse mundo girar, ali\u00e1s, esse mundo s\u00f3 t\u00e1 de p\u00e9 gra\u00e7as a voc\u00eas\u201d, afirmou Glaucia, que juntamente com a coordenadora do MPA, Isabel Ramalho, participou da mesa que debateu o papel das mulheres na produ\u00e7\u00e3o de alimentos.\u00a0<\/p>\n<p><imgsrc=\"\"><\/p>\n<p>Em sua interven\u00e7\u00e3o, a coordenadora ressaltou a luta do movimento pela reforma urbana. \u201cTodo mundo merece ter um teto para chamar de seu. Precisamos de casa digna, transporte digno, direito \u00e0 cidade como um todo. A cozinha \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o da ocupa\u00e7\u00e3o, fazemos isso h\u00e1 27 anos.\u201d<\/p>\n<p>De acordo com ela, h\u00e1 pelo pa\u00eds 60 <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/05\/08\/cozinha-solidaria-do-mtst-entrega-mais-de-1-5-mil-marmitas-por-dia-para-afetados-pelas-enchentes-em-porto-alegre\">cozinhas do MTST<\/a>, que j\u00e1 entregaram quase seis milh\u00f5es de refei\u00e7\u00f5es. Os espa\u00e7os, destacou, v\u00e3o al\u00e9m de \u201cmatar\u201d a fome, s\u00e3o espa\u00e7os de aulas para crian\u00e7as, adultos, algumas com horta. \u201cElas s\u00e3o distribuidoras populares de agroecologia, de comida sem veneno. Gra\u00e7as ao trabalho que constru\u00edmos, agora temos pol\u00edtica p\u00fablica sobre o assunto, apesar da luta n\u00e3o ter terminado. Tem muita cidade que tem restaurantes populares, mas quem est\u00e1 com fome nas periferias nem sempre tem dinheiro para chegar nesses restaurantes.\u201d<\/p>\n<p>Ao <strong>Brasil de Fato RS<\/strong>, a coordenadora destacou que o MPA e o MTST s\u00e3o parceiros h\u00e1 bastante tempo. \u201cQuando o MTST pega as nossas cozinhas nas ocupa\u00e7\u00f5es e coloca nas periferias para combater a fome, o MPA foi um grande parceiro. Desde o inicio nossas cozinhas do Rio de Janeiro conseguem fornecer comida de verdade gra\u00e7as a essa uni\u00e3o, do campo e da cidade.\u201d<\/p>\n<p>O MTST est\u00e1 no Rio de Janeiro h\u00e1 10 anos, e entre as conquistas Glaucia pontuou a aprova\u00e7\u00e3o do <em>Minha Casa Minha Vida-Entidades<\/em> para a ocupa\u00e7\u00e3o 6 de abril de 2010, referente ao desastre clim\u00e1tico do Morro do Bumba. \u201cA gente faz essa ocupa\u00e7\u00e3o para denunciar os desabrigados, as pessoas que foram atingidas por esse desastre. Hoje essas pessoas conseguiram, com o apoio do movimento, com as ocupa\u00e7\u00f5es, com uma luta de muito tempo, a aprova\u00e7\u00e3o do projeto. Estamos em vias de come\u00e7ar as obras. O desastre clim\u00e1tico \u00e9 uma f\u00e1brica de sem tetos, o MTST est\u00e1 lutando contra isso.\u201d<\/p>\n<p><imgsrc=\"\"><br \/>\n&#8220;Todo mundo merece ter um teto para chamar de seu&#8221;, afirmou Glaucia Nascimento \/ Foto: Fabiana Reinholz<\/p>\n<p>No combate \u00e0 fome\u00a0<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s mulheres somos respons\u00e1veis mundialmente pela produ\u00e7\u00e3o de mais de 90% da alimenta\u00e7\u00e3o. Isso afirma que a constru\u00e7\u00e3o do <a href=\"https:\/\/www.brasildefators.com.br\/2024\/12\/05\/feminismo-campones-e-popular-foi-tema-do-segundo-dia-do-encontro-nacional-e-feira-camponesa-das-mulheres-do-mpa\">Feminismo Campon\u00eas Popular<\/a> \u00e9 urgente e necess\u00e1ria. Para que os alimentos sejam produzidos com amor, sa\u00fade, cultura,\u00a0ent\u00e3o quem produz tem que estar bem. N\u00e3o podemos produzir alimentos saud\u00e1veis com rela\u00e7\u00f5es doentes\u201d, enfatizou Isabel.\u00a0<\/p>\n<p>De acordo com dados de 2018, da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO), as mulheres rurais s\u00e3o respons\u00e1veis por <a href=\"http:\/\/%C2%A0https\/\/www.cfn.org.br\/index.php\/nutricao-na-midia\/fao-trabalho-das-mulheres-rurais-e-essencial-para-a-seguranca-alimentar-no-mundo\/\">45% da produ\u00e7\u00e3o de alimentos no Brasil<\/a> e nos pa\u00edses em desenvolvimento. \u201cNa maioria dos casos, elas trabalham tanto no campo como em casa, cerca de 12 horas semanais a mais que os homens. Ainda assim, somente 20% delas s\u00e3o propriet\u00e1rias de terras\u201d, pontua a entidade. No Brasil, de acordo com o Censo Agropecu\u00e1rio de 2017, 1,7 milh\u00e3o de mulheres est\u00e3o na gest\u00e3o ou codire\u00e7\u00e3o de propriedades rurais.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cDentro da luta pela soberania entra o combate \u00e0 fome. Para produzir precisamos da reforma agr\u00e1ria. Essa terra que era para produzir alimentos est\u00e1 nas m\u00e3os do agroneg\u00f3cio. Temos que discutir como vamos lutar pela reforma e tamb\u00e9m o acesso \u00e0 \u00e1gua e outros bens naturais e contra a privatiza\u00e7\u00e3o\u201d, apontou Isabel.\u00a0<\/p>\n<p>No contexto da produ\u00e7\u00e3o de alimentos, continuou a lideran\u00e7a, s\u00e3o as mulheres que lidam com as \u201cmiudezas\u201d, a diversidade, e l\u00e1 est\u00e1 a alimenta\u00e7\u00e3o. \u201cDiversidade de conhecimentos e saberes. A feira camponesa foi express\u00e3o dessa diversidade.\u00a0As sementes tamb\u00e9m passam por nossas m\u00e3os. A sa\u00fade tamb\u00e9m. Nossa tarefa de produzir alimentos, nessa alian\u00e7a oper\u00e1ria e camponesa, aparece fortemente a tarefa do abastecimento popular.\u201d A coordenadora citou a miss\u00e3o Josu\u00e9 de Castro (m\u00e9dico, nutr\u00f3logo, professor) e a afirma\u00e7\u00e3o que ele fez de que a fome \u00e9 uma decis\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p>\u201cEnquanto n\u00e3o mudar, o sistema n\u00e3o vai acabar. Temos que mexer na estrutura. Massificar a produ\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica. Considerar, valorizar a cultura alimentar das regi\u00f5es, a alimenta\u00e7\u00e3o local. Precisamos sair da invisibilidade, juntar as miudezas e valorizar. O campesinato, a partir da produ\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica, \u00e9 quem pode tirar a fome. Para isso, vamos ter que fazer grandes lutas, com muita gente na rua. Exigir pol\u00edticas p\u00fablicas que n\u00e3o v\u00eam. Ampliar a capacidade de luta pela terra e territ\u00f3rio.\u201d\u00a0<\/p>\n<p><imgsrc=\"\"><br \/>\nDebate: As mulheres e a constru\u00e7\u00e3o do Poder Popular \/ Foto: Andr\u00e9 Souza<\/p>\n<p>As mulheres e a constru\u00e7\u00e3o do Poder Popular<\/p>\n<p>J\u00e1 na quinta-feira (5), o encontro debateu o papel das mulheres e a constru\u00e7\u00e3o do poder popular, com a integrante do Congresso de Los Pueblos, da Col\u00f4mbia, Luz Angela Roja, e a coordenadora do MPA, Jucilene Xavier. \u00a0<\/p>\n<p>Luz ressaltou que \u00e9 preciso pensar de constru\u00e7\u00e3o do poder popular n\u00e3o s\u00f3 para o Brasil, mas tamb\u00e9m para um projeto da Am\u00e9rica Latina. De acordo com ela, a nossa proposta de poder popular inicia com a capacidade de ter consci\u00eancia que \u00e9 preciso <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2023\/12\/17\/silvia-federici-os-movimentos-feministas-mais-poderosos-do-mundo-hoje-estao-na-america-latina\">lutar contra o capitalismo<\/a>. E, nessa luta, prosseguiu, enfrentar o machismo e o patriarcado. \u201cPrecisamos escutar as vozes de muitas. Esperan\u00e7a, esse encontro \u00e9 o resgate e o reconhecimento de todas elas. N\u00e3o se faz sozinha, nem no individual e nem s\u00f3 com as mulheres. Temos que fazer com as outras\/outros\/outres. Temos que estar na constru\u00e7\u00e3o da proposta de sociedade.\u201d\u00a0<\/p>\n<p>Conforme pontuou, a refer\u00eancia do movimento \u00e9 o territ\u00f3rio: desenvolvimento de autonomia e autogest\u00e3o. \u201cA direita est\u00e1 se reestruturando com o agroneg\u00f3cio, mas n\u00f3s temos o territ\u00f3rio e nos territ\u00f3rios temos muita coisa a ser feita. Temos resistido e criado alternativas ao agroneg\u00f3cio: agroecologia, cozinhas comunit\u00e1rias [&#8230;] Pensarmos propostas de territ\u00f3rio a partir do projeto popular. Temos a chave: a solidariedade vai quebrar o capitalismo. \u00c9 preciso compreender o territ\u00f3rio na complexidade. Pensar o trabalho popular \u00e9 um chamado para pensar tamb\u00e9m desde as mulheres\u201d, ressaltou.\u00a0<\/p>\n<p>Entre os desafios, a lideran\u00e7a disse que \u00e9 preciso evitar cair nas armadilhas do capitalismo e construir um feminismo campon\u00eas e popular. Como tamb\u00e9m sair dos territ\u00f3rios para disputar o projeto de sociedade. \u201cOcupar os espa\u00e7os pol\u00edticos. N\u00e3o queremos deixar o nosso cantinho, mas devemos fazer, e nossas organiza\u00e7\u00f5es t\u00eam que garantir as condi\u00e7\u00f5es.\u00a0Recuperar nossa autonomia e subir o teto de luta. Construir para al\u00e9m do estado. Nossa luta independe dos governos. Temos que tecer juntas.\u201d<\/p>\n<p><imgsrc=\"\"><br \/>\nEncontro contou com a presen\u00e7a das crian\u00e7as do Cirandar do MPA Mirim \/ Foto: Andr\u00e9 Souza<\/p>\n<p>Trabalho de base\u00a0<\/p>\n<p>\u201cQuando falamos em poder popular, estamos falando de algo que vai al\u00e9m de uma\u00a0ideia ou de um conceito te\u00f3rico. Falamos de um projeto de transforma\u00e7\u00e3o concreta,\u00a0que coloca a for\u00e7a e a vontade do povo como ponto central para essa tal revolu\u00e7\u00e3o.\u00a0E esse poder popular n\u00e3o se materializa em outro lugar, que n\u00e3o seja nossos territ\u00f3rios, nas nossas comunidades\u201d, afirmou Jucilene.\u00a0<\/p>\n<p>Ela tamb\u00e9m lembrou a trajet\u00f3ria do movimento ao longo dos anos, em especial da defesa dos territ\u00f3rios. \u201cResistimos ao avan\u00e7o do agroneg\u00f3cio, que tenta diariamente expulsar nossas fam\u00edlias de suas terras, que envenena nossos alimentos, que mata diariamente. Resistimos ao patriarcado, que nos quer submissas e invis\u00edveis, trabalhando muito, mas sem reconhecimento. E resistimos \u00e0 l\u00f3gica capitalista, que transforma tudo em mercadoria. Mas n\u00e3o resistimos apenas, constru\u00edmos. A partir do trabalho de base, da\u00a0organiza\u00e7\u00e3o das cirandas infantis, das campanhas de sementes crioulas, e da agroecologia como pr\u00e1tica e como horizonte, mostramos que outro modelo \u00e9\u00a0poss\u00edvel, a partir dos nossos quintais, das nossas cooperativas, da nossa arte.\u201d<\/p>\n<p>Por fim, frisou que \u00e9 preciso potencializar o que j\u00e1 se tem de concreto e formar &#8220;novas sonhadoras\/construtoras, ampliar nossas experi\u00eancias e evidenci\u00e1-las. E para\u00a0isso n\u00f3s precisamos firmar o compromisso com a retomada massiva do nosso\u00a0trabalho de base. Cada mulher que est\u00e1 aqui precisa ter o compromisso coletivo de\u00a0construir outras, de trazer outras.\u201d<\/p>\n<p>Comungando da mesma luta\u00a0<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 muito bom e muito importante para a gente se encontrar, encontrar a mulherada, encontrar outras camponesas que a gente olha, se inspira, comunga e que a gente sabe que vem construindo esse projeto que \u00e9 o feminismo campon\u00eas e popular. Trazendo a sua produ\u00e7\u00e3o, trazendo o seu artesanato, sua alegria, sua m\u00edstica, enfim. Foi m\u00e1gico, transformador e muito inspirador. E, sobretudo, uma carga de energia para que a gente volte para os nossos estados e possa seguir construindo com outras companheiras\u201d, afirmou a integrante do projeto Ra\u00edzes do Brasil, do MPA do Rio de Janeiro, Andressa Paiva.<\/p>\n<p><imgsrc=\"\"><br \/>\nAndressa Paiva, integrante do projeto Ra\u00edzes do Brasil, do MPA do Rio de Janeiro \/ Foto: Fabiana Reinholz<\/p>\n<p>\u201cEu amei estar aqui, me fortaleci muito com esse encontro. J\u00e1 fa\u00e7o esse trabalho na minha comunidade h\u00e1 muito tempo e esse evento s\u00f3 fez enriquecer mais o meu conhecimento. Nossa barraca foi um sucesso, foi a que mais teve diversidade do estado do Par\u00e1\u201d, afirmou orgulhosa a feirante Nacil\u00e9ia Carneiro Ferreira, da Ilha do Maraj\u00f3 (PA), que pela primeira vez esteve no encontro do MPA.\u00a0<\/p>\n<p><imgsrc=\"\"><br \/>\nFeirante Nacil\u00e9ia Carneiro Ferreira, da Ilha do Maraj\u00f3, do Par\u00e1 \/ Foto: Fabiana Reinholz<\/p>\n<p>\u201cPara mim o encontro foi muito satisfat\u00f3rio, gratificante. Que venham outros momentos como esse. A vida da mulher no Piau\u00ed \u00e9 ralada, sofrida. A gente trabalha s\u00f3 com a produ\u00e7\u00e3o da agricultura, tudo org\u00e2nico, manual. Todo o trabalho \u00e9 manual, pa\u00e7oca e a cocada tirada no pil\u00e3o. Espero voltar para casa sem nada\u201d, comentou a feirante do Piau\u00ed Creuza Maria da Silva de Souza Santos.<\/p>\n<p><imgsrc=\"\"><br \/>\nCreuza Maria da Silva de Souza Santos, feirante do Piau\u00ed \/ Foto: Fabiana Reinholz<\/p>\n<p>\u201c\u00c1s vezes, a mulher, ela foi criada assim: mulher \u00e9 s\u00f3 para cuidar de casa, e n\u00e3o \u00e9. A mulher tem seu espa\u00e7o em qualquer lugar que ela quiser chegar. Ela vai ter que tirar essa timidez fora e essa coisa de que ela tem que ficar s\u00f3 em casa. A mulher pode pilotar avi\u00e3o, a mulher pode fazer tudo. Esse tempo acabou de mulher s\u00f3 do tanque para o fog\u00e3o. \u00c9 para isso que temos que chegar l\u00e1\u201d, afirmou a quilombola de 76 anos, Maria Gon\u00e7alves de Freitas. Moradora do quilombo Zumbi dos Palmares, Senhor do Bom Fim, Bahia.\u00a0<\/p>\n<p>M\u00e3e de sete filhos, 34 netos e 27 bisnetos, Maria afirmou que movimento \u00e9 para acabar com esse racismo, com o preconceito. \u201cTemos que ter liberdade, sermos livre.\u201d<\/p>\n<p><imgsrc=\"\"><br \/>\nMaria Gon\u00e7alves de Freitas, quilombola de 76 anos, \u00e9 moradora do quilombo Zumbi dos Palmares, Senhor do Bom Fim, Bahia \/ Foto: Fabiana Reinholz<\/p>\n<hr>\n<p><a href=\"https:\/\/api.whatsapp.com\/send?phone=5551998132796&amp;text=Quero%20receber%20not%C3%ADcias%20do%20Brasil%20de%20Fato%20RS\"><imgsrc=\"\"><\/a><\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/o-silencio-do-papa-leao-14-sobre-os-abusos-sexuais-por-padres-na-america-latina\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; 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Mas sou m\u00e3e da esperan\u00e7a, porque eu vou dizer para minha filha que eu vim de um encontro de mulheres corajosas, valentes, amorosas, sofridas e determinadas, que faz poss\u00edvel nos encararmos e enfrentar a fome.\u201d\u00a0 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-8377","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-uncategorized"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8377","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8377"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8377\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8377"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8377"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8377"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}