{"id":83780,"date":"2026-04-18T18:42:21","date_gmt":"2026-04-18T21:42:21","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/anhangabau-hora-de-desprivatizar-os-espacos-publicos\/"},"modified":"2026-04-18T18:42:21","modified_gmt":"2026-04-18T21:42:21","slug":"anhangabau-hora-de-desprivatizar-os-espacos-publicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/anhangabau-hora-de-desprivatizar-os-espacos-publicos\/","title":{"rendered":"Anhangaba\u00fa: Hora de desprivatizar os espa\u00e7os p\u00fablicos"},"content":{"rendered":"<figure><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1500\" height=\"1000\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/3ee07b692b6d5fda4df086b59245289392e84c86-1600x1067-1.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/04\/18184111\/3ee07b692b6d5fda4df086b59245289392e84c86-1600x1067-1-1500x1000.jpg 1500w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/04\/18184111\/3ee07b692b6d5fda4df086b59245289392e84c86-1600x1067-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/04\/18184111\/3ee07b692b6d5fda4df086b59245289392e84c86-1600x1067-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/04\/18184111\/3ee07b692b6d5fda4df086b59245289392e84c86-1600x1067-1-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/04\/18184111\/3ee07b692b6d5fda4df086b59245289392e84c86-1600x1067-1-272x182.jpg 272w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/3ee07b692b6d5fda4df086b59245289392e84c86-1600x1067-1.jpg 1600w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\"><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>\u2014 Aqui \u00e9 um \u00f3rg\u00e3o privado, n\u00e3o um \u00f3rg\u00e3o p\u00fablico. \u00c9 fechado, \u00e9 da WTorres, que cede espa\u00e7o para a Prefeitura \u2014 diz o seguran\u00e7a privado da emblem\u00e1tica pra\u00e7a do Vale do Anhangaba\u00fa, centro de S\u00e3o Paulo, ao vereador Nabil Bonduki, que ficou confuso com a l\u00f3gica deturpada: n\u00e3o \u00e9 o contr\u00e1rio? Claro, o trabalhador nada tem a ver com a engrenagem privatista de um espa\u00e7o p\u00fablico emblem\u00e1tico da cidade; suas palavras s\u00e3o orienta\u00e7\u00f5es da chefia.<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 cinco anos, o novo Anhangaba\u00fa foi reaberto ao p\u00fablico ap\u00f3s uma reforma que custou R$ 105,6 milh\u00f5es aos cofres da Prefeitura. Desde ent\u00e3o, o local \u00e9 administrado pelo cons\u00f3rcio Viva o Vale, ligado \u00e0 construtora WTorre \u2014 que, nesse per\u00edodo, acumulou infra\u00e7\u00f5es. Ao todo, foram 32 multas, somando cerca de R$ 1,5 milh\u00e3o em d\u00e9bitos com o poder p\u00fablico. Fiscaliza\u00e7\u00f5es da Prefeitura em 2022 j\u00e1 haviam apontado a falta de itens essenciais, como bebedouros, wi-fi e a ativa\u00e7\u00e3o dos quiosques. E a pra\u00e7a tornou-se um p\u00e9ssimo vizinho: moradores da regi\u00e3o ao redor relatam problemas frequentes com barulho, principalmente durante festas de m\u00fasica eletr\u00f4nica at\u00e9 o dia raiar. Os eventos chegavam a ter ingressos de R$ 1.200, som alto e luzes intensas. Com este hist\u00f3rico de descumprimentos, a gest\u00e3o municipal j\u00e1 havia proibido, a partir deste ano, apresenta\u00e7\u00f5es musicais ap\u00f3s as 23h no local. Havia tamb\u00e9m um inc\u00f4modo para quem passeava nas redondezas: um espa\u00e7o que deveria ser p\u00fablico, mas que, constantemente, estava interditado por gradis e seguran\u00e7as privados e ocupado por gigantescas tendas para grandes eventos.\u00a0<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o entre a WTorre e a Prefeitura azedou de vez quando a concession\u00e1ria prop\u00f4s, em agosto de 2025, implantar um estacionamento com 333 vagas, o que iria abocanhar parte significativa do Anhangaba\u00fa. <em>Prop\u00f4s<\/em> \u00e9 uma maneira de falar: o projeto estava em curso, j\u00e1 com grades, guarda-s\u00f3is e cobran\u00e7a de valet para receber carros, sem autoriza\u00e7\u00e3o municipal. Bonduki denunciou isto no come\u00e7o deste m\u00eas. E algo parece ter se mexido na burocracia paulistana. A Secretaria Municipal das Subprefeituras apreendeu os equipamentos instalados e notificou a concession\u00e1ria por infra\u00e7\u00e3o contratual. A Viva o Vale ainda far\u00e1 sua defesa, mas se prop\u00f4s a negociar e poss\u00edveis adequa\u00e7\u00f5es. O prefeito Ricardo Nunes, por\u00e9m, parece dar por certo o fim da \u201cparceria\u201d, inclusive anunciando estar em contato com outros <em>players<\/em> para assumir\u00a0 a gest\u00e3o da pra\u00e7a emblem\u00e1tica da capital paulista.\u00a0<\/p>\n<div>\n<div><img decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/1-36.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/1-36.png 680w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2025\/12\/04164347\/15-300x110.png 300w\" sizes=\"(max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Nabil comemora o fato, mas ainda n\u00e3o estoura champanhe. A volta da Pra\u00e7a para a gest\u00e3o p\u00fablica ainda precisa ser formalizada, sublinha \u2014 e aponta uma vantagem neste processo em curso: o setor privado sequer ter\u00e1 a possibilidade de pleitear indeniza\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que n\u00e3o realizou qualquer investimento na reforma \u2014 integralmente custeada pela Prefeitura. Esta, por sua vez, poder\u00e1 alegar perdas e danos decorrentes da deteriora\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o e exigir o devido ressarcimento.<\/p>\n<p>S\u00e3o Paulo est\u00e1 repleta de concess\u00f5es question\u00e1veis de grandes espa\u00e7os p\u00fablicos, especialmente parques bem localizados e de grandes dimens\u00f5es, mas a da pra\u00e7a do Vale do Anhangaba\u00fa \u00e9 escandalosa por dois motivos. Primeiro, como sublinha o vereador, n\u00e3o h\u00e1 sustenta\u00e7\u00e3o legal para entregar o espa\u00e7o para as m\u00e3os do privado: sequer houve aprova\u00e7\u00e3o na C\u00e2mara dos Vereadores e foi utilizada uma brecha legal na Lei Municipal de Desestatiza\u00e7\u00e3o, que permite a concess\u00e3o de espa\u00e7os sob viadutos. Uma artimanha, claro: o Anhangaba\u00fa tem uma parte bem pequena coberta pelo Viaduto do Ch\u00e1.\u00a0<\/p>\n<p>O outro fator \u00e9 a descarada incapacidade administrativa da WTorre. Um urbanista disse ao G1, por exemplo, que o plano de estacionamento na Pra\u00e7a foi como se a empresa dissesse: \u201c\u2018eu n\u00e3o quero mais isso. Pega de volta, pelo amor de Deus. E eu vou te dar motivos pra isso\u2019\u201d. Bonduki n\u00e3o enxerga uma estrat\u00e9gia elaborada por parte da concession\u00e1ria; para ele, a empresa simplesmente apostou na impunidade. A l\u00f3gica era a de que haveria pouca repercuss\u00e3o na opini\u00e3o p\u00fablica e que ela poderia seguir acumulando infra\u00e7\u00f5es \u2014 afinal, as multas, \u00e9 comum na rela\u00e7\u00e3o entre p\u00fablico e privado, acabam caindo num \u201climbo jur\u00eddico\u201d.<\/p>\n<p>Bem, parece que a concession\u00e1ria calculou mal.\u00a0<\/p>\n<p><strong>Shoppings ao ar livre<\/strong><\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, diversos espa\u00e7os p\u00fablicos de S\u00e3o Paulo passaram a ser tratados como ativos capazes de gerar receita \u2014 e, por isso, tornaram-se alvo de processos de privatiza\u00e7\u00e3o. Embora o Anhangaba\u00fa seja formalmente uma pra\u00e7a, sua escala e relev\u00e2ncia hist\u00f3rica o aproximam da l\u00f3gica aplicada aos parques urbanos, hoje no centro dessas disputas.<\/p>\n<p>Este movimento \u00e9 intenso em outras capitais nos \u00faltimos anos. Em 2024, por exemplo, a Prefeitura do Rio lan\u00e7ou o programa Parques Cariocas, voltado \u00e0 concess\u00e3o de \u00e1reas verdes \u00e0 iniciativa privada. O alvo n\u00e3o deixa d\u00favidas: espa\u00e7os valorizados, como o Parque Garota de Ipanema, o Parque Natural Municipal do Penhasco Dois Irm\u00e3os, no Leblon, e o Parque da Cidade, na G\u00e1vea. A primeira rodada, em 2025, esfriou \u2014 faltaram interessados. Agora, a gest\u00e3o tenta novamente, com novo leil\u00e3o na Bolsa de Valores.<\/p>\n<div>\n<div><img decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/HUCITEC-basaglia3-3.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/HUCITEC-basaglia3-3.png 728w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2025\/08\/31182111\/HUCITEC-basaglia3-300x37.png 300w\" sizes=\"(max-width: 728px) 100vw, 728px\" width=\"728\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Em Salvador, a prefeitura concedeu o Parque Urbano da Orla, que abrange praias como Boca do Rio, dos Artistas, Pitua\u00e7u e Patamares \u2014 \u00e1rea rec\u00e9m-requalificada com recursos p\u00fablicos. No Recife, quatro parques passaram \u00e0 gest\u00e3o privada: Jaqueira, Santana e Apipucos, na Zona Norte, al\u00e9m do Dona Lindu, na Zona Sul. Em Jo\u00e3o Pessoa, o prefeito C\u00edcero Lucena avalia seguir o mesmo caminho. J\u00e1 em Florian\u00f3polis, um projeto enviado \u00e0 C\u00e2mara autoriza a concess\u00e3o de mais de 600 \u00e1reas p\u00fablicas para explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, concentradas sobretudo no Centro.<\/p>\n<p>Em geral, funciona assim: a empresa privada que assume a concess\u00e3o de grandes espa\u00e7os p\u00fablicos precisa gerar rentabilidade para cobrir custos de manuten\u00e7\u00e3o, limpeza e reparos, alugando o espa\u00e7o para eventos e feiras. Em alguns casos, embora ainda n\u00e3o tenha sido aplicada a parques p\u00fablicos em S\u00e3o Paulo, h\u00e1 a venda de <em>naming rights<\/em> \u2014 ou seja, a altera\u00e7\u00e3o de nome de um local emblem\u00e1tico, como o Est\u00e1dio Pacaembu, que agora chama-se Arena Mercado Livre Pacaembu, algo j\u00e1 frequente em esta\u00e7\u00f5es de metr\u00f4 tamb\u00e9m.\u00a0<\/p>\n<p>O cerne desse modelo \u00e9 o \u201ccercamento\u201d de bens coletivos, permitindo que o controle monopolista do espa\u00e7o urbano gere ganhos imobili\u00e1rios imediatos, aventa Beatriz Rufino, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP que, recentemente, concluiu tese de livre doc\u00eancia sobre privatiza\u00e7\u00e3o das infraestruturas urbanas. \u201cOs parques em localiza\u00e7\u00f5es privilegiadas viraram espa\u00e7os comerciais a c\u00e9u aberto. E, numa cidade onde o verde \u00e9 raro e precisa cumprir fun\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas, n\u00e3o podemos abrir m\u00e3o de que sejam geridos a partir de interesses sociais \u2014 e n\u00e3o de interesses financeiros e de retorno, que tamb\u00e9m afetam a fauna e a flora\u201d, diz ela.<\/p>\n<p>H\u00e1 um boom de \u201cconcess\u00f5es\u201d,<em> em termos<\/em>. A Prefeitura \u00e9 a gestora de 119 parques na cidade \u2014 outros 16, incluindo os de preserva\u00e7\u00e3o ambiental, s\u00e3o administrados pelo governo estadual. A concess\u00e3o ainda representa uma parcela minorit\u00e1ria em n\u00famero, mas majorit\u00e1ria em relev\u00e2ncia \u2014 pois atinge os parques mais centrais, vis\u00edveis e valorizados. N\u00e3o se trata, portanto, de uma privatiza\u00e7\u00e3o quantitativa, mas sim seletiva e estrat\u00e9gica para \u201cparcerias\u201d entre o p\u00fablico e o privado.<\/p>\n<p>Um dos casos mais emblem\u00e1ticos \u00e9 o Parque Ibirapuera, cart\u00e3o-postal de S\u00e3o Paulo, com grande fluxo de pessoas \u2014 segundo a Secretaria do Verde, recebeu 4,1 milh\u00f5es de visitas entre janeiro e mar\u00e7o de 2025. Concedido \u00e0 empresa Urbia Gest\u00e3o de Parques em 2019, para abocanhar este fil\u00e3o foi necess\u00e1rio assumir a gest\u00e3o de outros tr\u00eas parques, localizados nas periferias da cidade. Em suas pesquisas, a professora Beatriz Rufino analisou a disparidade: as melhorias nestes outros tr\u00eas parques s\u00e3o praticamente inexistentes e at\u00e9 a manuten\u00e7\u00e3o \u00e9 muito prec\u00e1ria. E, ainda, o seu parque-vitrine, o Ibirapuera, \u00e9 alvo de diversas cr\u00edticas. Ano passado, ap\u00f3s uma vistoria t\u00e9cnica, o Minist\u00e9rio P\u00fablico apontou uma \u201celitiza\u00e7\u00e3o\u201d e a transforma\u00e7\u00e3o do parque em uma esp\u00e9cie de shopping center, com uso predat\u00f3rio por interesses comerciais. Constatou remo\u00e7\u00e3o ilegal de \u00e1rvores, asfaltamento de \u00e1reas verdes e pre\u00e7os \u201cinacess\u00edveis\u201d de servi\u00e7os no parque. Outras den\u00fancias apontam o cerceamento no uso da Marquise do Ibirapuera e cobran\u00e7a de taxas de \u201cassessoria esportiva\u201d aos <em>personal trainers<\/em>. Soma-se a isso a explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do Audit\u00f3rio do Ibirapuera: pouqu\u00edssimos eventos no local s\u00e3o abertos ao p\u00fablico, utilizado frequentemente para eventos corporativos \u2014 como o lan\u00e7amento da vers\u00e3o el\u00e9trica do Rolls Royce, exclusivo para 30 convidados \u2014 ou para festas com ingressos a R$ 1.000, como o C6 Fest.<\/p>\n<p>Outro caso paulistano \u00e9 o Parque Villa-Lobos, concedido pelo governo estadual ao cons\u00f3rcio Novos Parques Urbanos em 2022. Assim como o Anhangaba\u00fa, a presen\u00e7a de gradis para delimitar \u00e1reas para grandes eventos \u00e9 um inc\u00f4modo frequente a quem o visita. H\u00e1 a ocupa\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os verdes com infraestrutura comercial \u2014 como restaurantes e coworkings \u2014 e a redu\u00e7\u00e3o de \u00e1reas de conviv\u00eancia livre. H\u00e1 reclama\u00e7\u00f5es frequentes de banheiros deteriorados, bebedouros quebrados, quadras esportivas com problemas e \u00e1reas verdes com menos cuidado. Em 2025, a Arsesp (Ag\u00eancia Reguladora de Servi\u00e7os P\u00fablicos do Estado de S\u00e3o Paulo) multou a concession\u00e1ria devido a falhas na manuten\u00e7\u00e3o. Falta, ainda, transpar\u00eancia: h\u00e1 uma s\u00e9rie de reclama\u00e7\u00f5es sobre a clareza dos projetos e a aus\u00eancia do Conselho do Parque nas decis\u00f5es relativas \u00e0s mudan\u00e7as.<\/p>\n<p>O argumento para este \u201ccerceamento de bens coletivos\u201d de que fala Beatriz \u00e9 a austeridade fiscal: as contas n\u00e3o fecham, os parques t\u00eam alto custo de manuten\u00e7\u00e3o e o melhor a se fazer \u00e9 uma parceria com o setor privado. Nabil sustenta que esta narrativa n\u00e3o cola mais no caso de S\u00e3o Paulo: desde 2017, diz ele, o munic\u00edpio enfim superou totalmente uma grave crise fiscal, cuja d\u00edvida com o governo federal drenava 13% do or\u00e7amento do munic\u00edpio. N\u00e3o faz sentido, portanto, renunciar a espa\u00e7os t\u00e3o importantes para a vida urbana em favor do setor privado \u2014 \u201cainda mais com \u2018parcerias\u2019 que descaracterizam a natureza dos parques, permitindo a\u00e7\u00f5es incompat\u00edveis com suas fun\u00e7\u00f5es de tranquilidade e sil\u00eancio\u201d. Vem \u00e0 sua cabe\u00e7a uma analogia pertinente, felizmente ainda n\u00e3o explorada por conluios entre o p\u00fablico e o privado: \u201cNo limite, seria como conceder as ruas da cidade a uma empresa privada: ela ficaria respons\u00e1vel por tapar buracos, organizar o tr\u00e2nsito, cuidar dos sem\u00e1foros e, em contrapartida, cobraria ped\u00e1gio de quem circula por elas.\u201d<\/p>\n<p>Esse caminho privatista s\u00f3 se fortalece. O governo de S\u00e3o Paulo, por exemplo, publicou no in\u00edcio deste m\u00eas o edital para a concess\u00e3o de seis parques urbanos da cidade \u00e0 iniciativa privada. O leil\u00e3o est\u00e1 marcado para julho, na sede da B3, no centro da capital. A prefeitura tamb\u00e9m cogita implantar um polo gastron\u00f4mico no Parque Augusta, com quiosques, food trucks, restaurantes, caf\u00e9s e lanchonetes \u2014 algo incompat\u00edvel com a voca\u00e7\u00e3o de uma \u00e1rea verde que deveria ser protegida. A oferta de servi\u00e7os, ali\u00e1s, poderia ser feita de outra forma: estimulando o com\u00e9rcio local do entorno e ocupando espa\u00e7os j\u00e1 adequados a essa finalidade.<\/p>\n<p><strong>A \u201cdesestatiza\u00e7\u00e3o\u201d chega aos munic\u00edpios<\/strong><\/p>\n<p>Entender por que uma prefeitura privatiza um espa\u00e7o p\u00fablico como o Anhangaba\u00fa exige compreender todo um processo de d\u00e9cadas do Estado brasileiro para atrair o capital global \u2014 uma pesada engenharia financeira acompanhada de marcos regulat\u00f3rios. Beatriz dedicou anos de pesquisa a isso. O grande marco, claro, \u00e9 o Programa Nacional de Desestatiza\u00e7\u00e3o do governo Collor, seguido pela \u201cprivataria tucana\u201d, como dizia o jornalista Amaury Ribeiro J\u00fanior, nos governos FHC.<\/p>\n<p>Mas vieram outras movimenta\u00e7\u00f5es pol\u00edticas em governos progressistas. Em 2014, Lula sancionou a lei que instituiu as PPPs (Parcerias P\u00fablico-Privadas), considerada pelo governo como fundamental para garantir o crescimento econ\u00f4mico por meio de investimentos privados, sobretudo em infraestrutura. Era o contexto dos megaeventos, como os Jogos Pan-Americanos e as Olimp\u00edadas. Ao longo dos anos \u2014 entre o golpe, o avan\u00e7o da ultradireita, a institucionaliza\u00e7\u00e3o da \u201cdesestatiza\u00e7\u00e3o\u201d em pasta governamental, a sa\u00edda das grandes empreiteiras como <em>players<\/em> pol\u00edticos e a consolida\u00e7\u00e3o da narrativa de austeridade fiscal \u2014 essa l\u00f3gica saltou dos grandes projetos desenvolvimentistas para as gest\u00f5es municipais.<\/p>\n<p>Gradualmente, foram se consolidando marcos regulat\u00f3rios para os pr\u00f3prios munic\u00edpios implementarem suas pol\u00edticas privatistas \u2014 pr\u00e1tica que se generalizou, a partir de 2018, com a expans\u00e3o de contratos municipais de menor porte. Isso deu mais seguran\u00e7a ao capital para investir em infraestruturas totalmente <em>dentro da cidade<\/em>, algo que, em d\u00e9cadas anteriores, era visto como \u201carriscado\u201d por estar sujeito a mobiliza\u00e7\u00f5es populares \u2014 como ocorreu nas revoltas contra os trens prec\u00e1rios nos anos 1980 e 1990 e nas Jornadas de Junho de 2013.\u00a0<\/p>\n<p>Todo esse processo \u2014 que atravessa setores como energia el\u00e9trica, saneamento e transporte p\u00fablico \u2014 \u00e9 fundamental para compreender o avan\u00e7o recente das privatiza\u00e7\u00f5es de espa\u00e7os p\u00fablicos, como parques e pra\u00e7as, sobretudo na \u00faltima d\u00e9cada. Afinal, consolidou-se, assim, o que a professora da USP denomina de \u201cneoliberalismo patrimonial\u201d: um arranjo no qual o Estado reorganiza o territ\u00f3rio para converter o bem comum em ativo financeiro. \u201cA contradi\u00e7\u00e3o nos parques \u00e9 clara: embora haja o compromisso de manter o espa\u00e7o p\u00fablico, a concession\u00e1ria passa a buscar ativamente novas fontes de renda a partir dele. O parque se torna uma vitrine \u2014 em um deles, a pr\u00f3pria concession\u00e1ria afirmou que o local funciona como um \u2018laborat\u00f3rio de marcas\u2019 onde as empresas testam o que funciona ou n\u00e3o. Essa l\u00f3gica reproduz algo que o mercado imobili\u00e1rio j\u00e1 faz: concentrar investimentos em determinados espa\u00e7os da cidade.\u201d<\/p>\n<p>Isso pode, inclusive, gerar mais custos ao poder p\u00fablico \u2014 como mostra um exemplo atual\u00edssimo, embora de mais de cinquenta anos atr\u00e1s: \u201cas ferrovias, no s\u00e9culo XIX, foram todas estatizadas porque deixaram de interessar ao setor privado. Quando o Estado as reassumiu, as condi\u00e7\u00f5es de deteriora\u00e7\u00e3o eram enormes, o que exigiu pesados reinvestimentos. O discurso de curto prazo, portanto, \u00e9 uma conta falsa: a l\u00f3gica, a estrutura e os contratos \u2014 com todas as suas brechas \u2014 visam capturar o m\u00e1ximo de recursos. No longo prazo, os custos se tornam imprevis\u00edveis\u201d, conta a urbanista da USP.<\/p>\n<p><strong>A disputa pelo espa\u00e7o p\u00fablico<\/strong><\/p>\n<p>Com a privatiza\u00e7\u00e3o, geralmente a popula\u00e7\u00e3o percebe uma sensa\u00e7\u00e3o de melhora na limpeza, moderniza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o, manuten\u00e7\u00e3o constante e organiza\u00e7\u00e3o eficiente \u2014 algo que contrasta fortemente com a zeladoria urbana do munic\u00edpio, marcada pelo sucateamento e pela inefici\u00eancia: equipamentos quebrados, manuten\u00e7\u00e3o irregular, falta de funcion\u00e1rios e degrada\u00e7\u00e3o gradual das \u00e1reas. No entanto, ceder os espa\u00e7os p\u00fablicos ao privado est\u00e1 longe de resolver esse problema persistente. Mesmo com as concess\u00f5es ao privado em \u00e1reas centrais e ricas, ou que em tese \u201caliviariam gastos e trabalho\u201d, a zeladoria p\u00fablica continua irregular ou prec\u00e1ria nas periferias \u2014 e instrumentalizada em per\u00edodos eleitorais, como obras para \u201ctapar buracos\u201d nas ruas da cidade.\u00a0<\/p>\n<p>Beatriz lembra que, muitas vezes, isso envolve aspectos que nem sequer consideramos na privatiza\u00e7\u00e3o \u2014 como a precariza\u00e7\u00e3o do trabalho. Saem funcion\u00e1rios do Estado (que j\u00e1 passa por um forte processo de terceiriza\u00e7\u00e3o) e entram outros com remunera\u00e7\u00f5es reduzidas e condi\u00e7\u00f5es mais prec\u00e1rias. \u201cH\u00e1 ainda uma contradi\u00e7\u00e3o nesse processo: embora no in\u00edcio houvesse grandes empresas, aos poucos foram surgindo outras que, muitas vezes, n\u00e3o tinham capacidade ou experi\u00eancia para gerir esses espa\u00e7os\u201d, pontua ela. \u201cO Estado abre m\u00e3o do conhecimento que tinha sobre a gest\u00e3o de parques e o transfere, em alguns casos, para gestores sem qualquer experi\u00eancia \u2014 e o olhar deles \u00e9 sempre o mesmo: como maximizar os lucros\u201d.<\/p>\n<p>A luta pela desmercantiliza\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os p\u00fablicos ganha f\u00f4lego nas cidades, mas ainda est\u00e1 em forma\u00e7\u00e3o. Ela come\u00e7a a articular agendas que historicamente caminharam em paralelo: de um lado, o direito \u00e0 moradia digna, com grande trajet\u00f3ria nas lutas sociais, defendido pelos principais movimentos populares; de outro, a Tarifa Zero, que emergiu nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas com os novos ativismos urbanos. \u00c9, portanto, um processo em curso.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cO cotidiano dos movimentos sociais diz muito, e vejo pot\u00eancia justamente porque os parques s\u00e3o equipamentos coletivos. Eles geram mobiliza\u00e7\u00e3o intensa, ainda que difusa e nem sempre articulada. Essa pot\u00eancia se organiza em torno de reivindica\u00e7\u00f5es e pressiona os entes p\u00fablicos \u2014 pela retomada de uma situa\u00e7\u00e3o mais desmercantilizada, em que os parques n\u00e3o sejam tratados como mercadorias extensivamente exploradas por novos agentes\u201d, diz a pesquisadora.<\/p>\n<p>Nabil acredita que o fim da concess\u00e3o do Anhangaba\u00fa, quando concretizada, pode abrir um \u201cprecedente interessante\u201d. \u201cAgora, vai depender do seguinte \u2014 vamos dizer assim \u2014 se a prefeitura retoma o lugar e abandona, deixa precarizado, a\u00ed vira uma contrapropaganda: \u2018Est\u00e1 vendo? A concess\u00e3o era melhor.\u2019 E como essa prefeitura \u00e9 muito relapsa na zeladoria, muito pouco eficiente em cuidar dos espa\u00e7os, eu temo \u2014 vou usar esse termo \u2014 que, de repente, ela possa deixar isso deteriorar exatamente para n\u00e3o alimentar um movimento que questione outras concess\u00f5es. Depende disso.\u201d<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. Se voc\u00ea valoriza nossa produ\u00e7\u00e3o, seja nosso apoiador e fortale\u00e7a o jornalismo cr\u00edtico: <strong>apoia.se\/outraspalavras<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>The post Anhangaba\u00fa: Hora de desprivatizar os espa\u00e7os p\u00fablicos appeared first on Outras Palavras.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/inflacao-nos-eua-ultrapassa-4-meses-antes-das-eleicoes-legislativas\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/marriner_s_eccles_federal_reserve_board_building-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Infla\u00e7\u00e3o nos EUA ultrapassa 4% meses antes das ele...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/analista-politico-afirma-que-ira-tem-resiliencia-e-esta-mostrando-que-vai-seguir-de-cabeca-erguida\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Analista pol\u00edtico afirma que Ir\u00e3 tem resili\u00eancia e...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/preco-dos-combustiveis-distribuidores-e-postos-elevam-margem-de-lucro-e-nao-repassam-cortes-da-petrobras\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-05-14-as-095237_feff1564-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Pre\u00e7o dos combust\u00edveis: distribuidores e postos el...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/nova-politica-de-ead-impoe-freios-a-expansao-descontrolada-do-ensino-remoto\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Captura-de-Tela-2025-05-20-as-163844-2048x1368-1-150x150.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Nova Pol\u00edtica de EaD imp\u00f5e freios \u00e0 expans\u00e3o desco...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por que os parques e pra\u00e7as tornaram-se lucrativos ativos financeiros? Como \u00e1reas de conv\u00edvio e natureza s\u00e3o sitiadas? O que isto diz sobre a mercantiliza\u00e7\u00e3o das cidades? Revoga\u00e7\u00e3o da \u201cconcess\u00e3o\u201d da emblem\u00e1tica pra\u00e7a de SP mostra urg\u00eancia de lutar contra este processo<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/outras-cidades\/anhangabau-hora-de-desprivatizar-os-espacos-publicos\/\">Anhangaba\u00fa: Hora de desprivatizar os espa\u00e7os p\u00fablicos<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":83781,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[30105,48826,48827,48828,48829,48830],"tags":[],"class_list":["post-83780","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-outras-cidades","category-parque-ibirapuera","category-praca-do-anhangabau","category-privatizacao-do-espacos-publicos","category-privatizacoes-municipais","category-wtorres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83780","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=83780"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83780\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/83781"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=83780"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=83780"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=83780"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}