{"id":84079,"date":"2026-04-22T11:24:13","date_gmt":"2026-04-22T14:24:13","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/abandono-jornadas-vitalicias-e-acesso-a-terra-os-desafios-do-trabalhador-e-trabalhadora-rural\/"},"modified":"2026-04-22T11:24:13","modified_gmt":"2026-04-22T14:24:13","slug":"abandono-jornadas-vitalicias-e-acesso-a-terra-os-desafios-do-trabalhador-e-trabalhadora-rural","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/abandono-jornadas-vitalicias-e-acesso-a-terra-os-desafios-do-trabalhador-e-trabalhadora-rural\/","title":{"rendered":"Abandono, jornadas vital\u00edcias e acesso \u00e0 terra: os desafios do trabalhador e trabalhadora rural"},"content":{"rendered":"<figure><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-18.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-18-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-18-300x200.jpg 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-18-768x512.jpg 768w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-18-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-18.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption><em>Trabalhadores rurais reivindicam programas de incentivo, de acesso e tamb\u00e9m de divulga\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia e da relev\u00e2ncia do trabalho feito pela agricultura familiar | Foto: Pablo Albarenga<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Por Clarissa Londero<br \/>Do Brasil de Fato<\/em><\/p>\n<p>O\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2026\/04\/06\/rio-grande-do-sul-pretende-organizar-o-maior-1o-de-maio-de-sua-historia-com-o-festival-dos-trabalhadores\/\">Festival do Trabalhador e da Trabalhadora<\/a>, no 1\u00ba de Maio, se aproxima, e nossa reportagem investigou junto aos agricultores e lideran\u00e7as do campo quais seriam as pautas trazidas por essa categoria caso o olhar se voltasse prioritariamente aos trabalhadores rurais. Para os\/as entrevistados\/as, muitas das dificuldades enfrentadas por quem atua na\u00a0agricultura familiar\u00a0passam pelo esquecimento e pela invisibiliza\u00e7\u00e3o dessas pessoas e tamb\u00e9m dos direitos vinculados \u00e0 terra.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2020\/02\/01\/agroecologia-livro-pioneiro-sera-reeditado-por-sebastiao-pinheiro\/\">Sebasti\u00e3o Pinheiro<\/a>\u00a0\u00e9 agr\u00f4nomo e ativista de movimentos sociais no campo h\u00e1 mais de 50 anos. J\u00e1 esteve em diversos lugares do mundo para forma\u00e7\u00e3o de agricultores e, segundo ele, apenas dois pa\u00edses pautam a legisla\u00e7\u00e3o trabalhista a partir do ponto de vista rural e da agricultura: M\u00e9xico e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2026\/04\/03\/com-66-bilhoes-de-arvores-plantadas-china-lidera-luta-mundial-contra-desertificacao\/\">China<\/a>. Por\u00e9m, conforme o agr\u00f4nomo, a cultura do trabalho no campo aqui no Brasil vem de uma vis\u00e3o euroc\u00eantrica e colonial, e herdou ra\u00edzes feudais em que \u201ca terra era do nobre e o agricultor vivia em servid\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Segundo ele, h\u00e1 um mascaramento do trabalho do agricultor pelo capital. \u201cPela terra, pelo clima, pela depend\u00eancia da natureza, ele [o agricultor] tem uma fun\u00e7\u00e3o e essa fun\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 econ\u00f4mica, \u00e9 muito maior. \u00c9 ele que alimenta a humanidade, e n\u00e3o a ind\u00fastria de alimentos, como dizem. Todos os alimentos, a carne, a alface, o milho, tudo precisa transformar o sol no solo atrav\u00e9s do suor e da organiza\u00e7\u00e3o do trabalho pesado que faz o agricultor. N\u00f3s precisamos que todos saibam o que \u00e9 o alimento e quem o faz de verdade.\u201d<\/p>\n<p>Ainda para Sebasti\u00e3o, a terra n\u00e3o tem um valor econ\u00f4mico, e sim cremat\u00edstico [ci\u00eancia de produzir riqueza]. Ela existe no sistema para produzir riqueza apenas. \u201cMas o biopoder campon\u00eas n\u00e3o \u00e9 cremat\u00edstico. Ele \u00e9 econ\u00f4mico, ele \u00e9 antropol\u00f3gico, ele \u00e9 bem anterior, e precisa ser visto como tal\u201d, afirma.<\/p>\n<figure><figcaption><em>Sebasti\u00e3o Pinheiro, durante forma\u00e7\u00e3o sobre sa\u00fade no solo, no munic\u00edpio de Taquara (RS) | Foto: Clarissa Londero<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>Para al\u00e9m das quest\u00f5es pol\u00edticas e econ\u00f4micas, existe um estigma social pelo qual o agricultor tamb\u00e9m \u00e9 invisibilizado e marginalizado. Vistos muitas vezes como ignorantes e com pouco estudo, os camponeses acabam n\u00e3o encontrando espa\u00e7o de fala junto \u00e0 sociedade. Para Leia Chitto, camponesa e integrante da dire\u00e7\u00e3o estadual do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2021\/01\/19\/artigo-os-25-anos-do-movimento-dos-pequenos-agricultores-mpa\/\">Movimento das Pequenas e Pequenos Agricultores<\/a>\u00a0(MPA), o campo est\u00e1 empobrecido, envelhecido e esquecido, e essa condi\u00e7\u00e3o alimenta ainda mais a sa\u00edda dos jovens para as cidades, em busca de melhores condi\u00e7\u00f5es.\u00a0<\/p>\n<p>Segundo ela, a situa\u00e7\u00e3o atual do campo gera, ainda, perda de autoestima, \u201cque \u00e9 uma coisa que a gente v\u00ea muito forte aqui nos munic\u00edpios, nas comunidades, nos territ\u00f3rios, principalmente pelas mulheres. Perdendo a autoestima, tu n\u00e3o tem mais vontade de produzir, de organizar a propriedade, de participar de nada\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>Quando questionada sobre as formas de reverter essa realidade, Leia afirma que s\u00e3o necess\u00e1rias pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas ao pequeno, que fazem grande diferen\u00e7a no campo. \u201cProgramas de incentivo, de acesso e tamb\u00e9m de divulga\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia e da relev\u00e2ncia do trabalho feito pela agricultura familiar poderiam gerar mais visibilidade e valoriza\u00e7\u00e3o dessas pessoas e sua produ\u00e7\u00e3o\u201d, afirma a lideran\u00e7a do MPA. \u201cJ\u00e1 come\u00e7a ali no munic\u00edpio, o poder p\u00fablico n\u00e3o lembra que tem que fazer um acesso, uma estrada, que tem que levar \u00e1gua. Se tu n\u00e3o tem acesso para levar a produ\u00e7\u00e3o, tu n\u00e3o vai nem se estimular a produzir\u201d, complementa.\u00a0<\/p>\n<figure><figcaption><em>Esquecimento do trabalhador rural passa por estigma social | Foto: Pablo Albarenga<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>Por outro lado, as pautas trazidas pelos sindicatos urbanos tamb\u00e9m afetam o trabalhador campon\u00eas e fazem parte dos direitos defendidos pelos movimentos rurais. Lara Rodrigues, integrante da dire\u00e7\u00e3o nacional do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/tag\/mst-pt\/\">Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra<\/a>\u00a0(MST), afirma que \u201ca gente se contempla porque estamos relacionados. Hoje somos trabalhadores rurais, mas n\u00e3o necessariamente nossos filhos ou familiares tamb\u00e9m sejam. Ent\u00e3o n\u00f3s estamos juntos nessas reivindica\u00e7\u00f5es, principalmente na redu\u00e7\u00e3o de jornada. Quando se coloca na pauta a contrariedade da privatiza\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos, o trabalhador e a trabalhadora rural est\u00e3o inseridos dentro dos munic\u00edpios tamb\u00e9m. Sabemos o que uma privatiza\u00e7\u00e3o \u00e9 capaz de fazer, principalmente no sistema de sa\u00fade.\u201d<\/p>\n<h2>Jornadas de trabalho do campon\u00eas<\/h2>\n<p>Uma das pautas mais fortes trazidas pelo movimento sindical no\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2026\/04\/17\/1o-de-maio-gaucho-se-reinventa-unindo-memoria-mobilizacao-cultura-e-lazer-em-2026\/\">1\u00ba de Maio<\/a>\u00a0\u00e9 sobre as jornadas de trabalho. A escala\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/tag\/escala-6x1\/\">6\u00d71<\/a>, por exemplo, vem puxando a pauta que pede redu\u00e7\u00e3o da jornada. Para o trabalhador rural, no entanto, essa jornada sempre foi de 7\u00d70 e durante toda a vida, como afirma Lara Rodrigues. \u201cA gente sabe que o trabalho na agricultura inicia muito cedo, porque ele \u00e9 um trabalho vinculado \u00e0 estrutura familiar.\u201d\u00a0<\/p>\n<p>J\u00e1 Sebasti\u00e3o Pinheiro faz um retrato social a partir das suas viv\u00eancias com as fam\u00edlias agricultoras, afirmando que \u201co agricultor trabalha 365 para zero, a vida toda. Ele trabalha 24 horas desde os 5 anos de idade at\u00e9 a morte. Entende? Crian\u00e7a, homem, mulher e velho\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>Nesse sentido, as lideran\u00e7as dos movimentos rurais pedem melhorias nas condi\u00e7\u00f5es de trabalho, j\u00e1 que as jornadas s\u00e3o longas no campo. A possibilidade de cr\u00e9dito voltado a implementos e maquin\u00e1rios facilita a vida do agricultor e permite uma jornada de trabalho mais leve e facilitada. Por exemplo, \u201cseja um motor pra tocar \u00e1gua que n\u00e3o precise ir buscar, seja uma irriga\u00e7\u00e3o que n\u00e3o precise ir molhar as verduras\u201d, explica Leia Chitto.\u00a0<\/p>\n<figure><figcaption><em>O cuidado \u00e9 di\u00e1rio na produ\u00e7\u00e3o de alimentos, e a tecnologia pode deixar essas tarefas mais leves | Foto: Pablo Albarenga<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>J\u00e1 a lideran\u00e7a do MST Lara Rodrigues traz uma perspectiva de redu\u00e7\u00e3o das jornadas de trabalho atrav\u00e9s do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2026\/03\/20\/o-grao-dourado-que-alimenta-a-esperanca-e-celebrado-na-festa-da-colheita-do-arroz-agroecologico\/\">cooperativismo<\/a>. Realizando os trabalhos no campo de forma coletiva e cooperada, \u00e9 poss\u00edvel alternar escalas de cuidados com as produ\u00e7\u00f5es. \u201cTu pega um lugar no Interior que as pessoas tiram leite, por exemplo, que \u00e9 algo que precisa ser feito todo dia. Tem um companheiro nosso que diz que at\u00e9 no dia do teu casamento tu tem que tirar leite de vaca. Em um trabalho coletivo, \u00e9 poss\u00edvel melhorar a forma de viver, reduzindo essa escala exaustiva, podendo folgar e at\u00e9 viajar\u201d, conta ela. Como uma forma de reduzir as jornadas, uma das pautas incentivadas pelo movimento \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o de cadeias produtivas e o trabalho cooperativado.\u00a0<\/p>\n<h2>Feminic\u00eddio e o fortalecimento das mulheres no campo<\/h2>\n<p>Outra pauta trazida pelo\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/festivaldostrabalhadores2026?igsh=MXd0YzhqdDRva2s0OA==\">Festival do Trabalhador e da Trabalhadora<\/a>\u00a0\u00e9 o combate ao\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/image_processing20241204-1646881-i0s6j8.webp\">feminic\u00eddio<\/a>. Nesse aspecto, a realidade urbana e rural se conectam e evidenciam a necessidade de fortalecimento da mulher e do combate \u00e0 masculinidade t\u00f3xica.<\/p>\n<p>No campo, \u201ctem muita viol\u00eancia contra mulher, n\u00e3o s\u00f3 pelo companheiro, mas pela comunidade, pela sociedade. \u00c9 em todo o territ\u00f3rio, onde a gente vive e com quem se relaciona, acontecendo diariamente\u201d, afirma Leia Chitto, lideran\u00e7a feminina na sua regi\u00e3o. Para ela, \u00e9 not\u00e1vel o aumento de pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas \u00e0 mulher, e isso est\u00e1 estimulando que elas fa\u00e7am seus projetos e se fortale\u00e7am enquanto indiv\u00edduos e enquanto grupo.\u00a0<\/p>\n<figure><figcaption><em>Leia trabalha com grupos de mulheres e utiliza as plantas medicinais como forma de gera\u00e7\u00e3o de renda e tamb\u00e9m de tratamento a diversas doen\u00e7as f\u00edsicas e emocionais | Foto: Clarissa Londero<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>Atrav\u00e9s das viv\u00eancias aprendidas no M\u00e9xico, Sebasti\u00e3o Pinheiro afirma que o pa\u00eds \u00e9, novamente, exemplo de cultura social. \u201cPorque no M\u00e9xico de 10 mil anos, a mulher tinha uma por\u00e7\u00e3o de terra que n\u00e3o era da comunidade. Era administrado s\u00f3 pelas mulheres para fazer as coisas que elas precisavam e sem pedir permiss\u00e3o a ningu\u00e9m. Por mais que a realidade hoje tenha mudado, essa cultura de valoriza\u00e7\u00e3o da mulher na terra permanece\u201d, afirma ele.<\/p>\n<p>Como movimento popular, o MST tamb\u00e9m promove debates sobre feminismo, inclusive incentivando esse debate entre os homens, conta Lara. \u201cFazemos essa discuss\u00e3o sobre o patriarcado e a masculinidade t\u00f3xica. O movimento h\u00e1 muitos anos vem fazendo esse debate sobre quest\u00f5es de g\u00eanero e a import\u00e2ncia da participa\u00e7\u00e3o das companheiras. \u00c9 uma palavra de ordem na constru\u00e7\u00e3o de uma nova sociedade, pois n\u00e3o haver\u00e1 uma nova sociedade sem a constru\u00e7\u00e3o de um feminismo\u201d, afirma a lideran\u00e7a.<\/p>\n<figure><figcaption><em>Pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas \u00e0 mulher no campo tem fortalecido a pauta feminista e tamb\u00e9m os n\u00facleos familiares | Foto: Pablo Albarenga<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<h2>Pautas espec\u00edficas do trabalhador rural<\/h2>\n<p>Para melhoria das condi\u00e7\u00f5es de trabalho dos agricultores familiares, tanto o MST quanto o MPA afirmam que \u00e9 necess\u00e1rio um aumento das pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas \u00e0 produ\u00e7\u00e3o no campo e \u00e0 melhoria das condi\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas da popula\u00e7\u00e3o. Isso inclui desde financiamento a maquin\u00e1rios, incentivo a cooperativas, melhorias de acesso, campanhas de valoriza\u00e7\u00e3o, cuidados b\u00e1sicos com moradia, acompanhamento psicol\u00f3gico e espa\u00e7os de lazer. S\u00f3 com pol\u00edticas p\u00fablicas que ser\u00e1 poss\u00edvel melhorar a qualidade de vida do agricultor e da agricultora e fortalecer a perman\u00eancia dos jovens no campo, afirmam as lideran\u00e7as.<\/p>\n<p>Para Leia Chitto, a diversifica\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o est\u00e1 entre os pilares fundamentais de melhoria das condi\u00e7\u00f5es da agricultura familiar. Ao possibilitar que os trabalhadores rurais tenham mais diversidade nas suas produ\u00e7\u00f5es, cria-se uma condi\u00e7\u00e3o de vida em que o agricultor n\u00e3o fique ref\u00e9m das multinacionais e nem esteja t\u00e3o vulner\u00e1vel \u00e0s cat\u00e1strofes clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>\u201cAqui [Vale do Taquari] o pessoal \u00e9 totalmente dependente do tabaco, e as multinacionais que colocam o pre\u00e7o. Se tem guerra, como agora, o pre\u00e7o cai e o agricultor fica ref\u00e9m disso. Precisamos de pol\u00edticas p\u00fablicas que sejam voltadas ao est\u00edmulo da diversifica\u00e7\u00e3o e de formas de associa\u00e7\u00f5es e cooperativas\u201d, completa ela. Para al\u00e9m disso, a diversifica\u00e7\u00e3o permite mais seguran\u00e7a para as fam\u00edlias, assim como um maior envolvimento de mulheres, jovens e idosos, que podem contribuir com o processamento das colheitas, gerando produtos como gel\u00e9ias, compotas, p\u00e3es, etc.<\/p>\n<figure><figcaption><em>Constru\u00e7\u00e3o de galinheiro e produ\u00e7\u00e3o de ovos est\u00e3o entre as estrat\u00e9gias de diversifica\u00e7\u00e3o para a agricultura familiar | Foto: Pablo Albarenga<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>Al\u00e9m disso, a lideran\u00e7a do MPA afirma que a pol\u00edtica de habita\u00e7\u00e3o \u00e9 muito necess\u00e1ria no campo, pois \u201cexistem muitas fam\u00edlias precisando de uma casa digna para morar. A gente pensa que isso \u00e9 apenas nos centros urbanos, mas n\u00e3o \u00e9\u201d, afirma. Assim como o campo precisa de mais forma\u00e7\u00f5es e aprofundamento nos estudos sobre agricultura e agroecologia, para trazer renova\u00e7\u00e3o de conhecimentos ao produtor, complementa ela.<\/p>\n<h2>Democracia, soberania, e direitos da terra<\/h2>\n<figure><figcaption><em>Lara Rodrigues, do MST, defende que haja um programa de reforma agr\u00e1ria popular para que a terra n\u00e3o esteja mais na m\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de commodities\u00a0|\u00a0Foto: Rafa Dotti<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>Ao ampliarmos nossa vis\u00e3o da vida do agricultor para a liga\u00e7\u00e3o cultural com a terra, entendemos que h\u00e1 algumas rela\u00e7\u00f5es. Para Sebasti\u00e3o Pinheiro, o esquecimento do agricultor est\u00e1 intimamente ligado \u00e0 posse de terra e \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de alimentos, pois \u201ca terra mais f\u00e9rtil permite mais riqueza\u201d. Em n\u00e3o permitir acesso livre \u00e0 terra por parte da popula\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 autonomia e nem liberdade, muito menos visibilidade, ressalta o agr\u00f4nomo. \u201cTudo faz parte da constru\u00e7\u00e3o da sociedade, e \u00e9 a partir da domina\u00e7\u00e3o e da explora\u00e7\u00e3o que se faz a invisibiliza\u00e7\u00e3o das pautas que s\u00e3o essenciais para a popula\u00e7\u00e3o. A gente sabe que a conex\u00e3o com a terra, a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2026\/04\/17\/terra-livre-comida-limpa-e-corpo-sao\/\">valoriza\u00e7\u00e3o da terra<\/a>, ela \u00e9 um direito b\u00e1sico e essencial para a vida\u201d, ressalta ele.<\/p>\n<p>O MST, cujo v\u00ednculo com a pauta do acesso \u00e0 terra \u00e9 hist\u00f3rico, promove esse debate desde sua funda\u00e7\u00e3o. Lara Rodrigues afirma que \u201c\u00e9 o nosso pilar de luta, a terra no sentido da democratiza\u00e7\u00e3o e de que ela seja um patrim\u00f4nio da sociedade do pa\u00eds, e n\u00e3o um elemento a ser explorado por terceiros para obten\u00e7\u00e3o de lucro\u201d. Segundo ela, \u00e9 necess\u00e1rio que haja um programa de reforma agr\u00e1ria popular para que a terra n\u00e3o esteja mais na m\u00e3o da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2018\/07\/26\/no-brasil-2-mil-latifundios-ocupam-area-maior-que-4-milhoes-de-propriedades-rurais\/\">produ\u00e7\u00e3o de <em>commodities<\/em><\/a>, mas, sim, que ela seja um conjunto de transforma\u00e7\u00f5es para uma nova sociedade feita a partir da produ\u00e7\u00e3o de alimento justo.<\/p>\n<p>A lideran\u00e7a afirma que a terra \u00e9 essencial para um projeto de soberania nacional, para que as pessoas entendam que a produ\u00e7\u00e3o do alimento \u00e9 soberana para a na\u00e7\u00e3o e que o acesso a ela \u00e9 base da democracia. \u201cQuando a gente fala essa coisa de que a terra \u00e9 sagrada, ela \u00e9 mesmo, porque gera o alimento e essa \u00e9 a fun\u00e7\u00e3o primordial da manuten\u00e7\u00e3o da vida. A Terra pertence ao povo e a atividade agr\u00edcola permite a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2025\/05\/19\/saberes-ancestrais-e-a-origem-da-agricultura-sintropica-quilombolas-e-povos-indigenas-como-precursores-de-uma-agricultura-regenerativa\/\">conex\u00e3o entre homem e natureza<\/a>. A Terra tem essa simbologia\u201d, afirma Rodrigues.<\/p>\n<figure><figcaption><em>A soberania nacional passa pela valoriza\u00e7\u00e3o daqueles que cuidam da terra e alimentam a popula\u00e7\u00e3o | Foto: Clarissa Londero<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p><em>* Fotos produzidas por Pablo Albarenga para projeto financiado pela National Geographic Society.<\/em><\/p>\n<p><em>Editado por:\u00a0Katia Marko<\/em><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2026\/04\/06\/rio-grande-do-sul-pretende-organizar-o-maior-1o-de-maio-de-sua-historia-com-o-festival-dos-trabalhadores\/\"><\/a><\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/mst.org.br\/2026\/04\/22\/abandono-jornadas-vitalicias-e-acesso-a-terra-os-desafios-do-trabalhador-e-trabalhadora-rural\/\">Abandono, jornadas vital\u00edcias e acesso \u00e0 terra: os desafios do trabalhador e trabalhadora rural<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/mst.org.br\/\">MST<\/a>.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/brasil-da-passo-transcendental-contra-a-impunidade-diz-el-pais-apos-condenacao-de-bolsonaro\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/53267163137_7dd7b009f5_k-1-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Brasil d\u00e1 \u2018passo transcendental contra a impunidad...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/excessos-de-bolsonaristas-pioram-situacao-do-projeto-de-anistia-aos-golpistas\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/ok-plenario_Kayo-Magalhaes_Camara-dos-Deputados-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Excessos de bolsonaristas pioram situa\u00e7\u00e3o do proje...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/caso-master-pf-mira-rioprevidencia-apos-aplicacoes-do-governo-castro\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Caso Master: PF mira RioPrevid\u00eancia, ap\u00f3s aplica\u00e7\u00f5...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/representacao-brasileira-do-parlasul-aprova-acordo-mercosul-ue\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/55087508292_271de0c581_k-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Representa\u00e7\u00e3o Brasileira do Parlasul aprova acordo...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Trabalhadores rurais reivindicam programas de incentivo, de acesso e tamb\u00e9m de divulga\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia e da relev\u00e2ncia do trabalho feito pela agricultura familiar | Foto: Pablo Albarenga Por Clarissa LonderoDo Brasil de Fato O\u00a0Festival do Trabalhador e da Trabalhadora, no 1\u00ba de Maio, se aproxima, e nossa reportagem investigou junto aos agricultores e lideran\u00e7as do [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":84080,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[1263,191,200,19,2819,480],"tags":[],"class_list":["post-84079","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-comida","category-noticias","category-reforma-agraria-popular","category-rio-grande-do-sul","category-trabalhador-rural","category-trabalhadores"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/84079","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=84079"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/84079\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/84080"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=84079"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=84079"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=84079"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}