{"id":84699,"date":"2026-04-24T17:41:19","date_gmt":"2026-04-24T20:41:19","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/sera-possivel-hackear-os-codigos-autoritarios\/"},"modified":"2026-04-24T17:41:19","modified_gmt":"2026-04-24T20:41:19","slug":"sera-possivel-hackear-os-codigos-autoritarios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/sera-possivel-hackear-os-codigos-autoritarios\/","title":{"rendered":"Ser\u00e1 poss\u00edvel hackear os c\u00f3digos autorit\u00e1rios?"},"content":{"rendered":"<div>\n<figure><figcaption>Imagem reproduzida no site Access Now<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>J\u00e1 parou para imaginar como a internet que conhecemos hoje se tornou o que \u00e9? Em <strong><em>Para al\u00e9m das m\u00e1quinas de ador\u00e1vel gra\u00e7a: cultura hacker, cibern\u00e9tica e democracia<\/em><\/strong>, obra lan\u00e7ada pelas <strong><em>Edi\u00e7\u00f5es Sesc S\u00e3o Paulo<\/em><\/strong>, o jornalista, cientista social e doutor em Antropologia <strong>Rafael Evangelista<\/strong> argumenta que a resposta est\u00e1 na \u00e9tica hacker \u2013 uma cultura colaborativa que, desde os anos 1950, enfrenta problemas complexos pelo prazer da cria\u00e7\u00e3o e encontrou no Brasil um terreno f\u00e9rtil para se expandir. Do software livre \u00e0 luta contra a vigil\u00e2ncia, o livro mostra como essa produ\u00e7\u00e3o do comum moldou as redes que usamos e os riscos que elas representam para a democracia. O volume \u00e9 o segundo da cole\u00e7\u00e3o <em>Democracia Digital<\/em>, organizada por Sergio Amadeu da Silveira, o t\u00edtulo evoca o poema que inspira sua reflex\u00e3o sobre um mundo assistido por m\u00e1quinas de ador\u00e1vel gra\u00e7a.<\/p>\n<p>Disponibilizamos, logo abaixo, o posf\u00e1cio. Nele, Evangelista discorre acerca do potencial da cultura hacker para a reconstru\u00e7\u00e3o da democracia. Come\u00e7ando por um resgate hist\u00f3rico e apontando caminhos para um futuro poss\u00edvel. Boa leitura! (R. A. P.)<\/p>\n<div>\n<figure><\/figure>\n<\/div>\n<p><strong>Quem nos apoia via <em>Outros Quinhentos<\/em> concorre a exemplares. N\u00e3o perca!<\/strong> As inscri\u00e7\u00f5es estar\u00e3o abertas at\u00e9 a<strong>\u00a0segunda-feira<\/strong>\u00a0do dia\u00a0<strong>4\/5<\/strong>, \u00e0s\u00a0<strong>14h<\/strong>. Os membros da rede\u00a0<strong><em>Outros Quinhentos\u00a0<\/em><\/strong>receber\u00e3o o formul\u00e1rio de participa\u00e7\u00e3o via e-mail no boletim enviado para quem contribui. Cadastre-se em nosso\u00a0<strong>Apoia.se<\/strong>\u00a0para ter acesso!<\/p>\n<hr>\n<div>\n<hr>\n<p><strong>Posf\u00e1cio<\/strong><\/p>\n<p>Rafael Evangelista<\/p>\n<\/p>\n<\/div>\n<p>No \u00faltimo cap\u00edtulo deste livro coloco uma pergunta provocativa: o que pode a cultura hacker contra o capitalismo de vigil\u00e2ncia? O conceito de Shoshana Zuboff serve ali como sined\u00f3que, meton\u00edmia, como significante para todo um conjunto de rela\u00e7\u00f5es sociais baseadas em dados informacionais. A inven\u00e7\u00e3o desse modelo de neg\u00f3cio pelo Google (um conjunto de rela\u00e7\u00f5es sociais baseadas em dados), no in\u00edcio do s\u00e9culo XXI, marca uma virada para os neg\u00f3cios em torno da Internet. Estes n\u00e3o somente se tornam altamente lucrativos como d\u00e3o dire\u00e7\u00e3o e prop\u00f3sito ao capitalismo informacional: espalhar sensores pelo mundo, capazes de produzirem dados sobre tudo (coisas) e todos (pessoas) e fazer muito dinheiro com isso.<\/p>\n<div>\n<div><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Prancheta--39.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Prancheta--39.png 680w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2022\/12\/31181126\/Prancheta-4-300x110.png 300w\" sizes=\"(max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Ao tentar responder \u00e0 pergunta aponto para dois processos, que me pareciam fazer sentido \u00e0 \u00e9poca (2017, quando este livro foi escrito): apropria\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e fazer parentes, ou seja, construir alian\u00e7as pol\u00edticas com aqueles que compartilham uma mesma condi\u00e7\u00e3o de oprimido. Os hackers citados neste livro fizeram justamente isso: tomaram as r\u00e9deas das tecnologias que lhes extraiam o trabalho, a autoria, a liberdade, os produtos, os meios de vida, a capacidade de ag\u00eancia\u2026 E atuaram construindo pontes, associa\u00e7\u00f5es, parcerias, colabora\u00e7\u00f5es, desenvolvendo suas identidades na luta. Ambas as a\u00e7\u00f5es \u2013 apropria\u00e7\u00e3o coletiva da tecnologia e construir alian\u00e7as que nos modificam e nos fortificam \u2013 continuam parecendo um bom programa de a\u00e7\u00e3o, ainda que os desafios tenham se complexificado exponencialmente.<\/p>\n<p>E como se complexificaram! Se a primeira elei\u00e7\u00e3o de Donald Trump, em 2016, j\u00e1 era um dos primeiros ind\u00edcios do gigantesco <em>techlash<\/em> que viver\u00edamos \u2013 como os gringos gostam de chamar essa sensa\u00e7\u00e3o de que algo deu errado na utopia digital \u2013, de l\u00e1 pra c\u00e1 o gosto s\u00f3 ficou mais amargo. No Brasil, tivemos a elei\u00e7\u00e3o de Jair Bolsonaro, que copiou, tropicalizou e aprimorou t\u00e9cnicas de propaganda eleitoral desenvolvidas nos EUA. Foram montados milhares de grupos de WhatsApp, que buscavam emular estrat\u00e9gias de microssegmenta\u00e7\u00e3o usadas na elei\u00e7\u00e3o dos EUA. L\u00e1, no esc\u00e2ndalo que ficou conhecido pelo nome da empresa que atuou coletando dados junto ao Facebook, Cambridge Analytica, as informa\u00e7\u00f5es foram usadas para a cria\u00e7\u00e3o de an\u00fancios de acordo com o perfil dos usu\u00e1rios. Aqui, uma rede interconectada de controladores de grupos no aplicativo de mensagens atuou entregando propaganda reacion\u00e1ria, desinforma\u00e7\u00e3o e jornalismo hiperpartidarizado direto na tela dos brasileiros (Evangelista e Bruno, 2019). Um agravante do problema nacional s\u00e3o as pol\u00edticas de <em>zero rating<\/em>: quando a franquia de dados n\u00e3o \u00e9 cobrada ao se acessar uma determinada plataforma digital que tem acordo com a operadora de internet. Um dos fatores que explicam o v\u00edcio da popula\u00e7\u00e3o brasileira em WhatsApp \u00e9 que o acesso a ele \u00e9, na pr\u00e1tica, gratuito. Podemos dizer que, aproveitando-se disso, a extrema-direita hackeou o aplicativo para que se tornasse uma gigantesca m\u00e1quina de propaganda.<\/p>\n<p>Mas, para al\u00e9m dos resultados eleitorais, o gosto amargo com as tecnologias digitais brota a partir de processos que come\u00e7am antes, os quais levam \u00e0 radicaliza\u00e7\u00e3o e \u00e0 desordem informacional. A chegada no poder da extrema-direita \u00e9 apenas seu \u00e1pice. Como dito, Zuboff marca o nascimento do capitalismo de vigil\u00e2ncia no come\u00e7o dos anos 2000. Por\u00e9m, a m\u00e1quina de engajamento das redes sociais s\u00f3 vai se consolidar no in\u00edcio da d\u00e9cada seguinte. Ela \u00e9 a contraparte que d\u00e1 sentido ao novo modelo de neg\u00f3cios, o motor que se alimenta da energia ps\u00edquica dos bilh\u00f5es que conecta. \u00c9 por meio do que se convencionou chamar de engajamento que as plataformas extraem dados daqueles a quem vigiam, e cujo comportamento interessa prever e modificar. O conte\u00fado que mais interessa aos donos das redes sociais \u00e9 o que desperta emo\u00e7\u00f5es, que faz o leitor reagir com emojis (representa\u00e7\u00e3o codificada e hiperssimplificada de um sentimento), compartilhar naquela mesma ou em outras redes, redigir um coment\u00e1rio indignado ou, melhor ainda, produzir um \u201creact\u201d, um conte\u00fado derivado que contesta ou explora o original. Foi por meio do est\u00edmulo \u00e0 produ\u00e7\u00e3o desse tipo de conte\u00fado que a radicaliza\u00e7\u00e3o p\u00f4de se tornar real. Est\u00edmulo que tamb\u00e9m \u00e9 econ\u00f4mico, pois muitas vezes o que se publica, e o que as plataformas amplificam, \u00e9 remunerado por an\u00fancios. O conte\u00fado feito sob medida para produzir engajamento \u00e9 a base material, concreta, do cen\u00e1rio pol\u00edtico que vivemos hoje.<\/p>\n<p>Por meio da discuss\u00e3o sobre como se desenvolveram esses mecanismos, que funcionam como pilares para a radicaliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, podemos esquadrinhar outros, an\u00e1logos, e que incidem sobre outros campos da sociedade que n\u00e3o o da informa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u2013 ainda que a informa\u00e7\u00e3o, como elemento produzido a partir do dado, continue no centro. A partir da\u00ed, podemos retornar \u00e0 pergunta original e atualizar a resposta sobre o potencial da cultura hacker para a reconstru\u00e7\u00e3o da democracia. Sim, pois a desestrutura\u00e7\u00e3o da sociedade democr\u00e1tica n\u00e3o se d\u00e1 somente por meio de governos autorit\u00e1rios, mas pela corros\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es centen\u00e1rias que, mal ou bem, garantem at\u00e9 agora um certo n\u00edvel de participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica das pessoas na condu\u00e7\u00e3o das coisas do mundo. Se, em meados do s\u00e9culo XX, a tal democracia liberal n\u00e3o era l\u00e1 muito democr\u00e1tica e \u00e0s vezes nem muito liberal, hoje o horizonte de participa\u00e7\u00e3o e atua\u00e7\u00e3o se estreita ainda mais e de uma maneira ainda mais insidiosa.<\/p>\n<p>\u00c9 consenso a import\u00e2ncia da informa\u00e7\u00e3o de qualidade para o exerc\u00edcio da democracia. \u00c9 a partir dessas informa\u00e7\u00f5es que as pessoas atuam politicamente, tamb\u00e9m participando dos processos eleitorais. Os indiv\u00edduos formam suas opini\u00f5es e vis\u00f5es sobre o mundo em que vivem de duas formas: a partir de suas experi\u00eancias diretas com o real, com sua presen\u00e7a f\u00edsica num mundo que conseguem experienciar diretamente; e por meio do relato de outros, que comunicam aos indiv\u00edduos como o mundo \u00e9 para al\u00e9m de sua experi\u00eancia concreta. Essas duas formas, contudo, n\u00e3o s\u00e3o estanques, ou seja, o que ouvimos sobre como o mundo \u00e9 influencia na maneira como o percebemos diretamente, da mesma maneira como filtramos o que ouvimos a partir de nossas experi\u00eancias. Diversas institui\u00e7\u00f5es medeiam os relatos sobre o mundo, a igreja, a arte, o sistema escolar, s\u00e3o alguns exemplos.<\/p>\n<p>Mas foi a imprensa a institui\u00e7\u00e3o que, ao longo do s\u00e9culo XX, mais claramente se incumbiu de informar politicamente os cidad\u00e3os. Quando falamos da imprensa como institui\u00e7\u00e3o, n\u00e3o estamos nos restringindo aos ve\u00edculos, mas a todo o sistema que gira em torno dos \u00f3rg\u00e3os de imprensa e que os auxiliam. As regras legais que estipulam as responsabilidades dos rep\u00f3rteres, editores e donos de jornais; as escolas, em diversos n\u00edveis, que ensinam a produzir os mais diversos g\u00eaneros jornal\u00edsticos e ajudam a determinar quais s\u00e3o as produ\u00e7\u00f5es de qualidade; os ve\u00edculos cr\u00edticos que discutem os acertos e erros dos profissionais de imprensa; os padr\u00f5es \u00e9ticos que est\u00e3o na cabe\u00e7a dos praticantes do campo e que informam o proceder profissional coletivo. Esse complexo, que mistura entidades formais e regras informais, \u00e0s vezes impl\u00edcitas, vai se modificando ao longo do tempo, aos sabor dos acontecimentos hist\u00f3ricos e das transforma\u00e7\u00f5es materiais.<\/p>\n<p>Ainda que a web surja em meados dos anos 1990, \u00e9 nos anos 2000 que passa a ganhar mais centralidade como tecnologia de publica\u00e7\u00e3o de conte\u00fados, em texto e audiovisuais. Inicialmente, os jornais buscaram replicar no novo suporte seus modelos de neg\u00f3cio do per\u00edodo anal\u00f3gico. Ofereciam espa\u00e7o aos anunciantes, intermediados por ag\u00eancias de publicidade, ao lado dos conte\u00fados que detinham os direitos. Entregavam alguns segundos de aten\u00e7\u00e3o da audi\u00eancia segmentada, a qual buscava pelas informa\u00e7\u00f5es confi\u00e1veis das marcas jornal\u00edsticas estabelecidas. Com os smartphones, o consumo de conte\u00fado online explode. A informa\u00e7\u00e3o est\u00e1 no bolso e o aplicativo do ve\u00edculo de confian\u00e7a, instalado no aparelho, notifica a cada not\u00edcia recente.<\/p>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<h3><strong>Grande m\u00eddia e m\u00eddias sociais<\/strong><\/h3>\n<p>\u00c9 nesse mesmo per\u00edodo que as redes sociais come\u00e7am a ganhar mais tr\u00e1fego e a concentrar a rede de contatos de todos. A rela\u00e7\u00e3o passa a n\u00e3o ser mais dos indiv\u00edduos com as marcas famosas (com endere\u00e7os na web conhecidos), mas tamb\u00e9m entre os indiv\u00edduos, que se conectam a partir de nomes de fantasia, registrados nas plataformas digitais de redes sociais. Os ve\u00edculos j\u00e1 haviam tentado entrar na onda dos blogs, repetindo o formado em seus sites, e gradualmente foram se fazendo presentes nas plataformas. Parecia fazer mais sentido estar onde o leitor estava, nem que fosse para tentar atra\u00ed-lo para o site do ve\u00edculo, onde se conseguia ganhar dinheiro vendendo an\u00fancios.<\/p>\n<p>Para o p\u00fablico, seguir ou \u201cser amigo\u201d do artista ou do jornalista famoso dava a sensa\u00e7\u00e3o de proximidade. De repente, as an\u00e1lises aprofundadas e as informa\u00e7\u00f5es de bastidores n\u00e3o estavam mais s\u00f3 na TV ou nos jornais, mas numa mesma sequ\u00eancia de mensagens junto com as fotos de seu colega de ensino m\u00e9dio ou da prima distante. As plataformas logo entenderam que fazia sentido atrair pra elas a presen\u00e7a e a produ\u00e7\u00e3o de gente famosa e ve\u00edculos de prest\u00edgio. Afinal, ningu\u00e9m entra no Facebook ou no Twitter porque o software \u00e9 bom, mas porque eventualmente o conte\u00fado relevante est\u00e1 l\u00e1 de maneira mais f\u00e1cil. Foram desenvolvidas pol\u00edticas espec\u00edficas visando atrair os ve\u00edculos de imprensa, como compartilhamento de receita publicit\u00e1ria e diminui\u00e7\u00e3o de tempo de carregamento dos conte\u00fados. The New York Times, BuzzFeed, The Guardian, BBC News s\u00e3o alguns dos que firmaram parcerias. No Brasil, G1, R7, Veja, Estad\u00e3o, entre outros.<\/p>\n<p>Rapidamente as plataformas absorvem dois patrim\u00f4nios dos ve\u00edculos tradicionais: o contato com os consumidores, que agora elas s\u00e3o os intermedi\u00e1rios; e o contato com os anunciantes, principalmente via AdSense, a ferramenta do Google dominante no mercado que faz a intermedia\u00e7\u00e3o da publicidade online. Com isso, passam a ditar indiretamente, via seus est\u00edmulos econ\u00f4micos e o desenho de seus aplicativos, que formatos, pautas e angula\u00e7\u00f5es o jornalismo deve seguir. Isso passa por como os algoritmos s\u00e3o ajustados, na busca por usu\u00e1rios cada vez mais engajados no curte\/comenta\/compartilha. Os t\u00edtulos das mat\u00e9rias, as manchetes, que antes sintetizavam, em uma frase com verbo ativo, o fato mais relevante noticiado, se tornam enigmas que \u00e0s vezes chegam a desinformar, seguidos do famigerado \u201centenda\u201d. As plataformas passam, inclusive, a dar cursos com dicas sobre a produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fados mais tendentes a viraliza\u00e7\u00e3o nas plataformas. Em 2019, o The Intercept<sup><sup>1<\/sup><\/sup> revelou como o Google, durante o \u00e1pice do movimento contra Dilma Roussef, instruiu blogueiros sobre os temas mais quentes daquele momento. O exemplo de sucesso na ocasi\u00e3o foi o site O Antagonista, que estaria recebendo milhares de d\u00f3lares por dia com an\u00fancios. Para a plataforma, ainda que seus algoritmos privilegiem conte\u00fados sensacionalistas e de baixa qualidade, isso pouco importa. O dano de imagem incide sobre os ve\u00edculos que ela hospeda, alguns claramente predat\u00f3rios e descompromissados.<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o entre ve\u00edculos de imprensa e plataformas digitais fica ainda mais desbalanceada no final da d\u00e9cada de 2010, e um caso em especial \u00e9 emblem\u00e1tico desse azedamento. Rompendo os compromissos estabelecidos, o Facebook decide, em 2018, que n\u00e3o vai mais privilegiar as informa\u00e7\u00f5es publicadas pelos ve\u00edculos de imprensa, e sim o contato entre conhecidos. Vai sugerir mais conte\u00fados de pessoas que se seguem e menos produ\u00e7\u00f5es profissionais. No discurso, seria uma retomada dos contatos mais pessoais, pr\u00f3ximos. Mas, na verdade, a plataforma passa a impulsionar conte\u00fados n\u00e3o profissionais que geram engajamento, publicados por pessoas que nem s\u00e3o t\u00e3o pr\u00f3ximas assim. Cria at\u00e9 um algoritmo para isso, o \u201cIntera\u00e7\u00f5es Sociais Significativas\u201d (do ingl\u00eas, Meaningful Social Interactions (MSI). Ele busca medir n\u00e3o a proximidade de rela\u00e7\u00e3o entre as pessoas, mas o n\u00famero de coment\u00e1rios, compartilhamentos e rea\u00e7\u00f5es que o conte\u00fado teve. E cria um segundo n\u00famero, o Downstream MSI, que \u00e9 um preditor desse engajamento. Aquele conte\u00fado que a plataforma v\u00ea como com potencial para engajar passa a ser sugerido aos usu\u00e1rios.<\/p>\n<p><strong><em>Outras Palavras<\/em><\/strong>\u00a0e\u00a0<strong><em>Edi\u00e7\u00f5es Sesc S\u00e3o Paulo<\/em><\/strong>\u00a0ir\u00e3o sortear\u00a0<strong>exemplares <\/strong>de <strong><em>Para al\u00e9m das m\u00e1quinas de ador\u00e1vel gra\u00e7a: cultura hacker, cibern\u00e9tica e democracia<\/em><\/strong>, de <strong>Rafael Evangelista<\/strong>, entre quem apoia nosso jornalismo de profundidade e de perspectiva p\u00f3s-capitalista. O sorteio estar\u00e1 aberto para inscri\u00e7\u00f5es at\u00e9 a<strong>\u00a0segunda-feira<\/strong>\u00a0do dia\u00a0<strong>4\/5<\/strong>, \u00e0s\u00a0<strong>14h<\/strong>. Os membros da rede\u00a0<strong><em>Outros Quinhentos\u00a0<\/em><\/strong>receber\u00e3o o formul\u00e1rio de participa\u00e7\u00e3o via e-mail no boletim enviado para quem contribui. Cadastre-se em nosso\u00a0<strong>Apoia.se<\/strong>\u00a0para ter acesso!<\/p>\n<p>\u00c9 claro, os ve\u00edculos reclamam. E n\u00e3o s\u00f3 por estarem sendo prejudicados depois de tantos acordos, mas porque os efeitos das mudan\u00e7as eram claramente socialmente divisivos. As den\u00fancias de Frances Haugen, ex-funcion\u00e1ria da empresa, que vieram \u00e0 tona em 2021, relatam que um editor do BuzzFeed chegou a mandar mensagens ao Facebook. Foi um alerta de que os conte\u00fados de pior qualidade de seu ve\u00edculo, mas que provocavam mais discuss\u00f5es, estavam sendo privilegiados em detrimento das boas reportagens. Nascido como uma empresa voltada \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fado viral para as redes sociais, o BuzzFeed vinha tentando produzir material de melhor qualidade, tendo inclusive conquistado alguns pr\u00eamios.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o faltaram alertas vindos dos pr\u00f3prios funcion\u00e1rios do Facebook. Segundo documentos revelados por Haugen, funcion\u00e1rios alertaram que as mudan\u00e7as no algoritmo estavam tendo o efeito contr\u00e1rio ao que a comunica\u00e7\u00e3o p\u00fablica dizia desejar: estavam deixando os usu\u00e1rios mais raivosos e n\u00e3o criando la\u00e7os mais afetivos entre as pessoas. Os funcion\u00e1rios apontaram tamb\u00e9m que os ve\u00edculos e partidos pol\u00edticos estavam orientando seus conte\u00fados no sentido de serem mais sensacionalistas e provocarem indigna\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que era isso que a plataforma estava valorizando. Havia solu\u00e7\u00e3o para o problema, diziam os funcion\u00e1rios. Mas, como isso prejudicaria a performance medida pelo algoritmo, a proposta foi na pr\u00e1tica engavetada.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria do algoritmo MSI do Facebook n\u00e3o \u00e9 uma caso isolado. Outras plataformas de redes sociais, como o Twitter e o Instagram, tamb\u00e9m tiveram efeitos no sistema e nos formatos de produ\u00e7\u00e3o de not\u00edcias. Mas ela \u00e9 um exemplo claro de uma armadilha que acabou sendo montada e engoliu a imprensa tradicional. \u00c9 um erro atribuir \u00e0s plataformas a democratiza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de not\u00edcias. O que elas fizeram foi subjugar todo um sistema de produ\u00e7\u00e3o independente, com grande potencial de expans\u00e3o a partir da populariza\u00e7\u00e3o da Internet.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 o caso de negar os problemas com o sistema midi\u00e1tico antes do surgimento das plataformas. S\u00f3 para nos determos no caso brasileiro, o cen\u00e1rio \u00e9, h\u00e1 anos, de concentra\u00e7\u00e3o da propriedade nas m\u00e3os de poucos grupos monopolistas bastante poderosos. E, em diversos momentos, esses ve\u00edculos de alguma forma produziram publica\u00e7\u00f5es e programas sensacionalistas, apelativos, que iam na dire\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria aos direitos humanos. Os programas policiais s\u00e3o o melhor exemplo, rotineiramente clamando por mais execu\u00e7\u00f5es policiais e transmitindo ideais conservadores. Por\u00e9m, ao colocar um programa apelativo na grade, um rede de TV acaba sofrendo um dano de reputa\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de ser cobrada publicamente e, se for o caso, judicialmente. As plataformas conseguem estimular uma produ\u00e7\u00e3o que favore\u00e7a seus interesses comerciais sem serem alvo de escrut\u00ednio p\u00fablico.<\/p>\n<h3><strong>Plataformas<\/strong><\/h3>\n<p>A plataformiza\u00e7\u00e3o vai al\u00e9m do jornalismo. Ela adentrou o mundo do trabalho e desestabilizou setores como o de restaurantes, o de entregas e o de transporte urbano. As plataformas sabem mais sobre os deslocamentos pela cidade do que as autoridades do Estado respons\u00e1veis pelo controle do tr\u00e1fego. O planejamento urbano se v\u00ea obrigado a recorrer \u00e0s empresas de transportes por aplicativos para ter dados<\/p>\n<p>Est\u00e1 afetando de maneira brutal a educa\u00e7\u00e3o, de diversas maneiras. Professores concorrem com influencers, que frequentemente apelam a fatos \u201calternativos\u201d, justamente para buscar engajamento. Os sistemas de gest\u00e3o escolar plataformizados estabelecem um n\u00edvel in\u00e9dito de controle, seja dos profissionais da educa\u00e7\u00e3o, seja dos alunos que, em casos extremos, tem seu olhar, durante as aulas, vigiado por c\u00e2meras, as quais buscam inferir n\u00edveis de aten\u00e7\u00e3o, alerta e estados emocionais. A autonomia pedag\u00f3gica dos professores fica em xeque, pois os sistemas de controle informacional se imp\u00f5em para garantir o cumprimento de um curr\u00edculo padronizado e centralizado. Os professores perdem a capacidade de adaptarem o que dar\u00e3o em sala de aula \u00e0 realidade local e pol\u00edtica dos alunos. Se mistura tamb\u00e9m, \u00e9 claro, \u00e0s tentativas de controle pol\u00edtico dos professores, vistos como subversivos. Ao mesmo tempo, as intelig\u00eancias artificiais, que cada vez mais t\u00eam sido usadas para a produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fado escolar, o fazem a partir da extra\u00e7\u00e3o e replica\u00e7\u00e3o automatizada de conhecimentos produzidos por educadores. Copia, remixa e reinterpreta o j\u00e1 produzido e, num segundo momento, concorre com esses profissionais no mercado de produ\u00e7\u00e3o de materiais did\u00e1ticos.<\/p>\n<p>A pervasividade das plataformas e seus efeitos em institui\u00e7\u00f5es centen\u00e1rias \u00e9 um processo que precisa ser levado mais \u00e0 s\u00e9rio. Elas n\u00e3o s\u00f3 destroem institui\u00e7\u00f5es que pretendem substituir como d\u00e3o a elas um car\u00e1ter mais autorit\u00e1rio, fechado e centralizado. Frank Pasquale, no livro <em>The Black Box Society<\/em> (2015), fala sobre como sistemas automatizados e algoritmos secretos, utilizados pelas empresas de tecnologia, t\u00eam efeitos nos sistemas de reputa\u00e7\u00e3o, que classificam pessoas a partir de dados pessoais, e nas finan\u00e7as, ao oferecerem decis\u00f5es sobre cr\u00e9ditos a serem concedidos e investimentos. A cr\u00edtica de Pasquale \u00e9 um bom ponto de partida, mas n\u00e3o d\u00e1 conta de um processo mais complexo e profundo.<\/p>\n<p>Um ponto importante, de fato, \u00e9 o segredo. A sociedade est\u00e1 automatizando a\u00e7\u00f5es sem ter muita certeza sobre como essa automatiza\u00e7\u00e3o funciona. De maneira apressada, se discute tamb\u00e9m utilizar intelig\u00eancia artificial em procedimentos do Judici\u00e1rio, inclusive para minutas de decis\u00f5es. Os sistemas que se cogita usar n\u00e3o foram desenvolvidos pela pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o, mas por empresas estrangeiras, sobre as quais n\u00e3o se tem converg\u00eancia de interesses, prop\u00f3sitos e nem total capacidade de supervis\u00e3o.<\/p>\n<h3><strong>IAIC\u2019s<\/strong><\/h3>\n<p>Esses sistemas, controlados por certas empresas, substituem as institui\u00e7\u00f5es humanas, as quais t\u00eam partes socialmente distribu\u00eddas e compartilhadas. Pelo seu funcionamento, quem os controla e pela forma como esses sistemas s\u00e3o aplicados, podemos cham\u00e1-los de Institui\u00e7\u00f5es Autorit\u00e1rias Inscritas em C\u00f3digo (IAIC). S\u00e3o autorit\u00e1rias pois as decis\u00f5es sobre seu desenho e opera\u00e7\u00e3o est\u00e3o restritos ao comando da empresa que a controla, o qual \u00e9 pouco perme\u00e1vel a alertas dos pr\u00f3prios funcion\u00e1rios sobre os efeitos delet\u00e9rios de seu funcionamento, vide o caso do MSI\/Facebook. Al\u00e9m disso, a sociedade como um todo, ainda que seja extensivamente afetada, n\u00e3o conhece os algoritmos que sobre ela incidem. Os motoristas de aplicativos ou os motoboys que fazem entrega de refei\u00e7\u00f5es vivem tentando adivinhar os caprichos dos sistemas respons\u00e1veis por determinar o quanto receber\u00e3o por fazerem seus trabalhos. N\u00e3o h\u00e1 canais eficazes de questionamento das decis\u00f5es tomadas pelas IAICs. Os respons\u00e1veis por elas fazem o m\u00e1ximo para evitar gastarem tempo e recursos processando questionamento a essas decis\u00f5es. Tamb\u00e9m atuam sobre os governos, gastando rios de dinheiro com lobby em busca de evitarem a regulamenta\u00e7\u00e3o do funcionamento desses sistemas. Por serem inscritas em c\u00f3digo, as decis\u00f5es nunca t\u00eam rosto. Funcionam automaticamente, como se fossem parte da natureza da plataforma, sem um respons\u00e1vel direto por cada decis\u00e3o espec\u00edfica. Um conjunto de pessoas escreveu e validou o algoritmo, mas as decis\u00f5es que ele operacionaliza n\u00e3o est\u00e3o necessariamente descritas nele, ser\u00e3o uma rela\u00e7\u00e3o a ser estabelecida com a base de dados. Se um carro aut\u00f4nomo atropela pessoas, ser\u00e1 dif\u00edcil condenar judicialmente os autores do c\u00f3digo que o governou; situa\u00e7\u00e3o completamente diferente se o condutor for humano. Por fim, s\u00e3o institui\u00e7\u00f5es porque conseguem mobilizar todo um conjunto diferente de atores externos que, apesar n\u00e3o se reduzirem a ela, n\u00e3o tem outra alternativa que n\u00e3o seguir suas regras. As associa\u00e7\u00f5es de jornalistas, os ve\u00edculos de m\u00eddia, as faculdades de comunica\u00e7\u00e3o, no fim do dia s\u00e3o levadas a seguirem o que as plataformas imp\u00f5em.<\/p>\n<p>No livro <em>Algorithmic Institutionalism: the changing rules of social and political life<\/em>, Ricardo Mendon\u00e7a, Fernando Filgueiras e Virgilio Almeida, fazem cr\u00edtica semelhante a que estou estabelecendo aqui, ao argumentarem que algoritmos, especialmente os de larga escala e impacto social, devem ser compreendidos como institui\u00e7\u00f5es que moldam normas, padr\u00f5es de comportamento e estruturas de poder. Ao propor a ideia de IAICs, no entanto, procuro apontar que n\u00e3o s\u00e3o exatamente os algoritmos a se tornarem institui\u00e7\u00f5es, mas sim empresas que se organizam a partir de c\u00f3digos e estabelecem um novo tipo de institucionalidade de car\u00e1ter autorit\u00e1rio.<\/p>\n<p>As IAICs t\u00eam uma forma de atua\u00e7\u00e3o diferente das institui\u00e7\u00f5es t\u00edpicas do s\u00e9culo XX. Michel Foucault (1977) descreveu estas, essencialmente modernas, como operando por uma l\u00f3gica disciplinar. Incumbem-se de moldar as subjetividades, de forma a produzir \u201cbons estudantes\u201d, \u201cbons soldados\u201d, \u201cpacientes saud\u00e1veis\u201d, \u201cbons trabalhadores\u201d. J\u00e1 Gilles Deleuze (1992), ao analisar uma sociedade que se anunciava repleta de dispositivos informacionais, no fim do s\u00e9culo XX, vai falar em sociedade de controle, que se sobrep\u00f5e \u00e0 sociedade disciplinar. Controle aqui precisa ser entendido a partir da cibern\u00e9tica, ou seja, como gerenciamento informacional. Yuk Hui postula a passagem de um modelo de moldagem, caracter\u00edstico da sociedade disciplinar, para um de modula\u00e7\u00e3o, da sociedade de controle. Nesse sentido, a escola, por exemplo, se transforma de institui\u00e7\u00e3o de moldagem em dispositivo de modula\u00e7\u00e3o. A escola vai perdendo seu papel de forma\u00e7\u00e3o, seja de bons oper\u00e1rios (na sua vers\u00e3o mais conformista) ou de bons cidad\u00e3os (na sua vers\u00e3o emancipadora). Perde import\u00e2ncia confinar alunos em um espa\u00e7o fechado para que se tornem sujeitos. A educa\u00e7\u00e3o cibern\u00e9tica trata os alunos como objetos informacionais, continuamente monitorados, sobre os quais operam mecanismos de modula\u00e7\u00e3o (Evangelista e Cruz, 2024). Trata-se de incidir com o input certo para se ter o output desejado. Pode acontecer no espa\u00e7o da escola, mas tamb\u00e9m em casa, no \u00f4nibus, na pra\u00e7a, sobre alunos que n\u00e3o convivem em uma sala de aula real, mas est\u00e3o interagindo com seus computadores, interligados informacionalmente.<\/p>\n<p>Na obra em que aprofundou sua conceitua\u00e7\u00e3o sobre o capitalismo de vigil\u00e2ncia, <em>A Era do Capitalismo de Vigil\u00e2ncia: a luta por um futuro humano na nova fronteira do poder<\/em> (2021), lan\u00e7ada pouco depois da publica\u00e7\u00e3o deste livro, Shoshana Zuboff fala na emerg\u00eancia do que chama de poder instrument\u00e1rio. Este seria de uma ordem diferente do poder totalit\u00e1rio, o qual entendo como seu antecessor e t\u00edpico das sociedades disciplinares. Ela n\u00e3o fala nesses conceitos, sociedade disciplinar ou sociedade de controle, mas ilustra o totalitarismo com uma obra de fic\u00e7\u00e3o emblem\u00e1tica da disciplina, <em>1984<\/em>, de George Orwell. Embora a sociedade de 1984 seja repleta de c\u00e2meras, elas est\u00e3o l\u00e1 como meio de imposi\u00e7\u00e3o disciplinar de um regime autorit\u00e1rio. N\u00e3o \u00e0 toa, no final tr\u00e1gico, Winston Smith finalmente \u00e9 reeducado, passa a amar o Grande Irm\u00e3o e torna-se totalmente submisso. A fic\u00e7\u00e3o que Zuboff traz para ilustrar o poder instrument\u00e1rio foi escrita por um cientista que buscou descrever o que para ele seria uma sociedade ideal, mas que foi lida pelos cr\u00edticos da \u00e9poca como uma distopia: Walden 2: uma sociedade do futuro. O comportamentalista radical, B. F. Skinner, postulava ser in\u00fatil convencer (ou moldar) os indiv\u00edduos. Mais produtivo seria trat\u00e1-los como seres outros, sem recorrer \u00e0 empatia, buscando produzir est\u00edmulos que conduzissem seus comportamentos, sem que eles percebessem. Em outras palavras, seria mais eficaz modular os indiv\u00edduos em vez de buscar mold\u00e1-los.<\/p>\n<p>Mark Zuckerberg, da Meta, e Larry Page, do Google, s\u00e3o citados por Zuboff \u2013 e poder\u00edamos adicionar Elon Musk, do X \u2013 como \u201cexecutivos da utop\u00edstica aplicada\u201d, ou seja, est\u00e3o imbu\u00eddos de implementarem as vis\u00f5es de sociedade de Skinner. Ela cita ainda Alex Pentland, autor do conceito de \u201cminera\u00e7\u00e3o da realidade\u201d, no qual dados passivos dos usu\u00e1rios (como localiza\u00e7\u00e3o, padr\u00f5es de movimento, chamadas telef\u00f4nicas e intera\u00e7\u00f5es on-line) se transformam em modelos preditivos do comportamento humano. Essas s\u00e3o ferramentas que sabemos hoje serem utilizadas pelo marketing, para a venda de produtos. No entanto, Musk e Peter Thiel, da Palantir, que presta servi\u00e7os de seguran\u00e7a para a CIA e o Pent\u00e1gono, s\u00e3o alguns dos integrantes de grupos de executivos e t\u00e9cnicos do Vale do Sil\u00edcio com poucas restri\u00e7\u00f5es ao uso dessas tecnologias numa verdadeira condu\u00e7\u00e3o da humanidade. \u00c9 a anula\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica das institui\u00e7\u00f5es do liberalismo, cujo car\u00e1ter democr\u00e1tico sempre foi fr\u00e1gil, para um cen\u00e1rio ainda pior, em favor de um poder que controla o outro como se fosse uma esp\u00e9cie incapaz.<\/p>\n<p>Talvez caiba atualizar a pergunta do \u00faltimo cap\u00edtulo deste livro, de modo a dar conta dos desafios muito mais dist\u00f3picos que se colocam. O que pode a cultura hacker frente \u00e0s novas Institui\u00e7\u00f5es Autorit\u00e1rias Inscritas em C\u00f3digo, que ganharam o mundo a partir do financiamento proporcionado pelo capitalismo de vigil\u00e2ncia, pela explora\u00e7\u00e3o dos dados para o lucro, e que agora se apresentam como viabilizadoras de um poder que \u201crefaz a natureza humana\u201d (Zuboff, 2021, p. 352)? Liberais, com seus governos e seus sistemas legislativos e de justi\u00e7a, buscam quase desesperadamente \u201cregular\u201d as plataformas, dar \u00e0s IAICs algum grau de transpar\u00eancia e controle p\u00fablico a partir das institui\u00e7\u00f5es do Estado. Mas o pr\u00f3prio Estado, e suas casas legislativas, acabam \u00e0s vezes acuados, outras vezes pressionados e em v\u00e1rios momentos sendo de alguma forma comprados por empresas que conseguem modular a opini\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n<p>A cultura hacker pode ser ajudada por leis. Afinal, a GPL, a licen\u00e7a de software que \u00e9 um verdadeiro manifesto pol\u00edtico para o movimento software livre, foi um sucesso justamente por subverter o sistema de copyright tornando-o copyleft, impondo o compartilhamento e a retribui\u00e7\u00e3o sobre as tentativas de apropria\u00e7\u00e3o privada do trabalho colaborativo. Mas a cultura hacker n\u00e3o \u00e9 exatamente sobre criar licen\u00e7as, \u00e9 sobre democratizar a tecnologia apropriando-se dela socialmente.<\/p>\n<p>Nesse sentido, as redes federadas e descentralizadas (fediverso), s\u00e3o softwares livres que buscam manter o esp\u00edrito de conex\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o livre da web de antes do capitalismo de vigil\u00e2ncia. A partir de protocolos abertos, proporcionam instala\u00e7\u00f5es locais de softwares, com os dados dos usu\u00e1rios sendo mantidos sob controle dos mesmos, permitindo o estabelecimento de pol\u00edticas de modera\u00e7\u00e3o e contato por eles acordadas. Os tais protocolos abertos permitem que cada local de instala\u00e7\u00e3o se comunique com todos os outros, e com uma diversidade de outros aplicativos, mas s\u00f3 quando e nas condi\u00e7\u00f5es que a comunidade desejar.<\/p>\n<p>Para funcionar de fato como oposi\u00e7\u00e3o e alternativa \u00e0s IAICs, o movimento em torno do fediverso n\u00e3o pode se resumir a fazer bons softwares. A cultura hacker \u00e9 sobre apropria\u00e7\u00e3o da tecnologia e tamb\u00e9m sobre fazer parentes, construir alian\u00e7as entre identidades \u00e0s vezes distintas mas muitas vezes complementares. A forma\u00e7\u00e3o de coletivos, como alguns que j\u00e1 surgem em torno do fediverso, com os mais diversos tamanhos, com as mais diversas naturezas, pode permitir uma alternativa entre a grande centraliza\u00e7\u00e3o dos Estados, das Big Techs ou das institui\u00e7\u00f5es tradicionais, e solu\u00e7\u00f5es de car\u00e1ter individual e individualistas, que isolam os sujeitos e enfraquecem os v\u00ednculos sociais. Redes descentralizadas e federadas podem funcionar n\u00e3o s\u00f3 como um ref\u00fagio frente a apropria\u00e7\u00e3o de dados de comportamento e das pol\u00edticas de modula\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m como eventos de constru\u00e7\u00e3o pol\u00edtica em torno da tecnologia. De modo a que a pr\u00f3pria tecnologia se torne mais diversa.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel colocar o g\u00eanio de volta na garrafa. As transforma\u00e7\u00f5es do s\u00e9culo XX n\u00e3o se resumem aos efeitos das IAICs, elas s\u00e3o parte de uma pr\u00f3pria reestrutura\u00e7\u00e3o do sistema em que o autoritarismo se mostra presente. Mas n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel colocar as pr\u00e1ticas pol\u00edticas, democr\u00e1ticas e justas que a humanidade precisa sem se considerar a tecnologia como elemento essencial.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<div>\n<p>Evangelista, R., &amp; Bruno, F. (2019). WhatsApp and political instability in Brazil: targeted messages and political radicalisation. Internet Policy Review, 8(4). https:\/\/doi.org\/10.14763\/2019.4.1434<\/p>\n<p>Evangelista, Rafael &amp; Cruz, Leonardo. (2024). \u201cPlataformas educacionais e a emerg\u00eancia de uma educa\u00e7\u00e3o cibern\u00e9tica\u201d. In <strong>Educa\u00e7\u00e3o em um cen\u00e1rio de plataformiza\u00e7\u00e3o e de economia de dados<\/strong>. CGI.br<\/p>\n<p>ZUBOFF, Shoshana. <strong>A era do capitalismo de vigil\u00e2ncia<\/strong>. [s.l.]: Editora Intrinseca, 2021.<\/p>\n<p>PASQUALE, Frank. <strong>The Black Box Society: The Secret Algorithms That Control Money and Information<\/strong>. [s.l.]: Harvard University Press, 2015.<\/p>\n<p>Deleuze, G. (1992). Postscript on the Societies of Control. <em>October<\/em>, <em>59<\/em>, 3\u20137. http:\/\/www.jstor.org\/stable\/778828<\/p>\n<p>Mendon\u00e7a, R. F., Almeida, V., &amp; Filgueiras, F. (2024). <em>Algorithmic Institutionalism: the changing rules of social and political life<\/em>. Oxford University Press.<\/p>\n<\/div>\n<hr>\n<p><strong>NOTAS<\/strong><\/p>\n<p>1Ghedin, R., Dias, R., &amp; Ribeiro, R. (2019, November 19). Grana por cliques [Money for clicks]. The Intercept Brasil. https:\/\/theintercept.com\/2019\/11\/19\/fake-news-google-blogueiros-antipetistas\/<\/p>\n<hr>\n<div>\n<p>Evangelista, R., &amp; Bruno, F. (2019). WhatsApp and political instability in Brazil: targeted messages and political radicalisation. Internet Policy Review, 8(4). https:\/\/doi.org\/10.14763\/2019.4.1434<\/p>\n<p>Evangelista, Rafael &amp; Cruz, Leonardo. (2024). \u201cPlataformas educacionais e a emerg\u00eancia de uma educa\u00e7\u00e3o cibern\u00e9tica\u201d. In <strong>Educa\u00e7\u00e3o em um cen\u00e1rio de plataformiza\u00e7\u00e3o e de economia de dados<\/strong>. CGI.br<\/p>\n<p>ZUBOFF, Shoshana. <strong>A era do capitalismo de vigil\u00e2ncia<\/strong>. [s.l.]: Editora Intrinseca, 2021.<\/p>\n<p>PASQUALE, Frank. <strong>The Black Box Society: The Secret Algorithms That Control Money and Information<\/strong>. [s.l.]: Harvard University Press, 2015.<\/p>\n<p>Deleuze, G. (1992). Postscript on the Societies of Control. <em>October<\/em>, <em>59<\/em>, 3\u20137. http:\/\/www.jstor.org\/stable\/778828<\/p>\n<p>Mendon\u00e7a, R. F., Almeida, V., &amp; Filgueiras, F. (2024). <em>Algorithmic Institutionalism: the changing rules of social and political life<\/em>. Oxford University Press.<\/p>\n<\/div>\n<hr>\n<p><strong>NOTAS<\/strong><\/p>\n<div>\n<p>1Ghedin, R., Dias, R., &amp; Ribeiro, R. (2019, November 19). Grana por cliques [Money for clicks]. The Intercept Brasil. https:\/\/theintercept.com\/2019\/11\/19\/fake-news-google-blogueiros-antipetistas\/<\/p>\n<\/div>\n<hr>\n<p>Em parceria com a\u00a0<strong><em>Edi\u00e7\u00f5es Sesc S\u00e3o Paulo<\/em><\/strong>,\u00a0<strong><em>Outras Palavras<\/em><\/strong>\u00a0ir\u00e1 sortear\u00a0<strong>exemplares <\/strong>de <strong><em>Para al\u00e9m das m\u00e1quinas de ador\u00e1vel gra\u00e7a: cultura hacker, cibern\u00e9tica e democracia<\/em><\/strong>, de <strong>Rafael Evangelista<\/strong>, entre quem apoia nosso jornalismo de profundidade e de perspectiva p\u00f3s-capitalista. O sorteio estar\u00e1 aberto para inscri\u00e7\u00f5es at\u00e9 a<strong>\u00a0segunda-feira<\/strong>\u00a0do dia\u00a0<strong>4\/5<\/strong>, \u00e0s\u00a0<strong>14h<\/strong>. Os membros da rede\u00a0<strong><em>Outros Quinhentos\u00a0<\/em><\/strong>receber\u00e3o o formul\u00e1rio de participa\u00e7\u00e3o via e-mail no boletim enviado para quem contribui. Cadastre-se em nosso\u00a0<strong>Apoia.se<\/strong>\u00a0para ter acesso!<\/p>\n<hr>\n<p><strong><em>Outras Palavras<\/em><\/strong>\u00a0disponibiliza sorteios, descontos e gratuidades para os leitores que contribuem todos os meses com a continuidade de seu projeto de jornalismo de profundidade e p\u00f3s-capitalismo.<\/p>\n<p><strong><em>Outros Quinhentos<\/em><\/strong>\u00a0\u00e9 a plataforma que re\u00fane a reda\u00e7\u00e3o e os leitores para o envio das contrapartidas, divulgadas todas as semanas. Participe!<\/p>\n<p><strong>N\u00c3O SABE O QUE \u00c9 O\u00a0<em>OUTROS QUINHENTOS<\/em>?<\/strong><br \/>\u2022 Desde 2013,\u00a0<em><strong>Outras Palavras<\/strong><\/em>\u00a0\u00e9 o primeiro\u00a0<em>site<\/em>\u00a0brasileiro sustentado essencialmente por seus leitores. O nome do nosso programa de financiamento coletivo \u00e9\u00a0<strong><em>Outros Quinhentos<\/em><\/strong>. Hoje, ele est\u00e1 sediado aqui:\u00a0apoia.se\/outraspalavras\/<br \/>\u2022 O\u00a0<strong><em>Outros Quinhentos<\/em><\/strong>\u00a0funciona assim: disponibilizamos espa\u00e7o em nosso\u00a0<em>site<\/em>\u00a0para parceiros que compartilham conosco aquilo que produzem \u2013 esses produtos e servi\u00e7os s\u00e3o oferecidos, logo em seguida, para nossos apoiadores.\u00a0<strong>S\u00e3o sorteios, descontos e gratuidades em livros, cursos, revistas, espet\u00e1culos culturais e cestas agroecol\u00f3gicas!\u00a0<\/strong>Convidamos voc\u00ea a fazer parte dessa rede.<br \/>\u2022 Se interessou? Clica\u00a0aqui!<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. Se voc\u00ea valoriza nossa produ\u00e7\u00e3o, seja nosso apoiador e fortale\u00e7a o jornalismo cr\u00edtico: <strong>apoia.se\/outraspalavras<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>The post Ser\u00e1 poss\u00edvel hackear os &lt;i&gt;c\u00f3digos autorit\u00e1rios&lt;\/i&gt;? appeared first on Outras Palavras.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/delacao-de-vorcaro-tem-flavio-bolsonaro-com-r-134-milhoes-de-dark-horse-e-ciro-nogeira\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Dela\u00e7\u00e3o de Vorcaro tem Fl\u00e1vio Bolsonaro \u2013 com R$ 1...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/2024-o-ano-mais-quente-da-historia-ultrapassa-limite-critico-de-15c\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/calor-extremo-1-2048x1433-1-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">2024: o ano mais quente da hist\u00f3ria ultrapassa lim...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/nova-fase-de-operacao-da-pf-mira-operador-financeiro-no-inss\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Nova fase de opera\u00e7\u00e3o da PF mira operador financei...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/eliziane-ve-forca-popular-e-preve-fim-da-escala-6x1-antes-das-eleicoes\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Eliziane v\u00ea for\u00e7a popular e prev\u00ea fim da escala 6\u00d7...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O algoritmo desenhado pelas big techs j\u00e1 substitui institui\u00e7\u00f5es humanas, modulam normas, comportamento e estruturas de poder. Como luta coletiva e apropria\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica popular podem alterar essa configura\u00e7\u00e3o? Seria o <i>fediverso<\/i> uma alternativa?<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/tecnologiaemdisputa\/sera-possivel-hackear-os-codigos-autoritarios\/\">Ser\u00e1 poss\u00edvel hackear os &lt;i&gt;c\u00f3digos autorit\u00e1rios&lt;\/i&gt;?<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":84700,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[7488,597,27232,51021,696,2343,2344,51022,467,2366,2916,51023,51024,51025,6800,5493],"tags":[],"class_list":["post-84699","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-algoritmos","category-big-techs","category-capitalismo-de-vigilancia","category-desordem-informacional","category-eleicoes","category-facebook","category-google","category-iaic","category-imprensa","category-jornalismo","category-midias-sociais","category-msi","category-predicao-de-comportamento","category-redes-federadas","category-shoshana-zuboff","category-tecnologia-em-disputa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/84699","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=84699"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/84699\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/84700"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=84699"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=84699"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=84699"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}