{"id":85073,"date":"2026-04-28T11:22:23","date_gmt":"2026-04-28T14:22:23","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/lisboa-nos-caminhos-da-revolucao-que-continuam-a-ser-escritos\/"},"modified":"2026-04-28T11:22:23","modified_gmt":"2026-04-28T14:22:23","slug":"lisboa-nos-caminhos-da-revolucao-que-continuam-a-ser-escritos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/lisboa-nos-caminhos-da-revolucao-que-continuam-a-ser-escritos\/","title":{"rendered":"Lisboa nos caminhos da revolu\u00e7\u00e3o que continuam a ser escritos"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"768\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Grafite-da-florista-Celeste-Caeiro-no-miradouro-de-Santa-Clara.jpeg\" alt=\"\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" srcset=\"https:\/\/vermelho.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Grafite-da-florista-Celeste-Caeiro-no-miradouro-de-Santa-Clara-1024x768.jpeg 1024w, 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f\u00edsica, de atravessamento de um territ\u00f3rio onde o passado n\u00e3o est\u00e1 encerrado, mas permanece ativo, latente e dispon\u00edvel a quem se disp\u00f5e a caminhar com aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Esses caminhos n\u00e3o obedecem a uma linearidade evidente, distribuem-se pela cidade como uma rede que conecta estrat\u00e9gia militar, a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, repress\u00e3o, resist\u00eancia e mem\u00f3ria, exigindo do visitante disposi\u00e7\u00e3o para o desvio, para a pausa e para o deslocamento, j\u00e1 que nem todos os pontos se encontram ao alcance de uma caminhada cont\u00ednua, sendo necess\u00e1rio, em determinado momento, deixar o centro, tomar um \u00f4nibus e atravessar uma Lisboa menos evidente para compreender que a revolu\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m se desenhou fora do olhar imediato, num espa\u00e7o onde tudo ainda era sil\u00eancio, c\u00e1lculo e decis\u00e3o.<\/p>\n<p>O percurso pode come\u00e7ar na Avenida de Berna, diante do mural da Faculdade de Ci\u00eancias Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, onde a figura de Salgueiro Maia se imp\u00f5e sobre o concreto urbano como uma presen\u00e7a que resiste ao tempo, e onde tive a oportunidade, ao longo de diferentes viagens, de acompanhar as sucessivas transforma\u00e7\u00f5es do painel, percebendo que as cores mudavam, os tra\u00e7os se alteravam e os elementos ao redor eram constantemente substitu\u00eddos, enquanto a figura central permanecia, criando um di\u00e1logo entre perman\u00eancia e transforma\u00e7\u00e3o que revela, de forma bastante clara, que a mem\u00f3ria de Abril n\u00e3o se fixa, mas se reinterpreta continuamente.<\/p>\n<figure>\n<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" data-id=\"742382\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Museu-do-Posto-de-Comando-do-Movimento-das-Forcas-Armadas-Quartel-da-Pontinha.jpeg\" alt=\"\" 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data-id=\"742383\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Mural-da-Universidade-Nova-de-Lisboa-onde-a-figura-de-Salgueiro-Maia-Avenida-de-Berna.jpeg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/vermelho.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Mural-da-Universidade-Nova-de-Lisboa-onde-a-figura-de-Salgueiro-Maia-Avenida-de-Berna-1024x768.jpeg 1024w, https:\/\/vermelho.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Mural-da-Universidade-Nova-de-Lisboa-onde-a-figura-de-Salgueiro-Maia-Avenida-de-Berna-300x225.jpeg 300w, https:\/\/vermelho.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Mural-da-Universidade-Nova-de-Lisboa-onde-a-figura-de-Salgueiro-Maia-Avenida-de-Berna-768x576.jpeg 768w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Mural-da-Universidade-Nova-de-Lisboa-onde-a-figura-de-Salgueiro-Maia-Avenida-de-Berna.jpeg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption>Mural da Universidade Nova de Lisboa, onde a figura de Salgueiro Maia, Avenida de Berna<\/figcaption><\/figure>\n<\/figure>\n<p>Permanecer alguns minutos diante daquele mural permite compreender que ali n\u00e3o est\u00e1 apenas um ponto de partida geogr\u00e1fico, mas uma chave de leitura para todo o percurso, pois antes mesmo de alcan\u00e7ar os lugares onde a revolu\u00e7\u00e3o se desenrolou, a cidade apresenta a forma como escolhe lembr\u00e1-la, deslocando o olhar do passado para o presente e mostrando que Lisboa n\u00e3o apenas guarda Abril, mas o reescreve de forma constante.<\/p>\n<p>Para compreender o que efetivamente aconteceu, \u00e9 preciso sair dali e aceitar o deslocamento at\u00e9 o Quartel da Pontinha, um movimento que exige tempo, pois n\u00e3o se trata de um lugar integrado ao circuito tur\u00edstico habitual, e essa dist\u00e2ncia f\u00edsica ajuda a entender que a revolu\u00e7\u00e3o, antes de se tornar vis\u00edvel, foi pensada em um espa\u00e7o de conten\u00e7\u00e3o, onde, entre os dias 24 e 26 de abril de 1974, oficiais coordenavam as opera\u00e7\u00f5es, recebiam informa\u00e7\u00f5es e ajustavam estrat\u00e9gias com precis\u00e3o absoluta, enquanto a cidade ainda permanecia alheia ao que estava prestes a acontecer.<\/p>\n<p>Esse momento de elabora\u00e7\u00e3o silenciosa encontra na r\u00e1dio o ponto de transi\u00e7\u00e3o entre o plano e a a\u00e7\u00e3o, e \u00e9 importante recordar que tudo come\u00e7a com uma primeira senha, transmitida \u00e0s 22 horas e 55 minutos do dia 24 de abril pelos Emissores Associados de Lisboa, com a can\u00e7\u00e3o \u201cE Depois do Adeus\u201d, interpretada por Paulo de Carvalho e composta por Jos\u00e9 Niza, vencedora do Festival da Can\u00e7\u00e3o no ano anterior, uma escolha aparentemente trivial, mas cuidadosamente pensada para n\u00e3o levantar suspeitas, sendo seguida j\u00e1 na madrugada, \u00e0s 00 horas e 20 minutos do dia 25 de abril, pela transmiss\u00e3o de \u201cGr\u00e2ndola, Vila Morena\u201d, de Jos\u00e9 Afonso, a partir da R\u00e1dio Renascen\u00e7a, confirmando o in\u00edcio das opera\u00e7\u00f5es e marcando o ponto de n\u00e3o retorno de todo o processo, sendo ainda mais significativo lembrar que Jos\u00e9 Afonso era um dos artistas mais associados \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o ao regime e cuja obra sofria censura, o que transforma a escolha da can\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas num c\u00f3digo operacional, mas num gesto pol\u00edtico carregado de sentido.<\/p>\n<figure>\n<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" data-id=\"742384\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Edificio-da-antiga-sede-da-PIDE_DGS-na-Rua-Antonio-Maria-Cardoso-Chiado.jpeg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/vermelho.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Edificio-da-antiga-sede-da-PIDE_DGS-na-Rua-Antonio-Maria-Cardoso-Chiado-1024x768.jpeg 1024w, 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seria imposs\u00edvel por outros meios naquele contexto, raz\u00e3o pela qual foi rapidamente ocupada pelos militares revoltosos e integrada ao conjunto de pontos estrat\u00e9gicos controlados ao longo do dia, e que hoje, ap\u00f3s a sa\u00edda da emissora no in\u00edcio dos anos 2000, abriga um hotel de luxo, criando mais uma camada de contraste na cidade, onde o espa\u00e7o que um dia colocou em movimento uma transforma\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica passa a integrar a l\u00f3gica contempor\u00e2nea de consumo, sem que, no entanto, seja poss\u00edvel apagar completamente o peso do que ali aconteceu.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que o plano se materializa, o roteiro passa a desenhar-se no espa\u00e7o urbano, conduzindo ao Chiado e \u00e0 Rua Ant\u00f3nio Maria Cardoso, onde o edif\u00edcio da antiga sede da PIDE\/DGS se imp\u00f5e como um dos pontos mais densos de todo o percurso, n\u00e3o pela sua apar\u00eancia atual, que pouco revela, mas pelo que ali se concentrou durante d\u00e9cadas, com pr\u00e1ticas de vigil\u00e2ncia, interrogat\u00f3rio e tortura que sustentaram o regime, e que, no dia 25 de abril, culminaram num dos epis\u00f3dios mais tr\u00e1gicos daquele dia, quando agentes dispararam sobre a multid\u00e3o, provocando a morte de quatro pessoas e deixando dezenas de feridos, num momento que rompe com a imagem de uma revolu\u00e7\u00e3o sem viol\u00eancia e exp\u00f5e a resist\u00eancia do poder em ceder.<\/p>\n<p>O contraste entre passado e presente torna-se inevit\u00e1vel ao perceber que, naquele mesmo edif\u00edcio, hoje funciona um espa\u00e7o comercial sofisticado, uma loja de design de alto padr\u00e3o, criando um apagamento silencioso que revela como, mesmo em um pa\u00eds que construiu uma mem\u00f3ria forte sobre a revolu\u00e7\u00e3o, algumas marcas da repress\u00e3o tendem a diluir-se na l\u00f3gica cotidiana da cidade.<\/p>\n<figure>\n<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" 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enfraqueceram de forma decisiva o regime, num contexto em que a tens\u00e3o era real, incluindo o momento em que uma fragata da OTAN, posicionada no rio, chegou a apontar na dire\u00e7\u00e3o das for\u00e7as revolucion\u00e1rias, criando a possibilidade concreta de um confronto armado que poderia ter alterado profundamente o desfecho da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Hoje, o que se v\u00ea \u00e9 uma ocupa\u00e7\u00e3o leve do espa\u00e7o, com turistas caminhando sem pressa, casais se aproximando do rio e m\u00e3es empurrando carrinhos de beb\u00ea com tranquilidade, compondo uma cena que evidencia como a cidade absorve e transforma os seus pr\u00f3prios marcos hist\u00f3ricos, muitas vezes sem explicitar o que ali esteve em jogo.<\/p>\n<p>Para compreender a profundidade desse processo, \u00e9 necess\u00e1rio atravessar tamb\u00e9m o Museu do Aljube Resist\u00eancia e Liberdade, um espa\u00e7o que j\u00e1 havia visitado outras vezes, mas que desta vez se apresentou de forma mais intensa, talvez pela pr\u00f3pria carga acumulada do percurso, com suas celas recriadas, registros sonoros, imagens e poesias espalhadas pelas paredes, criando uma experi\u00eancia que n\u00e3o permite distanciamento e que evidencia que a revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o come\u00e7a em 1974, mas \u00e9 resultado das guerras coloniais e de d\u00e9cadas de repress\u00e3o e resist\u00eancia.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse contexto que gestos aparentemente simples ganham outra dimens\u00e3o, como o de Celeste Caeiro, a florista que colocou um cravo no cano de uma espingarda, alterando radicalmente o significado daquele momento e transformando o vermelho, que poderia ser de sangue, em s\u00edmbolo de liberdade, gesto que hoje \u00e9 lembrado por um mural recente pr\u00f3ximo ao miradouro de Santa Clara, reafirmando a for\u00e7a dessa imagem na mem\u00f3ria da cidade.<\/p>\n<figure>\n<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"767\" 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espa\u00e7o relativamente contido, mas carregado de significado, onde uma placa no ch\u00e3o, naquele dia rodeada de cravos, marca o lugar em que a hist\u00f3ria se condensou, culminando na sa\u00edda de Caetano numa chaimite, imagem que sintetiza o colapso do regime e que marca o in\u00edcio de um percurso que o levaria \u00e0 Pontinha, depois \u00e0 Madeira e, por fim, ao ex\u00edlio no Brasil.<\/p>\n<p>Esse momento carrega em si uma tens\u00e3o que n\u00e3o desaparece, pois a hist\u00f3ria poderia ter seguido outro caminho, e \u00e9 precisamente nessa possibilidade n\u00e3o concretizada que se revela a singularidade do processo e a dimens\u00e3o da escolha que ali se consolidou.<\/p>\n<p>Os caminhos da revolu\u00e7\u00e3o, no entanto, n\u00e3o se encerram naquele ponto, prolongam-se na forma como essa mem\u00f3ria continua a ser constru\u00edda e disputada no presente, seja na Associa\u00e7\u00e3o 25 de Abril, onde o passado \u00e9 mantido vivo atrav\u00e9s da a\u00e7\u00e3o dos seus protagonistas, seja no painel coletivo de azulejos instalado no Rossio, promovido pelo Partido Comunista Portugu\u00eas (PCP) no contexto das comemora\u00e7\u00f5es dos cinquenta anos da revolu\u00e7\u00e3o, uma obra concebida como processo participativo e constru\u00edda a partir da contribui\u00e7\u00e3o de centenas de pessoas que, ao longo de oficinas realizadas em diferentes espa\u00e7os, foram convidadas a traduzir em azulejo as suas experi\u00eancias, leituras e sentimentos sobre Abril, compondo um grande cravo vis\u00edvel \u00e0 dist\u00e2ncia e, ao mesmo tempo, um mosaico de m\u00faltiplas narrativas quando observado de perto.<\/p>\n<p>Trata-se de uma iniciativa assumidamente pol\u00edtica, n\u00e3o apenas pela sua autoria, o PCP, mas pela forma como articula mem\u00f3ria e a\u00e7\u00e3o ao afirmar que Abril vive em cada tra\u00e7o de cada azulejo e ao inscrever no pr\u00f3prio processo coletivo de cria\u00e7\u00e3o a ideia de que a revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 conclu\u00edda, mas permanece como tarefa, como projeto e como horizonte.<\/p>\n<p>Inserido no cora\u00e7\u00e3o da cidade e exposto ao fluxo cotidiano de quem passa, o painel transforma o espa\u00e7o urbano num lugar de afirma\u00e7\u00e3o, onde a revolu\u00e7\u00e3o deixa de ser apenas evoca\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e se torna posicionamento, revelando que os caminhos de Abril n\u00e3o terminam nos lugares onde ele aconteceu, mas seguem sendo escritos na forma como cada gera\u00e7\u00e3o decide compreend\u00ea-lo, reivindic\u00e1-lo e transform\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Percorrer Lisboa a partir desses lugares deixa de ser uma atividade tur\u00edstica e passa a ser uma experi\u00eancia pedag\u00f3gica, pois cada ponto revela uma etapa, cada espa\u00e7o uma camada e cada gesto uma possibilidade de leitura, mostrando que a cidade n\u00e3o funciona apenas como cen\u00e1rio, mas como estrutura ativa de um processo hist\u00f3rico que continua a produzir significado e que permanece aberto \u00e0queles que decidem atravess\u00e1-lo com aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Abril continua.<\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/vermelho.org.br\/2026\/04\/28\/lisboa-nos-caminhos-da-revolucao-que-continuam-a-ser-escritos\/\">Lisboa nos caminhos da revolu\u00e7\u00e3o que continuam a ser escritos<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/vermelho.org.br\/\">Vermelho<\/a>.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/papa-francisco-deseja-feliz-pascoa-e-denuncia-situacao-em-gaza-dramatica-e-ignobil\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" 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