{"id":85366,"date":"2026-04-29T15:50:15","date_gmt":"2026-04-29T18:50:15","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/duca-leal-a-musa-que-atravessou-o-tempo-e-escreveu-outras-esquinas\/"},"modified":"2026-04-29T15:50:15","modified_gmt":"2026-04-29T18:50:15","slug":"duca-leal-a-musa-que-atravessou-o-tempo-e-escreveu-outras-esquinas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/duca-leal-a-musa-que-atravessou-o-tempo-e-escreveu-outras-esquinas\/","title":{"rendered":"Duca Leal, a musa que atravessou o tempo e escreveu outras esquinas"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"768\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/IMG_4624-2048x1536-1.jpeg\" alt=\"\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" srcset=\"https:\/\/vermelho.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/IMG_4624-1024x768.jpeg 1024w, https:\/\/vermelho.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/IMG_4624-300x225.jpeg 300w, https:\/\/vermelho.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/IMG_4624-768x576.jpeg 768w, https:\/\/vermelho.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/IMG_4624-1536x1152.jpeg 1536w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/IMG_4624-2048x1536-1.jpeg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><\/p>\n<p>H\u00e1 can\u00e7\u00f5es que viram trilha sonora de gera\u00e7\u00f5es, mas h\u00e1 mulheres que, sem pedir para virar musa, acabam carregando a partitura de uma \u00e9poca. Maria do Carmo Leal dos Santos, a Duca, nunca pediu para ser a \u201cIndiazinha\u201d de Um Girassol da Cor do Seu Cabelo, de 1972. Foi o tempo, a esquina e um encontro em Belo Horizonte que a colocaram no centro de um dos movimentos mais f\u00e9rteis da m\u00fasica brasileira.\u00a0<\/p>\n<p>Agora, aos 70 anos, ela devolve ao p\u00fablico n\u00e3o apenas a musa, mas a protagonista de Hist\u00f3rias de Outras Esquinas, livro que nasce de di\u00e1rios, cartas e da mem\u00f3ria viva de quem atravessou a ditadura, o amor, a maternidade e a arte com a mesma intensidade.<\/p>\n<p>De passagem por S\u00e3o Paulo para lan\u00e7ar seu livro, feito artesanalmente, Duca falou ao <strong>Portal Vermelho<\/strong>, mostrou fotos de \u00e9poca e contou causos daquele momento fervilhante de mineiridade na m\u00fasica brasileira.<\/p>\n<p>Para comprar o livro, <a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/HIST%C3%93RIAS-OUTRAS-ESQUINAS-Duca-Leal\/dp\/6525153972\">CLIQUE AQUI<\/a><\/p>\n<p><strong>A esquina que me escolheu<\/strong><\/p>\n<div>\n<figure><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"1024\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/IMG_4618-scaled-1.jpeg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/vermelho.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/IMG_4618-768x1024.jpeg 768w, https:\/\/vermelho.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/IMG_4618-225x300.jpeg 225w, https:\/\/vermelho.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/IMG_4618-1152x1536.jpeg 1152w, https:\/\/vermelho.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/IMG_4618-1536x2048.jpeg 1536w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/IMG_4618-scaled-1.jpeg 1920w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\"><figcaption><em><sup>Duca Leal e suas mem\u00f3rias de m\u00fasica e poesia Foto Cezar Xavier<\/sup><\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>\u201cN\u00e3o fui eu que escolhi o Clube da Esquina. Foi ele que chegou em mim\u201d, conta Duca, em entrevista ao <strong>Portal Vermelho<\/strong>. O relato n\u00e3o \u00e9 o de uma espectadora, mas de quem respirou a efervesc\u00eancia cultural dos anos 70 enquanto o Brasil gemia sob o peso da censura.\u00a0<\/p>\n<p>Em Santa Tereza, no Rio, sua casa n\u00e3o era apenas morada: era ref\u00fagio. Foi ali que ela escondeu o militante torturado e morto pelos militares Jos\u00e9 Carlos da Mata Machado, sob risco da pr\u00f3pria liberdade. Tinha medo de seu marido sair e n\u00e3o voltar, s\u00f3 por ter cabelo comprido. Duca tamb\u00e9m foi uma ativa militante pela anistia, ao organizar um show em agosto de 1979 com Gilberto Gil, Luis Melodia, Jorge Mautner, Brilho da Cidade, para denunciar a greve de fome dos presos pol\u00edticos.<\/p>\n<p>\u201cA repress\u00e3o espremeu tanto que foi saindo pela arte\u201d, reflete. As m\u00fasicas passavam pelo crivo da ditadura, os cabelos longos eram alvo de persegui\u00e7\u00e3o, e o medo era companheiro de mesa. Mas, como ela mesma observa, a criatividade brotava onde o sil\u00eancio tentava imperar. \u201cSe n\u00e3o fizessem m\u00fasica, iam ficar doidos. N\u00e3o era por fama, era por necessidade de alma.\u201d<\/p>\n<p><strong>Feminismo que se vive, n\u00e3o se nomeia<\/strong><\/p>\n<p>Duca n\u00e3o usava camisetas com slogans, nem discursos acad\u00eamicos. Seu feminismo cabia no gesto: no bonde em que recusou descer do estribo quando o cobrador a repreendeu, na convic\u00e7\u00e3o de que sua opini\u00e3o valia tanto quanto a de qualquer homem, na decis\u00e3o de n\u00e3o depender de ningu\u00e9m antes mesmo de casar aos 16 anos.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cEu n\u00e3o falava de feminismo, eu vivia o feminismo\u201d, afirma. Essa postura a levou al\u00e9m do papel de inspira\u00e7\u00e3o. Tornou-se produtora de um dos primeiros discos independentes do Brasil (Aline), idealizou Os Borges e viu duas de suas composi\u00e7\u00f5es ganharem voz na elite da MPB: Outro Cais, gravada por Elis Regina, e Pros Meninos, com Milton Nascimento. \u201cEu precisava me encontrar. N\u00e3o bastava ser a mulher do Marcinho ou m\u00e3e dos meus filhos. Tinha que ser Duca tamb\u00e9m.\u201d<\/p>\n<p><strong>Outras esquinas, mesmas mem\u00f3rias<\/strong><\/p>\n<p>O livro n\u00e3o \u00e9 uma cr\u00f4nica oficial do movimento mineiro. \u00c9 um mapa afetivo. Para escrever, Duca adotou a terceira pessoa, chamando a si mesma de \u201cIndiazinha\u201d e a M\u00e1rcio Borges de \u201cPoeta\u201d. \u201cPrecisei me distanciar para n\u00e3o julgar a garota que fui\u201d, explica.\u00a0<\/p>\n<p>Nas 400 p\u00e1ginas, misturam-se di\u00e1rios de adolesc\u00eancia, cartas de Salom\u00e3o Borges, fotografias raras e versos nunca publicados. \u201c\u00c9 quase um livro de gibi\u201d, brinca.\u00a0<\/p>\n<p>Mais do que documentar \u00e1lbuns, a obra registra uma mulher que aprendeu a navegar entre a falta de dinheiro, a separa\u00e7\u00e3o, a milit\u00e2ncia pela anistia e a descoberta de que toda vida, por mais comum que pare\u00e7a, guarda seu pr\u00f3prio cl\u00e1ssico. \u201cToda vida d\u00e1 um livro. A minha, por ter atravessado essa efervesc\u00eancia, talvez mere\u00e7a ser contada.\u201d<\/p>\n<p><strong>O girassol que n\u00e3o murcha<\/strong><\/p>\n<p>Hoje, Duca vive em um s\u00edtio em Betim (MG), av\u00f3 de cinco netos, m\u00e3e do JOVEM militante comunista Rafael Leal e leitora atenta do presente. Quando olha para a nova gera\u00e7\u00e3o, n\u00e3o v\u00ea apenas repeti\u00e7\u00e3o, v\u00ea continuidade. \u201c\u00c9 maravilhoso ver esses jovens fazendo pol\u00edtica. \u00c9 a esperan\u00e7a que a gente precisa\u201d, diz.\u00a0<\/p>\n<p>O Clube da Esquina j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 um projeto, \u00e9 patrim\u00f4nio. E Um Girassol da Cor do Seu Cabelo segue florescendo, n\u00e3o como rel\u00edquia, mas como testemunho de que a arte nasce do encontro, da coragem e das esquinas que a vida nos obriga a atravessar.\u00a0<\/p>\n<p>A leitura de Hist\u00f3rias de Outras Esquinas \u00e9 o encontro com a hist\u00f3ria de uma mulher que, sem querer virar express\u00e3o de uma beleza mineira e moderna, acabou ensinando que mem\u00f3ria \u00e9 o \u00fanico girassol que nunca perde a cor.<\/p>\n<\/p>\n<p>Leia trechos da entrevista sobre \u201cHist\u00f3rias de Outras Esquinas\u201d, Clube da Esquina e mem\u00f3rias de uma \u00e9poca:<\/p>\n<p><strong>Portal Vermelho: Duca, como foi viver toda essa efervesc\u00eancia cultural do Clube da Esquina atravessando a ditadura militar?<\/strong><\/p>\n<p>Duca Leal: Pois \u00e9, eu penso assim\u2026 Na \u00e9poca, eu n\u00e3o tinha nem essa consci\u00eancia de que fazia parte de um movimento musical. Eu era s\u00f3 a garota que se apaixonou. Tinha o Bituca, um cara que j\u00e1 tinha gravado disco nos Estados Unidos. Mas a gente sentia, sim, uma repress\u00e3o muito forte. Muito forte. As m\u00fasicas eram todas passadas pela censura. E eu, pelo menos, j\u00e1 tinha um sentimento de ser marginal, porque a gente fumava um. Al\u00e9m disso, a gente era totalmente contra a ditadura, nos sent\u00edamos perseguidos. E a nossa casa era cheia de gente: n\u00e3o eram s\u00f3 os m\u00fasicos do Clube da Esquina, era o pessoal do teatro, do cinema, jornalistas\u2026 Era um povo doido demais.<\/p>\n<p><strong>Vermelho: Voc\u00ea chegou a abrigar o militante Jos\u00e9 Carlos da Mata Machado em casa. Como foi isso?<\/strong><\/p>\n<p>Duca: Eu recebi o Z\u00e9 Carlos l\u00e1 na casa, tudo contadinho no meu livro. Eu sabia que a Gina tinha um irm\u00e3o desaparecido, na clandestinidade. Mas s\u00f3 sabia isso, nem sabia o nome. A\u00ed um dia toca na porta, eu sozinha l\u00e1 embaixo estudando, e ele fala: \u201cDesculpe, eu n\u00e3o liguei antes. Eu sou irm\u00e3o da Gina\u201d. Eu falei: \u201cClaro, entra\u201d. Um dia ele foi fazer feira comigo e, no bonde, ele falou: \u201cN\u00e3o olhe pra mim, fa\u00e7a de conta que voc\u00ea nem me conhece, porque estou sendo seguido. Vou descer no pr\u00f3ximo ponto e voc\u00ea segue em uma boa\u201d. Foi tenso.<\/p>\n<p><strong>Vermelho: As letras do Clube da Esquina t\u00eam um lirismo muito forte. Era uma forma de falar da ditadura sem ser direto?<\/strong><\/p>\n<p>Duca: As letras do Chico Buarque eram bem mais diretas. Eu, sinceramente, nessa \u00e9poca, estava muito envolvida com os meninos, com as crian\u00e7as, meu pr\u00e9-vestibular\u2026 Eu queria fazer faculdade. Na minha fam\u00edlia, todo mundo fez. Essa foi uma das grandes tristezas da minha vida: n\u00e3o poder continuar estudando. Casei com 16 anos, era a mulher do Marcinho, m\u00e3e dos meus filhos. Quando vi que precisava me encontrar, foi dif\u00edcil. Passei no vestibular da PUC em segundo lugar para Psicologia, mas s\u00f3 cursei um semestre.<\/p>\n<p><strong>Vermelho: Mas voc\u00ea tamb\u00e9m comp\u00f4s, n\u00e3o \u00e9? Fale sobre \u201cOutro Cais\u201d, gravada por Elis Regina.<\/strong><\/p>\n<p>Duca: Eu compus, sim. No meu livro tem muitos poemas meus, uns 20. Eu fiz a letra de \u201cOutro Cais\u201d, parceria com Marilton Borges, que a Elis Regina gravou no disco Os Borges, que eu idealizei e produzi. Quando eu me separei do Marcinho, em 79, j\u00e1 tinha feito a produ\u00e7\u00e3o do disco da Aline, um dos primeiros independentes do Brasil. Foi na \u00e9poca em que eu militava no CBA, pelo movimento da anistia. Os meninos pediram pra gente fazer o show \u201cM\u00fasica pela Anistia\u201d. Foi um sucesso, os meninos foram soltos, e eu e o Marcinho voltamos.<\/p>\n<p><strong>Vermelho: Como foi o encontro que levou voc\u00ea ao Clube da Esquina?<\/strong><\/p>\n<p>Duca: O Clube da Esquina \u00e9 que chegou em mim. Eu e uma amiga est\u00e1vamos saindo do bairro, v\u00e9spera da final da Copa de 70. Ela me chamou pra casa do Marilton, que era uma festa. No dia seguinte, ela me liga: \u201cDuca, descobri que o Marcinho, irm\u00e3o do Marilton, quer muito encontrar o Schubert\u201d \u2014 meu cunhado. Quando eu tinha 12 anos, na festa de casamento do Schubert, o Marcinho tinha tomado um p\u00f3 e ficado dando em cima de mim. Eu achei ele velh\u00edssimo! Mas fomos, e l\u00e1 estava o Bituca, o L\u00f4, o Fernando\u2026 E foi assim.<\/p>\n<p><strong>Vermelho: Voc\u00ea era a \u00fanica mulher nas fotos do Clube. Como se sentia?<\/strong><\/p>\n<p>Duca: Eu fui vivendo, sabe? Tinha que ter a minha hist\u00f3ria. Eu tinha muita dificuldade com o Marcinho, que n\u00e3o arrumava a casa, n\u00e3o lavava a lou\u00e7a. Mas eu n\u00e3o me sentia inferior a nenhum homem. S\u00f3 culturalmente, porque eles eram muito mais velhos. O M\u00e1rcio \u00e9 nove anos mais velho que eu. Eles j\u00e1 tinham vivido o per\u00edodo antes da ditadura, conversavam sobre Marx, Engels\u2026 Eu viajava um pouco, estava no ensino m\u00e9dio. Mas lia muito. Minha irm\u00e3 fazia Letras na UFMG e me levava livros.<\/p>\n<p><strong>Vermelho: O que unificava esteticamente o Clube da Esquina? Por que essa sonoridade t\u00e3o reconhec\u00edvel?<\/strong><\/p>\n<p>Duca: Foi uma coisa espont\u00e2nea. Eles moravam no edif\u00edcio Levi, em BH, e um dia o Beto passou de patinete, conheceu o L\u00f4, ficaram amigos. Concomitantemente, o Bituca veio de Tr\u00eas Pontas e foi morar numa pens\u00e3o nesse pr\u00e9dio. Foi o Marilton que \u201csacou\u201d o Bituca primeiro. Eles eram super criativos, n\u00e3o foram estudar m\u00fasica, ficavam na rua tocando. Misturavam Beatles, que o Beto e o L\u00f4 escutavam \u00e0 noite, m\u00fasica sacra do interior mineiro, jazz\u2026 Era isso: amizade, criatividade e necessidade de fazer m\u00fasica. N\u00e3o era pra ganhar dinheiro, era o que a alma pedia.<\/p>\n<p><strong>Vermelho: E a Tropic\u00e1lia, como voc\u00eas viam na \u00e9poca?<\/strong><\/p>\n<p>Duca: A gente adorava! Eles eram amigos, iam l\u00e1 jogar futebol com o Chico. O Caetano era super gente fina. Teve uma \u00e9poca que moramos no Jardim de Al\u00e1 e, no apartamento de baixo, morava o Raul Seixas. Eu falei pro Marcinho: \u201cN\u00e3o quero Raul Seixas na casa, \u00e9 doido demais\u201d. Mas um dia toca a campainha: era o Raul com o Caetano. A\u00ed eu falei: \u201cAh, ent\u00e3o, beleza\u201d. Eu gostava das m\u00fasicas dele, mas achava ele muito doido. Eu era a \u201ccareta\u201d da casa.<\/p>\n<p><strong>Vermelho: Voc\u00ea diz que era feminista sem falar de feminismo. Como era isso na pr\u00e1tica?<\/strong><\/p>\n<p>Duca: Antes de me casar, eu dizia que ia fazer engenharia, sair de casa, n\u00e3o depender de ningu\u00e9m. Casei com 16 anos, n\u00e3o estava gr\u00e1vida, mas foi uma coisa que vinha t\u00e3o de dentro de mim que eu nem racionalizava. Eu achava que minha opini\u00e3o valia tanto quanto a do Marcinho. No trem, mulher n\u00e3o podia andar no estribo. Eu ia mesmo, at\u00e9 o motorneiro me ver. Um dia ele me viu e gritou: \u201cDesce!\u201d. Eu pulei antes e falei: \u201cVoc\u00ea n\u00e3o gosta de mulher, n\u00e9?\u201d. Eu vivia o feminismo, n\u00e3o precisava nomear.<\/p>\n<p><strong>Vermelho: Seu filho Rafael \u00e9 lideran\u00e7a da Juventude Comunista. Como \u00e9 ver essa nova gera\u00e7\u00e3o fazendo pol\u00edtica?<\/strong><\/p>\n<p>Duca: Maravilhoso! O pai do Rafael tamb\u00e9m \u00e9 petista, comunista. Quando o Rafael entrou na adolesc\u00eancia, eu entrei na educa\u00e7\u00e3o de Betim, fiz concurso, militava com a Bia Siqueira. O Rafael foi vindo junto e eu dei a maior for\u00e7a. Tenho o maior orgulho dele. \u00c9 a esperan\u00e7a que a gente precisa, porque o neg\u00f3cio t\u00e1 muito complicado.<\/p>\n<p><strong>Vermelho: E a m\u00fasica hoje? Dialoga com a hist\u00f3ria como o Clube da Esquina dialogou?<\/strong><\/p>\n<p>Duca: Um pouco, n\u00e9? Como o Chico, o Caetano, o Gil. Mas eu achava, na \u00e9poca, que os m\u00fasicos eram muito alienados. O neg\u00f3cio deles era m\u00fasica, tocar. Os compositores, um pouco menos. Tinha o Fernando Brant pra fazer umas m\u00fasicas mais engajadas, depois da ditadura. No \u00e1lbum 2 tem uma m\u00fasica do Ruy Guerra sobre a Leila Diniz que era incr\u00edvel, mas a palavra \u201cguerrilha\u201d foi cortada pela censura. O Chico mesmo contava que colocava a letra num texto maior pra passar.<\/p>\n<p><strong>Vermelho: Por que voc\u00ea escreveu \u201cHist\u00f3rias de Outras Esquinas\u201d? O que quer dizer com essa nova gera\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Duca: Eu sempre escrevi, desde os 8, 10 anos. Fiz di\u00e1rio, poemas. Deixei de fazer poema quando entrei nesse meio, porque competi com Ronaldo Bastos, Fernando Brant e M\u00e1rcio Borges. Mas mod\u00e9stia \u00e0 parte, acho que minha vida \u00e9 muito rica. Toda vida d\u00e1 um livro. A minha, por ter vivido essa efervesc\u00eancia, talvez mere\u00e7a ser contada. O livro n\u00e3o \u00e9 sobre o Clube da Esquina, \u00e9 sobre \u201coutras esquinas\u201d que eu atravessei: maternidade, separa\u00e7\u00e3o, milit\u00e2ncia, espiritualidade.<\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/vermelho.org.br\/2026\/04\/29\/duca-leal-a-musa-que-atravessou-o-tempo-e-escreveu-outras-esquinas\/\">Duca Leal, a musa que atravessou o tempo e escreveu outras esquinas<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/vermelho.org.br\/\">Vermelho<\/a>.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/atleta-de-volei-e-punida-por-celebrar-a-prisao-de-bolsonaro-em-mundial\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Atleta de v\u00f4lei \u00e9 punida por celebrar a pris\u00e3o de ...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/apos-mortes-em-baile-funk-na-periferia-de-sao-paulo-familia-relata-perseguicao-da-pm\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Ap\u00f3s mortes em baile funk na periferia de S\u00e3o Paul...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/sul21.com.br\/opiniao\/2025\/10\/das-provas-da-vida-por-willian-bouviet\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Das Provas da Vida\u2026 (por Willian Bouviet)<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/assentamento-do-mst-no-ceara-realiza-25a-festival-junino-da-reforma-agraria\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/20250704185648_IMG_1221-1-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Assentamento do MST no Cear\u00e1 realiza 25\u00aa Festival ...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 can\u00e7\u00f5es que viram trilha sonora de gera\u00e7\u00f5es, mas h\u00e1 mulheres que, sem pedir para virar musa, acabam carregando a partitura de uma \u00e9poca. Maria do Carmo Leal dos Santos, a Duca, nunca pediu para ser a \u201cIndiazinha\u201d de Um Girassol da Cor do Seu Cabelo, de 1972. Foi o tempo, a esquina e um [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[14698,28062,309,52989,52990,28067,52991,4463,11576,52992],"tags":[],"class_list":["post-85366","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-beto-guedes","category-clube-da-esquina","category-cultura","category-duca-leal","category-flavio-venturini","category-lo-borges","category-marcio-b-orges","category-milton-nascimento","category-toninho-horta","category-wagner-tiso"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85366","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=85366"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85366\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=85366"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=85366"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=85366"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}