{"id":85574,"date":"2026-04-30T20:06:16","date_gmt":"2026-04-30T23:06:16","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/a-politica-de-juros-do-banco-central-e-um-desastre\/"},"modified":"2026-04-30T20:06:16","modified_gmt":"2026-04-30T23:06:16","slug":"a-politica-de-juros-do-banco-central-e-um-desastre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/a-politica-de-juros-do-banco-central-e-um-desastre\/","title":{"rendered":"A pol\u00edtica de juros do Banco Central \u00e9 um desastre"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"576\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/sabatina-galipolo-senado-1jpg-2048x1152-1.webp\" alt=\"\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" srcset=\"https:\/\/vermelho.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/sabatina-galipolo-senado-1.jpg-1024x576.webp 1024w, https:\/\/vermelho.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/sabatina-galipolo-senado-1.jpg-300x169.webp 300w, https:\/\/vermelho.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/sabatina-galipolo-senado-1.jpg-768x432.webp 768w, https:\/\/vermelho.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/sabatina-galipolo-senado-1.jpg-1536x864.webp 1536w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/sabatina-galipolo-senado-1jpg-2048x1152-1.webp 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><\/p>\n<p>\u201cGabriel Gal\u00edpolo \u00e9 um traidor\u201d, disparou Bresser-Pereira h\u00e1 poucos dias. N\u00e3o iria t\u00e3o longe, ainda tenho uma esperan\u00e7a (minguante) de que Gal\u00edpolo possa reorientar a pol\u00edtica monet\u00e1ria. Mas n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que \u00e9 imensa a frustra\u00e7\u00e3o com o presidente e os diretores do Banco Central \u2013 tanto mais que todos eles foram nomeadas pelo presidente Lula<\/p>\n<p>Que diferen\u00e7a fez a nova diretoria do Banco Central at\u00e9 agora? Pode ser que estejam preparando coisas important\u00edssimas nos bastidores, mas n\u00e3o se nota por enquanto nenhuma mudan\u00e7a expressiva em compara\u00e7\u00e3o com a gest\u00e3o Roberto Campos Neto. Os juros continuam na lua, produzindo estragos consider\u00e1veis no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Antes de entrar no assunto, fa\u00e7o duas ressalvas r\u00e1pidas. Primeira: Gabriel Gal\u00edpolo \u00e9 um quadro de valor, experiente (apesar de jovem) e conhecedor dos meandros do mercado financeiro. Os problemas que apontarei no artigo n\u00e3o decorrem de incompet\u00eancia ou despreparo dele. Segunda ressalva: o Banco Central tem atribui\u00e7\u00f5es variadas: conduz a pol\u00edtica monet\u00e1ria por meio da taxa b\u00e1sica de juros (a Selic); supervisiona e regula o sistema financeiro; administra a pol\u00edtica cambial e as reservas internacionais do pa\u00eds; e cuida do sistema de pagamentos, entre outras atribui\u00e7\u00f5es. Vou tratar neste artigo apenas da primeira atribui\u00e7\u00e3o, a mais central e que chama mais aten\u00e7\u00e3o \u2013 a pol\u00edtica de juros.<\/p>\n<p>Bem. Nesse terreno, a pol\u00edtica monet\u00e1ria comete um \u201cerro grotesco\u201d, como disse recentemente um participante do mercado financeiro em entrevista a um jornal. De fato, as taxas de juro no Brasil impressionam qualquer um. H\u00e1 casos de outros pa\u00edses relevantes que tenham mantido juros reais na estratosfera por tanto tempo? Se existem, s\u00e3o rar\u00edssimos.<\/p>\n<p>Apesar das duas redu\u00e7\u00f5es de 0,25 ponto percentual nas \u00faltimas reuni\u00f5es do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom), a Selic se situa em cerca de 10% a.a. em termos reais ex ante, isto \u00e9, quando a taxa nominal \u00e9 deflacionada pelas proje\u00e7\u00f5es de infla\u00e7\u00e3o do Banco Central e do mercado. E, pior, os juros m\u00e9dios cobrados pelos bancos e outras institui\u00e7\u00f5es financeiras, na faixa livre de cr\u00e9dito, situam-se em torno de 35% a.a. em termos reais \u2013 15% para pessoas jur\u00eddicas e nada menos que 52% para pessoas f\u00edsicas! S\u00e3o taxas de juro para ningu\u00e9m botar defeito. Destroem as finan\u00e7as de fam\u00edlias, de empresas e do pr\u00f3prio governo.<\/p>\n<p><strong>O quarto choque do petr\u00f3leo<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 justificativas para manter os juros nesse n\u00edvel? O argumento mais recente em favor de juros altos \u00e9 o choque do petr\u00f3leo decorrente da agress\u00e3o ao Ir\u00e3. \u00c9 verdade que a guerra na \u00c1sia Ocidental produz impacto substancial n\u00e3o s\u00f3 sobre as cota\u00e7\u00f5es do petr\u00f3leo e seus derivados, mas tamb\u00e9m de outros produtos importantes, como g\u00e1s natural, fertilizantes e alimentos. Esse impacto deve persistir, pois n\u00e3o h\u00e1 solu\u00e7\u00e3o \u00e0 vista que permita reabrir duradouramente o Estreito de Ormuz.<\/p>\n<p>N\u00e3o se deve perder de vista, entretanto, que o Brasil \u00e9 um dos ganhadores com esse choque do petr\u00f3leo, o quarto desde a d\u00e9cada de 1970. Diferentemente do que se verificava na \u00e9poca dos primeiros choques, o Brasil n\u00e3o mais depende de importa\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo bruto. Ao contr\u00e1rio, estima-se que o Brasil tenha sido, em 2025, o s\u00e9timo maior exportador de petr\u00f3leo bruto no mundo (em termos de volume) e o d\u00e9cimo maior (em termos de valor), gra\u00e7as notadamente \u00e0 pol\u00edtica de longo prazo da Petrobr\u00e1s. E estamos entre os exportadores que n\u00e3o dependem do Estreito de Ormuz para escoar a sua produ\u00e7\u00e3o para o exterior. Com a guerra, o Brasil sobe nesse ranking, ultrapassando provavelmente o Kuwait, o Iraque e os Emirados \u00c1rabes Unidos, pa\u00edses que dependem criticamente da passagem pelo Estreito e que sofreram, ademais, grandes danos \u00e0 sua capacidade de produ\u00e7\u00e3o e infraestrutura de transporte em raz\u00e3o do contra-ataque do Ir\u00e3 \u00e0 agress\u00e3o sofrida da parte dos Estados Unidos e de Israel.<\/p>\n<p>Ou seja, em consequ\u00eancia do choque do petr\u00f3leo, aumentam n\u00e3o s\u00f3 os nossos pre\u00e7os m\u00e9dios de exporta\u00e7\u00e3o como tamb\u00e9m as quantidades exportadas \u2013 com o Brasil substituindo exportadores da regi\u00e3o do Golfo P\u00e9rsico. Os termos de troca e a balan\u00e7a comercial melhoram. E, com isso, diminui o d\u00e9ficit de balan\u00e7o de pagamento em conta corrente, que est\u00e1 alto demais, chegando a 3% do PIB em 2025. Poucos alertam para esse problema, diga-se de passagem. Bresser-Pereira \u00e9 uma das exce\u00e7\u00f5es. Um d\u00e9ficit em conta corrente t\u00e3o elevado, somado \u00e0 necessidade de refinanciar as amortiza\u00e7\u00f5es da d\u00edvida externa, cria depend\u00eancia de capitais estrangeiros \u2013 uma depend\u00eancia que j\u00e1 nos fez passar por grandes dificuldades nas d\u00e9cadas finais do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de favorecer o balan\u00e7o de pagamentos, o choque do petr\u00f3leo ainda proporciona ganhos fiscais para o Brasil. O Instituto Fiscal Independente, do Senado, estimou que o resultado prim\u00e1rio do setor p\u00fablico pode melhorar em algo como 0,6 ponto percentual do PIB em 2026, admitindo-se que o barril tipo Brent fique em torno de US$ 100. O impacto positivo projetado reflete, entre outros fatores, o aumento dos royalties, dos impostos sobre lucros e sobre a produ\u00e7\u00e3o das petroleiras, al\u00e9m dos maiores dividendos pagos pela Petrobr\u00e1s. Esse tipo de estimativa \u00e9 sempre incerta, como se sabe, mas d\u00e1 uma ideia do que se pode esperar.<\/p>\n<p>Outro ponto fundamental para essa discuss\u00e3o: dados os efeitos positivos do choque do petr\u00f3leo, que s\u00e3o percebidos e antecipados pelo mercado, o real tende a se apreciar em rela\u00e7\u00e3o a outras moedas. N\u00e3o \u00e9 por acaso que a moeda brasileira est\u00e1 entre as que mais se valorizaram em 2026. Essa aprecia\u00e7\u00e3o cambial, ressalte-se, amortece o impacto inflacion\u00e1rio do choque do petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>Vejam bem, n\u00e3o estou negando que a alta dos pre\u00e7os externos do petr\u00f3leo complica o controle da infla\u00e7\u00e3o, pois afeta pre\u00e7os importantes, notadamente derivados do petr\u00f3leo, transporte e alimentos. O Brasil sofre de depend\u00eancia excessiva de importa\u00e7\u00f5es de diesel e, sobretudo, de fertilizantes, o que nos fragiliza.<\/p>\n<p>Mesmo assim, esse impacto inflacion\u00e1rio, j\u00e1 atenuado pelo movimento do c\u00e2mbio, pode ser compensado tamb\u00e9m por diversos instrumentos de que o governo disp\u00f5e, alguns dos quais j\u00e1 est\u00e3o sendo acionados \u2013 entre eles, desonera\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria sobre derivados do petr\u00f3leo, tributa\u00e7\u00e3o regulat\u00f3ria das exporta\u00e7\u00f5es de petr\u00f3leo bruto e derivados, fiscaliza\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os praticados no pa\u00eds e cr\u00e9dito subsidiado para setores mais afetados pelo choque. Importante notar que os efeitos positivos sobre o balan\u00e7o de pagamentos e as contas governamentais abrem espa\u00e7o para essas medidas compensat\u00f3rias.<\/p>\n<p>Por todos esses motivos, o argumento de que a crise internacional justifica a manuten\u00e7\u00e3o de juros estratosf\u00e9ricos \u00e9 duvidoso, para dizer o m\u00ednimo \u2013 tanto mais que constitui uma forma ineficaz de neutralizar o choque por acarretar uma s\u00e9rie de preju\u00edzos econ\u00f4micos e sociais, como veremos na sequ\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Expectativas de infla\u00e7\u00e3o \u201cdesancoradas\u201d<\/strong><\/p>\n<p>O Banco Central alega que a expectativas de infla\u00e7\u00e3o estavam \u201cdesancoradas\u201d, mesmo antes do choque externo, o que justificaria a pol\u00edtica monet\u00e1ria superapertada. Com o choque, a mediana das expectativas de mercado para a varia\u00e7\u00e3o do IPCA, apuradas pelo Banco Central, subiram para 4,9% em 2026 e 4% em 2027. As proje\u00e7\u00f5es do pr\u00f3prio Banco Central apontam para taxas um pouco inferiores, de 4,6% neste ano e 3,5% no ano que vem. Como se v\u00ea, as proje\u00e7\u00f5es superam, de fato, o centro da meta de infla\u00e7\u00e3o, que \u00e9 3% com intervalo de toler\u00e2ncia de 1,5 ponto percentual para cima e para baixo. A infla\u00e7\u00e3o esperada para este ano situa-se, inclusive, ligeiramente acima do teto da meta.<\/p>\n<p>Aqui cabem duas observa\u00e7\u00f5es. Primeira: o Banco Central n\u00e3o estaria nessa posi\u00e7\u00e3o desconfort\u00e1vel se n\u00e3o tivesse fixado, nos tempos do governo Temer, uma meta irrealista \u2013 justificada na \u00e9poca com o seguinte argumento altamente cient\u00edfico: se a Col\u00f4mbia e o Chile t\u00eam uma meta de 3%, por que n\u00e3o o Brasil?<\/p>\n<p>No in\u00edcio do atual governo, em 2023, o Conselho Monet\u00e1rio Nacional, presidido pelo ministro Haddad, poderia ter revisto a meta central para cima e ampliado um pouco o intervalo de confian\u00e7a \u2013 movendo o centro da meta para, digamos, 3,5% ou 4% e aumentando o intervalo para +\/-2 pontos percentuais. O teto para a infla\u00e7\u00e3o seria hoje de 5,5% ou 6%. Isso foi sugerido na \u00e9poca por v\u00e1rios economistas, inclusive eu mesmo. O pr\u00f3prio presidente Lula chegou a mencionar essa possibilidade em p\u00fablico. Mas faltou iniciativa da \u00e1rea econ\u00f4mica do governo, talvez por temor reverencial ao mercado financeiro, e ficamos amarrados a um regime de metas excessivamente ambicioso.<\/p>\n<p>Segunda observa\u00e7\u00e3o: mesmo com a meta atual, seria perfeitamente poss\u00edvel praticar uma pol\u00edtica de juros menos extravagante, mirando por exemplo, sem declarar, o teto da meta de 4,5%. E se a infla\u00e7\u00e3o ficar um pouco acima disso, n\u00e3o ser\u00e1 o fim do mundo.<\/p>\n<p><strong>Efeitos destrutivos dos juros altos<\/strong><\/p>\n<p>Modera\u00e7\u00e3o na comando da pol\u00edtica monet\u00e1ria \u00e9 essencial. Como ignorar os estragos que as taxas de juro est\u00e3o fazendo no pa\u00eds?<\/p>\n<p>Quem perde? Simples. As empresas que dependem de cr\u00e9dito interno, o governo por causa do efeito sobre o custo da d\u00edvida p\u00fablica e, sobretudo, as pessoas f\u00edsicas endividadas, como se v\u00ea pelos dados antes mencionados.<\/p>\n<p>Quem ganha? N\u00e3o h\u00e1 mist\u00e9rio. Quando aumentam as despesas financeiras das empresas e das fam\u00edlias, o aumento vai para o bolso dos grandes bancos privados e de outras institui\u00e7\u00f5es financeiras. Quando aumentam as despesas financeiras do governo, ganham os bancos (de novo), os ricos e os super-ricos, ou seja, quem possui elevado patrim\u00f4nio financeiro no pa\u00eds. E os juros altos alimentam tamb\u00e9m a renda dos investidores estrangeiros detentores de t\u00edtulos p\u00fablicos e outros ativos financeiros denominados em reais.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que a pol\u00edtica de juros escorchantes faz tanto sucesso no mercado financeiro e na m\u00eddia tradicional (que se tornou um puxadinho desse mercado). E n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que manter fielmente essa pol\u00edtica ajuda a garantir um futuro brilhante no mercado para os que passam pela diretoria do Banco Central.<\/p>\n<p>Para minorar os efeitos dessa porta girat\u00f3ria, seria preciso introduzir uma quarentena longa para presidentes e outros diretores do Banco Central. De dois anos, por exemplo. Nesse per\u00edodo, os diretores ficariam legalmente impedidos de se empregar em institui\u00e7\u00f5es financeiras ou prestar servi\u00e7os de consultoria a elas. Atualmente, a quarentena no Brasil \u00e9 de apenas seis meses, baixa para padr\u00f5es internacionais, e nem parece ser devidamente fiscalizada.<\/p>\n<p>Medidas rigorosas como uma quarentena longa e bem vigiada s\u00e3o recomend\u00e1veis, uma vez que o Banco Central \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o poderosa, capaz de produzir efeitos de grande magnitude sobre a economia.<\/p>\n<p>\u00c9 gigantesco, por exemplo, o desajuste que o Banco Central produz nas finan\u00e7as p\u00fablicas no Brasil. Fala-se muito do d\u00e9ficit prim\u00e1rio, mas nem sempre da carga de juros suportada pelo governo. O d\u00e9ficit prim\u00e1rio do setor p\u00fablico consolidado anda por volta de 0,5% do PIB, em si mesmo nada de assustador. O problema \u00e9 que o d\u00e9ficit nominal ou total est\u00e1 em torno 8,5% do PIB, refletindo a carga de juros da ordem de 8% do PIB. Ressalte-se que \u00e9 esse d\u00e9ficit nominal elevado, e n\u00e3o o d\u00e9ficit prim\u00e1rio, que determina o aumento do estoque da d\u00edvida governamental. E a pesada carga de juros decorre justamente do tamanho da d\u00edvida governamental conjugado com o seu custo m\u00e9dio, que \u00e9 determinado, por sua vez, pelos juros do Banco Central.<\/p>\n<p>A grande anomalia no Brasil \u00e9 o custo da d\u00edvida, e n\u00e3o o seu tamanho. Diferentemente do que se espalha, o endividamento do setor p\u00fablico brasileiro n\u00e3o \u00e9 muito elevado para padr\u00f5es internacionais. O ponto fora da curva \u00e9 a taxa de juro, sempre entre as mais altas do mundo.<\/p>\n<p>Como se n\u00e3o bastasse, a pol\u00edtica monet\u00e1ria ainda provoca um efeito rebote sobre as finan\u00e7as p\u00fablicas. Na medida em que restringe o crescimento da economia, ela gera aumentos nas despesas governamentais sens\u00edveis ao n\u00edvel de atividade (os gastos com o seguro-desemprego principalmente, mas tamb\u00e9m com o abono salarial e benef\u00edcios assistenciais). E mais importante do que o efeito sobre gastos: a retra\u00e7\u00e3o da economia estreita a base sobre a qual incidem os tributos. Em outras palavras, a taxa de juro gera um efeito direto sobre o componente financeiro do d\u00e9ficit ao mesmo tempo em que prejudica o componente prim\u00e1rio.<\/p>\n<p>N\u00e3o se deve esquecer que a desacelera\u00e7\u00e3o da atividade econ\u00f4mica \u00e9 um objetivo deliberado da diretoria do Banco Central, que nela v\u00ea uma forma de combater a infla\u00e7\u00e3o pelo lado da demanda. No per\u00edodo 2022-2025, o PIB brasileiro cresceu cerca de 3% ao ano em m\u00e9dia, um crescimento modesto. Para 2026 e 2027, refletindo nossos juros bizarros, as proje\u00e7\u00f5es do mercado brasileiro e do FMI indicam um crescimento de 2% ou menos, inferior ao da economia mundial \u2013 resultado maravilhoso para um economia que sofre h\u00e1 d\u00e9cadas de perda de dinamismo.<\/p>\n<p>E h\u00e1 ainda uma outra dimens\u00e3o. Os juros altos se encarregam fielmente de manter intactas e at\u00e9 refor\u00e7ar a bolsa-banqueiro e a bolsa-rentista. O gasto financeiro do governo \u00e9 renda do banqueiro e do rentista. Promove-se, assim, a concentra\u00e7\u00e3o da renda nacional, varrendo do mapa os impactos distributivos da bolsa-fam\u00edlia e de outros programas sociais. Isso num pa\u00eds que \u00e9 um dos campe\u00f5es mundiais da desigualdade.<\/p>\n<p>Note-se, por \u00faltimo, que ao colocar fortunas na m\u00e3os de investidores estrangeiros e de elites locais ap\u00e1tridas, o Banco Central aumenta a vulnerabilidade externa do pa\u00eds, pois s\u00e3o esses os que t\u00eam capacidade de transferir f\u00e1cil e rapidamente recursos ao exterior quando aumentam as incertezas no Brasil ou os juros no exterior. Essa facilidade s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel porque houve uma liberaliza\u00e7\u00e3o prematura dos movimentos de capital, not\u00e1vel feito dos governos Fernando Henrique Cardoso e Fernando Collor. A fuga de capitais virou um instrumento de chantagem dos bancos, dos ricos e dos super-ricos sobre todo e qualquer governo brasileiro.<\/p>\n<p>Como dizia Leonel Brizola (que falta ele faz!), a elite brasileira \u00e9 um lixo.<\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/vermelho.org.br\/2026\/04\/30\/a-politica-de-juros-do-banco-central-e-um-desastre\/\">A pol\u00edtica de juros do Banco Central \u00e9 um desastre<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/vermelho.org.br\/\">Vermelho<\/a>.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/reforma-tributaria-do-pt-reduz-imposto-sobre-cesta-basica-gas-e-gasolina-anuncia-zarattini\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Reforma Tribut\u00e1ria do PT reduz imposto sobre cesta...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/fatos-recentes-escancaram-as-mentiras-de-israel-sobre-o-genocidio-palestino\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/netanyahu-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Fatos recentes escancaram as mentiras de Israel so...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/professores-da-rede-publica-de-sp-seguem-em-luta-por-melhores-condicoes-de-trabalho\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/assembleia2_-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Professores da rede p\u00fablica de SP seguem em luta p...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/bolsonaristas-comemoram-mendonca-sob-caso-master-mas-ligacao-de-igrejas-sera-teste-para-o-terrivelmente-evangelico-diz-jornalista\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Bolsonaristas comemoram Mendon\u00e7a sob caso Master, ...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cGabriel Gal\u00edpolo \u00e9 um traidor\u201d, disparou Bresser-Pereira h\u00e1 poucos dias. 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