{"id":85613,"date":"2026-04-30T18:29:14","date_gmt":"2026-04-30T21:29:14","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/rumo-a-uma-bandung-dos-povos\/"},"modified":"2026-04-30T18:29:14","modified_gmt":"2026-04-30T21:29:14","slug":"rumo-a-uma-bandung-dos-povos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/rumo-a-uma-bandung-dos-povos\/","title":{"rendered":"Rumo a uma Bandung dos Povos"},"content":{"rendered":"<figure><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1017\" height=\"731\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/photo_5161260323162491874_y2.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/photo_5161260323162491874_y2.jpg 1017w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/04\/30183547\/photo_5161260323162491874_y2-300x216.jpg 300w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/04\/30183547\/photo_5161260323162491874_y2-768x552.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1017px) 100vw, 1017px\"><figcaption>Arte: Faith Ringgold \u2013 1987 \u2013 grafite<\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Por <strong>Brid Brennan, Gonzalo Berr\u00f3n<\/strong>, <strong>Juliana Rodrigues de Senna<\/strong> e <strong>Sol Trumbo Vi<\/strong>l<strong>a<\/strong>, no TNI | Tradu\u00e7\u00e3o: <strong>R\u00f4ney Rodrigues<\/strong><\/p>\n<h3><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p>\u201cO Sul n\u00e3o conhece o Sul: o que acontece em seus pa\u00edses, quais s\u00e3o as ideias de seus povos, qual \u00e9 o seu potencial e como a coopera\u00e7\u00e3o Sul-Sul pode ampliar as op\u00e7\u00f5es de desenvolvimento para todos. Cada pa\u00eds \u00e9 for\u00e7ado a cometer seus pr\u00f3prios erros, sem poder aprender com a experi\u00eancia de outros em situa\u00e7\u00f5es similares nem se beneficiar da experi\u00eancia de seus \u00eaxitos.\u201d<br \/><em>\u2013 O desafio para o Sul, Relat\u00f3rio da Comiss\u00e3o do Sul<\/em><\/p>\n<p>Vivemos em um mundo em transforma\u00e7\u00e3o. \u00c0 medida que o capitalismo entra em um novo ciclo de acumula\u00e7\u00e3o e o fascismo cresce, as elites globais pressionam para remodelar a ordem mundial para que continue servindo aos interesses do imperialismo. Ao mesmo tempo, essas mudan\u00e7as oferecem uma oportunidade para que os povos e as na\u00e7\u00f5es encontrem e desenvolvam novos caminhos rumo \u00e0 solidariedade internacionalista e ao poder popular.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Prancheta-4-3.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Prancheta-4-3.png 680w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2022\/12\/31181126\/Prancheta-4-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Mas esses caminhos n\u00e3o se abrir\u00e3o espontaneamente. A mudan\u00e7a intencional requer estrat\u00e9gia, ideias e um entendimento comum, em escala global, dentro da diversidade de atores sociais e pol\u00edticos progressistas. N\u00e3o partimos do zero: os movimentos socialistas e de liberta\u00e7\u00e3o nacional foram as lutas pol\u00edticas mais inspiradoras do s\u00e9culo passado. Com base em suas experi\u00eancias e aprendendo com suas estrat\u00e9gias, este documento utiliza o termo \u201cfor\u00e7as progressistas\u201d para se referir ao amplo espectro da esquerda pol\u00edtica, que abrange as diferentes formas assumidas pela resist\u00eancia em nossos distintos continentes. \u00c9 urgente consolidar um espa\u00e7o cooperativo de di\u00e1logo e a\u00e7\u00e3o; caso contr\u00e1rio, corremos o risco de ser esmagados durante mais um ciclo de explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o, aprisionados em meio a lutas geopol\u00edticas determinadas pelos interesses das superpot\u00eancias capitalistas.<\/p>\n<p>Este documento evidencia a urg\u00eancia de que todas as for\u00e7as progressistas do Sul global se comprometam com um plano de a\u00e7\u00e3o coletivo ambicioso e emancipador para mudar a ordem mundial atual. O texto \u00e9 o resultado de v\u00e1rias rodadas de consultas informais, na \u00c1frica, \u00c1sia e Am\u00e9rica Latina, com movimentos sociais, sindicatos, acad\u00eamicos ativistas e outras organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil comprometidas com o multilateralismo. Apresentam-se aqui a an\u00e1lise e o racioc\u00ednio que fundamentam a cria\u00e7\u00e3o de uma Frente do Sul Global (Parte I), seus desafios e oportunidades (Parte II), e sublinham-se alguns elementos para o desenvolvimento de uma estrat\u00e9gia mobilizadora global e comum (Parte III).<\/p>\n<h3><strong>Parte I: A (des)ordem multilateral<\/strong><\/h3>\n<p>O ch\u00e3o est\u00e1 se movendo sob nossos p\u00e9s. Tanto no Norte quanto no Sul do mundo, o sistema internacional est\u00e1 desmoronando. Muitos dentro das for\u00e7as progressistas viam seu fim mais como um horizonte do que como um problema. No entanto, a realidade \u00e9 que esse sistema decadente est\u00e1 afundando conosco, n\u00e3o por n\u00f3s nem por nossa causa. Em vez de cantar vit\u00f3ria, ouvimos os sinos da guerra.<\/p>\n<p>Durante os \u00faltimos 80 anos, cr\u00edticas e esperan\u00e7as compartilharam e disputaram o espa\u00e7o e o esp\u00edrito de nossas institui\u00e7\u00f5es multilaterais. O compromisso com o multilateralismo, que nunca foi um fim em si mesmo, permitiu que movimentos sociais, mulheres, povos ind\u00edgenas, camponeses e pescadores, sindicatos, organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil e pessoas migrantes e refugiadas impulsionassem muitas agendas globais importantes, traduzindo suas lutas em Direito Internacional por meio de declara\u00e7\u00f5es das Na\u00e7\u00f5es Unidas, processos de tratados, entre outros <em>[<\/em><em>1<\/em><em>]<\/em>. No entanto, ao longo desse tempo, ficou claro que as normas de tal \u201csistema baseado em normas\u201d t\u00eam sido sistematicamente violadas por Estados membros que agiram impunemente. Sup\u00f5e-se que todos os Estados s\u00e3o iguais, mas alguns s\u00e3o definitivamente mais iguais do que, por exemplo, o Iraque em 2003, a L\u00edbia em 2011 ou a Venezuela nos primeiros dias de 2026.<\/p>\n<p>Esses desequil\u00edbrios de poder tamb\u00e9m se refletiram em nossa arquitetura econ\u00f4mica e financeira global. Em vez de privilegiar negocia\u00e7\u00f5es multilaterais, nas quais o Sul poderia exercer algum poder coletivo de equil\u00edbrio, o com\u00e9rcio mundial tem sido regido por uma rede de acordos pluri e bilaterais que vinculam a maioria dos pa\u00edses do Sul global como s\u00f3cios subordinados a um Norte global cada vez mais rico e financeirizado. Enquanto as demandas do Mecanismo de Solu\u00e7\u00e3o de Controv\u00e9rsias Investidor-Estado (ISDS) tornam os governos do Sul ref\u00e9ns de investimentos abutres dos quais seus povos raramente se beneficiam, as institui\u00e7\u00f5es financeiras internacionais continuam jogando o jogo do poder e do imperialismo, tornando imposs\u00edvel que pa\u00edses altamente endividados possam conceber ou seguir seus pr\u00f3prios caminhos rumo ao desenvolvimento.<\/p>\n<p>A esmagadora influ\u00eancia do poder corporativo e a captura sistem\u00e1tica que ele faz dos processos de tomada de decis\u00e3o no \u00e2mbito das institui\u00e7\u00f5es multilaterais agrava ainda mais esse desequil\u00edbrio. Com a premissa de estender a participa\u00e7\u00e3o de uma gama mais ampla de \u201cpartes interessadas\u201d nos espa\u00e7os de decis\u00e3o multilaterais, a \u201cgovernan\u00e7a de m\u00faltiplas partes interessadas\u201d logo se transformou no chamado<em> multistakeholderismo<\/em>, um processo de captura corporativa do multilateralismo por meio de portas girat\u00f3rias, lobby empresarial n\u00e3o regulamentado e filantropia estrat\u00e9gica. Projetado por pessoas como Bill Gates, com o respaldo do F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial, a COVAX \u00e9 um exemplo estarrecedor de como esses mecanismos permitem que empresas se sentem ao lado de Estados poderosos para decidir sobre a vida e a morte da maior parte da popula\u00e7\u00e3o do Sul global.<\/p>\n<p>Tais assimetrias entre o potencial e a realidade do multilateralismo marcaram os debates entre os ativistas desde o in\u00edcio deste s\u00e9culo. Uma d\u00e9cada ap\u00f3s o fim da Guerra Fria e a consolida\u00e7\u00e3o da globaliza\u00e7\u00e3o neoliberal, elas constitu\u00edam a cr\u00edtica e a esperan\u00e7a compartilhadas nas tendas e nas mesas-redondas de muitos F\u00f3runs Sociais Mundiais, emolduradas por um claro recha\u00e7o ao novo <em>status quo<\/em>. Desde ent\u00e3o, a crise financeira de 2008, a pandemia, o aprofundamento de nossa emerg\u00eancia clim\u00e1tica, o genoc\u00eddio do povo palestino e a consolida\u00e7\u00e3o de uma onda macho-fascista coordenada de governos de extrema-direita em todo o mundo rasgaram ainda mais o desgastado tapete de nossa ordem mundial internacional.<\/p>\n<div>\n<div><img decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/HUCITEC-basaglia5.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/HUCITEC-basaglia5.png 728w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2025\/08\/31182109\/HUCITEC-basaglia5-300x37.png 300w\" sizes=\"(max-width: 728px) 100vw, 728px\" width=\"728\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<p><em><strong>Se escutarmos com muita aten\u00e7\u00e3o\u2026<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Tais falhas n\u00e3o s\u00e3o eventos isolados, mas sintomas interconectados de um fracasso sist\u00eamico. Cada uma delas cont\u00e9m elementos essenciais da ordem multilateral atual e aponta para o que deve mudar. Se a crise financeira de 2008 revelou as vulnerabilidades do capitalismo atual, a decis\u00e3o da maioria dos governos de resgatar as empresas com fundos p\u00fablicos, com pouca ou nenhuma condicionalidade, demonstra que os neg\u00f3cios prevaleceram sobre a regula\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica. Quando os Estados recompensaram a imprud\u00eancia dos banqueiros com impunidade, a popula\u00e7\u00e3o teve que pagar o pre\u00e7o com o aprofundamento do desmantelamento do bem-estar social e dos direitos trabalhistas. O aumento da vigil\u00e2ncia e da militariza\u00e7\u00e3o inclinou ainda mais a balan\u00e7a, redefinindo estruturalmente o equil\u00edbrio entre o consentimento e a coer\u00e7\u00e3o, desta vez tamb\u00e9m no Norte global. Enquanto isso, a pandemia e a crise da mudan\u00e7a clim\u00e1tica testemunham as limita\u00e7\u00f5es intranspon\u00edveis das institui\u00e7\u00f5es multilaterais atuais. Dado que v\u00edrus e gases de efeito estufa n\u00e3o precisam de visto, trata-se de problemas globais por defini\u00e7\u00e3o. No entanto, em vez de ser orientada pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade, a recupera\u00e7\u00e3o da pandemia foi liderada pelas mesmas empresas transnacionais que se beneficiaram dela, apoiadas pelos pa\u00edses do Norte global e com financiamento p\u00fablico significativo, ao mesmo tempo em que as solu\u00e7\u00f5es para nossa emerg\u00eancia clim\u00e1tica foram confiadas \u00e0s gigantes corpora\u00e7\u00f5es poluentes que geraram e continuam se beneficiando amplamente da destrui\u00e7\u00e3o do meio ambiente.<\/p>\n<p>Mas foi o genoc\u00eddio do povo palestino que deu o golpe definitivo naqueles que, na esquerda, ainda abrigavam um vislumbre de esperan\u00e7a. O papel que est\u00e1 sendo desempenhado pela Corte Internacional de Justi\u00e7a, bem como o engajamento de pa\u00edses como \u00c1frica do Sul e Col\u00f4mbia, s\u00e3o avan\u00e7os inspiradores. Mas a realidade da fome deliberada, da tortura e da morte de mulheres e crian\u00e7as em uma limpeza \u00e9tnica sistem\u00e1tica, incessante e orquestrada, cometida por Israel com o apoio ativo dos Estados Unidos e da Uni\u00e3o Europeia, nos faz perguntar se algum dia haver\u00e1 um sistema que governe acima da entidade sionista ou do imp\u00e9rio estadunidense. J\u00e1 restam muito poucas normas internacionais que possam ser violadas.<\/p>\n<p>Em todo caso, a vota\u00e7\u00e3o no Conselho de Seguran\u00e7a da ONU sobre a Resolu\u00e7\u00e3o 2803 de novembro de 2025 \u00e9 apenas o \u00faltimo exemplo de como o multilateralismo tem sido utilizado para normalizar a ocupa\u00e7\u00e3o e o genoc\u00eddio. Somente os Estados Unidos vetaram pelo menos seis resolu\u00e7\u00f5es do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU propostas para deter os bombardeios. Ap\u00f3s dois anos bloqueando todos os esfor\u00e7os para defender a autodetermina\u00e7\u00e3o e os direitos humanos dos palestinos, Trump e outros facilitadores do genoc\u00eddio \u2013 a UE e alguns governos \u00e1rabes \u2013 renomearam a ocupa\u00e7\u00e3o como uma guinada rumo \u00e0 paz. Com a not\u00e1vel absten\u00e7\u00e3o da China e da R\u00fassia, a Resolu\u00e7\u00e3o 2803 legitima a reocupa\u00e7\u00e3o da Palestina, agora sob o controle direto dos Estados Unidos e governada por uma \u201cJunta de Paz\u201d que exclui qualquer representa\u00e7\u00e3o palestina. Segundo a relatora especial da ONU, Francesca Albanese, esta resolu\u00e7\u00e3o \u201ctrai o povo que pretende proteger\u201d. Este acordo de \u201cpaz\u201d, imposto por Trump, mas ratificado oficialmente pelo Conselho de Seguran\u00e7a, testemunha a rela\u00e7\u00e3o transacional que o imperialismo sempre teve com as Na\u00e7\u00f5es Unidas: us\u00e1-la para obter valida\u00e7\u00e3o, descart\u00e1-la se for inconveniente, mas ignor\u00e1-la na maior parte do tempo.<\/p>\n<p>Para as for\u00e7as progressistas globais, agarrar-se apenas aos pilares da ONU n\u00e3o \u00e9 suficiente. Como sustenta Jeena Shah, \u201co objetivo principal do direito internacional foi o de facilitar e gerir o imperialismo\u201d. Embora a descoloniza\u00e7\u00e3o tenha transformado radicalmente a din\u00e2mica interna das Na\u00e7\u00f5es Unidas, nossa luta n\u00e3o pode se concentrar em recuperar o que nunca foi projetado para ser nosso. Ao mesmo tempo, o segundo governo Trump, ep\u00edtome do macho-facho internacional, sem d\u00favida nos faz sentir que as for\u00e7as regressivas est\u00e3o vencendo por padr\u00e3o. Embora seja evidente que o atual sistema internacional \u00e9 incapaz de abordar as quest\u00f5es mais cruciais do nosso tempo, o trumpismo \u00e9 a ant\u00edtese do multilateralismo, a verdadeira encarna\u00e7\u00e3o da extrema direita autorit\u00e1ria do s\u00e9culo XXI, impulsionada pela vigil\u00e2ncia e pelos lucros do setor de alta tecnologia. Existe uma necessidade urgente de transformar o multilateralismo e, para que ele ofere\u00e7a resultados diferentes, deve basear-se em pressupostos e compromissos diferentes.<\/p>\n<p>Para que a esquerda e o campo progressista possam resistir ao dom\u00ednio da for\u00e7a imposto de forma descarada pelo imperialismo estadunidense e pela globaliza\u00e7\u00e3o neoliberal, existem alternativas tanto ao multilateralismo que est\u00e1 desmoronando quanto ao multilateralismo que muitos se acostumaram a acreditar ser o m\u00e1ximo a que se poderia aspirar. Portanto, trata-se tanto de reconfigurar o multilateralismo quanto de imaginar e construir outros processos e novas institui\u00e7\u00f5es para a coordena\u00e7\u00e3o transnacional dos povos e dos Estados, uma nova ordem multilateral na qual o Sul global tenha voz decisiva e poder efetivo.<\/p>\n<p>\u00c9 hora de refletir, nos conectar e nos organizar para construir uma Frente do Sul Global que possa promover e colher coletivamente essas tr\u00eas tarefas, em escala mundial, para gerar um plano de a\u00e7\u00e3o comum e novos paradigmas pol\u00edticos adequados a uma ordem mundial que afirme a vida, a paz e a igualdade. Porque \u201cse escutarmos com aten\u00e7\u00e3o, outro mundo n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel, como est\u00e1 a caminho\u201d <em>[<\/em><em>2<\/em><em>]<\/em>.<\/p>\n<h3><strong>Parte II \u2013 Construindo uma Frente do Sul Global<\/strong><\/h3>\n<p>Estabelecer novas bases para uma ordem internacional equitativa e democr\u00e1tica significa que os povos do Sul global devem ser a for\u00e7a motriz e os principais benefici\u00e1rios do multilateralismo. Podemos falar de dois Suis globais: um est\u00e1 desenhado nos mapas e compreende os Estados p\u00f3s-coloniais que ainda carregam as cicatrizes do imp\u00e9rio, que lutam por um lugar em uma mesa que n\u00e3o constru\u00edram, mas que ainda pesa sobre seus ombros. O outro n\u00e3o conhece fronteiras: \u00e9 o Sul que vive nas ruas de Jacarta, nos sub\u00farbios de Paris, nas favelas do Rio, nos <em>townships<\/em> de Joanesburgo, nos centros de deten\u00e7\u00e3o do Texas. \u00c9 a classe trabalhadora nascida com uma d\u00edvida que nunca contraiu, que herda uma vida de luta assim como os bilion\u00e1rios herdam sua riqueza. A Frente Global do Sul combina ambos. N\u00e3o \u00e9 um bloco de na\u00e7\u00f5es, mas a esquerda transnacional organizada, juntamente com as for\u00e7as progressistas, tornando-se um sujeito pol\u00edtico coletivo capaz de impulsionar os povos e os Estados em dire\u00e7\u00e3o a um futuro emancipador. A Frente se forja precisamente onde os Suis dos povos e dos Estados se encontram, chocam e descobrem no que podem se tornar quando marcham juntos.<\/p>\n<p>Para forjar uma frente unificada, \u00e9 necess\u00e1ria a constru\u00e7\u00e3o de valores comuns baseados no respeito pela autodetermina\u00e7\u00e3o dos povos e pelos diferentes processos sociais dos pa\u00edses e regi\u00f5es. A constru\u00e7\u00e3o de nossa emancipa\u00e7\u00e3o coletiva implica o di\u00e1logo entre uma ampla diversidade de experi\u00eancias humanas e formas de ser e de viver. Por meio de um engajamento humilde e produtivo com outras culturas e processos pol\u00edticos, deveria ser poss\u00edvel forjar a cultura de um novo internacionalismo no qual os valores, a literatura e as narrativas hegem\u00f4nicas ocidentais n\u00e3o sejam a regra para medir a diversidade de todas as experi\u00eancias humanas. Isso implica a necessidade de \u201cdesocidentalizar\u201d e \u201cdesnortear\u201d o vocabul\u00e1rio pol\u00edtico, as ambi\u00e7\u00f5es e as estrat\u00e9gias da esquerda.<\/p>\n<p>Como processo, a Frente do Sul Global promove a coordena\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica das for\u00e7as sociais progressistas de todas as partes do mundo, reunindo aqueles que lutam contra o imperialismo, a extra\u00e7\u00e3o de valor e a opress\u00e3o. Tornar-se uma Frente exige o desenho ecum\u00eanico de nossas trincheiras, mas nunca pode significar comprometer nossos princ\u00edpios fundamentais. A dissid\u00eancia, a contesta\u00e7\u00e3o e a disputa s\u00e3o intr\u00ednsecas \u00e0 pol\u00edtica precisamente porque nascem das mais diversas experi\u00eancias humanas vividas, de nossas rela\u00e7\u00f5es com nossas comunidades, com a natureza, com o Estado, com o poder. Compor interesses dentro de uma diversidade de trajet\u00f3rias e culturas pol\u00edticas significa permitir que nossas pr\u00f3prias posi\u00e7\u00f5es sejam questionadas, enriquecidas, fortalecidas e at\u00e9 mesmo mudadas. Essa dial\u00e9tica de fertiliza\u00e7\u00e3o cruzada implica uma abordagem n\u00e3o sect\u00e1ria e uma vis\u00e3o clara de quem est\u00e1 realmente do outro lado das barricadas. Isso significa trabalhar junto com movimentos sociais e partidos pol\u00edticos, bem como com organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil, intelectuais e indiv\u00edduos comprometidos com a mudan\u00e7a social radical.<\/p>\n<p>Mas construir uma Frente do Sul Global tamb\u00e9m significa entender os Estados como espa\u00e7os de disputa e como atores cruciais para atender \u00e0s necessidades de seus povos. Embora em muitos casos os Estados tenham se tornado mecanismos de opress\u00e3o e domina\u00e7\u00e3o, capturados pelas elites governantes, a constru\u00e7\u00e3o de uma Frente do Sul Global n\u00e3o pode ignorar o poder que os Estados progressistas podem mobilizar. Trabalhar com e dentro do Estado, sempre que poss\u00edvel, \u00e9, portanto, outro pilar importante para construir uma Frente do Sul Global, especialmente considerando seu papel de destaque na ordem multilateral atual. Atualmente, o regime multilateral pode tanto limitar quanto ampliar as oportunidades que os movimentos sociais t\u00eam para enfrentar a desigualdade no acesso a direitos e na distribui\u00e7\u00e3o de recursos dentro de seus territ\u00f3rios. Se os Estados est\u00e3o afogados em d\u00edvidas ou s\u00e3o aprisionados em processos produtivos destrutivos por acordos comerciais, restam muito menos recursos em geral para que possam satisfazer as necessidades de seus povos. Apesar das contradi\u00e7\u00f5es inerentes ao trabalho com o Estado, uma alian\u00e7a desse tipo pode aproveitar diferentes fontes de poder, escalas de a\u00e7\u00e3o e conhecimentos especializados para construir uma estrat\u00e9gia global capaz tanto de resistir ao imperialismo quanto de gerar alternativas a ele. No entanto, para tornar realidade esse potencial, a constru\u00e7\u00e3o de uma Frente do Sul Global depende dos recursos, das capacidades e da influ\u00eancia que o pr\u00f3prio Sul global possa aportar. Se o Sul chegar a conhecer-se e a trabalhar com o Sul, a conjuntura atual oferece oportunidades tang\u00edveis.<\/p>\n<p><strong>Oportunidades a m\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Impulsionados pela revolu\u00e7\u00e3o digital e pela \u201ctransi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica\u201d, as mudan\u00e7as estruturais na economia mundial repercutem diretamente na distribui\u00e7\u00e3o da riqueza e do poder geopol\u00edtico. Por um lado, a incorpora\u00e7\u00e3o de tecnologias de ponta em nossos modos de produ\u00e7\u00e3o requer muito mais energia e capital para reproduzir o capitalismo do que antes. Pagar pela revolu\u00e7\u00e3o digital \u2013 incluindo a tecnologia de intelig\u00eancia artificial e a infraestrutura relacionada \u2013 significa que nossas economias avancem ainda mais na financeiriza\u00e7\u00e3o e na desregulamenta\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o e dos direitos trabalhistas, ampliando as fissuras no circuito do capital que levaram a crises econ\u00f4micas estruturais. Por outro lado, est\u00e1 ocorrendo uma nova e agressiva corrida por minerais para fabricar baterias e turbinas e\u00f3licas para abastecer centros de dados e ve\u00edculos el\u00e9tricos. Isso se traduziu em guerras para garantir o fornecimento constante de mat\u00e9rias-primas \u00e0s pot\u00eancias ocidentais e em uma nova onda de acordos de livre com\u00e9rcio e investimento para limitar as pol\u00edticas e a regula\u00e7\u00e3o soberanas. Nesse contexto, deixar as coisas como est\u00e3o significa que o Norte continue colhendo os benef\u00edcios, enquanto o Sul continua aumentando sua d\u00edvida e contando os mortos.<\/p>\n<p>Por possuir a maior parte das reservas minerais e da m\u00e3o de obra dispon\u00edvel, o Sul poderia aproveitar melhor seus ativos. Existe um desequil\u00edbrio material entre o Norte e o Sul globais, e \u00e9 hora de o Sul compreender e agir de acordo com o poder de sua riqueza. Em todo o Sul h\u00e1 recursos suficientes e complexidade produtiva para satisfazer suas necessidades reais: emprego, infraestruturas, alimenta\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o. De uma perspectiva econ\u00f4mica, um Sul integrado poderia alcan\u00e7ar a mesma complexidade tecnol\u00f3gica que o Norte, mas com mercados maiores e muito mais recursos dispon\u00edveis para realizar a transi\u00e7\u00e3o que nosso planeta e nossos povos t\u00e3o desesperadamente necessitam.<\/p>\n<p>Se os povos da China, \u00cdndia, Brasil, \u00c1frica do Sul e Indon\u00e9sia combinassem e coordenassem suas capacidades e conhecimentos especializados, por exemplo, o mundo poderia ser determinado pelo Sul global. Ao livrar-se de paradigmas e marcos que s\u00f3 beneficiam o Norte, como os regimes de propriedade intelectual e os mecanismos de solu\u00e7\u00e3o de controv\u00e9rsias investidor-Estado, o Sul poderia fomentar um salto tecnol\u00f3gico que enfrentasse n\u00e3o apenas a mudan\u00e7a clim\u00e1tica, mas tamb\u00e9m os desafios em mat\u00e9ria de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o de terras e alimenta\u00e7\u00e3o, para citar alguns. Al\u00e9m disso, a provis\u00e3o de meios de vida sustent\u00e1veis poderia reverter os programas de exporta\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra para que os trabalhadores pudessem contribuir com suas pr\u00f3prias sociedades, ao mesmo tempo em que as pol\u00edticas de repatria\u00e7\u00e3o de c\u00e9rebros poderiam permitir que os Estados do Sul acessassem conhecimentos t\u00e9cnicos de ponta de ind\u00fastrias produtivas e sociais-chave. A realiza\u00e7\u00e3o desse potencial depende, no entanto, do reconhecimento de que o poder do Sul global \u00e9 coletivo e que apenas coletivamente o Sul pode libertar suas capacidades e seu futuro em seus pr\u00f3prios termos.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio coordenar estrat\u00e9gias, integrar as cadeias de produ\u00e7\u00e3o dentro e entre regi\u00f5es, e construir uma alian\u00e7a estrat\u00e9gica entre todos os pa\u00edses e povos que foram oprimidos e exclu\u00eddos dos benef\u00edcios da hegemonia ocidental. Esses acordos de coopera\u00e7\u00e3o teriam que ser radicalmente diferentes do que as institui\u00e7\u00f5es das Na\u00e7\u00f5es Unidas e de Bretton Woods puderam oferecer. Baseada em um mapeamento claro de seus recursos coletivos e, mais importante, em um mapeamento claro das necessidades de seus povos e do nosso planeta, a integra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do Sul global \u00e9 o \u00fanico caminho dispon\u00edvel para conceber vias de desenvolvimento verdadeiramente sustent\u00e1veis: n\u00e3o predat\u00f3rias e que dependam exclusivamente de seus pr\u00f3prios esfor\u00e7os e recursos.<\/p>\n<p>J\u00e1 existem iniciativas importantes, tanto de movimentos sociais quanto de Estados do Sul global, para desenhar coletivamente alternativas ao desmoronamento de nossa ordem econ\u00f4mica e geopol\u00edtica. H\u00e1 esperan\u00e7a e h\u00e1 pot\u00eancia em iniciativas como o processo de Nyeleni; a Assembleia Internacional dos Povos; o novo marco comercial centrado na soberania alimentar e nos direitos dos camponeses e trabalhadores rurais liderado pela Via Campesina; a s\u00e9rie de estudos e propostas do Instituto Tricontinental para redefinir o desenvolvimento desde uma perspectiva do Sul global; as propostas da Internacional Progressista para uma Nova Ordem Econ\u00f4mica Internacional do s\u00e9culo XXI; e os marcos jur\u00eddicos nacionais e internacionais concebidos desde baixo no seio da Campanha Global para Recuperar a Soberania dos Povos, Desmantelar o Poder Corporativo e Deter a Impunidade. Os pensadores do Sul tamb\u00e9m t\u00eam sido muito ativos na compreens\u00e3o do Sul no capitalismo contempor\u00e2neo, como na an\u00e1lise de Leda Paulani sobre o Capitalismo 4.0, ou na concep\u00e7\u00e3o de novos caminhos para um desenvolvimento integrado, tais como a proposta de Fadhel Kaboub para \u201cO acordo do s\u00e9culo\u201d, a desglobaliza\u00e7\u00e3o de Walden Bello, as ideias de Jomo Kwame sobre o potencial da ASEAN+3 e a integra\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria africana de Ndongo Sylla.<\/p>\n<p>No que se refere aos Estados do Sul global, \u00e9 importante compreender que as transforma\u00e7\u00f5es do capitalismo atual se refletem em uma distribui\u00e7\u00e3o do poder geopol\u00edtico significativamente diferente daquela que deu origem \u00e0 Confer\u00eancia de Bandung e ao Movimento dos Pa\u00edses N\u00e3o Alinhados, primeiros experimentos de coordena\u00e7\u00e3o do Sul global que n\u00e3o chegaram a desenvolver todo seu potencial. Herdando esse legado, em n\u00edvel regional, a coordena\u00e7\u00e3o dos processos revolucion\u00e1rios pan-africanistas no Sahel oferece um exemplo inspirador de determina\u00e7\u00e3o e resist\u00eancia anticolonial neste s\u00e9culo. Em n\u00edvel internacional, o BRICS tem desempenhado um papel importante como espa\u00e7o no qual se compartilham e coordenam propostas, focando na coopera\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e cient\u00edfica, bem como nas finan\u00e7as e na coordena\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Apesar de suas muitas contradi\u00e7\u00f5es, ao coordenar estrat\u00e9gias dentro de nossas institui\u00e7\u00f5es em ru\u00ednas e desenvolver as suas pr\u00f3prias, o BRICS \u00e9, de fato, o bloco contra-hegem\u00f4nico mais desenvolvido com condi\u00e7\u00f5es para impor a maioria das mudan\u00e7as necess\u00e1rias para a constru\u00e7\u00e3o de um multilateralismo verdadeiramente participativo e emancipador.<\/p>\n<p>O potencial do BRICS para desafiar e transformar o multilateralismo \u00e9 amplamente reconhecido, mas a alian\u00e7a tamb\u00e9m exp\u00f5e alguns dos grandes desafios que temos para construir um futuro emancipador. Em primeiro lugar, existem claros desequil\u00edbrios materiais entre os Estados do Sul, especialmente, mas n\u00e3o apenas, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 China. Em segundo lugar, apesar da importante mudan\u00e7a de poder econ\u00f4mico e pol\u00edtico que ocorreu nas \u00faltimas d\u00e9cadas, os Estados Unidos e seus aliados mant\u00eam uma supremacia militar indiscut\u00edvel sobre todos os membros do Sul global juntos. Em terceiro lugar, existem importantes divis\u00f5es ideol\u00f3gicas que separam os governos do Sul, tamb\u00e9m, mas n\u00e3o apenas, dentro do BRICS. Por fim, se um multilateralismo emancipador deve basear-se nas necessidades dos povos e nos limites do nosso planeta, a integra\u00e7\u00e3o das vozes inter-regionais ou subnacionais dentro das institui\u00e7\u00f5es internacionais n\u00e3o \u00e9 uma tarefa simples nem, necessariamente, uma op\u00e7\u00e3o \u00f3bvia para os l\u00edderes do BRICS.<\/p>\n<p><strong>Desafios pela frente<\/strong><\/p>\n<p>As complexas capacidades financeiras e tecnol\u00f3gicas da \u00c1sia, as importantes e diversas reservas minerais da \u00c1frica e a biodiversidade da Am\u00e9rica Latina s\u00e3o recursos cruciais. Tais ativos regionais, embora importantes e frequentemente complementares, n\u00e3o se traduzem necessariamente em um poder pol\u00edtico equivalente para os Estados do Sul global. Mais importante ainda, cada uma dessas regi\u00f5es apresenta desequil\u00edbrios materiais significativos que, em muitas ocasi\u00f5es, foram explorados pelos pa\u00edses mais poderosos da regi\u00e3o em detrimento dos pa\u00edses menores ou com menos recursos. Como garantir que, em vez de mudar estruturalmente nossas rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, alguns pa\u00edses n\u00e3o se concentrem simplesmente em subir a escada do desenvolvimento sozinhos?<\/p>\n<p>A integra\u00e7\u00e3o regional \u00e9 chave nesse sentido. Embora para muitos na esquerda tenha sido um sonho h\u00e1 muito acalentado, tamb\u00e9m constitui um caminho pragm\u00e1tico e inadi\u00e1vel para transformar as cadeias de produ\u00e7\u00e3o mundiais e regionais, para que possam refletir e compensar as diferentes capacidades e disponibilidades de recursos entre os pa\u00edses. Nesse contexto, tamb\u00e9m \u00e9 fundamental desenhar estruturas de coopera\u00e7\u00e3o regional que garantam que o desenvolvimento seja necessariamente emancipador e n\u00e3o subimperialismo extrativista. A participa\u00e7\u00e3o popular nas coaliz\u00f5es regionais do Sul global evidencia as tens\u00f5es e contradi\u00e7\u00f5es entre o poder corporativo e os direitos dos povos, onde \u00e9 necess\u00e1rio questionar as pr\u00f3prias l\u00f3gicas do capitalismo. <em>[<\/em><em>3<\/em><em>]<\/em><\/p>\n<p>A China complexifica ainda mais essa equa\u00e7\u00e3o. Compreender as ambi\u00e7\u00f5es e os limites da pol\u00edtica interna e externa chinesa, bem como a forma de influenci\u00e1-las, ser\u00e1 determinante para a constru\u00e7\u00e3o de um multilateralismo Sul-Sul transformador. De uma perspectiva progressista e emancipadora, n\u00e3o podemos negar que o caminho chin\u00eas, embora n\u00e3o seja perfeito nem necessariamente replic\u00e1vel, come\u00e7ou com uma revolu\u00e7\u00e3o popular que conseguiu mudar substancialmente a vida de seu povo. Gra\u00e7as \u00e0 cuidadosa coordena\u00e7\u00e3o de seus agentes econ\u00f4micos, tanto dentro quanto fora do pa\u00eds, a China conseguiu mudar seu papel dentro de uma r\u00edgida divis\u00e3o internacional do trabalho, tirando milh\u00f5es de pessoas da pobreza. H\u00e1 li\u00e7\u00f5es a aprender com seu planejamento, suas estrat\u00e9gias de desenvolvimento soberano e seu apoio popular sustentado \u2013 porque h\u00e1 apoio popular \u2013 e qualquer narrativa que sugira que 1,4 bilh\u00e3o de pessoas vive sob um regime exclusivamente coercitivo \u00e9, na melhor das hip\u00f3teses, ing\u00eanua e, na pior, racista. N\u00e3o \u00e9 de admirar que muitas for\u00e7as progressistas vejam a China como uma aliada natural na busca pelo desmantelamento do poder hegem\u00f4nico ocidental e do capitalismo neoliberal.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, a China n\u00e3o assumiu explicitamente a lideran\u00e7a nesta reformula\u00e7\u00e3o coletiva das estruturas econ\u00f4micas e pol\u00edticas mundiais <em>[<\/em><em>4<\/em><em>]<\/em>. Como pot\u00eancia econ\u00f4mica global ascendente, enraizada em tradi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas diferentes, existe o risco de que a China se mova de maneira pragm\u00e1tica em dire\u00e7\u00e3o ao novo capitalismo digital de baixo carbono como apenas mais um ator de mercado, reproduzindo potencialmente pr\u00e1ticas coloniais e imperiais. Ainda n\u00e3o est\u00e1 claro at\u00e9 que ponto o pa\u00eds estaria disposto a investir ativamente na constru\u00e7\u00e3o de um internacionalismo popular, rumo a uma ordem mundial verdadeiramente democr\u00e1tica. Pode a China ser o motor din\u00e2mico de tal esfor\u00e7o sem se tornar uma nova pot\u00eancia hegem\u00f4nica guiada unicamente por seus pr\u00f3prios interesses? \u00c9 fundamental, portanto, compreender quais s\u00e3o os interesses fundamentais da China e at\u00e9 que ponto ela est\u00e1 disposta a ceder nas negocia\u00e7\u00f5es com outros Estados do Sul global para permitir seus desenvolvimentos de forma emancipadora e soberana. Por fim, \u00e9 imperativo ter em conta as distintas rela\u00e7\u00f5es que a China mant\u00e9m com cada uma das regi\u00f5es do Sul: enquanto para algumas tem sido motivo de esperan\u00e7a, para outros os desequil\u00edbrios de poder s\u00e3o muito mais evidentes e potencialmente conflituosos, como ocorre no Mar da China Meridional, onde a crescente presen\u00e7a militar tanto dos Estados Unidos quanto da OTAN agrava ainda mais as tens\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Os desequil\u00edbrios militares entre o Norte e o Sul<\/strong><\/p>\n<p>A perigosa escalada militar mundial liderada pelos Estados Unidos e pela OTAN \u00e9 o segundo desafio que uma Frente do Sul Global ter\u00e1 que enfrentar. O recente compromisso da alian\u00e7a de aumentar o gasto militar de seus pa\u00edses para 5% do PIB \u00e9 a face vis\u00edvel de uma corrida armamentista que cresce de maneira exponencial e transforma tecnologicamente o avassalador arsenal militar da OTAN. Depois dos Estados Unidos, a China \u00e9 o segundo pa\u00eds que mais gasta em defesa, mas seus gastos representam apenas cerca de 1,6% do seu PIB, o que contrasta claramente com o Ocidente. No entanto, muito mais relevante \u00e9 observar que, enquanto os Estados Unidos t\u00eam cerca de 750 bases militares em aproximadamente 80 pa\u00edses ao redor do mundo, a China tem oficialmente apenas uma, em Djibuti. \u00c9 neste contexto que devemos entender a invas\u00e3o estadunidense da Venezuela e os exerc\u00edcios militares conjuntos cada vez mais provocativos dos Estados Unidos com seus aliados no Mar da China Meridional. O surpreendente contraste entre a capacidade militar do Sul e do Norte globais \u00e9 provavelmente o desafio mais importante para qualquer transforma\u00e7\u00e3o substantiva rumo \u00e0 democratiza\u00e7\u00e3o da nossa ordem mundial.<\/p>\n<p>Quando a <em>realpolitik<\/em> entra em jogo, qual seria a capacidade de resist\u00eancia dos povos e pa\u00edses do Sul global para manter suas estrat\u00e9gias emancipadoras coletivas diante de ex\u00e9rcitos contrarrevolucion\u00e1rios apoiados pelas pot\u00eancias ocidentais? At\u00e9 que ponto as for\u00e7as progressistas podem manter sua posi\u00e7\u00e3o quando as grandes empresas tecnol\u00f3gicas interferem nos processos democr\u00e1ticos, quando h\u00e1 golpes pol\u00edticos contra governos do Sul ou o assassinato de seus l\u00edderes? Igualmente importante \u00e9 compreender quanta transforma\u00e7\u00e3o as pot\u00eancias imperiais est\u00e3o dispostas a aceitar antes de entrar em uma guerra mundial em grande escala. Para abordar esses desequil\u00edbrios, mais do que contar as armas nucleares que o Sul possa ter, \u00e9 imperativo construir estrat\u00e9gias coletivas, envolvendo organicamente todas as for\u00e7as progressistas dispostas a transformar substancialmente nossa realidade <em>[<\/em><em>5<\/em><em>]<\/em>. Se os processos pol\u00edticos forem desenvolvidos e aplicados de cima para baixo, pode ser que uma tend\u00eancia no TikTok seja suficiente para acabar com nossas democracias, sem que um \u00fanico tiro seja disparado.<\/p>\n<p><strong>O inimigo interno<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 importante, tamb\u00e9m, reconhecer o outro bloco contra-hegem\u00f4nico que disputa o nosso futuro, a saber, a Internacional Reacion\u00e1ria. Coordenando os l\u00edderes macho-fascistas do Sul como Nayib Bukele, Javier Milei e Jair Bolsonaro com seus hom\u00f3logos do Norte global como Donald Trump, Viktor Orb\u00e1n, Giorgia Meloni e Benjamin Netanyahu, este bloco \u00e9 muito bem financiado, coordenado internacionalmente e especialista em manipular a m\u00eddia. <em>[<\/em><em>6<\/em><em>]<\/em> Assim como o discurso progressista, muitos tamb\u00e9m denunciam a globaliza\u00e7\u00e3o neoliberal, mas com propostas pol\u00edticas radicalmente diferentes, baseadas na exclus\u00e3o, no militarismo e na xenofobia, inclusive dentro do BRICS.<\/p>\n<p>Para abordar estas quest\u00f5es, Walden Bello prop\u00f5e cl\u00e1usulas democr\u00e1ticas e de direitos humanos Sul-Sul baseadas em refor\u00e7os positivos e negativos. \u00c9 muito importante tra\u00e7ar uma linha nessas quest\u00f5es, mas tamb\u00e9m \u00e9 dif\u00edcil estabelecer uma base de refer\u00eancia substantiva e mecanismos para aplic\u00e1-la, dados os importantes desequil\u00edbrios de poder n\u00e3o apenas dentro do BRICS, mas em todo o Sul global. Considerando o uso pol\u00edtico e unilateral das cl\u00e1usulas sobre direitos humanos e democracia nas rela\u00e7\u00f5es Norte-Sul, bem como a cumplicidade do Norte nas viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos, como esses refor\u00e7os propostos podem ser decididos e aplicados coletivamente?<\/p>\n<p>Uma forma de enfrentar este problema \u00e9 incluir processos e espa\u00e7os que garantam, dentro de um multilateralismo liderado pelo Sul, a participa\u00e7\u00e3o significativa, com claro poder de decis\u00e3o, dos movimentos sociais, sindicatos, camponeses e camponesas, povos ind\u00edgenas e outros grupos e comunidades relevantes afetados pelas decis\u00f5es tomadas em n\u00edvel multilateral. Enquanto a geopol\u00edtica ortodoxa <em>westfaliana<\/em> assume que os Estados refletir\u00e3o em suas pol\u00edticas externas o resultado dos debates e das disputas de poder subnacionais, um multilateralismo centrado nos povos deve incorporar explicitamente essas vozes, j\u00e1 que qualquer decis\u00e3o ser\u00e1 melhor e muito mais leg\u00edtima se baseada nas experi\u00eancias vividas por aqueles que ser\u00e3o mais afetados por ela. \u00c9 fundamental respeitar a autodetermina\u00e7\u00e3o, mas chegou o momento de que a autodetermina\u00e7\u00e3o n\u00e3o seja apenas um direito dos Estados, mas tamb\u00e9m um direito exig\u00edvel dos povos <em>[<\/em><em>7<\/em><em>]<\/em>. Igualmente importante \u00e9 que esses espa\u00e7os tamb\u00e9m conectem estruturalmente as lutas sociais, fertilizando de forma cruzada a compreens\u00e3o que os povos t\u00eam de suas pr\u00f3prias realidades compartilhadas, melhorando suas estrat\u00e9gias e potencializando seu poder transformador.<\/p>\n<p>No entanto, a Internacional Reacion\u00e1ria (link externo) nada mais \u00e9 do que a face vis\u00edvel de um problema mais profundo e estrutural. Em todo o Sul global, as elites nacionais h\u00e1 muito tempo trocam soberania por privil\u00e9gios, atuando com demasiada frequ\u00eancia como correias de transmiss\u00e3o da depend\u00eancia neocolonial, alinhando-se n\u00e3o com seus pr\u00f3prios povos, mas com a reprodu\u00e7\u00e3o de uma divis\u00e3o internacional do trabalho violenta, racista, extrativista e desigual. As elites nacionais do Sul global \u00e0s vezes desempenharam um papel positivo no caminho para a liberta\u00e7\u00e3o de seus Estados, mas s\u00e3o tamb\u00e9m elas que garantem que a extra\u00e7\u00e3o continue e a resist\u00eancia seja reprimida. Cada vez vemos menos as elites nacionais defendendo projetos soberanos; em vez disso, sustentam o modelo extrativo e vendem os ativos nacionais ao capital transnacional, funcionando confortavelmente como agentes de interesses estrangeiros. Ao se beneficiarem desse papel nas cadeias de produ\u00e7\u00e3o internacionais, tornam-se imensamente ricas. Portanto, qualquer projeto s\u00e9rio para a soberania do Sul deve levar em conta o inimigo interno: a luta de classes que sempre foi um instrumento para a manuten\u00e7\u00e3o dos v\u00ednculos de depend\u00eancia, e as burguesias locais cujo poder se baseia precisamente na perpetua\u00e7\u00e3o dos privil\u00e9gios e das desigualdades.<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o de uma Frente do Sul Global baseia-se no entendimento de que h\u00e1 mais raz\u00f5es para unir do que para dividir os povos e Estados do Sul. H\u00e1 desafios sem precedentes a enfrentar, e sem d\u00favida a lista \u00e9 muito mais ampla do que a esbo\u00e7ada nesta se\u00e7\u00e3o. No entanto, estes s\u00e3o pontos de partida que as for\u00e7as progressistas devem ter em conta no desenvolvimento deste futuro coletivamente concebido, o que exigir\u00e1 ambi\u00e7\u00e3o, l\u00edderes pol\u00edticos corajosos e movimentos sociais fortes. Estes desafios n\u00e3o devem ser motivo para ina\u00e7\u00e3o. Ao contr\u00e1rio, na maioria das vezes suas solu\u00e7\u00f5es est\u00e3o integradas na pr\u00f3pria resist\u00eancia cotidiana.<\/p>\n<h3><strong>Parte III \u2013 Estrat\u00e9gias para desenvolver uma agenda comum<\/strong><\/h3>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o de uma Frente do Sul Global come\u00e7a por ver as coisas de maneira diferente. O poder que a Am\u00e9rica Invertida exerce sobre cada adolescente latino-americano de esquerda \u00e9 um claro exemplo disso. O desenho de tipo infantil de Torres Garc\u00eda, que mostra um mapa invertido da Am\u00e9rica do Sul, transmite com uma imagem simples o qu\u00e3o f\u00e1cil e desafiador \u00e9 mudar nossa forma de ver o mundo. Para agir juntos, devemos aprender a pensar juntos, desde o Sul e para o Sul. Porque o vocabul\u00e1rio e a imagina\u00e7\u00e3o pol\u00edtica est\u00e3o frequentemente enquadrados por teorias formuladas muito longe das experi\u00eancias e dos territ\u00f3rios do Sul global. Para que o mundo atenda \u00e0s necessidades e aspira\u00e7\u00f5es dos povos do Sul, os processos e institui\u00e7\u00f5es que regem nossas rela\u00e7\u00f5es internacionais devem refletir suas m\u00faltiplas facetas. \u00c9 urgente que o Sul pense e fale por si mesmo, priorizando suas narrativas e dando visibilidade \u00e0s suas diferentes realidades materiais.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" width=\"1456\" height=\"816\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/invertida-V4.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/invertida-V4.jpg 1456w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/04\/30180121\/invertida-V4-300x168.jpg 300w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/04\/30180121\/invertida-V4-768x430.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1456px) 100vw, 1456px\"><figcaption>Foto: Fourate Chahal El Rekaby <\/figcaption><\/figure>\n<p>O que acontece \u00e9 que a defini\u00e7\u00e3o de \u201cSul global\u201d n\u00e3o \u00e9 nem est\u00e1tica nem precisa. Embora exista um claro reconhecimento de uma realidade compartilhada de opress\u00e3o, derivada de sua inclus\u00e3o subordinada na divis\u00e3o internacional do trabalho, \u201cSul global\u201d \u00e9 o nome de uma luta. O Sul, que abrange algumas das maiores economias do mundo, fala mais da exclus\u00e3o desses pa\u00edses dos espa\u00e7os de tomada de decis\u00e3o multilaterais do que de uma identidade macroecon\u00f4mica concreta. Em suma, o Sul global n\u00e3o pode determinar as estruturas internacionais que afetam o bem-estar de seus povos, sujeitos tanto \u00e0 extra\u00e7\u00e3o de valor quanto a constantes perturba\u00e7\u00f5es externas. Ao combinar muitos dos pa\u00edses do \u201csegundo\u201d e \u201cterceiro\u201d mundos, bem como a maioria dos chamados \u201cpa\u00edses perif\u00e9ricos\u201d ou \u201cem desenvolvimento\u201d, o Sul global tamb\u00e9m fala da alteridade, daqueles exclu\u00eddos das defini\u00e7\u00f5es hegem\u00f4nicas capitalistas do que \u00e9 bom, belo e s\u00e1bio.<\/p>\n<p>O Sul tamb\u00e9m compartilha um passado de grandes civiliza\u00e7\u00f5es, uma hist\u00f3ria de resist\u00eancia, de lutas anticoloniais de liberta\u00e7\u00e3o, bem como profundas feridas causadas pelos ajustes estruturais impostos mais recentemente pelo neoliberalismo. Apesar da falta de uma defini\u00e7\u00e3o clara, o \u201cSul\u201d \u00e9 uma identidade geopol\u00edtica e geoecon\u00f4mica poderosa, que em todos os aspectos deve ocupar um lugar central na constru\u00e7\u00e3o de um futuro sem correntes. Mas qualquer estrat\u00e9gia bem-sucedida para e pelo Sul global deve compreender sua rela\u00e7\u00e3o com o Norte global e tamb\u00e9m sua presen\u00e7a no Norte global.<\/p>\n<p><strong>O Sul global no Norte<\/strong><\/p>\n<p>Qual seria o papel do Norte global na constru\u00e7\u00e3o deste novo internacionalismo? \u00c9 claro que compreender profundamente seu papel \u00e9 uma tarefa que cabe aos pr\u00f3prios movimentos e ativistas do Norte global. No entanto, cabe mencionar que, embora as desigualdades e o empobrecimento global nesta era tenham uma forte presen\u00e7a geogr\u00e1fica no Sul, tamb\u00e9m existe uma desigualdade significativa e crescente no Norte global. Se mundialmente os 0,001% mais ricos controlam tr\u00eas vezes mais riqueza do que os 50% de toda a humanidade juntos, nos Estados Unidos, um pa\u00eds desenvolvido em termos macroecon\u00f4micos, 35,9 milh\u00f5es de pessoas viviam na pobreza em 2024. Durante esse mesmo ano, a Uni\u00e3o Europeia contabilizou 93,3 milh\u00f5es de pessoas em risco de pobreza ou exclus\u00e3o social <em>[<\/em><em>8<\/em><em>]<\/em>, o que representa surpreendentes 21% de sua popula\u00e7\u00e3o. Embora seja necess\u00e1rio revisar radicalmente as rela\u00e7\u00f5es racistas e neocoloniais entre o Norte e o Sul, tamb\u00e9m \u00e9 preciso reinterpretar profundamente as desigualdades extremas e a composi\u00e7\u00e3o de classe das sociedades do Norte global.<\/p>\n<p>As pessoas migrantes e refugiadas que vivem e trabalham no Norte s\u00e3o a face mais vis\u00edvel do que chamamos de Sul global no Norte. Como parte intr\u00ednseca da reprodu\u00e7\u00e3o do capitalismo atual e da reestrutura\u00e7\u00e3o global do trabalho, essas pessoas est\u00e3o incorporadas nas sociedades do Norte global realizando as tarefas pesadas que a globaliza\u00e7\u00e3o neoliberal n\u00e3o conseguiu externalizar diretamente para os pa\u00edses do Sul. Geralmente, trabalham nas \u00e1reas da constru\u00e7\u00e3o, agricultura, sa\u00fade e cuidados, plataformas de petr\u00f3leo, transporte e setores de servi\u00e7os, sendo tratadas como um ap\u00eandice, um anexo de sociedades que, de outra forma, seriam consideradas pr\u00f3speras. Acontece que, embora sejam sistematicamente invisibilizadas e criminalizadas, a m\u00e3o de obra migrante e refugiada contribui de maneira substancial tanto para as economias dos pa\u00edses de acolhida quanto para o PIB de seus pr\u00f3prios pa\u00edses de origem: em 2024, por exemplo, as remessas estrangeiras representaram 8,7% do PIB das Filipinas, 11,4% do do Senegal, 19,1% da Guatemala e 3,6% do M\u00e9xico.<\/p>\n<p>Com efeito, os principais instrumentos multilaterais que protegem os direitos humanos das \u201cpessoas em movimento\u201d (Conven\u00e7\u00e3o sobre os Refugiados, de 1951; Conven\u00e7\u00e3o contra o Racismo, 1965; e Conven\u00e7\u00e3o sobre os Migrantes, 1990) foram desmantelados por marcos como os Pactos Globais da ONU de 2018, o Pacto da UE sobre Migra\u00e7\u00e3o e Asilo (link externo) de 2024 e a \u201cLei da Bela e Enorme Medida Legislativa\u201d dos Estados Unidos de 2025. Os migrantes e refugiados s\u00e3o cada vez mais considerados terroristas, delinquentes, indiv\u00edduos cuja humanidade pode ser legalmente apagada por meio de regimes de categoriza\u00e7\u00e3o cada vez mais rigorosos. As pessoas de ascend\u00eancia \u00e1rabe e africana s\u00e3o afetadas de maneira desproporcional e frequentemente tratadas como amea\u00e7as \u00e0 seguran\u00e7a. As pol\u00edticas migrat\u00f3rias racistas est\u00e3o se estendendo cada vez mais para al\u00e9m do controle de fronteiras, afetando a vida cotidiana de homens, mulheres e crian\u00e7as migrantes cujos nomes s\u00e3o considerados suspeitos ou cuja cor de pele \u00e9 a \u201cerrada\u201d, o que testemunha a continuidade entre o colonialismo e os controles de imigra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No entanto, h\u00e1 respostas inspiradoras. A resist\u00eancia do povo palestino e a Sumud diante da cont\u00ednua ocupa\u00e7\u00e3o sionista e do genoc\u00eddio expuseram a cumplicidade e o imperialismo dos EUA e da UE, catalisando um internacionalismo renovado centrado na mudan\u00e7a sist\u00eamica. Os movimentos e redes de migrantes e refugiados, bem como as organiza\u00e7\u00f5es antirracistas e anti-islamof\u00f3bicas, est\u00e3o desempenhando um papel importante no Norte global ao impulsionar uma solidariedade rumo \u00e0 a\u00e7\u00e3o radical, afastando-se do filantropismo perform\u00e1tico, a tal ponto que os movimentos sociais globais est\u00e3o assumindo cada vez mais as lutas dos migrantes como agenda central em suas lutas, como \u00e9 o caso, por exemplo, dos movimentos pela soberania alimentar, sa\u00fade coletiva e antimilitariza\u00e7\u00e3o. A organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos migrantes e refugiados pode ser considerada uma grande protesto global contra a insustentabilidade do capitalismo, bem como um alerta severo sobre o qu\u00e3o profundamente inconcluso est\u00e1 o processo de descoloniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Essas din\u00e2micas tamb\u00e9m repercutem nos processos eleitorais e parlamentares. Diante do empobrecimento e da exclus\u00e3o, \u00e9 a extrema direita que est\u00e1 ganhando adeptos. Tanto os Estados Unidos quanto a Europa concederam um segundo mandato a Trump e a Von der Leyen, e muitos pa\u00edses europeus deixaram de lado os partidos sociais-democratas em favor de partidos fascistas e de extrema direita, evidenciando a culmina\u00e7\u00e3o l\u00f3gica de d\u00e9cadas de globaliza\u00e7\u00e3o neoliberal. Portanto, colocam-se importantes quest\u00f5es estrat\u00e9gicas para as for\u00e7as progressistas do Norte. Fundamentalmente, este cen\u00e1rio exige uma an\u00e1lise exaustiva n\u00e3o apenas dos impactos do neoliberalismo, mas tamb\u00e9m das bases sobre as quais reconstruir suas infraestruturas sociais, afastando-se do extrativismo neocolonial no Sul global.<\/p>\n<p>Para a esquerda do Norte, \u00e9 imperativo desenvolver uma compreens\u00e3o mais radical do internacionalismo. Embora as alian\u00e7as com as lutas do Sul global continuem sendo cruciais, como no caso da luta pela autodetermina\u00e7\u00e3o da Palestina, mudar substancialmente a forma como os pa\u00edses do Norte s\u00e3o governados ter\u00e1 um impacto muito maior e mais duradouro no Sul do que os programas discricion\u00e1rios de ajuda ao desenvolvimento. Trata-se de desmantelar o capitalismo e o imperialismo desde dentro, rompendo com um modelo que sacrifica os direitos sociais e a responsabilidade democr\u00e1tica para proteger os lucros e o poder por meio da militariza\u00e7\u00e3o, da exclus\u00e3o, da extra\u00e7\u00e3o e da guerra. Basicamente, para o Norte global, a tarefa come\u00e7a por aprender a viver sem imp\u00e9rio.<\/p>\n<p>O Sul global no Norte pode ser determinante para a mudan\u00e7a sist\u00eamica. Inclui as pessoas migrantes e refugiadas, os negros, os povos ind\u00edgenas, as comunidades marginalizadas e as minorias sociais, bem como a classe trabalhadora branca empobrecida e despossu\u00edda, cujas vidas tanto nos Estados Unidos quanto na Uni\u00e3o Europeia foram devastadas pela reestrutura\u00e7\u00e3o neoliberal. Sua tarefa consiste em construir economias de solidariedade e democracia no Norte que possam prefigurar as rela\u00e7\u00f5es p\u00f3s-capitalistas, desmantelando ativamente as estruturas racistas e coloniais sem negligenciar as devidas repara\u00e7\u00f5es. Trata-se de que o Norte se comprometa com um novo internacionalismo que coloque a mudan\u00e7a sist\u00eamica no centro da transforma\u00e7\u00e3o global, desde as entranhas da besta.<\/p>\n<p><strong>Elementos de uma estrat\u00e9gia comum<\/strong><\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o de uma Frente do Sul Global exige mecanismos concretos de coordena\u00e7\u00e3o, canais de comunica\u00e7\u00e3o claros e um alinhamento estrat\u00e9gico entre contextos muito diversos. De Jacarta a Joanesburgo, de S\u00e3o Paulo a Manila, as for\u00e7as progressistas enfrentam batalhas imediatas diferentes, mas compartilham os mesmos advers\u00e1rios estruturais: o imperialismo, o poder corporativo, a militariza\u00e7\u00e3o e a internacional macho-fascista. O desafio consiste em conectar essas lutas sem achatar sua especificidade, coordenar sem impor uniformidade, construir poder a partir da realidade das m\u00faltiplas lutas. Trata-se de construir um horizonte coletivo, uma voz comum capaz de articular interesses compartilhados e dar forma \u00e0s agendas pol\u00edticas em n\u00edvel nacional, regional e global.<\/p>\n<p>Esta se\u00e7\u00e3o descreve alguns elementos dessa estrat\u00e9gia, n\u00e3o como um plano detalhado, mas como um convite, um marco que deve ser testado, adaptado e aperfei\u00e7oado coletivamente por meio da pr\u00e1tica. Identifica tr\u00eas espa\u00e7os interconectados nos quais deve desenvolver-se o trabalho de construir o poder dos povos: entre os movimentos sociais e as organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil; dentro e junto aos Estados e aos partidos pol\u00edticos; e por meio de redes de pensadores, comunicadores e educadores populares. Cada um deles \u00e9 apenas uma pe\u00e7a de um mosaico que, em conjunto, pode forjar uma vis\u00e3o e estrat\u00e9gia comum como exige o desenvolvimento de uma Frente do Sul Global.<\/p>\n<p>O primeiro espa\u00e7o tem a tarefa de construir v\u00ednculos s\u00f3lidos entre os povos e os movimentos do Sul global, conectando as lutas locais com as din\u00e2micas internacionais e identificando os pontos de converg\u00eancia que permitem a a\u00e7\u00e3o coletiva. Isso requer criatividade, abertura e vontade pol\u00edtica, um processo enraizado em lutas concretas que s\u00e3o vividas de maneira diferente em cada pa\u00eds. Quais s\u00e3o as lutas mais significativas para cada sociedade? Como se desenvolve a interse\u00e7\u00e3o entre as diferentes frentes de luta em cada um dos continentes? No Brasil, por exemplo, a justi\u00e7a racial, a igualdade de g\u00eanero, os direitos dos povos ind\u00edgenas, o emprego e a prote\u00e7\u00e3o trabalhista, a distribui\u00e7\u00e3o da riqueza e da terra, e a viol\u00eancia (estatal) conformam uma configura\u00e7\u00e3o muito espec\u00edfica de lutas. Quais s\u00e3o as for\u00e7as sociais que determinam as frentes de luta, por exemplo, na Indon\u00e9sia ou \u00c1frica do Sul? Da diversidade de realidades similares em todo o Sul pode surgir a ess\u00eancia de uma voz pol\u00edtica compartilhada.<\/p>\n<p>O segundo espa\u00e7o implica uma aproxima\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica com os Estados do Sul global, com a mobiliza\u00e7\u00e3o se complementando com um trabalho sustentado de incid\u00eancia e campanhas p\u00fablicas. Esta parte da estrat\u00e9gia inclui o trabalho com as capitais e as coaliz\u00f5es Sul-Sul, como o BRICS, o G77 e o Movimento dos Pa\u00edses N\u00e3o Alinhados em n\u00edvel mundial; ou a Uni\u00e3o Africana, a ASEAN e a CELAC em n\u00edvel regional. O trabalho da Campanha Global dentro do processo do Tratado Vinculante da ONU, que fomenta a coordena\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses do Sul global em torno de disposi\u00e7\u00f5es legais elaboradas a partir da realidade das viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos cometidas por empresas transnacionais, pode ensinar li\u00e7\u00f5es importantes sobre os limites e, especialmente, sobre o potencial da aproxima\u00e7\u00e3o dos movimentos sociais com os Estados. Apesar de suas numerosas contradi\u00e7\u00f5es, esses \u00e2mbitos pol\u00edticos podem oferecer oportunidades estrat\u00e9gicas para promover demandas comuns e refor\u00e7ar a coordena\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Outra dimens\u00e3o desse espa\u00e7o \u00e9 o trabalho com os partidos pol\u00edticos e os parlamentares, essencial para traduzir as demandas sociais em poder institucional. Na Am\u00e9rica Latina, por exemplo, o F\u00f3rum de S\u00e3o Paulo, o Grupo de Puebla, o Congresso Pan-Americano e a Rede Futuro proporcionam importantes plataformas para a coordena\u00e7\u00e3o regional dos programas dos partidos progressistas. \u00c9 fundamental intercambiar tais li\u00e7\u00f5es entre as regi\u00f5es, criando alian\u00e7as globais de representantes progressistas do Sul, como as iniciativas organizadas recentemente pela Internacional Progressista com o Grupo de Haia (link externo) e Nossa Am\u00e9rica (link externo).<\/p>\n<p>O terceiro espa\u00e7o exige a coordena\u00e7\u00e3o entre pensadores, intelectuais e meios de comunica\u00e7\u00e3o. Isso inclui a cria\u00e7\u00e3o de redes de intelectuais e especialistas do Sul em disciplinas-chave, bem como o fortalecimento dos <em>think tanks<\/em> enraizados nas realidades do Sul. Tais iniciativas devem ser complementadas com esfor\u00e7os de forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica coletiva intencional, para compreender o passado, o presente e o futuro desde uma perspectiva progressista, recuperando o pensamento e a cultura do Sul, como o trabalho que desenvolvem o Instituto Tricontinental e a Focus on the Global South. Recentemente inaugurada, a Transnational Academy \u00e9 uma contribui\u00e7\u00e3o concreta a este esfor\u00e7o, na qual, juntamente com nossos aliados, o TNI promove processos de forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica coletiva. Para a segunda metade de 2027, est\u00e1 sendo desenhado um curso para impulsionar a an\u00e1lise, a estrat\u00e9gia e a mobiliza\u00e7\u00e3o desde uma perspectiva do Sul, com a finalidade de que o Sul conhe\u00e7a melhor o Sul. Em conjunto, estas iniciativas podem aprofundar nosso conhecimento coletivo, influenciar o debate p\u00fablico e refor\u00e7ar os alicerces intelectuais de um projeto comum do Sul.<\/p>\n<p>Os tr\u00eas espa\u00e7os de luta confluem na frente anti-imperialista e antifascista, tarefa urgente para a nossa gera\u00e7\u00e3o. Por meio da mobiliza\u00e7\u00e3o constante, da coordena\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e da produ\u00e7\u00e3o intelectual org\u00e2nica, esta estrat\u00e9gia nos permitir\u00e1 construir um futuro diferente enquanto resistimos.<\/p>\n<p><strong>Olhando para o futuro<\/strong><\/p>\n<p>Ao longo de 2025, o TNI promoveu consultas em todas as regi\u00f5es do Sul global com muitos aliados pr\u00f3ximos para compreender sua leitura da conjuntura atual e as estrat\u00e9gias que contemplam para uma nova ordem multilateral. Na maioria das conversas, o diagn\u00f3stico foi similar: apesar das incertezas, ou precisamente por causa delas, nossa conjuntura atual apresenta muitas oportunidades que as for\u00e7as progressistas devem explorar de maneira s\u00e9ria e coletiva. Os desafios variaram em certa medida quanto \u00e0 sua import\u00e2ncia entre as distintas regi\u00f5es, mas ficou claro em todos os casos que precisamos desenvolver uma voz \u2013 um \u201ccoro\u201d de vozes plurais \u2013 e uma estrat\u00e9gia comum para forjar o futuro. Para nos guiar nesse sentido, foram mencionadas recorrentemente algumas quest\u00f5es como temas centrais <em>[<\/em><em>9<\/em><em>]<\/em> que devem ser explorados mais a fundo com o fim de desenhar estes m\u00faltiplos tape\u00e7arias em uma uni\u00e3o de lutas desde os Sules do mundo.<\/p>\n<p>Como podemos cumprir as altas aspira\u00e7\u00f5es de nossos povos e movimentos? Ao longo de 2026, juntamente com movimentos sociais, sindicatos e outras organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil, o TNI participar\u00e1 de um processo coletivo de forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, encontros de mobiliza\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00e3o, com o fim de contribuir para a consolida\u00e7\u00e3o de uma identidade pol\u00edtica coletiva e desenvolver uma estrat\u00e9gia e um plano de a\u00e7\u00e3o comuns. Partindo dos aprendizados de uma agenda viva da Frente do Sul Global, trabalharemos para conectar a diversidade de vozes pol\u00edticas, lutas e tradi\u00e7\u00f5es rumo a um Bandung dos Povos, em 2027.<\/p>\n<p>H\u00e1 setenta anos, a Confer\u00eancia de Bandung marcou o nascimento da coopera\u00e7\u00e3o Sul-Sul, reunindo 29 Estados asi\u00e1ticos e africanos rec\u00e9m-independentes para abordar a descoloniza\u00e7\u00e3o, o desenvolvimento e o imperialismo. Acreditamos que a energia simb\u00f3lica e pol\u00edtica que Bandung projetou 70 anos para o futuro \u00e9 mais do que uma inspira\u00e7\u00e3o, \u00e9 um chamado \u00e0 emancipa\u00e7\u00e3o nesta nova era. No entanto, um Bandung dos Povos deve abranger n\u00e3o apenas os Estados, como fez em 1955; tampouco apenas a \u00c1frica e a \u00c1sia, mas tamb\u00e9m a Am\u00e9rica Latina, o Caribe e a imensa diversidade de movimentos sociais, for\u00e7as pol\u00edticas e lutas populares dos muitos Sules do mundo. \u00c9 Bandung porque encarna a promessa transformadora de uma estrat\u00e9gia comum Sul-Sul. Est\u00e1 em espanhol <em>[o texto original]<\/em> para enfatizar a inclus\u00e3o da Am\u00e9rica Latina. Mas, acima de tudo, \u00e9 \u201cdos Povos\u201d porque o poder popular deve impulsionar este novo multilateralismo, a ser fundado na solidariedade internacionalista e na democracia genu\u00edna.<\/p>\n<hr>\n<p><strong>Referencias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p><strong>Artigos de Peri\u00f3dicos Acad\u00eamicos<\/strong><\/p>\n<p>Schincariol, V. E., Rossini, G. A. A., Paulani, L. M., &amp; Reis, C. F. B. (2024). Capitalismo 4.0: um novo regime de acumula\u00e7\u00e3o e regula\u00e7\u00e3o? [Capitalism 4.0: A new accumulation and regulation regime?]. <em>Pesquisa &amp; Debate: Revista do Programa de Estudos P\u00f3s-Graduados em Economia Pol\u00edtica<\/em>, <em>36<\/em>(2(66)). https:\/\/doi.org\/10.23925\/1806-9029.36i2(66)68872 (enlace externo)<\/p>\n<p>Shah, J. (2024). The imperialist anatomy of sanctions. <em>University of Pennsylvania Journal of International Law<\/em>, <em>46<\/em>(1), 65\u2013142.<\/p>\n<p>Sylla, N. S. (2020). Moving forward to African monetary integration. <em>Afrique et D\u00e9veloppement<\/em>, <em>45<\/em>(2), 39\u201358. https:\/\/www.jstor.org\/stable\/26979255 (enlace externo)<\/p>\n<p><strong>Livros<\/strong><\/p>\n<p>Bello, W. (2004). <em>De-globalization: Ideas for a new world economy<\/em>. Zed Books.<\/p>\n<p>Hamouchene, H., &amp; Sandwell, K. (Eds.). (2023). <em>Dismantling green colonialism: Energy and climate justice in the Arab region<\/em>. Pluto Press; Transnational Institute. https:\/\/www.tni.org\/en\/publication\/dismantling-green-colonialism<\/p>\n<p>South Commission. (1990). <em>The challenge to the South: The report of the South Commission<\/em>. Oxford University Press. https:\/\/www.southcentre.int\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/The-Challenge-to-the-South_EN.pdf (enlace externo)<\/p>\n<p><strong>Cap\u00edtulos de Livros<\/strong><\/p>\n<p>Brennan, B. (2025). Communities of resistance: Migrant organizing and transnational campaigning past and future [Entrevista por B. Anderson]. In B. Anderson (Ed.), <em>Rethinking migration: Challenging borders, citizenship and race<\/em> (pp. 240\u2013251). Bristol University Press. https:\/\/doi.org\/10.51952\/9781529234497.ch012 (enlace externo)<\/p>\n<p>Getachew, A. (2019). A political theory of decolonization. In <em>Worldmaking after empire: The rise and fall of self-determination<\/em> (pp. 14\u201336). Princeton University Press. https:\/\/www.bu.edu\/polisci\/files\/2019\/10\/Getachew-Ch.-1.pdf (enlace externo)<\/p>\n<p><strong>Informes, Dossi\u00eas e Edi\u00e7\u00f5es tem\u00e1ticas<\/strong><\/p>\n<p>Barbesgaard, M., &amp; Whitmore, A. (2022, June). <em>Smoke and minerals: How the mining industry plans to profit from the energy transition<\/em>. Transnational Institute; London Mining Network. https:\/\/www.tni.org\/en\/publication\/smoke-and-minerals<\/p>\n<p>Buxton, N. (Ed.). (2024, February 1). <em>Energy, power and transition: State of Power 2024<\/em>. Transnational Institute. https:\/\/www.tni.org\/en\/publication\/energy-power-and-transition<\/p>\n<p>Buxton, N. (Ed.). (2025, February). <em>Geopolitics of capitalism: State of Power 2025<\/em>. Transnational Institute. https:\/\/www.tni.org\/files\/2025-02\/State-of-Power-2025-web_3.pdf<\/p>\n<p>Buxton, N. (Ed.). (2026, February). <em>Fascism: State of Power 2026<\/em>. Transnational Institute. https:\/\/www.tni.org\/files\/2026-02\/State-of-Power-2026-web.pdf<\/p>\n<p>Chatterjee, P., Petitjean, O., Perez, A., &amp; Steinfort, L. (2023, November). <em>Green multinationals exposed<\/em> [Report]. Transnational Institute; CorpWatch; Observatoire des multinationales; Observatori del Deute en la Globalitzaci\u00f3. https:\/\/www.tni.org\/en\/publication\/green-multinationals-exposed<\/p>\n<p>Gleckman, H. (2021, March). <em>COVAX: A global multistakeholder group that poses political and health risks to developing countries and multilateralism<\/em> [Report]. Friends of the Earth International; Transnational Institute. https:\/\/longreads.tni.org\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/COVAX_EN.pdf (enlace externo)<\/p>\n<p>Kaboub, F. (2025, April). <em>A coherent framework for sovereign debt and economic transformation: Towards Global South debtors coalition<\/em> (IEJ Sovereign Debt Working Paper Series No. 2). Institute for Economic Justice. https:\/\/iej.org.za\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/IEJ-G20-2-Sovereign-Debt-2025.pdf (enlace externo)<\/p>\n<p>Manahan, M. A., &amp; Kumar, M. (2021). <em>The great takeover: Mapping of multistakeholderism in global governance<\/em> (B. Brennan, G. Berr\u00f3n, M. Drago, &amp; L. Paranhos, Eds.). People\u2019s Working Group on Multistakeholderism; Transnational Institute. https:\/\/www.tni.org\/en\/publication\/the-great-takeover<\/p>\n<p>Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. (2026, January 19\u201323). <em>Caderno de subs\u00eddios do MST, 14\u00ba Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra<\/em>. Salvador, Bahia.<\/p>\n<p>Muller, B., Ghiotto, L., &amp; Barcena, L. (2024, January). <em>The raw materials rush: How the European Union is using trade agreements to secure supply of critical raw materials for its green transition<\/em> [Report]. Transnational Institute. https:\/\/www.tni.org\/en\/publication\/the-raw-materials-rush<\/p>\n<p>N\u00ed Bhriain, N. (2025, May 14). <em>Global military spending at record high, new data shows<\/em> [Infographic series]. Transnational Institute. https:\/\/www.tni.org\/en\/publication\/global-military-spending-at-record-high-new-data-shows<\/p>\n<p>Shrider, E. A., &amp; Bijou, C. (2025, September). <em>Poverty in the United States: 2024<\/em> (Current Population Reports No. P60-287). U.S. Census Bureau; U.S. Government Publishing Office. https:\/\/www.census.gov\/library\/publications\/2025\/demo\/p60-287.html (enlace externo)<\/p>\n<p>Tricontinental: Institute for Social Research. (2025, January). <em>Towards a new development theory for the Global South<\/em> (Dossier no. 84). https:\/\/thetricontinental.org\/towards-a-new-development-theory-for-the-global-south\/ (enlace externo)<\/p>\n<p><strong>Documentos da ONU e Instrumentos Internacionais<\/strong><\/p>\n<p>International Organization for Migration. (n.d.). <em>Global Compact for safe, orderly and regular migration<\/em> [Overview]. IOM \u2013 UN Migration. https:\/\/www.iom.int\/global-compact-migration (enlace externo)<\/p>\n<p>United Nations General Assembly. (1965, December 21). <em>International Convention on the Elimination of All Forms of Racial Discrimination<\/em>, G.A. Res. 2106 (XX), 660 U.N.T.S. 195. Office of the United Nations High Commissioner for Human Rights. https:\/\/www.ohchr.org\/en\/instruments-mechanisms\/instruments\/international-convention-elimination-all-forms-racial (enlace externo)<\/p>\n<p>United Nations General Assembly. (1990, December 18). <em>International Convention on the Protection of the Rights of All Migrant Workers and Members of Their Families<\/em>, G.A. Res. 45\/158, 2220 U.N.T.S. 3. Office of the United Nations High Commissioner for Human Rights. https:\/\/www.ohchr.org\/en\/instruments-mechanisms\/instruments\/international-convention-protection-rights-all-migrant-workers (enlace externo)<\/p>\n<p>United Nations General Assembly. (2007, September 13). <em>United Nations Declaration on the Rights of Indigenous Peoples<\/em>, G.A. Res. 61\/295, U.N. Doc. A\/RES\/61\/295. United Nations Department of Economic and Social Affairs. https:\/\/www.un.org\/development\/desa\/indigenouspeoples\/wp-content\/uploads\/sites\/19\/2018\/11\/UNDRIP_E_web.pdf (enlace externo)<\/p>\n<p>United Nations High Commissioner for Refugees. (n.d.). <em>The 1951 Refugee Convention<\/em>. UNHCR. https:\/\/www.unhcr.org\/about-unhcr\/overview\/1951-refugee-convention (enlace externo)<\/p>\n<p>United Nations Human Rights Council. (2018, September 28). <em>United Nations Declaration on the Rights of Peasants and Other People Working in Rural Areas<\/em>, H.R.C. Res. 39\/12, U.N. Doc. A\/HRC\/RES\/39\/12. United Nations Digital Library. https:\/\/digitallibrary.un.org\/record\/1650694 (enlace externo)<\/p>\n<p>United Nations Office of the High Commissioner for Human Rights. (n.d.). <em>Declaration on the Right to Development<\/em> [Instrument overview]. OHCHR. https:\/\/www.ohchr.org\/en\/instruments-mechanisms\/instruments\/declaration-right-development (enlace externo)<\/p>\n<p>United Nations Office of the High Commissioner for Human Rights. (2013, September 13). <em>Free, prior and informed consent of indigenous peoples<\/em> [Fact sheet]. OHCHR. https:\/\/www.ohchr.org\/sites\/default\/files\/Documents\/Issues\/IPeoples\/FreePriorandInformedConsent.pdf (enlace externo)<\/p>\n<p>United Nations Office of the High Commissioner for Human Rights. (2025, November). <em>UN Security Council resolution a violation of Palestinian right of self-determination and UN Charter, UN expert warns<\/em> [Press release]. OHCHR. https:\/\/www.ohchr.org\/en\/press-releases\/2025\/11\/un-security-council-resolution-violation-palestinian-right-self (enlace externo)<\/p>\n<p>United Nations Security Council. (2025, November 17). <em>Resolution 2803<\/em>, S\/RES\/2803(2025). United Nations. https:\/\/docs.un.org\/en\/S\/RES\/2803(2025) (enlace externo)<\/p>\n<p><strong>Documentos oficiais legislativos e de governo<\/strong><\/p>\n<p>European Commission, Directorate-General for Migration and Home Affairs. (n.d.). <em>Pact on Migration and Asylum<\/em>. European Commission. https:\/\/home-affairs.ec.europa.eu\/policies\/migration-and-asylum\/pact-migration-and-asylum_en (enlace externo)<\/p>\n<p>Ministry of Foreign Affairs of the People\u2019s Republic of China. (2021, September). <em>Concept paper on the Global Development Initiative<\/em>. https:\/\/www.fmprc.gov.cn\/mfa_eng\/\/zy\/jj\/GDI_140002\/wj\/202406\/P020240606606193448267.pdf (enlace externo)<\/p>\n<p>Ministry of Foreign Affairs of the People\u2019s Republic of China. (2023, February). <em>The Global Security Initiative concept paper<\/em> [Policy paper]. China\u2019s Diplomacy in the New Era. https:\/\/en.chinadiplomacy.org.cn\/pdf\/The_Global_Security_Initiative_Concept_Paper.pdf (enlace externo)<\/p>\n<p>Ministry of Foreign Affairs of the People\u2019s Republic of China. (2023, September). <em>Concept paper on the Global Community of Shared Future<\/em>. https:\/\/www.fmprc.gov.cn\/eng\/xw\/wjbxw\/202509\/t20250901_11699912.html (enlace externo)<\/p>\n<p>Ministry of Foreign Affairs of the People\u2019s Republic of China. (2025, September). <em>Concept paper on the Global Governance Initiative<\/em>. https:\/\/www.fmprc.gov.cn\/eng\/xw\/wjbxw\/202509\/t20250901_11699912.html (enlace externo)<\/p>\n<p>Salom\u00e3o, H., Carolina, \u00c1., Melchionna, F., Wapichana, J., &amp; Reis, V. (2022). <em>Projeto de Lei n.\u00ba 572, de 14 de mar\u00e7o de 2022: Cria a lei marco nacional sobre Direitos Humanos e Empresas e estabelece diretrizes para a promo\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas no tema<\/em>. C\u00e2mara dos Deputados. https:\/\/www.camara.leg.br\/proposicoesWeb\/fichadetramitacao?idProposicao=2317904 (enlace externo)<\/p>\n<p>Shanghai Cooperation Organization. (2025, September 2). <em>Tianjin Declaration of the Council of Heads of State of the Shanghai Cooperation Organization<\/em>. SCO China 2025 Presidency. https:\/\/www.scochina2025.org.cn\/en\/n3\/2025\/0902\/c518818-20361093.html (enlace externo)<\/p>\n<p>The White House. (n.d.). <em>The One Big Beautiful Bill<\/em>. https:\/\/www.whitehouse.gov\/obbb\/ (enlace externo)<\/p>\n<p><strong>Sites de organiza\u00e7\u00f5es, campanhas e outras iniciativas<\/strong><\/p>\n<p>Alternative Information and Development Centre. (2018, March 29). <em>We want the right to say NO!<\/em>. AIDC. https:\/\/aidc.org.za\/want-right-say-no\/ (enlace externo)<\/p>\n<p>China\u2019s Diplomacy in the New Era. (n.d.). <em>Global Development Initiative.<\/em> https:\/\/en.chinadiplomacy.org.cn\/gdi\/index.shtml (enlace externo)<\/p>\n<p>Focus on the Global South. (n.d.). <em>Focus on the Global South<\/em>. https:\/\/focusweb.org\/ (enlace externo)<\/p>\n<p>Global Campaign to Reclaim Peoples\u2019 Sovereignty, Dismantle Corporate Power and Stop Impunity. (n.d.). <em>Stop corporate impunity: Dismantle corporate power<\/em>. https:\/\/www.stopcorporateimpunity.org\/ (enlace externo)<\/p>\n<p>International Peoples\u2019 Assembly. (n.d.). <em>International Peoples\u2019 Assembly<\/em>. https:\/\/ipa-aip.org (enlace externo)<\/p>\n<p>La Via Campesina. (n.d.). <em>La Via Campesina: International peasants\u2019 movement<\/em>. https:\/\/viacampesina.org\/en\/ (enlace externo)<\/p>\n<p>Progressive International. (n.d.). <em>Nuestra Am\u00e9rica<\/em>. Progressive International. https:\/\/act.progressive.international\/nuestraamerica\/ (enlace externo)<\/p>\n<p>Progressive International. (n.d.). <em>Progressive International: Unite, organise, mobilise<\/em>. https:\/\/progressive.international\/ (enlace externo)<\/p>\n<p>The Hague Group. (n.d.). <em>The Hague Group: A global bloc of states committed to coordinated legal and diplomatic measures in defense of international law<\/em>. https:\/\/thehaguegroup.org\/ (enlace externo)<\/p>\n<p>The Reactionary International. (n.d.). https:\/\/reactionary.international\/ (enlace externo)<\/p>\n<p>Tricontinental: Institute for Social Research. (n.d.). <em>About<\/em>. Tricontinental: Institute for Social Research. https:\/\/thetricontinental.org\/about\/#mission (enlace externo)<\/p>\n<p>Tricontinental: Institute for Social Research. (n.d.). <em>Tricontinental: Institute for Social Research<\/em>. https:\/\/thetricontinental.org\/ (enlace externo)<\/p>\n<p><strong>Artigos jornal\u00edsticos e publica\u00e7\u00f5es online<\/strong><\/p>\n<p>Bello, W. (with Guttal, S.). (2025, March 13). The long march from Bandung to the BRICS. <em>Focus on the Global South<\/em>. https:\/\/focusweb.org\/the-long-march-from-bandung-to-the-brics\/ (enlace externo)<\/p>\n<p>Boukari-Yabara, A. (2024, November 4). Le panafricanisme et la Conf\u00e9d\u00e9ration de l\u2019Alliance des \u00c9tats du Sahel [Pan-Africanism and the Confederation of the Alliance of Sahel States]. <em>Amzat Boukari-Yabara<\/em>. https:\/\/amzatboukariyabara.com\/le-panafricanisme-et-la-confederation-de-lalliance-des-etats-du-sahel\/ (enlace externo)<\/p>\n<p>Brand, U., &amp; Wichterich, C. (2025, October 20). Walden Bello on deglobalization. <em>Foreign Policy in Focus<\/em>. https:\/\/fpif.org\/walden-bello-on-deglobalization\/ (enlace externo)<\/p>\n<p>Knell, Y. (2025, September 19). US blocks UN call for Gaza ceasefire for sixth time. <em>BBC News<\/em>. https:\/\/www.bbc.com\/news\/articles\/ce3yj41083no (enlace externo)<\/p>\n<p>Progressive International. (2024). <em>New International Economic Order 1974\u20132024<\/em>. Progressive International. https:\/\/progressive.international\/blueprint\/collection\/7e2256c4-1bb2-49a3-bf78-a3e0bc6160d2-new-international-economic-order\/en\/ (enlace externo)<\/p>\n<p>Progressive International. (2026, February 2). PI briefing no. 4: A rounding error. <em>Progressive International Wire<\/em>. https:\/\/progressive.international\/wire\/2026-02-02-pi-briefing-no-4-a-rounding-error\/en\/ (enlace externo)<\/p>\n<p>Pulse Kenya. (2025, December 22). African country that hosts China\u2019s only confirmed foreign military base and why. <em>Pulse Kenya<\/em>. https:\/\/www.pulse.co.ke\/story\/african-country-that-hosts-chinas-only-confirmed-foreign-military-base-and-why-2025122209264797026 (enlace externo)<\/p>\n<p>Sundaram, J. K. (2025, May 26). My say: Asean and the future. <em>The Edge Malaysia Weekly<\/em>. https:\/\/theedgemalaysia.com\/node\/756647 (enlace externo)<\/p>\n<p><strong>Newsletters, Briefings e Ensaios<\/strong><\/p>\n<p>Global Campaign to Reclaim Peoples\u2019 Sovereignty, Dismantle Corporate Power and Stop Impunity. (2023, March). <em>Frontiers of an effective binding treaty<\/em> [Position paper]. Stop Corporate Impunity. https:\/\/www.stopcorporateimpunity.org\/frontiers-of-an-effective-binding-treaty\/ (enlace externo)<\/p>\n<p>La Via Campesina. (2021, December 18). <em>A global solidarity pact to confront the necropolitics of migration and the inhuman treatment of migrants and refugees<\/em>. https:\/\/viacampesina.org\/en\/2021\/12\/a-global-solidarity-pact-to-confront-the-necropolitics-of-migration-and-the-inhuman-treatment-of-migrants-and-refugees\/ (enlace externo)<\/p>\n<p>Ny\u00e9l\u00e9ni Newsletter. (2022, June). <em>Newsletter no. 48: Ny\u00e9l\u00e9ni process: Towards a global forum of food sovereignty<\/em>. Ny\u00e9l\u00e9ni. https:\/\/nyeleni.org\/DOWNLOADS\/newsletters\/Nyeleni_Newsletter_Num_48_EN.pdf (enlace externo)<\/p>\n<p>Transnational Migrant Platform Europe. (2020, October). <em>Llamado por un Pacto Global de Solidaridad por los Derechos de los Migrantes y Refugiados. <\/em><em>https:\/\/ppt.transnationalmigrantplatform.net\/sign-on-to-global-pact-on-solidarity\/<\/em> (enlace externo)<\/p>\n<p><strong>Discursos, v\u00eddeos e materiais de arquivo<\/strong><\/p>\n<p>Levy Economics Institute. (2025, August 11). <em>Global South repositioning and the geopolitical bargain of the century ~ Fadhel Kaboub<\/em>. YouTube. https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=ml4VKNtS0IY (enlace externo)<\/p>\n<p>Roy, A. (2002, September 18). Come September [Speech transcript]. Lannan Foundation, Lensic Performing Arts Center, Santa Fe, New Mexico, United States. Dharma Records. https:\/\/dharma-records.buddhasasana.net\/texts\/arundhati-roys-speech-come-september (enlace externo)<\/p>\n<p>Torres-Garc\u00eda, J. (1944). <em>La Escuela del Sur<\/em>. ICAA Documents Project, International Center for the Arts of the Americas (ICAA), Museum of Fine Arts, Houston. https:\/\/icaa.mfah.org\/s\/es\/item\/1245960 (enlace externo)<\/p>\n<p><strong>Estat\u00edsticas e Fontes de Dados<\/strong><\/p>\n<p>Eurostat. (n.d.). Glossary: At-risk-of-poverty rate. European Commission. https:\/\/ec.europa.eu\/eurostat\/statistics-explained\/index.php?title=Glossary:At-risk-of-poverty_rate (enlace externo)<\/p>\n<p>Eurostat. (2025, April 30). <em>People at risk of poverty or social exclusion in 2024<\/em>. European Commission. https:\/\/ec.europa.eu\/eurostat\/web\/products-eurostat-news\/w\/ddn-20250430-2 (enlace externo)<\/p>\n<p>World Bank. (n.d.). Personal remittances, received (% of GDP) \u2014 Mexico. World Development Indicators. https:\/\/data.worldbank.org\/indicator\/BX.TRF.PWKR.DT.GD.ZS?locations=MX (enlace externo)<\/p>\n<hr>\n<p><strong>Notas:<\/strong><\/p>\n<p>[1] Veja, por exemplo, a Declara\u00e7\u00e3o sobre o Direito ao Desenvolvimento (1986), a Declara\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre os Direitos dos Povos Ind\u00edgenas (2007) e a Declara\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre os Direitos dos Camponeses e de Outras Pessoas que Trabalham nas Zonas Rurais (2018).<br \/><imgsrc=\"\" alt=\"\u21a9\"><\/p>\n<p>[2] Do discurso de Arundhati Roy em 2010, <em>Come September<\/em>: \u00abOutro mundo n\u00e3o \u00e9 apenas poss\u00edvel, est\u00e1 a caminho. Talvez muitos de n\u00f3s n\u00e3o estejamos aqui para lhe dar as boas-vindas, mas, em um dia tranquilo, se eu escutar com muita aten\u00e7\u00e3o, posso ouvir sua respira\u00e7\u00e3o\u00bb.<br \/><imgsrc=\"\" alt=\"\u21a9\"><\/p>\n<p>[3] Veja o material de leitura do 14\u00ba Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra: <em>Caderno de Subs\u00eddios do MST<\/em>, 14\u00ba Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, Salvador, Bahia, de 19 a 23 de janeiro de 2026.<br \/><imgsrc=\"\" alt=\"\u21a9\"><\/p>\n<p>[4] Na \u00faltima c\u00fapula da Organiza\u00e7\u00e3o de Coopera\u00e7\u00e3o de Xangai, realizada em setembro de 2025, o presidente Xi Jinping apresentou a Iniciativa de Governan\u00e7a Global da China, a quarta de uma s\u00e9rie de pol\u00edticas globais que descrevem a vis\u00e3o da China sobre a ordem internacional, juntamente com a Iniciativa de Desenvolvimento Global (2021), a Iniciativa de Seguran\u00e7a Global (2022) e a Iniciativa de Civiliza\u00e7\u00e3o Global (2023). Essas iniciativas devem ser consideradas complementares e cumulativas, e expressam a interpreta\u00e7\u00e3o chinesa da conjuntura mundial atual e do papel que o pa\u00eds deve desempenhar nela.<br \/><imgsrc=\"\" alt=\"\u21a9\"><\/p>\n<p>[5] As armas nucleares s\u00e3o, sem d\u00favida, motivo de profunda preocupa\u00e7\u00e3o na conjuntura atual. A expira\u00e7\u00e3o do Novo Tratado START, entre Estados Unidos e R\u00fassia, em 5 de fevereiro de 2026, significa que, pela primeira vez em quase meio s\u00e9culo, n\u00e3o haver\u00e1 normas vinculantes que limitem seus arsenais nucleares estrat\u00e9gicos, como destacou o secret\u00e1rio-geral da ONU, Antonio Guterres. Diante desse perigoso vazio, o secret\u00e1rio-geral ressaltou a import\u00e2ncia de um tratado sucessor que aborde o futuro da n\u00e3o prolifera\u00e7\u00e3o nuclear e do desarmamento.<br \/><imgsrc=\"\" alt=\"\u21a9\"><\/p>\n<p>[6] O d\u00e9cimo quarto relat\u00f3rio sobre o Estado do Poder do TNI sobre o fascismo, de 2026, aprofunda as raz\u00f5es subjacentes de sua ascens\u00e3o, os interesses econ\u00f4micos que o sustentam e as formas como o fascismo utiliza as crises sociais e ecol\u00f3gicas como arma, ao mesmo tempo em que discute maneiras de combat\u00ea-lo.<br \/><imgsrc=\"\" alt=\"\u21a9\"><\/p>\n<p>[7] O direito ao consentimento livre, pr\u00e9vio e informado e o Direito de Dizer N\u00e3o s\u00e3o mecanismos que tratam diretamente da autodetermina\u00e7\u00e3o dos povos.<br \/><imgsrc=\"\" alt=\"\u21a9\"><\/p>\n<p>[8] Segundo o Eurostat, a \u201ctaxa de risco de pobreza\u201d descreve \u201ca porcentagem da popula\u00e7\u00e3o que vive em domic\u00edlios cuja renda dispon\u00edvel equivalente \u00e9 inferior ao limiar de risco de pobreza no ano em curso e em pelo menos dois dos tr\u00eas anos anteriores\u201d.<br \/><imgsrc=\"\" alt=\"\u21a9\"><\/p>\n<p>[9] As tem\u00e1ticas recorrentes em todas as consultas podem ser agrupadas em seis lutas inter-relacionadas e diversas: 1) Soberania sobre a vida e os recursos; 2) Paz, liberta\u00e7\u00e3o e dignidade humana; 3) Conhecimento e soberania digital; 4) Economias e pol\u00edticas de desenvolvimento que valorizam a vida; 5) Governan\u00e7a e implementa\u00e7\u00e3o coletiva; 6) Organiza\u00e7\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica radical.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. 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Hoje, inspira: diante da ordem neoliberal e avan\u00e7o do fascismo, mais que reformar institui\u00e7\u00f5es multilaterais, \u00e9 hora de construir alternativas. Em 2027, uma oportunidade se abre<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/pos-capitalismo\/rumo-a-bandung-dos-povos\/\">Rumo a uma Bandung dos Povos<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":85614,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[53552,1140,5511,822,53553,53554,267,5604,1482,24256],"tags":[],"class_list":["post-85613","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-bandung-dos-povos","category-brics","category-capa","category-conselho-de-seguranca-da-onu","category-neoliberalismo-e-sul","category-nova-ordem-internacional","category-onu","category-pos-capitalismo","category-sul-global","category-sul-sul"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85613","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=85613"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85613\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/85614"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=85613"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=85613"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=85613"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}