{"id":85776,"date":"2026-05-02T17:01:51","date_gmt":"2026-05-02T20:01:51","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/raimundo-pereira-o-jornalista-da-contracorrente\/"},"modified":"2026-05-02T17:01:51","modified_gmt":"2026-05-02T20:01:51","slug":"raimundo-pereira-o-jornalista-da-contracorrente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/raimundo-pereira-o-jornalista-da-contracorrente\/","title":{"rendered":"Raimundo Pereira, o jornalista da contracorrente"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" width=\"1024\" height=\"576\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/A-cremacao-do-corpo-esta-prevista-para-a-tarde-deste-sabado.jpg\" alt=\"\" decoding=\"async\" srcset=\"https:\/\/vermelho.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/A-cremacao-do-corpo-esta-prevista-para-a-tarde-deste-sabado-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/vermelho.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/A-cremacao-do-corpo-esta-prevista-para-a-tarde-deste-sabado-300x169.jpg 300w, https:\/\/vermelho.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/A-cremacao-do-corpo-esta-prevista-para-a-tarde-deste-sabado-768x432.jpg 768w, https:\/\/vermelho.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/A-cremacao-do-corpo-esta-prevista-para-a-tarde-deste-sabado-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/A-cremacao-do-corpo-esta-prevista-para-a-tarde-deste-sabado.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><\/p>\n<p>O jornalista Raimundo Rodrigues Pereira, um dos principais nomes da imprensa alternativa no Brasil, faleceu na manh\u00e3 deste s\u00e1bado (2\/5), aos 85 anos, no Rio de Janeiro. Ele estava internado desde quinta-feira (30\/4) e n\u00e3o resistiu \u00e0s complica\u00e7\u00f5es de uma pneumonia. O corpo ser\u00e1 cremado ainda nesta tarde.<\/p>\n<p>Com sua morte, encerra-se uma trajet\u00f3ria que atravessa seis d\u00e9cadas de jornalismo, sempre em tens\u00e3o com o poder e invariavelmente fora dos trilhos da grande m\u00eddia. N\u00e3o por acaso, sua biografia, escrita em 2013 por J\u00falia Rabahie e Rafael Faustino, recebeu o t\u00edtulo <em>ContraCorrente \u2013 A Hist\u00f3ria de Raimundo Rodrigues Pereira<\/em>.<\/p>\n<p>\u201cDas figuras que conheci e com quem convivi, nenhuma reunia simultaneamente doses t\u00e3o imensas de intelig\u00eancia, esp\u00edrito empreendedor e resili\u00eancia quanto Raimundo Pereira\u201d, afirma Walter Sorrentino, presidente da Funda\u00e7\u00e3o Maur\u00edcio Grabois, ligada ao PCdoB. \u201cRaimundo p\u00f4s tudo isso a servi\u00e7o do pensamento da esquerda progressista, nacional e democr\u00e1tica, de modo militante.\u201d<\/p>\n<p>Segundo o dirigente, \u201co jornalismo independente foi sua vida, seu partido pol\u00edtico e sua paix\u00e3o. Com sua obra em <em>Realidade<\/em>, <em>Opini\u00e3o<\/em>, <em>Movimento<\/em> e <em>Retratos do Brasil<\/em>, ele foi protagonista em todos os acontecimentos marcantes do pa\u00eds por mais de 50 anos. Foi, sem d\u00favida, um dos maiores jornalistas da hist\u00f3ria brasileira\u201d.<\/p>\n<p><strong>Inf\u00e2ncia e ITA<\/strong><\/p>\n<p>Raimundo nasceu em 8 de setembro de 1940, em Exu (PE) \u2013 a mesma cidade natal do \u201cRei do Bai\u00e3o\u201d, Luiz Gonzaga. Mas sua liga\u00e7\u00e3o com o Nordeste durou pouco. Em 1942, o pai, Joaquim, mascate de profiss\u00e3o, e a m\u00e3e, Lindanora, pegaram os filhos e partiram rumo ao interior de S\u00e3o Paulo, em busca de terras mais fartas. A fam\u00edlia \u2013 incluindo a ama de leite Maria Pedro, que amamentou e ajudou a criar Raimundo \u2013 passou por C\u00f3rrego dos Macacos e Monte Serrat antes de se fixar em Pacaembu, a Cidade Para\u00edso.<\/p>\n<p>Foi em Pacaembu que Raimundo, apelidado de \u201cLorinho\u201d, cresceu dividido entre a escola (onde tirava dez em matem\u00e1tica) e o futebol, sua \u201ccoisa incr\u00edvel\u201d, como ele mesmo definia. Na mesma cidade, descobriu o gosto pela comunica\u00e7\u00e3o, narrando, aos 12 anos, jogos do time infantil pelo sistema de alto-falantes da cidade.<\/p>\n<p>Aos 19, passou no vestibular do ITA (Instituto Tecnol\u00f3gico de Aeron\u00e1utica), em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos. Foi l\u00e1 que o \u201cLorinho\u201d comportado deu lugar a \u201cDana Key\u201d, apelido inspirado no comediante norte-americano Danny Kaye. Raimundo fazia teatro de rua e escrevia artigos subversivos no jornal estudantil <em>O Suplemento<\/em>. Numa edi\u00e7\u00e3o, simulou uma emenda constitucional propondo a extin\u00e7\u00e3o das For\u00e7as Armadas.<\/p>\n<p>No ITA, Raimundo foi eleito para o Centro Acad\u00eamico Santos Dumont e ajudou a articular a tentativa de filia\u00e7\u00e3o da escola \u00e0 UNE (Uni\u00e3o Nacional dos Estudantes). Seus amigos da \u00e9poca, como Gilcio Martins e Ezequiel Dias, lembravam que o rapaz de pernas tortas e \u201cjeito muito brincalh\u00e3o\u201d estava sempre dominando a cena.<\/p>\n<p>O golpe militar de 1964 interrompeu seus planos. Em 8 de abril, Raimundo foi tirado da sala de aula, levado ao Dops em S\u00e3o Paulo e submetido a uma sess\u00e3o de tortura psicol\u00f3gica. \u201cChegaram at\u00e9 a anunciar no jornal do sindicato que eu estava largando o jornalismo para fazer pol\u00edtica\u201d, contou Raimundo numa entrevista. Com a expuls\u00e3o, deixaria o ITA para sempre, sem o diploma de engenheiro.<\/p>\n<p><strong>Na grande imprensa<\/strong><\/p>\n<p>A vida deu uma guinada. Em 1965, ainda se recuperando do trauma, Raimundo entrou na USP. Mudando de \u00e1rea, formou-se em F\u00edsica e trabalhou como redator de revistas t\u00e9cnicas. Em 1968, foi chamado por Mino Carta para ser editor de Ci\u00eancias da rec\u00e9m-lan\u00e7ada revista <em>Veja<\/em>.<\/p>\n<p>Quando a publica\u00e7\u00e3o amargava baixas vendagens, usou sua forma\u00e7\u00e3o cient\u00edfica para produzir uma s\u00e9rie de reportagens sobre a corrida espacial. O homem chegou \u00e0 Lua e ajudou a impulsionar a circula\u00e7\u00e3o da revista. O jornalista descrevia o lan\u00e7amento do foguete Saturno V como uma aventura: \u201cO Saturno V tremeu, amarrado ao solo por imensas bra\u00e7adeiras que agarravam suas 3.000 toneladas, seus 121 metros de altura\u201d.<\/p>\n<p>No auge do prest\u00edgio, comandou a hist\u00f3rica edi\u00e7\u00e3o especial \u201cAmaz\u00f4nia\u201d da revista <em>Realidade<\/em>, que lhe rendeu o Pr\u00eamio Esso em 1971. Mas algo o incomodava: a grande imprensa havia se acomodado \u00e0 ditadura. Conforme escreveu mais tarde, na edi\u00e7\u00e3o zero do jornal <em>Movimento<\/em>, as grandes empresas jornal\u00edsticas estavam \u201caferradas a grandes interesses econ\u00f4micos\u201d.<\/p>\n<p>Era hora de fazer um jornal sem patr\u00e3o. Ou melhor, de romper com a l\u00f3gica da grande imprensa e mergulhar no que viria a ser sua marca definitiva: o jornalismo independente, cr\u00edtico e militante. Raimundo queria ser dono do pr\u00f3prio instrumento de trabalho. A partir dos anos 1970, ele passa a criar praticamente todos os projetos em que atua, financiando-os com enorme dificuldade, mas preservando autonomia editorial.<\/p>\n<p><strong><em>Opini\u00e3o<\/em> e <em>Movimento<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Raimundo desconfiava da homogeneiza\u00e7\u00e3o da grande m\u00eddia e via no jornalismo uma ferramenta de interpreta\u00e7\u00e3o da realidade a servi\u00e7o da sociedade, especialmente dos trabalhadores. Essa escolha teve custos: projetos interrompidos, circula\u00e7\u00e3o irregular e dificuldades financeiras constantes. Mas tamb\u00e9m produziu um legado singular: uma obra vasta, constru\u00edda fora das estruturas tradicionais.<\/p>\n<p>\u00c9 como lembrou o jornalista Carlos Azevedo, ao comentar sua trajet\u00f3ria: \u201cS\u00e3o montanhas de textos, jornais, livros, revistas que ele produziu ou comandou. Inacredit\u00e1vel como, al\u00e9m disso, autofinanciou seus projetos durante toda a jornada. Sempre na contracorrente, sempre vitorioso!\u201d<\/p>\n<p>Em 1972, Raimundo aceitou o convite do empres\u00e1rio Fernando Gasparian para dirigir o rec\u00e9m-lan\u00e7ado seman\u00e1rio <em>Opini\u00e3o<\/em>. O jornal rapidamente se tornou um fen\u00f4meno, vendendo 38 mil exemplares e servindo de tribuna para nomes como Fernando Henrique Cardoso, Celso Furtado e Chico Buarque.<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o com o patr\u00e3o era tensa. Raimundo, de bermuda, enfrentava Gasparian, de terno. A gota d\u2019\u00e1gua veio quando Gasparian se aliou \u00e0 abertura pol\u00edtica do governo Ernesto Geisel, e a reda\u00e7\u00e3o, n\u00e3o. Em 1975, o jornalista foi demitido.<\/p>\n<p>Sua resposta foi imediata: ao lado de parte da equipe, fundou <em>Movimento<\/em>, o \u201cjornal dos jornalistas\u201d. Financiado por cotas e apoiado por uma rede de colaboradores que ia do seringueiro Chico Mendes ao sindicalista Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, o jornal se tornou uma das mais importantes trincheiras da imprensa de oposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O pre\u00e7o foi alto. <em>Movimento<\/em> foi censurado desde o primeiro n\u00famero. Depois que a censura pr\u00e9via caiu, em 1978, bancas de jornal foram incendiadas para impedir sua circula\u00e7\u00e3o. Raimundo reagia com den\u00fancias e processos, al\u00e9m de uma cobertura incans\u00e1vel das greves do ABC, que ele pr\u00f3prio reportava de dentro das f\u00e1bricas, burlando a proibi\u00e7\u00e3o. Sua m\u00e1xima era simples: \u201cinformar para conscientizar\u201d.<\/p>\n<p><strong>A vida pessoal<\/strong><\/p>\n<p>Nem tudo, por\u00e9m, era pol\u00edtica. <em>Contracorrente<\/em> dedica um cap\u00edtulo inteiro a um dos epis\u00f3dios mais dram\u00e1ticos da vida de Raimundo: o relacionamento de sua irm\u00e3, Leonora, com S\u00e9rgio Paranhos Fleury, o delegado do Dops conhecido como um dos torturadores mais temidos do regime. Raimundo rompeu com a irm\u00e3 quando soube do caso \u2013 e s\u00f3 voltou a v\u00ea-la no leito de morte dela, em 2002.<\/p>\n<p>O livro tamb\u00e9m revela facetas bem-humoradas. Raimundo, que durante a ditadura dormia sobre uma mesa de trabalho com uma folha de papel no rosto (furada para respirar), tamb\u00e9m era um pai presente que ensinava as quatro filhas a separar fato de interpreta\u00e7\u00e3o nas not\u00edcias. As meninas retribu\u00edam com um jornal feito a m\u00e3o, <em>O Olhudo<\/em>, que o pai relia orgulhoso.<\/p>\n<p>Com a redemocratiza\u00e7\u00e3o, Raimundo tentou emplacar um jornal di\u00e1rio, <em>Retrato do Brasil<\/em>. Fracassou em tr\u00eas meses. \u201cS\u00e3o tentativas desesperadas\u201d, disse Mino Carta, fundador da Veja e parceiro de longa data de Raimundo, em depoimento ao livro. Para Carta, o jornal di\u00e1rio \u201c\u00e9 um absorvedor de dinheiro, uma coisa infernal\u201d.<\/p>\n<p>Mesmo assim, Raimundo n\u00e3o desistiu. Em 1997, fundou a Editora Manifesto e, nos anos seguintes, lan\u00e7ou a revista <em>Reportagem<\/em> e a segunda vers\u00e3o de <em>Retrato do Brasil<\/em>, sobrevivendo com contratos de publicidade de empresas estatais e a ajuda de amigos. Cobriu o mensal\u00e3o \u2013 e sustentou a tese de que o julgamento foi parcial. Defendeu Daniel Dantas contra o que considerava uma \u201cconspira\u00e7\u00e3o da m\u00eddia\u201d, o que lhe rendeu uma ruptura dolorosa com Mino Carta.<\/p>\n<p>\u201cA ditadura que n\u00f3s vivemos de 1964 a 1985 era simples de ver. A ditadura sob a qual n\u00f3s vivemos hoje, na imprensa, que \u00e9 a ditadura do grande capital, \u00e9 dif\u00edcil de ver\u201d, declarou Raimundo ao receber o Pr\u00eamio Especial Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, em 2013.<\/p>\n<p><strong>Rela\u00e7\u00e3o com o PCdoB<\/strong><\/p>\n<p>Raimundo nunca se filiou a nenhum partido, apesar de ter ensaiado uma entrada no PCdoB no in\u00edcio dos anos 1990. Questionado certa vez pelo ex-ministro Jos\u00e9 Dirceu se tinha interesse em aderir a alguma legenda, respondeu com bom humor: \u201cTodo mundo fala que eu sou do PCdoB, mas eu n\u00e3o gozo das vantagens de ser do PCdoB. Preciso resolver esse grande problema\u201d.<\/p>\n<p>Esteve sempre por perto, ajudando campanhas e formulando ideias. Raimundo apoiou in\u00fameras candidaturas comunistas, como as de Benedito Cintra, Jamil Murad e Orlando Silva. Em 1976, criou o slogan da campanha a vereador de Cintra, uma jovem lideran\u00e7a da regi\u00e3o da Freguesia do \u00d3: \u201cSem direitos, sem feij\u00e3o, \u00e9 hora de oposi\u00e7\u00e3o.\u201d A frase sintetiza meio s\u00e9culo de trabalho: olho na carestia, olho na liberdade, sem nunca perder o senso de oportunidade.<\/p>\n<p>\u201cO Raimundo Pereira morou por muito tempo na Freguesia do \u00d3 e teve uma rela\u00e7\u00e3o prof\u00edcua com os movimentos pol\u00edticos e sociais da regi\u00e3o. Contribuiu muito com a luta democr\u00e1tica e popular de resist\u00eancia \u00e0 ditadura\u201d, lembra Nivaldo Santana, secret\u00e1rio Sindical do PCdoB, que conheceu Raimundo na d\u00e9cada de 1970.<\/p>\n<p>\u201cO jornal <em>Movimento<\/em> era distribu\u00eddo em larga escala entre a milit\u00e2ncia. Al\u00e9m do jornal, vale destacar que um importante colaborador do seman\u00e1rio, Duarte Pereira, realizava cursos de forma\u00e7\u00e3o marxista e deu valiosa contribui\u00e7\u00e3o para forjar uma legi\u00e3o de quadros pol\u00edticos na regi\u00e3o\u201d, agrega Nivaldo.<\/p>\n<p><strong>Legado<\/strong><\/p>\n<p>Raimundo Rodrigues Pereira deixa quatro filhas, quatro netos e uma obra espalhada por dezenas de publica\u00e7\u00f5es, que comp\u00f5em um dos retratos mais completos do Brasil da segunda metade do s\u00e9culo 20. Fica a pergunta que ele pr\u00f3prio cultivava: o que leva um f\u00edsico, expulso do ITA e prestes a se tornar uma estrela da grande imprensa, a largar tudo para fazer jornalismo de oposi\u00e7\u00e3o \u201cpassando o chap\u00e9u\u201d?<\/p>\n<p>Para Raimundo, \u201cjornalismo n\u00e3o \u00e9 tecnologia\u201d. A seu ver, a imprensa popular se faz \u201csem medo da verdade e sem omitir fatos relevantes\u201d. Ele desenvolveu um m\u00e9todo pr\u00f3prio, quase cient\u00edfico, de tratar a informa\u00e7\u00e3o com precis\u00e3o e desconfian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o aos enquadramentos dominantes. Carregou ao longo da vida o reconhecimento \u2013 inclusive de advers\u00e1rios \u2013 de ser \u201cum dos mais competentes jornalistas brasileiros em toda a hist\u00f3ria\u201d.<\/p>\n<p>Mais do que seus textos, Raimundo deixa uma escola pr\u00e1tica. Quem trabalhou com ele aprendeu um modo de fazer jornalismo. Vida e profiss\u00e3o se misturaram a ponto de se tornarem indistingu\u00edveis. Ele pertence a uma gera\u00e7\u00e3o que enfrentou a ditadura com papel, tinta e coragem, mas seu legado n\u00e3o se limita \u00e0quele per\u00edodo: atravessa a redemocratiza\u00e7\u00e3o e chega ao s\u00e9culo 21 insistindo no jornalismo como ferramenta de compreens\u00e3o do mundo.<\/p>\n<p>Raimundo se foi. Mas o jornalismo que ele praticou \u2013 rigoroso, independente e desconfiado do poder \u2013 segue como necessidade. Em tempos de velocidade e superficialidade, talvez mais do que nunca.<\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/vermelho.org.br\/2026\/05\/02\/raimundo-pereira-o-jornalista-da-contracorrente\/\">Raimundo Pereira, o jornalista da contracorrente<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/vermelho.org.br\/\">Vermelho<\/a>.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/deputados-cobram-investigacao-de-nikolas-ferreira-por-uso-de-aeronave-de-daniel-vorcaro\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Deputados cobram investiga\u00e7\u00e3o de Nikolas Ferreira ...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/frente-ampla-por-plano-de-desenvolvimento-e-soberania-e-chave-para-2026\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/WhatsApp-Image-2025-08-25-at-195056-2048x1365-1-150x150.jpeg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Frente ampla por plano de desenvolvimento e sobera...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/trump-percebeu-mentira-de-eduardo-bolsonaro-e-recuou-porque-precisa-de-lula-diz-gleisi\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Trump percebeu mentira de Eduardo Bolsonaro e recu...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/justica-determina-reavaliacao-de-candidato-negro-rejeitado-como-cotista-no-cnu\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Justi\u00e7a determina reavalia\u00e7\u00e3o de candidato negro r...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O jornalista Raimundo Rodrigues Pereira, um dos principais nomes da imprensa alternativa no Brasil, faleceu na manh\u00e3 deste s\u00e1bado (2\/5), aos 85 anos, no Rio de Janeiro. 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