{"id":85889,"date":"2026-05-04T06:00:00","date_gmt":"2026-05-04T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/episodio-5-a-ultima-bolacha\/"},"modified":"2026-05-04T06:00:00","modified_gmt":"2026-05-04T09:00:00","slug":"episodio-5-a-ultima-bolacha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/episodio-5-a-ultima-bolacha\/","title":{"rendered":"Epis\u00f3dio 5 \u2014 A \u00daltima Bolacha"},"content":{"rendered":"<p>No quinto epis\u00f3dio da s\u00e9rie, a jornada de Ed revela que o desafio n\u00e3o termina quando os n\u00fameros da balan\u00e7a mudam. Cirurgias reparadoras, reca\u00eddas alimentares e o peso do estigma social mostram que a rela\u00e7\u00e3o com o corpo segue um campo de disputa constante.<\/p>\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o chega \u00e0 conclus\u00e3o desconfort\u00e1vel do quanto a obesidade n\u00e3o \u00e9 apenas condi\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, mas envolve tamb\u00e9m economia, cultura e comportamento social, individual, mas tamb\u00e9m coletivo. E, enfim, \u00e9 revelado o mist\u00e9rio da Maldi\u00e7\u00e3o dos 36, uma confirma\u00e7\u00e3o de que a verdadeira batalha n\u00e3o se restringe aos limites do corpo, mas tamb\u00e9m da mente.<\/p>\n<h2><strong>Confira abaixo o roteiro do epis\u00f3dio na \u00edntegra:<\/strong><\/h2>\n<p><strong>[\u00c1udio de Lucas Almeida | Arquivo de Ed Wanderley]<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Lucas]:<\/strong> Cirurgia feita com sucesso. Voc\u00ea est\u00e1 no quarto.<\/p>\n<p><strong>[Ed Wanderley]<\/strong>: Esse \u00e9 meu amigo Lucas Almeida.<\/p>\n<p><strong>[\u00c1udio de Lucas Almeida]<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Lucas]:<\/strong> Voc\u00ea t\u00e1 em processo agora da bota pneum\u00e1tica, pra evitar qualquer processo a\u00ed de compress\u00e3o\u2026E agora, meu amigo, dormir, repousar, ficar de boa. \u00c9 isso a\u00ed.<\/p>\n<p><strong>[\u00c1udio de Lucas Almeida]\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Ed]<\/strong>: Quem me explica?<\/p>\n<p><strong>[\u00c1udio de Lucas Almeida]\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Lucas]: <\/strong>Explicar?<\/p>\n<p><strong>[\u00c1udio de Lucas Almeida]\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Ed]: <\/strong>Quem me explica?<\/p>\n<p><strong>[\u00c1udio de Lucas Almeida]\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Lucas]:<\/strong> Quem explica? N\u00e3o sei quem explica\u2026<\/p>\n<p><strong>[Ed Wanderley]: <\/strong>\u00c9, eu estava levemente grogue.<\/p>\n<p><strong>[\u00c1udio de Lucas Almeida]<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Ed]: <\/strong>Hmm.<\/p>\n<p><strong>[\u00c1udio de Lucas Almeida]\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Lucas]: <\/strong>Hmm?<\/p>\n<p><strong>[\u00c1udio de Lucas Almeida]\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Ed]: <\/strong>O m\u00e9dico<\/p>\n<p><strong>[\u00c1udio de Lucas Almeida]<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Lucas]: <\/strong>Ah, o m\u00e9dico. O m\u00e9dico s\u00f3 vai vir amanh\u00e3, hoje \u00e9 s\u00f3 a equipe de enfermagem. Hoje \u00e9 repousar, recuperar, daqui a uma horinha tu j\u00e1 vai estar melhor. Ainda est\u00e1 no processo da anestesia.\u00a0<\/p>\n<p><strong>[Ed Wanderley]: <\/strong>Um ano ap\u00f3s o ataque do cora\u00e7\u00e3o que mudou tudo, eu enfrentei uma UTI hospitalar novamente. Dessa vez, uma motiva\u00e7\u00e3o diferente em 180 graus. Ganhei fios de cabelo branco e havia perdido 52kg. E da\u00ed veio uma quest\u00e3o de pele, muita pele.<\/p>\n<p><strong>[\u00c1udio de Lucas Almeida]<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Enfermeira]:<\/strong> Eu vou colocar pra ele, porque acredito que amanh\u00e3 de manh\u00e3 ele vai t\u00e1 um pouquinho mais acordado, a gente vai iniciar whey protein, t\u00e1 bom? Pra ajudar na cicatriza\u00e7\u00e3o. A\u00ed, vem de manh\u00e3, umas nove e pouquinho, vem batido com fruta, como se fosse uma vitamina, pra ajudar na cicatriza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>[\u00c1udio de Lucas Almeida]\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Lucas]: <\/strong>Alguma fruta que tu n\u00e3o gosta, Ed?\u00a0<\/p>\n<p><strong>[\u00c1udio de Lucas Almeida]\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Enfermeira]:<\/strong> Alguma que c\u00ea n\u00e3o goste?\u00a0<\/p>\n<p><strong>[\u00c1udio de Lucas Almeida]\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Ed]: <\/strong>Todas!\u00a0<\/p>\n<p><strong>[\u00c1udio de Lucas Almeida]<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Enfermeira]: <\/strong>C\u00ea n\u00e3o gosta de nenhuma!? Mentira!<\/p>\n<p><strong>[Ed Wanderley]:<\/strong> Eu sou Ed Wanderley e esse \u00e9 o \u00faltimo epis\u00f3dio de \u201cA \u00daltima Bolacha\u201d, um projeto sobre obesidade contado por quem a vive e joga luz sobre ind\u00fastrias que vendem len\u00e7os enquanto choramos. Nos pr\u00f3ximos minutos, a gente vai conversar sobre o universo das alternativas alimentares que conquistaram os sentidos de milhares de brasileiros. Light, fit, zero, proteico\u2026 E finalmente te conto por que eu morri e como, por conviver desde a adolesc\u00eancia com a \u201cmaldi\u00e7\u00e3o dos 36\u201d, eu sabia que esse seria meu destino final, aos 36 anos. Vai ficar tudo claro, prometo. Primeiro, tenho que te contar dessa minha volta ao hospital.<\/p>\n<h2><strong>Epis\u00f3dio 5: O que n\u00e3o mata<\/strong><\/h2>\n<p>[Ed Wanderley]: Em novembro de 2024, com 52 kg a menos, e pela primeira vez na vida adulta com apenas dois d\u00edgitos marcando na balan\u00e7a, eu fui submetido a uma cirurgia para corre\u00e7\u00e3o corporal. Eu sei, voc\u00ea deve estar pensando que esse seria um momento apote\u00f3tico para coroar um esfor\u00e7o concentrado ao longo de todo o ano, mas a dificuldade da obesidade passa longe de estar apenas no prato. Temos que falar sobre inseguran\u00e7as e sobre mudan\u00e7as. Ent\u00e3o deixa eu te levar comigo para a noite antes de eu ser, literalmente, redesenhado.<\/p>\n<p><strong>[\u00c1udio de Ed Wanderley | Arquivo pessoal]<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Ed]: <\/strong>A verdade \u00e9 que fazer essa cirurgia \u00e9 muito mais do que vaidade\u2026<\/p>\n<p><strong>[Ed Wanderley]:<\/strong> Eu estava conversando com a jornalista Claudia Jardim, uma das l\u00edderes de torcida do \u201cvai dar tudo certo\u201d e \u201cvai ser incr\u00edvel\u201d que queria saber como eu estava naquelas horas antes da cirurgia, que tem um risco consider\u00e1vel, em especial para quem sempre foi obeso e n\u00e3o estava com o cora\u00e7\u00e3o l\u00e1 essas coisas.<\/p>\n<p><strong>[\u00c1udio de Ed Wanderley]<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Ed]: <\/strong>O m\u00e9dico me perguntou uma coisa, quando estava fazendo a entrevista e disse que as pessoas se preocupam muito com cicatrizes. E a\u00ed eu pensei em tatuagem, pensei nas coisas que poderiam ser feitas, enfim. Mas sempre temendo muito, ao que parece, vai tomar toda a barriga. E a\u00ed ele disse uma coisa que n\u00e3o saiu da minha cabe\u00e7a por muito tempo. Era que eu j\u00e1 carregava as cicatrizes do meu processo. E \u00e9 verdade\u2026 A verdade \u00e9 que eu t\u00f4 me submetendo a uma cirurgia pra trocar uma cicatriz por outra. Porque eu costumo dizer que meu corpo virou uma terra arrasada\u2026<\/p>\n<p><strong>[Ed Wanderley]: <\/strong>A interven\u00e7\u00e3o corrigiu a dist\u00e2ncia entre pele e m\u00fasculo do meu abd\u00f4men e removeu excessos de pele que antes cobriam a gordura que aqui habitava e me fazia companhia at\u00e9 ent\u00e3o. S\u00f3 de pele foram quase 6 kg a menos. E daqui pra frente, costurado, fil\u00e9 todo, o consumo teve que ser revisto outra vez. Eu j\u00e1 falei aqui, em epis\u00f3dios anteriores sobre meu profundo v\u00edcio em a\u00e7\u00facar, e um dos produtos associados mais comuns, que mais nutrem esse v\u00edcio, \u00e9 o refrigerante. Foi me abstendo dele, do a\u00e7\u00facar e das comidas prontas e industrializadas que consegui me manter na linha ao longo da maior parte dos meses seguintes \u00e0 minha hospitaliza\u00e7\u00e3o. Isso somado a uma rotina de exerc\u00edcios de domingo a domingo e a um componente b\u00e1sico, sempre negligenciado: \u00e1gua. Nas semanas mais exemplares do meu tratamento, eram mais de 4 litros e meio de \u00e1gua por dia. A promessa \u00e9 de acelera\u00e7\u00e3o do metabolismo e aux\u00edlio na saciedade. Outra vantagem dessa op\u00e7\u00e3o seria a que focar no consumo de \u00e1gua me faria gastar menos. Imagine a minha surpresa quando minha investiga\u00e7\u00e3o mostrou que, em alguns aspectos, refrigerante pode at\u00e9 sair mais barato que \u00e1gua?<\/p>\n<p><strong>[Entrevista com Carlos Alberto Lancia | Grava\u00e7\u00e3o de Ed Wanderley]<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Lancia]:<\/strong> Esse \u00e9 o Bolsa refrigerante. Exatamente s\u00e3o esses cr\u00e9ditos, essas isen\u00e7\u00f5es, superestimada.<\/p>\n<p><strong>[Ed Wanderley]: <\/strong>Esse \u00e9 Carlos Alberto Lancia, presidente da Abinam, Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria de \u00c1gua Mineral.<\/p>\n<p><strong>[Entrevista com Carlos Alberto Lancia]<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Lancia]: <\/strong>E o lucro n\u00e3o tem tributa\u00e7\u00e3o para remeter para o franqueado do Brasil, que est\u00e1 na parte de Manaus, n\u00e3o tem tributa\u00e7\u00e3o do lucro do neg\u00f3cio. Porque o refrigerante tem marcas multinacionais, nacionais, que no Brasil s\u00e3o franqueados, a holding est\u00e1 l\u00e1 nos Estados Unidos.<\/p>\n<p><strong>[Ed Wanderley]: <\/strong>A revolta do setor \u00e9 que durante a reforma tribut\u00e1ria rolou um bota ou n\u00e3o bota dos refrigerantes no chamado imposto do pecado, uma tributa\u00e7\u00e3o extra usada para desestimular o consumo de produtos que provoquem preju\u00edzos de algum tipo ao consumidor e \u00e0 sua sa\u00fade. O cabo de guerra entre C\u00e2mara e Senado, no fim das contas, p\u00f4s a \u00e1gua mineral numa faixa de tributo maior que a das ind\u00fastrias de bebidas a\u00e7ucaradas multinacionais que produzem na zona franca de Manaus, com cr\u00e9ditos e isen\u00e7\u00f5es. Ou seja, o governo pode cobrar mais impostos sobre a \u00e1gua que sobre os refrigerantes.<\/p>\n<p><strong>[Entrevista com Carlos Alberto Lancia]<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Lancia]: <\/strong>Se eu pegar todos os tributos federais e estaduais da \u00e1gua mineral, hoje, 32 por cento. Se eu pegar os tributos do refrigerante, vai variar de companhia para companhia, de empresa para empresa, que est\u00e1 fazendo a opera\u00e7\u00e3o Manaus. Ent\u00e3o, baseado no nosso c\u00e1lculo, no nosso entender, \u00e9 16,5 por cento a 17 que esse pessoal paga, e o nosso, 32. Isso acontece hoje por lobby pol\u00edtico. O lobby \u00e9 leg\u00edtimo. \u00c9 lobby, \u00e9 um lobby pol\u00edtico existente. O lobby no mundo todo \u00e9 existente.<\/p>\n<p><strong>[Ed Wanderley]:<\/strong> N\u00e3o apenas existente, mas eficiente. Apesar de o imposto do pecado sequer come\u00e7ar a ser sentido pela popula\u00e7\u00e3o, parlamentares j\u00e1 se anteciparam numa tentativa de paralelamente abrandar alguns dos impactos da tributa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>[Entrevista com Marcello Baird | Grava\u00e7\u00e3o de Ed Wanderley]<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Baird]: <\/strong>E a\u00ed, eis que l\u00e1 no Senado, o senador Eduardo Braga colocou num outro projeto de lei que n\u00e3o tem nada a ver com essa parte, \u00e9 sobre reforma tribut\u00e1ria, mas de outra coisa, de defini\u00e7\u00e3o do comit\u00ea gestor, que vai gerenciar os recursos arrecadados, ele foi l\u00e1 e p\u00f4s aquela chamada emenda jabuti ou contrabando, n\u00e9? Num projeto que n\u00e3o tem nada a ver com esse, e aceitou uma emenda, acatou uma emenda pra p\u00f4r um teto de 2% no imposto seletivo pra bebidas a\u00e7ucaradas.<\/p>\n<p><strong>[Ed Wanderley]: <\/strong>Quem ajuda a explicar o caminho que a ind\u00fastria de refrigerantes trilha no legislativo \u00e9 Marcello Baird, representante da ACT Promo\u00e7\u00e3o e Sa\u00fade, ONG focada no combate ao tabagismo e \u00e0s doen\u00e7as cr\u00f4nicas.<\/p>\n<p><strong>[Entrevista com Marcello Baird]<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Baird]: <\/strong>Ele coloca agora em um novo projeto de lei que n\u00e3o tem nada a ver e volta a atacar o imposto seletivo. Ent\u00e3o, voc\u00ea v\u00ea a\u00ed como\u2026 Ele vocaliza muito os lobbies ali da ind\u00fastria de refrigerantes, particularmente na Zona Franca de Manaus, que \u00e9, enfim, n\u00e9? Ele \u00e9 senador pelo MDB do Amazonas. Se hoje, por exemplo, uma ind\u00fastria de refrigerante pagar em algum lugar, em algum estado, 32%, ele vai ter redu\u00e7\u00e3o de imposto. Ent\u00e3o, assim, \u00e9 o tamanho do absurdo do que ele est\u00e1 colocando. O imposto seletivo que \u00e9 pra tributar a mais pra desestimular o consumo, pode at\u00e9 ser que em algum estado a gente tenha redu\u00e7\u00e3o da carga tribut\u00e1ria estimulando o consumo desse produto nocivo, al\u00e9m de, como voc\u00ea colocou, ficar, eventualmente, at\u00e9 abaixo da \u00e1gua mineral. E \u00e9 isso, vai ficar com uma al\u00edquota muito baixa e no fim vai tornar o imposto seletivo inefetivo se ficar desse jeito.<\/p>\n<p><strong>[Ed Wanderley]:<\/strong> N\u00e3o ficou. Ainda. Aos 45 do segundo tempo, na \u00faltima semana do ano legislativo de 2025, representantes desse lobby passaram na C\u00e2mara um limite de tributa\u00e7\u00e3o dos refrigerantes, literalmente na madrugada da \u00faltima segunda-feira \u00fatil do Congresso. Depois de muito grito, o caso espec\u00edfico das bebidas a\u00e7ucaradas foi revisto na ter\u00e7a, 16 de dezembro, e a prote\u00e7\u00e3o a essa ind\u00fastria acabou derrotada por margem m\u00ednima, 242 a 221. \u00c9, n\u00e3o foi dessa vez. Ao menos at\u00e9 o pr\u00f3ximo jabuti. Procurada, a equipe do senador Eduardo Braga alegou que o parlamentar n\u00e3o atua em defesa de nenhuma ind\u00fastria e que a contesta\u00e7\u00e3o das tributa\u00e7\u00f5es para um produto ou para outro seriam apenas reclama\u00e7\u00f5es de lobbies que sa\u00edram derrotados.<\/p>\n<p>Um detalhe importante que eu quase esquecia de contar \u00e9 que eu fui fu\u00e7ar as doa\u00e7\u00f5es feitas para as campanha pol\u00edticas de Eduardo Braga no passado. Ele, que j\u00e1 disputou o governo do Amazonas em algumas ocasi\u00f5es, sempre teve, at\u00e9 sua \u00faltima candidatura, doa\u00e7\u00f5es substanciais de uma empresa chamada Recofarma. Na campanha de 2014, por exemplo, foram nada m\u00f3dicos um milh\u00e3o e meio de reais na campanha do hoje senador, que encerra seu mandato agora, em 2026. Por lei, as empresas n\u00e3o podem mais custear campanhas pol\u00edticas desde 2018, ano em que Braga se elegeu para o Senado. Por curiosidade, decidi buscar o ramo em que a Recofarma atua. Hum, fabricante da Coca-Cola no Amazonas.<\/p>\n<p>Claro, cada pessoa, no fim, escolhe o que consome, mas \u00e9 fato que as pol\u00edticas p\u00fablicas influenciam os h\u00e1bitos e, por consequ\u00eancia, o desempenho da sa\u00fade coletiva. Sejam ultraprocessados ou bebidas, hoje h\u00e1 ressalvas mais fortes na hora do consumo. De certa forma, os h\u00e1bitos do brasileiro, em dieta ou n\u00e3o, vem mudando para se atentar mais pra composi\u00e7\u00f5es e r\u00f3tulos, especialmente considerando n\u00e3o apenas o que a gente come, mas o que bebemos\u2026<\/p>\n<p><strong>[Entrevista com Iuna Alves | Grava\u00e7\u00e3o de Ed Wanderley]<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Iuna]: <\/strong>A gente observou redu\u00e7\u00e3o do consumo de caf\u00e9, de bebidas ado\u00e7adas, incluindo refrigerante, leite, bebidas l\u00e1cteas e sucos de fruta processados, t\u00e1?<\/p>\n<p><strong>[Ed Wanderley]: <\/strong>Iuna Alves \u00e9 doutora em nutri\u00e7\u00e3o e trabalha como pesquisadora na Universidade Federal do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p><strong>[Entrevista com Iuna Alves]<\/strong><\/p>\n<p><strong>[luna]: <\/strong>Agora, quando a gente olha apenas pros indiv\u00edduos que tinham obesidade, a gente observa aqui uma redu\u00e7\u00e3o no consumo de bebidas ado\u00e7adas, que a\u00ed inclui o refrigerante, de leite n\u00e9, e de sucos processados. Em indiv\u00edduos que n\u00e3o tinham obesidade, eles reportaram redu\u00e7\u00e3o de bebidas ado\u00e7adas.<\/p>\n<p><strong>[Ed Wanderley]:<\/strong> Ali, conversando com Iuna, uma das minhas certezas ruiu: nem todo obeso bebe refrigerante al\u00e9m da conta. As pesquisadoras acreditam que a mudan\u00e7a de comportamento se deu pelas campanhas de conscientiza\u00e7\u00e3o e por uma busca coletiva por uma alimenta\u00e7\u00e3o mais saud\u00e1vel.<\/p>\n<p><strong>[Entrevista com luna Alves]<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Ed]: <\/strong>Apesar das pessoas terem diferentes camadas de sobrepeso, obesidade, n\u00e3o houve uma diferen\u00e7a significativa no que de fato elas bebem. \u00c9 isso? O refrigerante n\u00e3o \u00e9 uma grande quest\u00e3o pra quem t\u00e1 obeso, por exemplo.<\/p>\n<p><strong>[Entrevista com luna Alves]<\/strong><\/p>\n<p><strong>[luna]:<\/strong> Isso. Nessa pesquisa a gente n\u00e3o avaliou apenas o consumo de refrigerante, mas de v\u00e1rios tipos de bebida. E de uma forma geral quando a gente observa n\u00e9, essas 11 categorias de bebida, a gente n\u00e3o observa uma diferen\u00e7a significativa quando a gente avalia esses adultos de acordo com essa condi\u00e7\u00e3o de peso.<\/p>\n<p><strong>[Ed Wanderley]:<\/strong> Na busca por cortar venenos, muitas vezes a gente se abra\u00e7a com o conceito de zero adi\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar. Hoje, eu at\u00e9 estranho o refrigerante regular, com a\u00e7\u00facar. E abracei os ado\u00e7antes artificiais, que, j\u00e1 entendemos, passam longe de fazer bem. Mas ao eleger um vil\u00e3o priorit\u00e1rio para evitar, comemoro pequenas vit\u00f3rias contra o a\u00e7\u00facar refinado. E, pelo que Iuna conta, muita gente tem feito o mesmo nesses \u00faltimos vinte anos.<\/p>\n<p><strong>[Entrevista com luna Alves]<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Iuna]: <\/strong>E a\u00ed a gente viu uma redu\u00e7\u00e3o importante da utiliza\u00e7\u00e3o usual do a\u00e7\u00facar como um ado\u00e7ante de mesa, n\u00e9? E um aumento, apesar de ser bem baixo ainda, mas um aumento expressivo da op\u00e7\u00e3o de n\u00e3o utilizar nenhum tipo dos dois.<\/p>\n<p><strong>[Ed Wanderley]: <\/strong>Dizem que quem tira o a\u00e7\u00facar do caf\u00e9 \u00e9 capaz de tudo. E cada vez mais gente tenta ser capaz de mais. E o mercado responde. N\u00e3o por acaso voc\u00ea encontra facilmente a Coca Zero, mas tamb\u00e9m v\u00ea no r\u00f3tulo da Coca-cola tradicional a inscri\u00e7\u00e3o \u201cmenos a\u00e7\u00facar\u201d. Menos nunca foi t\u00e3o mais. E \u00e9 por isso que as prateleiras se voltam a produtos alternativos que n\u00e3o contemplam apenas quem tem alergias e intoler\u00e2ncias. \u00c9 a era da alimenta\u00e7\u00e3o comum que abra\u00e7a o light, o diet, o zero e o proteico.<\/p>\n<p><strong>[Entrevista com Greta Antoine | Grava\u00e7\u00e3o de Ed Wanderley]<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Greta]: <\/strong>Bom, o light tem menos calorias. Ent\u00e3o \u00e9 o alimento que tem menos calorias do que a vers\u00e3o normal. O diet tem a subtra\u00e7\u00e3o, subtrai um componente. Por exemplo, subtrai o a\u00e7\u00facar do doce. Mas n\u00e3o necessariamente ele tem menos calorias. Ent\u00e3o est\u00e1 a\u00ed uma pegadinha que \u00e0s vezes a pessoa acha que est\u00e1 consumindo o diet, mas ele pode ser rico em gordura. E o zero \u00e9 zero. Ent\u00e3o ele tem zero de algo. Ou \u00e9 zero s\u00f3dio. Ou \u00e9 zero calorias.<\/p>\n<p><strong>[Ed Wanderley]: <\/strong>Greta Antoine \u00e9 nutricionista influenciadora e me \u00e9 cara porque cresci junto a ela. \u00c0 dist\u00e2ncia, \u00e9 verdade. \u00c9 que ela foi uma das Chiquititas, do SBT, que quando crian\u00e7a, eu acompanhava. Hoje adulto, o meu cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem buraquinhos, mas minha dieta sempre esteve cheia deles. Sendo o refrigerante o mais comum.<\/p>\n<p><strong>[Entrevista com Greta Antoine]<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Greta]: <\/strong>Agora voc\u00ea v\u00ea, abre o TikTok, abre o Instagram, todo nutricionista t\u00e1 falando bem da Coca Zero. Corta para anos atr\u00e1s, o refrigerante era, meu Deus do c\u00e9u, pode causar c\u00e2ncer porque tem ado\u00e7ante. Mas nem 8 nem 80, n\u00e3o existe isso. A Coca normal n\u00e3o vejo sentido. Eu n\u00e3o vejo sentido. \u00c9 o que eu falo para os meus pacientes. Eu falo, \u201ceu n\u00e3o vejo sentido voc\u00ea tomar a Coca Normal, sendo que tem a Coca Zero\u201d. Zero n\u00e3o tem a\u00e7\u00facar, ent\u00e3o ela \u00e9 isenta de a\u00e7\u00facar. Ent\u00e3o se tem algo que \u00e9 zero, toma o zero. Assim como a gelatina diet. Diet, consuma diet. Voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 tomando uma coca pra se nutrir. Voc\u00ea est\u00e1 tomando uma Coca, porque ela \u00e9 gostosa. Voc\u00ea est\u00e1 tomando a coca, \u00e0s vezes, porque ela vai matar aquela vontade do docinho. Isso pra uma pessoa que \u00e9 diab\u00e9tica, n\u00e3o deixa de ser uma escolha um pouco mais \u201csaud\u00e1vel\u201d? Bem entre aspas. \u00c9 uma estrat\u00e9gia.<\/p>\n<p><strong>[Ed Wanderley]:<\/strong> Greta relativiza o consumo de refrigerantes, assim como o de outros ultraprocessados, a partir de um ponto de vista pr\u00e1tico, por acreditar que acesso, cultura e pre\u00e7o inviabilizam pensar numa dieta 100% livre deles.<\/p>\n<p><strong>[Entrevista com Greta Antoine]<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Greta]: <\/strong>Ent\u00e3o s\u00e3o escolhas. Existem alimentos que s\u00e3o os embutidos, que s\u00e3o classificados como carcinog\u00eanicos. Ent\u00e3o a mesma classifica\u00e7\u00e3o que o cigarro, peito de peru, mortadela, presunto. Que s\u00e3o alimentos que eu falo, voc\u00ea n\u00e3o deve consumir. N\u00e3o \u00e9 para voc\u00ea comprar. N\u00e3o \u00e9 para voc\u00ea ter em casa. N\u00e3o \u00e9 para voc\u00ea ter em casa um peito de peru, um presunto. N\u00e3o \u00e9. Mas um dia que voc\u00ea for num lugar, X, comer isso, ou vai ter isso para comer. Pelo amor de Deus, coma. Coma. Coma e est\u00e1 tudo certo. O que voc\u00ea n\u00e3o pode fazer \u00e9 que isso seja uma const\u00e2ncia. Que isso fa\u00e7a parte do seu dia a dia.<\/p>\n<p><strong>[Ed Wanderley]: <\/strong>Equil\u00edbrio \u00e9 a palavra de ordem da dieta sustent\u00e1vel e que se mant\u00e9m com o tempo. E, ainda que n\u00e3o condene o consumo de ultraprocessados, a nutricionista alerta para os riscos de uma busca por dietas mais saud\u00e1veis que os enxerguem como solu\u00e7\u00e3o. E destaca os novos veganos.<\/p>\n<p><strong>[Entrevista com Greta Antoine]<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Greta]: <\/strong>Existem muitos veganos, pacientes, que chegam at\u00e9 mim com uma alimenta\u00e7\u00e3o totalmente baseada em ultraprocessado. Porque n\u00e3o tem esse entendimento tamb\u00e9m. Eu acho que isso acontece demais, principalmente com as pessoas que est\u00e3o fazendo a transi\u00e7\u00e3o do on\u00edvoro pro vegano. Que \u00e9 n\u00e3o ver como substituir a carne. O vegano deveria comer isso. \u00c9 arroz, feij\u00e3o e legume. A \u00fanica coisa que ele tirou do prato foi a carne. E a gente n\u00e3o precisa de muito mais do que isso. Do b\u00e1sico. O b\u00e1sico funciona. Ent\u00e3o feij\u00e3o, gr\u00e3o-de-bico, lentilha, edamame, soja, tofu. \u00c9 isso. S\u00f3 que a\u00ed quando a gente explica isso as pessoas \u00e0s vezes acham estranho porque falam \u201cMas \u00e9 s\u00f3 isso? Cad\u00ea a mistura?\u201d. A mistura t\u00e1 a\u00ed. Mas n\u00e3o tem cara de carne.<\/p>\n<p><strong>[Ed Wanderley]: <\/strong>Diet, fit, light. Os supermercados est\u00e3o cheios de embalagens exibindo os selos de \u201cuse e abuse\u201d. Mas nessa onda, criou-se tamb\u00e9m a tend\u00eancia de comercializa\u00e7\u00e3o dos alimentos \u201crefor\u00e7ados\u201d. Pa\u00e7oca proteica, sopa proteica, al\u00e9m, claro, da prote\u00edna do trigo, o Whey Protein, que virou sin\u00f4nimo de sa\u00fade e dedica\u00e7\u00e3o \u00e0 academia para corpos mais definidos e at\u00e9 recupera\u00e7\u00e3o cir\u00fargica. E quando as coisas parecem f\u00e1ceis demais, amigo\u2026<\/p>\n<p><strong>[Entrevista com Mariana Ribeiro | Grava\u00e7\u00e3o de Ed Wanderley]<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Mariana]:<\/strong> E a gente identificou que diversos produtos s\u00e3o ultraprocessados, ent\u00e3o eles t\u00eam ali na sua composi\u00e7\u00e3o ingredientes que fazem com que aquele produto n\u00e3o seja adequado para a sa\u00fade. E o simples fato de adicionar uma quantidade de prote\u00edna e destacar isso no r\u00f3tulo traz para ele um apelo de saudabilidade e d\u00e1 a impress\u00e3o para os consumidores de que se trata de um produto saud\u00e1vel, de um produto adequado.<\/p>\n<p><strong>[Ed Wanderley]:<\/strong> Este \u00e9 Mariana Ribeiro, do Instituto de Defesa do Consumidor, o Idec. A organiza\u00e7\u00e3o promoveu, em 2025, uma an\u00e1lise de produtos que se dizem proteicos nas embalagens e estimulam o consumo dos ultraprocessados vendidos como saud\u00e1veis.<\/p>\n<p><strong>[Entrevista com Mariana Ribeiro]<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Mariana]: <\/strong>Ent\u00e3o, eu simplesmente destacar a prote\u00edna n\u00e3o significa que \u00e9 algo bom no produto. \u00c9 importante olhar o r\u00f3tulo, ler a lista de ingredientes na sua totalidade, para entender se eu estou fazendo ou n\u00e3o uma boa escolha.<\/p>\n<p><strong>[Ed Wanderley]:<\/strong> De 52 alimentos prontos, barrinhas e outras composi\u00e7\u00f5es, 11 ou n\u00e3o apresentavam quantitativos relevantes reais de prote\u00edna por por\u00e7\u00e3o ou exibiam informa\u00e7\u00f5es que estimulam o consumidor ao erro.<\/p>\n<p><strong>[Entrevista com Mariana Ribeiro]<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Mariana]: <\/strong>Teve um caso bem espec\u00edfico que a gente viu o seguinte, era um produto que ele declarava X gramas de prote\u00edna por por\u00e7\u00e3o. E a\u00ed muitas informa\u00e7\u00f5es no r\u00f3tulo, a gente tem o produto, como ele est\u00e1 sendo exposto \u00e0 venda, mas a gente tamb\u00e9m tem a informa\u00e7\u00e3o dele pronto para consumo. Mas quando voc\u00ea via que na verdade o modo de preparo inclu\u00eda um ovo, a\u00ed voc\u00ea tinha que calcular qual a quantidade de prote\u00edna que tem no ovo e a\u00ed fazia sentido aquele valor. Ent\u00e3o aquela alega\u00e7\u00e3o no r\u00f3tulo n\u00e3o estava se dizendo apenas do produto que estava sendo comercializado.<\/p>\n<p><strong>[Ed Wanderley]:<\/strong> Ent\u00e3o \u00e9 proteico, mas com ressalvas. Ou seja, tem quem n\u00e3o saiba bem o que est\u00e1 levando pra casa, mas n\u00e3o \u00e9 nem gato nem lebre. E nem todo mundo concorda com a quest\u00e3o apenas da frequ\u00eancia do consumo desses produtos.<\/p>\n<p><strong>[Entrevista com Fernanda Rauber | Grava\u00e7\u00e3o de Ed Wanderley]<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Rauber]:<\/strong> Especificamente, esses produtos que s\u00e3o diet ou at\u00e9 light, o que ocorre na maioria das vezes ali \u00e9 uma redu\u00e7\u00e3o da quantidade de a\u00e7\u00facar, ou isen\u00e7\u00e3o, n\u00e9, do a\u00e7\u00facar, e a\u00ed a ind\u00fastria, pra compensar isso, ela coloca outra coisa pra ado\u00e7ar, que na maioria das vezes \u00e9 um ado\u00e7ante artificial.<\/p>\n<p><strong>[Ed Wanderley]: <\/strong>Fernanda Rauber \u00e9 pesquisadora p\u00f3s-doutora e integra o Departamento de Medicina Preventiva da Universidade de S\u00e3o Paulo, a USP. E ela dedicou boa parte da carreira a verificar os impactos \u00e0 sa\u00fade de produtos ultraprocessados. Ela viu de perto esse movimento de reposicionamento da ind\u00fastria para parecer mais saud\u00e1vel e fala da semelhan\u00e7a da estrat\u00e9gia com o que j\u00e1 aconteceu com os cigarros no passado.<\/p>\n<p><strong>[Entrevista com Fernanda Rauber]<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Rauber]: <\/strong>Essas estrat\u00e9gias de marketing que eles utilizavam tamb\u00e9m s\u00e3o muito aplicadas hoje pras estrat\u00e9gias de marketing de alimentos ultraprocessados. Mas aqui tem um grande diferencial. O cigarro \u00e9 algo que a gente conseguiu mostrar que faz mal e \u00e9 mais f\u00e1cil das pessoas entenderem que aquilo precisa ser proibido porque faz mal. Quando a gente fala de alimenta\u00e7\u00e3o \u00e9 mais complexo, n\u00e9, todo mundo come. Por exemplo, quando o PNAE, o Programa Nacional de Alimenta\u00e7\u00e3o Escolar, incorporou o processamento nas suas recomenda\u00e7\u00f5es, ele t\u00e1 protegendo as crian\u00e7as de ter alimentos ultraprocessados na sua merenda. E a gente precisa de cada vez mais pol\u00edticas tamb\u00e9m que protejam o ambiente alimentar, al\u00e9m de, claro, conscientizar as pessoas tamb\u00e9m.<\/p>\n<p><strong>[Ed Wanderley]: <\/strong>Mas com tanto desafio para acessar comida de verdade e os est\u00edmulos constantes para flexibilizar o consumo, como identificar onde dever\u00edamos desenhar o limite absoluto na hora de nossas escolhas? Rauber d\u00e1 uma dica que se resume a uma palavra: aditivos.<\/p>\n<p><strong>[Entrevista com Fernanda Rauber]<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Rauber]: <\/strong>Os aditivos, eles tendem a aparecer no final da lista de ingredientes, e os aditivos que s\u00e3o marcadores dos alimentos ultraprocessados, principalmente, s\u00e3o os corantes e os aromatizantes e os emulsificantes. Nem sempre o produto, ele vai dizer a fun\u00e7\u00e3o, n\u00e9, se \u00e9 um corante, se \u00e9 um aromatizante, se \u00e9 um emulsificante, ent\u00e3o, se aparecer esse monte de nome ou numerozinhos, porque eles s\u00e3o tamb\u00e9m identificados com n\u00fameros, muito provavelmente aditivos, e s\u00e3o alimentos que a gente precisa ali evitar.<\/p>\n<p><strong>[Ed Wanderley]: <\/strong>Anotado. E \u00e0quela altura, eu j\u00e1 estava craque em nomes estranhos e n\u00fameros. Muitos n\u00fameros. Um deles, que vale a pena destacar, era que quando comecei essa aventura, no hospital, o n\u00edvel de a\u00e7\u00facar no meu sangue, ou seja, minha hemoglobina glicada, estava em 7,2. O diagn\u00f3stico de diabetes ocorre quando essa taxa passa de 6,5. Agora, esse indicador j\u00e1 batia 5,4. Livre da doen\u00e7a. E isso gra\u00e7as a um outro n\u00famero, o mais importante ap\u00f3s um ano de luta. 58.<\/p>\n<p><strong>[Sonora de m\u00fasica natalina]<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Ed Wanderley]: <\/strong>No Natal seguinte \u00e0 minha interna\u00e7\u00e3o, n\u00e3o teve nenhum Beatle. Tamb\u00e9m n\u00e3o teve pompa. Mas meu cora\u00e7\u00e3o foi outra vez colocado \u00e0 prova.<\/p>\n<p><strong>[Depoimento na A\u00e7\u00e3o Quilos Solid\u00e1rios | Arquivo de Ed Wanderley]<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Apresentadora]: <\/strong>Seu peso ajudou a mudar todos esses aqui tamb\u00e9m. E agora vem para c\u00e1 Ed.<\/p>\n<p><strong>[Ed Wanderley]: <\/strong>Nesse momento, eu me tremo um pouco, confesso. \u00c9 dezembro de 2024. E eu empurro, devagar, um carrinho semelhante \u00e0queles de supermercado. Sem fazer for\u00e7a, ainda usando uma cinta cir\u00fargica. Eu tinha acabado de sair do hospital. Ali era a cerim\u00f4nia de entrega de pacotes de um quilo de arroz, feij\u00e3o, a\u00e7\u00facar, macarr\u00e3o. 58 para ser exato. Contados um a um. O Peso Solid\u00e1rio \u00e9 um evento anual da cl\u00ednica de emagrecimento que acompanhou minha mudan\u00e7a. O evento re\u00fane quem luta contra a balan\u00e7a e faz doa\u00e7\u00f5es equivalentes ao peso que a pessoa perdeu para institui\u00e7\u00f5es filantr\u00f3picas.<\/p>\n<p><strong>[Depoimento na A\u00e7\u00e3o Quilos Solid\u00e1rios]<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Ed]: <\/strong>Eu tinha 36 anos, 3 meses numa cidade nova, um emprego novo, 145 kg e todas as chances contra. Eu tamb\u00e9m tinha uma certeza que eu n\u00e3o ia passar dos 36. Era uma cren\u00e7a antiga e espiritual at\u00e9, e naquele dia a m\u00e9dica que fez meu exame, al\u00e9m de falar da suspeita do trombo, ela disse que minha fun\u00e7\u00e3o card\u00edaca tava em 36%. Entendam, eu n\u00e3o sou um jovem m\u00edstico que segue signo e numerologia nem nada, mas \u00e9 que quando a morte bate na porta a gente s\u00f3 corre para se esconder embaixo da cama e embaixo da cama, nem cabia mais. Eu lembro de ter pedido nesse mesmo dia, falei com um amigo para passar para o meu amigo irm\u00e3o todas as minhas senhas, e desculpa\u2026 e para dizer o que fazer com a minha m\u00e3e.<\/p>\n<p><strong>[Ed Wanderley]: <\/strong>Era a primeira vez que contava publicamente a minha hist\u00f3ria com um desfecho que n\u00e3o fosse triste. Primeira vez que eu falava sobre a \u201cmaldi\u00e7\u00e3o dos 36\u201d para quem n\u00e3o era apenas amigo pr\u00f3ximo e que tamb\u00e9m usei o passado para tratar da cren\u00e7a, em vez da imin\u00eancia urgente com a qual eu me acostumei. A primeira vez que eu vi a balan\u00e7a marcar apenas dois d\u00edgitos. Os bra\u00e7os cediam \u00e0quele peso. E, rec\u00e9m-operado, eu precisei da ajuda do carrinho para levar \u00e0 frente o que, por d\u00e9cadas, se alocava sobre os meus joelhos.<\/p>\n<p><strong>[Depoimento na A\u00e7\u00e3o Quilos Solid\u00e1rios]<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Ed]:<\/strong> E \u00e9 e eu sei que essa \u00e9 uma guerra perene que n\u00e3o se vence pronto passa a p\u00e1gina. Mas s\u00e9rio, \u00e9 um prazer imenso para variar, pela primeira vez, t\u00e1 \u00e0 frente no placar e finalmente ter a chance ao meu favor. Por isso eu s\u00f3 tenho a agradecer a todo mundo.<\/p>\n<p><strong>[Ed Wanderley]:<\/strong> A ideia da celebra\u00e7\u00e3o \u00e9 uma passarela da vit\u00f3ria. Para mim, era tamb\u00e9m um soco: como eu conseguia antes? Como era poss\u00edvel levar o mesmo que aqueles pacotes todos, numa simbiose glut\u00f4nica? A sensa\u00e7\u00e3o era agridoce. Como eu j\u00e1 conhecia. A mesma sensa\u00e7\u00e3o que me acompanhava desde o leito do hospital: medo. N\u00e3o do fracasso. Aprendi em grupo terap\u00eautico que emagrecer \u00e9 tamb\u00e9m fazer descer a represa que tava cheia por dentro. S\u00f3 que quando a \u00e1gua baixa, amigo, muito se revela\u2026<\/p>\n<p><strong>[\u00c1udio de Ed Wanderley | Arquivo pessoal]<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Ed]: <\/strong>E al\u00e9m de n\u00e3o se reconhecer voc\u00ea n\u00e3o consegue atingir nenhum formato, de fato, que fa\u00e7a sentido. Voc\u00ea perde peso mas n\u00e3o \u00e9 magro, voc\u00ea j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais t\u00e3o gordo, mas a barriga continua ali e a pele vai se acumulando. E a verdade \u00e9 que a pele n\u00e3o lhe deixa esquecer das tuas escolhas.<\/p>\n<p><strong>[Ed Wanderley]: <\/strong>Fazer a cirurgia corretiva pode parecer uma decis\u00e3o simples, mas passa longe disso. Quis fazer com um ano da minha hospitaliza\u00e7\u00e3o anterior. Queria conseguir ver com clareza o quanto havia mudado. E, na pr\u00e1tica, se havia ali uma nova vida, queria tamb\u00e9m reconhecer um novo corpo.<\/p>\n<p><strong>[\u00c1udio de Ed Wanderley | Arquivo pessoal]<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Ed]: <\/strong>\u00c9 por isso que eu tinha que fazer. E a brincadeira generalizada \u00e9 a que todo mundo acha que \u00e9 pra ficar bonito. Quando, na verdade, \u00e9 pra tentar i\u00e7ar a \u00e2ncora e deixar ela pra tr\u00e1s. E a\u00ed \u00e9 que t\u00e1. Ser\u00e1 que tem terra \u00e0 vista? Porque depois de todo esse tempo a gente nem sabe se tem lugar no mundo pra gente. O que \u00e9 ir\u00f4nico, porque eu venho ocupando t\u00e3o menos espa\u00e7o. Tem tanto menos de voc\u00ea pra carregar.<\/p>\n<p><strong>[Ed Wanderley]: <\/strong>Mas h\u00e1 uma dificuldade de reconhecimento, que perdura. A verdade ir\u00f4nica \u00e9 que todo mundo reage com anima\u00e7\u00e3o a uma altera\u00e7\u00e3o visual \u00f3bvia que \u00e9 evidente para todo mundo, menos para mim. Tantas vezes eu, ainda hoje, me pego assustado com reflexos inesperados, como se reparando a presen\u00e7a de um outro, como se o corpo que dirijo n\u00e3o fosse o meu. Uma das sensa\u00e7\u00f5es mais profundas nesse processo inteiro se deu em um momento banal, antes de um anivers\u00e1rio. Gostei de uma camiseta numa loja de departamentos e arrisquei experimentar. Movimento que n\u00e3o era comum h\u00e1 anos. Deu. Comprei. Foi isso. Fazer uma compra numa loja de departamento. Sem marca. Nada. S\u00f3 se sentir inclu\u00eddo. E receber uma prova daquilo que os outros viam, mas eu n\u00e3o. Para quem passa por uma experi\u00eancia assim, a pr\u00f3pria percep\u00e7\u00e3o espacial e do quanto se ocupa no mundo s\u00e3o postas \u00e0 prova sem que ningu\u00e9m ao seu redor compreenda. \u00c9 duro se olhar, e n\u00e3o se ver.<\/p>\n<p><strong>[Entrevista com Thais Costa | Grava\u00e7\u00e3o Ed Wanderley]<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Tha\u00eds]: <\/strong>Essa distor\u00e7\u00e3o de imagem \u00e9 bem comum. E incomoda muito, n\u00e9? \u00c9 assustador, n\u00e9?<\/p>\n<p><strong>[Ed Wanderley]:<\/strong> Tha\u00eds Costa \u00e9 psic\u00f3loga e nutricionista que acompanha pacientes com perda massiva de peso, em especial pacientes bari\u00e1tricos.<\/p>\n<p><strong>[Entrevista com Thais Costa]<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Tha\u00eds]: <\/strong>Nosso c\u00f3rtex cerebral, ele forma as imagens. Eu at\u00e9 fa\u00e7o exerc\u00edcios e fecho os olhos e imagino onde t\u00e1\u2026 O copo t\u00e1 l\u00e1 na sua casa. Do nosso corpo n\u00e3o \u00e9 muito diferente. A gente n\u00e3o percebe ganhando peso, perdendo peso, envelhecendo. Quando a gente se depara, \u00e9 assustador. E vai migrando muito. Ent\u00e3o, acaba atrapalhando a forma\u00e7\u00e3o da nova imagem dentro do nosso c\u00e9rebro. Ent\u00e3o, essa imagem, essa distor\u00e7\u00e3o de imagem, ela \u00e9 muito comum. \u00c9 tratado s\u00f3 com terapia. N\u00e3o tem medicamento para virar a chavinha, n\u00e9?<\/p>\n<p><strong>[Ed Wanderley]:<\/strong> Acompanhamento terap\u00eautico \u00e9 um dos eixos fundamentais em processos de emagrecimento que resistem ao tempo. At\u00e9 porque a obesidade tem um componente de sa\u00fade que vai muito al\u00e9m do campo f\u00edsico.<\/p>\n<p><strong>Entrevista com Thais Costa | Grava\u00e7\u00e3o de Ed Wanderley]<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Tha\u00eds]: <\/strong>Existem alguns estudos que t\u00eam um impacto bastante importante dentro da ci\u00eancia, que eles fazem associa\u00e7\u00e3o das pessoas que t\u00eam obesidade, n\u00e9, e quando a gente est\u00e1 falando desse p\u00fablico da obesidade, tem um estudo grande que ele iniciou em 2011, mas ele foi publicado em 2014, aqui no Brasil, pelo HC, do Hospital das Cl\u00ednicas, n\u00e9, da Faculdade de Medicina da USP, \u00e9 que 57% das pessoas que foram entrevistadas naquele momento eram pacientes com obesidade grave, que estavam na fila pra fazer cirurgia bari\u00e1trica, e eles apresentavam, naquele momento, ou em alguma fase da vida, 57% apresentavam algum tipo de transtorno psiqui\u00e1trico. E o carrinho-chefe vem, como sempre, n\u00e9, n\u00e3o para nossa surpresa, a ansiedade.<\/p>\n<p><strong>[Ed Wanderley]: <\/strong>A psic\u00f3loga explicou tamb\u00e9m que filtros de redes sociais e coment\u00e1rios de conhecidos s\u00e3o o bra\u00e7o igual e contr\u00e1rio dessa mesma equa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>[Entrevista com Thais Costa]<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Tha\u00eds]: <\/strong>Dentro do consult\u00f3rio eu at\u00e9 uso alguns termos bem chocantes. Eu falo, por exemplo, se voc\u00ea tivesse um tratamento quimioter\u00e1pico, n\u00e9? Fazendo uma quimioterapia e tivesse perdido muito peso, voc\u00ea se sentiria confort\u00e1vel e o outro falasse, \u201cnossa, voc\u00ea est\u00e1 magra, voc\u00ea est\u00e1 t\u00e3o linda\u201d. Beleza \u00e9 uma coisa. Gordura, magreza, altura, baixura, cor de pele, \u00e9 outra coisa. Porque essa dificuldade que a gente tem de relacionar com o nosso pr\u00f3prio corpo, a gente acaba se afastando dele porque a gente compara. A Tha\u00eds compara o corpo da Tha\u00eds com o corpo da Ana, que passou pela mesma situa\u00e7\u00e3o que eu, pelo mesmo processo que eu, e eu vejo resultados diferentes. E a\u00ed a gente volta l\u00e1 naquela outra fala da imagem disf\u00f3rmica, n\u00e9? O quanto isso faz com que a Tha\u00eds vai se afastando da realidade dela.<\/p>\n<p><strong>[Entrevista com Thais Costa]<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Ed]: <\/strong>Mas Tha\u00eds, o quanto o preconceito e o ambiente que circula o paciente afeta o tratamento dele da obesidade?<\/p>\n<p><strong>[Entrevista com Thais Costa]<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Tha\u00eds]:<\/strong> Muito. Principalmente a fam\u00edlia. Fam\u00edlias, amigos, as redes sociais, o que a sociedade, ela nos imp\u00f5e a ser.<\/p>\n<p><strong>[Ed Wanderley]: <\/strong>O que a sociedade nos imp\u00f5e ser. N\u00f3s somos produtos coletivos. Inclusive ao crescer ouvindo que \u201cbasta ter for\u00e7a de vontade\u201d. No que diz respeito \u00e0 individualidade, eu tenho uma certeza. Eu pus todas as minhas fichas que meu prazo de validade terminaria nos meus 36 anos. Eu disse que ia contar a hist\u00f3ria por tr\u00e1s da Maldi\u00e7\u00e3o dos 36. Mas o m\u00e9dico que me confirmou essa passagem na minha hist\u00f3ria tamb\u00e9m precisava dessa explica\u00e7\u00e3o. E voc\u00eas v\u00e3o ouvir junto como algo t\u00e3o surreal pode fazer tanta diferen\u00e7a na vida de algu\u00e9m.<\/p>\n<p><strong>[Entrevista Paulo Play | Grava\u00e7\u00e3o de Ed Wanderley]<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Ed]: <\/strong>Rapaz!<\/p>\n<p><strong>[Entrevista Paulo Play]<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Paulo Play]: <\/strong>Gente, quanto tempo, cara. Tudo bem?<\/p>\n<p><strong>[Entrevista Paulo Play]<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Ed]: <\/strong>Tudo bom?<\/p>\n<p><strong>[Entrevista Paulo Play]<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Paulo Play]: <\/strong>Como v\u00e3o as coisas, cara?<\/p>\n<p><strong>[Entrevista Paulo Play]<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Ed]:<\/strong> Tranquilo, meu velho.<\/p>\n<p><strong>[Entrevista Paulo Play]<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Paulo Play]: <\/strong>P\u00f4, emagreceu pra caramba, hein, bicho? Caraca!<\/p>\n<p><strong>[Entrevista Paulo Play]<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Ed]: <\/strong>Eu n\u00e3o sabia se voc\u00ea ia lembrar.<\/p>\n<p><strong>[Entrevista Paulo Play]<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Paulo Play]: <\/strong>Eu ia, cara. Voc\u00ea ficou internado com a gente, eu lembro at\u00e9 hoje, voc\u00ea ficou internado com a gente no leito 19, o 18 aqui na frente, o 19 ficou bem aqui.<\/p>\n<p><strong>[Ed Wanderley]:<\/strong> Esse \u00e9 o m\u00e9dico coordenador do Pronto Socorro do Hospital Bras\u00edlia, Paulo Correia. Para mim, \u00e9 Paulo Play, o m\u00e9dico da UTI que me atendeu durante a maior parte da minha interna\u00e7\u00e3o no Hospital Alvorada, l\u00e1 em dezembro de 2023.<\/p>\n<p><strong>[Entrevista Paulo Play]<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Paulo Play]:<\/strong> Eu sei que voc\u00ea tinha tido um infarto no show do Paul, no show do Paul, e a gente ficou sentado um temp\u00e3o, fiquei at\u00e9 apoiado na parede aqui do canto, assim. E a gente ficou conversando um temp\u00e3o a respeito de qualidade de vida, de mudan\u00e7a, da minha descren\u00e7a pessoal, das pessoas efetivamente mudarem, enfim.<\/p>\n<p><strong>[Entrevista Paulo Play]<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Ed]:\u00a0<\/strong>E mudou.<\/p>\n<p><strong>[Entrevista Paulo Play]<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Paulo Play]:<\/strong> E gra\u00e7as a Deus deu certo, cara. Assim, eu converso muito com as pessoas, Ed. Eu lembro da conversa que a gente teve. Conversando com os pacientes, eu sempre tento ser uma pessoa muito acolhedora, de entender o que que t\u00e1 acontecendo, entender a realidade da pessoa. Entender a situa\u00e7\u00e3o que t\u00e1. Mas, eventualmente\u2026 Eventualmente, eu acho que cabe\u2026 Especialmente quando o paciente \u00e9 mais novo, assim. \u00c0s vezes, cabe o desafio. De falar, cara\u2026 As pessoas, normalmente, n\u00e3o\u2026 N\u00e3o d\u00e3o\u2026 N\u00e3o mudam. Pra gerar um inc\u00f4modo. Porque, na hora em que a gente passa pelo trauma\u2026 Na hora do trauma, todo mundo fala que vai mudar. 100%. Todo mundo fala, \u201cn\u00e3o, essa foi a \u00faltima vez. Eu nunca mais vou\u2026 Nunca mais vou fumar, nunca mais vou beber\u201d. E a\u00ed, sai do hospital e o trauma passa. E a\u00ed, no que o trauma passa, volta a fumar. Volta a beber. Volta, enfim\u2026 A descontrolar a alimenta\u00e7\u00e3o. Deixar de fazer exerc\u00edcio. E\u2026 Isso, infelizmente, \u00e9 uma realidade, cara. Acaba servindo, tamb\u00e9m, de motiva\u00e7\u00e3o. De um gatilho de falar\u2026 Cara, vou provar que ele estava errado. Ent\u00e3o, \u00e0s vezes, d\u00e1 certo.<\/p>\n<p><strong>[Entrevista Paulo Play]<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Ed]: <\/strong>Funcionou para mim. Inclusive, j\u00e1 fui\u2026 J\u00e1 fui para a academia hoje de manh\u00e3.<\/p>\n<p><strong>[Ed Wanderley]: <\/strong>Jovem, crossfiteiro, sorridente e mais novo do que eu, era Paulo quem atualizava o grupo de WhatsApp com meus amigos e familiares, todos os dias, na porta da UTI. Vez ou outra ele fazia quest\u00e3o de passar um tempo no meu leito lembrando que o cen\u00e1rio era \u201ccomplicado\u201d, mas poss\u00edvel de mudar. Paulo n\u00e3o sabia, mas foi ele quem cumpriu a Maldi\u00e7\u00e3o dos 36 pra mim. E eu resolvi contar isso pra ele\u2026<\/p>\n<p><strong>[Entrevista Paulo Play]<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Ed]: <\/strong>E \u00e9 uma hist\u00f3ria que meus amigos mais pr\u00f3ximos conhecem todos e ficaram muito emocionados com voc\u00ea sem voc\u00ea saber. Eu tinha uns 12 pra 13 anos e eu fui para um centro esp\u00edrita com a minha m\u00e3e. Em que fizeram uma leitura l\u00e1, que supostamente era uma leitura de outras vidas, n\u00e3o sei o qu\u00ea. Que falava de acerto de contas. E falava sobre como eu tinha um acerto de contas para fazer. E eu entendi naquela \u00e9poca que eu s\u00f3 tinha at\u00e9 os 36 anos para viver. E a maldi\u00e7\u00e3o dos 36 me acompanhou na vida toda. Isso fez com que eu fizesse duas faculdades ao mesmo tempo, lan\u00e7asse meus livros, viajasse loucamente, porque eu tinha muita pressa de viver. Porque eu s\u00f3 tinha at\u00e9 os 36. Quando eu cheguei naquela noite no leito de UTI, eu estava com 36 anos. E aquela conversa que a gente teve foi no dia que finalmente fizeram o exame. Para fazer a escuta do cora\u00e7\u00e3o e tudo mais. E o meu fator de eje\u00e7\u00e3o estava em 36%.<\/p>\n<p><strong>[Entrevista Paulo Play]<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Paulo Play]:<\/strong> Caraca!<\/p>\n<p><strong>[Entrevista Paulo Play<\/strong>]<\/p>\n<p><strong>[Ed]: <\/strong>Ent\u00e3o naquele dia eu estava com muita certeza de que eu n\u00e3o ia sair dali.<\/p>\n<p><strong>[Entrevista Paulo Play]<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Paulo Play]:<\/strong> Caraca Ed.<\/p>\n<p><strong>[Entrevista Paulo Play]<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Ed]:<\/strong>\u00a0Porque para mim era uma confirma\u00e7\u00e3o que eu precisava de algo que eu nem acreditava. Mas que estava ali me assombrando a vida toda. Ent\u00e3o eu fiquei muito triste naquele dia. E voc\u00ea chegou e fez assim: eu entendo porque voc\u00ea est\u00e1 triste, e ficou encostado na parede, como voc\u00ea disse e ficou ali conversando mais de uma hora mas teve uma coisa que voc\u00ea falou no final, que certamente voc\u00ea n\u00e3o lembra porque voc\u00ea tem muitos pacientes para atender. Mas voc\u00ea virou, olhou para mim e fez assim: \u201cEst\u00e1 vendo aquele cara ali?\u201d Falou meu nome completo que estava na parede. Repetiu o nome completo e fez assim \u201cAquele cara ali morreu. E voc\u00ea tem que entender que aquele cara morreu. Quem est\u00e1 falando comigo aqui \u00e9 outra pessoa, tem outra chance. Mas aquele cara ali, esque\u00e7a que ele morreu\u201d.<\/p>\n<p><strong>[Entrevista Paulo Play]<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Paulo Play]:<\/strong> Caraca.<\/p>\n<p><strong>[Entrevista Paulo Play]<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Ed]:\u00a0<\/strong>E a\u00ed\u2026 Enfim, a maldi\u00e7\u00e3o dos 36 naquele momento se fez para mim.<\/p>\n<p><strong>[Entrevista Paulo Play]<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Paulo Play]: <\/strong>Caraca.<\/p>\n<p><strong>[Entrevista Paulo Play]<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Ed]:<\/strong> E deixei um pouco mais de pressa. Ent\u00e3o eu queria muito lhe agradecer. Porque aquela fala emocionou muito os meus amigos. Porque sabiam da minha pressa. Porque eu tinha certeza que ali era o fim.<\/p>\n<p><strong>[Entrevista Paulo Play]<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Paulo Play]: <\/strong>Caraca Ed. Que massa cara.<\/p>\n<p><strong>[Entrevista Paulo Play]<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Ed]:<\/strong>\u00a0Obrigado meu velho. Eu tinha que lhe contar essa hist\u00f3ria.<\/p>\n<p><strong>[Entrevista Paulo Play]<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Paulo Play]:<\/strong> Nossa, de verdade, muito obrigado cara. Esses momentos assim de\u2026 Cara, eu trabalho com emerg\u00eancia e terapia intensiva. V\u00e1rias vezes a gente v\u00ea um paciente uma vez s\u00f3. E a gente \u00e0s vezes n\u00e3o sabe o impacto que causa na vida do outro uma coisa que parece pequena. Tipo, um coment\u00e1rio assim que eu fiz sem nem saber da hist\u00f3ria, sem nem pensar a respeito. Ent\u00e3o, obrigado por trazer isso. \u00c9 muito marcante.<\/p>\n<p><strong>[Entrevista Paulo Play]<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Ed]:<\/strong> Eu acredito muito, com jornalismo a gente tem a oportunidade de fazer isso algumas vezes. Mas essa devolutiva de as pessoas saberem o quanto podem mudar a vida de outras pessoas. Para mim \u00e9 muito importante. E\u2026 Foi o que voc\u00ea fez.<\/p>\n<p><strong>[Entrevista Paulo Play]<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Paulo Play]:<\/strong> Caraca. Muito obrigado. Obrigado, cara. Obrigado por ter vindo at\u00e9 aqui. Para me contar isso.<\/p>\n<p><strong>[Ed Wanderley]:<\/strong> Perder peso n\u00e3o me fez uma pessoa feliz. Comer de forma saud\u00e1vel n\u00e3o me faz uma pessoa triste. N\u00e3o h\u00e1 romantiza\u00e7\u00e3o nem cultos aqui. H\u00e1 uma luta constante. Felicidades el\u00e1sticas, problemas incapacitantes. Fit, obeso, mentalmente ajustado ou comprometido, medicado, natural\u2026 Esse aqui n\u00e3o foi um roteiro da hist\u00f3ria de ningu\u00e9m, sen\u00e3o a minha. A diferen\u00e7a e a ironia que d\u00e3o nome \u00e0 jornada que voc\u00ea agora fez comigo \u00e9 s\u00f3 uma: E a\u00ed eu pego, mais uma vez, carona na minha inf\u00e2ncia. Desde cedo, eu me condicionei a buscar o mais, o melhor, e nada h\u00e1 de mais saboroso que o \u00faltimo biscoito; que a saideira; que o canteiro mais recheado do bolo, que sempre deixei salvo no canto do prato; que o bis no finzinho do show para coroar uma noite.<\/p>\n<p><strong>[M\u00fasica grava\u00e7\u00e3o de show, m\u00fasica Live and let die | Arquivo de Ed Wanderley]<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Ed Wanderley]: <\/strong>A \u00faltima bolacha n\u00e3o \u00e9 uma ode \u00e0s proibi\u00e7\u00f5es ineficientes que marcaram uma vida de dietas e autodestrui\u00e7\u00e3o. Ela ainda nem foi degustada. Certamente ser\u00e1, inclusive, mas n\u00e3o dever\u00e1 valer nota na esteira da mem\u00f3ria. A \u00faltima bolacha \u00e9, na verdade, uma consci\u00eancia adquirida, talvez pela maturidade, de que \u00e9 necess\u00e1rio a justa medida, entender que, para chegar \u00e0 \u00faltima bolacha, h\u00e1 quem consuma todo o pacote. \u00c9 que, talvez, tenha me faltado, por muito tempo, entender que eu engoli o tempo sem perceber como seria poss\u00edvel saborear cada peda\u00e7o de vida. Para isso, eu s\u00f3 tive que morrer. Eu sou Ed Wanderley e esse foi a \u00daltima Bolacha. At\u00e9 uma pr\u00f3xima. Ali\u00e1s, foi uma del\u00edcia.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9ditos Podcast<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Ed Wanderley]:<\/strong> A \u00daltima Bolacha \u00e9 uma produ\u00e7\u00e3o original da Ag\u00eancia P\u00fablica de Jornalismo Investigativo, realizada com apoio dos Institutos Ibirapitanga e Serrapilheira. Esse podcast foi escrito por mim, Ed Wanderley, com a colabora\u00e7\u00e3o de Stela Diogo e Claudia Jardim. Claudia tamb\u00e9m colaborou com a investiga\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica que deu origem a essa s\u00e9rie. A produ\u00e7\u00e3o e pesquisa de material de arquivo \u00e9 de Stela Diogo com apoio de Rafaela de Oliveira. O projeto \u00e9 uma ideia original de Nat\u00e1lia Viana. A capta\u00e7\u00e3o de \u00e1udio em campo foi feita pelos t\u00e9cnicos Davysson Barbosa, Ethieny Karen, Gil Neves, Stela Diogo, Tathiane Santos e Vin\u00edcius Machado. A locu\u00e7\u00e3o foi gravada no est\u00fadio da Ag\u00eancia P\u00fablica, com trabalhos t\u00e9cnicos de Ricardo Terto. Sofia Amaral fez a dire\u00e7\u00e3o de locu\u00e7\u00e3o e a coordena\u00e7\u00e3o geral da s\u00e9rie. O desenho de som \u00e9 de Ricardo Terto, que tamb\u00e9m fez a edi\u00e7\u00e3o e finaliza\u00e7\u00e3o dos epis\u00f3dios. A trilha sonora original \u00e9 de Ana Sucha e trilhas adicionais do Epidemic Sound. A identidade visual \u00e9 assinada por Matheus Pigozzi. Obrigado por sua companhia. Gostou? Ent\u00e3o compartilhe esse resultado e segue a <strong>Ag\u00eancia P\u00fablica<\/strong> nos tocadores e redes sociais para n\u00e3o perder nenhum lan\u00e7amento. E acesse o nosso site, apublica.org.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/pedagios-do-tarcisio-governo-de-sp-articula-mais-cobrancas\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/pedagios-campinas-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Ped\u00e1gios do Tarc\u00edsio: governo de SP articula mais ...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/marcos-do-val-e-alvo-de-operacao-da-pf-e-coloca-tornozeleira-eletronica-apos-descumprir-medidas-do-stf\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Marcos do Val \u00e9 alvo de opera\u00e7\u00e3o da PF e coloca to...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/camara-aprova-acordo-que-regulamenta-o-comercio-eletronico-entre-os-paises-do-mercosul\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/WhatsApp-Image-2025-08-28-at-142518-750x536-150x150.jpeg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">C\u00e2mara aprova acordo que regulamenta o com\u00e9rcio el...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/advogado-pede-arquivamento-de-acusacoes-contra-maduro-e-cilia-as-vesperas-de-nova-audiencia\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Advogado pede arquivamento de acusa\u00e7\u00f5es contra Mad...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ed termina sua jornada e revela a Maldi\u00e7\u00e3o dos 36<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[3339,611,5557,126],"tags":[],"class_list":["post-85889","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-alimentacao","category-comportamento","category-portugues","category-saude"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85889","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=85889"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85889\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=85889"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=85889"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=85889"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}