{"id":86176,"date":"2026-05-05T19:16:08","date_gmt":"2026-05-05T22:16:08","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/nancy-fraser-gaza-e-o-colapso-do-ocidente\/"},"modified":"2026-05-05T19:16:08","modified_gmt":"2026-05-05T22:16:08","slug":"nancy-fraser-gaza-e-o-colapso-do-ocidente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/nancy-fraser-gaza-e-o-colapso-do-ocidente\/","title":{"rendered":"Nancy Fraser: Gaza e o colapso do Ocidente"},"content":{"rendered":"<figure><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"565\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/260505-Judeus2b.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/260505-Judeus2b.jpg 1024w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/05\/05191557\/260505-Judeus2b-300x166.jpg 300w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/05\/05191557\/260505-Judeus2b-768x424.jpg 768w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/05\/05191557\/260505-Judeus2b-700x387.jpg 700w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/05\/05191557\/260505-Judeus2b-219x121.jpg 219w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Por <strong>Nancy Fraser<\/strong>, na <em>New Left Revie<\/em>w<\/p>\n<p>T\u00edtulo orignal:<br \/><strong>Gaza como evento mundial<\/strong><\/p>\n<p>Os significados de Gaza continuam a se desdobrar. Relat\u00f3rios eloquentes e bem documentados, como os da Relatora Especial da ONU para os Territ\u00f3rios Ocupados; obras cinematogr\u00e1ficas aclamadas como <em>A Voz de Hind Rajab <\/em>(2025); poesias como <em>Se Eu Tiver Que Morrer <\/em>(2024), de Refaat Alareer; an\u00e1lises de historiadores palestinos como Rashid Khalidi e juristas como Rabea Eghbariah \u2014 todas essas pe\u00e7as e muitas outras abordaram a import\u00e2ncia da investida em estilo <em>terra arrasada<\/em> de Israel, seus repetidos ataques a locais de distribui\u00e7\u00e3o de ajuda e \u201czonas seguras\u201d, suas t\u00e1ticas de cerco e fome, seu deslocamento de milh\u00f5es de palestinos para aqueles \u201cdesertos impens\u00e1veis de escombros, esgoto e corpos em decomposi\u00e7\u00e3o\u201d descritos pelo Relatora da ONU<sup><sup>1<\/sup><\/sup><\/p>\n<div>\n<div><img decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Prancheta--13.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Prancheta--13.png 680w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2022\/12\/31181126\/Prancheta-4-300x110.png 300w\" sizes=\"(max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Aqui, quero examinar um aspecto diferente do ataque genocida de Israel contra Gaza: seu significado como um \u201cevento mundial\u201d, um ponto de virada hist\u00f3rico que tamb\u00e9m serve para revelar, e assim significar, a natureza dos tempos. Pretendo faz\u00ea-lo em um registro que abranger\u00e1 o pol\u00edtico, o social, o filos\u00f3fico e o pessoal. Argumento que \u201cGaza\u201d significa uma crise para a ordem moral que prevaleceu em grande parte do Ocidente durante o \u00faltimo meio s\u00e9culo. Instalada nos Estados Unidos a partir da d\u00e9cada de 1970, e servindo para justificar a hegemonia global de Washington, juntamente com o expansionismo israelense, essa ordem estava centrada no judeoc\u00eddio nazista como o emblema m\u00e1ximo do \u201cmal radical\u201d, delimitando o horizonte dentro do qual o erro e sua retifica\u00e7\u00e3o poderiam ser pensados<sup>2<\/sup>.<sup> <\/sup>Hoje, no entanto, o pr\u00f3prio Auschwitz \u00e9 invocado como justificativa para um novo genoc\u00eddio. O efeito \u00e9 deixar em frangalhos a ordem moral ocidental centrada no Holocausto, tornando-a incapaz de ocultar ou conter os crimes flagrantes cometidos pelo Estado de Israel e seu apoiador norte-americano. No per\u00edodo atual, \u201cGaza\u201d tende a substituir \u201cAuschwitz\u201d como s\u00edmbolo das piores atrocidades humanas de nossa \u00e9poca.<\/p>\n<p>Em todo caso, esse \u00e9 o cen\u00e1rio que exploro aqui. Cheguei a ele por um caminho tortuoso, que me levou ao redor do mundo, tanto literal quanto mentalmente, em 2024 e 2025: \u00e0 Alemanha, onde gestos modestos de solidariedade \u00e0 Palestina foram recebidos com exig\u00eancias de retrata\u00e7\u00e3o; aos Estados Unidos, onde uma grande onda de protestos universit\u00e1rios contra o genoc\u00eddio em curso surgiu e foi reprimida; \u00e0 \u201ccomunidade judaica\u201d, onde fam\u00edlias extensas \u2014 incluindo a minha \u2014 estavam cancelando seu jantar de P\u00e1scoa anual porque n\u00e3o conseguiam conversar entre si sobre o que Israel estava fazendo; e, finalmente, ao Jap\u00e3o, onde fui convidada a dar uma palestra sobre Gaza em meio a um sentimento pr\u00f3-Palestina surpreendentemente amplo e incontestado, apesar de um pr\u00f3-americanismo igualmente amplo e incontestado.<\/p>\n<p>Naquela \u00faltima parada, em Kyoto, enquanto eu refletia sobre o que dizer, duas observa\u00e7\u00f5es me chamaram a aten\u00e7\u00e3o. Primeiro, \u201cGaza\u201d estava sendo processada de maneira diferente nesses contextos. Mas, segundo, por baixo das diferen\u00e7as, havia figuras e motivos semelhantes, ansiedades e evasivas an\u00e1logas. Quest\u00f5es sobre v\u00edtimas, perpetradores e acertos de contas morais com um passado que parecia relativamente resolvido estavam ressurgindo em cada local, com uma intensidade feroz. Aqui, pensei, era poss\u00edvel ler a crise de uma ordem mundial, cujos crimes n\u00e3o podiam mais ser contidos na figura de \u201cAuschwitz\u201d. O que se segue \u00e9 uma elabora\u00e7\u00e3o dessa hip\u00f3tese na forma de um relato de viagem, revisitando os principais locais do meu itiner\u00e1rio original \u2014 Alemanha, EUA, \u201cjuda\u00edsmo mundial\u201d \u2014 com breves paradas no Jap\u00e3o, Israel e Palestina. Em cada caso, pretendo revelar tanto as especificidades locais quanto os padr\u00f5es mais amplos de ruptura moral que constituem \u201cGaza\u201d como um evento mundial.<\/p>\n<h2>1.<\/h2>\n<p>Come\u00e7o pela Alemanha \u2014 e uma breve nota pessoal. Em maio de 2024, eu deveria assumir uma c\u00e1tedra de professora visitante na Universidade de Col\u00f4nia, para a qual havia sido nomeada no ano anterior. Estava tudo pronto quando recebi a not\u00edcia de que o reitor desejava que eu \u201cesclarecesse\u201d minhas opini\u00f5es sobre Israel\/Palestina. Ele acabara de descobrir que eu era parte dos quatrocentos fil\u00f3sofos norte-americanos que assinaram uma carta aberta em novembro de 2023, a qual condenava a invas\u00e3o israelense de Gaza como uma apropria\u00e7\u00e3o territorial colonial e alertava para um genoc\u00eddio iminente. Em sua vis\u00e3o, a carta me desqualificava para a c\u00e1tedra Albertus Magnus. Seu pedido para que eu \u201cesclarecesse\u201d minhas opini\u00f5es era, na realidade, uma exig\u00eancia para que eu as renegasse publicamente. Quando me recusei a faz\u00ea-lo, ele revogou minha nomea\u00e7\u00e3o e me denunciou \u00e0 imprensa alem\u00e3<sup>3<\/sup>. <sup><\/sup>Assim que a not\u00edcia se espalhou, comecei a receber mensagens de \u00f3dio de pessoas em Israel. Uma mensagem permanece gravada na minha mente: \u201cNem mesmo os descendentes dos nazistas te suportam, vadia Kapo.\u201d<\/p>\n<p>A rapidez e a brutalidade de tudo isso foram impressionantes. Mas eu n\u00e3o fui a \u00fanica a receber esse tratamento na Alemanha durante esse per\u00edodo. Outros exemplos incluem a romancista palestina Adania Shibli, cuja cerim\u00f4nia de premia\u00e7\u00e3o por <em>Minor Detail <\/em>na Feira do Livro de Frankfurt de 2023 foi cancelada; a escritora anglo-alem\u00e3 Sharon Dodua Otoo, cujo Pr\u00eamio Peter Weiss de 2023 foi revogado pela cidade de Bochum; a artista e cineasta palestina Emily Jacir, cuja palestra na esta\u00e7\u00e3o de trem Hamburger Bahnhof foi cancelada; a curadora berlinense Anais Duplan, cuja exposi\u00e7\u00e3o de Afrofuturismo no Museu Folkwang em Essen foi cancelada; e a artista judia sul-africana Candice Breitz, cuja exposi\u00e7\u00e3o no Museu do Sarre foi cancelada. Todas essas e muitas outras pessoas tiveram suas exposi\u00e7\u00f5es canceladas na Alemanha por criticarem a guerra genocida de Israel contra Gaza e expressarem solidariedade aos palestinos. Eu me orgulhei de estar entre elas.<\/p>\n<p>A justificativa oficial para esses cancelamentos reside na vers\u00e3o peculiar da Alemanha do <em>Staatsr\u00e4son (<\/em>princ\u00edpio da seguran\u00e7a nacional), segundo a qual os interesses da na\u00e7\u00e3o est\u00e3o indissoluvelmente ligados \u00e0 seguran\u00e7a nacional de Israel; enfraquecer a segunda \u00e9, <em>por consequ\u00eancia, <\/em>minar a primeira. Essa condicionalidade visa eximir a Alemanha da responsabilidade pelo assassinato de seis milh\u00f5es de judeus pelos nazistas, enquanto, obviamente, n\u00e3o assume qualquer responsabilidade pelos milh\u00f5es de outros mortos pelos nazistas: comunistas, pessoas com defici\u00eancia, homossexuais, poloneses, russos, ucranianos, ciganos e sintis. No que diz respeito aos judeus, a postura da Alemanha pode inicialmente parecer apropriada, at\u00e9 mesmo admir\u00e1vel, quando comparada \u00e0 de muitos pa\u00edses, incluindo os EUA e o Jap\u00e3o, que n\u00e3o assumiram a responsabilidade pelas atrocidades que cometem. Mas a doutrina alem\u00e3 deve ser combatida, pois ela vincula a responsabilidade pelo juda\u00edsmo n\u00e3o ao dever de defender os direitos humanos universais, nem mesmo a obriga\u00e7\u00f5es reparadoras especiais para com o povo judeu, mas sim ao apoio incondicional ao Estado de Israel. Este, por sua vez, equipara-o ao apoio incondicional a todas as a\u00e7\u00f5es israelenses tomadas em nome da \u201cseguran\u00e7a nacional\u201d \u2014 as ondas de limpeza \u00e9tnica de palestinos ap\u00f3s a Nakba de 1948; a ocupa\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios palestinos pelo ex\u00e9rcio de Israel e a anexa\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m Oriental; a destrui\u00e7\u00e3o de casas palestinas, a pris\u00e3o, a tortura e o assassinato de ativistas palestinos, a promo\u00e7\u00e3o de col\u00f4nicas de ocupa\u00e7\u00e3o sionista e a incita\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia dos colonos, o uso da fome e de bombardeios indiscriminados contra Gaza; a\u00e7\u00f5es que, em conjunto, constituem uma clara indica\u00e7\u00e3o de inten\u00e7\u00e3o genocida<sup><sup>4<\/sup><\/sup><\/p>\n<p>Tudo isso e muito mais recebe apoio do Estado alem\u00e3o, como prova de sua rec\u00e9m-limpa consci\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o aos judeus \u2014 enquanto, ao mesmo tempo, autoridades alem\u00e3s se arrogam o direito de intimidar qualquer judeu que critique Israel, n\u00e3o apenas nos dizendo o que devemos dizer e pensar, mas tamb\u00e9m nos instruindo sobre nossos deveres e interesses como judeus \u2014 decidindo o que significa ser judeu, quem \u00e9 um judeu \u201cde verdade\u201d e quem n\u00e3o \u00e9. Isso \u00e9 especialmente ofensivo para os judeus de esquerda que protestam contra o genoc\u00eddio em Gaza apelando para \u201coutro juda\u00edsmo\u201d, uma tradi\u00e7\u00e3o universalista que inclui Maim\u00f4nides, Spinoza, Heine, Freud, Benjamin, Einstein, Deutscher, Arendt e Judith Butler, entre muitos outros. O grito de guerra desses judeus contra as atrocidades israelenses \u00e9: \u201cN\u00e3o em nosso nome!\u201d. Para n\u00f3s, a equa\u00e7\u00e3o redutiva do pensamento judaico aos del\u00edrios messi\u00e2nicos da extrema direita israelense e seus c\u00famplices \u00e9 uma nega\u00e7\u00e3o da nossa realidade e da nossa hist\u00f3ria.<\/p>\n<div>\n<div><img decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/BANNER-Outras-palavras-NOVEMBRO7-1.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/BANNER-Outras-palavras-NOVEMBRO7-1.jpg 728w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2025\/08\/31180016\/BANNER-Outras-palavras-NOVEMBRO7-300x37.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 728px) 100vw, 728px\" width=\"728\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<p>O termo \u201cmacartismo filossemita\u201d foi cunhado por Susan Neiman, uma fil\u00f3sofa judaico-americana radicada em Berlim, para descrever essa repress\u00e3o do pensamento<sup>5<\/sup>. Susan descreve como estudantes da Alemanha Ocidental, na d\u00e9cada de 1960, desafiaram a relut\u00e2ncia da gera\u00e7\u00e3o de seus pais em reconhecer a magnitude dos crimes nazistas. Na d\u00e9cada de 1980, a ideia de \u201cacertar as contas\u201d com o passado nazista havia se tornado um consenso estabelecido na Rep\u00fablica Federal Alem\u00e3<sup>6<\/sup>. Desenvolveu-se uma densa cultura de mem\u00f3ria do Holocausto, com museus, curr\u00edculos escolares e memoriais p\u00fablicos, juntamente com a injun\u00e7\u00e3o de que qualquer cr\u00edtica a Israel poderia ser um passo nessa mesma estrada antissemita. Como relata Sus, a rea\u00e7\u00e3o do governo Merkel \u00e0 ascens\u00e3o do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) foi a cria\u00e7\u00e3o de uma Comiss\u00e3o Federal para o Combate ao Antissemitismo em 2018, assessorada pela Embaixada de Israel e logo replicada em n\u00edvel regional. Em 2019, por\u00e9m, o pr\u00f3prio AfD, assim como muitos partidos de extrema-direita europeus, adotou uma posi\u00e7\u00e3o pr\u00f3-Israel e prop\u00f4s a proibi\u00e7\u00e3o da campanha de Boicote, Desinvestimento e San\u00e7\u00f5es (BDS) na Alemanha. Adotada pelos principais partidos, a regulamenta\u00e7\u00e3o agora pro\u00edbe qualquer pessoa considerada \u201cpr\u00f3xima\u201d ao BDS de discursar, se apresentar ou expor em qualquer espa\u00e7o cultural financiado pelo Estado. Juntamente com as comiss\u00f5es antissemitismo apoiadas pelo Estado, esse foi mais um passo crucial na institucionaliza\u00e7\u00e3o do \u201cfilossemitismo\u201d na Alemanha<sup>7<\/sup>.<\/p>\n<p>O termo cunhado por Suan, \u201cmacartismo filossemita\u201d, iluminou a liga\u00e7\u00e3o desse duvidoso \u201camor pelos judeus\u201d com t\u00e1ticas pol\u00edticas an\u00e1logas \u00e0s do nosso anticomunismo da Guerra Fria: listas negras, juramentos de lealdade, dela\u00e7\u00e3o premiada de outros esquerdistas perante uma comiss\u00e3o do Congresso. Como ela observa corretamente, o \u201camor\u201d em quest\u00e3o \u00e9 objetificador, solipsista, atolado em estere\u00f3tipos e limitado por no\u00e7\u00f5es alem\u00e3s do que \u00e9 um judeu e como ele deveria ser; n\u00e3o uma abertura para \u201co outro\u201d, mas um fechamento para ele. Al\u00e9m disso, uma afei\u00e7\u00e3o falsa e exagerada por um grupo de semitas, \u201cos judeus\u201d, \u00e9 usada para justificar a opress\u00e3o repleta de \u00f3dio contra outro grupo, os palestinos. As amea\u00e7as aos judeus s\u00e3o grosseiramente ampliadas quando n\u00e3o inventadas. O sofrimento palestino \u00e9 apagado, tornado invis\u00edvel, inexistente.<\/p>\n<p>Em sua ess\u00eancia, o macartismo filossemita \u00e9 antissemita em ambos os sentidos: antijudaico e anti\u00e1rabe. Seu verdadeiro objetivo \u00e9 promover a autoestima da elite alem\u00e3, e n\u00e3o o bem-estar dos semitas. Promete transformar os supostamente culpados descendentes dos nazistas em campe\u00f5es da pol\u00edtica da mem\u00f3ria, virtuosos em lidar com o passado. Para que isso funcione, as v\u00edtimas judias da Alemanha devem ser retratadas como puras e boas; qualquer reconhecimento da criminalidade do Estado israelense amea\u00e7a perturbar esse fr\u00e1gil equil\u00edbrio. Talvez isso ajude a explicar o caso de J\u00fcrgen Habermas, que declarou, em um documento intitulado \u201cPrinc\u00edpios da Solidariedade\u201d, que era inaceit\u00e1vel para um alem\u00e3o sequer indagar sobre a possibilidade de Israel cultivar inten\u00e7\u00f5es genocidas em rela\u00e7\u00e3o a Gaza. Isso foi justificado em termos do \u201cethos democr\u00e1tico da Rep\u00fablica Federal da Alemanha, que se orienta para a obriga\u00e7\u00e3o de respeitar a dignidade humana\u201d<sup>8<\/sup>. A preocupa\u00e7\u00e3o com a dignidade humana, contudo, n\u00e3o se estendeu aos palestinos em Gaza \u2014 nem aos mu\u00e7ulmanos na Alemanha, confrontados com a crescente islamofobia<sup>9<\/sup>. \u00c9 certo queum n\u00famero significativo de intelectuais alem\u00e3es protestou de modo vigoroso contra a inclus\u00e3o na lista negra daqueles que se manifestavam sobre Gaza, e defendeu os princ\u00edpios fundamentais da liberdade de consci\u00eancia e express\u00e3o, mesmo quando discordavam sobre a pol\u00edtica do ataque israelense. O efeito foi o de ampliar, ainda que ligeiramente, as fissuras no muro filossemita-macartinsta<sup>10<\/sup>.<\/p>\n<h2>2.<\/h2>\n<p>Enquanto isso, nos Estados Unidos, os efeitos de \u201cGaza como um evento mundial\u201d se desenrolavam em uma dire\u00e7\u00e3o diferente e em um ritmo mais acelerado \u2014 da prolifera\u00e7\u00e3o de protestos \u00e0 repress\u00e3o brutal. A invas\u00e3o israelense de Gaza desencadeou uma enorme onda de protestos em praticamente todos os estados. Em abril e maio de 2024, estudantes de mais de 140 campi se mobilizaram, realizando uma ampla gama de a\u00e7\u00f5es em solidariedade \u00e0 Palestina, quase todas n\u00e3o violentas: marchas, vig\u00edlias, acampamentos, ocupa\u00e7\u00f5es, greves e protestos pac\u00edficos, contra o massacre israelense e o financiamento e armamento do governo Biden. Os participantes representavam todo o espectro da popula\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria: palestinos e \u00e1rabes-americanos, certamente; mas tamb\u00e9m latinos e asi\u00e1tico-americanos, afro-americanos e \u201cbrancos \u00e9tnicos\u201d, crist\u00e3os e ateus, mu\u00e7ulmanos e judeus. Muitos eram novatos na pol\u00edtica de protesto; radicalizados pela experi\u00eancia, juntaram-se a grupos como n\u00f3s: Campanha pelos Direitos Palestinos, Estudantes pela Justi\u00e7a na Palestina, Voz Judaica pela Paz, N\u00e3o em Nosso Nome e Socialistas Democr\u00e1ticos da Am\u00e9rica. Ao participarem de semin\u00e1rios e grupos de estudo, eles aprenderam sobre a hist\u00f3ria do colonialismo de povoamento e o pensamento anti-imperialista. Para um veterano da d\u00e9cada de 1960, aquilo lembrava muito os dias intensos e euf\u00f3ricos do in\u00edcio do movimento contra a Guerra do Vietn\u00e3, sinalizando um renascimento do radicalismo americano; baseado nos movimentos Occupy e Black Lives Matter, mas adicionando uma dimens\u00e3o internacionalista mais enf\u00e1tica.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, em junho de 2024, essa primeira onda foi sufocada num instante. Usando acusa\u00e7\u00f5es falsas de antissemitismo como arma, sionistas judeus de direita uniram-se a nacionalistas crist\u00e3os conservadores numa ofensiva coordenada contra os manifestantes. A pol\u00edcia militarizada desmantelou acampamentos, prendendo e brutalizando estudantes. Universidades expulsaram alunos, proibiram os n\u00facleos estudantis de grupos como Estudantes pela Justi\u00e7a na Palestina e Voz Judaica pela Paz, e suspenderam diplomas. Grandes escrit\u00f3rios de advocacia privados revogaram ofertas de emprego feitas a formandos. Trolls apoiadores do MAGA e sionistas perseguiram manifestantes online e denunciaram aqueles que consideravam poss\u00edveis \u00e1rabes. Tudo isso foi feito em nome do combate ao antissemitismo, que foi equiparado \u00e0 cr\u00edtica a Israel e \u00e0 solidariedade com os palestinos. O macartismo filossemita havia cruzado o Oceano Atl\u00e2ntico.<\/p>\n<p>Ou ser\u00e1 que n\u00e3o? Em retrospectiva, fica claro que o macartismo, em sua forma original americana, j\u00e1 possu\u00eda uma vertente filosem\u00edtica, anterior ao foco em Auschwitz. Alinhado ao projeto da Guerra Fria de isolar a URSS em uma nova ordem capitalista mundial dominada pelos EUA, fazia parte de um esfor\u00e7o maior para reformular uma cultura pol\u00edtica interna na qual as sensibilidades da Frente Popular permaneciam fortes. Uma manobra ideol\u00f3gica fundamental foi reformular a imagem do aliado sovi\u00e9tico durante a guerra, agrupando o comunismo ao nazismo, como dois totalitarismos g\u00eameos ligados pela rejei\u00e7\u00e3o ate\u00edsta da civiliza\u00e7\u00e3o \u201cjudaico-crist\u00e3\u201d. Originalmente popularizada por liberais e antifascistas no per\u00edodo entre guerras, principalmente para transmitir a mensagem de que os crist\u00e3os deveriam proteger os judeus dos nazistas, a no\u00e7\u00e3o de uma tradi\u00e7\u00e3o judaico-crist\u00e3 foi reaproveitada como arma no arsenal anticomunista durante a Guerra Fria<sup>11<\/sup>.Esta nova vers\u00e3o convidava os judeus americanos a se desvencilharem das associa\u00e7\u00f5es com o bolchevismo e a provarem seu patriotismo juntando-se \u00e0 cruzada contra os comunistas \u2014 um convite que muitos \u201cl\u00edderes comunit\u00e1rios\u201d aceitaram prontamente<sup>12<\/sup>.Ao mesmo tempo, a associa\u00e7\u00e3o do macartismo com a defesa dos valores <em>judaico <\/em>-crist\u00e3os distinguia esta \u00faltima vertente do populismo de direita americano das vers\u00f5es anteriores, que eram explicitamente antissemitas e racistas<sup>13<\/sup>.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio Trump foi notoriamente instru\u00eddo nas t\u00e1ticas macarthistas por seu principal arquiteto, Roy Cohn, o judeu de direita que idealizou a cruzada anticomunista do senador McCarthy<sup>14<\/sup>. Desde o in\u00edcio, sua guerra \u201canti-woke\u201d contra as universidades \u2014 e contra a sociedade civil de forma mais ampla \u2014 veio diretamente do manual do senador, que apresentava os campi como incubadoras de intoler\u00e2ncia, onde \u201cprofessores marxistas\u201d oprimiam estudantes conservadores. Em seu segundo mandato, no entanto, Trump tornou o elemento filossemita expl\u00edcito, colocando-o no centro do ataque de seu governo \u00e0s institui\u00e7\u00f5es norte-americanas de ensino superior. Nos primeiros meses, o Escrit\u00f3rio de Direitos Civis do Departamento de Educa\u00e7\u00e3o abriu diversas investiga\u00e7\u00f5es contra universidades por \u201ctolerar o antissemitismo\u201d e \u201cfalhar em proteger\u201d estudantes judeus e israelenses \u2014 por exemplo, permitindo protestos em campi contra a destrui\u00e7\u00e3o de Gaza por Israel \u2014 bem como programas de diversidade e supostos procedimentos de admiss\u00e3o por a\u00e7\u00e3o afirmativa.<\/p>\n<p>Isso foi corroborado pelas amea\u00e7as de Trump de acabar ou limitar o financiamento federal, com o Departamento de Com\u00e9rcio e o Pent\u00e1gono cortando verbas para projetos espec\u00edficos e o Departamento de Justi\u00e7a iniciando novas investiga\u00e7\u00f5es e processos judiciais. Entre as institui\u00e7\u00f5es mencionadas estavam Harvard, Princeton, Columbia, Brown, Cornell, Duke, Northwestern, Penn, a Universidade da Virg\u00ednia e a UCLA.<\/p>\n<p>Na verdade, muitas dessas universidades contam com um grande n\u00famero de judeus entre seus alunos, professores, ex-alunos e doadores ricos. A maioria possui grandes fundos privados e poderia ter recusado a chantagem, unindo-se em uma frente \u00fanica e revidando. Em vez disso, quase todas cederam, assinaram acordos privados com Trump e pagaram as multas arbitr\u00e1rias que ele exigiu \u2014 Columbia: US$ 200 milh\u00f5es, Brown: US$ 50 milh\u00f5es, Cornell: US$ 60 milh\u00f5es, Northwestern: US$ 75 milh\u00f5es<sup>15<\/sup>.Com isso, seguiram um caminho trilhado por escrit\u00f3rios de advocacia corporativos, grandes museus e centros culturais, muitos dos quais tamb\u00e9m cederam \u00e0s exig\u00eancias de Trump. A exce\u00e7\u00e3o parcial foi Harvard, que lutou com sucesso nos tribunais contra algumas delas, enquanto tamb\u00e9m tentava negociar um acordo; em fevereiro de 2026, Trump aumentou unilateralmente a multa de Harvard por \u201cantissemitismo\u201d de US$ 200 milh\u00f5es para um bilh\u00e3o de d\u00f3lares<sup>16<\/sup>.<\/p>\n<p>A campanha contra o \u201cantissemitismo\u201d nos campi universit\u00e1rios coincidiu com o ataque do governo contra imigrantes. Enquanto as universidades eram retratadas como focos de sentimento antijudaico e judeus e israelenses eram pintados como v\u00edtimas, palestinos e seus apoiadores foram apresentados como perseguidores, substituindo os demonizados \u201cvermelhos\u201d da d\u00e9cada de 1950, e passaram a ser alvos de deporta\u00e7\u00e3o. Idealizada por Stephen Miller e executada pela mesma \u201clideran\u00e7a\u201d do ICE (Servi\u00e7o de Imigra\u00e7\u00e3o e Alf\u00e2ndega dos EUA) que mais tarde defendeu os assassinatos de dois manifestantes em Minneapolis, a t\u00e1tica agora abrangia o sequestro de estudantes estrangeiros de pele escura por policiais de imigra\u00e7\u00e3o mascarados, bem como a extors\u00e3o financeira de institui\u00e7\u00f5es de ensino. Nessa vers\u00e3o filossemita, o virulento antiesquerdismo do macartismo original fundiu-se com o racismo expl\u00edcito.<\/p>\n<p>Os efeitos nos EUA foram significativos. O equil\u00edbrio percebido entre for\u00e7a e consentimento, que Gramsci considerava a marca da hegemonia democr\u00e1tico-burguesa, foi inclinado a favor do \u201cl\u00edder\u201d, que descaradamente despreza o consentimento e brande a amea\u00e7a da for\u00e7a \u2013 coer\u00e7\u00e3o financeira, processo judicial, deten\u00e7\u00e3o, deporta\u00e7\u00e3o \u2013 respaldada pela pr\u00f3pria for\u00e7a. A autonomia relativa da sociedade civil foi diminu\u00edda; centros de forma\u00e7\u00e3o de opini\u00e3o que antes se consideravam independentes do Estado agora demonstram sua subservi\u00eancia a ele. Se perguntarmos o que possibilitou essa mudan\u00e7a crucial, fica claro que o ar\u00edete mais potente no arsenal trumpista foi a acusa\u00e7\u00e3o de \u201cantissemitismo\u201d<sup>17<\/sup>. Hoje, al\u00e9m disso, o macartismo filossemita nos EUA \u00e9 abertamente islamof\u00f3bico. Desde o in\u00edcio, a no\u00e7\u00e3o de \u201cciviliza\u00e7\u00e3o judaico-crist\u00e3\u201d excluiu os mu\u00e7ulmanos, mesmo admitindo os judeus como parceiros minorit\u00e1rios; mas o islamismo conservador havia sido um parceiro potencial contra a \u201camea\u00e7a vermelha\u201d. Com a aus\u00eancia deste \u00faltimo, o Isl\u00e3 poderia ser considerado a principal amea\u00e7a aos valores ocidentais, agora redefinidos pelo apelo a \u201cAuschwitz\u201d. Nesta vers\u00e3o do macartismo, a designa\u00e7\u00e3o \u00e9 mais el\u00e1stica do que nunca, englobando palestinos, mu\u00e7ulmanos, \u00e1rabes, persas e imigrantes de pele escura de todas as origens para atacar o bode expiat\u00f3rio <em>do momento<\/em>. \u00c0 medida que uma comunidade demonizada \u00e9 associada a outra, nacionalistas palestinos seculares s\u00e3o agrupados com \u201cterroristas do Hamas\u201d e mul\u00e1s iranianos \u2014 todos supostamente movidos por um antissemitismo que leva inexoravelmente a um segundo Auschwitz. Mas, em sua segunda vinda, esse apelo para defender a \u201cciviliza\u00e7\u00e3o judaico-crist\u00e3\u201d cheira a farsa, exemplificada pela belicosidade caricatural do v\u00eddeo postado pelo \u201cSecret\u00e1rio de Guerra\u201d de Trump, que misturou o \u00e1udio de Hegseth entoando a Ora\u00e7\u00e3o do Senhor com um v\u00eddeo de \u201cm\u00edsseis sendo disparados, navios de guerra navegando e paraquedistas caindo do c\u00e9u\u201d<sup>18<\/sup>. De maneira semelhante, Trump rejeitou os nomes propostos pelo Pent\u00e1gono para o ataque dos EUA ao Ir\u00e3 por consider\u00e1-los excessivamente insossos e o \u201cbatizou\u201d, ao estilo da Marvel Comics, de \u201cF\u00faria \u00c9pica\u201d. Aqui tamb\u00e9m, no n\u00edvel geopol\u00edtico, os esfor\u00e7os para (re)estabelecer a hegemonia dos EUA em bases morais degeneram na afirma\u00e7\u00e3o bruta da for\u00e7a, acompanhada de bravatas pueris.<\/p>\n<h2>3.<\/h2>\n<p>Se estas s\u00e3o algumas das maneiras pelas quais o \u201cevento mundial\u201d de Gaza reverberou na Alemanha e nos Estados Unidos, ele tamb\u00e9m constituiu uma crise de identidade hist\u00f3rica para os judeus do s\u00e9culo XXI. Nesse processo, reabriu antigas fissuras inerentes \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o judaica. Diferentemente de outros monote\u00edsmos, o juda\u00edsmo se baseia na ideia de uma \u00fanica divindade que \u00e9, ao mesmo tempo, o deus de todos e o senhor de um \u201cpovo escolhido\u201d \u2014 portanto, simultaneamente universal e tribal. Aqueles que se identificam como judeus sempre tiveram que lidar com essa ambiguidade. Mas \u201cGaza como um evento mundial\u201d coloca o problema em evid\u00eancia novamente, de forma mais aguda. A quest\u00e3o crucial para os judeus da di\u00e1spora \u00e9 como se relacionar com Israel \u2014 um tema que divide profundamente a comunidade. De um lado, est\u00e1 o n\u00famero crescente de pessoas que, revoltadas com o genoc\u00eddio patrocinado pelo Estado, est\u00e3o se tornando antissionistas e se juntando a grupos como a Voz Judaica pela Paz e N\u00e3o em Nosso Nome, que usam sua pr\u00f3pria identidade judaica como plataforma para se opor ao \u201cEstado Judeu\u201d. Ao fazer isso, eles invocam a no\u00e7\u00e3o de um \u201coutro juda\u00edsmo\u201d, mas o que isso significa exatamente n\u00e3o est\u00e1 claro. O pr\u00f3prio antissionismo constitui essa identidade? Ou eles se referem a um sentido mais concreto de \u201cjuda\u00edsmo\u201d \u2014 religioso, cultural, pol\u00edtico?<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria do juda\u00edsmo oferece uma gama de modelos de identidade judaica, tanto n\u00e3o sionistas quanto antissionistas. Uma pequena amostra incluiria as correntes ortodoxas que se opuseram \u00e0 funda\u00e7\u00e3o do Estado sionista desde o in\u00edcio, considerando-a uma forma de \u201cidolatria\u201d que se antecipava ao Messias; as correntes reformistas para quem os judeus n\u00e3o s\u00e3o um \u201cpovo\u201d etnonacional, mas uma comunidade baseada na f\u00e9; os judeus palestinos e \u00e1rabes do \u201cYishuv\u201d pr\u00e9-1948 que se uniram a mu\u00e7ulmanos e crist\u00e3os para se oporem aos assentamentos sionistas; o movimento de massa dos bundistas na Pol\u00f4nia e na R\u00fassia que rejeitaram o sionismo como derrotista e burgu\u00eas, em favor da autonomia cultural judaica dentro de um Estado oper\u00e1rio multicultural, bem como os judeus n\u00e3o bundistas do Leste Europeu que insistiam que j\u00e1 possu\u00edam uma na\u00e7\u00e3o na Zona de Assentamento e uma l\u00edngua nacional, o i\u00eddiche; os judeus do Oriente M\u00e9dio e do Norte da \u00c1frica que viam o sionismo como uma extens\u00e3o do colonialismo europeu e elaboraram identidades judaico-\u00e1rabes; os leitores americanos do <em>Jewish Daily Forward <\/em>, que, assim como os bundistas, n\u00e3o viam contradi\u00e7\u00e3o entre lutar para construir o socialismo <em>in situ <\/em>e ser judeu; ou os \u201csionistas culturais\u201d como Buber, que se opunham \u00e0 funda\u00e7\u00e3o do Estado etnonacional colonialista. Todas essas tradi\u00e7\u00f5es est\u00e3o sendo reexaminadas hoje por aqueles que buscam uma identidade especificamente judaica desvinculada de Israel<sup>19<\/sup>.<\/p>\n<p>Outro caminho, mais austero, busca uma \u201cjudaicidade\u201d que n\u00e3o esteja enraizada na especificidade de um grupo. Semelhante ao que Deutscher chamou de \u201cjudeu n\u00e3o judeu\u201d, essa posi\u00e7\u00e3o \u00e9 universalista em todos os sentidos<sup>20<\/sup>. Embora origin\u00e1ria da experi\u00eancia judaica, sua ess\u00eancia transcende esse ponto de partida. Como a amante da beleza de Diotima no <em>Banquete de Plat\u00e3o <\/em>, essa judia se desfaz da particularidade de onde partiu ao alcan\u00e7ar seu \u201cconceito purificado\u201d ao final da jornada. Voltada para o exterior em vez de voltada para si mesma, ela \u00e9 solid\u00e1ria e aberta aos outros. Essa perspectiva atrai, especialmente, judeus assimilados como eu. Mas o termo de Deutscher apresenta um problema. O que, afinal, distingue o \u201cjudeu n\u00e3o judeu\u201d do \u201cn\u00e3o judeu\u201d de esquerda, cujo universalismo \u00e9tico ela compartilha? Ser\u00e1 que sua compreens\u00e3o de ser produto de uma tradi\u00e7\u00e3o complexa e internamente dividida \u00e9 suficiente para sustentar uma identidade judaica distinta? Ou ser\u00e1 que a formula\u00e7\u00e3o de Deutscher \u00e9 uma etapa no caminho para a dissolu\u00e7\u00e3o completa da identidade judaica \u2014 e seria isso algo t\u00e3o terr\u00edvel? As escolhas aqui ainda precisam ser feitas. Mas a conclus\u00e3o fundamental para praticamente todos os judeus antissionistas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ordem moral centrada em Auschwitz \u00e9 clara. Longe de interpretar o juda\u00edsmo nazista como um evento \u00fanico e incompar\u00e1vel, n\u00f3s o situamos dentro da longa e terr\u00edvel lista de genoc\u00eddios hist\u00f3ricos, incluindo aquele que est\u00e1 sendo perpetrado atualmente por Israel. Para esse tipo de judeu, \u201cnunca mais\u201d \u00e9 interpretado literalmente, categoricamente e universalmente: nunca mais, por ningu\u00e9m, para ningu\u00e9m. Ponto final.<\/p>\n<p>Judeus sionistas na di\u00e1spora tamb\u00e9m enfrentam uma crise de identidade, mas acreditam que podem resolv\u00ea-la refor\u00e7ando sua posi\u00e7\u00e3o sobre Auschwitz e Israel. Nos Estados Unidos, eles est\u00e3o aliados a nacionalistas crist\u00e3os de direita que t\u00eam sua pr\u00f3pria vis\u00e3o do que significa ser um povo escolhido. Para muitos destes, \u201cTornar a Am\u00e9rica Grande Novamente\u201d significa reformular a imagem do pa\u00eds como uma na\u00e7\u00e3o branca e crist\u00e3 e derrotar aqueles que pretendem \u201csubstitu\u00ed-los\u201d: portanto, impedir a \u201cinvas\u00e3o\u201d de imigrantes e deportar o m\u00e1ximo poss\u00edvel. Por enquanto, pelo menos, alguns nacionalistas crist\u00e3os est\u00e3o dispostos a incluir judeus sionistas em sua coaliz\u00e3o \u201cjudaico-crist\u00e3\u201d e a aceit\u00e1-los como \u201cbrancos\u201d. Mas sua teologia sugere um cen\u00e1rio diferente, menos acolhedor. Para eles, Israel \u00e9 a terra onde todos os judeus devem ser reunidos para que Cristo retorne e estabele\u00e7a Seu Reino na Terra; quem se recusar a se converter enfrentar\u00e1 o tormento eterno no Inferno, enquanto os crist\u00e3os s\u00e3o arrebatados para o C\u00e9u. Assim, essa forma de filosemitismo mal disfar\u00e7a seu antissemitismo subjacente. Longe de aceitar os judeus sionistas como pessoas genu\u00ednas, ela converge, no fim das contas, com o antissemitismo declarado daqueles que marcharam em Charlottesville em agosto de 2017, entoando \u201cOs judeus n\u00e3o nos substituir\u00e3o\u201d, e dos grupos de jovens republicanos que compartilhavam \u201cpiadas\u201d sobre c\u00e2maras de g\u00e1s e elogios a Hitler em seus chats. (Cabe ressaltar que a nova direita \u00e9 o \u00fanico segmento da sociedade americana onde o antissemitismo est\u00e1 realmente em ascens\u00e3o.)<\/p>\n<p>Os judeus israelenses tamb\u00e9m enfrentam uma crise de identidade, quer tenham consci\u00eancia disso ou n\u00e3o: como conciliar seu apoio ao genoc\u00eddio em Gaza, ou pelo menos sua aquiesc\u00eancia a ele, com uma identidade centrada no Holocausto, baseada no imperativo \u00e9tico \u201cnunca mais\u201d \u2014 o cerne da \u201ceduca\u00e7\u00e3o sobre o Holocausto\u201d, inculcada em todas as escolas e museus do pa\u00eds. At\u00e9 agora, a contradi\u00e7\u00e3o entre a proibi\u00e7\u00e3o universal do genoc\u00eddio e sua perpetra\u00e7\u00e3o pelo Estado israelense tem sido administrada por meio de uma esp\u00e9cie de il\u00f3gica modal com nuances temporais \u2014 <em>porque <\/em>fomos v\u00edtimas no<em> <\/em>passado, <em>n\u00e3o podemos <\/em>ser os perpetradores agora \u2014 apoiados por uma forma mais dura de militarismo nacionalista: aprendemos da maneira mais dif\u00edcil o custo de n\u00e3o revidar; ent\u00e3o agora, atacamos preventivamente, livrando \u201cnossa terra\u201d dos palestinos, exterminando-os antes que eles nos exterminem. Benjamin Netanyahu expressou essa ideia em rela\u00e7\u00e3o ao Ir\u00e3: enquanto os judeus eram \u201cca\u00e7ados e massacrados\u201d na era nazista, hoje \u201cn\u00f3s somos os que ca\u00e7amos nossos inimigos\u201d. Ele acrescentou que, se Israel n\u00e3o tivesse atacado o Ir\u00e3, \u201cos nomes Isfahan, Natanz, Fordow e Bushehr\u201d \u2014 locais nucleares iranianos bombardeados \u2014 \u201cseriam lembrados como Auschwitz, Majdanek e Sobibor\u201d. Para muitos israelenses, \u201cnunca mais\u201d agora significa algo novo: nunca mais <em>contra<\/em> <em>n\u00f3s<sup>21<\/sup>.<\/em><\/p>\n<p>Aqui, o judeu como v\u00edtima se transforma no \u201cjudeu dur\u00e3o\u201d que se recusa a ser conduzido passivamente \u00e0 c\u00e2mara de g\u00e1s; que luta com todas as armas imagin\u00e1veis e vence a qualquer custo<sup>22<\/sup>. Essa ideia \u2014 antes \u00e9ramos v\u00edtimas, agora somos guerreiros \u2014 ganhou forma material no projeto do Centro Mundial de Mem\u00f3ria do Holocausto Yad Vashem, em Jerusal\u00e9m, que conduz os visitantes da experi\u00eancia dos judeus supostamente covardes e vitimados da Europa Oriental aos dur\u00f5es Sabras que se reapropriaram da antiga p\u00e1tria, fundaram o moderno Estado de Israel e constru\u00edram sua m\u00e1quina de matar<sup>23<\/sup>. Esse \u201cjudeu dur\u00e3o\u201d me apareceu naquela mensagem de Israel sobre minha inclus\u00e3o na lista negra de Col\u00f4nia: \u201cNem mesmo os descendentes de nazistas te suportam, vadia Kapo\u201d. O autor dessas dez palavras constr\u00f3i os cr\u00edticos judeus de Israel como <em>Kapos <\/em>, erroneamente retratados como colaboradores n\u00e3o coagidos que merecem o desprezo compartilhado de \u201cjudeus de verdade\u201d e \u201cdescendentes de nazistas\u201d. Da mesma forma, o autor transforma as v\u00edtimas palestinas em perpetradores nazistas e os perpetradores israelenses primeiro em v\u00edtimas e depois em guerreiros. Reaproveitando a cartilha alem\u00e3 para elevar a autoestima <em>israelense<\/em>, ele propaga uma narrativa falsa sobre o passado a fim de ocultar um genoc\u00eddio real em curso no presente. Por fim, ele coroa toda a constru\u00e7\u00e3o com uma misoginia de valent\u00e3o.<\/p>\n<p>O que se passar\u00e1 com a identidade judaica dentro de Israel? Ser\u00e1 que intensificar o tribalismo truculento \u00e9 agora a \u00fanica estrat\u00e9gia dispon\u00edvel? Um sionismo \u201cliberal-universalista\u201d p\u00f3s-Netanyahu pode ter alguma credibilidade agora, parafraseando Adorno, \u201cdepois de Gaza\u201d<sup>24<\/sup>? Ou Israel precisa deixar de existir como um \u201cEstado judeu\u201d para que os judeus que agora s\u00e3o seus cidad\u00e3os mantenham um senso de juda\u00edsmo com o qual possam conviver? O que est\u00e1 claro \u00e9 que a ordem governante de Israel criou novas dificuldades para eles. Primeiro, a rela\u00e7\u00e3o com a di\u00e1spora est\u00e1 amplamente rompida. Os judeus israelenses est\u00e3o agora isolados de grande parte da \u201ccomunidade judaica global\u201d, grande parte da qual est\u00e1 se tornando antissionista<sup>25<\/sup>. Igualmente question\u00e1vel \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o dos judeus israelenses com as futuras gera\u00e7\u00f5es, incluindo seus pr\u00f3prios filhos, a quem sobrecarregaram com uma culpa monstruosa. O que dir\u00e3o quando seus netos exigirem explica\u00e7\u00f5es sobre <em>esse <\/em>genoc\u00eddio \u2014 n\u00e3o o que os judeus sofreram no s\u00e9culo XX, mas o que eles perpetraram no s\u00e9culo XXI? Israel agora \u00e9 um p\u00e1ria, repudiado em grande parte do mundo, e provavelmente continuar\u00e1 sendo por muito tempo. Para os judeus israelenses, Gaza tamb\u00e9m representa um ponto de virada hist\u00f3rico.<\/p>\n<h2>4.<\/h2>\n<p>Ao analisar os significados de Gaza como um evento mundial nesses contextos interligados \u2014 Alemanha, EUA e a comunidade judaica mundial \u2014 revela-se que, em cada caso, as acusa\u00e7\u00f5es de antissemitismo est\u00e3o intrinsecamente ligadas a invers\u00f5es de pap\u00e9is entre v\u00edtima e agressor e a falsas interpreta\u00e7\u00f5es do passado, arquitetadas para obscurecer a verdade e evadir a responsabilidade. Em todos os casos, tamb\u00e9m, \u201cGaza\u201d surge como o sinal de uma ruptura na ordem moral do Ocidente \u2014 tendendo a substituir \u201cAuschwitz\u201d como o novo emblema da atrocidade humana. A lista poderia ser estendida ao Reino Unido, onde o primeiro-ministro Keir Starmer, com o apoio do <em>establishment<\/em>, imp\u00f4s uma vers\u00e3o punitiva do macartismo filossemita ao Partido Trabalhista, expulsando seu antecessor de esquerda na lideran\u00e7a trabalhista, Jeremy Corbyn, e criminalizando o apoio ao grupo de solidariedade, Palestine Action. Na Fran\u00e7a, t\u00e1ticas compar\u00e1veis do <em>establishment<\/em> contra Jean-Luc M\u00e9lenchon e La France Insoumise mostraram-se (at\u00e9 o momento) menos eficazes.<\/p>\n<p>Mas tamb\u00e9m devemos considerar o significado de Gaza para as regi\u00f5es do mundo que sempre estiveram al\u00e9m da ordem moral ocidental centrada em Auschwitz, tal como foi constru\u00edda no p\u00f3s-guerra \u2014 aquelas que, justificadamente, viam o genoc\u00eddio nazista como um problema europeu, enquanto tinham suas pr\u00f3prias atrocidades para enfrentar, seja como v\u00edtimas, como perpetradores ou como ambos. Um caso complexo \u00e9 o do Jap\u00e3o. Conhe\u00e7o muito pouco sobre o pa\u00eds para fazer qualquer afirma\u00e7\u00e3o definitiva, mas tenho perguntas. Fiquei impressionado em Kyoto com a extens\u00e3o da solidariedade \u00e0 Palestina que encontrei e com a aparente aus\u00eancia de um macartismo filossemita, apesar do pr\u00f3-americanismo quase universal. Certamente, a relativa aus\u00eancia de judeus faz parte da hist\u00f3ria. Mas eu estava curiosa para saber o que mais poderia estar em jogo, incluindo a pr\u00f3pria psicodin\u00e2mica japonesa de vitimiza\u00e7\u00e3o e o acerto de contas (ou n\u00e3o) com seu passado. Houve, sem d\u00favida, os crimes cometidos pelo Jap\u00e3o Imperial em suas conquistas de Taiwan, Coreia, Manch\u00faria e uma grande faixa da China, onde a quest\u00e3o dos pedidos de desculpas \u2014 oferecidos ou negados, aceitos ou rejeitados \u2014 ainda paira no ar. Mas havia tamb\u00e9m a quest\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o do Jap\u00e3o com o pa\u00eds que lan\u00e7ou duas bombas at\u00f4micas sobre ele, matando cerca de um quarto de milh\u00e3o de pessoas \u2014 n\u00e3o para vencer a II Guerra, que j\u00e1 havia sido vencida, mas para ganhar vantagem na Guerra Fria, que estava apenas come\u00e7ando \u2014 e que depois o reconstruiu como seu aliado no Leste Asi\u00e1tico (anti-China), enquanto dependia de seu aliado no Oriente M\u00e9dio para garantir seu fornecimento de petr\u00f3leo. Como o pr\u00f3-Palestinismo se concilia com o pr\u00f3-Americanismo nesse contexto?<\/p>\n<h2>5.<\/h2>\n<p>A Palestina continua sendo, obviamente, o epicentro de Gaza como evento mundial. Os palestinos s\u00e3o, ao mesmo tempo, seus sujeitos \u2014 dramaticamente mais aud\u00edveis e vis\u00edveis agora, no cen\u00e1rio mundial \u2014 e seus objetos, como alvos israelenses; pois o pr\u00f3prio fato do aumento da aten\u00e7\u00e3o global \u00e0 situa\u00e7\u00e3o dos palestinos leva os sionistas a novos patamares de repress\u00e3o alimentada pela raiva. A resultante \u2013 enquanto alguns trabalham para silenciar as vozes palestinas, outros lutam para amplific\u00e1-las \u2013 \u00e9 uma guerra de palavras, bem como de armas; n\u00e3o sobre se os subalternos podem falar \u2014 os palestinos sempre falaram \u2014, mas sobre se, e qu\u00e3o amplamente, eles podem ser ouvidos.<\/p>\n<p>Para os palestinos, \u201cGaza\u201d possui m\u00faltiplos significados contradit\u00f3rios: danos materiais massivos e, ao mesmo tempo, maior visibilidade p\u00fablica; repress\u00e3o intensificada e apoio crescente; desespero e esperan\u00e7a. Essa \u00e9 a mensagem transmitida em diversos registros pela profus\u00e3o de obras recentes, incluindo obras de fic\u00e7\u00e3o narrativa aclamadas como <em>Terra e C\u00e9u,<\/em><em> de Sahar Khalifeh <\/em>(2014); <em>Uma M\u00e1scara da Cor do C\u00e9u,<\/em><em> de Basem Khandaqji <\/em><em>(2023); Entrar, Fantasma, <\/em>de Isabella Hammad (2024); <em>A Cidade dos Incendi\u00e1rios <\/em>, de Hala Alyan (2021); e <em>A Terceira Margem do Rio Jord\u00e3o, <\/em>de Hussein Barghouthi (2026). A quest\u00e3o em aberto \u00e9 se essa mistura desconcertante de perda material e ganho moral pode ser transformada em uma eventual vit\u00f3ria pol\u00edtica.<\/p>\n<p>\u201cGaza\u201d, como j\u00e1 sugeri aqui, sinaliza muitas coisas, mas principalmente a crise da ordem moral do Ocidente. Se agora pode substituir \u201cAuschwitz\u201d como o s\u00edmbolo reinante da atrocidade humana, ser\u00e1 que \u201cGaza\u201d tamb\u00e9m cont\u00e9m o princ\u00edpio da esperan\u00e7a \u2014 da solidariedade e da justi\u00e7a social, da autodetermina\u00e7\u00e3o e da reconstru\u00e7\u00e3o, da repara\u00e7\u00e3o e do cuidado com o planeta?<\/p>\n<p>1Francesca Albanese, \u2018Genoc\u00eddio como Apagamento Colonial: Relat\u00f3rio da Relatora Especial sobre a Situa\u00e7\u00e3o dos Direitos Humanos nos Territ\u00f3rios Palestinos Ocupados desde 1967\u2019, apresentado \u00e0 Assembleia Geral da ONU em 1 de outubro de 2024; Kaouther Ben Hania, <em>A Voz de Hind Rajab, <\/em>2025; Refaat Alareer, <em>Se Eu Tiver Que Morrer: Poesia e Prosa <\/em>, Nova York, 2025; Rashid Khalidi, \u2018\u201cUm Novo Abismo\u201d: Gaza e a Guerra dos Cem Anos contra a Palestina\u2019, <em>Guardian, <\/em>11 de abril de 2024; Rabea Eghbariah, \u2018Em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Nakba como um Conceito Jur\u00eddico\u2019, <em>Columbia Law Review <\/em>, vol. 124, n\u00ba 4, maio de 2024.<\/p>\n<p>2O <em>locus classicus <\/em>\u00e9 Peter Novick, <em>The Holocaust in American Life <\/em>, Nova Iorque, 1999.<\/p>\n<p>33 \u2018Carta Aberta\u2019, 1 de novembro de 2023, no site Philosophy for Palestine. Veja tamb\u00e9m \u2018Retirada da C\u00e1tedra Albertus Magnus 2024: Declara\u00e7\u00e3o\u2019, Universidade de Col\u00f4nia, 8 de abril de 2024.<\/p>\n<p>4Albanese, \u2018Genoc\u00eddio como apagamento colonial\u2019.<\/p>\n<p>5Susan Neiman, \u2018Acerto de Contas Hist\u00f3rico Descontrolado\u2019, <em>nyrb <\/em>, 19 de outubro de 2023.<\/p>\n<p>6Um consenso suficiente para provocar uma rea\u00e7\u00e3o por parte dos historiadores conservadores, liderados por Ernst Nolte, que rejeitaram a no\u00e7\u00e3o de que o programa de exterm\u00ednio nazista n\u00e3o pudesse ser comparado a outros genoc\u00eddios. A <em>Historikerstreit, <\/em>por sua vez, levou a um endurecimento do consenso de que o Judeuc\u00eddio era de fato incompar\u00e1vel, uma posi\u00e7\u00e3o defendida por J\u00fcrgen Habermas. Neiman examinou isso em * <em>Learning from the Germans: Confronting Race and the Memory of Evil* (Aprendendo com os Alem\u00e3es: Confrontando Ra\u00e7a e a Mem\u00f3ria do Mal) <\/em>, Nova York, 2019.<\/p>\n<p>7Neiman, \u2018Acerto de Contas Hist\u00f3rico Descontrolado\u2019.<\/p>\n<p>8Nicole Deitelhoff, Rainer Forst, Klaus G\u00fcnther e J\u00fcrgen Habermas, \u2018Princ\u00edpios da Solidariedade. Uma Declara\u00e7\u00e3o\u2019, 13 de novembro de 2023; dispon\u00edvel no site do Centro de Pesquisa de Ordens Normativas da Universidade Goethe de Frankfurt. Embora Habermas e seus colegas tenham emitido sua declara\u00e7\u00e3o em nome da \u2018solidariedade\u2019, ele se recusou, meses depois, a assinar uma carta aberta protestando contra minha inclus\u00e3o na lista negra da Universidade de Col\u00f4nia. Solidariedade com quem e com base em qu\u00ea? Tendo aprendido muito com Habermas no passado, d\u00f3i-me escrever isto sobre ele. Para mais reflex\u00f5es, veja \u2018Depois de Habermas\u2019, Blog lrb, 25 de mar\u00e7o de 2026.<\/p>\n<p>9Esses pontos foram levantados na refuta\u00e7\u00e3o da declara\u00e7\u00e3o dos \u2018Princ\u00edpios de Solidariedade\u2019, publicada no <em>Guardian <\/em>uma semana depois. Veja Adam Tooze, Samuel Moyn, Amia Srinivasan, Nancy Fraser <em>et al <\/em>., \u2018O Princ\u00edpio da Dignidade Humana Deve Aplicar-se a Todos os Povos\u2019, <em>Guardian <\/em>, 22 de novembro de 2023.<\/p>\n<p>10Por exemplo, mais de 130 acad\u00eamicos alem\u00e3es e internacionais assinaram uma declara\u00e7\u00e3o de solidariedade protestando contra a ac\u00e7\u00e3o da Universidade de Col\u00f3nia. Ver \u2018Declara\u00e7\u00e3o sobre a retirada da nomea\u00e7\u00e3o de Nancy Fraser para a c\u00e1tedra Albertus Magnus na Universidade de Col\u00f4nia\u2019, 5 de abril de 2024, dispon\u00edvel no site da Teoria Cr\u00edtica em Berlim. Ver tamb\u00e9m Hanno Hauenstein, \u00abNancy Fraser \u00fcber Ausladung von Uni K\u00f6ln\u00bb, <em>Frankfurter Rundschau <\/em>, 11 de abril de 2024; Elisabeth von Thadden, \u2018Ich bin kein Staat! Ich bin ein freier Mensch!\u2019, <em>Die Zeit <\/em>, 9 de abril de 2024.<\/p>\n<p>11K. Healan Gaston, <em>Imaginando a Am\u00e9rica judaico-crist\u00e3: religi\u00e3o, secularismo e a redefini\u00e7\u00e3o da democracia <\/em>, Chicago 2019.<\/p>\n<p>12Foi um juiz judeu-americano, Irving R. Kaufman, quem condenou Ethel e Julius Rosenberg \u00e0 morte por eletrocu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>13Agrade\u00e7o a Eli Zaretsky por sugerir este ponto.<\/p>\n<p>14O filme de Ali Abbasi de 2024, <em>The Apprentice, <\/em>\u00e9 uma dramatiza\u00e7\u00e3o evocativa da rela\u00e7\u00e3o entre Cohn e Trump.<\/p>\n<p>15Alan Blinder, \u2018Como as universidades est\u00e3o respondendo a Trump\u2019, <em>nyt <\/em>, 5 de fevereiro de 2026; Alan Blinder e Michael Bender, \u2018O bilion\u00e1rio por tr\u00e1s do acordo de Trump para as universidades\u2019, <em>nyt <\/em>, 3 de outubro de 2025. Duas universidades da Ivy League foram poupadas: Dartmouth College e Yale, que responderam reprimindo preventivamente os estudantes pr\u00f3-Palestina: Asher Boiskin e Isobel McClure, \u2018Yale poupada por enquanto dos cortes punitivos de financiamento da Ivy League feitos por Trump\u2019, <em>Yale Daily News <\/em>, 17 de maio de 2025; \u2018Como uma universidade da Ivy League evitou a ira do presidente\u2019, <em>Economist <\/em>, 1 de maio de 2025.<\/p>\n<p>16Michael Bender e Alan Binder, \u2018Administra\u00e7\u00e3o Trump mira Harvard com duas novas investiga\u00e7\u00f5es\u2019, <em>nyt <\/em>, 23 de mar\u00e7o de 2026.<\/p>\n<p>17Tal como os comiss\u00e1rios antissemitas da Alemanha, Trump presume pronunciar-se sobre quem \u00e9 e quem n\u00e3o \u00e9 um judeu de verdade. Trump n\u00e3o hesitou em decretar quais judeus s\u00e3o \u201cest\u00fapidos\u201d \u2014 nomeadamente, aqueles que votaram em Zohran Mamdani nas elei\u00e7\u00f5es para prefeito de Nova Iorque em 2025. A vit\u00f3ria deste \u00faltimo exp\u00f4s de forma reveladora os limites populares do macartismo filossemita numa cidade que \u00e9 uma meca para imigrantes, bem como lar de cerca de um milh\u00e3o de judeus, a maior comunidade judaica fora de Israel. Al\u00e9m disso, muito poucos se surpreenderam quando o novo prefeito tomou posse sobre um Alcor\u00e3o.<\/p>\n<p>18Greg Jaffe e Elizabeth Dias, \u2018Hegseth invoca prop\u00f3sito divino para justificar o poder militar\u2019, <em>nyt <\/em>, 20 de mar\u00e7o de 2026.<\/p>\n<p>19Agrade\u00e7o a Ashley Bohrer por insistir neste ponto. Para uma an\u00e1lise de modelos, veja Ben Lorber, \u2018Alternativas Judaicas ao Sionismo: Uma Hist\u00f3ria Parcial\u2019, <em>Jewish Voice for Peace <\/em>, 12 de janeiro de 2019. Para uma nova hist\u00f3ria do Bund Trabalhista Judaico, veja Molly Crabapple, <em>Here Where We Live Is Our Country: The Story of the Jewish Bund <\/em>, Londres, 2026, e a resenha de Sam Adler-Bell, \u2018\u201cPara Judeus de Esquerda, o Bund \u00e9 um Modelo\u201d: A Hist\u00f3ria Radical por Tr\u00e1s de um dos Maiores Movimentos Socialistas da Europa\u2019, <em>Guardian <\/em>, 7 de abril de 2026. Para uma an\u00e1lise ponderada dos dilemas inerentes a qualquer esfor\u00e7o para responder \u00e0 \u2018Quest\u00e3o Judaica\u2019, veja Joseph Dana, \u2018A Longa Sombra da \u201cQuest\u00e3o Judaica\u201d\u2019, <em>The Nation <\/em>, 16 de fevereiro de 2026.<\/p>\n<p>20Isaac Deutscher, \u2018O Judeu N\u00e3o-Judeu\u2019 (1958), em <em>O Judeu N\u00e3o-Judeu e Outros Ensaios <\/em>, Londres e Nova Iorque 2017.<\/p>\n<p>21Citado em David Halbfinger, \u2018Israelenses n\u00e3o se sentem muito como vencedores na guerra com o Ir\u00e3\u2019, <em>nyt <\/em>, 13 de abril de 2026.<\/p>\n<p>22Paul Breines, <em>Judeus Dur\u00f5es: Fantasias Pol\u00edticas e o Dilema Moral do Juda\u00edsmo Americano <\/em>, Nova York 1990.<\/p>\n<p>23Para informa\u00e7\u00f5es sobre a disposi\u00e7\u00e3o de Yad Vashem, veja Idith Zertal, \u2018The Bearers and the Burdens: Holocaust Survivors in Zionist Discourse\u2019, <em>Constellations <\/em>, vol. 5, n\u00ba 2, 1998. Para a vis\u00e3o de que os judeus da classe trabalhadora do Leste foram passivamente para a morte nos campos, veja Hannah Arendt, <em>Eichmann in Jerusalem <\/em>, Londres, 1963. Para uma refuta\u00e7\u00e3o vigorosa, argumentando que essa popula\u00e7\u00e3o, em m\u00e9dia, tinha la\u00e7os mais fortes com a milit\u00e2ncia de esquerda e era mais propensa a resistir do que os judeus alem\u00e3es \u2018respeit\u00e1veis\u2019 com os quais Arendt se identificava, veja Gertrude Ezorsky, \u2018Hannah Arendt against the Facts\u2019, <em>New Politics <\/em>, vol. 2, n\u00ba 4, 1963.<\/p>\n<p>24\u2018Escrever poesia depois de Auschwitz \u00e9 b\u00e1rbaro\u2019. Theodor Adorno, \u2018Cr\u00edtica Cultural e Sociedade\u2019 (1949), em <em>Prismas <\/em>, trad. Samuel e Sherry Weber, Cambridge ma 1981, p. 34.<\/p>\n<p>25Emoutubro de 2025, uma pesuisa do <em>Washington Post <\/em>entre judeus norte-americanos apurou que 61% julgam que Israel est\u00e1 cometendo crimes de guerra em Gaza, enquanto 39% acresditam que est\u00e1 cometendo genoc\u00eddio<\/p>\n<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. Se voc\u00ea valoriza nossa produ\u00e7\u00e3o, seja nosso apoiador e fortale\u00e7a o jornalismo cr\u00edtico: <strong>apoia.se\/outraspalavras<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>The post Nancy Fraser: Gaza e o colapso do Ocidente appeared first on Outras Palavras.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/explosao-em-mesquita-deixa-ao-menos-oito-mortos-na-siria\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/g9fpox7wwaarq4d-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Explos\u00e3o em mesquita deixa ao menos oito mortos na...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/simon-bolivar-nasceu-em-24-de-julho-conheca-a-historia-do-libertador\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Sorteio-das-Oitavas-de-Final-CONMEBOL-Libertadores-sudamericanabr-e1748879036904-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Sim\u00f3n Bol\u00edvar nasceu em 24 de julho: conhe\u00e7a a his...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/pl-antifaccao-do-governo-federal-corre-risco-de-desconfiguracao-em-relatorio-e-gera-reacao-derrite-recua\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/image-37-150x150.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">PL Antifac\u00e7\u00e3o\u00a0do\u00a0Governo\u00a0Federal\u00a0corre risco de de...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/apos-ataques-israelenses-ao-ira-hezbollah-descarta-retaliar-israel\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/libanews-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Ap\u00f3s ataques israelenses ao Ir\u00e3, Hezbollah descart...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Genoc\u00eddio substituir\u00e1 Auschwitz, como s\u00edmbolo m\u00e1ximo da barb\u00e1rie. Em seu rastro, regimes liberais desmascaram-se, ao se perderam em repress\u00e3o e racismo. Oxal\u00e1 esta desconstru\u00e7\u00e3o possa, um dia, favorecer os palestinos e outra ordem mundial<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/nancy-fraser-gaza-e-o-colapso-do-ocidente\/\">Nancy Fraser: Gaza e o colapso do Ocidente<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":86177,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[463,5105,13,5511,54922,54923,54924,25454,394,2859,325,2929,5700,1237,54925,54926,1141,54,3307,2441,7173],"tags":[],"class_list":["post-86176","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-alemanha","category-antissemitismo","category-barbarie","category-capa","category-comunidades-judaicas","category-cruse-do-ocidente","category-democracais","category-democracias-em-crise","category-estados-unidos","category-feminismo","category-genocidio","category-genocidio-em-gaza","category-geopolitica-guerra","category-japao","category-mundo-jyudaico","category-nancy-fraser","category-ocidente","category-palestina","category-palestina-ocupada","category-sionismo","category-ultradireita"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/86176","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=86176"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/86176\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/86177"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=86176"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=86176"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=86176"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}