{"id":86248,"date":"2026-05-06T17:35:33","date_gmt":"2026-05-06T20:35:33","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/para-ir-alem-da-critica-ao-lulismo\/"},"modified":"2026-05-06T17:35:33","modified_gmt":"2026-05-06T20:35:33","slug":"para-ir-alem-da-critica-ao-lulismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/para-ir-alem-da-critica-ao-lulismo\/","title":{"rendered":"Para ir al\u00e9m da cr\u00edtica ao lulismo"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1500\" height=\"1000\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/AdobeStock_321482255-2048x1366.jpeg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/05\/06173255\/AdobeStock_321482255-1500x1000.jpeg 1500w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/05\/06173255\/AdobeStock_321482255-300x200.jpeg 300w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/05\/06173255\/AdobeStock_321482255-768x512.jpeg 768w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/05\/06173255\/AdobeStock_321482255-1536x1024.jpeg 1536w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/AdobeStock_321482255-2048x1366.jpeg 2048w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/05\/06173255\/AdobeStock_321482255-272x182.jpeg 272w\" sizes=\"auto, (max-width: 1500px) 100vw, 1500px\"><figcaption>Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Project HEAL<\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Este texto retoma um percurso iniciado em duas pe\u00e7as j\u00e1 publicadas em <em>Outras Palavras<\/em>, na se\u00e7\u00e3o Estado em Disputa. Em \u201c2026: por que n\u00e3o basta apenas vencer elei\u00e7\u00f5es\u201d, publicado em 18 de mar\u00e7o, sustentei que vit\u00f3rias eleitorais, por si s\u00f3s, n\u00e3o reorganizam a base social do pa\u00eds nem desfazem automaticamente a presen\u00e7a material do advers\u00e1rio na vida cotidiana. Em \u201cO perigo n\u00e3o \u00e9 a repeti\u00e7\u00e3o de Bolsonaro, \u00e9 sua adapta\u00e7\u00e3o\u201d, publicado em 16 de abril, avancei um passo: o problema j\u00e1 n\u00e3o era apenas a insufici\u00eancia da vit\u00f3ria institucional, mas a capacidade ativa da direita de recalibrar linguagem, ajustar forma, ampliar circula\u00e7\u00e3o e ocupar materialmente a vida social sem abandonar seu n\u00facleo regressivo.<\/p>\n<p>Lidos em sequ\u00eancia, os dois textos conduzem a uma pergunta inc\u00f4moda: se a pol\u00edtica n\u00e3o se decide apenas no plano eleitoral, e se a direita vem demonstrando capacidade crescente de ocupar a vida concreta com intelig\u00eancia e persist\u00eancia, por que parte importante da esquerda brasileira continua lendo esse processo de maneira t\u00e3o insuficiente? \u00c9 para responder a isso que esta pe\u00e7a existe. Ela n\u00e3o entra ainda na demonstra\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica mais detalhada, nem na nomea\u00e7\u00e3o final da configura\u00e7\u00e3o que pretendo criticar adiante. Sua fun\u00e7\u00e3o \u00e9 outra: identificar um v\u00edcio de leitura que atravessa parte da cr\u00edtica contempor\u00e2nea ao lulismo e que, a meu ver, enfraquece ao mesmo tempo a explica\u00e7\u00e3o da ascens\u00e3o da extrema direita e a capacidade de construir alternativa real no presente.<\/p>\n<p>Esse v\u00edcio muda de linguagem, de repert\u00f3rio e de temperatura, mas seu n\u00facleo permanece reconhec\u00edvel. Refiro-me \u00e0 leitura segundo a qual o lulismo, por ter conciliado demais, administrado demais e radicalizado de menos, deve ser compreendido n\u00e3o apenas como experi\u00eancia historicamente limitada, mas como um dos fatores centrais da emerg\u00eancia posterior da extrema direita brasileira. A modera\u00e7\u00e3o petista teria preservado justamente as condi\u00e7\u00f5es que, depois, permitiram o florescimento do bolsonarismo.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/14-1-6.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/14-1-6.png 680w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2025\/12\/04164350\/14-1-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>N\u00e3o se trata de absolver o petismo por reflexo. O lulismo teve, sim, limites profundos. Operou por media\u00e7\u00f5es, n\u00e3o rompeu com os centros efetivos do poder econ\u00f4mico, conviveu com a financeiriza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o desmontou o poder olig\u00e1rquico e n\u00e3o reconstruiu o Estado em bases p\u00f3s-neoliberais. O problema n\u00e3o est\u00e1 em reconhecer esses limites. O problema come\u00e7a quando eles deixam de funcionar como parte de uma cr\u00edtica hist\u00f3rica situada e passam a operar como chave explicativa dominante de um processo muito mais amplo, conflituoso e historicamente determinado. Nesse ponto, a cr\u00edtica deixa de esclarecer e come\u00e7a a embaralhar.<\/p>\n<p>O embaralhamento costuma se apresentar sob a forma da complexidade. Enumeram-se crise econ\u00f4mica, Lava Jato, papel do Judici\u00e1rio, guerra cultural, a\u00e7\u00e3o empresarial, redes digitais, militariza\u00e7\u00e3o difusa da vida p\u00fablica, ecossistema evang\u00e9lico, reorganiza\u00e7\u00e3o internacional das direitas. Tudo isso aparece. Tudo isso \u00e9 mencionado. Mas, na hora de distribuir peso explicativo, quase tudo se rebaixa \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de circunst\u00e2ncia e a modera\u00e7\u00e3o petista reaparece como eixo organizador da narrativa. A complexidade fica no pr\u00f3logo. A causalidade, no fundo, se estreita.<\/p>\n<p>\u00c9 esse mecanismo que proponho chamar de monocausalidade com pr\u00f3logo complexo.<\/p>\n<p>A express\u00e3o \u00e9 dura, mas precisa. N\u00e3o estamos, nesses casos, diante de uma an\u00e1lise realmente multifatorial. Estamos diante de uma causalidade afunilada que menciona o amplo para, ao fim, recentrar o processo num \u00fanico polo explicativo. O lulismo aparece, ent\u00e3o, n\u00e3o apenas como experi\u00eancia contradit\u00f3ria com limites hist\u00f3ricos relevantes, mas como matriz privilegiada da derrota posterior. \u00c9 a\u00ed que o salto se torna problem\u00e1tico. Uma coisa \u00e9 dizer que o petismo n\u00e3o resolveu determinadas contradi\u00e7\u00f5es estruturais. Outra, muito diferente, \u00e9 atribuir a esse fato a condi\u00e7\u00e3o de motor central da extrema direita. Entre uma formula\u00e7\u00e3o e outra, h\u00e1 um campo inteiro de media\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas, pol\u00edticas, materiais e internacionais. Quando esse campo \u00e9 atravessado com pressa demais, o que se produz j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 apenas cr\u00edtica ao reformismo, mas uma redistribui\u00e7\u00e3o enviesada das responsabilidades hist\u00f3ricas.<\/p>\n<p>A primeira v\u00edtima desse movimento \u00e9 a pr\u00f3pria compreens\u00e3o da direita brasileira. Toda leitura que transforma o bolsonarismo em consequ\u00eancia quase natural da modera\u00e7\u00e3o petista come\u00e7a retirando dele justamente aquilo que mais precisa ser explicado: sua capacidade pr\u00f3pria de constru\u00e7\u00e3o. A extrema direita brasileira n\u00e3o brotou mecanicamente das insufici\u00eancias do lulismo. Ela foi produzida. Por agentes concretos, com interesses concretos, em disputa concreta de poder. Dependeu de investimento ideol\u00f3gico, apoio empresarial, guerra moral, ecossistemas de comunica\u00e7\u00e3o, capilaridade religiosa, oportunismo judicial, circula\u00e7\u00e3o digital e uma intelig\u00eancia pol\u00edtica espec\u00edfica para traduzir ressentimento em linguagem de massa. Ao recentrar tudo na insufici\u00eancia do reformismo, essa leitura converte a direita em efeito quase passivo de uma falha alheia. E, ao fazer isso, subestima sua intencionalidade, sua capacidade organizativa e sua for\u00e7a hist\u00f3rica real.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 uma segunda consequ\u00eancia, mais decisiva ainda, porque n\u00e3o afeta apenas a reconstru\u00e7\u00e3o do passado. Ela incide sobre a pr\u00e1tica do presente. Em parte da esquerda brasileira, a cr\u00edtica ao lulismo passou a ocupar o lugar que deveria ser preenchido por outra coisa: constru\u00e7\u00e3o de base social, enraizamento popular, presen\u00e7a territorial, media\u00e7\u00e3o paciente, organicidade entre trabalhadores e for\u00e7a real. Quando uma corrente ou sensibilidade pol\u00edtica n\u00e3o consegue produzir express\u00e3o social equivalente \u00e0 for\u00e7a de seu diagn\u00f3stico, a den\u00fancia tende a se expandir para preencher esse vazio. A cr\u00edtica deixa de operar apenas como elabora\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica e passa a funcionar como compensa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 esse segundo movimento que proponho chamar de dupla substitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<p>No plano anal\u00edtico, a cr\u00edtica ao petismo ocupa o lugar de uma explica\u00e7\u00e3o efetivamente multifatorial da ascens\u00e3o da extrema direita. No plano pr\u00e1tico, a den\u00fancia da modera\u00e7\u00e3o ocupa o lugar da constru\u00e7\u00e3o paciente de povo organizado, territ\u00f3rio, presen\u00e7a e for\u00e7a social. Uma substitui\u00e7\u00e3o alimenta a outra. A leitura se estreita ao mesmo tempo em que a pr\u00e1tica se empobrece. O resultado \u00e9 uma forma de radicalidade que cresce em nitidez discursiva na exata medida em que permanece fr\u00e1gil em inser\u00e7\u00e3o concreta. A contund\u00eancia do diagn\u00f3stico passa a compensar a baixa musculatura hist\u00f3rica. A cr\u00edtica fornece coes\u00e3o identit\u00e1ria, distin\u00e7\u00e3o moral e clareza de fronteira; o que ela n\u00e3o fornece, por si s\u00f3, \u00e9 povo.<\/p>\n<p>\u00c9 importante insistir nesse ponto para evitar caricaturas. N\u00e3o estou dizendo que toda cr\u00edtica ao lulismo seja compensat\u00f3ria, nem que toda esquerda radical incorra do mesmo modo nessa substitui\u00e7\u00e3o. O problema n\u00e3o \u00e9 a exist\u00eancia da cr\u00edtica. O problema \u00e9 o lugar inflado que ela passa a ocupar quando deixa de ser instrumento de elabora\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica e se converte em teoria geral da derrota hist\u00f3rica da esquerda brasileira. A partir da\u00ed, a pol\u00edtica corre o risco de se reduzir a um circuito de enuncia\u00e7\u00e3o no qual a for\u00e7a do diagn\u00f3stico substitui a dificuldade da constru\u00e7\u00e3o. Explica-se muito. Constr\u00f3i-se pouco. E, n\u00e3o raro, a eloqu\u00eancia do ju\u00edzo passa a funcionar como \u00e1libi para a fraqueza da inser\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O mesmo desvio aparece no debate econ\u00f4mico. A persist\u00eancia de juros elevados, a autonomia do Banco Central, a financeiriza\u00e7\u00e3o e a depend\u00eancia de fluxos internacionais costumam ser lidas, por vezes, como prova autom\u00e1tica de ades\u00e3o ao neoliberalismo. O problema \u00e9 que essa leitura se satisfaz com a nomea\u00e7\u00e3o da estrutura sem entrar nas exig\u00eancias concretas de sua transforma\u00e7\u00e3o. Porque poder rentista, vulnerabilidade cambial, fragilidade produtiva, correla\u00e7\u00e3o parlamentar desfavor\u00e1vel e depend\u00eancia externa n\u00e3o desaparecem porque foram corretamente diagnosticados. Alterar esse regime exige mais do que convic\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica. Exige for\u00e7a estatal, base social, tempo pol\u00edtico, capacidade de transi\u00e7\u00e3o e sustenta\u00e7\u00e3o para enfrentar o conflito. A media\u00e7\u00e3o, nesse terreno, n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo autom\u00e1tico de capitula\u00e7\u00e3o. \u00c9 o solo inst\u00e1vel em que a pol\u00edtica efetivamente se move.<\/p>\n<p>Toda vez que a media\u00e7\u00e3o \u00e9 tratada como prova suficiente de trai\u00e7\u00e3o, o debate escorrega da estrat\u00e9gia para o tribunal da pureza. E tribunais da pureza raramente produzem pol\u00edtica \u00e0 altura da hist\u00f3ria. Produzem, quando muito, nitidez interna para um grupo j\u00e1 convencido. Isso pode ter valor identit\u00e1rio. Mas n\u00e3o reorganiza sociedade, n\u00e3o desloca correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as, n\u00e3o enra\u00edza projeto. A pol\u00edtica real n\u00e3o se divide entre ruptura absoluta e rendi\u00e7\u00e3o integral. Entre essas duas pontas existe um campo conflituoso, inst\u00e1vel, desigual, no qual inflex\u00f5es parciais, reformas incompletas e deslocamentos limitados produzem efeitos hist\u00f3ricos reais, inclusive rea\u00e7\u00f5es regressivas intensas. Quem n\u00e3o enxerga esse terreno intermedi\u00e1rio tende a confundir insufici\u00eancia com irrelev\u00e2ncia, media\u00e7\u00e3o com capitula\u00e7\u00e3o e limite com identidade com o advers\u00e1rio.<\/p>\n<p>Era preciso nomear esse problema antes de avan\u00e7ar. Esta pe\u00e7a existe para isso. A monocausalidade com pr\u00f3logo complexo estreita aquilo que finge abrir. A dupla substitui\u00e7\u00e3o compensa, no plano do discurso, aquilo que falta no plano da constru\u00e7\u00e3o. Juntas, elas produzem uma forma sedutora de cr\u00edtica: severa no ju\u00edzo, elegante no diagn\u00f3stico, identitariamente coesa e politicamente insuficiente. O que se ganha em nitidez acusat\u00f3ria costuma perder-se em capacidade explicativa e em imagina\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica.<\/p>\n<p>Nada disso significa renunciar \u00e0 cr\u00edtica estrutural do lulismo. Significa apenas recoloc\u00e1-la em seu devido lugar. Criticar o petismo \u00e9 leg\u00edtimo. O que n\u00e3o parece leg\u00edtimo \u00e9 transform\u00e1-lo em usina explicativa quase total da extrema direita e, ao mesmo tempo, em \u00e1libi para a dificuldade de construir alternativa real. Quando isso acontece, explica-se demais por um lado e constr\u00f3i-se de menos por outro. A direita, com sua pot\u00eancia pr\u00f3pria de a\u00e7\u00e3o, organiza\u00e7\u00e3o e investimento hist\u00f3rico, fica relativamente subestimada. E as insufici\u00eancias concretas da esquerda que critica o lulismo ficam relativamente poupadas de escrut\u00ednio equivalente.<\/p>\n<p>Uma esquerda interessada, de fato, em superar o lulismo precisar\u00e1 demonstrar no pa\u00eds real mais do que superioridade diagn\u00f3stica. Precisar\u00e1 mostrar capacidade de organizar trabalhadores, disputar territ\u00f3rio, produzir capilaridade, sustentar media\u00e7\u00f5es eficazes e oferecer horizonte em escala nacional. Sem isso, a cr\u00edtica ao reformismo corre o risco de permanecer como identidade compensat\u00f3ria, e n\u00e3o como estrat\u00e9gia de poder. O problema, no fundo, n\u00e3o est\u00e1 em criticar o lulismo. Est\u00e1 em usar essa cr\u00edtica para explicar demais e construir de menos.<\/p>\n<p>E est\u00e1, tamb\u00e9m, em deixar que esse excesso de explica\u00e7\u00e3o embarace a leitura da pr\u00f3pria hist\u00f3ria concreta. Porque \u00e9 justamente ali, quando sa\u00edmos do conforto das categorias gerais e entramos no terreno duro das experi\u00eancias efetivas de governo, das inflex\u00f5es tentadas, das rea\u00e7\u00f5es sofridas e das derrotas produzidas, que certas simplifica\u00e7\u00f5es come\u00e7am a perder contato com os fatos. \u00c9 ali, e n\u00e3o no tribunal abstrato da pureza, que a cr\u00edtica precisa provar sua for\u00e7a.<\/p>\n<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. 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Diagn\u00f3sticos inflados como este, muitas vezes, tornam-se \u00e1libi para a incapacidade de construir alternativas reais. Resultado: o derrotismo pol\u00edtico<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/estadoemdisputa\/para-ir-alem-da-critica-ao-lulismo\/\">Para ir al\u00e9m da cr\u00edtica ao lulismo<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":86249,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[114,55136,55137,1759,6874,55138,5509,14217,55139,55140,2037],"tags":[],"class_list":["post-86248","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-bolsonarismo","category-construcao-de-alternativas","category-critica-ao-lulismo","category-direita","category-esquerda-brasileira","category-esquerda-propositiva","category-estado-em-disputa","category-financeirizacao","category-monocausalidade","category-producao-de-capilaridade","category-radicalizacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/86248","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=86248"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/86248\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/86249"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=86248"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=86248"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=86248"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}