{"id":86396,"date":"2026-05-07T19:08:56","date_gmt":"2026-05-07T22:08:56","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/ira-balanco-da-guerra-em-que-trump-se-enredou\/"},"modified":"2026-05-07T19:08:56","modified_gmt":"2026-05-07T22:08:56","slug":"ira-balanco-da-guerra-em-que-trump-se-enredou","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/ira-balanco-da-guerra-em-que-trump-se-enredou\/","title":{"rendered":"Ir\u00e3: Balan\u00e7o da guerra em que Trump se enredou"},"content":{"rendered":"<figure><figcaption>Foto: Chip Somodevilla\/Getty Images<\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Por <strong>Alexandre Zevin<\/strong>, na <em>New Feft Review<\/em> | Tradu\u00e7\u00e3o: <strong>R\u00f4ney Rodrigues<\/strong><\/p>\n<p>\u00c0s vezes, a administra\u00e7\u00e3o Trump parece empenhada \u2014 tamanho \u00e9 o contraste entre sua primeira e sua segunda encarna\u00e7\u00e3o \u2014 em inverter o apotegma da abertura do <em>Dezoito Brum\u00e1rio<\/em> de que \u201ctodos os grandes fatos e personagens hist\u00f3rico-universais aparecem, por assim dizer, duas vezes\u2026 a primeira como trag\u00e9dia, a segunda como farsa\u201d. Naquela \u00e9poca, era o sobrinho, Lu\u00eds Napole\u00e3o, retomando o papel do famoso tio. Hoje, Trump retomou seu pr\u00f3prio papel, num segundo ato repleto de crueldade e carnagem; aqui, a repeti\u00e7\u00e3o-altera\u00e7\u00e3o \u00e9 mais r\u00e1pida e autorreflexiva, como conv\u00e9m ao ator e \u00e0 \u00e9poca. Outros fizeram uso produtivo do neobonapartismo para analisar a coaliz\u00e3o sociopol\u00edtica sobre a qual o trumpismo foi inicialmente constru\u00eddo. Mas agora parece que estamos vivendo a reprise de um momento posterior na carreira do segundo Napole\u00e3o \u2014 n\u00e3o o lance de dados plebiscit\u00e1rio com que a hist\u00f3ria come\u00e7ou, mas a aposta errada do jogador cuja sorte se esgotou numa arriscada aventura estrangeira. Trump n\u00e3o est\u00e1 diante de uma Batalha de Sedan. Mas, oito semanas ap\u00f3s o in\u00edcio da guerra EUA-Israel contra o Ir\u00e3, as coisas n\u00e3o est\u00e3o saindo como planejado.<\/p>\n<p><strong>1.<\/strong><\/p>\n<div>\n<div><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/14-1-9.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/14-1-9.png 680w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2025\/12\/04164350\/14-1-300x110.png 300w\" sizes=\"(max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Se o segundo mandato de Trump tem sido um forte contraste com o primeiro, as diferen\u00e7as mais marcantes est\u00e3o na pol\u00edtica externa. Nesse campo, o <em>America First<\/em> parecia prometer uma guinada para dentro \u2014 afastando-se das guerras intermin\u00e1veis e das ocupa\u00e7\u00f5es estrangeiras, e at\u00e9 mesmo dos aliados, vistos como exploradores dos EUA na Europa e no Leste Asi\u00e1tico. Grande parte do sentimento de insurg\u00eancia popular associado \u00e0 campanha de 2016 de Trump veio de seus embates acirrados com Jeb Bush e outros republicanos tradicionais, a quem atacou implacavelmente por seu papel na Guerra do Iraque. Trump tinha alguma base para sua alega\u00e7\u00e3o de n\u00e3o ter iniciado novas guerras em seu primeiro mandato. Mas isso est\u00e1 longe de acontecer no segundo. Ele j\u00e1 havia ordenado ataques em tr\u00eas continentes \u2014 Caribe, \u00c1frica subsaariana e Pen\u00ednsula Ar\u00e1bica \u2014 antes de lan\u00e7ar seu ataque em grande escala contra a Rep\u00fablica Isl\u00e2mica do Ir\u00e3.<\/p>\n<p>Apesar de tudo o que h\u00e1 de novo em Trump, seria um erro ignorar as continuidades na pol\u00edtica externa estadunidenses que subjazem \u00e0s suas a\u00e7\u00f5es; de fato, n\u00e3o fosse pelos anseios de longa data de v\u00e1rios grupos de press\u00e3o internos e externos, seria dif\u00edcil explicar como um homem cuja promessa de n\u00e3o travar mais \u201cguerras est\u00fapidas\u201d foi t\u00e3o importante para seu apelo como <em>outsider<\/em> acabou lutando a guerra de todas as guerras neoconservadoras contra o Ir\u00e3. Para entender isso, precisamos examinar a mudan\u00e7a na rela\u00e7\u00e3o tripartite entre Ir\u00e3, EUA e Israel, bem como as estruturas e projetos imperiais duradouros. Trump pode ter errado no c\u00e1lculo ao atacar Teer\u00e3, mas seu governo tamb\u00e9m pode alegar, com consider\u00e1vel raz\u00e3o, que est\u00e1 perseguindo objetivos que os governos ocidentais apoiam h\u00e1 muito tempo.<\/p>\n<p><strong>2.<\/strong><\/p>\n<p>A Rep\u00fablica Isl\u00e2mica est\u00e1 na mira de Washington desde 1979, quando o x\u00e1 pr\u00f3-estadunidense foi deposto pela Revolu\u00e7\u00e3o Iraniana. Em alguns aspectos, a guerra \u00e9 a conclus\u00e3o l\u00f3gica da maneira como os EUA demonizaram o Ir\u00e3 desde ent\u00e3o. Israel inicialmente manteve melhores rela\u00e7\u00f5es com os khomeinistas, contando com os Estados do \u201canel externo\u201d representados pelo Ir\u00e3 e Turquia como potenciais aliados contra o \u201canel interno\u201d das rep\u00fablicas nacionalistas-\u00e1rabes militantes \u2014 e enviando armas \u00e0s for\u00e7as armadas iranianas na d\u00e9cada de 1980 para ajud\u00e1-las a lutar contra o \u201cinimigo pr\u00f3ximo\u201d, o Iraque. Foi somente depois que o ex\u00e9rcito de Saddam Hussein foi destru\u00eddo na Guerra do Golfo de 1991 que Israel voltou sua aten\u00e7\u00e3o para a agora fortalecida e estabilizada Rep\u00fablica Isl\u00e2mica, instando Washington a bloquear a aquisi\u00e7\u00e3o de uma dissuas\u00e3o nuclear por Teer\u00e3 \u2014 ou seja, a ajudar a preservar o monop\u00f3lio nuclear de Israel na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Diante do arsenal nuclear israelense, muito maior, o Ir\u00e3 teria pleno direito \u2014 em nome da autodefesa nacional \u2014 de desenvolver sua pr\u00f3pria capacidade de dissuas\u00e3o. Nesse ponto, por\u00e9m, a lideran\u00e7a clerical iraniana demonstrou ineptid\u00e3o. Ao combinar um maximalismo fantasioso em sua ret\u00f3rica sobre destruir a \u201centidade sionista\u201d \u2014 algo que, evidentemente, jamais teria condi\u00e7\u00f5es de realizar \u2014 com um minimalismo complacente em sua pr\u00e1tica, insistindo em respeitar o Tratado de N\u00e3o Prolifera\u00e7\u00e3o Nuclear e o sistema de inspe\u00e7\u00f5es liderado pelos Estados Unidos, Teer\u00e3 acabou abrindo caminho para a nega\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria soberania que os aiatol\u00e1s e a Guarda Revolucion\u00e1ria afirmavam considerar sagrada. Se tivesse seguido o caminho de Pyongyang, talvez n\u00e3o estivesse na situa\u00e7\u00e3o em que se encontra hoje.<\/p>\n<p>A ideia de que o Ir\u00e3 deveria ser impedido disso a qualquer custo foi unanimemente aceita pelos Estados ocidentais \u2014 e apoiada em momentos-chave pela R\u00fassia e pela China, cada uma com seu vasto estoque nuclear. As t\u00e9cnicas de guerra econ\u00f4mica por meio de san\u00e7\u00f5es prim\u00e1rias e secund\u00e1rias, refinadas pelos EUA ao longo de muitos anos em busca da rendi\u00e7\u00e3o nuclear iraniana, n\u00e3o s\u00e3o, portanto, apenas uma quest\u00e3o de consenso bipartid\u00e1rio internamente, mas tamb\u00e9m unem os principais aliados europeus de Washington. Sucessivamente endurecidas em 2006, 2011, 2018 e 2025, seu efeito cumulativo tem sido devastador para a sociedade iraniana, sem jamais amea\u00e7ar seriamente o regime que seria seu suposto alvo. As san\u00e7\u00f5es contra o Ir\u00e3 poderiam at\u00e9 ser consideradas um exemplo das virtudes do multilateralismo \u2014 t\u00e3o escassas hoje em dia, lamenta muito comentarista liberal \u2014, tendo a United Nations como principal ve\u00edculo para implement\u00e1-las e legitim\u00e1-las em n\u00edvel global. Talvez essa seja uma das raz\u00f5es pelas quais, apesar da flagrante ilegalidade e da ainda mais transparente imoralidade do ataque militar (\u2018kinetic attack\u2019) americano-israelense contra o Ir\u00e3, os protestos desses aliados tenham sido contidos. Criticam os meios, mas ainda desejam os fins; e a Europa serviu silenciosamente como um gigantesco porta-avi\u00f5es para a Opera\u00e7\u00e3o Epic Fury: da base da RAF Fairford, na Inglaterra, e de Ramstein, na Alemanha, at\u00e9 bases na It\u00e1lia, em Creta e em Portugal.<\/p>\n<p><strong>3.<\/strong><\/p>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<p>Al\u00e9m disso, embora Trump possa ter prometido o fim das guerras est\u00fapidas ou intermin\u00e1veis, isso nunca excluiu guerras baratas, r\u00e1pidas e \u201cinteligentes\u201d \u2014 sobretudo por serem conduzidas por ele. Sua primeira incurs\u00e3o foi a Guerra dos Doze Dias, ao lado de Israel contra o Ir\u00e3, em junho de 2025, quando seus generais resgataram planos elaborados ainda na era Obama para que bombardeiros B-2 e submarinos despejassem 400 mil libras de muni\u00e7\u00e3o sobre instala\u00e7\u00f5es do ciclo de combust\u00edvel nuclear em Natanz, Isfahan e Fordow. A opera\u00e7\u00e3o das for\u00e7as especiais para capturar Maduro, na Venezuela, no in\u00edcio de janeiro de 2026 (\u201cum cen\u00e1rio perfeito\u201d), pareceu ent\u00e3o refor\u00e7ar em Trump a convic\u00e7\u00e3o de que uma guerra r\u00e1pida contra o Ir\u00e3 \u2014 onde protestos nacionais se desenrolavam contra a mais recente crise econ\u00f4mica provocada pelas san\u00e7\u00f5es e contra o regime clerical \u2014 poderia funcionar da mesma maneira. Pouco se falou sobre o cinismo das justificativas para intervir em nome desses manifestantes (\u201ca ajuda est\u00e1 a caminho\u201d), apresentadas depois que o regime j\u00e1 havia reprimido os protestos. O \u201cgrande povo iraniano\u201d invocado por Trump em seu discurso inflamado \u00e0 na\u00e7\u00e3o, em 28 de fevereiro, jamais esteve destinado a herdar o poder. No m\u00e1ximo, serviria como pano de fundo entusi\u00e1stico para uma transi\u00e7\u00e3o interna em que, ap\u00f3s o assassinato de Khamenei e de seus chefes militares e de intelig\u00eancia, elementos mais d\u00f3ceis assumiriam o controle \u2014 escolhidos a dedo pelo Mossad e pela CIA e \u201ctrabalhando em conjunto\u201d com os Estados Unidos e Israel, como ocorreu na Venezuela: \u201cEu tenho que participar da nomea\u00e7\u00e3o, como fizemos com Delcy na Venezuela\u201d, tuitou Trump.<\/p>\n<p>O poder a\u00e9reo avassalador seria o meio para alcan\u00e7ar esse objetivo. Tamb\u00e9m nesse aspecto Trump demonstrou estar alinhado aos reflexos mais profundos da tradi\u00e7\u00e3o de proje\u00e7\u00e3o do poder militar dos Estados Unidos no exterior \u2014 sustentada pelo sonho do bombardeio a\u00e9reo como uma forma de \u201cgovernar a partir dos c\u00e9us\u201d. Pete Hegseth, o ex-apresentador musculoso da Fox News, \u00e9 a encarna\u00e7\u00e3o quase instintiva desse desejo. Para todos os efeitos, parece um ator contratado para interpretar o Secret\u00e1rio da Guerra, e suas apari\u00e7\u00f5es \u00e0 imprensa t\u00eam sido marcadas por um tom teatral, beirando o descontrole: prometendo \u201cmorte e destrui\u00e7\u00e3o vindas do c\u00e9u o dia inteiro\u201d, chegou at\u00e9 a encenar l\u00edderes iranianos \u201colhando para cima e vendo apenas o poder a\u00e9reo americano e israelense a cada minuto de cada dia\u201d. Suas amea\u00e7as seguem um estilo quase publicit\u00e1rio e aliterativo (\u201clocalizar, fixar e finalizar\u201d; \u201cdesmantelar, desmoralizar, destruir, derrotar\u201d). A um jornalista, Hegseth vangloriou-se: \u201cIsto n\u00e3o \u00e9 uma luta justa; estamos golpeando-os enquanto est\u00e3o ca\u00eddos, exatamente como deve ser.\u201d<\/p>\n<p>Essa postura arrogante expressa a fantasia de alcan\u00e7ar dom\u00ednio total sobre um inimigo indefeso apenas por meio do poder a\u00e9reo. Trata-se de uma ideia antiga, cujo canto de sereia seduziu muitos planejadores militares e pol\u00edticos dos Estados Unidos desde a Segunda Guerra Mundial. Hegseth \u00e9 apenas o mais recente de uma longa linhagem. O major-general Curtis LeMay, um dos pioneiros do chamado \u201cbombardeio estrat\u00e9gico\u201d, ordenou o bombardeio incendi\u00e1rio de T\u00f3quio que matou 100 mil pessoas, \u201cqueimadas, fervidas e assadas at\u00e9 a morte\u201d; mais tarde, gabou-se de ter \u201cincendiado todas as cidades da Coreia do Norte e da Coreia do Sul\u201d, numa campanha de codinome \u201cOpera\u00e7\u00e3o Estrangulamento\u201d, que, segundo sua pr\u00f3pria estimativa, matou 20% da popula\u00e7\u00e3o entre 1950 e 1953. Antes de ser destitu\u00eddo do comando, o general MacArthur queria \u201clan\u00e7ar entre trinta e sessenta bombas at\u00f4micas ao longo do estreito da Manch\u00faria\u201d, criando uma esp\u00e9cie de cord\u00e3o sanit\u00e1rio contra os comunistas chineses. No Vietn\u00e3, a patologia do poder a\u00e9reo atingiu n\u00edveis ainda mais perversos, j\u00e1 que a aus\u00eancia de alvos evidentes \u2014 um \u201cproblema\u201d recorrente das guerras a\u00e9reas desde o in\u00edcio \u2014 levou \u00e0 amplia\u00e7\u00e3o cont\u00ednua do que podia ser considerado alvo leg\u00edtimo. Assim, a zona de combate passou a incorporar novos inimigos \u2014 isto \u00e9, cada vez mais civis \u2014 para cumprir metas operacionais, enquanto armas progressivamente mais destrutivas eram testadas. Estrategistas e historiadores militares frequentemente observaram que o poder a\u00e9reo, sozinho, jamais alcan\u00e7ou os objetivos estrat\u00e9gicos que lhe foram atribu\u00eddos. Ainda assim, a ideia persistiu, da Iugosl\u00e1via \u00e0 L\u00edbia: vit\u00f3ria sem baixas estadunidenses. No Ir\u00e3, essa velha obsess\u00e3o pelo \u201cdirecionamento de alvos\u201d ganhou uma nova roupagem empolgante com a intelig\u00eancia artificial; mas o impulso subjacente permanece sombriamente familiar, \u00e0 medida que milhares de miss\u00f5es a\u00e9reas nos dez primeiros dias levaram ao bombardeio de 20 mil edif\u00edcios n\u00e3o militares, entre eles 17.353 resid\u00eancias.<\/p>\n<p><strong>4.<\/strong><\/p>\n<p>Em termos de objetivos de guerra, a Opera\u00e7\u00e3o <em>Epic Fury<\/em> come\u00e7ou a desandar quase imediatamente, quando o ataque israelense de decapita\u00e7\u00e3o contra Khamenei, em 28 de fevereiro, fracassou em for\u00e7ar o que restava da lideran\u00e7a iraniana \u00e0 mesa de negocia\u00e7\u00f5es \u2014 e, como o pr\u00f3prio Trump acabou deixando escapar, eliminou inadvertidamente a figura escolhida para ser a \u201cDelcy iraniana\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 nada de particularmente sofisticado ou engenhoso em assassinar um homem de 86 anos e sua esposa dentro de sua casa, no centro de Teer\u00e3; tampouco a t\u00e1tica \u2014 por mais chocante que seja \u2014 \u00e9 nova. A OTAN bombardeou a resid\u00eancia de Milosevic em Belgrado em 1999, os Estados Unidos tentaram eliminar Saddam Hussein no in\u00edcio da Guerra do Iraque, e Israel transformou ataques de decapita\u00e7\u00e3o quase em um passatempo nacional. Esse assassinato espec\u00edfico, por\u00e9m, realizado durante o Ramad\u00e3, foi \u2014 nas palavras de um general brit\u00e2nico, ex-vice-comandante da OTAN, em uma entrevista contundente \u2014 \u201ct\u00e3o sutil quanto assassinar o Papa nos degraus da Bas\u00edlica de S\u00e3o Pedro durante a Semana Santa\u201d; seus efeitos, previu ele, provavelmente seriam igualmente mobilizadores para muitos mu\u00e7ulmanos xiitas. O Ir\u00e3, como esperado, retaliou contra alvos americanos e israelenses em toda a regi\u00e3o e, com alguns disparos de advert\u00eancia contra embarca\u00e7\u00f5es mercantes, fechou o tr\u00e1fego no Estreito de Ormuz, bloqueando assim mais de um quinto do fornecimento mundial de petr\u00f3leo e g\u00e1s. Com instala\u00e7\u00f5es de armazenamento, refinarias e portos paralisados, o pre\u00e7o do petr\u00f3leo disparou em dire\u00e7\u00e3o aos 120 d\u00f3lares por barril.<\/p>\n<p>Aqui vale lembrar algo que Giovanni Arrighi costumava dizer: uma hegemonia em decl\u00ednio sempre disp\u00f5e, em raz\u00e3o de sua pr\u00f3pria posi\u00e7\u00e3o, de m\u00faltiplas op\u00e7\u00f5es; por\u00e9m, cada uma delas acaba revelando um lado negativo que, no fim, acelera ainda mais seu decl\u00ednio. O efeito colateral da guerra de Trump por mudan\u00e7a de regime foi desencadear o bloqueio do Estreito de Ormuz \u2014 uma medida que planejadores anteriores de Washington tendiam a considerar arriscada demais para Teer\u00e3 adotar, por supostamente comprometer em excesso sua posi\u00e7\u00e3o regional. Agora, contudo, o risco reca\u00eda sobre Trump: resistir enquanto os pre\u00e7os do petr\u00f3leo e do g\u00e1s natural liquefeito disparavam, junto com os custos de produ\u00e7\u00e3o, transporte e fertilizantes para as colheitas do ano seguinte, potencialmente consolidando tend\u00eancias inflacion\u00e1rias na economia mundial por muitos anos; ou negociar uma tr\u00e9gua, o que significaria aceitar ao menos parte das exig\u00eancias iranianas. Como essas exig\u00eancias inclu\u00edam o fim de todas as san\u00e7\u00f5es, o reconhecimento da tutela iraniana sobre o Estreito de Ormuz, o encerramento permanente da guerra e dos ataques israelenses ao L\u00edbano, al\u00e9m da garantia de que o Ir\u00e3 n\u00e3o voltaria a ser atacado, essa alternativa tamb\u00e9m representaria uma retirada.<\/p>\n<p><strong>5.<\/strong><\/p>\n<p>A libera\u00e7\u00e3o de 400 milh\u00f5es de barris de petr\u00f3leo das reservas estrat\u00e9gicas dos pa\u00edses membros da AIE \u2014 somada \u00e0 suspens\u00e3o das san\u00e7\u00f5es sobre a energia russa \u2014 manteve temporariamente sob controle o impacto econ\u00f4mico mais severo provocado pelo garrote iraniano sobre Ormuz. Mas, como deixou claro o diretor da AIE, esse impacto ser\u00e1 gigantesco, mesmo que a guerra termine em breve: \u201cMais petr\u00f3leo deixou de circular (\u2026) do que durante os dois choques dos anos 1970, que desencadearam recess\u00f5es e racionamento de combust\u00edvel ao redor do mundo\u201d, enquanto o volume de g\u00e1s interrompido pela guerra \u00e9 duas vezes maior do que aquele que a Europa perdeu com a invas\u00e3o russa da Ucr\u00e2nia. E, quanto mais o conflito se prolongar, mais tempo ser\u00e1 necess\u00e1rio para recolocar em opera\u00e7\u00e3o os campos de petr\u00f3leo e g\u00e1s danificados ou paralisados. O estrangulamento do fluxo de petrod\u00f3lares, junto com o do pr\u00f3prio petr\u00f3leo, tamb\u00e9m aumenta o risco de estourar a bolha da intelig\u00eancia artificial, respons\u00e1vel pela maior parcela do crescimento do PIB americano no \u00faltimo ano. A combina\u00e7\u00e3o de infla\u00e7\u00e3o elevada, juros mais altos e escassez de semicondutores pode comprometer novos investimentos em centros de dados, al\u00e9m de afetar as avalia\u00e7\u00f5es das empresas de tecnologia.<\/p>\n<p>Isso tem implica\u00e7\u00f5es para o acordo desigual que ajudou a sustentar a domin\u00e2ncia global do d\u00f3lar americano desde os anos 1970. Depois que Nixon retirou os Estados Unidos do padr\u00e3o-ouro, seu secret\u00e1rio do Tesouro negociou um pacto com os sauditas que trocava garantias de seguran\u00e7a americanas pelo investimento dos enormes excedentes financeiros do petr\u00f3leo saudita em t\u00edtulos da d\u00edvida dos EUA, al\u00e9m do compromisso dos pa\u00edses da OPEP de precificar o petr\u00f3leo em d\u00f3lares. Esse arranjo enriqueceu enormemente as ind\u00fastrias b\u00e9licas brit\u00e2nica, francesa e, sobretudo, americana: os Estados do Conselho de Coopera\u00e7\u00e3o do Golfo, em conjunto, s\u00e3o os maiores compradores de equipamentos militares do mundo. Mas o que acontece com esse pacto quando os pa\u00edses \u00e1rabes n\u00e3o conseguem levar seu petr\u00f3leo ao mercado? O Ir\u00e3 ofereceu uma poss\u00edvel resposta ao permitir a passagem segura de petr\u00f3leo pelo Estreito de Ormuz para embarca\u00e7\u00f5es amigas que pagassem uma taxa de ped\u00e1gio em yuans chineses.<\/p>\n<p><strong>6.<\/strong><\/p>\n<p>A rea\u00e7\u00e3o imediata de Estados Unidos e Israel foi bombardear Teer\u00e3 para for\u00e7ar a reabertura do Estreito \u2014 destruindo escolas, hospitais, universidades e monumentos hist\u00f3ricos, al\u00e9m de alvos militares e governamentais. A resposta iraniana foi met\u00f3dica: ao atacar bases americanas no Kuwait, Bahrein, Catar e Emirados \u00c1rabes Unidos, seus m\u00edsseis bal\u00edsticos e drones baratos e eficazes esgotaram as defesas a\u00e9reas THAAD e Patriot dos EUA, cujos interceptadores n\u00e3o apenas s\u00e3o caros, mas tamb\u00e9m escassos. Dois dias depois de os ataques de decapita\u00e7\u00e3o eliminarem uma d\u00fazia de seus principais l\u00edderes militares, o Ir\u00e3 atingiu a embaixada estadunidense no Kuwait; em 3 de mar\u00e7o, atacou a esta\u00e7\u00e3o da CIA em Riad, al\u00e9m de centros de dados da Amazon nos Emirados \u00c1rabes Unidos e no Bahrein. No dia seguinte, ap\u00f3s os EUA destru\u00edrem navios de guerra iranianos no Golfo de Om\u00e3, Teer\u00e3 atacou a base a\u00e9rea estadunidense de Al Udeid, no Catar \u2014 a maior da regi\u00e3o \u2014 obrigando \u00e0 evacua\u00e7\u00e3o de seus 10 mil soldados estadunidenses. Quando os Estados Unidos bombardearam as defesas militares na ilha de Kharg, em 13 de mar\u00e7o, o Ir\u00e3 atingiu um hotel internacional na Zona Verde de Bagd\u00e1; quando Israel atacou o campo de g\u00e1s natural de South Pars, em 18 de mar\u00e7o, Teer\u00e3 respondeu no dia seguinte com um ataque a uma refinaria de petr\u00f3leo em Haifa. Em 21 de mar\u00e7o, os EUA lan\u00e7aram bombas antibunker sobre Natanz; em resposta, um m\u00edssil bal\u00edstico iraniano atingiu Dimona. E, quando Trump amea\u00e7ou, em 22 de mar\u00e7o, atacar as usinas el\u00e9tricas iranianas caso o pa\u00eds n\u00e3o reabrisse o Estreito de Ormuz em 48 horas, Teer\u00e3 afirmou que retaliaria contra instala\u00e7\u00f5es energ\u00e9ticas e usinas de dessaliniza\u00e7\u00e3o em toda a regi\u00e3o.<\/p>\n<p>No s\u00e9culo III d.C., Shapur, o grande l\u00edder do Ir\u00e3 sass\u00e2nida, imp\u00f4s aos romanos uma s\u00e9rie de derrotas humilhantes e obteve um tratado de paz em seus pr\u00f3prios termos. Na Batalha de Edessa, em 260 d.C., Shapur capturou o imperador Valeriano \u2014 a primeira vez que um imperador romano sofria tal destino. Quando este ofereceu um resgate para recuperar sua liberdade, conta uma conhecida e reveladora lenda que Shapur respondeu sufocando-o com ouro derretido. N\u00e3o \u00e9 preciso dizer que o novo L\u00edder Supremo, Mojtaba Khamenei \u2014 descrito, ao que tudo indica, como ainda mais estreito e inflex\u00edvel que o pai \u2014 est\u00e1 longe de ser um novo Shapur. Ainda assim, pode-se dizer que o Ir\u00e3 conseguiu impor um empate aos Estados Unidos nessa rodada inicial do conflito, insistindo, com relativo sucesso, que o cessar-fogo t\u00e1tico que Trump passou a buscar no fim de mar\u00e7o deveria incluir a interrup\u00e7\u00e3o dos ataques israelenses ao L\u00edbano. O cessar-fogo iniciado em 8 de abril foi amplamente compreendido como apenas uma pausa antes da pr\u00f3xima etapa da guerra. Para Washington, essa nova fase come\u00e7ou j\u00e1 em 13 de abril, quando os Estados Unidos impuseram um bloqueio naval \u2014 uma transi\u00e7\u00e3o para uma guerra econ\u00f4mica sustentada pelo poder militar \u2014 voltado contra qualquer embarca\u00e7\u00e3o que entrasse ou sa\u00edsse de portos iranianos. Teer\u00e3, considerando a medida um ato de guerra, voltou a fechar o Estreito de Ormuz, cuja reabertura havia ocorrido com o in\u00edcio do cessar-fogo, e exigiu o fim do bloqueio americano como condi\u00e7\u00e3o para prosseguir com as negocia\u00e7\u00f5es de paz em Islamabad.<\/p>\n<p><strong>7.<\/strong><\/p>\n<p>Se os bombardeios em \u00e1rea conduzidos por Estados Unidos e Israel n\u00e3o conseguiram provocar a rendi\u00e7\u00e3o iraniana, ao menos foram capazes de causar uma devasta\u00e7\u00e3o imensa. Na v\u00e9spera do cessar-fogo de 8 de abril, cerca de 3.540 iranianos haviam sido mortos, dos quais 1.616 eram civis, incluindo 244 crian\u00e7as. Em Teer\u00e3, grande parte da infraestrutura foi atingida, assim como 300 instala\u00e7\u00f5es de sa\u00fade, 760 escolas e 46 mil unidades residenciais e comerciais. Complexos industriais pesados e f\u00e1bricas de armamentos em todo o pa\u00eds foram destru\u00eddos. A crise econ\u00f4mica \u2014 agravada pelo bloqueio da internet imposto pelo regime, que interrompeu o trabalho de milh\u00f5es de trabalhadores de aplicativos e empregos informais digitais \u2014 teria provocado cerca de 2 milh\u00f5es de demiss\u00f5es. Enquanto enfrentava cr\u00edticas internas por aceitar o cessar-fogo proposto por Trump, Netanyahu p\u00f4de afirmar, em seu discurso \u00e0 na\u00e7\u00e3o de 8 de abril, que o Ir\u00e3 estava mais fraco e Israel mais forte do que nunca, gra\u00e7as \u00e0 parceria sem precedentes com os Estados Unidos e \u00e0 crescente valoriza\u00e7\u00e3o de Israel pelo Pent\u00e1gono como aliado de guerra, exaltando \u201cnosso hero\u00edsmo, coragem e habilidade\u201d. A guerra continua extraordinariamente popular em Israel, apesar dos danos causados pelos drones iranianos: no fim de mar\u00e7o, o apoio ao conflito alcan\u00e7ava 78% da popula\u00e7\u00e3o. Ainda profundamente impopular em outros aspectos, Netanyahu declarou que o cessar-fogo era apenas \u201cuma parada no caminho\u201d para alcan\u00e7ar \u201ctodos os nossos objetivos\u201d: \u201cEstamos preparados para voltar ao combate a qualquer momento necess\u00e1rio. Nosso dedo continua no gatilho.\u201d<\/p>\n<p>A campanha de bombardeios, contudo, tamb\u00e9m imp\u00f4s custos \u00e0 pot\u00eancia hegem\u00f4nica global. As primeiras semanas de combate revelaram uma s\u00e9rie de vulnerabilidades na postura defensiva dos Estados Unidos. Em primeiro lugar, longe de garantir seguran\u00e7a, a presen\u00e7a de bases estadunidenses \u2014 muitas delas evacuadas antecipadamente \u2014 transformou os Estados do Golfo em alvos da retalia\u00e7\u00e3o iraniana: a destrui\u00e7\u00e3o de radares avan\u00e7ados e baterias antim\u00edsseis exigir\u00e1 bilh\u00f5es de d\u00f3lares e muitos anos para ser reparada, deixando esses pa\u00edses expostos, no futuro previs\u00edvel, a novos contra-ataques contra seus campos de petr\u00f3leo, redes el\u00e9tricas e usinas de dessaliniza\u00e7\u00e3o \u2014 das quais grande parte da popula\u00e7\u00e3o depende para obter \u00e1gua pot\u00e1vel. Tudo isso passou a estar em risco em consequ\u00eancia dos ataques americano-israelenses \u00e0 infraestrutura iraniana. Em segundo lugar, dezenas de drones avan\u00e7ados e aeronaves tripuladas \u2014 entre elas um F-35, um avi\u00e3o-radar E-3 Sentry AWACS, v\u00e1rios F-15 e avi\u00f5es-tanque KC-135, al\u00e9m de um A-10 \u201cWarthog\u201d \u2014 foram atingidos ou sofreram acidentes. O principal porta-avi\u00f5es da Marinha dos EUA, o USS <em>Gerald Ford<\/em>, movido a energia nuclear e atormentado desde o in\u00edcio por falhas em seu sistema de esgoto, foi retirado de opera\u00e7\u00e3o por tempo indeterminado \u2014 possivelmente por a\u00e7\u00e3o de sua pr\u00f3pria tripula\u00e7\u00e3o, ap\u00f3s um inc\u00eandio iniciado na lavanderia permanecer fora de controle por trinta horas; embora Trump, em seu estilo populista e informal, tenha aparentemente afirmado num f\u00f3rum empresarial em Miami que a embarca\u00e7\u00e3o havia sido atingida por drones iranianos.<\/p>\n<p>Mais importante, os EUA est\u00e3o tendo dificuldades para produzir muni\u00e7\u00f5es r\u00e1pido ou barato o suficiente para reabastecer a si mesmos e a seus aliados, e est\u00e3o tendo que surrupiar material de seus estoques no Leste Asi\u00e1tico. Os EUA podem, \u00e9 claro, gastar mais: como porcentagem do PIB, seus gastos militares hoje s\u00e3o mais baixos do que em qualquer ponto da Guerra Fria. Mas suas capacidades produtivas est\u00e3o em quest\u00e3o. O decl\u00ednio industrial, a perda de habilidades de engenharia de n\u00edvel m\u00e9dio para a automa\u00e7\u00e3o e a mudan\u00e7a da for\u00e7a de trabalho para todos os n\u00edveis do setor de servi\u00e7os imp\u00f5em limites a qualquer recurso f\u00e1cil ao est\u00edmulo militar-keynesiano.<\/p>\n<p><strong>8.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cA guerra \u00e9 a sa\u00fade do Estado\u201d, escreveu Randolph Bourne, um cr\u00edtico liberal radicalizado em 1917 por sua oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 entrada dos Estados Unidos na Primeira Guerra Mundial. \u201cE \u00e9 durante a guerra que melhor se compreende a natureza dessa institui\u00e7\u00e3o.\u201d H\u00e1 uma aparente dist\u00e2ncia entre as fantasias dos senhores da guerra trumpistas e o tipo de planejamento estatal e investimento que seria necess\u00e1rio para revitalizar e sustentar um esfor\u00e7o de rearmamento; entre as for\u00e7as e rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o que as tarifas alfandeg\u00e1rias nada fizeram para alterar. Os cortes promovidos pelo DOGE no Departamento de Estado e no Pent\u00e1gono, \u00e0s v\u00e9speras do ataque, apontam na mesma dire\u00e7\u00e3o \u2014 sem falar na cont\u00ednua demiss\u00e3o de oficiais de alta patente, incluindo o chefe do Estado-Maior do Ex\u00e9rcito, em pleno andamento da guerra. Desde o surgimento dos Estados fiscal-militares na era moderna, guerras t\u00eam sido travadas e vencidas, em geral, por soldados, industriais e burocratas \u2014 n\u00e3o por incorporadores imobili\u00e1rios, streamers, capitalistas de risco ou produtores de Bitcoin.<\/p>\n<p>Um dos aspectos desse elemento superestrutural da decad\u00eancia \u2014 aquilo que Bourne descreveu como os \u201ctra\u00e7os olig\u00e1rquicos ocultos por tr\u00e1s de uma cortina de fuma\u00e7a de princ\u00edpios democr\u00e1ticos\u201d \u2014 aparece no papel desproporcional desempenhado por Israel em cada etapa do conflito. A terceiriza\u00e7\u00e3o para Tel Aviv da decis\u00e3o pela guerra, conforme delineado pelo secret\u00e1rio de Estado dos EUA, e a ado\u00e7\u00e3o de t\u00e1ticas israelenses para conduzi-la s\u00e3o evid\u00eancias n\u00e3o apenas dos \u201ctra\u00e7os olig\u00e1rquicos\u201d do Estado americano \u2014 dos quais o enorme poder de fogo do lobby israelense no Congresso, na m\u00eddia e no ensino superior \u00e9 apenas um exemplo. Tamb\u00e9m sinalizam a redu\u00e7\u00e3o da capacidade intelectual do pr\u00f3prio Estado estadunidense: especialistas em Ir\u00e3 cr\u00edticos \u00e0 abordagem da Casa Branca foram afastados do Departamento de Estado. \u00c9 claro que Witkoff e Kushner n\u00e3o possuem forma\u00e7\u00e3o em ci\u00eancia nuclear; mas esse \u00e9 justamente o ponto: garantir que a linha israelense seja seguida.<\/p>\n<p><strong>9.<\/strong><\/p>\n<p>No in\u00edcio da Primeira Guerra do Golfo, Baudrillard comparou a escalada rumo ao conflito aos novos fluxos desregulados do capital global. \u201cAssim como a riqueza j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 medida pela ostenta\u00e7\u00e3o da riqueza, mas pela circula\u00e7\u00e3o secreta do capital especulativo, tamb\u00e9m a guerra j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 medida pelo fato de ser travada, mas pelo seu desdobramento especulativo em um espa\u00e7o abstrato, eletr\u00f4nico e informacional \u2014 o mesmo espa\u00e7o em que o capital se move.\u201d O que diria o grande fil\u00f3sofo da imagem sobre a acelera\u00e7\u00e3o do ritmo da guerra e do capital condensada na figura imperial de Trump?<\/p>\n<p>O ataque americano-israelense contra o Ir\u00e3 foi travado no ritmo dos mercados, sincopado por tu\u00edtes. O mercado acion\u00e1rio em alta continua sendo o maior admirador do 47\u00ba presidente. Num padr\u00e3o que j\u00e1 se tornou familiar, Trump anunciava o fim iminente da guerra ou insinuava avan\u00e7os r\u00e1pidos nas negocia\u00e7\u00f5es em coment\u00e1rios destinados a \u201cacalmar os mercados\u201d antes da abertura das bolsas ou no in\u00edcio da semana de neg\u00f3cios \u2014 para depois emitir amea\u00e7as de aniquila\u00e7\u00e3o e ultimatos quando os mercados j\u00e1 estavam fechados, suspend\u00ea-los, ou fazer exatamente o contr\u00e1rio e atacar, conforme o caso. Tr\u00eas semanas ap\u00f3s o in\u00edcio do conflito, tornava-se claro que outro padr\u00e3o atravessava essas oscila\u00e7\u00f5es abruptas: o benef\u00edcio pr\u00f3prio. Em 23 de mar\u00e7o, foram realizadas opera\u00e7\u00f5es \u2014 n\u00e3o pela primeira vez \u2014 com contratos futuros de petr\u00f3leo no valor de 580 milh\u00f5es de d\u00f3lares poucos minutos antes de Trump publicar, na Truth Social, mensagens sobre negocia\u00e7\u00f5es \u201cprodutivas\u201d com o Ir\u00e3. Hoje, a pr\u00f3pria manipula\u00e7\u00e3o de mercado tornou-se uma raz\u00e3o de Estado, e os aliados do comandante-em-chefe parecem se deleitar com sua condi\u00e7\u00e3o de operadores privilegiados de informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0s imagens de hoje: os crimes de guerra j\u00e1 n\u00e3o conseguem deter a sociedade do espet\u00e1culo por mais do que alguns instantes fugidios. No primeiro dia da guerra, 150 meninas morreram em Minab, no sul do Ir\u00e3, quando m\u00edsseis americanos atingiram sua escola \u2014 duas vezes. Trump descartou o epis\u00f3dio com indiferen\u00e7a: \u201cPosso conviver com isso.\u201d Depois de alguns dias, grande parte da m\u00eddia tamb\u00e9m aprendeu a conviver. Na Primeira e na Segunda Guerra do Golfo, imagens e narrativas eram cuidadosamente filtradas ao p\u00fablico por \u201cjornalistas incorporados\u201d \u00e0s tropas. Na guerra atual, a realidade do conflito permanece em grande medida ocultada das sociedades ocidentais \u2014 mas \u00e9 editada e apresentada ao presidente em \u201creels\u201d de dois minutos compostos, segundo descreveu um assessor, por \u201ccoisas explodindo\u201d.<\/p>\n<p><strong>10.<\/strong><\/p>\n<p>Os iranianos enxergam tr\u00eas fatores estadunidenses que, neste momento, jogam a seu favor: muni\u00e7\u00f5es, mercados e elei\u00e7\u00f5es de meio de mandato. H\u00e1 muitos ind\u00edcios de que a guerra contra o Ir\u00e3 \u2014 e a percep\u00e7\u00e3o generalizada de que Trump foi manipulado por Netanyahu a entrar nela \u2014 est\u00e1 remodelando a opini\u00e3o p\u00fablica. Pesquisas mostram que o conflito conta com menos apoio do que qualquer outra guerra travada pelos Estados Unidos no s\u00e9culo XX: apenas 41% dos adultos aprovavam a guerra em uma sondagem realizada em meados de mar\u00e7o \u2014 \u00edndice que ca\u00eda para menos de um quarto entre os independentes e para menos de um d\u00e9cimo entre os democratas. Em contraste, uma maioria dos estadunidenses apoiava a \u201ca\u00e7\u00e3o militar\u201d no Iraque em 2003, percentual que chegou a 73% durante as primeiras seis semanas do per\u00edodo de \u201cchoque e pavor\u201d, quando George Bush surgiu no conv\u00e9s do USS <em>Abraham Lincoln<\/em>, vestindo traje de voo, sob a faixa com os dizeres: \u201cMiss\u00e3o Cumprida\u201d.<\/p>\n<p>Essa antipatia, por\u00e9m, ainda n\u00e3o se traduz em um movimento antiguerra de grande escala nos Estados Unidos. Paradoxalmente, a aus\u00eancia de uma campanha coordenada para fabricar consenso interno talvez tenha reduzido o tempo necess\u00e1rio para o surgimento de protestos como os que antecederam a invas\u00e3o do Iraque. Outro motivo para a relativa apatia do momento \u00e9 a dura repress\u00e3o sofrida pelo movimento pacifista que emergiu no ver\u00e3o de 2024: as ocupa\u00e7\u00f5es estudantis que alcan\u00e7aram centenas de campi universit\u00e1rios em defesa de Gaza. Ainda assim, apesar do aumento dos riscos envolvidos, multid\u00f5es voltaram \u00e0s ruas sob Trump. Nas Cidades G\u00eameas, manifestantes expulsaram o ICE da cidade por conta pr\u00f3pria, encerrando na pr\u00e1tica a chamada \u201cOpera\u00e7\u00e3o Metro Surge\u201d; milh\u00f5es de pessoas tamb\u00e9m participaram, no fim de mar\u00e7o, das manifesta\u00e7\u00f5es nacionais \u201cNo Kings\u201d, marchando ao som de palavras de ordem e slogans antiguerra \u2014 apesar da faixa politicamente vaga sob a qual ONGs progressistas e sindicatos insistem em organiz\u00e1-las.<\/p>\n<p><strong>11.<\/strong><\/p>\n<p>Mas, se uma mudan\u00e7a j\u00e1 \u00e9 percept\u00edvel na opini\u00e3o p\u00fablica estadunidense \u2014 especialmente entre eleitores democratas e independentes \u2014, o mesmo est\u00e1 longe de ocorrer entre a lideran\u00e7a democrata no Congresso ou nos gabinetes dos governadores dos \u201cestados azuis\u201d (democratas). Hoje, \u00e9 justamente esse aparato partid\u00e1rio que constitui o maior obst\u00e1culo a uma mudan\u00e7a radical de rumo, pois ele bloqueia cada vez mais n\u00e3o apenas o desejo de sua pr\u00f3pria base por uma pol\u00edtica externa menos ensanguentada, mas tamb\u00e9m o de uma maioria da popula\u00e7\u00e3o adulta apta a votar. H\u00e1, portanto, raz\u00f5es para duvidar que os democratas consigam capitalizar politicamente a impopularidade de Trump e de sua guerra, mesmo que os republicanos percam o controle das duas casas do Congresso nas elei\u00e7\u00f5es de meio de mandato de 2026, como muitos agora preveem. A cada novo aperto do parafuso imperial, a cada novo ato de banditismo e intimida\u00e7\u00e3o sem lei, algum operador pol\u00edtico democrata \u2014 atual ou antigo \u2014 ou alguma figura do partido tratou de endossar a a\u00e7\u00e3o, ainda que nem sempre os m\u00e9todos empregados para realiz\u00e1-la.<\/p>\n<p>Essa cumplicidade tornou-se evidente na impressionante aus\u00eancia de oposi\u00e7\u00e3o \u2014 por parte do Partido da Oposi\u00e7\u00e3o \u2014 em cada etapa da escalada da guerra contra o Ir\u00e3. Nos oito dias que antecederam o in\u00edcio das hostilidades, enquanto os Estados Unidos mobilizavam a maior armada no Oriente M\u00e9dio desde a Opera\u00e7\u00e3o Iraqi Freedom, com a clara inten\u00e7\u00e3o de utiliz\u00e1-la, os democratas nada fizeram. Segundo relatos, membros da Comiss\u00e3o de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores adiaram deliberadamente a press\u00e3o por uma vota\u00e7\u00e3o da <em>War Powers Resolution<\/em> at\u00e9 depois do in\u00edcio da guerra; uma vez iniciado o conflito, a resolu\u00e7\u00e3o fracassou na C\u00e2mara exatamente pelo n\u00famero de deser\u00e7\u00f5es democratas necess\u00e1rio para derrub\u00e1-la: quatro votos. De acordo com um assessor s\u00eanior de pol\u00edtica externa do l\u00edder da minoria no Senado, Chuck Schumer, o desfecho preferido de muitos democratas alinhados ao AIPAC era justamente que Trump agisse unilateralmente, \u201cenfraquecendo o Ir\u00e3 enquanto absorvia o desgaste pol\u00edtico interno antes das elei\u00e7\u00f5es de meio de mandato\u201d. At\u00e9 mesmo democratas de alto escal\u00e3o que votaram a favor da <em>War Powers Resolution<\/em> sinalizaram estar \u201cabertos\u201d a apoiar um pacote suplementar de 50 bilh\u00f5es de d\u00f3lares para \u201cmanter as tropas americanas seguras\u201d. Schumer \u00e9 um dos mais ferrenhos defensores de uma linha dura contra o Ir\u00e3 em qualquer um dos dois partidos, e suas cr\u00edticas p\u00fablicas \u00e0 guerra limitaram-se a pedidos burocr\u00e1ticos por \u201cdetalhes cruciais\u201d sobre \u201cos objetivos desses ataques\u201d; em privado, assegurou a um grupo judaico que sua fun\u00e7\u00e3o \u00e9 \u201clutar por toda a ajuda de que Israel precisar\u201d.<\/p>\n<p><strong>12.<\/strong><\/p>\n<p>Embora uma escalada ainda possa, em tese, alterar o rumo do conflito, no momento em que este texto \u00e9 escrito o ataque americano-israelense n\u00e3o conseguiu aniquilar o Ir\u00e3 como for\u00e7a militar; tampouco provocar uma divis\u00e3o no regime clerical; nem sequer restaurar o <em>status quo <\/em>anterior por meio da reabertura do Estreito de Ormuz. Uma insurrei\u00e7\u00e3o curda iraniana, que chegou a ser cogitada, rapidamente perdeu for\u00e7a \u2014 embora tenha provocado uma chuva de m\u00edsseis e drones da Guarda Revolucion\u00e1ria iraniana sobre Erbil. A tentativa de estabelecer uma cabe\u00e7a de ponte de for\u00e7as especiais ao sul de Isfahan, possivelmente com o objetivo de roubar ur\u00e2nio enriquecido, terminou com a pr\u00f3pria For\u00e7a A\u00e9rea dos EUA destruindo suas aeronaves, sob a cobertura de um apag\u00e3o informativo sustentado pela leal m\u00eddia americana.<\/p>\n<p>Com o bloqueio do Golfo de Om\u00e3, Trump est\u00e1 seguindo o conselho de seus generais \u2014 a \u201cop\u00e7\u00e3o s\u00f3bria\u201d que propuseram no in\u00edcio da guerra, ao avaliarem que a economia iraniana era o elo mais fraco do regime. Mas essa estrat\u00e9gia talvez precise durar anos para surtir algum efeito, enquanto os pre\u00e7os do petr\u00f3leo sobem, a infla\u00e7\u00e3o se consolida \u2014 e os iranianos redirecionam importa\u00e7\u00f5es por m\u00faltiplas rotas terrestres, via Turquia, C\u00e1ucaso ou Paquist\u00e3o. Trump ainda disp\u00f5e de muitas op\u00e7\u00f5es, como Arrighi certamente observaria: tentar assumir o controle da ilha de Kharg ou de outras localiza\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas e centros petrol\u00edferos; intensificar os bombardeios ou os assassinatos de l\u00edderes do regime; capturar o ur\u00e2nio enriquecido iraniano; ou at\u00e9 tentar controlar o pr\u00f3prio Estreito de Ormuz. Mas, a cada passo, ele se aprofunda ainda mais no impasse. Uma interven\u00e7\u00e3o terrestre de grande escala significaria baixas americanas, alimentando o descontentamento da base MAGA; manter o bloqueio do Golfo de Om\u00e3 sem reabrir o Estreito de Ormuz aprofunda os danos \u00e0 economia global. Em vez de provocar uma insurrei\u00e7\u00e3o contra o regime iraniano, a guerra acabou revitalizando o \u00e2nimo de sua base religiosa antes desmoralizada, que agora ocupa as ruas de Teer\u00e3 e de outras grandes cidades com desfiles noturnos de motocicletas, bandeiras e m\u00fasica marcial.<\/p>\n<p><strong>13.<\/strong><\/p>\n<p>Onde tudo isso terminar\u00e1? Vale a pena recordar as trajet\u00f3rias imprevistas das guerras anteriores dos Estados Unidos no Golfo. Em 1991, George H. W. Bush \u2014 ex-diretor da CIA e consumado representante da velha elite estadunidense \u2014 conduziu aquilo que muitos defensores do imp\u00e9rio ainda consideram a guerra perfeita. Depois de praticamente fechar os olhos para a tentativa de Saddam Hussein de anexar o Kuwait, Washington declarou o ato um ultraje internacional; passou ent\u00e3o meio ano montando uma coaliz\u00e3o global contra o Iraque, estendendo elaboradas cortesias diplom\u00e1ticas a Gorbachev, Shevardnadze e aos l\u00edderes \u00e1rabes, ao mesmo tempo em que mantinha Israel fora do conflito para evitar despertar sentimentos de fraternidade \u00e1rabe em rela\u00e7\u00e3o ao Iraque. Os Estados Unidos garantiram autoriza\u00e7\u00e3o para utilizar bases a\u00e9reas em toda a Pen\u00ednsula Ar\u00e1bica e prepararam a nova gera\u00e7\u00e3o de m\u00edsseis inteligentes para sua performance televisionada contra a infantaria iraquiana em retirada.<\/p>\n<p>Mas, ap\u00f3s essa orquestra\u00e7\u00e3o requintada, qual foi o desfecho? Bush fez um apelo hesitante pela derrubada de Saddam, mas, no \u00faltimo instante, retornou a uma pol\u00edtica mais cautelosa: deix\u00e1-lo militarmente incapacitado, por\u00e9m ainda no poder. Mesmo assim, uma revolta xiita iraquiana apoiada pela CIA avan\u00e7ou e acabou brutalmente reprimida por Bagd\u00e1. A Primeira Guerra do Golfo revelou-se o in\u00edcio de uma d\u00e9cada de guerra econ\u00f4mica contra o Iraque, conduzida por meio de san\u00e7\u00f5es devastadoras da ONU e da dissemina\u00e7\u00e3o da desnutri\u00e7\u00e3o infantil, refor\u00e7ada pelos bombardeios anglo-americanos sob Clinton e Blair, enquanto os neoconservadores de Washington acumulavam for\u00e7a em torno do apelo para \u201cterminar o servi\u00e7o\u201d. O resultado foi a Segunda Guerra do Golfo: a invas\u00e3o do Iraque por Bush e Blair em 2003, seguida de uma ocupa\u00e7\u00e3o militar de oito anos, at\u00e9 que Obama considerou seguro retirar as for\u00e7as americanas \u201cpara al\u00e9m do horizonte\u201d, instaladas no Bahrein e no Catar \u2014 apenas para retomar os bombardeios quando a resist\u00eancia sunita iraquiana se transformou no ISIS e estabeleceu um califado sediado em Mossul.<\/p>\n<p>O decl\u00ednio das delicadezas diplom\u00e1ticas estadunidenses e do apoio internacional entre 1991 e 2026 \u2014 assim como a transforma\u00e7\u00e3o do papel de Israel, de acess\u00f3rio embara\u00e7oso a iniciador e co-beligerante do conflito \u2014 dispensa maiores coment\u00e1rios. A principal li\u00e7\u00e3o desses precedentes hist\u00f3ricos \u2014 \u201ccrises-sinalizadoras\u201d, no vocabul\u00e1rio de Arrighi \u2014 \u00e9 sua dura\u00e7\u00e3o imprevista. Trump pode encerrar esta fase ou lan\u00e7ar uma nova escalada; mas a guerra americano-israelense contra o Ir\u00e3 iniciada em junho de 2025 dificilmente terminar\u00e1 t\u00e3o cedo.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. Se voc\u00ea valoriza nossa produ\u00e7\u00e3o, seja nosso apoiador e fortale\u00e7a o jornalismo cr\u00edtico: <strong>apoia.se\/outraspalavras<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>The post Ir\u00e3: Balan\u00e7o da guerra em que Trump se enredou appeared first on Outras Palavras.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/finalmente-selado-acordo-ue-mercosul-aprovado-apos-decadas-de-espera-promete-transformar-futuro-da-economia\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Finalmente Selado: acordo UE-Mercosul aprovado ap\u00f3...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/anvisa-discute-regras-para-a-producao-de-cannabis-no-pais\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Anvisa discute regras para a produ\u00e7\u00e3o de cannabis ...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/inicia-a-formacao-estadual-dos-educadores-as-da-eja-em-pernambuco-jornada-de-alfabetizacao-do-mst-nordeste\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/WhatsApp-Image-2025-02-16-at-17.53.26-1024x576-1-150x150.jpeg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Inicia a Forma\u00e7\u00e3o Estadual dos Educadores\/as da EJ...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/estadao-joga-bolsonaro-aos-peixes\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Estad\u00e3o joga Bolsonaro aos peixes<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Casa Branca apostou em campanha r\u00e1pida. 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