{"id":86521,"date":"2026-05-08T14:37:22","date_gmt":"2026-05-08T17:37:22","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/a-musica-sertaneja-filha-do-agronegocio\/"},"modified":"2026-05-08T14:37:22","modified_gmt":"2026-05-08T17:37:22","slug":"a-musica-sertaneja-filha-do-agronegocio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/a-musica-sertaneja-filha-do-agronegocio\/","title":{"rendered":"A m\u00fasica sertaneja filha do agroneg\u00f3cio"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-9-1024x682-1.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-9-1024x682-1.png 1024w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/05\/08143640\/image-9-1024x682-1-300x200.png 300w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/05\/08143640\/image-9-1024x682-1-768x512.png 768w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/05\/08143640\/image-9-1024x682-1-272x182.png 272w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption>Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Regi\u00e3o News<\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"859\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Sertanejo-universitario-14x21-102p-600x859-1.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Sertanejo-universitario-14x21-102p-600x859-1.jpg 600w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/05\/08141900\/Sertanejo-universitario-14x21-102p-600x859-1-210x300.jpg 210w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\"><\/figure>\n<\/div>\n<p>A partir do Livro: SERTANEJO UNIVERSIT\u00c1RIO <br \/>Agroneg\u00f3cio e ind\u00fastria cultural<br \/>Autor: Ca\u00edque Carvalho<br \/>100 p\u00e1ginas<br \/>Editora Telha<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Come\u00e7ando com um coment\u00e1rio simpl\u00f3rio: onde a vaca vai, o boi vai atr\u00e1s; onde o neg\u00f3cio vai, a cultura vai atr\u00e1s.<br \/>Como se sabe, o modo de produ\u00e7\u00e3o e as rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e sociais que dele derivam desenham a cara da sociedade. Os caminhos que a m\u00fasica sertaneja seguiu desde o come\u00e7o do s\u00e9culo XX s\u00e3o evid\u00eancias disso. Ela j\u00e1 foi a m\u00fasica de caipiras, cuja origem era a zona rural de uma agricultura atrasada. Hoje ela se diz universit\u00e1ria e se ancora no agroneg\u00f3cio, que nos nossos dias \u00e9 a principal atividade da economia do pa\u00eds.<\/p>\n<p>A m\u00fasica caipira, tamb\u00e9m chamada de sertaneja, come\u00e7a por ser o modo de express\u00e3o de artistas origin\u00e1rios do meio rural do interior paulista, dominado pelo latif\u00fandio do caf\u00e9 \u2014 \u00e0 margem do qual se produziam em pequenas propriedades os alimentos do dia a dia, o leite, o porco, o frango, ovos, a verdura, as frutas, para as cidades e para a subsist\u00eancia.<\/p>\n<p>Naqueles terreiros se encontravam o caipira paulista, vindo do ind\u00edgena, do negro e do portugu\u00eas, suas modas e dan\u00e7as como o cateret\u00ea, com os descendentes do italiano e do espanhol e suas mem\u00f3rias musicais. Deles vai nascer um tipo de m\u00fasica, a moda de viola, que faz o elogio da vida no campo em contraste com a vida na cidade, que trata da rela\u00e7\u00e3o do pe\u00e3o com o gado, da beleza da natureza, das tristezas do caboclo, o amor, o drama.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/15-6.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/15-6.png 680w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2025\/12\/04164347\/15-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Esses artistas, de um falar diferente do falar urbano, chamado de caipira com um tom de desd\u00e9m, apesar disso encontraram um p\u00fablico nas cidades, divulgaram essas m\u00fasicas, as levaram para o disco e a r\u00e1dio. S\u00e3o aqueles mesmos chamados jecas, de m\u00e3os calejadas pela foice e a enxada, sa\u00eddos da ro\u00e7a pela for\u00e7a de sua po\u00e9tica e o som de suas violas. Como Tonico e Tinoco, Alvarenga e Ranchinho e tantos outros.<\/p>\n<p>Nas d\u00e9cadas seguintes, o pa\u00eds se industrializou, as cidades cresceram, a sociedade mudou. Expressando essas mudan\u00e7as, a cultura musical encontrou outras formas. A m\u00fasica sertaneja de S\u00e3o Paulo incorporou influ\u00eancias nordestinas e ga\u00fachas, do M\u00e9xico e do Paraguai, do <em>country<\/em> dos Estados Unidos. Foram introduzidos outros instrumentos, como o acordeon (sanfona), bateria e guitarra, mas manteve seus temas principais. Posteriormente, iria passar por grandes modifica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O agroneg\u00f3cio nasceu na ditadura militar. No final da d\u00e9cada de 1960, o governo da \u00e9poca, a ditadura militar, acossado pela press\u00e3o do excedente de camponeses sem terra e pelos nordestinos flagelados pela seca, tentou induzi-los a imigrar para o Centro-Oeste e Norte, Mato Grosso, ent\u00e3o vazios populacionais. Os camponeses resistiram. Queriam terra, mas no Centro-Sul, perto das cidades e estradas, onde havia (e h\u00e1) enormes latif\u00fandios improdutivos. Sem alternativa, uma parte deles seguiu para o Norte. Acabaram como m\u00e3o de obra nos latif\u00fandios modernizados instalados por ali.<\/p>\n<p>Porque a pol\u00edtica do governo tinha outra abordagem, a de promover a implanta\u00e7\u00e3o de empresas agropecu\u00e1rias para ocupar o enorme vazio. Fez estradas, deu grandes extens\u00f5es de terra, promoveu incentivos fiscais para estimular os investimentos no Par\u00e1, Rond\u00f4nia, Mato Grosso. Foi o PIN (Plano de Integra\u00e7\u00e3o Nacional), um processo de moderniza\u00e7\u00e3o conservadora. Pecuaristas de S\u00e3o Paulo, Minas Gerais e at\u00e9 multinacionais como a Volkswagen participaram de imenso desmatamento e implanta\u00e7\u00e3o de pastagens para cria\u00e7\u00e3o de gado.<\/p>\n<p>Depois, na d\u00e9cada de 1980, vieram os agricultores, muitos vindos do Rio Grande do Sul e Paran\u00e1. Trouxeram sua cultura ga\u00fachesca e a m\u00fasica vaner\u00e3o. Come\u00e7aram a plantar soja, milho e algod\u00e3o para a exporta\u00e7\u00e3o. O mercado internacional estava sedento dessas <em>commodities. <\/em>Grandes multinacionais se envolveram no processo, instalando-se no centro do sistema \u2014 Cargill, Dreyfus, Bunge etc. \u2014 passaram a controlar os investimentos para os grandes agricultores, a produ\u00e7\u00e3o e venda de adubos, venenos, m\u00e1quinas e tratores. Desde a d\u00e9cada de 1980, dominam os pre\u00e7os do produto colhido, valorado na Bolsa de Chicago, e se encarregam de sua exporta\u00e7\u00e3o, seja para a China ou qualquer outra parte.<\/p>\n<p>Esse sistema internacional associado aos grandes produtores brasileiros se tornou conhecido como agroneg\u00f3cio. Isso porque n\u00e3o envolve apenas a agricultura, mas um sistema industrial de financiamento, produ\u00e7\u00e3o e com\u00e9rcio de m\u00e1quinas, adubos e agrot\u00f3xicos, importa\u00e7\u00e3o de insumos e exporta\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Cresceu de tal forma que, ap\u00f3s 40 anos, se tornou o principal contribuinte para o PIB da economia brasileira, ao mesmo tempo em que a ind\u00fastria nacional mergulhava em uma crise prolongada, perdendo espa\u00e7o e atrasando-se tecnologicamente. Trata-se de uma reprimariza\u00e7\u00e3o da economia do pa\u00eds. Isto \u00e9, as atividades econ\u00f4micas prim\u00e1rias passaram a predominar, o pa\u00eds retornando a uma condi\u00e7\u00e3o de fornecedor de mat\u00e9rias-primas para o mercado internacional e sendo obrigado a importar produtos industrializados, muitos dos quais antes produzia. Exemplo: o Brasil produzia seus trens: locomotivas, vag\u00f5es, trilhos; hoje importa.<\/p>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<p>O agroneg\u00f3cio se desenvolveu a partir do Centro-Sul, S\u00e3o Paulo, Paran\u00e1, Rio Grande do Sul, e se expandiu para o Centro-Oeste e Norte, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goi\u00e1s, Par\u00e1, Rond\u00f4nia, depois para o Leste: Bahia, Piau\u00ed, Tocantins, Maranh\u00e3o. Grande desmatamento da floresta e do cerrado, cobrindo o solo com produ\u00e7\u00e3o de soja, milho, algod\u00e3o e pastagens para o gado, quase tudo para a exporta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Essa agroind\u00fastria torna-se respons\u00e1vel por transforma\u00e7\u00f5es como a expans\u00e3o da malha rodovi\u00e1ria e o surgimento de centros produtivos em torno de seu territ\u00f3rio em cidades de pequeno e m\u00e9dio porte que funcionam como agrofornecedores, as oficinas, hot\u00e9is, escrit\u00f3rios de assessoria agron\u00f4mica. E emergem como s\u00edmbolos ideol\u00f3gicos de modernidade (amplo uso da internet), riqueza, sucesso.<\/p>\n<p>\u00c0 sombra desse sistema de hegemonia capitalista, se desenvolveu um ambiente cultural pr\u00f3prio, presente nas rela\u00e7\u00f5es sociais, inclusive na m\u00fasica, como se ver\u00e1 adiante, e que se caracteriza pelo posicionamento pol\u00edtico conservador, cujos representantes nas entidades de governo e do Parlamento ir\u00e3o se tornar predominantes no cen\u00e1rio tanto local como nacional. Em 2026, a maior bancada no Congresso Nacional \u00e9 a do agroneg\u00f3cio.<\/p>\n<p>A moderniza\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas agr\u00edcolas com a inclus\u00e3o de novas tecnologias, equipamentos sofisticados e novos m\u00e9todos de tratamento do solo exigia m\u00e3o de obra mais desenvolvida. Essa demanda foi atendida n\u00e3o s\u00f3 pela imigra\u00e7\u00e3o dos centros urbanos do Centro-Sul como pela implanta\u00e7\u00e3o massiva de novas universidades pelo interior do pa\u00eds promovida pelos governos do PT (com Lula de 2003 a 2010 e Dilma at\u00e9 2016). Assim, os jovens do interior ganhavam oportunidade de se preparar para atender \u00e0 procura dessa nova m\u00e3o de obra, formando-se majoritariamente em agronomia, medicina veterin\u00e1ria e zootecnia, entre outras disciplinas.<\/p>\n<p>A m\u00fasica sertaneja predomina nesse ambiente rural. Ela ser\u00e1 absorvida, mas tamb\u00e9m modificada pelos novos artistas que v\u00e3o surgindo \u00e0 sombra do agroneg\u00f3cio, procurando atender a um novo p\u00fablico, pela primeira vez majoritariamente jovem e, como os novos artistas, eles tamb\u00e9m fazendo parte da juventude universit\u00e1ria.<\/p>\n<p>Estudantes n\u00e3o s\u00f3 estudam, mas se divertem. Foi nesse contexto, atrav\u00e9s de jovens artistas que tocavam em festas e barzinhos em cidades-chave do agroneg\u00f3cio, como Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, que o sertanejo universit\u00e1rio despontou. Sua origem se localiza entre 2003 e 2005, com o lan\u00e7amento de \u00e1lbuns precursores como <em>Palavras de Amor<\/em>, de Cesar Menotti e Fabiano. Tratam de \u201cexpress\u00e3o em forma\u00e7\u00e3o\u201d na medida em que incorporam elementos da m\u00fasica sertaneja anterior tanto quanto os que se gestavam.<\/p>\n<p>O agroneg\u00f3cio, preocupado com sua pr\u00f3pria imagem, criticado como \u201cconservador\u201d, \u201catrasado\u201d, \u201cdestruidor do meio ambiente\u201d, buscou estrat\u00e9gias de marketing para se apresentar positivamente com express\u00f5es como \u201cO agro \u00e9 tech, o agro \u00e9 pop, o agro \u00e9 tudo\u201d. E, principalmente no in\u00edcio, incentivou o sertanejo universit\u00e1rio como uma express\u00e3o representativa do ambiente rural modernizado.<\/p>\n<p>O surgimento desse subg\u00eanero se deu em um momento de crise da ind\u00fastria fonogr\u00e1fica. Os novos artistas, fazendo grava\u00e7\u00f5es sem sofistica\u00e7\u00e3o, se apresentando ao vivo em bares, festas, foram al\u00e9m: encontram caminhos alternativos para divulgar amplamente sua m\u00fasica por meio da internet, pela pirataria, plataformas de streaming como Netflix, Spotify e redes sociais como TikTok, Facebook e Instagram. Foi o g\u00eanero musical que melhor aproveitou a grande janela da internet.<\/p>\n<p>Logo, essa vertente foi abra\u00e7ada pelo mercado musical capitalista, que investiu nos artistas e em marketing e propaganda. N\u00e3o foi a primeira vez que concep\u00e7\u00f5es art\u00edsticas surgiram atreladas a estrat\u00e9gias de mercado. A arte no capitalismo, transformada em mercadoria, est\u00e1 sujeita \u00e0s imposi\u00e7\u00f5es da ind\u00fastria de bens culturais, cuja meta priorit\u00e1ria \u00e9 o lucro.<\/p>\n<p>Assim, o sertanejo universit\u00e1rio teve amplificada sua presen\u00e7a junto ao p\u00fablico, em feiras e exposi\u00e7\u00f5es agropecu\u00e1rias, e nos rodeios, como os de Barretos (SP) e Expo Londrina (PR), AgroShow e muitos outros eventos. Em seguida, seus artistas chegaram a mega shows na TV e no r\u00e1dio, sua m\u00fasica virou trilha de novela da TV Globo, tornando-se o fen\u00f4meno musical de maior repercuss\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 nas regi\u00f5es do agroneg\u00f3cio, mas em todo o pa\u00eds, empolgando principalmente a juventude.<\/p>\n<p>Para te\u00f3ricos como Theodor Adorno, em <em>Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 Sociologia da M\u00fasica,\u00a0<\/em>tais m\u00fasicas n\u00e3o s\u00e3o aut\u00eanticas manifesta\u00e7\u00f5es de cultura de massas produzida pelo povo. Trata-se de um produto da ind\u00fastria cultural.<\/p>\n<p>De fato, hoje o cen\u00e1rio sertanejo \u00e9 de um processo de intensifica\u00e7\u00e3o da divis\u00e3o de trabalho por meio de\u00a0<em>startups<\/em> e escrit\u00f3rios especializados nas composi\u00e7\u00f5es de <em>hits<\/em>, de onde surgem todo dia can\u00e7\u00f5es compostas e em seguida lan\u00e7adas no mercado. Realizadas por grupos de autores, eles repartem a renda obtida atrav\u00e9s de direitos autorais.<\/p>\n<p>Isso s\u00f3 foi poss\u00edvel a partir da concentra\u00e7\u00e3o de capitais investidos no setor, o que o tornou o centro da ind\u00fastria cultural brasileira do s\u00e9culo XXI. Os investimentos nessa vertente musical foram al\u00e9m dos festejos agropecu\u00e1rios, desenvolveram uma s\u00e9rie de festivais pr\u00f3prios de m\u00fasica sertaneja, como o Caldas Country e o Villa Mix, ambos oriundos de Goi\u00e1s.<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia de lan\u00e7amentos faz uso generalizado do tradicional \u201cjab\u00e1\u201d, que \u00e9 a compra de espa\u00e7o na emissora de TV ou r\u00e1dio, que torna vis\u00edvel o artista ou uma can\u00e7\u00e3o espec\u00edfica em detrimento de outras produ\u00e7\u00f5es. Um artista que fatura de 20 a 40 milh\u00f5es por ano sustenta sua visibilidade gastando 500 mil reais para cada faixa que divulga no r\u00e1dio. O \u00fanico risco que corre \u00e9 de a m\u00fasica dar errado.<\/p>\n<p>Esse subg\u00eanero musical tem encontrado muitas resist\u00eancias, a come\u00e7ar por parte de artistas sertanejos tradicionais como Zez\u00e9 de Camargo, que o qualificou de \u201cmentira marqueteira\u201d, e cr\u00edticos musicais como M\u00e1rio Marques, que disse: \u201c\u00e9 uma praga!\u201d Na popula\u00e7\u00e3o, h\u00e1 quem n\u00e3o goste e o chame de \u201csertanojo\u201d e outros ep\u00edtetos depreciativos.<\/p>\n<p>Afinal, que m\u00fasica \u00e9 essa? Apropria-se da r\u00edtmica e sonoridade da m\u00fasica sertaneja tradicional. E acrescenta \u00e0 viola e viol\u00e3o o acordeon e a guitarra, absorvendo um toque <em>country. <\/em>Importa outras caracter\u00edsticas, como o chap\u00e9u e botas de <em>cowboy<\/em> e cintur\u00e3o com largas fivelas. A tem\u00e1tica varia desde a cr\u00f4nica da vida universit\u00e1ria, como em <em>Faculdade da Pinga: \u201cda faculdade n\u00e3o sei quando que eu saio formado\/mas na escola da pinga eu j\u00e1 tenho doutorado\u201d.<\/em><\/p>\n<p><em>O tema do \u201camor\u201d<\/em> aparece combinado com o universo das festividades dos rodeios, festas de pe\u00e3o, feiras e exposi\u00e7\u00f5es agropecu\u00e1rias e at\u00e9 refer\u00eancias ao sucesso econ\u00f4mico individual, como no caso de:<\/p>\n<p><em>Eu vou fazer um leil\u00e3o\/Quem d\u00e1 mais pelo meu cora\u00e7\u00e3o\u2026<\/em><\/p>\n<p>Um exemplo significativo desse subg\u00eanero musical, fruto cultural do agroneg\u00f3cio e de um ambiente universit\u00e1rio voltado para o rural, \u00e9 a m\u00fasica <em>Aceito sua decis\u00e3o\/Pois \u00e9, <\/em>da dupla Jo\u00e3o Bosco &amp; Vinicius. Em um v\u00eddeo, seis m\u00fasicos est\u00e3o sentados em banquinhos e caixotes num gramado, tendo ao fundo uma casa em ru\u00ednas tipicamente rural. Dois cantores com sotaque caipira, carregado nos erres, acompanhados por parceiros no acordeon, viola, viol\u00e3o e guitarra. A melodia tem toques de guar\u00e2nia. Descreve a cena de um casal se separando:<\/p>\n<p><em>tudo bem, pode ir, eu aceito sua decis\u00e3o\/abro a porta da sala e a ajudo com as malas (\u2026) finalizo nosso caso tudo entre n\u00f3s acabado\/ porta aberta para a solid\u00e3o\u2026<\/em><\/p>\n<p>O sertanejo universit\u00e1rio foi assim chamado porque a maioria dos artistas veio desse meio universit\u00e1rio que se formou em capitais do interior do pa\u00eds, como Campo Grande. E tamb\u00e9m porque, principalmente no in\u00edcio, seu p\u00fablico era majoritariamente jovem e em grande parte universit\u00e1rio.<\/p>\n<p>Hoje esse subg\u00eanero faz parte de um grande complexo da ind\u00fastria cultural do pa\u00eds. Cobrando cach\u00eas milion\u00e1rios, seus artistas t\u00eam acumulado fortunas. Muitas de suas m\u00fasicas alcan\u00e7aram sucesso nacional e, pelo menos uma, <em>Ai se eu te pego!<\/em> do paranaense Michel Tel\u00f3, teve repercuss\u00e3o internacional. Michel Tel\u00f3 veio das origens desse g\u00eanero musical, apresentando-se nos barzinhos do in\u00edcio dos anos 2000, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Talvez seja o maior representante do sertanejo universit\u00e1rio. Mas nunca frequentou a universidade.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. 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Ideal de <i>rural modernizado<\/i> e a expans\u00e3o do ensino superior s\u00e3o fatores decisivos. Ruralismo o acolheu em rodeios e megafeiras: era o marketing perfeito para rejuvenescer sua imagem conservadora<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/crise-brasileira\/a-musica-sertaneja-filha-do-agronegocio\/\">A m\u00fasica sertaneja filha do agroneg\u00f3cio<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":86522,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[117,53437,6007,55873,55874,55875,578,20517,55876],"tags":[],"class_list":["post-86521","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-agronegocio","category-bancada-do-agro","category-crise-brasileira","category-interior-do-pais","category-mercado-musical","category-musica-sertaneja","category-pib","category-sertanejo-universitario","category-sistema-industrial-de-financiamento"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/86521","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=86521"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/86521\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/86522"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=86521"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=86521"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=86521"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}