{"id":86800,"date":"2026-05-11T17:50:10","date_gmt":"2026-05-11T20:50:10","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/em-qual-soberania-o-brasil-deveria-apostar\/"},"modified":"2026-05-11T17:50:10","modified_gmt":"2026-05-11T20:50:10","slug":"em-qual-soberania-o-brasil-deveria-apostar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/em-qual-soberania-o-brasil-deveria-apostar\/","title":{"rendered":"Em qual soberania o Brasil deveria apostar?"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"534\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/photo_4904831362339114079_x.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/photo_4904831362339114079_x.jpg 800w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/05\/11174555\/photo_4904831362339114079_x-300x200.jpg 300w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/05\/11174555\/photo_4904831362339114079_x-768x513.jpg 768w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/05\/11174555\/photo_4904831362339114079_x-272x182.jpg 272w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\"><figcaption>Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/M\u00eddia Ninja<\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong><strong>Sabrina Fernandes<\/strong><\/strong> em entrevista a <strong><strong>Thiago Gama<\/strong><\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 intelectuais que constroem muros entre o pensamento e o mundo. E h\u00e1 os que derrubam esses muros toda vez que escrevem \u2014 ou a c\u00e2mera. Sabrina Fernandes pertence \u00e0 segunda categoria com uma radicalidade que n\u00e3o \u00e9 performance, mas m\u00e9todo.<\/p>\n<p>Nascida numa gera\u00e7\u00e3o que herdou simultaneamente a derrota das utopias do s\u00e9culo XX e a urg\u00eancia apocal\u00edptica do colapso clim\u00e1tico, ela escolheu o caminho mais dif\u00edcil: n\u00e3o lamentar a heran\u00e7a, mas reformul\u00e1-la. Com mestrado em economia pol\u00edtica e doutorado em sociologia, Sabrina construiu uma trajet\u00f3ria acad\u00eamica que recusa a torre de marfim como endere\u00e7o permanente. Seus livros \u2014 <em>Sintomas M\u00f3rbidos<\/em> (2019) e <em>Se quiser mudar o mundo<\/em> (2020) \u2014 tornaram-se refer\u00eancia obrigat\u00f3ria para uma esquerda que precisava urgentemente de um espelho honesto. Ela o ofereceu sem anestesia.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/1-12.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/1-12.png 680w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2025\/12\/04164347\/15-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Editora de novas gera\u00e7\u00f5es de Marx e Engels no Brasil \u2014 <em>O Manifesto Comunista<\/em> (2021) e <em>O 18 de Brum\u00e1rio de Lu\u00eds Bonaparte<\/em> (2022) \u2014, Sabrina n\u00e3o trata os cl\u00e1ssicos como rel\u00edquias. Os devolve ao presente como ferramentas vivas, capazes de cortar o que precisa ser cortado. \u00c9 esse gesto \u2014 o de recusar a fossiliza\u00e7\u00e3o do pensamento cr\u00edtico \u2014 que atravessa toda a sua obra e que a distingue numa gera\u00e7\u00e3o de intelectuais que por vezes confunde erudi\u00e7\u00e3o com embalsamamento.<\/p>\n<p>Hoje, como cientista residente do prestigioso Programa C\u00e9sar Lattes do Instituto de Estudos Avan\u00e7ados da Unicamp, consultora s\u00eanior de pesquisa do Centro de Tecnologia e Industrializa\u00e7\u00e3o para Desenvolvimento da Universidade de Oxford (TIDE) e Fellow S\u00eanior de Lideran\u00e7a do Instituto Alameda, Sabrina circula entre o Sul Global e o Norte sem perder o sul. Suas pesquisas nas fronteiras entre economia pol\u00edtica das transi\u00e7\u00f5es, justi\u00e7a clim\u00e1tica, internacionalismo, decrescimento e ecossocialismo n\u00e3o s\u00e3o territ\u00f3rios paralelos \u2014 s\u00e3o faces de um mesmo projeto intelectual: demonstrar que outro fim \u00e9 poss\u00edvel, e que esse fim come\u00e7a pela honestidade brutal sobre os limites do presente.<\/p>\n<p>Mas o que talvez defina Sabrina Fernandes de forma mais precisa do que qualquer credencial \u00e9 o que acontece quando algu\u00e9m a encontra fora dos circuitos acad\u00eamicos. Ela trata o interlocutor \u2014 qualquer interlocutor \u2014 como par. N\u00e3o por mod\u00e9stia calculada, n\u00e3o por pedagogia condescendente, mas porque acredita, com consist\u00eancia rara, que o pensamento s\u00f3 se faz no encontro real entre pessoas reais. Esta entrevista nasceu dessa cren\u00e7a. E o leitor que chegar at\u00e9 o fim entender\u00e1 que a generosidade intelectual, quando \u00e9 genu\u00edna, n\u00e3o \u00e9 virtude pessoal \u2014 \u00e9 tamb\u00e9m postura pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Sabrina Fernandes \u00e9 uma das vozes mais necess\u00e1rias e corajosas do pensamento cr\u00edtico brasileiro contempor\u00e2neo. Leia a entrevista concedida por e-mail.<\/p>\n<p><strong>Em sua palestra de abertura na Unicamp (mar\u00e7o de 2026) e em debates recentes, voc\u00ea tem defendido o conceito de \u201cpolicrise planet\u00e1ria\u201d para caracterizar crises que se retroalimentam, e se referiu ao genoc\u00eddio em Gaza como um exemplo brutal da \u201ceconomia da cat\u00e1strofe\u201d. Em 2026, em meio \u00e0 COP30 e seus desdobramentos, como esses dois conceitos se articulam? A \u201ceconomia da cat\u00e1strofe\u201d seria a forma mais aguda de manifesta\u00e7\u00e3o da policrise sob o capitalismo contempor\u00e2neo, e que alternativas concretas o ecossocialismo pode oferecer para romper essa l\u00f3gica?<\/strong><\/p>\n<p>O conceito de policrise ressurge com for\u00e7a a partir da pandemia da covid-19 e da invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia, para explicar como os dois eventos geraram efeitos m\u00faltiplos por todo o mundo, somando-se aos impactos da emerg\u00eancia clim\u00e1tica. \u00c9 tamb\u00e9m um importante conceito para elucidar que as crises pioram umas \u00e0s outras e como solu\u00e7\u00f5es compartimentalizadas a uma crise podem gerar impactos ainda piores em outros lugares, povos e escalas. Da\u00ed a relev\u00e2ncia de discutir o que vivemos em termos de uma \u201cpolicrise planet\u00e1ria\u201d, termo empregado por Michael J. Albert e que abracei com o intuito de destacar as rela\u00e7\u00f5es de interdepend\u00eancia socio-metab\u00f3lica nas crises, eventos e fen\u00f4menos que vivenciamos. Essa vis\u00e3o \u00e9 estrat\u00e9gica no Sul Global, na periferia do sistema, j\u00e1 que revela como Estados e agentes poderosos tratam a maior parte do mundo como zona de sacrif\u00edcio para o seu pr\u00f3prio enriquecimento e a expans\u00e3o de seu campo hegem\u00f4nico.<\/p>\n<p>No caso do genoc\u00eddio em Gaza, vemos as interconex\u00f5es nefastas entre o colonialismo, o capital e a tecnologia em meio ao colapso da cren\u00e7a em uma ordem mundial liberal. Trata-se de uma cren\u00e7a e n\u00e3o necessariamente da realidade material, porque essa ordem sempre se constituiu em cima de um pacto de subordina\u00e7\u00e3o dos Estados p\u00f3s-coloniais e a ilus\u00e3o de que, caso todo o mundo se comportasse dentro das regras do capitalismo, o t\u00e3o sonhado desenvolvimento seria alcan\u00e7ado e a soberania de todos seria respeitada. Em nenhum momento da hist\u00f3ria do s\u00e9culo passado e do atual essa ilus\u00e3o se sustentou na pr\u00e1tica. Mesmo quando institui\u00e7\u00f5es multilaterais aparentavam maior funcionalidade, os Estados Unidos estavam invadindo m\u00faltiplos pa\u00edses ao mesmo tempo, financiando atividades paramilitares em outros, bloqueando Cuba e Venezuela, enquanto outros Estados dominantes garantiam contratos de explora\u00e7\u00e3o mineral e usavam de ferramentas diplom\u00e1ticas para acessar recursos e empresas no Sul Global, refor\u00e7ando a privatiza\u00e7\u00e3o como regra no mundo.<\/p>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<p>Essa suposta ordem sempre serviu a uns em detrimento de outros, refor\u00e7ando o modo de vida imperial no Norte Global e os padr\u00f5es de troca econ\u00f4mica e ecol\u00f3gica desigual. Ent\u00e3o a policrise aparece como um momento hist\u00f3rico de alta complexidade em que as negocia\u00e7\u00f5es para a ordem n\u00e3o mais seguem regras pr\u00e9-acordadas entre os pa\u00edses dominantes. O pacto entre eles foi quebrado, de modo que at\u00e9 as Na\u00e7\u00f5es Unidas, uma das grandes respons\u00e1veis, ao lado da Gr\u00e3-Bretanha, pelo estabelecimento do Estado colonial de Israel e pela formaliza\u00e7\u00e3o da sina dos palestinos, se revela cada vez mais uma entidade oca, cujos mandatos de direitos humanos e multilateralismo soberanos n\u00e3o s\u00e3o p\u00e1reos para o poder colonial que essas institui\u00e7\u00f5es legitimaram.<\/p>\n<p>\u00c9 assim que entendemos que o genoc\u00eddio em Gaza \u00e9 tanto sobre o avan\u00e7o colonial de Israel \u2014 da mesma forma que o Estado age para cima do L\u00edbano, da S\u00edria e de toda a regi\u00e3o \u2014 como sobre a negocia\u00e7\u00e3o de esp\u00f3lios e novas comodifica\u00e7\u00f5es que o capital busca para seguir seu caminho de crescimento supostamente infinito. O genoc\u00eddio interessa \u00e0s grandes corpora\u00e7\u00f5es de tecnologia do Vale do Sil\u00edcio, \u00e0s institui\u00e7\u00f5es financeiras, \u00e0 ind\u00fastria de constru\u00e7\u00e3o civil e \u00e0 especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria. E \u00e9 onde entendemos que a oposi\u00e7\u00e3o a ele \u00e9 mais que moral. Ao combater o sofrimento palestino, buscamos tamb\u00e9m nos desvencilhar da perversidade da economia da policrise, que quando mata crian\u00e7as e jornalistas em uma parte do mundo, tamb\u00e9m empodera corpora\u00e7\u00f5es e governantes que nos oprimem de outras formas em outros lugares, al\u00e9m de emitir gases de efeito estufa que agravam a emerg\u00eancia clim\u00e1tica para cada um de n\u00f3s.<\/p>\n<p>O avan\u00e7o da economia da cat\u00e1strofe \u00e9 o reconhecimento dos capitalistas de que sua sede por crescimento \u00e9 infinita, mas como os limites planet\u00e1rios s\u00e3o reais, este crescimento enfrenta o risco iminente de colapso. Da\u00ed, ao olharem para o abismo, percebem que seu papel \u00e9 gerenciar os esp\u00f3lios da policrise, garantindo que o que resta do planeta seja alocado para as elites e os pa\u00edses imperialistas. Essa contradi\u00e7\u00e3o \u00e9 central para a leitura ecossocialista do mundo, porque aprendemos que, ao combater o capitalismo, devemos criar uma alternativa mais completa, que n\u00e3o seja apenas sobre a propriedade dos meios de produ\u00e7\u00e3o, mas signifique tamb\u00e9m uma ruptura civilizat\u00f3ria que regule a rela\u00e7\u00e3o entre a sociedade humana e a natureza. N\u00e3o basta adquirir ferramentas para navegar melhor as crises, pois eventualmente a normaliza\u00e7\u00e3o de seus efeitos em algum canto tamb\u00e9m nos atingir\u00e1. A tarefa passa por reformular radicalmente como produzimos, o que produzimos e para que finalidade. Essa nova formula\u00e7\u00e3o \u00e9 capaz de agitar o imagin\u00e1rio de quem luta, mostrando que vale a pena construir alternativas que combinem os v\u00e1rios desejos de uma boa vida. \u00c9 sobre garantir que as lutas do s\u00e9culo XXI ecoem \u201cpaz, p\u00e3o e Terra\u201d no reconhecimento de nossas rela\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas, ousando romper com confortos tempor\u00e1rios das falsas solu\u00e7\u00f5es e realmente ir al\u00e9m do capital.<\/p>\n<p><strong>Em \u201cSintomas M\u00f3rbidos\u201d, voc\u00ea analisou a crise de pr\u00e1xis da esquerda brasileira e sua rela\u00e7\u00e3o com o avan\u00e7o do \u201cfascismo social\u201d. Mais recentemente, em 2025, voc\u00ea afirmou que o bolsonarismo \u00e9 um \u201claborat\u00f3rio de sucesso\u201d para a extrema direita mundial. Diante do cen\u00e1rio pol\u00edtico de 2026, quais sintomas dessa crise persistem ou se agravaram? Como reconstruir uma pr\u00e1xis que n\u00e3o seja apenas reativa ao fascismo, mas que antecipe a constru\u00e7\u00e3o de hegemonia, superando a \u201cpol\u00edtica da concilia\u00e7\u00e3o de classes\u201d que voc\u00ea criticou no governo Lula?<\/strong><\/p>\n<p>Dizem que temos uma crise de imagin\u00e1rio nas esquerdas. Eu diria que o problema \u00e9 mais profundo: h\u00e1 um desprezo pelo imagin\u00e1rio alternativo. Enquanto a extrema direita briga entre si, mas com uma vis\u00e3o bem mais concreta do tipo de sociedade ultraconservadora e ultracapitalista que pretende estabelecer, as esquerdas sofrem de um problema de temporalidade em nossa imagina\u00e7\u00e3o alternativa, especialmente quanto aos partidos e \u00e0s discuss\u00f5es centradas no Estado. Os povos ind\u00edgenas falam de um futuro ancestral e de um modo de vida radicalmente diferente do modo de vida branco e capitalista, mas as organiza\u00e7\u00f5es de esquerda mais focadas na disputa da estatal muitas vezes perdem a oportunidade de aprendizado e limitam seu olhar para 100 anos atr\u00e1s na Europa e apenas quatro anos para frente aqui no Brasil. Ainda h\u00e1 muito que aprender com nossa pr\u00f3pria hist\u00f3ria e inclusive com as ilus\u00f5es que a esquerda comprou a respeito do que \u00e9 progresso e desenvolvimento e sobre o desejo de juntar-nos ao tipo de economia dos Estados imperiais modernos, mesmo quando alegamos nossas posturas anti-imperialistas.<\/p>\n<p>No <em>Sintomas M\u00f3rbidos<\/em>, eu trato disso dentro de uma an\u00e1lise da melancolia de esquerda, mas a t\u00edtulo de atualiza\u00e7\u00e3o, percebo como esse desprezo pelo imagin\u00e1rio que contesta as formas atuais do fazer pol\u00edtico tamb\u00e9m passa por um certo negacionismo da realidade. Isso \u00e9 mais evidente no caso das crises ecol\u00f3gica e clim\u00e1tica, pois nem mesmo nosso anti-imperialismo e nosso olhar para a ind\u00fastria e a infraestrutura se atualizou sobre os limites planet\u00e1rios. Falamos de investimentos verdes e descarboniza\u00e7\u00e3o, mas salvo as correntes mais radicais, seguimos justificando a concilia\u00e7\u00e3o com o agroneg\u00f3cio como essencial para a estabilidade do pa\u00eds e o crescimento do PIB. E mesmo nas correntes mais radicais, h\u00e1 tons bastante pobres de anti-imperialismo, que apostam numa vis\u00e3o antiquada e falha de soberania, que chamo de \u201csoberania com prazo de validade\u201d, j\u00e1 que defendem a vis\u00e3o da soberania estatal atrav\u00e9s do controle para a explora\u00e7\u00e3o dos recursos da natureza, sem ao menos cogitar reformular o controle como tutela, cuidado e outro paradigma produtivo.<\/p>\n<p>Para piorar, alertas sobre os negacionismos dos limites planet\u00e1rios dentro da pr\u00f3pria esquerda s\u00e3o tratados como afrontas aos interesses nacionais, quando deveriam ser um grande convite para construir um caminho mais radical, que pudesse aumentar a qualidade de vida m\u00e9dia da popula\u00e7\u00e3o ao mesmo tempo em que tornamos os tra\u00e7os mais cru\u00e9is do capitalismo obsoletos.<\/p>\n<p>\u00c9 onde mora uma grande dificuldade da esquerda de formar laborat\u00f3rios em m\u00faltiplas escalas. Vejamos, por exemplo, o potencial que \u00e9 o MST e sua produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica e agroecol\u00f3gica. O MST \u00e9 estudado no mundo todo, como movimento e como interven\u00e7\u00e3o no modo produtivo agr\u00e1rio. Mas aqui no Brasil a esquerda parabeniza os esfor\u00e7os, enquanto den\u00fancia o agroneg\u00f3cio, mas n\u00e3o se esfor\u00e7a o suficiente para criar os caminhos de decrescimento do agro e reformula\u00e7\u00e3o nacional da pol\u00edtica de plantio. Vivemos de tapar buraco em vez de colocar em a\u00e7\u00e3o planos que alterem a propriedade da terra e fomentem outra l\u00f3gica produtiva ao mesmo tempo. S\u00e3o passos muito lentos que revelam o enorme d\u00e9ficit de compreens\u00e3o dos desafios ecol\u00f3gicos.<\/p>\n<p>Em outros casos, h\u00e1 autoengana\u00e7\u00e3o sobre a incorpora\u00e7\u00e3o desses desafios. Enquanto denunciamos os planos estrangeiros para os minerais de terras raras no Brasil, parece que a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o vi\u00e1vel passa pelo estabelecimento de uma grande estatal (sugerida como Terrabr\u00e1s). Acredito que essa estatal \u00e9 estrat\u00e9gica, pois caminhos p\u00fablicos refor\u00e7am nossa autonomia. Isso quer dizer que \u00e9 preciso pensar a Terrabr\u00e1s al\u00e9m do direito de explora\u00e7\u00e3o e minera\u00e7\u00e3o nas m\u00e3os do Estado, mas tamb\u00e9m como ferramenta para determinarmos socialmente o que n\u00e3o minerar, o que proteger e o que fazer com o que foi minerado. Infelizmente, o desprezo pelo imagin\u00e1rio longevo nos oferece boas ideias para combater a troca econ\u00f4mica desigual atrav\u00e9s de ferramentas estatais e de industrializa\u00e7\u00e3o, mas ainda somos majoritariamente incapazes de nos perguntar que outras coisas importantes poder\u00edamos fazer com uma estatal. Da forma como andam as propostas de industrializa\u00e7\u00e3o verde no Brasil e nos pa\u00edses vizinhos, o \u201cverde\u201d n\u00e3o passa de uma grande integra\u00e7\u00e3o na cadeia produtiva de mercadorias especializadas de eletrifica\u00e7\u00e3o de descarboniza\u00e7\u00e3o, sem nenhum interesse em realmente combater a troca ecol\u00f3gica desigual, a l\u00f3gica das zonas de sacrif\u00edcio e a normaliza\u00e7\u00e3o de ind\u00fastrias nocivas, desde que parte delas facilite alguns objetivos de crescimento e melhoria de vida.<\/p>\n<p>Devemos nos atentar para as perguntas que fazemos na estrat\u00e9gia pol\u00edtica. Se imaginamos uma estatal simplesmente porque antes havia capital privado, estamos contentes em apenas reagir. N\u00e3o mudar\u00e1 o que \u00e9 explorado e n\u00e3o mudar\u00e1 o destino dessas mercadorias \u2014 no m\u00e1ximo, refinaremos e processaremos em mercadorias mais bem posicionadas na cadeia de valor, o que, de fato, pode piorar o impacto ambiental local e ainda aumentar o perfil de emiss\u00f5es, como \u00e9 o caso dos limites da pol\u00edtica industrial verde da Indon\u00e9sia. Para pautar coisas novas, coisas que podem encantar o povo novamente, devemos ir al\u00e9m das nossas f\u00f3rmulas tradicionais de solu\u00e7\u00f5es. Nosso laborat\u00f3rio n\u00e3o deve se reduzir a replicar testes e par\u00e2metros j\u00e1 conhecidos, o que demanda novas perguntas. Poder\u00edamos propor a submiss\u00e3o dos nossos minerais a crit\u00e9rios ecol\u00f3gicos maiores? Poder\u00edamos vincular extra\u00e7\u00e3o \u00e0 finalidade de uso? Poder\u00edamos, por exemplo, estabelecer em c\u00f3digo de lei ou articular um acordo entre produtores para impedir que tais min\u00e9rios cheguem a usos nefastos, como para armamento do imperialismo?<\/p>\n<p>Poder\u00edamos. Por\u00e9m, infelizmente, nosso debate \u00e9 radical na propriedade dos recursos e no direito de explora\u00e7\u00e3o, mas para enaltecer a explora\u00e7\u00e3o para todos esses fins poss\u00edveis, pois garantir\u00e3o mais ingressos de capital. \u00c9 um desenvolvimentismo tosco, deslocado da concretude da policrise, e n\u00e3o consegue encantar as classes exploradas, especialmente diante de tanta aliena\u00e7\u00e3o e da infiltra\u00e7\u00e3o do capitalismo em todos os aspectos de nossa vida.<\/p>\n<p><strong>Seu artigo \u201cDescarbonizar n\u00e3o \u00e9 suficiente\u201d (2025) critica a despolitiza\u00e7\u00e3o da transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e a armadilha do \u201ccapitalismo verde\u201d. J\u00e1 em \u201cAs crescentes zonas de sacrif\u00edcio na Am\u00e9rica Latina\u201d (2025), voc\u00ea mostra como o extrativismo verde cria territ\u00f3rios descart\u00e1veis. Como evitar que a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica brasileira aprofunde nossa depend\u00eancia e crie zonas de sacrif\u00edcio, especialmente na Amaz\u00f4nia e no Cerrado? Uma \u201csoberania ecol\u00f3gica\u201d efetiva exigiria o fim do extrativismo ou sua subordina\u00e7\u00e3o a um plano democr\u00e1tico de transi\u00e7\u00e3o justa?<\/strong><\/p>\n<p>Primeiro, \u00e9 preciso reconhecer que o discurso de transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica no Brasil n\u00e3o tem nada a ver com transi\u00e7\u00e3o de fato. Temos uma expans\u00e3o de capacidade energ\u00e9tica que incentiva mais renov\u00e1veis, mas segue mista e promove alguns dos piores tipos de produ\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, como o caso do uso de carv\u00e3o prolongado at\u00e9 2040.<\/p>\n<p>Nosso contexto \u00e9 de diversifica\u00e7\u00e3o de portf\u00f3lio de investimento e da matriz, e at\u00e9 isso \u00e9 prejudicado pela forte presen\u00e7a do setor privado. \u00c9 absurdo supor que uma transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica possa ocorrer de fato, e principalmente ser justa, num contexto de privatiza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o, gest\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de nossa energia. Isso permite situa\u00e7\u00f5es bizarras, em que gestores e o setor privado se preocupam com picos de gera\u00e7\u00e3o de energia, mas n\u00e3o querem investir adequadamente em sistemas de baterias para uso municipal. Assim, seguimos expandindo a oferta e depois tentamos atrair data centers variados para consumir da sobreoferta que n\u00f3s mesmos criamos. Aumentando o consumo, alegamos que devemos produzir mais novamente e que isso s\u00f3 pode ser feito mantendo o carv\u00e3o e o g\u00e1s f\u00f3ssil em nossa matriz; ou seja, cavamos nossas pr\u00f3prias armadilhas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, no caso principalmente na energia e\u00f3lica no Brasil, predomina um modelo latifundi\u00e1rio, voltado a megaprojetos e benef\u00edcios bastante desiguais, onde os donos dos parques lucram com contratos de longo prazo, mas a popula\u00e7\u00e3o que vive rodeada por turbinas sofre os danos de sa\u00fade e nem ao menos \u00e9 consultada sobre salvaguardas m\u00ednimas necess\u00e1rias para evitar a forma\u00e7\u00e3o de zonas de sacrif\u00edcio verdes. Isso opera dentro de uma vis\u00e3o colonial, em que os lugares nos quais as turbinas s\u00e3o constru\u00eddas operam como espa\u00e7os \u201cvazios\u201d ou \u201cdispon\u00edveis\u201d, ignorando os modos de exist\u00eancia na regi\u00e3o e fortalecendo modelos danosos de concentra\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria que se expandem nos nossos biomas.<\/p>\n<p>Enquanto isso, fazemos projetos de prote\u00e7\u00e3o dos biomas com o que sobra e ainda normalizamos tipos de interven\u00e7\u00e3o que sabemos que piorar\u00e3o a situa\u00e7\u00e3o, como a abertura de estradas e ferrovias para o agroneg\u00f3cio e a grande minera\u00e7\u00e3o. Isso mostra que o capitalismo verde n\u00e3o chega nem mesmo como alternativa ao capitalismo f\u00f3ssil e desenvolvimentista. O que existe \u00e9 uma repactua\u00e7\u00e3o de zonas de explora\u00e7\u00e3o e processos de acumula\u00e7\u00e3o. Todos eles s\u00e3o pautados nessa vis\u00e3o limitada da soberania nacional e dos interesses nacionais, muito bem-negociados com a elite brasileira e internacional, garantindo os fluxos comerciais e o abastecimento de cadeias que eles consideram estrat\u00e9gicas para a manuten\u00e7\u00e3o do capital. Por isso, eu desenvolvo em minha pesquisa, j\u00e1 h\u00e1 alguns anos, formula\u00e7\u00f5es para outra vis\u00e3o de soberania que, por ser ecol\u00f3gica e popular, tem maior potencial anti-imperialista e verdadeiramente anticapitalista. Mas, para que tenhamos \u00eaxito, ser\u00e1 necess\u00e1rio rever e renunciar a v\u00e1rias no\u00e7\u00f5es pacificadas sobre modelo de sociedade, inclusive sobre como constru\u00edmos infraestrutura e como organizamos o espa\u00e7o geogr\u00e1fico entre o urbano, o rural e o bioma nativo.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea \u00e9 coautora do manifesto \u201cPor um decrescimento ecossocialista\u201d (2025). Como articular a demanda por decrescimento nos pa\u00edses centrais com as leg\u00edtimas aspira\u00e7\u00f5es de desenvolvimento, soberania e bem-estar material no Sul Global, sem recair no desenvolvimentismo predat\u00f3rio que voc\u00ea critica? O decrescimento seria uma plataforma anticolonial e de repara\u00e7\u00e3o, ou corre o risco de ser apropriado como novo imperialismo verde?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o existe risco de o decrescimento parecer um imperialismo verde, porque o imperialismo n\u00e3o almeja o decrescimento no Sul, apenas a maior apropria\u00e7\u00e3o do que \u00e9 desenvolvido no Sul tamb\u00e9m para os interesses do Norte, inclusive garantindo a compra de recursos, seja com explora\u00e7\u00e3o direta, seja com acordos com estatais no Sul. O decrescimento nada tem a ver com isso, pois \u00e9 um movimento de autonomia e tem que ser constru\u00eddo pelo povo nas \u00e1reas a decrescer, visando abrir espa\u00e7o para outros crescimentos sadios.<\/p>\n<p>O medo do decrescimento s\u00f3 se sustenta quando confundimos decrescimento com austeridade, com imposi\u00e7\u00e3o e com exclus\u00e3o. O decrescimento verdadeiro e justo pode ser uma importante ferramenta de desenvolvimento compat\u00edvel com os limites planet\u00e1rios, porque exige nomear o tipo de produ\u00e7\u00e3o desnecess\u00e1ria, dispendiosa e altamente destrutiva para construir caminhos para a sua obsolesc\u00eancia. Muito do que \u00e9 desnecess\u00e1rio j\u00e1 \u00e9 obsoleto, mas \u00e9 impulsionado por um consumismo que aumenta nossa pegada de uso de recursos finitos e \u00e9 questionado apenas como problema do indiv\u00edduo. Uma perspectiva de decrescimento seletivo e justo, como defendo, faz parte do horizonte ecossocialista e \u00e9 informado por crit\u00e9rios que devem ser constru\u00eddos nos pa\u00edses do Sul em rela\u00e7\u00e3o aos pa\u00edses do Norte.<\/p>\n<p>Isso permite conectar o decrescimento a estrat\u00e9gias de desconex\u00e3o, como discutido por Samir Amin para aliar o anti-imperialismo ao combate \u00e0 troca econ\u00f4mica desigual. Aqui, entendemos que a perspectiva justa do decrescimento desenvolve crit\u00e9rios sobre que setores precisam decrescer, especialmente para eliminar o consumo sup\u00e9rfluo e excessivo de recursos, corrigindo desigualdades e abrindo caminhos para \u00e1reas que precisam crescer. Para citar um exemplo simples, podemos ver como uma reforma urbana popular que expropria edifica\u00e7\u00f5es da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria a favor de corrigir o d\u00e9ficit habitacional \u00e9 uma medida do decrescimento popular e justo. Recursos que estavam ociosos s\u00e3o apropriados para necessidades concretas, sem a necessidade de construir bairros novos inteiros. Isso abre espa\u00e7o econ\u00f4mico e material para que, quando seja realmente necess\u00e1rio construir, tamb\u00e9m avaliemos as m\u00e9tricas, materiais, tecnologias e objetivos mais compat\u00edveis com a sustentabilidade radical e com ganhos sociais. No eixo nacional, isso significa que aprendemos, ent\u00e3o, que as pol\u00edticas do Estado devem incentivar uma ind\u00fastria de constru\u00e7\u00e3o civil bastante modificada, al\u00e9m de reorientar benef\u00edcios fiscais e investimentos diretos na dire\u00e7\u00e3o de bens e servi\u00e7os comuns. Vemos assim que o decrescimento seletivo e justo ajuda a oxigenar as pr\u00e1ticas alternativas ao capitalismo, mostrando as liga\u00e7\u00f5es entre fluxos e ferramentas econ\u00f4micas, para que o reconhecimento dos limites ecol\u00f3gicos n\u00e3o seja mais visto como um entrave ao desenvolvimento, mas como crit\u00e9rio que nos ajuda a dar melhor sentido e conectar as lutas \u2014 que de fato j\u00e1 s\u00e3o profundamente conectadas, mas sofrem da tend\u00eancia fragmentadora das estrat\u00e9gias predominantes de esquerda.<\/p>\n<p>O decrescimento permite tamb\u00e9m tratar da troca ecol\u00f3gica desigual, porque a\u00ed percebemos que uma reforma agr\u00e1ria radical e ecol\u00f3gica ser\u00e1 o fim do agroneg\u00f3cio como conhecemos e tamb\u00e9m o decrescimento da ind\u00fastria da carne global, pois a retomada de biomas e territ\u00f3rios protegidos no Brasil impactar\u00e1 matematicamente a capacidade para explorar animais, diminuindo tamb\u00e9m nossa demanda por antibi\u00f3ticos na pecu\u00e1ria, e pode permitir remanejar empregos dos frigor\u00edficos para a produ\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica e o beneficiamento multiescalar de alimentos saud\u00e1veis. Nesse exemplo, fica claro que um decrescimento setorial abre espa\u00e7o metab\u00f3lico e econ\u00f4mico para as \u00e1reas que precisamos desenvolver com qualidade, atuando como uma t\u00e1tica \u00fatil tanto do ponto de vista do planejamento econ\u00f4mico, como para reorganizar nossas demandas de repara\u00e7\u00e3o e de coopera\u00e7\u00e3o com o restante do mundo.<\/p>\n<p>Por isso mesmo, o decrescimento n\u00e3o pode ser aplicado como t\u00e1tica isolada, mas como parte de uma estrat\u00e9gia de transi\u00e7\u00f5es m\u00faltiplas, como defendo em meu pr\u00f3ximo livro, <em>Outro fim \u00e9 poss\u00edvel<\/em>, que ser\u00e1 publicado pela Editora Planeta. Isso implica tamb\u00e9m um esfor\u00e7o de imagina\u00e7\u00e3o coletiva para o futuro. Uma vez que entendemos, via materialismo hist\u00f3rico e evid\u00eancias cient\u00edficas gerais, que os limites planet\u00e1rios devem ser respeitados, cabe a n\u00f3s a tarefa \u2014 complexa e gigantesca \u2014 de reorganizar n\u00e3o somente o modo de propriedade, como foi o foco da esquerda no passado, mas faz\u00ea-lo com o intuito de redistribuir tamb\u00e9m o usufruto dos recursos da natureza de modo a favorecer a regenera\u00e7\u00e3o e o equil\u00edbrio do metabolismo e ciclos planet\u00e1rios. Temos o dever de avan\u00e7ar em radicalidade, o que passa pelo fortalecimento das ferramentas de organiza\u00e7\u00e3o de classe e pelo direcionamento delas rumo a outra l\u00f3gica de produ\u00e7\u00e3o, consumo e desenvolvimento que realmente pactue os impactos m\u00ednimos e necess\u00e1rios com as prote\u00e7\u00f5es que possam garantir uma sociedade p\u00f3s-capitalista emancipada e longeva. Uma vis\u00e3o de soberania realmente ecol\u00f3gica e popular ser\u00e1 essencial para nos lembrarmos de que n\u00e3o basta mais apenas almejar tomar os meios de produ\u00e7\u00e3o. Nosso horizonte exige tamb\u00e9m reformul\u00e1-los e, em alguns casos, at\u00e9 mesmo encerrar alguns meios para criar espa\u00e7o para outros. Afinal, pouco adiantaria estabelecermos finalmente os fundamentos de uma economia socialista, mas em terra t\u00e3o arrasada que uma sociedade socialista a longo prazo se tornaria materialmente imposs\u00edvel. Se entendermos bem os pilares disso e como comunicar isso \u00e0s pessoas, \u00e9 prov\u00e1vel que se torne um atrativo para a luta, mostrando que somos capazes de articular um futuro alternativo ut\u00f3pico e desej\u00e1vel, para o qual o capitalismo n\u00e3o seria p\u00e1reo.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. Se voc\u00ea valoriza nossa produ\u00e7\u00e3o, seja nosso apoiador e fortale\u00e7a o jornalismo cr\u00edtico: <strong>apoia.se\/outraspalavras<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>The post Em qual soberania o Brasil deveria apostar? appeared first on Outras Palavras.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/acervo-digital-em-memoria-das-ligas-e-lutas-camponesas-e-lancado-na-paraiba\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/IMG-20250214-WA0057-1024x682-1-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Acervo digital em mem\u00f3ria das Ligas e Lutas Campon...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/macae-diz-que-carta-de-principios-dos-direitos-humanos-foi-rifada\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Maca\u00e9 diz que carta de princ\u00edpios dos direitos hum...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/esporte-vira-aposta-politica-do-mst-para-emancipacao-das-mulheres-do-campo\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/2026_RN_Seletiva-Futebol-Feminino_Foto-por-MaikeFilms_IMG_0054-1-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Esporte vira aposta pol\u00edtica do MST para emancipa\u00e7...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/sul21.com.br\/noticias\/geral\/2025\/11\/parana-registrou-tres-tornados-com-ventos-de-ate-330-km-h\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Paran\u00e1 registrou tr\u00eas tornados com ventos de at\u00e9 3...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Frente a uma \u201ceconomia da cat\u00e1strofe\u201d, soci\u00f3loga Sabrina Fernandes defende outro desenvolvimento: ecol\u00f3gico, popular e antiimperialista. Aponta: n\u00e3o bastar\u00e1 tomar os meios de produ\u00e7\u00e3o; o socialismo deve reformul\u00e1-los e, em alguns setores, at\u00e9 adotar o decrescimento <\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/descolonizacoes\/em-qual-soberania-o-brasil-deveria-apostar\/\">Em qual soberania o Brasil deveria apostar?<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":86801,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[306,56631,6124,5599,56632,4227,31157,18564,56633,56634,1482,553],"tags":[],"class_list":["post-86800","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-agroecologia","category-capitalismo-predatorio","category-decrescimento","category-descolonizacoes","category-economia-da-catastrofe","category-ecossocialismo","category-pensamento-critico","category-policrise","category-sabrina-fernandes","category-sintomas-morbidos","category-sul-global","category-transicao-energetica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/86800","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=86800"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/86800\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/86801"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=86800"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=86800"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=86800"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}