{"id":87341,"date":"2026-05-14T19:30:04","date_gmt":"2026-05-14T22:30:04","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/os-judeus-que-dizem-nao-ao-sionismo\/"},"modified":"2026-05-14T19:30:04","modified_gmt":"2026-05-14T22:30:04","slug":"os-judeus-que-dizem-nao-ao-sionismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/os-judeus-que-dizem-nao-ao-sionismo\/","title":{"rendered":"Os judeus que dizem n\u00e3o ao sionismo"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1280\" height=\"806\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/photo_4913450296550296578_y.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/photo_4913450296550296578_y.jpg 1280w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/05\/14192159\/photo_4913450296550296578_y-300x189.jpg 300w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/05\/14192159\/photo_4913450296550296578_y-768x484.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px\"><figcaption>Cr\u00e9dito: Sean Gallup \/ Getty<\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>MAIS:<br \/><\/strong>Texto em tr\u00eas partes. As pr\u00f3ximas ser\u00e3o publicadas em 18 e 20\/5<\/p>\n<p>Eu fui um jovem atra\u00eddo pelo esp\u00edrito do israelismo e hoje, aos 38 anos, chego ao ponto final da dissocia\u00e7\u00e3o entre minha identidade judaica e o sionismo. Essa jornada pessoal, vivida tamb\u00e9m por outros judeus, n\u00e3o come\u00e7ou em outubro de 2023, mas foi certamente acelerada pelo que se sucedeu desde ent\u00e3o. Este ensaio, dividido em tr\u00eas partes, trata da dolorosa, mas libertadora desconstru\u00e7\u00e3o do sentimento de conex\u00e3o com Israel que todo judeu diasp\u00f3rico aprende a sentir desde pequeno. E traz tamb\u00e9m a esperan\u00e7a de incentivar outras pessoas a fazerem o mesmo.<\/p>\n<p>Para quem tem parentes, amigos e mem\u00f3rias afetivas em Israel, o primeiro sentimento ap\u00f3s o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023 foi o de choque. As imagens que surgiam eram fortes e voc\u00ea pensa em quem mora l\u00e1. Mas h\u00e1 algo mais: a sensa\u00e7\u00e3o de perda de um parente, ainda que desconhecido. As v\u00edtimas s\u00e3o nomes e rostos familiares, daqueles que voc\u00ea bate o olho e pensa que j\u00e1 viu em algum acampamento do movimento juvenil, que j\u00e1 jogaram futebol juntos no clube ou que j\u00e1 se esbarraram em alguma festa ou sinagoga.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/14--23.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/14--23.png 680w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2025\/12\/04164350\/14-1-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Ao ver as fotos e os nomes dos israelenses mortos e sequestrados o meu sentimento de tristeza foi particular. \u00c9 f\u00e1cil ser contra a viol\u00eancia em abstrato, mas no mundo real, ver um judeu ser morto de forma violenta foi como ver a morte de algu\u00e9m da minha pr\u00f3pria fam\u00edlia. N\u00e3o \u00e9 algo que me orgulhe. Tenho plena consci\u00eancia de que os palestinos vivem um sete de outubro todos os dias, mas \u00e9 com tal confiss\u00e3o que come\u00e7o esta autoetnografia de botequim em que descrevo as etapas pelas quais passei para desconstruir minha rela\u00e7\u00e3o com o sionismo.<\/p>\n<h3><em><strong>Consumo fren\u00e9tico de informa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/em><\/h3>\n<p>Passei os \u00faltimos anos consumindo de forma incessante o que se produziu sobre o assunto. Canais de Youtube, podcasts, m\u00eddia convencional, m\u00eddia alternativa, livros, artigos. No primeiro momento, minha obsess\u00e3o era com o agora. Acompanhei a incurs\u00e3o a Gaza e temia que a coisa tomasse a forma que tomou.<\/p>\n<p>Recebi visita do meu pai naquele fim de semana de outubro de 2023. Lembro de termos (mais) uma discuss\u00e3o infinita sobre o assunto. Ele, na linha do sionismo liberal, entendia aquilo como fruto do fundamentalismo isl\u00e2mico, do antissemitismo e da barb\u00e1rie do Hamas. Eu dizia que era preciso voltar no tempo e entender de onde veio o ataque. Argumentei que n\u00e3o se colhe paz plantando a brutalidade t\u00edpica das For\u00e7as de Defesa de Israel (IDF). O tom da conversa escalou at\u00e9 cair, inevitavelmente, no argumento que ou\u00e7o com frequ\u00eancia e que apela para a culpa judaica: \u201co que seus av\u00f3s, sobreviventes do Holocausto, diriam se te vissem defendendo terrorismo e antissemitismo?\u201d. A resposta viria mais tarde ao se revelar a escala do massacre: \u201cacho que ficariam orgulhosos, pois saberiam identificar um genoc\u00eddio\u201d.<\/p>\n<p>Acompanhei os bombardeios, a guerra de informa\u00e7\u00e3o e, enfim, a guerra que descambou em genoc\u00eddio. Vi os v\u00eddeos de soldados israelenses fazendo piadas e dan\u00e7as de tiktok com roupas de mulheres palestinas, humilhando idosos e crian\u00e7as, celebrando a destrui\u00e7\u00e3o de pr\u00e9dios e de bairros inteiros, executando crian\u00e7as com tiros na cabe\u00e7a, sequestrando e torturando m\u00e9dicos e outras tantas barbaridades. Vi os <em>hooligans<\/em> do Maccabi Tel-Aviv invadirem Amsterd\u00e3 no contexto de um jogo da Liga Europa, entoarem c\u00e2nticos de \u00f3dio e morte aos \u00e1rabes e palestinos, assediarem e coagirem moradores locais e, no dia seguinte, sofrerem uma resposta violenta \u2013 para, no fim, serem protegidos pela carta coringa do antissemitismo. Vi o plano de limpeza \u00e9tnica e os projetos para novos assentamentos em Gaza entrarem no debate p\u00fablico em Israel e tamb\u00e9m a ideia de pagar para que palestinos emigrassem para longe dali, como se fosse algo razo\u00e1vel e benevolente. E soube dos horrores perpetrados no centro de tortura de <em>Sde Teiman<\/em>, a \u201cGuant\u00e1namo\u201d de Israel.<\/p>\n<h3><em><strong>Israelismo<\/strong><\/em><\/h3>\n<p>Simultaneamente ao horror das not\u00edcias di\u00e1rias, me vi assistindo a dezenas de document\u00e1rios e reportagens de antes do sete de outubro como <em>the lab<\/em> (sobre como o complexo militar-industrial israelense usa do conflito secular como vitrine e dos palestinos como cobaias), Tantura (sobre o massacre perpetrado por for\u00e7as sionistas contra civis palestinos na guerra de 1948), <em>broken c\u00e2meras<\/em> (que mostra as grava\u00e7\u00f5es de um palestino da Cisjord\u00e2nia sobre o abuso da IDF e a resist\u00eancia n\u00e3o-violenta dos moradores locais) e tantos outros. Fui me aprofundando, aos poucos, no outro lado da hist\u00f3ria, assistindo a falas de militantes, refugiados e intelectuais palestinos. Descobri a poesia do professor Refaat Alareer e seu poema <em>se eu devo morrer<\/em>[1],assisti v\u00eddeos de suas aulas, fiquei encantado. Infelizmente, ele foi uma das v\u00edtimas do genoc\u00eddio.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, nenhuma obra me tocou tanto quanto <em>Israelism<\/em>. O document\u00e1rio mostra com maestria o processo de fus\u00e3o entre as identidades dos judeus norte-americanos e Israel, formando gera\u00e7\u00f5es de pessoas que apoiam Israel desde a di\u00e1spora (com dinheiro, lobby no Congresso ou voto) ou que imigram para a terra prometida para juntar-se \u00e0 IDF e povoar o pa\u00eds para vencer a batalha demogr\u00e1fica contra os palestinos. Batalha esta cujo teor racista ficou expl\u00edcito na grava\u00e7\u00e3o da conversa vazada entre Ehud Barak e Jeffrey Epstein.<\/p>\n<p>Como mostra o filme (produzido por Simone Zimmerman, judia norte-americana), essa fus\u00e3o come\u00e7a na socializa\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria da fam\u00edlia e segue pela socializa\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria nas escolas judaicas, passa por movimentos juvenis, programas de viagem subsidiados como o <em>Birthright<\/em>, pelos esportes (no meu caso, indo jogar futebol nos Jogos Macabeus) e \u00e9 consolidado na vida adulta comunit\u00e1ria seja nas sinagogas, nos clubes sociais ou na simples conviv\u00eancia ensimesmada entre semelhantes, excluindo sutilmente quem \u00e9 <em>goy<strong>[2]<\/strong><\/em>, com raras exce\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/HUCITEC-basaglia1-2.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/HUCITEC-basaglia1-2.png 728w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2022\/11\/31182113\/HUCITEC-basaglia1-300x37.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 728px) 100vw, 728px\" width=\"728\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Mergulhei na hist\u00f3ria do conflito pelo prisma dos palestinos em textos de Walid Khalid, e da historiografia cr\u00edtica de Israel que tem Ilan Papp\u00e9 como expoente. Soube das a\u00e7\u00f5es terroristas das mil\u00edcias judaicas antes de 1948, que n\u00e3o apenas atuavam pela retirada dos ingleses da palestina, mas tamb\u00e9m pela expuls\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o local de suas terras, fosse pela for\u00e7a ou pelo terror. Descobri que a limpeza \u00e9tnica precedeu a chamada guerra de independ\u00eancia de Israel de 1948 e foi um plano deliberado de \u201ctransfer\u00eancia compuls\u00f3ria\u201d (o Plano D), com instru\u00e7\u00f5es claras e registradas para os comandantes militares da Hagan\u00e1, culminando na Nakba. Esse foi o processo mais dif\u00edcil: voltar na hist\u00f3ria e descobrir que havia o outro lado para tudo o que me fora ensinado at\u00e9 ent\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cParece que voc\u00ea perdeu uma perna\u201d, disse minha esposa ao me ver transtornado com o que eu estava descobrindo e, principalmente, ao ver que se desvanecia o resqu\u00edcio de identifica\u00e7\u00e3o que eu tinha com Israel. \u201c\u00c9 como se voc\u00ea precisasse reaprender a andar depois de perder uma perna\u201d disse ela. Eu j\u00e1 sabia que Israel era um Estado criminoso, mas que era um dentre tantos. Agora eu via a excepcionalidade, a combina\u00e7\u00e3o de crimes que, separados, ocorrem em v\u00e1rios lugares, mas que, casados daquele jeito, dificilmente se encontra paralelo \u2013 seja por tempo de dura\u00e7\u00e3o, intensidade, escala, uso da viol\u00eancia com tecnologia de ponta ou controle material e psicol\u00f3gico das pessoas por meio de leis de segrega\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m da viol\u00eancia direta das armas, h\u00e1 a viol\u00eancia estrutural. Uma das cenas que mais me marcou \u00e9 a de um v\u00eddeo em que um <em>chassid<\/em> (judeu religioso) entra na casa de uma palestina em Jerusal\u00e9m Oriental. A mulher palestina grita: \u201cYakub, voc\u00ea est\u00e1 roubando a minha casa\u201d e o homem responde \u201cse eu n\u00e3o fizer isso, algu\u00e9m o far\u00e1. Eu n\u00e3o fiz isso (dando a entender que ele n\u00e3o criou esse sistema de segrega\u00e7\u00e3o)\u201d. Isso mostra como a l\u00f3gica da ocupa\u00e7\u00e3o opera por leis que protegem judeus e criam empecilhos para os palestinos. Retroescavadeiras que demolem casas, po\u00e7os artesianos e infraestrutura em geral podem ser t\u00e3o violentas quanto armas de fogo e costumam ser seguidas por barreiras legais que impedem a sua reconstru\u00e7\u00e3o porque palestinos carecem de permiss\u00f5es legais de constru\u00e7\u00e3o em determinadas \u00e1reas da Cisjord\u00e2nia.<\/p>\n<p>Nessa busca por informa\u00e7\u00e3o descobri o livro \u201cDispositivo sionista e seus descontentes\u201d da antrop\u00f3loga Berenice Bento (2025). De pronto, identifiquei-me com os depoimentos dos seis judeus diasp\u00f3ricos que se tornaram antissionistas e que foram entrevistados por ela. Os dispositivos sociais prim\u00e1rios comuns a todos, aqueles aprendidos na inf\u00e2ncia, s\u00e3o o do medo do antissemitismo e o da narrativa dos judeus como v\u00edtimas eternas de persegui\u00e7\u00f5es ao longo da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Para Bento (2025), essa no\u00e7\u00e3o de oprimido e perseguido \u201cimp\u00f5e a obriga\u00e7\u00e3o \u00e9tica de cada pessoa judia, em todas as partes, se manter conectada visceralmente \u00e0 defesa do seu povo\u201d e um dos seus efeitos \u00e9 a \u201cader\u00eancia em fam\u00edlias, escolas e em comunidades a transformar toda pessoa judia como respons\u00e1vel pela sobreviv\u00eancia de Israel\u201d.<\/p>\n<p>Recordo-me que a disciplina de hist\u00f3ria judaica do \u00faltimo ano do ensino fundamental da Escola Israelita de Curitiba era focada no Holocausto. Adolescentes de 13 e 14 anos eram submetidos a sess\u00f5es intensas de textos, v\u00eddeos e fotos do horror nazista e lembro de ter pesadelos terr\u00edveis me imaginando como prisioneiro nos campos de concentra\u00e7\u00e3o. Acredito que esses m\u00e9todos did\u00e1ticos tenham mudado nos \u00faltimos tempos, mas sei que gera\u00e7\u00f5es de adolescentes judeus foram formadas com base em uma pedagogia do trauma e do horror que refor\u00e7aram esse medo do antissemitismo onipresente e do novo Holocausto como algo que sempre est\u00e1 prestes a acontecer.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s assistir ao document\u00e1rio <em>Israelism<\/em>, uma sensa\u00e7\u00e3o de que eu havia sido enganado tomou conta de mim. O depoimento desolado de um entrevistado me marcou profundamente, o qual reproduzo abaixo:<\/p>\n<p>Lembro que um dia eu liguei para minha m\u00e3e e comecei a chorar com ela no telefone, falando: \u201cM\u00e3e, voc\u00ea mentiu a vida inteira, isso \u00e9 tudo mentira, \u00e9 tudo mentira isso que voc\u00eas falaram, a escola foi tudo mentira, o movimento juvenil foi tudo mentira. (\u2026). Depois disso veio um pouco da raiva. (Benjamin) Inclusive, [essa verdade] tinha sido imposta para mim sem a minha autoriza\u00e7\u00e3o, ela tinha sido injetada em mim sem a minha autoriza\u00e7\u00e3o, sem nenhum momento eu ter podido dar aquiesc\u00eancia. \u00c9 quase um sequestro de quem eu sou no mundo, e uma raiva que veio porque junto com isso veio uma raiva gigante entre, primeiro, de mim mesmo, \u201ccomo eu fui burro de acreditar\u201d, uma coisa assim de uma autocr\u00edtica muito dura comigo, \u201ccomo eu fui burro de acreditar nessas coisas!?\u201d, \u201ccomo \u00e9 que eu acreditei nessas mentiras?!\u201d (BENTO, 2025, p. 55).<\/p>\n<p>Essa mistura de sensa\u00e7\u00f5es de raiva, burrice e vergonha descritas pelo entrevistado por ter acreditado e defendido por tanto tempo uma narrativa t\u00e3o simplista da hist\u00f3ria me corr\u00f3i at\u00e9 hoje. Sinto vergonha de ter levado tanto tempo para ligar os pontos. Quando comecei a trabalhar como professor de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais l\u00e1 por 2013 e 2014 eu me colocava como judeu cr\u00edtico de Israel, fazendo o <em>mea culpa<\/em> sobre os assentamentos, mas me agarrando ao discurso da falsa equival\u00eancia dos \u201cextremos dos dois lados que impedem a paz\u201d. Como se n\u00e3o houvesse um sistema de viol\u00eancia estrutural que transforma adolescentes em soldados especializados em atirar, matar, sequestrar e humilhar a popula\u00e7\u00e3o civil palestina. At\u00e9 mesmo esses jovens soldados s\u00e3o v\u00edtimas do sistema: muitos optam pelo suic\u00eddio por n\u00e3o suportar os crimes que cometeram e aqueles que rejeitam o servi\u00e7o militar, os <em>refuseniks<\/em>, n\u00e3o apenas s\u00e3o presos por alguns meses, como enfrentam barreiras jur\u00eddicas e sociais em suas vidas dali em diante.<\/p>\n<h3><em><strong>Do israelismo \u00e0 Israel real<\/strong><\/em><\/h3>\n<p>Essa jornada pessoal de desconstru\u00e7\u00e3o come\u00e7ou muito antes do 07\/10. Fiz <em>ali\u00e1<\/em>[3] em 2006 e morei apenas seis meses em Israel, a maior parte do tempo em um kibutz perto de Haifa. Eu estava em uma fase de vida em que voc\u00ea ainda n\u00e3o sabe direito o que quer. Meus pais eram curtos de grana e eu n\u00e3o estava satisfeito com a escolha de estudar Direito. Depois de uma experi\u00eancia quase perfeita de um m\u00eas em Israel como turista (quase perfeita porque nosso time de futebol foi eliminado na primeira fase da Macab\u00edadas de 2005), decidi abra\u00e7ar a imigra\u00e7\u00e3o. Uma palestra, um papo com representante da <em>Sochnut<\/em>[4], ajuste da papelada e pronto: l\u00e1 estava eu, embarcando s\u00f3 com passagem de ida paga por Israel e tendo mais direitos e assist\u00eancia do governo do que os palestinos que viviam na regi\u00e3o h\u00e1 s\u00e9culos.<\/p>\n<p>Fiz <em>Ulpan <\/em>e adquiri flu\u00eancia no hebraico, conheci outros <em>olim chadashim<strong>[5]<\/strong><\/em> latinos, norte-americanos, europeus e principalmente pessoas do mundo p\u00f3s-sovi\u00e9tico. A batalha demogr\u00e1fica para superar a popula\u00e7\u00e3o \u00e1rabe era evidente: a maioria dos russos, ucranianos e centro-asi\u00e1ticos que l\u00e1 estavam n\u00e3o eram judeus, alguns at\u00e9 usavam crucifixo e outros adere\u00e7os crist\u00e3os. Quando fui a um bar de <em>striptease<\/em> em Haifa com os amigos do <em>Ulpan<\/em>, percebi que as mulheres eram em grande maioria eslavas e por minha cabe\u00e7a de adolescente passava de tudo, menos que eu estava diante de um cen\u00e1rio de tr\u00e1fico de pessoas, mais especificamente de mulheres apelidadas pejorativamente de <em>Natashas<\/em>. Ali estava claro que qualquer nacionalidade e religi\u00e3o servia para engrossar a demografia israelense em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 palestina, mas isso eu viria a perceber apenas muitos anos depois. Ali\u00e1s, conheci tamb\u00e9m muitos americanos e canadenses judeus que imigraram especificamente para servir ao ex\u00e9rcito de Israel por ideologia \u2013 o puro suco de israelismo.<\/p>\n<p>Antes da <em>ali\u00e1<\/em> disseram que se voc\u00ea vai para a faculdade, pode dar um jeitinho de n\u00e3o ir para o ex\u00e9rcito mesmo estando em idade militar. Chegando l\u00e1, descobri que n\u00e3o existe jeitinho para isso. Eu olhava para um lado, para outro, conversava com quem estava no ex\u00e9rcito, ouvia as hist\u00f3rias das incurs\u00f5es na Cisjord\u00e2nia, de como os pr\u00f3prios soldados invadiam as casas das pessoas e permaneciam em estado de tens\u00e3o. Anos depois, um amigo de inf\u00e2ncia que serviu \u00e0 IDF contou uma pr\u00e1tica comum: conversar com um palestino e fingir ser seu amigo em p\u00fablico para que os vizinhos o vejam como colaborador israelense, deixando-o em maus len\u00e7\u00f3is. N\u00e3o havia qualquer raz\u00e3o de seguran\u00e7a para isso, apenas o esporte da humilha\u00e7\u00e3o e do constrangimento do \u201cex\u00e9rcito mais moral do mundo\u201d.<\/p>\n<p>Ao fim de seis meses vi que aquilo n\u00e3o era para mim. Fiquei com medo de servir no ex\u00e9rcito? Talvez. Mas acredito que teve mais a ver com enxergar um pa\u00eds e uma perspectiva de vida muito diferentes daquela que haviam me vendido. Voltei ao Brasil, me formei em rela\u00e7\u00f5es internacionais e fiz carreira como professor da \u00e1rea. Evitei estudar Oriente M\u00e9dio porque sabia que meu olhar seria enviesado.<\/p>\n<p>Ainda sobre a <em>ali\u00e1<\/em>: n\u00e3o h\u00e1 um \u00fanico conhecido meu que tenha imigrado por conta de antissemitismo. Todos, sem exce\u00e7\u00e3o, o fizeram por oportunidades de trabalho, para fugir da viol\u00eancia urbana no Brasil ou porque j\u00e1 tinham familiares por l\u00e1. Reconhe\u00e7o que Israel teve sua fun\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica de servir de abrigo \u00e0s v\u00edtimas do antissemitismo europeu, mas o que mais se viu desde ent\u00e3o s\u00e3o ondas de imigra\u00e7\u00e3o por motivos econ\u00f4micos, como judeus argentinos nos anos 1990 e eslavos em geral ap\u00f3s o fim da URSS, ou por ideologia no caso de norte-americanos e ocidentais em geral.<\/p>\n<p>Concluo este primeiro ensaio com o argumento de que a socializa\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria e secund\u00e1ria passa necessariamente por linguagem e cogni\u00e7\u00e3o. Apesar de n\u00e3o ter permanecido em Israel, eu gosto de ouvir m\u00fasica em hebraico e de falar a l\u00edngua, \u00e9 um apego afetivo do qual n\u00e3o consigo me desfazer. \u00c9 um idioma lindo, hist\u00f3rico e primitivo, no bom sentido. As frases s\u00e3o diretas e matem\u00e1ticas, a raiz da mesma palavra pode ser flexionada para ser substantivo ou verbo, muitas vezes o nome das coisas explica a fun\u00e7\u00e3o delas, \u00e9 genial! Antes dos jogos da Macab\u00edadas nosso time passou dez dias hospedado e treinando em um kibutz perto de Gaza fundado por brasileiros chamado Bror Chail. Aquela mistura de gente falando hebraico e portugu\u00eas, de brasileiros de esquerda que viviam h\u00e1 d\u00e9cadas em Israel me encantou e fez com que no ano seguinte eu quisesse voltar para morar. No <em>Ulpan<strong>[6]<\/strong><\/em> do kibutz em que fiz <em>ali\u00e1<\/em> aprendi a gostar do hebraico, me conectei com as pessoas, com a terra, com a topon\u00edmia. Apenas muito tempo depois fui descobrir que os lugares j\u00e1 tinham nomes em \u00e1rabe e foram rebatizados para o hebraico. Essa \u00e9 a tal da viol\u00eancia simb\u00f3lica, que vai al\u00e9m da direta e da estrutural. E mais do que isso, \u00e9 uma forma sutil e profunda de n\u00e3o apenas apagar a rela\u00e7\u00e3o dos palestinos com a terra, mas tamb\u00e9m de gerar conex\u00e3o dos judeus diasp\u00f3ricos com Israel.<\/p>\n<hr>\n<p>[1] <strong>Se eu devo morrer<\/strong><br \/>Poema traduzido para o portugu\u00eas por <strong>Fl\u00e1vio Wolf de Aguiar<\/strong>, publicada no <em>Blog da Boitempo<\/em>.<\/p>\n<p>Se eu devo morrer,<br \/>voc\u00ea deve viver<br \/>para contar minha hist\u00f3ria<br \/>para vender minhas coisas<br \/>para comprar um peda\u00e7o de pano<br \/>e alguns fios,<br \/>(fa\u00e7a-o branco e longo)<br \/>para que uma crian\u00e7a, em algum lugar de Gaza,<br \/>enquanto olha o c\u00e9u nos olhos<br \/>esperando o pai que partiu em labaredas \u2014<br \/>e n\u00e3o se despede de ningu\u00e9m,<br \/>nem da carne, nem da pr\u00f3pria carne \u2014<br \/>veja o papaventos, meu papaventos que voc\u00ea fez,<br \/>voando l\u00e1 no alto,<br \/>e pense por um momento que h\u00e1 um anjo ali<br \/>trazendo o amor de volta.<br \/>Se eu devo morrer,<br \/>que isso traga esperan\u00e7a,<br \/>que seja uma hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>[2] Termo em i\u00eddishe para gentio, quem n\u00e3o pertence ao povo judeu.<\/p>\n<p>[3] Processo de imigra\u00e7\u00e3o para Israel baseado na \u201clei do retorno\u201d, que significa que todo judeu tem direito a morar no pa\u00eds e a ter direitos plenos de cidadania.<\/p>\n<p>[4] Ag\u00eancia Judaica para Israel.<\/p>\n<p>[5] Novos imigrantes.<\/p>\n<p>[6] Curso de hebraico.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. Se voc\u00ea valoriza nossa produ\u00e7\u00e3o, seja nosso apoiador e fortale\u00e7a o jornalismo cr\u00edtico: <strong>apoia.se\/outraspalavras<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>The post Os judeus que dizem n\u00e3o ao sionismo appeared first on Outras Palavras.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/ministerio-do-meio-ambiente-diz-que-agro-nega-a-realidade-e-deveria-reduzir-poluicao\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Marina-Silva_Pedro-Franca_Agencia_Senado-2048x1365-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Minist\u00e9rio do Meio Ambiente diz que agro \u2018nega a r...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/autopsia-de-juliana-sera-refeita-no-brasil-apos-negligencias-na-indonesia\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/marins-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Aut\u00f3psia de Juliana ser\u00e1 refeita no Brasil ap\u00f3s ne...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/por-divergencias-de-lula-e-milei-sobre-venezuela-cupula-do-mercosul-termina-sem-declaracao-conjunta\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Por diverg\u00eancias de Lula e Milei sobre Venezuela, ...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/sul21.com.br\/noticias\/cultura\/2025\/11\/casa-de-cultura-celebra-a-musica-brasileira-neste-sabado-8-com-o-som-na-casa\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Casa de Cultura celebra a m\u00fasica brasileira neste ...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reflex\u00f5es sobre um deslocamento pol\u00edtico e afetivo. O esfor\u00e7o para enfrentar as press\u00f5es da comunidade, superar o vitimismo e tornar-se antissionista. A leitura cr\u00edtica dos fatos e narrativas dissidentes. A penosa supera\u00e7\u00e3o do \u00e1libi do Holocausto<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/descolonizacoes\/os-judeus-que-dizem-nao-ao-sionismo\/\">Os judeus que dizem n\u00e3o ao sionismo<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":87342,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[14427,400,5511,5599,1562,52,6120,6872,12148,25,58057,7715,6077,2441],"tags":[],"class_list":["post-87341","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-antissionismo","category-benjamin-netanyahu","category-capa","category-descolonizacoes","category-forcas-de-defesa-de-israel","category-gaza","category-genocidio-palestino","category-idf","category-ilan-pappe","category-israel","category-israelismo","category-jeffrey-epstein","category-nakba","category-sionismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/87341","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=87341"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/87341\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/87342"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=87341"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=87341"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=87341"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}