{"id":87534,"date":"2026-05-16T17:58:58","date_gmt":"2026-05-16T20:58:58","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/filme-falseia-a-historia-para-transformar-bolsonaro-em-martir-e-vender-conspiracoes\/"},"modified":"2026-05-16T17:58:58","modified_gmt":"2026-05-16T20:58:58","slug":"filme-falseia-a-historia-para-transformar-bolsonaro-em-martir-e-vender-conspiracoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/filme-falseia-a-historia-para-transformar-bolsonaro-em-martir-e-vender-conspiracoes\/","title":{"rendered":"Filme falseia a hist\u00f3ria para transformar Bolsonaro em m\u00e1rtir e vender conspira\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" width=\"1024\" height=\"576\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Design-sem-nome-24.jpg\" alt=\"\" decoding=\"async\" srcset=\"https:\/\/vermelho.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Design-sem-nome-24-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/vermelho.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Design-sem-nome-24-300x169.jpg 300w, https:\/\/vermelho.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Design-sem-nome-24-768x432.jpg 768w, https:\/\/vermelho.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Design-sem-nome-24-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Design-sem-nome-24.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><\/p>\n<p>Antes mesmo da estreia, <em>Dark Horse<\/em> \u2013 a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) \u2013 j\u00e1 pode ser considerada a produ\u00e7\u00e3o mais cara, controversa e escandalosa do cinema nacional. Concebido como pe\u00e7a de propaganda para a extrema direita brasileira, o longa est\u00e1 cercado por suspeitas de financiamento irregular, den\u00fancias de lavagem de dinheiro e abusos trabalhistas.<\/p>\n<p>Nesta sexta-feira (15), diversos ve\u00edculos \u2013 inclusive o <strong>Portal Vermelho<\/strong> \u2013 tiveram acesso ao roteiro de <em>Dark Horse<\/em>, escrito em ingl\u00eas pelo ator e deputado federal Mario Frias (PL-SP), ex-secret\u00e1rio de Cultura do governo Bolsonaro. O texto, longe de ser um registro documental, \u00e9 uma fic\u00e7\u00e3o de propaganda pol\u00edtica expl\u00edcita, que falseia a hist\u00f3ria e edulcora a trajet\u00f3ria do ex-presidente. Frias omite sistematicamente seus crimes, mas, sem provas, atribui a terceiros a autoria intelectual do atentado que Bolsonaro sofreu em 2018, em Juiz de Fora (MG).<\/p>\n<p>Se j\u00e1 era pol\u00eamica a ideia de glorificar um pol\u00edtico condenado a mais de 27 anos de pris\u00e3o por tentativa de golpe de Estado, as 107 p\u00e1ginas do roteiro refor\u00e7am o car\u00e1ter manipulat\u00f3rio de <em>Dark Horse<\/em>. A obra procura reconstruir a imagem p\u00fablica de Bolsonaro por meio de heroifica\u00e7\u00e3o pessoal, vitimiza\u00e7\u00e3o messi\u00e2nica e constru\u00e7\u00e3o de inimigos conspirat\u00f3rios.<\/p>\n<p>Em linhas gerais, o roteiro se divide em tr\u00eas atos: primeiro, Bolsonaro surge como outsider perseguido pela imprensa e homem de fam\u00edlia exemplar. Depois, sofre o atentado tratado como ritual de mart\u00edrio. No desfecho, uma conspira\u00e7\u00e3o de traficantes e esquerdistas tenta assassin\u00e1-lo no hospital \u2013 mas ele sobrevive por \u201cmilagre\u201d e vence a elei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O resultado \u00e9 um thriller pol\u00edtico que mistura fatos de dom\u00ednio p\u00fablico, fantasia paranoica e propaganda emocional. No eixo central da hist\u00f3ria est\u00e1 a facada, transformada numa esp\u00e9cie de \u201cpaix\u00e3o de Cristo\u201d bolsonarista.<\/p>\n<p><strong>O m\u00e1rtir improv\u00e1vel<\/strong><\/p>\n<p>O roteiro opera em dois registros paralelos: a jornada do her\u00f3i hollywoodiana e o martirol\u00f3gio crist\u00e3o. Logo na abertura, um talk show apresenta Bolsonaro como um \u201c<em>dark horse<\/em>\u201d \u2013 o azar\u00e3o improv\u00e1vel da pol\u00edtica brasileira \u2013, em oposi\u00e7\u00e3o ao sistema corrupto representado pela esquerda.<\/p>\n<p>Chamado apenas de \u201cJair\u201d, Bolsonaro aparece como um pol\u00edtico espont\u00e2neo e conectado ao \u201cpovo comum\u201d, que \u201cn\u00e3o se importa com o que a m\u00eddia pensa\u201d. Em um flashback ambientado em 1985, ele enfrenta um traficante conhecido como \u201cCicatriz\u201d, chefe do narcotr\u00e1fico. A sequ\u00eancia tenta estabelecer Bolsonaro como militar destemido que combate o crime desde a juventude, algo sem paralelo consistente em sua biografia real.<\/p>\n<p>O roteiro tamb\u00e9m investe pesadamente na dimens\u00e3o familiar. Bolsonaro surge cercado pela esposa e pelos filhos \u2013 especialmente a ca\u00e7ula Laura \u2013 em cenas calorosas, com m\u00fasica, piadas e celebra\u00e7\u00f5es populares. Longe dos holofotes, \u00e9 mostrado como homem simples, religioso e paternal.<\/p>\n<p>Diferentemente da figura p\u00fablica associada a declara\u00e7\u00f5es violentas e ataques autorit\u00e1rios, o Bolsonaro da fic\u00e7\u00e3o surge constantemente sorridente e carism\u00e1tico. Quando confrontado sobre ter chamado homossexuais de \u201cviados\u201d, responde: \u201cMuitas pessoas usam essa linguagem. Vou tentar temperar meu jeito\u201d. A fala sobre a deputada Gloria (\u201cn\u00e3o te estupraria\u201d) aparece sem contexto cr\u00edtico, em meio a uma discuss\u00e3o em que a agressividade parte dela, n\u00e3o dele.<\/p>\n<p>O roteiro trabalha intensamente a ideia de predestina\u00e7\u00e3o messi\u00e2nica. Numa das sequ\u00eancias mais simb\u00f3licas, a misteriosa Dolores aborda Bolsonaro num restaurante e toca sua cabe\u00e7a: \u201cDeus me enviou. Uma febre est\u00e1 chegando\u201d. Ela entrega comprimidos \u201cmilagrosos\u201d e desaparece \u201ccomo um fantasma\u201d. A cena lembra uma anuncia\u00e7\u00e3o b\u00edblica e sugere que Bolsonaro seria um escolhido divino prestes a atravessar um calv\u00e1rio.<\/p>\n<p>Esse tom religioso se repete continuamente. Antes da viagem a Juiz de Fora, Michelle convence Bolsonaro a ajoelhar-se para rezar. O atentado vira uma paix\u00e3o laica: Bolsonaro \u00e9 carregado pela multid\u00e3o como Cristo na Via Sacra e, a caminho do hospital, \u201csegura as pr\u00f3prias entranhas\u201d.<\/p>\n<p>Na sala de espera, Carlos Bolsonaro contempla quadros de <em>La Piet\u00e0<\/em> e da <em>Ressurrei\u00e7\u00e3o de L\u00e1zaro<\/em>, alegorias religiosas transparentes. A sobreviv\u00eancia do personagem se torna o ponto de virada da narrativa. Mesmo gravemente ferido, Bolsonaro se recusa a morrer. Ele toma o antibi\u00f3tico dado por Dolores e sobrevive por \u201cmilagre\u201d, numa clara alus\u00e3o \u00e0 interven\u00e7\u00e3o divina.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a cirurgia, Bolsonaro se levanta pela primeira vez, e o roteiro descreve a cena como \u201co primeiro passo do homem na lua\u201d. Dolores retorna para confirmar a dimens\u00e3o messi\u00e2nica do personagem: \u201cDeus te poupou para a na\u00e7\u00e3o, para o mundo\u201d.<\/p>\n<p><strong>Inimigos do mito<\/strong><\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o dos antagonistas \u00e9 igualmente reveladora. A imprensa aparece retratada como manipuladora, elitista e moralmente corrompida. A jornalista Lara Clarke, descrita como \u201catraente, opinativa e muito inteligente\u201d, personifica essa caricatura.<\/p>\n<p>Em diferentes cenas, Lara demonstra desprezo expl\u00edcito por Bolsonaro, a ponto de celebrar a not\u00edcia de que ele teria sido esfaqueado: \u201c<em>Fuck Bolsonaro. He brought it on himself<\/em>\u201d (\u201cQue se foda o Bolsonaro. Ele mesmo provocou isso\u201d).<\/p>\n<p>Posteriormente, ela divulga falsamente a morte do candidato ap\u00f3s receber uma foto clandestina tirada por um infiltrado no hospital. Em seguida, v\u00eddeos comprovando que Bolsonaro est\u00e1 vivo viralizam entre apoiadores, que passam a cham\u00e1-lo de \u201cMito\u201d e \u201cA Lenda\u201d.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, o roteiro associa opositores de esquerda \u00e0 viol\u00eancia pol\u00edtica e ao terrorismo. Bolsonaro afirma que \u201ca esquerda controla a m\u00eddia\u201d, manipula pesquisas e amea\u00e7a o Pa\u00eds. Em outro discurso, acusa \u201cglobalistas\u201d, ambientalistas e at\u00e9 \u201cped\u00f3filos de Hollywood\u201d de conspirarem contra o Brasil. O roteiro converte teorias conspirat\u00f3rias frequentemente disseminadas pelo bolsonarismo em estrutura dram\u00e1tica.<\/p>\n<p>O atentado tamb\u00e9m \u00e9 reinterpretado de maneira altamente manipuladora. O agressor, rebatizado como \u201cAurelio Barba\u201d, clara refer\u00eancia a Ad\u00e9lio Bispo, n\u00e3o aparece como autor solit\u00e1rio. O roteiro cria um grande vil\u00e3o: Paulo Pontes, o \u201cCicatriz\u201d, traficante enfrentado por Bolsonaro em 1985.<\/p>\n<p>Pontes \u00e9 um ex-marxista que faz cirurgia pl\u00e1stica em Cuba e se transforma em bar\u00e3o das drogas gra\u00e7as \u00e0 \u201ccoopera\u00e7\u00e3o estatal\u201d. O personagem n\u00e3o encontra respaldo em nenhum fato conhecido da investiga\u00e7\u00e3o do atentado. Sua fun\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica \u00e9 atribuir \u00e0 esquerda o planejamento do crime.<\/p>\n<p>\u00c9 Tato, um de seus capangas, quem contrata Aurelio Barba para matar Bolsonaro. O pr\u00f3prio Aurelio \u00e9 retratado como militante radical que aceita participar do atentado em troca de dinheiro. Ao abordar a tese de insanidade usada em sua defesa, o roteiro sugere uma farsa montada por advogados contratados por Paulo Pontes para encobrir o crime.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancia real de que o PT ou qualquer grupo de esquerda tenha financiado a facada. Ad\u00e9lio Bispo foi apontado pela investiga\u00e7\u00e3o como autor solit\u00e1rio e considerado inimput\u00e1vel por transtornos mentais. Ao apresentar outra vers\u00e3o como fic\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica, o filme propaga uma teoria conspirat\u00f3ria sem assumir o \u00f4nus da prova.<\/p>\n<p>\u00c9 leg\u00edtimo que uma obra de fic\u00e7\u00e3o tome liberdades narrativas. O problema de <em>Dark Horse<\/em> n\u00e3o \u00e9 inventar di\u00e1logos ou condensar acontecimentos. \u00c9 atribuir a pessoas reais vivas \u2013 jornalistas, magistrados e advers\u00e1rios pol\u00edticos \u2013 condutas criminosas sem respaldo probat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Outro aspecto revelador \u00e9 aquilo que o filme escolhe omitir. Desaparecem praticamente por completo as declara\u00e7\u00f5es de Bolsonaro defendendo torturadores da ditadura, os ataques ao sistema eleitoral, as amea\u00e7as ao STF, a condu\u00e7\u00e3o da pandemia e os epis\u00f3dios golpistas ligados ao 8 de Janeiro.<\/p>\n<p>O resultado \u00e9 um personagem quase inteiramente purificado: perseguido, patri\u00f3tico, espont\u00e2neo e v\u00edtima de elites corruptas. A narrativa de mart\u00edrio pressup\u00f5e essa purifica\u00e7\u00e3o para mobilizar emocionalmente a base bolsonarista e reconstruir uma mem\u00f3ria \u00e9pica de 2018.<\/p>\n<p><strong>A conspira\u00e7\u00e3o como roteiro<\/strong><\/p>\n<p>O longa refor\u00e7a pilares centrais da identidade bolsonarista: a ideia de persegui\u00e7\u00e3o permanente, o mito do outsider antissistema, a desconfian\u00e7a contra imprensa e institui\u00e7\u00f5es e a associa\u00e7\u00e3o entre Bolsonaro e uma miss\u00e3o espiritual.<\/p>\n<p>No ep\u00edlogo, Paulo Pontes tenta novamente assassinar Bolsonaro no hospital, enviando capangas que acabam mortos pela pol\u00edcia. Bolsonaro vence a elei\u00e7\u00e3o, enquanto Aurelio Barba \u00e9 inocentado por insanidade, num suposto conluio do Judici\u00e1rio.<\/p>\n<p>A \u00faltima cena mostra a posse presidencial passando na TV do escrit\u00f3rio de Paulo Pontes. Ele desliga o aparelho e recebe um grupo de \u201chomens importantes\u201d numa reuni\u00e3o secreta. Entre eles est\u00e1 um homem \u201ccareca, magro e s\u00e9rio\u201d, refer\u00eancia transparente ao ministro do STF Alexandre de Moraes. Embora n\u00e3o seja nomeado, o personagem \u00e9 identific\u00e1vel o suficiente para sugerir participa\u00e7\u00e3o numa conspira\u00e7\u00e3o criminosa.<\/p>\n<p>Uma tarja final informa que Bolsonaro foi condenado a 43 anos por tentativa de golpe, inflando a pena real, que foi de 27 anos e tr\u00eas meses. Mas o filme n\u00e3o discute os fatos relacionados ao 8 de Janeiro nem a den\u00fancia da PGR sobre tentativa de assassinato de autoridades. Segundo o roteiro, a condena\u00e7\u00e3o teria sido arbitr\u00e1ria.<\/p>\n<p>Curiosamente, Lara Clarke \u00e9 a \u00fanica personagem que percorre trajet\u00f3ria de transforma\u00e7\u00e3o. Inicialmente hostil a Bolsonaro, ela se redime no final ao impedir um novo atentado. O arco da jornalista sintetiza aquilo que o roteiro parece desejar do pr\u00f3prio espectador: uma jornada de preconceito em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 revela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><em>Dark Horse <\/em>funciona como pe\u00e7a de reorganiza\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica do bolsonarismo ap\u00f3s a derrota eleitoral, as investiga\u00e7\u00f5es judiciais e as condena\u00e7\u00f5es do ex-presidente. Mais do que recontar acontecimentos recentes, o filme tenta disputar a pr\u00f3pria mem\u00f3ria pol\u00edtica do pa\u00eds usando thriller, melodrama religioso e conspira\u00e7\u00e3o para transformar Bolsonaro em her\u00f3i mitol\u00f3gico.<\/p>\n<p><strong>O filme e o esc\u00e2ndalo<\/strong><\/p>\n<p>A ideia inicial dos produtores era lan\u00e7ar o longa \u00e0s v\u00e9speras da elei\u00e7\u00e3o presidencial de 2026. Mas h\u00e1 expectativa de que as den\u00fancias desta semana forcem a antecipa\u00e7\u00e3o da estreia. Na quarta-feira (13), o <em>The Intercept Brasil<\/em> publicou mensagens e \u00e1udios revelando bastidores da produ\u00e7\u00e3o: o senador Fl\u00e1vio Bolsonaro (PL-RJ) articulou diretamente com o banqueiro Daniel Vorcaro um financiamento de R$ 134 milh\u00f5es para o filme, o maior or\u00e7amento da hist\u00f3ria do cinema brasileiro.<\/p>\n<p>Ex-controlador do Banco Master, Vorcaro foi preso ao tentar deixar o Pa\u00eds enquanto era investigado por fraudes que causaram um rombo de R$ 47 bilh\u00f5es ao Fundo Garantidor de Cr\u00e9dito. Seu envolvimento com o filho de Jair Bolsonaro e pr\u00e9-candidato \u00e0 Presid\u00eancia al\u00e7ou <em>Dark Horse<\/em> ao centro do esc\u00e2ndalo nacional.<\/p>\n<p>O vazamento do roteiro parece ter sido uma tentativa de deslocar o debate das p\u00e1ginas policiais para as editorias de pol\u00edtica e cultura. At\u00e9 esta semana, haviam sido divulgados apenas trechos esparsos do longa e imagens isoladas das filmagens, enquanto a trama permanecia cercada de sigilo. Agora, por\u00e9m, <em>Dark Horse<\/em> pode ser analisado pelo que efetivamente \u00e9.<\/p>\n<p>Sob o disfarce da fic\u00e7\u00e3o, a cinebiografia de Jair Bolsonaro sobressai como pe\u00e7a de propaganda baseada em omiss\u00f5es, revisionismo e enquadramento seletivo. O longa reescreve acontecimentos recentes para absolver simbolicamente um condenado por tentativa de golpe.<\/p>\n<p>O cinema brasileiro j\u00e1 produziu obras ideol\u00f3gicas e panflet\u00e1rias de diferentes orienta\u00e7\u00f5es. Mas raramente \u2013 talvez nunca \u2013 uma produ\u00e7\u00e3o tentou reorganizar a mem\u00f3ria pol\u00edtica recente do Pa\u00eds com tamanha carga de fantasia conspirat\u00f3ria, financiamento suspeito e desprezo pelos fatos.<\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/vermelho.org.br\/2026\/05\/16\/filme-falseia-a-historia-para-transformar-bolsonaro-em-martir-e-vender-conspiracoes\/\">Filme falseia a hist\u00f3ria para transformar Bolsonaro em m\u00e1rtir e vender conspira\u00e7\u00f5es<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/vermelho.org.br\/\">Vermelho<\/a>.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/analogo-a-escravidao-31-dos-trabalhadores-da-pecuaria-no-para-foram-vitimas-de-trabalho-forcado-nos-ultimos-dois-anos-aponta-pesquisa\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; 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