{"id":87739,"date":"2026-05-18T17:54:15","date_gmt":"2026-05-18T20:54:15","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/nancy-fraser-o-velho-esta-morrendo-o-novo-nascera\/"},"modified":"2026-05-18T17:54:15","modified_gmt":"2026-05-18T20:54:15","slug":"nancy-fraser-o-velho-esta-morrendo-o-novo-nascera","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/nancy-fraser-o-velho-esta-morrendo-o-novo-nascera\/","title":{"rendered":"Nancy Fraser: O velho est\u00e1 morrendo \u2013 o novo nascer\u00e1?"},"content":{"rendered":"<figure><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1086\" height=\"723\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/unnamed-1.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/unnamed-1.jpg 1086w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/05\/18175307\/unnamed-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/05\/18175307\/unnamed-1-768x511.jpg 768w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/05\/18175307\/unnamed-1-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 1086px) 100vw, 1086px\"><figcaption>Imagem: Reprodu\u00e7\u00e3o\/The New School<\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<p><imgsrc=\"\" width=\"1\" height=\"1\" alt=\".\" border=\"0\">\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Nestes tempos de trevas em que um ator comparece ao hor\u00e1rio nobre da televis\u00e3o para, diante de milh\u00f5es, falsear a realidade da viol\u00eancia de g\u00eanero enquanto promove seu evento pago de exalta\u00e7\u00e3o \u00e0 masculinidade sitiada \u2014 tempos em que o monop\u00f3lio midi\u00e1tico naturaliza a mentira e a transfere para o centro do debate p\u00fablico \u2014, h\u00e1 certas vozes cujo chamado \u00e0 lucidez se torna um imperativo \u00e9tico.<\/p>\n<p>Nancy Fraser, a fil\u00f3sofa e te\u00f3rica cr\u00edtica que aos 79 anos segue desmontando as estruturas de poder com a precis\u00e3o de uma artes\u00e3 e a for\u00e7a de quem n\u00e3o tem nada a perder, \u00e9 uma dessas vozes.<\/p>\n<p>Fraser ocupa, desde 1995, a c\u00e1tedra Henry A. and Louise Loeb de Filosofia e Pol\u00edtica na\u00a0The New School for Social Research, em Nova York, uma das institui\u00e7\u00f5es mais prestigiosas do mundo no campo da teoria cr\u00edtica \u2014 tradi\u00e7\u00e3o \u00e0 qual a fil\u00f3sofa pertence por filia\u00e7\u00e3o direta, como herdeira da Escola de Frankfurt e interlocutora cont\u00ednua de J\u00fcrgen Habermas e Axel Honneth.<\/p>\n<div>\n<div><imgsrc=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/14--27.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/14--27.png 680w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2025\/12\/04164350\/14-1-300x110.png 300w\" sizes=\"(max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Antes disso, ensinou por muitos anos no departamento de filosofia da\u00a0Northwestern University, uma das principais universidades privadas de pesquisa dos Estados Unidos, e foi professora visitante em institui\u00e7\u00f5es como a\u00a0Johann Wolfgang Goethe-Universit\u00e4t\u00a0de Frankfurt (Alemanha), a\u00a0Stanford University, a\u00a0State University of New York (SUNY)\u00a0e a\u00a0University of Cambridge, onde em 2011 ocupou a c\u00e1tedra Humanitas Visiting Professor in Women\u2019s Rights.<\/p>\n<p>Sua trajet\u00f3ria acad\u00eamica iniciou-se no\u00a0Bryn Mawr College, uma das Sete Irm\u00e3s, a elite das faculdades de artes liberais femininas dos Estados Unidos, onde se bacharelou em filosofia em 1969; o doutorado veio em 1980 pelo\u00a0CUNY Graduate Center, a p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o da City University of New York, onde estudou com os fil\u00f3sofos que a introduziram \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica europeia.<\/p>\n<p>Fraser tamb\u00e9m det\u00e9m t\u00edtulos de doutora\u00a0<em>honoris causa<\/em>\u00a0por quatro universidades em tr\u00eas pa\u00edses \u2014 Argentina, Chile e Pa\u00edses Baixos \u2014, reconhecimento internacional de uma obra que j\u00e1 foi traduzida para mais de vinte idiomas, incluindo cita\u00e7\u00f5es em tr\u00eas ocasi\u00f5es pelos ministros do Supremo Tribunal Federal brasileiro em votos que sustentaram o casamento igualit\u00e1rio, as a\u00e7\u00f5es afirmativas e os direitos territoriais quilombolas.<\/p>\n<p>Sua produ\u00e7\u00e3o bibliogr\u00e1fica \u00e9 um mapa das grandes controv\u00e9rsias da teoria social contempor\u00e2nea. Entre os t\u00edtulos fundamentais, destacam-se\u00a0<em>Unruly Practices: Power, Discourse, and Gender in Contemporary Social Theory<\/em>\u00a0(University of Minnesota Press, 1989), sua primeira grande interven\u00e7\u00e3o, na qual articulou Foucault com Habermas para pensar o g\u00eanero como categoria anal\u00edtica;\u00a0<em>Justice Interruptus: Critical Reflections on the \u201cPostsocialist\u201d Condition<\/em>\u00a0(Routledge, 1997), publicado no Brasil como\u00a0<em>Justi\u00e7a interrompida: reflex\u00f5es cr\u00edticas sobre a condi\u00e7\u00e3o \u201cp\u00f3s-socialista\u201d<\/em>\u00a0(Boitempo, 2022), onde formulou sua teoria bidimensional da justi\u00e7a como redistribui\u00e7\u00e3o e reconhecimento;\u00a0<em>Redistribution or Recognition?<\/em><\/p>\n<p><em>A Political-Philosophical Exchange<\/em>\u00a0(Verso, 2003), coescrito com Axel Honneth, que se tornou um cl\u00e1ssico do debate contempor\u00e2neo sobre justi\u00e7a social;\u00a0<em>Scales of Justice: Reimagining Political Space in a Globalizing World<\/em>\u00a0(Columbia University Press, 2009), no qual expandiu sua teoria para o plano transnacional;\u00a0<em>Fortunes of Feminism: From State-Managed Capitalism to Neoliberal Crisis<\/em>\u00a0(Verso, 2013), publicado no Brasil como\u00a0<em>Destinos do feminismo: do capitalismo administrado pelo Estado \u00e0 crise neoliberal<\/em>\u00a0(Editora UnB, 2024), um acerto de contas com as trajet\u00f3rias do movimento feminista;\u00a0<em>Capitalism: A Conversation in Critical Theory<\/em>\u00a0(Polity, 2018), com Rahel Jaeggi; e\u00a0<em>Feminismo para os 99%: um manifesto<\/em>\u00a0(Boitempo, 2019), redigido com Cinzia Arruzza e Tithi Bhattacharya, que se tornou um fen\u00f4meno editorial global lan\u00e7ado simultaneamente em oito pa\u00edses e que no Brasil j\u00e1 acumula m\u00faltiplas reimpress\u00f5es, com tiragens que superaram as expectativas iniciais da editora.<\/p>\n<p>Sua obra mais recente,\u00a0<em>Cannibal Capitalism: How Our System is Devouring Democracy, Care, and the Planet \u2013 and What We Can Do About It<\/em>\u00a0(Verso, 2022), saiu no Brasil como\u00a0<em>Capitalismo canibal: como nosso sistema est\u00e1 devorando a democracia, o cuidado e o planeta, e o que podemos fazer com isso<\/em>\u00a0(Boitempo, 2024), recebendo tamb\u00e9m edi\u00e7\u00f5es pela Suhrkamp na Alemanha e pela Autonomia Liter\u00e1ria em coedi\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n<p>Um volume de interven\u00e7\u00e3o pol\u00edtica mais compacto,\u00a0<em>O velho est\u00e1 morrendo e o novo n\u00e3o pode nascer<\/em>\u00a0(Autonomia Liter\u00e1ria, 2020), condensou seu diagn\u00f3stico da crise de hegemonia neoliberal e circulou amplamente no Brasil em formato de bolso.<\/p>\n<div>\n<div><imgsrc=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/banners-outraspalavras-aniversario-marx-sp.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/banners-outraspalavras-aniversario-marx-sp.jpg 680w, https:\/\/estaticos.opara.me\/outraspalavras\/uploads\/2026\/05\/14150231\/banners-outraspalavras-aniversario-marx-sp-300x110.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Ao reconstruir a genealogia da crise contempor\u00e2nea, a fil\u00f3sofa distribui o peso da guinada neoliberal entre a heran\u00e7a conservadora e as capitula\u00e7\u00f5es da \u201cTerceira Via\u201d de Bill Clinton, Tony Blair e Gerhard Schr\u00f6der, desvelando como o bloco progressista-neoliberal chocou o ovo da serpente do populismo autorit\u00e1rio.<\/p>\n<p>Sob um v\u00e1cuo hegem\u00f4nico global \u2014 onde o assalto a Gaza decreta a fal\u00eancia moral do universalismo ocidental, a intelig\u00eancia artificial \u00e9 sequestrada por monop\u00f3lios olig\u00e1rquicos e a Mar\u00e9 Rosa latino-americana esbarra nos limites materiais do imperialismo \u2014, o pensamento cr\u00edtico mapeia os lampejos de insurg\u00eancia subalterna que emergem em Nova York e Minneapolis.<\/p>\n<p>Trata-se de um itiner\u00e1rio anal\u00edtico que fornece a gram\u00e1tica indispens\u00e1vel para desarmar a rea\u00e7\u00e3o patriarcal nas Am\u00e9ricas, culminando no desmantelamento das distor\u00e7\u00f5es factuais promovidas pelo tradicionalismo de Juliano Cazarr\u00e9 na m\u00eddia de massa brasileira.<\/p>\n<p>A entrevista foi conduzida por Thiago Gama, historiador comparativista, mestre e doutorando pelo programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria Comparada (PPGHC) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).<\/p>\n<p><strong>Eis a entrevista.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Seu conceito de \u201ccapitalismo canibal\u201d revela como o sistema devora suas pr\u00f3prias condi\u00e7\u00f5es de possibilidade \u2014 o trabalho de cuidado, o poder p\u00fablico, a natureza e o trabalho racializado. Como as \u201chist\u00f3rias de fundo\u201d da expropria\u00e7\u00e3o e do trabalho racializado est\u00e3o se desdobrando de forma diferente hoje no Sul Global, onde essas din\u00e2micas surgem frequentemente sem os \u00e1libis institucionais do Norte?<\/strong><\/p>\n<p>A diferen\u00e7a entre esses grupos se estabelecia por sua cor e por seu status. Do ponto de vista do status, um grupo era juridicamente livre, o outro n\u00e3o \u2014 e isso coincidiu com a linha de cor global. Em geral, os povos expropriados foram povos negros. Em geral, os trabalhadores livres eram os europeus, os brancos, como eram chamados. Isso foi no in\u00edcio, mas acho que, com o tempo, essa divis\u00e3o que racializava a diferen\u00e7a entre os expropriados e os explorados foi se tornando mais complexa. Diria que hoje as coisas s\u00e3o mais complicadas.<\/p>\n<p>Hoje, quase todos os povos do Sul Global habitam estados considerados independentes e, portanto, possuem alguns direitos \u2014 talvez n\u00e3o muitos, mas direitos no papel: s\u00e3o cidad\u00e3os. E muitos deles realizam trabalho assalariado, embora n\u00e3o todos. Ainda existem aqueles coercidos a uma esp\u00e9cie de economia clandestina. Mas h\u00e1 trabalho livre e explorado no Sul Global hoje, e, ao mesmo tempo, no Norte Global, por causa da neoliberaliza\u00e7\u00e3o, os sal\u00e1rios foram comprimidos, a seguran\u00e7a no emprego foi destru\u00edda, os sindicatos foram enfraquecidos, a manufatura foi expulsa.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, muitos trabalhadores no Sul Global s\u00e3o expropriados por meio de d\u00edvidas, ao mesmo tempo em que realizam formas de trabalho assalariado prec\u00e1rio, especialmente no setor de servi\u00e7os. Vemos uma imagem mais complexa. Em ambas as regi\u00f5es \u2014 Norte e Sul Global \u2014, as pessoas s\u00e3o simultaneamente expropriadas e exploradas. \u00c9 uma divis\u00e3o menos n\u00edtida do que tivemos nas fases anteriores do capitalismo, mas ainda h\u00e1 uma diferen\u00e7a entre o trabalho expropriado e o explorado nas duas extremidades do espectro, e h\u00e1 pessoas no meio \u2014 que poder\u00edamos chamar de h\u00edbridos, misturando os dois estados. Essa est\u00e1 se tornando uma posi\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria, creio eu.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, a cor ainda \u00e9 uma linha de clivagem na sociedade, mas de forma um pouco diferente da \u00e9poca anterior, quando coincidiu muito prontamente com a divis\u00e3o entre livre e expropriado. Agora, a cor persiste como o que alguns chamam de forma de subordina\u00e7\u00e3o p\u00f3s-colonial, mesmo que o estatuto formal de escravizados ou dependentes tenha sido abolido. \u00c9 uma resposta longa, mas a quest\u00e3o \u00e9 complexa, e espero que ajude.<\/p>\n<p><strong>A era Reagan-Thatcher \u00e9 frequentemente associada ao surgimento dos problemas que a senhora descreve \u2014 neoliberalismo, racializa\u00e7\u00e3o, desigualdade. Qual \u00e9 a sua avalia\u00e7\u00e3o desse per\u00edodo?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 verdade que essas duas figuras est\u00e3o associadas, no imagin\u00e1rio popular, \u00e0 neoliberaliza\u00e7\u00e3o, e isso faz algum sentido: ambos argumentaram fortemente que o problema de seus pa\u00edses decorria do excesso de interven\u00e7\u00e3o estatal, de burocracia demais. Era preciso deixar os mercados agirem livremente. Essa foi a ideologia.<\/p>\n<p>Mas acho que a hist\u00f3ria real \u00e9 mais complexa. Nos EUA e no Reino Unido, os grandes movimentos de instala\u00e7\u00e3o e consolida\u00e7\u00e3o do neoliberalismo foram realizados pelo Partido Democrata, com Bill Clinton, e pelo Novo Trabalhismo, com Tony Blair. S\u00e3o eles, no caso de Clinton, que desregulamentaram Wall Street, tornaram o mercado de derivativos algo de propor\u00e7\u00f5es imensas e expandiram a OMC para incluir a China \u2014 o que alterou dramaticamente a geografia da produ\u00e7\u00e3o industrial. E Blair copiou Clinton.<\/p>\n<p><strong>A chamada \u201cTerceira via\u201d.<\/strong><\/p>\n<p>Exatamente, terceira via. Porque acharam que poderiam vencer elei\u00e7\u00f5es mais facilmente se abandonassem os sindicatos e a classe trabalhadora, que eram sua base de apoio, e tentassem, em vez disso, atrair eleitores independentes e suburbanos. Devem, portanto, receber grande parte da responsabilidade pela neoliberaliza\u00e7\u00e3o. N\u00e3o foram apenas Thatcher e Reagan. Posso contar a mesma hist\u00f3ria sobre a Alemanha. Foi Gerhard Schr\u00f6der, um social-democrata, quem introduziu as reformas Hartz que transformaram todo o sistema de mercado de trabalho alem\u00e3o. Em alguns pa\u00edses, foi a direita que o fez \u2014 mas n\u00e3o no Reino Unido, nos EUA ou na Alemanha.<\/p>\n<p><strong>Seu diagn\u00f3stico de 2017 sobre a hegemonia \u201cprogressista-neoliberal\u201d e seu papel no nascimento do Trumpismo foi tragicamente confirmado. No contexto do segundo mandato de Trump, quais s\u00e3o as possibilidades concretas de construir um bloco contra hegem\u00f4nico que n\u00e3o repita os erros de casar uma pol\u00edtica progressista de reconhecimento com uma economia pol\u00edtica neoliberal?<\/strong><\/p>\n<p>De certa forma, isso retoma a pergunta anterior. Quando eu descrevia o papel de Blair e Clinton, chamava-os de progressistas-neoliberais: apelavam a eleitores que apoiavam, pelo menos na superf\u00edcie, o feminismo, os direitos gays, a ecologia, o antirracismo \u2014 mas combinavam essa pol\u00edtica de reconhecimento com uma pol\u00edtica distributiva regressiva, que significava redistribui\u00e7\u00e3o de baixo para cima, em favor dos muito ricos. E isso pavimentou o terreno para os Trump e os Bolsonaro. Porque esses progressistas neoliberais supervisionaram a deteriora\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de vida das classes trabalhadoras \u2014 nos EUA, comunidades foram destru\u00eddas, as pessoas ficaram dependentes de opioides, sem empregos, sem comunidade, sem vida social.<\/p>\n<p>Isso foi obra dos progressistas neoliberais. E criou uma abertura para que os Trump e os Bolsonaro do mundo saltassem e dissessem: \u201cN\u00f3s somos o partido da classe trabalhadora, vamos fazer a Am\u00e9rica grande novamente, vamos resolver tudo para voc\u00eas. E sabe quem \u00e9 o culpado? Os imigrantes. Nos EUA: os mexicanos, os mu\u00e7ulmanos, os trans, os judeus.\u201d Ambos os campos tinham a mesma economia pol\u00edtica olig\u00e1rquica, mas pol\u00edticas de reconhecimento distintas.<\/p>\n<p>Isso nos traz ao presente. Eu diria que, neste momento, nos EUA, a administra\u00e7\u00e3o Trump perdeu muito apoio e est\u00e1 em dificuldades eleitorais \u2014 o que explica as manobras para redistribuir distritos eleitorais e garantir maior representa\u00e7\u00e3o. Mas do ponto de vista da opini\u00e3o p\u00fablica, o governo est\u00e1 em apuros: superou-se na brutalidade contra os imigrantes, nos assassinatos e deporta\u00e7\u00f5es; falhou em cumprir a promessa de trazer de volta os empregos industriais \u2014 isso n\u00e3o aconteceu. E agora, a \u00faltima falha \u00e9 essa guerra insana, esse ataque insano junto com os israelenses contra o Ir\u00e3.<\/p>\n<p>\u00c9 um momento em que o movimento trumpista n\u00e3o det\u00e9m nenhuma hegemonia segura. O pa\u00eds est\u00e1 polarizado. N\u00e3o h\u00e1 for\u00e7a hegem\u00f4nica. E isso cria oportunidades para quem queira apresentar alternativas \u2014 \u00e0 esquerda, podemos dizer \u2014 para entrar com uma mensagem cr\u00edtica, boa organiza\u00e7\u00e3o, boa narrativa, e tentar apelar: \u201cVoc\u00ea votou em Trump e agora est\u00e1 decepcionado. Venha conosco, vamos fazer diferente.\u201d<\/p>\n<p>N\u00e3o estou dizendo que estou exatamente otimista. N\u00e3o fa\u00e7o previs\u00f5es. Mas \u00e9 um momento de v\u00e1cuo hegem\u00f4nico, e isso cria possibilidades. Vimos, por exemplo, em Nova York a elei\u00e7\u00e3o de <strong>Zohran Mamdani<\/strong>, um prefeito socialista democr\u00e1tico. \u00c9 uma cidade com uma popula\u00e7\u00e3o imigrante enorme \u2014 e ele pr\u00f3prio tem ascend\u00eancia sul-asi\u00e1tica e representa simbolicamente os imigrantes. \u00c9 interessante tamb\u00e9m porque \u00e9 uma cidade com mais de um milh\u00e3o de eleitores judeus \u2014 a maior popula\u00e7\u00e3o judaica fora de Israel \u2014 e ele conseguiu reunir uma coaliz\u00e3o de imigrantes e jovens, muitos, embora n\u00e3o todos, judeus que rejeitaram as pol\u00edticas do governo israelense em Gaza e na Cisjord\u00e2nia. \u00c9 um sinal esperan\u00e7oso.<\/p>\n<p>Outro sinal esperan\u00e7oso foi a insurrei\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os de Minneapolis. Levantaram-se contra o ICE com enorme coragem, colocando seus corpos na linha \u2014 e dois deles foram brutalmente assassinados por agentes do ICE. Isso provocou um grande refluxo contra Trump e contra o ICE no pa\u00eds. Se isso vai somar a algo maior, n\u00e3o posso dizer. Mas h\u00e1 lugares, momentos e desenvolvimentos que mostram que existem oportunidades, mesmo que a situa\u00e7\u00e3o geral seja muito sombria.<\/p>\n<p><strong>O Brasil contou com treze anos de governos do PT \u2014 Lula e Dilma Rousseff. Bolsonaro foi, ent\u00e3o, um governo abertamente fascista. Na sua opini\u00e3o, por que a esquerda pol\u00edtica perdeu o poder?<\/strong><\/p>\n<p>Bem, gostaria de poder responder \u00e0 sua pergunta, mas n\u00e3o estou no Brasil e n\u00e3o tenho familiaridade suficiente com a pol\u00edtica de campo para faz\u00ea-lo com seguran\u00e7a. Acho que seus pr\u00f3prios cientistas e analistas pol\u00edticos ter\u00e3o muito mais a me ensinar do que eu a eles. Imagino que essa resposta o decepciona \u2014 mas \u00e9 a verdade.<\/p>\n<p>A \u00fanica coisa que posso dizer \u00e9 que os governos do Partido dos Trabalhadores enfrentavam uma situa\u00e7\u00e3o muito dif\u00edcil. Junto com a Mar\u00e9 Rosa na Am\u00e9rica Latina, estavam tentando tra\u00e7ar um caminho em um mundo ainda muito dominado pelos Estados Unidos, pela China e pelas outras pot\u00eancias. Estavam tentando ir contra a corrente. Havia quest\u00f5es de finan\u00e7as globais, reestrutura\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas \u2014 tudo isso trabalhando contra esses governos.<\/p>\n<p>E, ao mesmo tempo, nas pol\u00edticas internas, acho que especialmente Lula se empenhou em redistribuir a riqueza mais do que em reestruturar toda a economia. Essa redistribui\u00e7\u00e3o era muito dependente dos pre\u00e7os das commodities. Quando esses pre\u00e7os ca\u00edram no mercado mundial \u2014 o que aconteceu \u2014, a capacidade de redistribuir foi reduzida. \u00c9 mais um exemplo de como nenhum pa\u00eds \u00e9 uma ilha. Voc\u00ea est\u00e1 constrangido pelo mercado mundial. E acho que as boas inten\u00e7\u00f5es esbarraram nas duras realidades do imperialismo global.<\/p>\n<p>Talvez tamb\u00e9m tenham ocorrido erros \u2014 provavelmente alguns membros do PT se decepcionaram e deixaram o partido. Mas n\u00e3o posso comentar sobre isso. O que eu diria em geral \u00e9 que n\u00e3o se pode simplesmente ignorar o poder imperial global \u2014 a economia do d\u00f3lar, os mercados financeiros, os mercados de commodities. \u00c9 interessante que estamos vendo hoje, no caso do Ir\u00e3, como eles t\u00eam uma alavancagem real por serem capazes de controlar o Estreito de Ormuz. \u00c9 um poder consider\u00e1vel. A Mar\u00e9 Rosa na Am\u00e9rica Latina n\u00e3o dispunha dessa alavancagem para for\u00e7ar os bancos e as pot\u00eancias globais a se comportarem de forma diferente. H\u00e1 um poder muito forte no mundo, e mesmo um governo bem-intencionado pode n\u00e3o ser capaz de sobreviver a ele.<\/p>\n<p><strong>Estamos diante do fim da era do industrialismo, especialmente em face da intelig\u00eancia artificial?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 um tema complexo. \u00c9 muito claro que o que costum\u00e1vamos chamar de \u201csociedade p\u00f3s-industrial\u201d sempre foi uma imagem distorcida \u2014 porque a ind\u00fastria n\u00e3o desapareceu. Ela simplesmente migrou para o que chamamos de BRICS, o que inclui o Brasil, \u00e9 claro. H\u00e1 muita produ\u00e7\u00e3o industrial, e n\u00e3o vejo isso mudar.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 intelig\u00eancia artificial \u2014 que empregos ela vai substituir? \u00c9 uma pergunta importante. J\u00e1 temos o uso de rob\u00f4s em alguns setores industriais. Mas a IA \u00e9 uma amea\u00e7a maior, eu diria, para os trabalhadores de colarinho branco do que para os trabalhadores da manufatura. Ainda n\u00e3o sabemos ao certo. Muito do que se fala sobre a IA s\u00e3o hip\u00f3teses \u2014 n\u00e3o \u00e9 necessariamente um cen\u00e1rio verdadeiro e validado sobre o que vai acontecer. Muitas dessas narrativas existem para inflar o pre\u00e7o das a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Diria que a tecnologia est\u00e1 sob o controle dessas grandes empresas lucrativas geridas por oligarcas. Elas a controlam e, obviamente, a utilizam para promover sua pr\u00f3pria acumula\u00e7\u00e3o de capital. Em um mundo diferente, a mesma tecnologia poderia ser usada de outra forma \u2014 de modo a tornar nossas vidas mais f\u00e1ceis, criando a possibilidade de todos trabalharmos menos horas e vivermos melhor. Mas sob o controle de Elon Musk e afins, est\u00e1 sendo usada para fins que representam uma amea\u00e7a \u00e0 vida de muitas pessoas e \u00e0 sua capacidade de viver bem.<\/p>\n<p><strong>Seu ensaio recente interpreta o assalto a Gaza como um \u201cevento-mundo\u201d que estra\u00e7alha a ordem moral p\u00f3s-Holocausto do Ocidente. Neste momento de ruptura profunda, como intelectuais e movimentos sociais no Sul Global podem articular uma nova gram\u00e1tica de justi\u00e7a global?<\/strong><\/p>\n<p>Acho que isso \u00e9, de certa forma, an\u00e1logo ao que eu dizia sobre os Estados Unidos. Nos EUA, disse que o movimento Trump n\u00e3o conseguiu estabelecer uma hegemonia segura, que h\u00e1 muita desilus\u00e3o e que muitas pessoas est\u00e3o abertas a novas ideias. Isso vale no plano global. O que queimou a ordem moral ocidental \u2014 o senso de ilegitimidade clara de pot\u00eancias que antes se apresentavam como leg\u00edtimas e portadoras de interesses universais \u2014 tamb\u00e9m \u00e9 uma oportunidade. \u00c9 perigoso. N\u00e3o quero pintar um quadro cor-de-rosa. H\u00e1 muitos perigos, incluindo a possibilidade de uma guerra nuclear \u2014 porque Netanyahu n\u00e3o est\u00e1 sob o controle de Trump: \u00e9 um ator imprevis\u00edvel que poderia decidir usar armas nucleares contra o Ir\u00e3.<\/p>\n<p>Mas a indigna\u00e7\u00e3o profunda que as pessoas ao redor do mundo sentem quando veem o que Israel est\u00e1 fazendo em Gaza, dia ap\u00f3s dia, cria um senso mundial de horror. E acho que Israel \u00e9 um ponto de inflex\u00e3o. Somando-se a isso o apoio de Trump a Netanyahu na invas\u00e3o mais recente e na guerra contra o Ir\u00e3, estamos vendo uma coisa ap\u00f3s a outra que todos sabem ser errada e n\u00e3o deveria acontecer. Essa \u00e9 a primeira condi\u00e7\u00e3o: o senso de que precisamos de algo diferente.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que n\u00e3o temos uma imagem clara de uma ordem alternativa. Os europeus, que se apresentam como uma alternativa ocidental civilizada, est\u00e3o essencialmente fora de cena: n\u00e3o t\u00eam capacidade de construir uma pol\u00edtica externa comum, est\u00e3o internamente divididos, especialmente nas quest\u00f5es da R\u00fassia e da Ucr\u00e2nia. A China est\u00e1 em algum tipo de alian\u00e7a de fato com a R\u00fassia, o Ir\u00e3 e talvez a Turquia. N\u00e3o acho que seja necessariamente uma alian\u00e7a que represente o bem para o planeta, mas pode ser mais est\u00e1vel do que o que temos agora. A Am\u00e9rica Latina, durante o per\u00edodo da Mar\u00e9 Rosa, representou uma poss\u00edvel abertura para algo diferente. Mas as vit\u00f3rias da direita em diversos pa\u00edses mudaram esse quadro. Olhando para os poderes existentes, n\u00e3o vejo nenhum pa\u00eds, alian\u00e7a ou bloco que pudesse representar uma alternativa genuinamente emancipadora.<\/p>\n<p>Isso significa que, por ora, a sociedade civil \u00e9 o espa\u00e7o em que podemos tentar desenvolver ideias. E eu diria que, pelo menos nos EUA, a pol\u00edtica externa tem sido o ponto cego da esquerda americana. Bernie Sanders, que admiro muito, n\u00e3o tinha muito a dizer sobre pol\u00edtica externa. A esquerda americana sabe contra o que \u00e9 e quer acolher imigrantes \u2014 mas n\u00e3o tem nenhum projeto al\u00e9m de uma condena\u00e7\u00e3o moral do que est\u00e1 acontecendo. Acho que este \u00e9 um per\u00edodo em que a esquerda deveria se concentrar em tentar descobrir \u2014 por meio de discuss\u00f5es e debates \u2014 qual deve ser a sua pol\u00edtica externa, como deve ser uma nova ordem global. N\u00e3o como utopia pintada ou pensamento desejoso, mas de forma pol\u00edtica, olhando para onde est\u00e3o os movimentos, as uni\u00f5es internacionais, as outras for\u00e7as que poderiam encarnar essa ideia. Porque temos que pensar estrat\u00e9gica e eticamente.<\/p>\n<p><strong>Para encerrar, trago um caso perturbador do Brasil. O Grupo Globo \u2014 nosso maior conglomerado de m\u00eddia, an\u00e1logo ao imp\u00e9rio Murdoch na Austr\u00e1lia \u2014 concedeu, recentemente, espa\u00e7o de hor\u00e1rio nobre na GloboNews Debate ao ator conservador Juliano Cazarr\u00e9 para promover seu movimento tradicionalista \u201cO Farol e a Forja\u201d. Trata-se de uma express\u00e3o clara da rea\u00e7\u00e3o \u201cred pill\u201d, que instrumentaliza fake news flagrantes ao afirmar que mulheres matam mais homens do que o contr\u00e1rio. Os dados oficiais confirmam uma epidemia de mais de 1.400 feminic\u00eddios legalmente tipificados por ano no Brasil, al\u00e9m de centenas de mortes violentas de indiv\u00edduos LGBTQIA+. Em seu trabalho atual, que reinterpreta o feminismo como um movimento trabalhista que articula trabalho explorado, expropriado e dom\u00e9stico, como esse reencadramento pode ajudar a forjar uma for\u00e7a contra-hegem\u00f4nica unificada para desmantelar essa ofensiva patriarcal, que agora ocupa os espa\u00e7os centrais da m\u00eddia convencional nas Am\u00e9ricas?<\/strong><\/p>\n<p>Obviamente, se a paisagem midi\u00e1tica \u00e9 t\u00e3o dominada por uma \u00fanica empresa e uma \u00fanica fonte, isso \u00e9 muito s\u00e9rio. E acho que voc\u00ea tem raz\u00e3o: h\u00e1 obriga\u00e7\u00f5es que se tornam especialmente importantes nesse tipo de situa\u00e7\u00e3o de controle monopol\u00edstico.<\/p>\n<p>Deixe-me perguntar a voc\u00ea: quais s\u00e3o as op\u00e7\u00f5es no \u00e2mbito judicial? Quem controla o licenciamento? O governo tem atualmente a capacidade de invocar uma corre\u00e7\u00e3o legal? Porque n\u00e3o deveriam estar concedendo licen\u00e7as a uma empresa capaz de transmitir fake news em uma escala t\u00e3o enorme. Isso \u00e9 uma possibilidade? E h\u00e1 outros tipos de organiza\u00e7\u00e3o \u2014 pessoas protestando na frente de suas sedes, nas ruas?<\/p>\n<p><strong>Deveriam ter corrigido as fake news que ele estava propagando. Foi muito s\u00e9rio porque foi um debate \u2014 havia outras pessoas presentes, falando contra ele. Um psiquiatra e um professor deveriam ter enfatizado com mais for\u00e7a que ele estava propagando informa\u00e7\u00f5es falsas e que o que dizia n\u00e3o correspondia \u00e0 realidade. Mas n\u00e3o sei se conseguiram explicar da forma como deveriam.<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1, ent\u00e3o, mais raz\u00f5es ainda para que outras m\u00eddias \u2014 como a sua \u2014 fa\u00e7am o melhor para expor as fake news. Entendo que voc\u00eas n\u00e3o t\u00eam o mesmo alcance, a mesma capacidade de falar a um p\u00fablico amplo, mas fa\u00e7am o que podem. No entanto, acho que deveria haver protestos. Deve haver movimentos feministas \u2014 mas n\u00e3o s\u00f3 \u2014 outros grupos protestando contra isso. Me diga o nome dele \u2014 Cazarr\u00e9?<\/p>\n<p><strong>Juliano Cazarr\u00e9.<\/strong><\/p>\n<p>Juliano Cazarr\u00e9. Tenho certeza de que voc\u00eas t\u00eam protestos. Acho que h\u00e1 estrat\u00e9gias legais que podem ser desenvolvidas. N\u00e3o sei ao certo sobre o seu sistema judicial, se tem capacidade de\u2026<\/p>\n<p><strong>Acho que sim, de alguma forma \u2014 n\u00e3o tenho profundo conhecimento da lei, mas creio que deveriam poder agir\u2026<\/strong><\/p>\n<p>E espero que os movimentos feministas estejam nas ruas falando sobre isso. Desculpe n\u00e3o saber o suficiente para dizer mais \u2014 mas \u00e9 bastante horr\u00edvel.<\/p>\n<hr>\n<p><strong>Dispositivo Cr\u00edtico de Contexto:<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li><strong>Anjos, Ismael dos<\/strong> Consultor em equidade de g\u00eanero e diversidade participante do programa <em>GloboNews Debate<\/em> veiculado em 12 de maio de 2026. \u00c9 amplamente reconhecido no cen\u00e1rio nacional por suas formula\u00e7\u00f5es e interven\u00e7\u00f5es voltadas ao letramento racial e corporativo.<\/li>\n<li><strong>Blair, Tony<\/strong> Primeiro-ministro do Reino Unido associado \u00e0 consolida\u00e7\u00e3o do \u201cNovo Trabalhismo\u201d e \u00e0 formula\u00e7\u00e3o te\u00f3rica da \u201cTerceira Via\u201d. Nancy Fraser o aponta, ao lado de Bill Clinton, como um dos arquitetos fundamentais da guinada e da instala\u00e7\u00e3o estrutural do neoliberalismo durante a d\u00e9cada de 1990. Sua estrat\u00e9gia eleitoral consistiu em deliberadamente afastar o partido de sua base hist\u00f3rica de apoio \u2014 os sindicatos e a classe trabalhadora \u2014 para cortejar eleitores suburbanos e independentes , operando uma s\u00edntese regressiva que aliou o reconhecimento identit\u00e1rio \u00e0 redistribui\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica progressivamente favor\u00e1vel \u00e0s elites financeiras.<\/li>\n<li><strong>Bloco Contra-Hegem\u00f4nico<\/strong> Alian\u00e7a pol\u00edtica e social que, na teoria de Nancy Fraser, visa disputar a hegemonia do bloco dominante \u2014 o \u201cneoliberalismo progressista\u201d \u2014 unificando as lutas por redistribui\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica (classe trabalhadora) e por reconhecimento (g\u00eanero, ra\u00e7a, ecologia), sem subordinar uma \u00e0 outra. A constru\u00e7\u00e3o desse bloco \u00e9 apresentada por Fraser como a alternativa concreta ao avan\u00e7o da direita autorit\u00e1ria.<\/li>\n<li><strong>Capitalismo Canibal<\/strong> Conceito central do livro de Nancy Fraser (<em>Capitalismo Canibal<\/em>, 2022). A fil\u00f3sofa argumenta que o sistema capitalista, em sua voracidade, devora suas pr\u00f3prias condi\u00e7\u00f5es de possibilidade, precarizando o trabalho de cuidado, destruindo o poder p\u00fablico, esgotando a natureza e intensificando a explora\u00e7\u00e3o racializada. A imagem do <em>ouroboros<\/em> (serpente que devora a pr\u00f3pria cauda) ilustra a tese de que o sistema caminha para uma crise ao destruir suas bases vitais.<\/li>\n<li><strong>Cazarr\u00e9, Juliano<\/strong> Ator e palestrante conservador brasileiro, idealizador e promotor do movimento tradicionalista masculino intitulado \u201cO Farol e a Forja\u201d. Durante sua participa\u00e7\u00e3o em debate na televis\u00e3o fechada em maio de 2026, veiculou informa\u00e7\u00f5es falsas ao asseverar que as mulheres matam mais homens do que o oposto, alega\u00e7\u00e3o frontalmente desmentida pelas estat\u00edsticas epidemiol\u00f3gicas oficiais de feminic\u00eddio no Brasil. Sua prele\u00e7\u00e3o e o escopo de seu evento sofreram forte rep\u00fadio p\u00fablico por parte de atrizes brasileiras proeminentes, sob o argumento de que sua narrativa esconde e deslegitima a gravidade da viol\u00eancia de g\u00eanero.<\/li>\n<li><strong>Clinton, Bill (1946-)<\/strong> 42\u00ba presidente dos EUA (1993-2001). Nancy Fraser o classifica como um dos arquitetos do \u201cneoliberalismo progressista\u201d por ter, na pr\u00e1tica, adotado pol\u00edticas de desregulamenta\u00e7\u00e3o financeira e expans\u00e3o do com\u00e9rcio global (como a entrada da China na OMC), ao mesmo tempo em que seu discurso abra\u00e7ava pautas identit\u00e1rias progressistas. Fraser argumenta que a administra\u00e7\u00e3o Clinton foi mais efetiva na consolida\u00e7\u00e3o do neoliberalismo do que Reagan, por conta da maior dificuldade da esquerda em se opor a um governo do pr\u00f3prio campo.<\/li>\n<li>\u201c<strong>Com o Nosso Dinheiro, N\u00e3o!\u201d (<\/strong><em><strong>Not on Our Dime!<\/strong><\/em><strong>)<\/strong> Projeto de lei do qual Zohran Mamdani foi coautor, que visava impedir que institui\u00e7\u00f5es de caridade do estado de Nova York financiassem a viol\u00eancia de colonos israelenses nos territ\u00f3rios palestinos ocupados.<\/li>\n<li><strong>Desfinanciamento da Pol\u00edcia<\/strong> Proposta que defende a realoca\u00e7\u00e3o de recursos dos departamentos de pol\u00edcia para servi\u00e7os sociais, sa\u00fade mental, programas de emprego para jovens e assist\u00eancia comunit\u00e1ria, como forma mais eficaz de prevenir o crime. Zohran Mamdani manifestou apoio a essa medida e, como candidato a prefeito, prop\u00f4s a cria\u00e7\u00e3o de um Departamento de Seguran\u00e7a Comunit\u00e1ria civil.<\/li>\n<li><strong>Estiano, Marjorie; Abreu, Claudia e Lucinda, Elisa<\/strong> Artistas e figuras p\u00fablicas da cultura brasileira que se posicionaram de forma abertamente cr\u00edtica contra a articula\u00e7\u00e3o do evento tradicionalista \u201cO Farol e a Forja\u201d. Argumentaram publicamente que a ret\u00f3rica baseada em um suposto \u201cenfraquecimento masculino\u201d camufla e desconsidera as evid\u00eancias emp\u00edricas da viol\u00eancia cr\u00f4nica contra as mulheres e as taxas alarmantes de feminic\u00eddio no pa\u00eds.<\/li>\n<li><strong>Evento-Mundo<\/strong> Conceito desenvolvido por Nancy Fraser em seu ensaio <em>Gaza as World Event<\/em>, publicado na <em>New Left Review<\/em> 158 (mar\u00e7o-abril de 2026). Para Fraser, o ataque genocida de Israel a Gaza n\u00e3o \u00e9 apenas um epis\u00f3dio regional, mas um \u201cponto de virada hist\u00f3rico\u201d (<em>epochal turning point<\/em>), um acontecimento que, por sua escala e visibilidade, revela e simboliza a natureza do tempo presente \u2014 especificamente, a crise da ordem moral do Ocidente p\u00f3s-Holocausto. Como \u201cevento-mundo\u201d, Gaza estilha\u00e7a a pretens\u00e3o de legitimidade das pot\u00eancias ocidentais e exp\u00f5e a fal\u00eancia de suas alega\u00e7\u00f5es de universalismo moral e legal.<\/li>\n<li><strong>Expropria\u00e7\u00e3o<\/strong> Na teoria de Nancy Fraser, difere da explora\u00e7\u00e3o (extra\u00e7\u00e3o de mais-valia no trabalho assalariado) por se basear na apropria\u00e7\u00e3o direta de recursos, terras, corpos e trabalho sem a media\u00e7\u00e3o de um contrato de trabalho livre. Historicamente associada \u00e0 escravid\u00e3o e ao colonialismo, Fraser argumenta que hoje a expropria\u00e7\u00e3o e a explora\u00e7\u00e3o se misturam em formas h\u00edbridas, como o trabalho prec\u00e1rio mediado por d\u00edvidas.<\/li>\n<li><strong>Feminismo como Movimento Trabalhista<\/strong> Reinterpreta\u00e7\u00e3o proposta por Nancy Fraser que busca unificar as lutas feministas com as lutas da classe trabalhadora. Ao articular o trabalho explorado (assalariado), o trabalho expropriado (n\u00e3o pago ou mal pago, frequentemente racializado) e o trabalho dom\u00e9stico (cuidado n\u00e3o remunerado), esse enquadramento te\u00f3rico visa forjar uma for\u00e7a pol\u00edtica contra-hegem\u00f4nica que enfrente simultaneamente o patriarcado e o capitalismo.<\/li>\n<li><strong>Feminismo para os 99%<\/strong> Manifesto lan\u00e7ado em 8 de mar\u00e7o de 2019 e publicado no Brasil pela Boitempo, redigido por Nancy Fraser em coautoria com Cinzia Arruzza e Tithi Bhattacharya. O manifesto prop\u00f5e um feminismo anticapitalista, antirracista e ecossocialista, em oposi\u00e7\u00e3o ao \u201cfeminismo liberal\u201d que Fraser acusa de ter sido cooptado pelo neoliberalismo. A ideia central \u00e9 que o feminismo n\u00e3o deve representar apenas as mulheres, mas os 99% da popula\u00e7\u00e3o, sendo uma frente decisiva na luta contra o capitalismo e todas as formas de opress\u00e3o.<\/li>\n<li><strong>Freitas, Nelson<\/strong> Ator brasileiro listado e confirmado como um dos palestrantes do encontro de orienta\u00e7\u00e3o conservadora \u201cO Farol e a Forja\u201d, sediado na cidade de S\u00e3o Paulo em julho de 2026.<\/li>\n<li><strong>GloboNews Debate (12\/05\/2026)<\/strong> Programa de debates exibido ao vivo pela GloboNews na ter\u00e7a-feira, 12 de maio de 2026, com o tema \u201cEduca\u00e7\u00e3o e o papel do homem nos tempos atuais\u201d. Os participantes foram: <strong>Vera Iaconelli<\/strong>: psicanalista e colunista da <em>Folha de S.Paulo<\/em>, com doutorado em Psicologia pela USP, cuja pesquisa foca em temas como maternidade e subjetividade contempor\u00e2nea; <strong>Ismael dos Anjos<\/strong>: consultor em equidade de g\u00eanero e diversidade, reconhecido por seu trabalho de letramento racial e corporativo no Brasil; <strong>Juliano Cazarr\u00e9<\/strong>: ator e palestrante conservador (ver verbete pr\u00f3prio). Durante o programa, Cazarr\u00e9 afirmou que \u201cmais mulheres mataram homens do que homens mataram mulheres\u201d, declara\u00e7\u00e3o que foi contestada como informa\u00e7\u00e3o falsa. Em 2025, o Brasil registrou 1.568 feminic\u00eddios, de acordo com o F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica.<\/li>\n<li><strong>Gramsci, Antonio (1891-1937)<\/strong> Fil\u00f3sofo, jornalista e pol\u00edtico marxista italiano, fundador do Partido Comunista Italiano. Sua obra, escrita em grande parte nos <em>Cadernos do C\u00e1rcere<\/em> durante a pris\u00e3o imposta pelo regime fascista de Mussolini, \u00e9 central para a teoria pol\u00edtica contempor\u00e2nea. Gramsci desenvolveu conceitos como <em>hegemonia<\/em> (lideran\u00e7a cultural e moral que uma classe exerce sobre a sociedade, para al\u00e9m da for\u00e7a), <em>bloco hist\u00f3rico<\/em> (alian\u00e7a entre classes sob a dire\u00e7\u00e3o de uma classe fundamental) e <em>interregno<\/em> (per\u00edodo de crise em que \u201co velho est\u00e1 morrendo e o novo ainda n\u00e3o pode nascer\u201d). Nancy Fraser utiliza extensivamente a teoria gramsciana da hegemonia para analisar a ascens\u00e3o do \u201cneoliberalismo progressista\u201d e o atual \u201cv\u00e1cuo hegem\u00f4nico\u201d. A no\u00e7\u00e3o de <em>interregno<\/em> \u00e9 frequentemente associada por comentadores pol\u00edticos ao conceito de v\u00e1cuo hegem\u00f4nico, descrevendo o atual momento de crise de legitimidade do sistema pol\u00edtico.<\/li>\n<li><strong>Hartz, Reformas<\/strong> Conjunto de quatro leis de reforma do mercado de trabalho e do sistema de seguridade social implementadas na Alemanha entre 2003 e 2005 pelo governo do chanceler social-democrata Gerhard Schr\u00f6der. As reformas, que reduziram os benef\u00edcios de desemprego e criaram um sector de baixos sal\u00e1rios, s\u00e3o apontadas por Nancy Fraser como o exemplo alem\u00e3o do \u201cneoliberalismo progressista\u201d, por terem sido executadas por um governo de centro-esquerda em nome da moderniza\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li><strong>Hegemonia<\/strong> Conceito gramsciano central na an\u00e1lise de Nancy Fraser. Diferentemente de domina\u00e7\u00e3o pura e simples (que opera pela for\u00e7a), a hegemonia refere-se \u00e0 capacidade de um grupo ou classe de exercer lideran\u00e7a intelectual e moral sobre a sociedade, obtendo consenso em torno de suas ideias e valores. Fraser argumenta que o \u201cneoliberalismo progressista\u201d foi, por um per\u00edodo, hegem\u00f4nico, mas perdeu essa capacidade, criando um v\u00e1cuo que for\u00e7as como o trumpismo tentam preencher. Um \u201cbloco contra-hegem\u00f4nico\u201d seria uma alian\u00e7a capaz de disputar essa lideran\u00e7a cultural e pol\u00edtica em novas bases.<\/li>\n<li><strong>Iaconelli, Vera<\/strong> Psicanalista, escritora e colunista do jornal <em>Folha de S.Paulo<\/em>, doutora em Psicologia pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). Participou como debatedora convidada no programa de televis\u00e3o <em>GloboNews Debate<\/em> em 12 de maio de 2026, destacando-se na cena intelectual contempor\u00e2nea por suas pesquisas focadas nas problem\u00e1ticas da maternidade e nos eixos estruturantes da subjetividade na atualidade.<\/li>\n<li><strong>ICE (Servi\u00e7o de Imigra\u00e7\u00e3o e Controle de Aduanas dos EUA)<\/strong> Ag\u00eancia federal do Departamento de Seguran\u00e7a Interna dos EUA, cuja atua\u00e7\u00e3o sob o governo Trump gerou protestos em massa. Durante os primeiros meses de 2026, agentes do ICE mataram brutalmente dois cidad\u00e3os em Minneapolis, Ren\u00e9e Good e Alex Pretti, gerando indigna\u00e7\u00e3o nacional. O prefeito Zohran Mamdani classificou as mortes como homic\u00eddio, pediu a aboli\u00e7\u00e3o da ag\u00eancia e assinou uma ordem executiva exigindo que agentes do ICE obtivessem mandados judiciais para operar na cidade de Nova York.<\/li>\n<li><strong>Interregno<\/strong> Termo gramsciano que descreve o per\u00edodo de crise entre uma ordem que est\u00e1 morrendo e outra que ainda n\u00e3o conseguiu nascer. Nancy Fraser utiliza essa no\u00e7\u00e3o, impl\u00edcita em sua an\u00e1lise do \u201cv\u00e1cuo hegem\u00f4nico\u201d, para compreender o atual momento hist\u00f3rico, em que a hegemonia do neoliberalismo progressista colapsou, mas nenhuma for\u00e7a pol\u00edtica conseguiu ainda estabelecer uma nova ordem leg\u00edtima. \u00c9 nesse interregno que surgem as oportunidades e os perigos \u2014 desde a ascens\u00e3o de populismos autorit\u00e1rios at\u00e9 a poss\u00edvel constru\u00e7\u00e3o de um bloco contra-hegem\u00f4nico emancipador.<\/li>\n<li><strong>Mamdani, Mahmood<\/strong> Intelectual e acad\u00eamico de proje\u00e7\u00e3o internacional, pai do prefeito socialista democr\u00e1tico de Nova York, Zohran Kwame Mamdani, e c\u00f4njuge da cineasta Mira Nair.<\/li>\n<li><strong>Mamdani, Zohran Kwame (1991-)<\/strong> Prefeito de Nova York (empossado em 1\u00ba de janeiro de 2026). Membro do Partido Democrata e dos Socialistas Democr\u00e1ticos da Am\u00e9rica, \u00e9 o primeiro prefeito mu\u00e7ulmano e asi\u00e1tico-americano da cidade, e o mais jovem em mais de um s\u00e9culo. Nascido em Kampala, Uganda, em 18 de outubro de 1991, \u00e9 filho do acad\u00eamico Mahmood Mamdani e da cineasta Mira Nair. Sua plataforma como prefeito inclui \u00f4nibus gratuitos, congelamento de alugu\u00e9is, constru\u00e7\u00e3o de 200 mil moradias sociais, sal\u00e1rio-m\u00ednimo de US$30\/hora at\u00e9 2030 e taxa\u00e7\u00e3o de grandes fortunas. \u00c9 cr\u00edtico de Israel e foi coautor do projeto de lei \u201c<em>Not on Our Dime!<\/em>\u201d. Assumiu o cargo em uma cerim\u00f4nia na esta\u00e7\u00e3o de metr\u00f4 desativada de City Hall, jurando sobre o Alcor\u00e3o.<\/li>\n<li><strong>Mans\u00e3o Gracie<\/strong> Resid\u00eancia oficial do prefeito da cidade de Nova York desde 1942. Localizada no Carl Schurz Park, em Manhattan, \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o em estilo federal de madeira, erguida em 1799. Em 7 de mar\u00e7o de 2026, um protesto anti-isl\u00e2mico em frente \u00e0 mans\u00e3o envolveu o lan\u00e7amento de um explosivo caseiro que n\u00e3o detonou. Zohran Mamdani, que tomou posse em 1\u00ba de janeiro de 2026, \u00e9 o primeiro prefeito mu\u00e7ulmano a residir no local.<\/li>\n<li><strong>Mar\u00e9 Rosa (<\/strong><em><strong>Pink Tide<\/strong><\/em><strong>)<\/strong> Onda de governos de esquerda e centro-esquerda que chegaram ao poder na Am\u00e9rica Latina no in\u00edcio dos anos 2000, incluindo Hugo Ch\u00e1vez na Venezuela, Lula no Brasil, N\u00e9stor Kirchner na Argentina, Evo Morales na Bol\u00edvia e Rafael Correa no Equador. Nancy Fraser menciona a Mar\u00e9 Rosa como uma tentativa de tra\u00e7ar um caminho alternativo em um mundo ainda dominado pelas pot\u00eancias globais.<\/li>\n<li><strong>Marsili, \u00cdtalo<\/strong> M\u00e9dico psiquiatra brasileiro inclu\u00eddo e confirmado no corpo de palestrantes e conferencistas oficiais convocados para o encontro tradicionalista \u201cO Farol e a Forja\u201d, realizado em S\u00e3o Paulo no final de julho de 2026.<\/li>\n<li><strong>Musk, Elon<\/strong> Oligarca e magnata da ind\u00fastria tecnol\u00f3gica global, referenciado por Nancy Fraser como expoente do controle monopol\u00edstico de corpora\u00e7\u00f5es lucrativas privadas. A fil\u00f3sofa aponta que, sob a \u00e9gide desse modelo corporativo olig\u00e1rquico, ferramentas de ponta como a intelig\u00eancia artificial e a automa\u00e7\u00e3o s\u00e3o instrumentalizadas unicamente para a acumula\u00e7\u00e3o intensiva de capital e transformadas em amea\u00e7as \u00e0s condi\u00e7\u00f5es materiais de bem-estar social, subvertendo seu potencial de redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho e emancipa\u00e7\u00e3o humana.<\/li>\n<li><strong>Nair, Mira<\/strong> Cineasta de prest\u00edgio internacional, m\u00e3e do atual prefeito de Nova York, Zohran Kwame Mamdani, e casada com o cientista pol\u00edtico e acad\u00eamico Mahmood Mamdani.<\/li>\n<li><strong>Neoliberalismo Progressista<\/strong> Termo cunhado por Nancy Fraser para descrever a alian\u00e7a pol\u00edtica que, a partir dos anos 1990, combinou pol\u00edticas econ\u00f4micas neoliberais (desregulamenta\u00e7\u00e3o, financeiriza\u00e7\u00e3o, austeridade) com pautas progressistas de reconhecimento (feminismo, direitos LGBTQIA+, antirracismo). Governos como os de Bill Clinton (EUA), Tony Blair (Reino Unido) e Gerhard Schr\u00f6der (Alemanha) s\u00e3o exemplos desse bloco. Fraser argumenta que essa combina\u00e7\u00e3o foi desastrosa para a classe trabalhadora, gerando desilus\u00e3o e abrindo caminho para populismos autorit\u00e1rios como o de Trump.<\/li>\n<li><strong>Netanyahu, Benjamin<\/strong> Primeiro-ministro de Israel qualificado por Nancy Fraser como um ator pol\u00edtico aut\u00f4nomo, imprevis\u00edvel e que atua fora das balizas de controle estrito da pr\u00f3pria administra\u00e7\u00e3o norte-americana comandada por Donald Trump. \u00c9 nominalmente associado pelo diagn\u00f3stico de Fraser \u00e0 execu\u00e7\u00e3o cont\u00ednua e violenta da interven\u00e7\u00e3o em Gaza e \u00e0 escalada militar direta contra o Ir\u00e3, movimentos geopol\u00edticos que deflagraram uma onda internacional de rep\u00fadio e selaram o colapso definitivo da pretens\u00e3o universalista e da legitimidade moral ocidental p\u00f3s-Holocausto.<\/li>\n<li>\u201c<strong>O Farol e a Forja\u201d<\/strong> Evento criado pelo ator Juliano Cazarr\u00e9 e anunciado em abril de 2026, definido por ele como \u201co maior encontro de homens do Brasil\u201d. Realizado nos dias 24, 25 e 26 de julho de 2026 em S\u00e3o Paulo (Uni \u00cdtalo), o encontro estrutura-se a partir de tr\u00eas eixos tem\u00e1ticos: 1) vida profissional e legado; 2) fam\u00edlia, paternidade e cultura; e 3) vida espiritual, incluindo missas e \u201cbatalha espiritual\u201d. A iniciativa sofreu forte rep\u00fadio por parte de atrizes brasileiras proeminentes, como Marjorie Estiano, Claudia Abreu e Elisa Lucinda, sob o argumento de que a ret\u00f3rica de \u201cenfraquecimento masculino\u201d ignora as evid\u00eancias emp\u00edricas da viol\u00eancia contra a mulher. Formatado como um ecossistema comercial de alto valor (<em>high-ticket<\/em>), sua grade de acesso divide-se em tr\u00eas categorias de ingressos: o <em>Pacote \u00c2ncora<\/em> (acesso b\u00e1sico presencial), tabelado em R$ 1.797,00; o <em>Pacote Forjador<\/em> (categoria intermedi\u00e1ria com experi\u00eancias noturnas integradas), cujos lotes variam entre R$ 2.697,00 e R$ 3.147,00; e o <em>Pacote Mestre<\/em> (experi\u00eancia premium), precificado entre R$ 4.997,00 e R$ 5.500,00. Esta \u00faltima modalidade adiciona ao ingresso presencial completo um curso online ministrado diretamente por Juliano Cazarr\u00e9, composto por m\u00f3dulos focados em instru\u00e7\u00e3o lit\u00fargica, credo e aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica da f\u00e9 sob a \u00f3tica tradicionalista. Palestrantes confirmados incluem o psiquiatra \u00cdtalo Marsili e o ator Nelson Freitas.<\/li>\n<\/ol>\n<hr>\n<p><strong>Fonte oficial de informa\u00e7\u00f5es e inscri\u00e7\u00f5es:<\/strong> https:\/\/www.instagram.com\/faroleforja\/<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Fontes jornal\u00edsticas com os valores cobrados pelo curso de Juliano Cazarr\u00e9:<\/strong><br \/><strong>Terra<\/strong>:\u00a0https:\/\/www.terra.com.br\/diversao\/gente\/quais-os-precos-do-encontro-de-homens-conservadores-promovido-pelo-ator-juliano-cazarre,526000e8deae518349ac83fc793f7ef0ztiav3qd.html<\/li>\n<li><strong>Folha Parati<\/strong>:\u00a0https:\/\/folhaparati.com.br\/ingressos-de-ate-r-55-mil-em-evento-de-juliano-cazarre-chamam-atencao-e-geram-debate-nas-redes\/<\/li>\n<li><strong>Di\u00e1rio do Com\u00e9rcio<\/strong>:\u00a0https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/quanto-custa-ir-ao-evento-destinado-a-homens-desse-ator-da-globo\/<\/li>\n<\/ul>\n<ol start=\"32\">\n<li><strong>Ordem Moral do Ocidente P\u00f3s-Holocausto<\/strong> Conceito elaborado por Nancy Fraser em <em>Gaza as World Event<\/em> (NLR 158, 2026). Ap\u00f3s o Holocausto, o Ocidente construiu uma autoimagem baseada na rejei\u00e7\u00e3o do genoc\u00eddio e na defesa de direitos humanos universais. Para Fraser, o assalto de Israel a Gaza, apoiado pelas pot\u00eancias ocidentais, representa o colapso dessa ordem moral: as pot\u00eancias que se apresentavam como defensoras de valores universais revelam-se c\u00famplices de um genoc\u00eddio televisionado, queimando sua pr\u00f3pria legitimidade e abrindo uma crise de hegemonia global.<\/li>\n<li><strong>Populismo Progressista<\/strong> Proposta pol\u00edtica que Nancy Fraser contrap\u00f5e ao \u201cneoliberalismo progressista\u201d e ao populismo autorit\u00e1rio de direita. O populismo progressista buscaria unificar as lutas por redistribui\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e por reconhecimento cultural em um \u00fanico bloco contra-hegem\u00f4nico, apelando \u00e0 maioria da popula\u00e7\u00e3o (os \u201c99%\u201d) contra uma elite econ\u00f4mica e pol\u00edtica. Fraser v\u00ea essa proposta como a mais promissora candidata a construir uma alternativa ao v\u00e1cuo hegem\u00f4nico atual.<\/li>\n<li><strong>Reagan, Ronald (Reaganomics)<\/strong> 40\u00ba presidente dos Estados Unidos (1981-1989), cuja gest\u00e3o estabeleceu no imagin\u00e1rio pol\u00edtico transnacional os pilares iniciais da neoliberaliza\u00e7\u00e3o e do aprofundamento das clivagens de desigualdade material. Seu programa de governo sustentava-se na premissa ideol\u00f3gica de que as disfun\u00e7\u00f5es sociais derivavam diretamente do agigantamento da m\u00e1quina p\u00fablica, da burocracia estatal e do excesso de regula\u00e7\u00e3o, preconizando a libera\u00e7\u00e3o irrestrita das for\u00e7as de mercado \u2014 doutrina econ\u00f4mica regressiva amplamente batizada como <em>Reaganomics<\/em>. Nancy Fraser pondera, analiticamente, que a consolida\u00e7\u00e3o definitiva desse arcabou\u00e7o n\u00e3o decorreu apenas de governos conservadores, mas consolidou-se pelas m\u00e3os de lideran\u00e7as progressistas e de centro-esquerda que assumiram o poder nos anos seguintes.<\/li>\n<li><strong>Reconhecimento e Redistribui\u00e7\u00e3o<\/strong> Par de conceitos fundamentais na obra de Nancy Fraser. \u201cRedistribui\u00e7\u00e3o\u201d refere-se \u00e0 justi\u00e7a econ\u00f4mica (combate \u00e0 desigualdade de classe), enquanto \u201creconhecimento\u201d refere-se \u00e0 justi\u00e7a cultural ou simb\u00f3lica (combate \u00e0 domina\u00e7\u00e3o cultural, ao desrespeito e \u00e0 injusti\u00e7a de <em>status<\/em> baseada em g\u00eanero, ra\u00e7a, sexualidade). Fraser argumenta que as lutas por justi\u00e7a devem integrar ambas as dimens\u00f5es, e que o \u201cneoliberalismo progressista\u201d fracassou ao casar uma pol\u00edtica de reconhecimento superficial com uma economia pol\u00edtica regressiva.<\/li>\n<li><strong>Sanders, Bernie<\/strong> Senador e proeminente lideran\u00e7a da esquerda socialista democr\u00e1tica dos Estados Unidos, cuja atua\u00e7\u00e3o parlamentar e pol\u00edtica \u00e9 nominalmente valorizada por Nancy Fraser. A fil\u00f3sofa argumenta, contudo, que sua atua\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica evidencia os limites conceituais e pol\u00edticos da esquerda norte-americana no plano internacional, campo no qual Sanders carecia de proposi\u00e7\u00f5es geopol\u00edticas e program\u00e1ticas robustas, circunscrevendo suas interven\u00e7\u00f5es p\u00fablicas a um plano de den\u00fancia puramente moral.<\/li>\n<li><strong>Schr\u00f6der, Gerhard (1944-)<\/strong> Chanceler da Alemanha de 1998 a 2005, pelo Partido Social-Democrata (SPD). Nancy Fraser o classifica como um dos arquitetos do \u201cneoliberalismo progressista\u201d na Europa, ao lado de Tony Blair e Bill Clinton. Seu governo implementou as <em>Reformas Hartz<\/em> (2003-2005), um conjunto de medidas de flexibiliza\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho e redu\u00e7\u00e3o de benef\u00edcios sociais que, para Fraser, representa a ades\u00e3o da social-democracia alem\u00e3 \u00e0 agenda neoliberal.<\/li>\n<li><strong>Socialismo de Esgoto (<\/strong><em><strong>Sewer Socialism<\/strong><\/em><strong>)<\/strong> Movimento pol\u00edtico socialista democr\u00e1tico que surgiu em Milwaukee, Wisconsin, no in\u00edcio do s\u00e9culo XX. Caracterizava-se pelo foco na melhoria da infraestrutura e dos servi\u00e7os p\u00fablicos municipais (como saneamento b\u00e1sico e parques) como caminho para o socialismo. Zohran Mamdani cita esse movimento como inspira\u00e7\u00e3o para suas pol\u00edticas de melhoria da infraestrutura p\u00fablica em Nova York.<\/li>\n<li><strong>Socialistas Democr\u00e1ticos da Am\u00e9rica (DSA)<\/strong> Organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica socialista democr\u00e1tica dos EUA, fundada em 1982. Zohran Mamdani \u00e9 membro da DSA, e a organiza\u00e7\u00e3o teve um papel fundamental em sua campanha, fornecendo uma base de volunt\u00e1rios e uma rede de apoio pol\u00edtico.<\/li>\n<li><strong>Terceira Via<\/strong> Corrente pol\u00edtica associada a l\u00edderes como Bill Clinton (EUA), Tony Blair (Reino Unido) e Gerhard Schr\u00f6der (Alemanha), que buscava um espa\u00e7o entre a social-democracia tradicional e o neoliberalismo. Nancy Fraser a considera uma face do \u201cneoliberalismo progressista\u201d, por ter abandonado a base sindical e a classe trabalhadora em nome de uma agenda de moderniza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica combinada com pautas sociais progressistas.<\/li>\n<li><strong>Thatcher, Margaret<\/strong> Primeira-ministra do Reino Unido (1979-1990) cuja lideran\u00e7a \u00e9 diretamente identificada na hist\u00f3ria pol\u00edtica contempor\u00e2nea com a eclos\u00e3o da neoliberaliza\u00e7\u00e3o, o enfraquecimento das prote\u00e7\u00f5es sociais e o acirramento das desigualdades. Advogou de forma intransigente a bandeira da desregulamenta\u00e7\u00e3o absoluta dos mercados e da livre concorr\u00eancia, partindo da premissa de que os entraves ao dinamismo econ\u00f4mico repousavam no excesso de burocracia e de interven\u00e7\u00e3o do Estado. Fraser enfatiza que o avan\u00e7o estrutural desse modelo no Reino Unido n\u00e3o foi contido, mas antes aprofundado institucionalmente pelas gest\u00f5es posteriores do Novo Trabalhismo capitaneadas por Tony Blair.<\/li>\n<li><strong>Trabalho de Cuidado<\/strong> Conceito que abrange as atividades de cuidado de crian\u00e7as, idosos, pessoas doentes e a manuten\u00e7\u00e3o da vida cotidiana, historicamente desvalorizadas e atribu\u00eddas \u00e0s mulheres. Nancy Fraser argumenta que o capitalismo canibal devora esse trabalho, precarizando-o e externalizando seus custos, e que a crise do cuidado \u00e9 uma das contradi\u00e7\u00f5es centrais do sistema.<\/li>\n<li><strong>Trabalho Racializado<\/strong> Conceito que designa a divis\u00e3o racial do trabalho no capitalismo, em que popula\u00e7\u00f5es n\u00e3o brancas \u2014 especialmente negras \u2014 s\u00e3o historicamente relegadas a formas de trabalho mais prec\u00e1rias, desprotegidas e desvalorizadas. Na teoria de Nancy Fraser, o trabalho racializado \u00e9 uma das condi\u00e7\u00f5es ocultas que o \u201ccapitalismo canibal\u201d devora: o sistema se apropria da for\u00e7a de trabalho de corpos racializados para extrair valor, ao mesmo tempo em que naturaliza e invisibiliza essa expropria\u00e7\u00e3o. Fraser argumenta que a linha de cor global, que separava juridicamente os livres (brancos europeus) dos expropriados (povos negros), tornou-se mais complexa, mas persiste como forma de subordina\u00e7\u00e3o p\u00f3s-colonial.<\/li>\n<li><strong>Trumpismo<\/strong> Movimento pol\u00edtico populista de direita associado a Donald Trump e suas pol\u00edticas. Nancy Fraser analisa o trumpismo como uma resposta reacion\u00e1ria ao v\u00e1cuo deixado pelo \u201cneoliberalismo progressista\u201d, que atraiu eleitores da classe trabalhadora com um discurso que culpa imigrantes e minorias, mas mant\u00e9m a mesma economia pol\u00edtica olig\u00e1rquica.<\/li>\n<li><strong>V\u00e1cuo Hegem\u00f4nico<\/strong> Situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica em que nenhum bloco social ou for\u00e7a pol\u00edtica consegue exercer lideran\u00e7a intelectual e moral (hegemonia) sobre a sociedade, gerando instabilidade e abrindo espa\u00e7o para disputas acirradas. Fraser diagnostica um v\u00e1cuo hegem\u00f4nico tanto nos EUA (onde o trumpismo perdeu apoio e n\u00e3o consolidou hegemonia) quanto no plano global (onde a ordem moral ocidental colapsou sem que uma alternativa clara emergisse). Esse v\u00e1cuo \u00e9, para Fraser, simultaneamente perigoso \u2014 pode ser preenchido por for\u00e7as autorit\u00e1rias \u2014 e promissor \u2014 cria oportunidades para a constru\u00e7\u00e3o de um bloco contra-hegem\u00f4nico progressista.<\/li>\n<\/ol>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Sem publicidade ou patroc\u00ednio, dependemos de voc\u00ea. Fa\u00e7a parte do nosso grupo de apoiadores e ajude a manter nossa voz livre e plural: <strong>apoia.se\/outraspalavras<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>The post Nancy Fraser: O velho est\u00e1 morrendo \u2013 o novo nascer\u00e1? appeared first on Outras Palavras.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/psg-da-aula-de-futebol-goleia-o-real-madrid-e-vai-a-final-do-mundial-de-clubes\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">PSG d\u00e1 aula de futebol, goleia o Real Madrid e vai...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/camponesas-ocupam-superintendencia-do-incra-em-maceio-nesta-quarta-12\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/WhatsApp-Image-2025-03-12-at-09.23.22-1024x768-1-150x150.jpeg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Camponesas ocupam superintend\u00eancia do Incra em Mac...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/senado-aprova-aumento-do-numero-de-deputados-federais-para-531\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Senado aprova aumento do n\u00famero de deputados feder...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/nfl-no-brasil-saiba-regras-pontuacoes-e-como-funciona-o-futebol-americano\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/nfl-jogadores-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">NFL no Brasil: saiba regras, pontua\u00e7\u00f5es e como fun...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pensadora feminista reconstr\u00f3i a genealogia das crises contempor\u00e2neas que desencadearam genoc\u00eddios, guerras e rea\u00e7\u00f5es  do \u201cmacho obsoleto\u201d. E os sinais de anseio por alternativas \u2013 que n\u00e3o vir\u00e1 da \u201cEuropa civilizada\u201d, nem do \u201cprogressismo-neoliberal\u201d<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/feminismos\/nancy-fraser-o-velho-esta-morrendo-o-novo-nascera\/\">Nancy Fraser: O velho est\u00e1 morrendo \u2013 o novo nascer\u00e1?<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":87740,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[347,1014,1023,20699,46675,9,1088,6956,13097,112,30474,58971,4191,54926,54980,20500,1059,1482,58972,1090],"tags":[],"class_list":["post-87739","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-america-latina","category-classe-trabalhadora","category-donald-trump","category-economia-politica","category-esquerda-politica","category-eua","category-feminicidio","category-feminismos","category-filosofia","category-lula","category-mare-rosa","category-movimento-trumpista","category-movimentos-feministas","category-nancy-fraser","category-neoliberalizacao","category-norte-global","category-pt","category-sul-global","category-teoria-feminista","category-violencia-de-genero"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/87739","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=87739"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/87739\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/87740"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=87739"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=87739"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=87739"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}