{"id":88299,"date":"2026-05-22T17:08:53","date_gmt":"2026-05-22T20:08:53","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/terras-raras-velha-espoliacao-o-avanco-da-mineracao-sobre-os-territorios-camponeses\/"},"modified":"2026-05-22T17:08:53","modified_gmt":"2026-05-22T20:08:53","slug":"terras-raras-velha-espoliacao-o-avanco-da-mineracao-sobre-os-territorios-camponeses","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/terras-raras-velha-espoliacao-o-avanco-da-mineracao-sobre-os-territorios-camponeses\/","title":{"rendered":"Terras raras, velha espolia\u00e7\u00e3o: O avan\u00e7o da minera\u00e7\u00e3o sobre os territ\u00f3rios camponeses"},"content":{"rendered":"<figure><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1020\" height=\"679\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/ATL-2.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/ATL-2.png 1020w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/ATL-2-300x200.png 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/ATL-2-768x511.png 768w\" sizes=\"(max-width: 1020px) 100vw, 1020px\"><figcaption><em>Acampamento Terra Livre contra a minera\u00e7\u00e3o em terra ind\u00edgena, 2022. Foto: @oliverninja | @midianinja<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Por Fernanda Alc\u00e2ntara <br \/>Da P\u00e1gina do MST<\/em><\/p>\n<p>A luta em defesa da natureza mudou de patamar. Hoje, a \u2018bancada do boi\u2019 n\u00e3o passa boiada sem enfrentar a resist\u00eancia do povo, e este \u00e9 o caso da disputa pelas \u201cterras raras\u201d, que entrou em uma nova fase no Brasil com o Congresso acelerando a cria\u00e7\u00e3o de um marco legal para minerais cr\u00edticos e estrat\u00e9gicos e, ao mesmo tempo, com a intensifica\u00e7\u00e3o da press\u00e3o de investidores, do agroneg\u00f3cio e de empresas transnacionais sobre territ\u00f3rios ainda pouco protegidos.\u00a0<\/p>\n<p>Para denunciar o crime e anunciar a vida, o MST ocupa as ruas, estradas e espa\u00e7os do campo e realiza na primeira semana de junho a Jornada Nacional em Defesa da Natureza e seus Povos, proposta pelo <strong>Plano Nacional Plantar \u00c1rvores, Produzir Alimentos Saud\u00e1veis<\/strong>. Sob o lema <em>\u201cCombater o agroneg\u00f3cio \u00e9 cuidar da natureza\u201d<\/em>, o Movimento denuncia as viol\u00eancias e a destrui\u00e7\u00e3o ambiental promovidas por esse modelo extrativista e anuncia a Reforma Agr\u00e1ria Popular, como a \u00fanica sa\u00edda para dar um basta \u00e0 viol\u00eancia contra quem produz vida. A Jornada reafirma que pr\u00e1ticas agroecol\u00f3gicas representam uma alternativa concreta para enfrentar a crise ambiental e o combate \u00e0 fome no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Lucas Zenha, pesquisador do GeografAR (grupo de pesquisa que articula geografia, milit\u00e2ncia e di\u00e1logo com movimentos sociais), comenta que nos \u00faltimos doze anos a quest\u00e3o agr\u00e1ria e a quest\u00e3o mineral passaram a se sobrepor de forma inevit\u00e1vel: \u201cA minera\u00e7\u00e3o acaba desterritorializando, impactando in\u00fameras popula\u00e7\u00f5es do campo\u201d, afirma. O pesquisador e ge\u00f3grafo Eduardo Carlini, em levantamento exclusivo para esta reportagem, aponta um diagn\u00f3stico preciso dessa destrui\u00e7\u00e3o. Apenas no intervalo <strong>entre 2023 e 2024, foram suprimidos 96,38 mil hectares de vegeta\u00e7\u00e3o nativa, o equivalente a quase 100 est\u00e1dios de futebol<\/strong> perdidos em um curto per\u00edodo, de um ano.<\/p>\n<p>Carlini destaca que o rastro de destrui\u00e7\u00e3o revela-se ainda mais acentuado ao observar o pico de transi\u00e7\u00e3o ocorrido entre 2019 e 2020, quando 270,34 hectares de forma\u00e7\u00e3o natural foram sacrificados em um \u00fanico ano em raz\u00e3o da minera\u00e7\u00e3o, contribuindo para o acumulado de 592,86 hectares registrados no ciclo de gest\u00e3o iniciado em 2018. A an\u00e1lise detalha o impacto severo em estados como S\u00e3o Paulo (434,85 hectares) e Pernambuco (72,87 hectares).<\/p>\n<p>\u201cA Bahia tem quase 800 concess\u00f5es de lavra, em mais de 240 munic\u00edpios. Muito provavelmente todos esses munic\u00edpios possuem conflitos, mas a gente n\u00e3o tem relato de todos, n\u00e3o temos bra\u00e7os e pernas para chegar nesses diversos projetos\u201d, reconhece Lucas Zenha. O setor mineral, acrescenta ele, tamb\u00e9m n\u00e3o d\u00e1 conta de fiscalizar o que j\u00e1 existe. O crescimento dos n\u00fameros revela uma tens\u00e3o estrutural que Bianca Dieile da Silva, pesquisadora da Fiocruz e p\u00f3s-doutoranda no GeografAR, resume com precis\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cNada disso vai passar inc\u00f3lume \u00e0s popula\u00e7\u00f5es que ser\u00e3o impactadas pr\u00f3ximas a esse tipo de projeto\u201d. Os impactos come\u00e7am ainda antes da extra\u00e7\u00e3o \u2014 na fase de pesquisa mineral. Como descreve Zenha, s\u00f3 a presen\u00e7a de uma empresa realizando estudos em determinada localidade \u201cj\u00e1 causa temor nas popula\u00e7\u00f5es, ansiedade, d\u00favidas e gera expectativas e poss\u00edveis remo\u00e7\u00f5es\u201d, enquanto estradas s\u00e3o abertas, matas derrubadas e buracos abertos no solo, muitas vezes sem a autoriza\u00e7\u00e3o de quem vive na superf\u00edcie.<\/p>\n<p>O tamanho do estrago n\u00e3o cabe no mapa, e <strong>o que vemos \u00e9 o saque desenfreado de nossas riquezas<\/strong>. Em <strong>2022, o estado do Par\u00e1, polo de explora\u00e7\u00e3o de ferro e n\u00edquel, registrou 4.528,02 km\u00b2 de \u00e1rea desmatada, o que totaliza 633.922 campos de futebol de floresta destru\u00edda<\/strong>. Outros biomas seguem a mesma trilha de espolia\u00e7\u00e3o sob influ\u00eancia de mineradoras: em 2002, a Bahia perdeu 4.137,47 km\u00b2 de Caatinga; o Rio Grande do Sul viu 2.866,00 km\u00b2 do Pampa desaparecerem em 2001. E o Cerrado em Goi\u00e1s teve 6.670,84 km\u00b2 suprimidos, em 2002. Em Minas Gerais, 1.183,51 km\u00b2 de Mata Atl\u00e2ntica foram desmatados em 2006, enquanto o Pantanal, no Mato Grosso do Sul, perdeu 747,65 km\u00b2 de bioma original em 2021.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" width=\"572\" height=\"1024\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-20.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-20-572x1024.jpg 572w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-20-168x300.jpg 168w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-20-768x1376.jpg 768w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-20-858x1536.jpg 858w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-20.jpg 1072w\" sizes=\"(max-width: 572px) 100vw, 572px\"><\/figure>\n<h2>Mas afinal, o que s\u00e3o \u201cterras raras\u201d?\u00a0<\/h2>\n<p>Terras raras s\u00e3o um grupo de 17 elementos qu\u00edmicos usados em \u00edm\u00e3s, eletr\u00f4nicos, baterias, turbinas e equipamentos de alta tecnologia, e sua explora\u00e7\u00e3o costuma exigir grandes volumes de remo\u00e7\u00e3o de solo, consumo de \u00e1gua e uso de reagentes qu\u00edmicos. Em \u00e1reas sens\u00edveis, como o sul de Minas Gerais, ambientalistas e autoridades j\u00e1 alertam para risco ao abastecimento de \u00e1gua, polui\u00e7\u00e3o do ar por poeira e consequ\u00eancias irrevers\u00edveis a \u00e1reas de Mata Atl\u00e2ntica.\u00a0<\/p>\n<p>Embora a propaganda empresarial tente vender essa minera\u00e7\u00e3o como moderna e at\u00e9 mesmo \u201climpa\u201d, a experi\u00eancia concreta mostra abertura de cavas, gera\u00e7\u00e3o de rejeitos, contamina\u00e7\u00e3o h\u00eddrica e transforma\u00e7\u00e3o permanente da paisagem. Mesmo quando se fala em t\u00e9cnicas de lixivia\u00e7\u00e3o e reuso de \u00e1gua, a pr\u00f3pria disputa pol\u00edtica em torno do setor revela que o problema central n\u00e3o \u00e9 \u201cs\u00f3\u201d tecnol\u00f3gico, mas o modelo de extra\u00e7\u00e3o orientado pela exporta\u00e7\u00e3o e pelo lucro r\u00e1pido.<\/p>\n<p>N\u00e3o nos deixemos enganar com essa nova investida mineral, afinal, terras raras, l\u00edtio, cobre e ur\u00e2nio est\u00e3o no centro de uma disputa geopol\u00edtica global, impulsionada pela corrida tecnol\u00f3gica e pela chamada transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica. Na Bahia, o GeografAR mapeou 886 poligonais de pesquisa somente de terras raras, mais de 600 de l\u00edtio e mais de 1.800 de cobre, concentradas sobretudo no Vale do Jequitinhonha e no norte do estado.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"854\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-21.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-21-1024x854.jpg 1024w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-21-300x250.jpg 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-21-768x641.jpg 768w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-21.jpg 1317w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption><em>Elabora\u00e7\u00e3o: Grupo de Pesquisa GeografAR (POSGEO\/UFBA\/CNPq)<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>Ma\u00edra Pereira Santiago, do setor de Produ\u00e7\u00e3o, Coopera\u00e7\u00e3o e Meio Ambiente do MST em Minas Gerais, \u00e9 direta ao nomear essa continuidade. \u201cAs terras raras no Brasil s\u00f3 reproduzem uma l\u00f3gica colonial de apropria\u00e7\u00e3o privada desses recursos minerais naturais, com aporte legal e legitima\u00e7\u00e3o estatal\u201d. Ela acrescenta um elemento frequentemente silenciado no debate p\u00fablico de que, al\u00e9m da narrativa de transi\u00e7\u00e3o verde, os minerais estrat\u00e9gicos est\u00e3o diretamente ligados \u00e0 ind\u00fastria b\u00e9lica.\u00a0<\/p>\n<p>J\u00falia Martins, do Movimento pela Soberania Popular na Minera\u00e7\u00e3o (MAM), no Par\u00e1, \u00e9 ainda mais direta. \u201c\u00c9 o Brasil de 1500 com roupagem tecnol\u00f3gica. O Brasil entra com a terra arrasada, o sangue do seu povo e o min\u00e9rio bruto baratinho, enquanto o Norte Global fica com a tecnologia, a energia limpa e os bilh\u00f5es de d\u00f3lares\u201d.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria do Brasil, sempre marcada pela concentra\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria, pelo latif\u00fandio e pela subordina\u00e7\u00e3o dos bens naturais aos interesses externos, apenas continua. Os dados do relat\u00f3rio <strong><a href=\"https:\/\/apiboficial.org\/files\/2026\/04\/relatorio-desmascarando-lobby-mineral-em-terras-ind%C3%ADgenas-no-brasil.pdf\">Desmascarando o <em>lobby<\/em> mineral em terras ind\u00edgenas<\/a><\/strong>, da Articula\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas do Brasil (APIB), com apoio t\u00e9cnico da Cosmopol\u00edticas, refor\u00e7am essa den\u00fancia de invas\u00e3o territorial, apontando que existem mais de 5 mil requerimentos de minera\u00e7\u00e3o em aberto na Amaz\u00f4nia, sendo que mais de 1.300 pedidos s\u00e3o incidentes em Terras Ind\u00edgenas (TIs) ou a menos de 10 km de dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Globalmente, 70% das minas de minerais de transi\u00e7\u00e3o sobrep\u00f5em-se a terras ind\u00edgenas ou comunidades tradicionais, e este lobby \u00e9 bilion\u00e1rio: o IBRAM (organiza\u00e7\u00e3o privada, sem fins lucrativos, respons\u00e1veis por 85% da produ\u00e7\u00e3o mineral do Brasil) projeta atrair US$ 68,4 bilh\u00f5es em investimentos at\u00e9 2028, enquanto o PIB brasileiro projeta ganhos de R$ 243 bilh\u00f5es at\u00e9 2050 com minerais cr\u00edticos. Bancos de apenas cinco pa\u00edses (China, EUA, Fran\u00e7a, Canad\u00e1 e Jap\u00e3o) det\u00e9m 63% do cr\u00e9dito global para este setor, expondo a face financeira da espolia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-23.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-23-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-23-300x169.jpg 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-23-768x432.jpg 768w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-23-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-23.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption><em>Bento Rodrigues, um dos distritos devastados pela lama de rejeitos da minera\u00e7\u00e3o, em Mariana (MG). Foto:\u00a0L\u00e9o Rodrigues\/ Ag\u00eancia Brasil\u00a0<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<h2>Captura dos Tr\u00eas Poderes<\/h2>\n<p>O Congresso Nacional virou pe\u00e7a central dessa engrenagem ao acelerar o <strong><a href=\"https:\/\/www.camara.leg.br\/proposicoesWeb\/fichadetramitacao?idProposicao=2447259\">PL 2.780\/2024<\/a><\/strong> e abrir espa\u00e7o para fundos, incentivos fiscais e mecanismos de est\u00edmulo \u00e0 cadeia mineradora. A tramita\u00e7\u00e3o foi tratada como prioridade e chegou a ser vinculada, segundo a cobertura parlamentar, \u00e0 promessa de ampliar o processamento no pa\u00eds e controlar opera\u00e7\u00f5es consideradas sens\u00edveis \u00e0 soberania. O projeto prev\u00ea a Pol\u00edtica Nacional de Minerais Cr\u00edticos e Estrat\u00e9gicos, com fundo garantidor de R$ 2 bilh\u00f5es e incentivos fiscais de at\u00e9 R$ 5 bilh\u00f5es para o setor.\u00a0<\/p>\n<p>Mas a realidade desmente o discurso, como alerta Lucas Zenha a partir da pesquisa do professor Bruno Milanez, que demonstra que os minerais cr\u00edticos ou estrat\u00e9gicos \u201ccapturaram os tr\u00eas poderes\u201d: o Legislativo, com licenciamentos ambientais diferenciados; o Executivo, com resolu\u00e7\u00f5es ministeriais e a participa\u00e7\u00e3o do BNDES em projetos de minera\u00e7\u00e3o de l\u00edtio; e o Judici\u00e1rio, com debates no STF sobre o marco temporal e a minera\u00e7\u00e3o em terras ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>No relat\u00f3rio divulgado pela APIP, a senadora Tereza Cristina (PP\/MS), presidente do GTMTI, aparece com sua base vinculada a grandes produtores e empresas de insumos minerais. O senador Zequinha Marinho (Podemos\/PA), vice-presidente da Frente Parlamentar da Minera\u00e7\u00e3o Sustent\u00e1vel (FPMin), \u00e9 autor de projetos para abrir TIs ao garimpo. J\u00e1 o senador Jaime Bagattoli (PL\/RO), relator do<a href=\"https:\/\/www25.senado.leg.br\/web\/atividade\/materias\/-\/materia\/161634\"> PL 6050\/2023<\/a> sobre atividades em TIs, possui fazenda em terra ind\u00edgena em Rond\u00f4nia. Outros articuladores incluem o deputado Ricardo Salles (PL\/SP) e o senador Mecias de Jesus (Republicanos\/RR), que indicou aliados para o DSEI-Yanomami enquanto defende a minera\u00e7\u00e3o. At\u00e9 mesmo o senador Marcos Rog\u00e9rio (PL\/RO) preside a Comiss\u00e3o de Infraestrutura, onde 8 de 11 membros integram o GT de minerais de transi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"616\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-25.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-25.jpg 1000w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-25-300x185.jpg 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-25-768x473.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\"><figcaption><em>Plen\u00e1rio da C\u00e2mara durante vota\u00e7\u00e3o do PL 2.780\/2024. Foto:\u00a0Kayo Magalh\u00e3es \/ C\u00e2mara dos Deputados<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>O lobby setorial \u00e9 comandado pelo IBRAM, que coordenou a cria\u00e7\u00e3o da FPMin e realiza reuni\u00f5es com a ANM e parlamentares da FPA (como Alceu Moreira e Arnaldo Jardim) para tratar de licenciamento. A Vale S.A. e o IBRAM financiam inclusive semin\u00e1rios no IDP para discutir flexibiliza\u00e7\u00e3o regulat\u00f3ria. <\/p>\n<p>No plano jur\u00eddico, Lu\u00eds In\u00e1cio Adams atua para a mineradora Pot\u00e1ssio do Brasil e, simultaneamente, representa o partido Progressistas (PP) na C\u00e2mara de Concilia\u00e7\u00e3o do STF. Enquanto isso, a ADIMB organiza o \u201c<em>Brazilian Mining Day<\/em>\u201c, no Canad\u00e1, com apoio do Minist\u00e9rio de Minas e Energia. O hist\u00f3rico jur\u00eddico de ataque aos povos tradicionais remonta ao <a href=\"https:\/\/www.camara.leg.br\/proposicoesWeb\/fichadetramitacao?idProposicao=16969\">PL 1.610\/1996<\/a>, de Romero Juc\u00e1, com apoio da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI).<\/p>\n<p>No plano fiscal, a <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/lcp\/lcp87.htm\">Lei Kandir<\/a> \u2014 em vigor desde 1996 \u2014 isenta as exportadoras de ICMS, beneficiando diretamente o setor mineral e o agroneg\u00f3cio. \u201cEstamos falando de uma exonera\u00e7\u00e3o fiscal muito grande que permite que essas empresas prefiram fazer exporta\u00e7\u00e3o sem pagar impostos\u201d, resume Zenha. Ma\u00edra aprofunda a cr\u00edtica ao papel do Estado, lembrando que o mesmo \u201cvai transferindo esse capital, que poderia ser usado para as popula\u00e7\u00f5es que habitam ali, historicamente, para o capital privado\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>A resposta vem no discurso ESG, de \u201cempresa respons\u00e1vel e\/ou sustent\u00e1vel\u201d, que Lucas Zenha logo desmonta: \u201cComo \u00e9 que as empresas v\u00e3o conciliar pautas t\u00e3o distintas? Uma empresa precisa ter lucro, precisa responder ao capital internacional de maneira r\u00e1pida, e nisso ela n\u00e3o consegue de fato implantar uma gest\u00e3o ambiental e social junto \u00e0s popula\u00e7\u00f5es atingidas\u201d.<\/p>\n<p>Para J\u00falia Martins, o Congresso Nacional hoje \u201cfunciona como um balc\u00e3o de neg\u00f3cios das transnacionais\u201d. Essa ofensiva legislativa, sustenta ela, \u201cnada mais \u00e9 do que passar a boiada para afrouxar o licenciamento ambiental e rasgar os direitos dos povos tradicionais\u201d. Um dos mecanismos mais graves dessa captura \u00e9 o esvaziamento do direito \u00e0 consulta livre, pr\u00e9via e informada. Os \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos n\u00e3o reconhecem territ\u00f3rios quilombolas n\u00e3o titulados, e a consulta s\u00f3 ocorre raramente. \u201cExistem rar\u00edssimos casos onde essa consulta foi de fato aplicada\u201d, constata Zenha, justificando a luta dos movimentos pelo \u201cdireito de dizer n\u00e3o\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>As corpora\u00e7\u00f5es que sustentam essa engrenagem de espolia\u00e7\u00e3o operam sob nomes conhecidos e contam com o sil\u00eancio c\u00famplice de inst\u00e2ncias superiores. A Pot\u00e1ssio do Brasil, empresa de capital canadense que busca explorar pot\u00e1ssio no territ\u00f3rio do povo Mura, em Autazes (AM), \u00e9 um exemplo emblem\u00e1tico dessa articula\u00e7\u00e3o. Representada juridicamente por Lu\u00eds In\u00e1cio Adams, a mineradora atuou na C\u00e2mara de Concilia\u00e7\u00e3o do STF para tentar classificar a minera\u00e7\u00e3o como \u201catividade de relevante interesse p\u00fablico\u201d, enquanto \u00e9 investigada pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal por suposto aliciamento de lideran\u00e7as ind\u00edgenas.\u00a0<\/p>\n<p>Na mesma linha, a multinacional norueguesa Norsk Hydro utiliza a ret\u00f3rica do \u201calum\u00ednio verde\u201d para mascarar impactos socioambientais severos em Barcarena (PA), onde decis\u00f5es judiciais de paralisa\u00e7\u00e3o foram revertidas sob o argumento de \u201cpreju\u00edzo \u00e0 economia nacional\u201d, ignorando os danos irrevers\u00edveis \u00e0s comunidades locais.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"613\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-27.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-27-1024x613.jpg 1024w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-27-300x179.jpg 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-27-768x459.jpg 768w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-27.jpg 1170w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption><em>Foto: Adriano Machado\/Reuters<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>E a impunidade segue sendo a regra que beneficia gigantes como a BHP, s\u00f3cia da Vale no crime de Mariana, que foi alvo de uma a\u00e7\u00e3o coletiva em Londres de R$ 260 bilh\u00f5es. No entanto, o andamento internacional dessa a\u00e7\u00e3o foi dificultado por uma decis\u00e3o do STF provocada pelo lobby direto do IBRAM. O setor minerador e seus aliados buscam transformar o Brasil em fornecedor de minerais estrat\u00e9gicos para a ind\u00fastria el\u00e9trica, digital e b\u00e9lica global, enquanto o agroneg\u00f3cio v\u00ea nessas \u00e1reas uma nova fronteira de neg\u00f3cios e ocupa\u00e7\u00e3o territorial. Essa simbiose entre \u201cmin\u00e9rio-neg\u00f3cio\u201d e agroexporta\u00e7\u00e3o aprofunda a mesma matriz prim\u00e1rio-exportadora que concentra renda, destr\u00f3i ecossistemas e expulsa popula\u00e7\u00f5es do campo desde a coloniza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds.<\/p>\n<p>A press\u00e3o empresarial empurra para uma desregula\u00e7\u00e3o de fato, onde gestoras de ativos como BlackRock, Capital Group e Vanguard, as maiores detentoras de t\u00edtulos de gigantes como Vale, BHP e Glencore, ditam o ritmo da destrui\u00e7\u00e3o. Bancos como JPMorgan Chase, Bank of America, Citi e BNP Paribas lideram o fornecimento de cr\u00e9dito global que financia essa ofensiva contra os territ\u00f3rios. Ao mesmo tempo, a Vale S.A. busca limpar sua imagem ao assegurar US$ 27 bilh\u00f5es em financiamento estrat\u00e9gico para cadeias de ferro, n\u00edquel, cobre e cobalto, al\u00e9m de financiar infraestrutura e cobertura jornal\u00edstica da COP 30 para promover sua fachada de \u201cmineradora verde\u201d.<\/p>\n<h2>Veneno no sangue campon\u00eas<\/h2>\n<p>Bianca Dieile da Silva detalha que a \u00e1rea explorada \u00e9 totalmente descaracterizada por meio de terraplanagem, abertura de minas e organiza\u00e7\u00e3o de sistemas de transporte, impactando toda a regi\u00e3o.\u00a0A minera\u00e7\u00e3o pode causar drenagem \u00e1cida, ou seja, quando rejeitos em contato com a \u00e1gua geram res\u00edduos \u00e1cidos, e uma alta concorr\u00eancia h\u00eddrica, reduzindo tanto a vaz\u00e3o quanto a qualidade da \u00e1gua. \u201cE isso pode acirrar conflitos j\u00e1 identificados, principalmente pelas altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas\u201d, alerta a pesquisadora.<\/p>\n<p>Os <strong>dados da APIB revelam um cen\u00e1rio de envenenamento em massa dos povos origin\u00e1rios, quando 95% das amostras de cabelo coletadas entre os Yanomami demonstram alta concentra\u00e7\u00e3o de merc\u00fario<\/strong>. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 igualmente desesperadora entre o povo Xikrin, no Par\u00e1, onde a atividade mineradora de n\u00edquel da Vale na mina On\u00e7a Puma resultou em laudos de 2025, que comprovam a <strong>contamina\u00e7\u00e3o de 98,5% do povo Xikrin por metais pesados<\/strong>. O crime \u00e9 geracional, j\u00e1 que 100% das crian\u00e7as Xikrin de 0 a 10 anos apresentam metais pesados no organismo. Al\u00e9m disso, <strong>99% dos 720 ind\u00edgenas testados no Par\u00e1 apresentam n\u00edveis alarmantes de chumbo, merc\u00fario, l\u00edtio e mangan\u00eas<\/strong>.<\/p>\n<p>Ma\u00edra Pereira Santiago recorda que os grandes desastres de Mariana, em 2015 e Brumadinho em 2019, de responsabilidade da Vale e BHP, provocaram um colapso total, com rejeitos e metais pesados contaminando bacias inteiras, destruindo a hidrografia e o modo de vida das popula\u00e7\u00f5es ribeirinhas.\u00a0<\/p>\n<p>No caso espec\u00edfico das terras raras, Bianca aponta um agravante pouco discutido: sua associa\u00e7\u00e3o com elementos radioativos. \u201cN\u00e3o d\u00e1 para minerar s\u00f3 terra rara. Ela sempre vai estar associada a outros metais que tamb\u00e9m t\u00eam toxicidade\u201d, explica. Enquanto isso, a ci\u00eancia ainda engatinha na compreens\u00e3o total desses danos. \u201cAinda vamos precisar de um processo de estudo e avalia\u00e7\u00e3o constante de como vamos lidar com esses novos tipos de exposi\u00e7\u00e3o, porque h\u00e1 um desconhecimento muito grande da toxicidade de muitos desses elementos no corpo humano\u201d.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"883\" height=\"1024\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-22.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-22-883x1024.jpg 883w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-22-259x300.jpg 259w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-22-768x891.jpg 768w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-22.jpg 970w\" sizes=\"(max-width: 883px) 100vw, 883px\"><figcaption><em>Elabora\u00e7\u00e3o: Grupo de Pesquisa GeografAR<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>A polui\u00e7\u00e3o do ar por poeira e as consequ\u00eancias irrevers\u00edveis para \u00e1reas de Mata Atl\u00e2ntica e outros biomas s\u00e3o alertas constantes de ambientalistas. Na Bahia, a pesquisa mineral j\u00e1 deixou marcas concretas de contamina\u00e7\u00e3o por chumbo e amianto em projetos j\u00e1 encerrados, onde o problema ambiental permanece afligindo as popula\u00e7\u00f5es locais. Outro impacto severo mencionado por Bianca \u00e9 o aumento dos acidentes de tr\u00e2nsito provocados pelo intenso fluxo de ve\u00edculos pesados no transporte dos minerais, transformando a rotina e a seguran\u00e7a das comunidades rurais.<\/p>\n<p>O modelo de extra\u00e7\u00e3o orientado pela exporta\u00e7\u00e3o e pelo lucro r\u00e1pido ignora que a poeira e a \u00e1gua contaminada extrapolam os limites das minas e chegam aos campos, expondo trabalhadores e a pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o de alimentos a riscos biol\u00f3gicos e qu\u00edmicos severos. A minera\u00e7\u00e3o de terras raras, em \u00e1reas sens\u00edveis como o sul de Minas Gerais, j\u00e1 amea\u00e7a diretamente o abastecimento de \u00e1gua de cidades inteiras, revelando que o custo do \u201cavan\u00e7o tecnol\u00f3gico\u201d \u00e9 pago com a sa\u00fade do povo brasileiro.<\/p>\n<h2>A terra cercada pelo capital<\/h2>\n<p>\u201cSe a gente for olhar diretamente, a minera\u00e7\u00e3o compromete a qualidade da \u00e1gua porque, quando h\u00e1 um processo de minera\u00e7\u00e3o, d\u00e1-se uma supress\u00e3o vegetal, movimentando os solos, o que afeta demais tamb\u00e9m a qualidade dos solos. Com a compacta\u00e7\u00e3o e retirada daquela superf\u00edcie, destr\u00f3i-se espa\u00e7os que s\u00e3o cruciais em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 gera\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, seja em \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o permanente, seja de \u00e1reas de reserva legal, seja de \u00e1reas de nascente, \u00e1reas de recursos h\u00eddricos importantes\u201d, den\u00fancia Ma\u00edra.<\/p>\n<p>Uma das brechas mais graves para esse avan\u00e7o \u00e9 a <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/anp\/pt-br\/rodadas-anp\/oferta-permanente\/opc\/arquivos\/in_incra_112_22122021.pdf\"><strong>Instru\u00e7\u00e3o Normativa 112 do Incra<\/strong><\/a>, que permite a minera\u00e7\u00e3o dentro de assentamentos rurais, realizada durante o governo Bolsonaro e vigente at\u00e9 hoje. Lucas Zenha afirma que essa normativa \u00e9 completamente incompat\u00edvel com a fun\u00e7\u00e3o social da terra. \u201cComo que um assentamento de Reforma Agr\u00e1ria, que produz alimentos e cuida da terra, pode ter uma atividade consorciada com extrativismo mineral?\u201d, questiona ele. <strong>Estima-se que quase 50% dos assentamentos do pa\u00eds j\u00e1 estejam sendo impactados por pesquisas minerais<\/strong>, gerando inseguran\u00e7a jur\u00eddica e temor constante de remo\u00e7\u00f5es. O resultado dessa exposi\u00e7\u00e3o \u00e9 o adoecimento f\u00edsico e mental, perda de safras e a altera\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica do modo de vida campon\u00eas.<\/p>\n<p>J\u00falia Martins denuncia que a l\u00f3gica da minera\u00e7\u00e3o \u00e9, por natureza, excludente. \u201cOnde a grande minera\u00e7\u00e3o se instala, a agricultura familiar morre. A \u00e1gua some ou fica contaminada, as cria\u00e7\u00f5es de animais morrem e a produ\u00e7\u00e3o perde o valor de mercado\u201d. O desfecho tr\u00e1gico \u00e9 o \u00eaxodo rural for\u00e7ado, e em \u00e1reas pr\u00f3ximas \u00e0s jazidas, a press\u00e3o por licenciamento atinge justamente quem preserva a sociobiodiversidade, destruindo a base material da vida no campo para favorecer o lucro de acionistas internacionais.<\/p>\n<p>Apesar da ofensiva, a resist\u00eancia camponesa se organiza. Em <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2026\/04\/09\/comunidades-paralisam-atividade-de-mineracao-na-zona-rural-de-itarantim-na-bahia\/\">Itarantim<\/a> (BA), agricultores familiares e movimentos sociais pressionam pela cria\u00e7\u00e3o de uma legisla\u00e7\u00e3o municipal em defesa das serras e das \u00e1guas contra a chegada de pesquisas de ni\u00f3bio, l\u00edtio e terras raras. \u201cEssa legisla\u00e7\u00e3o \u00e9 um importante instrumento que est\u00e1 sendo constru\u00eddo como forma de dizer n\u00e3o a esse setor\u201d, avalia Zenha. <\/p>\n<p>A luta contra a fragmenta\u00e7\u00e3o da vida comunit\u00e1ria \u00e9 a linha de frente contra o projeto que busca transformar territ\u00f3rios de vida em zonas de sacrif\u00edcio para a exporta\u00e7\u00e3o de natureza bruta.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-26.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-26-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-26-300x200.jpg 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-26-768x512.jpg 768w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-26.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption><em>Moradores defendem cumprimento de lei ambiental que protege \u00e1reas sens\u00edveis da regi\u00e3o de Itarantim (BA).\u00a0Foto: Mateus Britto\/CEAS<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>A simbiose entre o agroneg\u00f3cio e as mineradoras refor\u00e7a um ciclo de destrui\u00e7\u00e3o onde poucos lucram e muitos perdem. A resposta dos movimentos \u00e9 de que \u201cn\u00e3o h\u00e1 concilia\u00e7\u00e3o poss\u00edvel entre a preserva\u00e7\u00e3o da vida e um modelo que enxerga a terra apenas como estoque de valor a ser extra\u00eddo e exportado\u201d. <strong>Proteger a natureza e o territ\u00f3rio campon\u00eas \u00e9 um dever que se imp\u00f5e contra a barb\u00e1rie do capital mineral<\/strong>.<\/p>\n<h2>Agroecologia \u00e9 o caminho<\/h2>\n<p>Atualmente, h\u00e1 pesquisas em curso, como a desenvolvida na Universidade de Bras\u00edlia (UnB) em di\u00e1logo com movimentos sociais como o MST, sobre o uso de rejeitos de minera\u00e7\u00e3o para enriquecimento do solo em sistemas agroecol\u00f3gicos. Trata-se, segundo Ma\u00edra, de pensar formas de revers\u00e3o dos impactos dentro de uma perspectiva que priorize as comunidades e o cuidado com a terra, rompendo com a l\u00f3gica de que o territ\u00f3rio \u00e9 apenas um estoque de valor para o capital financeiro.<\/p>\n<p>Ma\u00edra apresenta a Reforma Agr\u00e1ria Popular como o n\u00facleo central dessa constru\u00e7\u00e3o alternativa contra a hegemonia mineral. Para a militante do MST, \u201c\u00e9 um projeto de vida, um projeto humano, civilizat\u00f3rio, de contraposi\u00e7\u00e3o \u00e0 concentra\u00e7\u00e3o de terras\u201d. No entendimento do Movimento, a Reforma Agr\u00e1ria Popular n\u00e3o se limita apenas \u00e0 desapropria\u00e7\u00e3o de terras, ela exige uma dimens\u00e3o produtiva, ecol\u00f3gica, cultural, educacional e pol\u00edtica, pensadas de forma articulada para enfrentar o dom\u00ednio do agroneg\u00f3cio e das mineradoras.\u00a0<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"640\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/2025-05-11_CaminhosDaAgroecologia-VFenara-SP_PorLarissaLopes-3.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/2025-05-11_CaminhosDaAgroecologia-VFenara-SP_PorLarissaLopes-3-1024x640.jpg 1024w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/2025-05-11_CaminhosDaAgroecologia-VFenara-SP_PorLarissaLopes-3-300x188.jpg 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/2025-05-11_CaminhosDaAgroecologia-VFenara-SP_PorLarissaLopes-3-768x480.jpg 768w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/2025-05-11_CaminhosDaAgroecologia-VFenara-SP_PorLarissaLopes-3.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption><em>Caminhos da Agroecologia da V FENARA. Foto: Larissa Lopes<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>No plano da Soberania Mineral Popular, a disputa \u00e9 para que o subsolo deixe de ser uma maldi\u00e7\u00e3o para quem vive sobre ele. Ma\u00edra \u00e9 clara quanto ao que est\u00e1 em jogo: \u201cAs decis\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 extra\u00e7\u00e3o do min\u00e9rio, ao uso dos minerais estrat\u00e9gicos e ao pr\u00f3prio processamento precisam servir \u00e0s comunidades e aos territ\u00f3rios que vivem no ciclo da minera\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o ao mercado internacional com pre\u00e7os de <em>commodities<\/em> que vai beneficiar um pequeno grupo de pessoas\u201d. Esse modelo exige que o territ\u00f3rio seja colocado a servi\u00e7o da vida e da reprodu\u00e7\u00e3o social, e n\u00e3o da acumula\u00e7\u00e3o de capital por gestoras de ativos como BlackRock ou Vanguard.<\/p>\n<p>Lucas Zenha sublinha que o verdadeiro interesse nacional n\u00e3o pode ser reduzido \u00e0 extra\u00e7\u00e3o para exporta\u00e7\u00e3o de min\u00e9rio bruto. \u201cO interesse nacional tamb\u00e9m \u00e9 produzir alimentos, \u00e9 assentar pessoas de forma digna na terra, \u00e9 produzir de forma sustent\u00e1vel e agroecol\u00f3gica. A soberania alimentar deveria ser de interesse nacional, assim como essa produ\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica\u201d, defende o pesquisador do GeografAR. Enquanto o agroneg\u00f3cio e as mineradoras planejam lucros de R$ 243 bilh\u00f5es at\u00e9 2050 com minerais cr\u00edticos, o povo brasileiro segue pagando o pre\u00e7o com a destrui\u00e7\u00e3o de seus biomas e a contamina\u00e7\u00e3o de suas \u00e1guas.<\/p>\n<p>\u201cO min\u00e9rio do Brasil tem que servir para construir hospital, escola e transporte p\u00fablico aqui dentro, e n\u00e3o para virar especula\u00e7\u00e3o na Bolsa de Nova York\u201d, afirma J\u00falia Martins, do Movimento Pela Soberania Popular na Minera\u00e7\u00e3o (MAM). Para ela, a verdadeira riqueza do pa\u00eds n\u00e3o est\u00e1 na lixivia\u00e7\u00e3o das terras raras, mas \u201cna terra livre, na semente crioula e na capacidade de produzir comida sem veneno, fixando o campon\u00eas no campo com dignidade. Continuamos sempre na luta para impedir que o Brasil de 1500 continue sendo reeditado atrav\u00e9s de uma roupagem tecnol\u00f3gica e \u2018verde&#8217;\u201d.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"681\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Foto_Diego-Ferreira-1.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Foto_Diego-Ferreira-1024x681.jpg 1024w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Foto_Diego-Ferreira-300x199.jpg 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Foto_Diego-Ferreira-768x511.jpg 768w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Foto_Diego-Ferreira-1.jpg 1080w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption><em>Foto: Diego Ferreira<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>A Reforma Agr\u00e1ria Popular e a Agroecologia aparecem, portanto, como um projeto estrutural de soberania, porque reorganizam o uso da terra para produzir alimento, preservar \u00e1gua, recompor a biodiversidade e fortalecer o trabalho com perman\u00eancia no campo. Em vez de exportar natureza bruta e importar depend\u00eancia tecnol\u00f3gica, trata-se de colocar cada hectare a servi\u00e7o da vida. Na pr\u00e1tica, \u00e9 o \u00fanico caminho que produz comida, cuida da \u00e1gua e n\u00e3o deixa o povo para tr\u00e1s diante da predat\u00f3ria corrida pela terra, pela \u00e1gua e pela vida.<\/p>\n<p><em>*Agradecimentos especiais para a realiza\u00e7\u00e3o desta reportagem: Grupo GeografAR na figura de Lucas Zenha; Eduardo Carline; Camilo Torres, Carlos Eduardo (Cadu) e Matheus Teixeira do MST<\/em>.<\/p>\n<p><em>**Editado por Solange Engelmann<\/em><\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/mst.org.br\/2026\/05\/22\/terras-raras-velha-espoliacao-o-avanco-da-mineracao-sobre-os-territorios-camponeses\/\">Terras raras, velha espolia\u00e7\u00e3o: O avan\u00e7o da minera\u00e7\u00e3o sobre os territ\u00f3rios camponeses<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/mst.org.br\/\">MST<\/a>.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/bill-clinton-diz-que-nao-sabia-de-crimes-sexuais-de-epstein-e-hillary-alega-nunca-te-lo-conhecido\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/maxwell_epstein_clinton_1993_cropped-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; 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