{"id":88910,"date":"2026-05-26T18:04:09","date_gmt":"2026-05-26T21:04:09","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/eleicoes-a-agenda-necessaria-ao-brasil\/"},"modified":"2026-05-26T18:04:09","modified_gmt":"2026-05-26T21:04:09","slug":"eleicoes-a-agenda-necessaria-ao-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/eleicoes-a-agenda-necessaria-ao-brasil\/","title":{"rendered":"Elei\u00e7\u00f5es: A agenda necess\u00e1ria ao Brasil"},"content":{"rendered":"<figure><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1200\" height=\"801\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/4949760048854928475.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/4949760048854928475.jpg 1200w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/4949760048854928475-300x200.jpg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/4949760048854928475-768x513.jpg 768w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/4949760048854928475-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\"><figcaption>Imagem: Cr\u00e9dito\/Maurenilson<\/figcaption><\/figure>\n<h3><strong>Agenda democr\u00e1tica e desenvolvimentista<\/strong><\/h3>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<p><imgsrc=\"\" width=\"1\" height=\"1\" alt=\".\" border=\"0\">\n<\/div>\n<\/div>\n<p>O processo eleitoral deste ano caminha, como em 2022, para a constru\u00e7\u00e3o de uma ampla e heterog\u00eanea frente pol\u00edtica para derrotar as for\u00e7as da extrema direita. Neste processo considera-se essencial um esfor\u00e7o para produzir uma agenda democr\u00e1tica e desenvolvimentista, que recupere e amplie direitos dos trabalhadores, que afirme a soberania nacional, que crie condi\u00e7\u00f5es para uma renovada e consistente pol\u00edtica de investimentos que restitua o protagonismo do Estado para o planejamento, o investimento, a capacidade para estabelecer as diretrizes e coordenar um novo ciclo desenvolvimentista, assentado em bases democr\u00e1ticas. Essas tarefas s\u00e3o incompat\u00edveis com as pol\u00edticas de ajuste fiscal e de aperto monet\u00e1rio em vigor no pa\u00eds.<\/p>\n<p>O Brasil atravessa um momento de inflex\u00e3o hist\u00f3rica. A crise da ordem neoliberal, a radicaliza\u00e7\u00e3o da disputa geopol\u00edtica, o avan\u00e7o da extrema direita e o esgotamento das media\u00e7\u00f5es institucionais herdadas da redemocratiza\u00e7\u00e3o constrangida comp\u00f5em um cen\u00e1rio em que j\u00e1 n\u00e3o basta administrar para conter retrocessos: torna-se necess\u00e1rio formular novos horizontes. O que est\u00e1 em jogo \u00e9 a capacidade de o pa\u00eds responder, com projeto e dire\u00e7\u00e3o, a um tempo marcado por instabilidade internacional, transforma\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica acelerada, fragmenta\u00e7\u00e3o social e perda de dinamismo econ\u00f4mico. \u00c9 nesse marco que se recoloca a necessidade de pensar o Brasil n\u00e3o apenas a partir dos limites do presente, mas das exig\u00eancias estrat\u00e9gicas de um novo ciclo de desenvolvimento com democracia, soberania, redu\u00e7\u00e3o das desigualdades sociais e vis\u00e3o estrat\u00e9gica de futuro.<\/p>\n<h3><strong>I. Cen\u00e1rio internacional: tens\u00f5es<\/strong><\/h3>\n<p>A ordem mundial passa por uma profunda transforma\u00e7\u00e3o. Partimos de uma situa\u00e7\u00e3o marcada pela hegemonia imperial da globaliza\u00e7\u00e3o, do neoliberalismo, de um incipiente multilateralismo e de paz relativa para um cen\u00e1rio de desglobaliza\u00e7\u00e3o, crise das democracias, busca de unilateralismo e de belicismo aberto protagonizado pelos EUA. Estamos vivendo uma longa transi\u00e7\u00e3o, ainda inconclusa, que tem combinado baixo crescimento econ\u00f4mico, financeiriza\u00e7\u00e3o persistente, fragmenta\u00e7\u00e3o produtiva e aumento das desigualdades.<\/p>\n<div>\n<div><imgsrc=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/1-39.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/1-39.png 680w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/15-300x110.png 300w\" sizes=\"(max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Enquanto o Brasil se paralisa em debates sobre cortes de gastos p\u00fablicos, o mundo passa por uma reconfigura\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica de magnitude hist\u00f3rica e pela recupera\u00e7\u00e3o do papel indutor e planejador dos Estados. A ascens\u00e3o da China como pot\u00eancia tecnol\u00f3gica e industrial, e a resposta estadunidense, primeiro na forma de conten\u00e7\u00e3o e \u201cdesacoplamento\u201d, agora na forma do imperialismo nu e cru, criam oportunidades sem precedentes para pa\u00edses de desenvolvimento intermedi\u00e1rio que souberem aproveitar as contradi\u00e7\u00f5es dessa nova guerra fria.<\/p>\n<p>Esse cen\u00e1rio vem sendo acompanhado por uma crise mais geral da democracia liberal, marcada pela eros\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es, pelo descr\u00e9dito das elites pol\u00edticas e pelo avan\u00e7o de for\u00e7as de direita e extrema direita em v\u00e1rias regi\u00f5es do mundo. A radicaliza\u00e7\u00e3o conservadora, nesse sentido, n\u00e3o aparece como fen\u00f4meno marginal, mas como express\u00e3o pol\u00edtica de um capitalismo em crise.<\/p>\n<p>Nesse contexto, a Am\u00e9rica Latina volta a ser tensionada entre depend\u00eancia externa e possibilidades de reposicionamento, enquanto o Brasil oscila entre o protagonismo potencial e a hesita\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica.<\/p>\n<p>Mais do que uma disputa geopol\u00edtica tradicional, o que est\u00e1 em jogo \u00e9 uma reorganiza\u00e7\u00e3o da ordem mundial e das bases materiais do poder: tecnologia, energia, infraestrutura digital e controle de dados. A corrida por intelig\u00eancia artificial, semicondutores, minerais cr\u00edticos e cadeias energ\u00e9ticas redefine n\u00e3o apenas a economia global, mas a pr\u00f3pria hierarquia entre Estados. Essa nova configura\u00e7\u00e3o abre oportunidades, mas exige capacidade nacional de planejamento, coordena\u00e7\u00e3o e defini\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica \u2014 elementos ainda fr\u00e1geis no caso brasileiro.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 a janela hist\u00f3rica que se abre: aproveitar a competi\u00e7\u00e3o sino-americana para negociar transfer\u00eancias tecnol\u00f3gicas substantivas e construir capacidades produtivas aut\u00f4nomas. Mas essa janela s\u00f3 pode ser aproveitada se o Estado brasileiro se livrar das amarras fiscais adotadas por sucessivos governos desde o golpe de 2016: o teto de gastos e seu suced\u00e2neo, o arcabou\u00e7o fiscal. S\u00f3 assim ter\u00e1 protagonismo global, deixando de ser um mero receptor passivo de investimentos.<\/p>\n<h3><strong>II. Cen\u00e1rio nacional: restri\u00e7\u00f5es<\/strong><\/h3>\n<p>No plano interno, o terceiro governo Lula emerge como uma hesitante tentativa de reconstru\u00e7\u00e3o institucional ap\u00f3s a ruptura democr\u00e1tica iniciada com o golpe de 2016 e a afirma\u00e7\u00e3o do bolsonarismo. No entanto, essa reconstru\u00e7\u00e3o se d\u00e1 sob condi\u00e7\u00f5es adversas: um torniquete fiscal que tolhe a a\u00e7\u00e3o do Estado e garante o desvio de cerca de 8% do PIB (R$ 1 trilh\u00e3o) ao ano em favor do rentismo, atrav\u00e9s de uma das mais altas taxas b\u00e1sicas de juros do planeta. Aplicar uma pol\u00edtica dessa natureza propicia o crescimento da direita e da extrema direita e contribui para a redu\u00e7\u00e3o progressiva de direitos de um mundo do trabalho em acelerada mudan\u00e7a. O resultado \u00e9 um governo que opera mais na mitiga\u00e7\u00e3o de danos do que na transforma\u00e7\u00e3o de estruturas, ausente de um projeto estrat\u00e9gico de desenvolvimento democr\u00e1tico e soberano.<\/p>\n<p>N\u00e3o se pode negligenciar que o bolsonarismo permanece vivo, com ataques \u00e0 democracia, articulando pol\u00edticas de regress\u00e3o social, reafirmando o negacionismo em todos os campos, bem como com a defesa aberta da subordina\u00e7\u00e3o externa atentando permanentemente contra a soberania nacional. O enfrentamento dessas for\u00e7as exige mais do que a restaura\u00e7\u00e3o da normalidade institucional, exige projeto pol\u00edtico e capacidade de reorganizar com velocidade o Estado para ser capaz de planejar e agir na constru\u00e7\u00e3o de um novo projeto de desenvolvimento nacional.<\/p>\n<div>\n<div><imgsrc=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/HUCITEC-basaglia4-2.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/HUCITEC-basaglia4-2.png 728w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/HUCITEC-basaglia4-300x37.png 300w\" sizes=\"(max-width: 728px) 100vw, 728px\" width=\"728\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Dados de emprego, infla\u00e7\u00e3o e atividade mostram indicadores que sugerem melhoria nas condi\u00e7\u00f5es de vida da popula\u00e7\u00e3o, evolu\u00e7\u00e3o que n\u00e3o se traduz em apoio pol\u00edtico ao Governo. Esse processo ocorre pela recupera\u00e7\u00e3o em bases fr\u00e1geis, marcadas por informalidade no trabalho, baixos sal\u00e1rios, gastos crescentes com alimenta\u00e7\u00e3o e moradia e elevado endividamento das fam\u00edlias.<\/p>\n<p>A manuten\u00e7\u00e3o de uma economia com peso relevante de um modelo exportador de bens prim\u00e1rios ou de baixo valor agregado, com destaque para o agroneg\u00f3cio gerador de poucos empregos, al\u00e9m de receber subs\u00eddios e contar com baixa tributa\u00e7\u00e3o exige ser revista. Constitui-se em importante elemento de constrangimento que exige nova pactua\u00e7\u00e3o para conter a degrada\u00e7\u00e3o ambiental, para eliminar subs\u00eddios indevidos, para o estabelecimento de tributa\u00e7\u00e3o progressiva sobre o uso da terra e abrir caminho para uma sustentada pol\u00edtica de produ\u00e7\u00e3o de alimentos a pre\u00e7os acess\u00edveis para a mesa do brasileiro.<\/p>\n<p>Sem transforma\u00e7\u00e3o material percept\u00edvel e restaura\u00e7\u00e3o de sonhos poss\u00edveis de serem lutados e realizados, a pol\u00edtica perde capacidade de mobiliza\u00e7\u00e3o. Nesse contexto, o campo progressista enfrenta um dilema estrat\u00e9gico: administrar a conjuntura dentro dos limites dados ou apresentar uma alternativa capaz de reorganizar expectativas e estimular a mobiliza\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<h3><strong>III. Macroeconomia e novo arcabou\u00e7o fiscal como limites auto impostos<\/strong><\/h3>\n<p>No governo Lula III, a pol\u00edtica macroecon\u00f4mica tem constitu\u00eddo o principal limite \u00e0 uma a\u00e7\u00e3o governamental transformadora. O arcabou\u00e7o fiscal, apresentado como solu\u00e7\u00e3o para uma inexistente crise fiscal, funciona como mecanismo de conten\u00e7\u00e3o do investimento p\u00fablico, dos gastos sociais, dos investimentos em ci\u00eancia e tecnologia e para o amesquinhamento de uma pol\u00edtica industrial.<\/p>\n<p>Mais do que um instrumento, o arcabou\u00e7o expressa uma falsa racionalidade: a perman\u00eancia dos limites impostos pelo neoliberalismo como horizonte do poss\u00edvel, capaz de oferecer sempre <em>menos do mesmo<\/em>.<\/p>\n<p>Essa pol\u00edtica est\u00e1 na raiz do endividamento das fam\u00edlias. Os baixos sal\u00e1rios, altos juros, custos elevados para moradia, transporte, alimenta\u00e7\u00e3o, vestu\u00e1rio e para aquisi\u00e7\u00e3o de bens de consumo dur\u00e1veis, agravados com a nociva novidade das apostas (<em>bets<\/em>), t\u00eam imposto um elevado endividamento para a maioria da popula\u00e7\u00e3o, em particular a mais pobre. Trata-se de uma brutal transfer\u00eancia de renda de baixo para cima.<\/p>\n<h3><strong>IV. <\/strong><strong>Mundo do trabalho e pol\u00edtica social como oportunidades a se aproveitar<\/strong><\/h3>\n<p>N\u00e3o \u00e9 apenas a pol\u00edtica macroecon\u00f4mica que est\u00e1 bloqueada, o mundo do trabalho e as pol\u00edticas sociais est\u00e3o limitadas para al\u00e9m da restri\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. A transforma\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, a plataformiza\u00e7\u00e3o e a crise do emprego tradicional exigem novas formas de prote\u00e7\u00e3o, inclus\u00e3o produtiva, forma\u00e7\u00e3o profissional aos novos tempos e organiza\u00e7\u00e3o do tempo de trabalho.<\/p>\n<p>A discuss\u00e3o sobre redu\u00e7\u00e3o da jornada, a reorganiza\u00e7\u00e3o para fortalecimento da previd\u00eancia social p\u00fablica, dos sistemas universais de prote\u00e7\u00e3o social, de educa\u00e7\u00e3o e de sa\u00fade apontam devem estar na ordem do dia de um projeto de inova\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e de restabelecer o protagonismo do Estado.<\/p>\n<p>Trata-se de recolocar o trabalho no centro da estrat\u00e9gia, n\u00e3o apenas como vari\u00e1vel econ\u00f4mica, mas como fundamento da cidadania. Isso inclui enfrentar a externaliza\u00e7\u00e3o de custos pelas plataformas digitais, construir novas formas de organiza\u00e7\u00e3o coletiva \u2014 inclusive cooperativas de trabalhadores \u2014 e desenvolver sistemas de inclus\u00e3o produtiva articulados \u00e0 forma\u00e7\u00e3o, a melhor renda, inser\u00e7\u00e3o ocupacional e qualidade de vida.<\/p>\n<p>Os pr\u00f3ximos anos n\u00e3o ser\u00e3o marcados por uma mudan\u00e7a \u00fanica, mas pela converg\u00eancia de grandes transi\u00e7\u00f5es \u2014 tecnol\u00f3gicas, ecol\u00f3gicas, demogr\u00e1ficas, geopol\u00edticas e institucionais. Essas transforma\u00e7\u00f5es reconfiguram a produ\u00e7\u00e3o, alteram ocupa\u00e7\u00f5es, deslocam cadeias produtivas, pressionam sistemas de prote\u00e7\u00e3o e desafiam as formas tradicionais de representa\u00e7\u00e3o e regula\u00e7\u00e3o do trabalho.<\/p>\n<p>Diante desse cen\u00e1rio, a resposta n\u00e3o pode ser fragmentada. Ser\u00e1 necess\u00e1ria uma a\u00e7\u00e3o coordenada do Estado brasileiro. Tornar-se-\u00e1 fundamental articular a pol\u00edtica p\u00fablica de emprego, trabalho e renda, as pol\u00edticas sociais e previdenci\u00e1rias e a negocia\u00e7\u00e3o coletiva. O objetivo \u00e9 evitar que as transforma\u00e7\u00f5es em curso aprofundem precariedades e desigualdades e, ao contr\u00e1rio, convert\u00ea-las em oportunidade para construir um novo padr\u00e3o de desenvolvimento, baseado no trabalho decente, na transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica justa, na prote\u00e7\u00e3o social e na democracia econ\u00f4mica. Nada disso ser\u00e1 poss\u00edvel sem uma ousada pol\u00edtica de industrializa\u00e7\u00e3o, com planejamento centralizado e reestatiza\u00e7\u00e3o de setores estrat\u00e9gicos, como energia e infraestrutura capturados por interesses estrangeiros que visam t\u00e3o somente o lucro.<\/p>\n<p>O ponto central \u00e9 claro: a resposta aos desafios do trabalho no futuro depender\u00e1 da capacidade de combinar regula\u00e7\u00e3o p\u00fablica, prote\u00e7\u00e3o social, negocia\u00e7\u00e3o coletiva e organiza\u00e7\u00e3o sindical com ampla base de representa\u00e7\u00e3o e alta representatividade.<\/p>\n<h3><strong>V. Pol\u00edtica industrial e transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica<\/strong><\/h3>\n<p>O programa de industrializa\u00e7\u00e3o com planejamento e financiamento de longo prazo deve estar no centro da agenda econ\u00f4mica. Uma pol\u00edtica industrial efetiva deve ser sist\u00eamica, articulando servi\u00e7os p\u00fablicos, poder de compra do Estado e coordena\u00e7\u00e3o institucional. Sa\u00fade, energia, mobilidade, saneamento e infraestrutura urbana devem ser orientados para funcionar como motores de demanda tecnol\u00f3gica, desde que integrados a um projeto estrat\u00e9gico e a uma arquitetura institucional coerente \u2014 hoje marcada por fragmenta\u00e7\u00e3o e aus\u00eancia de prioridades claras.<\/p>\n<p>A seguran\u00e7a e a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, por seu turno, abrem janelas de oportunidades hist\u00f3ricas. O Brasil disp\u00f5e de vantagens comparativas em f\u00f3sseis, renov\u00e1veis, biodiversidade e recursos minerais estrat\u00e9gicos. No entanto, transformar potencial em poder exige coordena\u00e7\u00e3o estatal, planejamento, pol\u00edtica industrial e enfrentamento nas v\u00e1rias frentes onde se organizam as for\u00e7as que se op\u00f5em a esse projeto. A seguran\u00e7a energ\u00e9tica e ecol\u00f3gica n\u00e3o pode ser tratada apenas como subtema da agenda ambiental, mas como eixo de desenvolvimento. Energias renov\u00e1veis, baterias, hidrog\u00eanio, bioeconomia e minerais cr\u00edticos s\u00e3o campos de disputa global. Sem estrat\u00e9gia, o pa\u00eds corre o risco de repetir o padr\u00e3o hist\u00f3rico de exportador de recursos com baixo valor agregado, enquanto importa bens industriais dos pa\u00edses desenvolvidos. Estamos diante de um momento hist\u00f3rico em que devemos lutar para romper esse padr\u00e3o que espolia o pa\u00eds de suas riquezas e, sobretudo, ousarmos mais.<\/p>\n<p>O Brasil, al\u00e9m das vantagens comparativas evidentes em energia renov\u00e1vel \u2014 hidrel\u00e9trica, e\u00f3lica, solar, biomassa \u2014 e j\u00e1 conta com um ecossistema de gera\u00e7\u00e3o renov\u00e1vel robusto- para acelerar o processo de transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica. Contudo, h\u00e1 lacunas cr\u00edticas na cadeia produtiva como na fabrica\u00e7\u00e3o de pain\u00e9is fotovoltaicos de alta efici\u00eancia; oito dos dez maiores fabricantes mundiais s\u00e3o chineses, enquanto a participa\u00e7\u00e3o de m\u00f3dulos nacionais caiu de 35% para 1% entre 2020 e 2024. \u00c9 fundamental o fortalecimento das capacidades industriais existentes \u2014 via capitaliza\u00e7\u00e3o pela BNDESPar, financiamento da Finep e por encomendas tecnol\u00f3gicas \u2014 com aporte tecnol\u00f3gico externo nas lacunas onde o Brasil n\u00e3o possui base industrial.<\/p>\n<h3><strong>VI. Intelig\u00eancia artificial e seguran\u00e7a digital<\/strong><\/h3>\n<p>A disputa contempor\u00e2nea \u00e9, em grande medida, tecnol\u00f3gica. Infraestrutura digital, intelig\u00eancia artificial, transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, semicondutores e controle de dados definem a hierarquia entre na\u00e7\u00f5es. O Brasil, no entanto, permanece a\u00ed inserido de forma subordinada.<\/p>\n<p>A aus\u00eancia de uma pol\u00edtica robusta de ci\u00eancia, tecnologia e inova\u00e7\u00e3o limita a capacidade de inser\u00e7\u00e3o soberana. Sem infraestrutura computacional, pol\u00edtica nacional de dados, enfrentamento ao poder das <em>big techs<\/em> e prote\u00e7\u00e3o de recursos estrat\u00e9gicos \u2014 como terras raras \u2014 n\u00e3o h\u00e1 autonomia nacional. A seguran\u00e7a digital emerge, assim, como dimens\u00e3o central da soberania nacional.<\/p>\n<p>A economia pol\u00edtica do capitalismo digital n\u00e3o pode mais ser compreendida sem que se enfrente uma quest\u00e3o central: os dados tornaram-se a mat\u00e9ria-prima estruturante da produ\u00e7\u00e3o de valor no s\u00e9culo XXI. O controle sobre esse insumo encontra-se concentrado em um diminuto n\u00famero de corpora\u00e7\u00f5es, principalmente estadunidenses. N\u00e3o se trata de uma met\u00e1fora. Trata-se de uma rela\u00e7\u00e3o de poder material, verific\u00e1vel nas infraestruturas, nos contratos, nas legisla\u00e7\u00f5es e nas depend\u00eancias t\u00e9cnicas que moldam as capacidades soberanas dos Estados nacionais, em particular dos pa\u00edses do Sul Global.<\/p>\n<p>Uma pol\u00edtica digital soberana deve compreender a estrutura de insumos que sustenta a chamada intelig\u00eancia artificial realmente existente. O aprendizado de m\u00e1quina, abordagem dominante na atual gera\u00e7\u00e3o de sistemas automatizados, depende de tr\u00eas componentes fundamentais: dados de treinamento, sistemas algor\u00edtmicos para extrair padr\u00f5es de dados e criar modelos que exigem um grande poder computacional sob comando nacional. O controle sobre cada um desses componentes encontra-se, em diferentes graus, oligopolizado nas m\u00e3os das <em>big techs<\/em> estadunidenses, com participa\u00e7\u00e3o crescente das empresas chinesas. A regula\u00e7\u00e3o das plataformas \u00e9 indispens\u00e1vel. No Brasil, a Lei Geral de Prote\u00e7\u00e3o de Dados representou um avan\u00e7o significativo, mas o debate regulat\u00f3rio brasileiro ainda n\u00e3o incorporou adequadamente as quest\u00f5es de soberania digital e de controle sobre os insumos da intelig\u00eancia artificial.<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica digital soberana depende de a\u00e7\u00f5es no presente e n\u00e3o proposi\u00e7\u00f5es futuras. Ela exige decis\u00f5es pol\u00edticas tomadas com a velocidade diante de uma conjuntura tensa que exigem a\u00e7\u00f5es imediatas. Suas linhas estruturantes precisam articular regula\u00e7\u00e3o, infraestrutura, pol\u00edtica industrial, coopera\u00e7\u00e3o internacional e forma\u00e7\u00e3o de recursos humanos em um projeto de Estado de longo prazo.<\/p>\n<p>O primeiro eixo estruturante passa pela constru\u00e7\u00e3o de infraestruturas soberanas de armazenamento e processamento de dados. O segundo eixo \u00e9 uma pol\u00edtica nacional de dados. \u00c9 preciso estabelecer, por lei, uma classifica\u00e7\u00e3o clara dos dados produzidos pelo Estado brasileiro: quais podem ser processados em nuvens estrangeiras com restri\u00e7\u00f5es, quais devem ser obrigatoriamente mantidos em territ\u00f3rio nacional sob controle de organiza\u00e7\u00f5es nacionais. O terceiro eixo \u00e9 a pol\u00edtica industrial para semicondutores e hardware estrat\u00e9gico. O Brasil possui reservas de terras raras e minerais cr\u00edticos que s\u00e3o componentes fundamentais da fabrica\u00e7\u00e3o de chips. O quarto eixo \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o de alian\u00e7as tecnol\u00f3gicas no Sul Global e o quinto \u00e9 a soberania simb\u00f3lica e cultural.<\/p>\n<p>As plataformas de entretenimento e comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o apenas neg\u00f3cios. S\u00e3o m\u00e1quinas de produ\u00e7\u00e3o de subjetividade, de modula\u00e7\u00e3o de comportamentos e gostos. Sua arquitetura e din\u00e2mica materializa uma vis\u00e3o de mundo e bloqueando ou distorcendo outras cosmovis\u00f5es. O Brasil e os pa\u00edses de l\u00edngua espanhola da Am\u00e9rica Latina possuem um patrim\u00f4nio cultural extremamente rico e diverso. \u00c9 estrat\u00e9gico e urgente apostar no financiamento e na organiza\u00e7\u00e3o de projetos culturais digitais que escapem ao controle das plataformas dominadas pela extrema-direita estadunidense.<\/p>\n<h3><strong>VII. Pol\u00edtica externa, defesa e seguran\u00e7a<\/strong><\/h3>\n<p>A pol\u00edtica externa \u00e9 um dos instrumentos decisivos para ampliar nossas possibilidades de avan\u00e7os s\u00f3cio e econ\u00f4mico, com maior margem de manobras no cen\u00e1rio internacional. A rivalidade econ\u00f4mica e tecnol\u00f3gica entre EUA e China e a renovada pol\u00edtica de agress\u00e3o estadunidense abrem oportunidades para negocia\u00e7\u00e3o de transfer\u00eancia tecnol\u00f3gica e reposicionamento do pa\u00eds no cen\u00e1rio internacional. Essa estrat\u00e9gia exige clareza de objetivos, coordena\u00e7\u00e3o interna e capacidade estatal.<\/p>\n<p>Soberania n\u00e3o se constr\u00f3i com ret\u00f3rica, voluntarismo ou bravata, mas sim com institui\u00e7\u00f5es, planejamento e poder material. A integra\u00e7\u00e3o regional, o fortalecimento do eixo Sul-Sul, a atua\u00e7\u00e3o no BRICS e a busca por alternativas ao sistema monet\u00e1rio internacional s\u00e3o caminhos poss\u00edveis, desde que articulados a um projeto nacional consistente. \u00c9 preciso afirmar claramente: vivemos um ponto baixo em nossa pol\u00edtica externa, com reduzida capacidade de enfrentamento com a pot\u00eancia dominante, falta de solidariedade com pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina e do Sul Global, retra\u00e7\u00e3o em nossa participa\u00e7\u00e3o no BRICS, aprova\u00e7\u00e3o de um acordo Mercosul-Uni\u00e3o Europeia de matriz subordinada que pode causar preju\u00edzos ao que resta da ind\u00fastria brasileira. N\u00e3o \u00e0 toa, v\u00e1rios estudiosos apontam uma matriz neocolonial nesse tratado.<\/p>\n<p>H\u00e1, entretanto, uma janela geopol\u00edtica que deve ser compreendida n\u00e3o apenas como oportunidade comercial, mas como possibilidade de industrializa\u00e7\u00e3o com transfer\u00eancia de conhecimento. A constru\u00e7\u00e3o de capacidades pr\u00f3prias pode representar uma via singular de inser\u00e7\u00e3o internacional, desde que acompanhada de investimento p\u00fablico, infraestrutura e pol\u00edtica cient\u00edfica.<\/p>\n<h3><strong>VIII. Seguran\u00e7a p\u00fablica<\/strong><\/h3>\n<p>A seguran\u00e7a p\u00fablica deve ser incorporada como dimens\u00e3o estruturante de um projeto nacional de desenvolvimento, n\u00e3o deve ser tratada como esfera isolada. A autonomiza\u00e7\u00e3o das pol\u00edcias, o encarceramento em massa, a pol\u00edtica de drogas e a crescente imbrica\u00e7\u00e3o entre economia legal e ilegal revelam que o enfrentamento da viol\u00eancia e do crime exige n\u00e3o apenas reformas no aparato policial e no sistema de justi\u00e7a, mas tamb\u00e9m mudan\u00e7as no pr\u00f3prio modelo de desenvolvimento, com investimento em ci\u00eancia e tecnologia e foco no combate ao tr\u00e1fico de armas, \u00e0 lavagem de dinheiro e \u00e0s redes financeiras do crime organizado. Seguran\u00e7a, tecnologia e ind\u00fastria caminham juntas na defini\u00e7\u00e3o do poder contempor\u00e2neo. Integrar a seguran\u00e7a a esse projeto significa, portanto, criar as bases para um Estado capaz de exercer legitimamente o monop\u00f3lio da for\u00e7a, garantir direitos e interromper os mecanismos que alimentam a viol\u00eancia, condi\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel para a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade democr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, a forte demanda social por mais seguran\u00e7a precisa ser respondida por um conjunto consistente de pol\u00edticas integradas, voltadas \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia e da criminalidade, tanto convencional quanto organizada, especialmente aquela associada ao tr\u00e1fico ilegal e \u00e0s mil\u00edcias. Trata-se de afirmar uma concep\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a p\u00fablica cidad\u00e3, orientada pela prote\u00e7\u00e3o da vida, pela presen\u00e7a qualificada do Estado, que passa pelo controle sobre as pol\u00edcias e revers\u00e3o de sua autonomiza\u00e7\u00e3o institucional e pela articula\u00e7\u00e3o entre preven\u00e7\u00e3o, intelig\u00eancia, investiga\u00e7\u00e3o e justi\u00e7a.<\/p>\n<h3><strong>IX. Pol\u00edticas sociais<\/strong><\/h3>\n<p>O fortalecimento das pol\u00edticas p\u00fablicas gratuitas e universais em sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, assist\u00eancia social, para acesso \u00e0 moradia e a transporte\/locomo\u00e7\u00e3o com qualidade e pol\u00edticas para um sal\u00e1rio m\u00ednimo e previd\u00eancia dignos representam o principal processo emancipat\u00f3rio e de transfer\u00eancia de renda para eliminar a pobreza.<\/p>\n<p><em>Os programas de transfer\u00eancia de renda como o Bolsa Fam\u00edlia<\/em> ou de Renda B\u00e1sica Universal, alinhados a objetivos progressistas devem complementar e refor\u00e7ar servi\u00e7os p\u00fablicos como sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e assist\u00eancia habitacional, em vez de servir como justificativa para sua redu\u00e7\u00e3o. No caso brasileiro o Bolsa Fam\u00edlia \u00e9 um programa social de governo, ainda n\u00e3o \u00e9 um direito e nem programa de Estado, como o BPC, por exemplo. Trata-se de uma concess\u00e3o mensal mediante requerimento e sele\u00e7\u00e3o, sem direito a continuidade que pode ser retirada de modo unilateral pelo governo. Difere da concess\u00e3o estatal de renda m\u00ednima ou renda b\u00e1sica que n\u00e3o sup\u00f5e nem sele\u00e7\u00e3o nem condicionalidades. Al\u00e9m disso, urge reajust\u00e1-lo, pois, inexplicavelmente o atual valor foi referente ao reajuste concedido em 2022.<\/p>\n<p><em>A mais abrangente pol\u00edtica p\u00fablica de Estado, pois universal, acess\u00edvel e gratuito \u00e0 toda popula\u00e7\u00e3o, o Sistema \u00danico de Sa\u00fade<\/em> encontra-se constrangido pelo insuficiente gasto p\u00fablico necess\u00e1rio para sua expans\u00e3o e qualifica\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os, e a press\u00e3o do setor privado que retira recursos do SUS, pois \u00e9 subsidiado pelo Estado. Soma-se a isso o gravame decorrente do espraiamento do modelo de gest\u00e3o terceirizada fundado em organiza\u00e7\u00f5es sociais, que precarizam o trabalho dos contratados, exercem a\u00e7\u00f5es aut\u00f4nomas nas \u00e1reas onde atuam, t\u00eam pol\u00edticas salariais a gosto especialmente de seus dirigentes, servem de instrumento para opera\u00e7\u00f5es pol\u00edticas de parlamentares e com isso deitando influ\u00eancia nos processos eleitorais.<\/p>\n<p>Um sistema de sa\u00fade necessariamente deve melhorar as condi\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias, afirma\u00e7\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 uma tautologia, tem consequ\u00eancias pr\u00e1ticas. Bons desfechos exigem a emiss\u00e3o simult\u00e2nea de redu\u00e7\u00e3o de riscos, amplia\u00e7\u00e3o de acesso e qualidade das a\u00e7\u00f5es oferecidas \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. \u00c9 a combina\u00e7\u00e3o do menos com mais que assegura melhor sa\u00fade. Menos alimentos ultraprocessados, menos agrot\u00f3xicos e transg\u00eanicos, menos polui\u00e7\u00e3o ambiental, menos armas, controle racional de \u00e1lcool e drogas. Mais recursos assistenciais para a prote\u00e7\u00e3o de gestantes e crian\u00e7as, adultos e idosos, mais aten\u00e7\u00e3o para as popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas, negras, pessoas com defici\u00eancias e LGBTQIA+.<\/p>\n<p>Portanto, a sa\u00fade vai melhor quando e somente se articulada com outras \u00e1reas, como ci\u00eancia e tecnologia, meio ambiente, educa\u00e7\u00e3o, cultura em torno de um projeto desenvolvimento social nucleado pelo bem-estar e sustentabilidade. Nesse sentido, o do conceito ampliado de sa\u00fade que inspirou o SUS, sugere-se o compromisso com a sa\u00fade como direito, um modo de andar a vida, que permita o desenvolvimento de potenciais individuais e coletivos de todas as pessoas. O SUS-cora\u00e7\u00e3o dos in\u00fameros gestos de apre\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o brasileira que acorreu aos postos de vacina\u00e7\u00e3o \u00e9 uma inequ\u00edvoca manifesta\u00e7\u00e3o de apoio \u00e0 ci\u00eancia, tecnologia e a pol\u00edticas de natureza universal.<\/p>\n<p>Para um real avan\u00e7o no campo da sa\u00fade, v\u00e1rias medidas s\u00e3o necess\u00e1rias, entre elas:<\/p>\n<p><strong>a. <\/strong>Redu\u00e7\u00e3o de riscos \u00e0 sa\u00fade: amplia\u00e7\u00e3o do acesso e qualidade dos cuidados de sa\u00fade.<\/p>\n<ul>\n<li>Preven\u00e7\u00e3o e diagn\u00f3stico precoce de doen\u00e7as cr\u00f4nicas. Rotulagem adequada de alimentos e proibi\u00e7\u00e3o de propaganda de alimentos ultra processados para crian\u00e7as. Propaganda sanit\u00e1ria contra o tabago e cigarro eletr\u00f4nico. Amplia\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os de lazer, apoio a constru\u00e7\u00e3o de pra\u00e7as e cal\u00e7adas arborizadas e iluminadas para a pr\u00e1tica de exerc\u00edcios f\u00edsicos.<\/li>\n<li>Amplia\u00e7\u00e3o, desconcentra\u00e7\u00e3o e qualifica\u00e7\u00e3o da oferta de servi\u00e7os de aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria e especializada. Reorganiza\u00e7\u00e3o e amplia\u00e7\u00e3o das redes de aten\u00e7\u00e3o de sa\u00fade mental com base na desinstitucionaliza\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>Organiza\u00e7\u00e3o de um centro de resposta a emerg\u00eancias sanit\u00e1rias para garantir e insumos b\u00e1sicos, vacinas, medicamentos e rede assistencial suficiente e qualificada para preven\u00e7\u00e3o da dissemina\u00e7\u00e3o de pandemias e epidemias e tratamento de pacientes.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>b<\/strong>. Afirmar identidades<\/p>\n<ul>\n<li>Combater preconceitos e exigir o desarmamento e uma cultura de paz. Sa\u00fade para grupos populacionais negros, quilombolas, ribeirinhos, ind\u00edgenas. Sa\u00fade para pessoas com defici\u00eancias. Sa\u00fade para pessoas LGBTQIA+. Sa\u00fade para mulheres e respeito aos direitos reprodutivos. Redu\u00e7\u00e3o da circula\u00e7\u00e3o e comercio de armas. A\u00e7\u00f5es para a redu\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia dom\u00e9stica. Sa\u00fade integrante dos esfor\u00e7os por uma cultura de paz.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>c. <\/strong>Sa\u00fade, ci\u00eancia, tecnologia e desenvolvimento<\/p>\n<ul>\n<li>Articular em torno do SUS pol\u00edticas de inova\u00e7\u00e3o e desenvolvimento tecnol\u00f3gico para a inclus\u00e3o e redu\u00e7\u00e3o de desigualdades.<\/li>\n<li>Investir na pesquisa b\u00e1sica para o desenvolvimento de vacinas, medicamentos e equipamentos m\u00e9dico-hospitalar.<\/li>\n<li>Investir na pesquisa sobre an\u00e1lise e formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas de sa\u00fade para a efetiva\u00e7\u00e3o do SUS.<\/li>\n<li>Aprimorar pol\u00edticas de uso do poder de compra e transfer\u00eancia de tecnologia tais como encomendas tecnol\u00f3gicas.<\/li>\n<li>Fortalecer as rela\u00e7\u00f5es entre centros, institutos e institui\u00e7\u00f5es de pesquisa e formadoras de profissionais de sa\u00fade com \u00f3rg\u00e3os de fomento \u00e0 pesquisa.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>d. <\/strong>Valoriza\u00e7\u00e3o dos profissionais de sa\u00fade<\/p>\n<p><em>O direito \u00e0 moradia e \u00e0 mobilidade urbana<\/em> fazem parte de duas cr\u00f4nicas d\u00edvidas do Estado Brasileiro, nas suas v\u00e1rias esferas, para com a popula\u00e7\u00e3o trabalhadora, despossu\u00edda. A quantidade de favelas e de outras formas prec\u00e1rias de morar, para al\u00e9m dos sem tetos, os moradores nas ruas, imp\u00f5e todo tipo de restri\u00e7\u00e3o, de limita\u00e7\u00e3o \u00e0 uma vida familiar adequada, com melhores condi\u00e7\u00f5es para preservar a sa\u00fade e acolhedora \u00e0s fam\u00edlias. Dados oficiais, para 2024, estimam em 5,8 milh\u00f5es o d\u00e9ficit habitacional, 7,5% do total de domic\u00edlios particulares ocupados do pa\u00eds, situa\u00e7\u00e3o inaceit\u00e1vel a refletir o mantido padr\u00e3o das desigualdades de renda e do patrim\u00f4nio no pa\u00eds. Por outro lado, \u00e9 comum que os que moram em locais prec\u00e1rios sejam os mais penalizados com a dist\u00e2ncia a percorrer e tempo gasto para o trabalho, especialmente nas grandes e medias cidades brasileiras, que junto ao abandono do pa\u00eds pela ferrovia num pa\u00eds continental, relegam ao atraso o transporte sobre trilhos.<\/p>\n<p>A condi\u00e7\u00e3o para a execu\u00e7\u00e3o de um estruturante programa social em todas as \u00e1reas imp\u00f5e prioriz\u00e1-lo e trata-lo como investimento e deve ser descontingenciado de limites de ajustes fiscais.<\/p>\n<h3><strong>X. A quest\u00e3o democr\u00e1tica: reforma pol\u00edtica e participa\u00e7\u00e3o popular<\/strong><\/h3>\n<p>O cen\u00e1rio atual da institucionalidade brasileira n\u00e3o \u00e9 capaz de dar conta das necessidades para um processo emancipat\u00f3rio da popula\u00e7\u00e3o. Vem se constituindo em camisa de for\u00e7a, armada pelos impedimentos a regula\u00e7\u00f5es de dispositivos progressistas, bem como pela elimina\u00e7\u00e3o e mudan\u00e7a, por emendas constitucionais, de direitos individuais e coletivos inscritos na Carta de 1988.<\/p>\n<p>Uma agenda de mudan\u00e7a n\u00e3o deve se furtar a enfrentar a necessidade de uma reforma pol\u00edtica no pa\u00eds que seja capaz de melhorar a representa\u00e7\u00e3o, ampliar a participa\u00e7\u00e3o popular e dialogar com as novas tecnologias. O voto em lista partid\u00e1ria e a reconfigura\u00e7\u00e3o em bases democr\u00e1ticas da proporcionalidade do voto popular, entre os entes federados, est\u00e3o na ordem do dia para fortalecer partidos pol\u00edticos e a democracia.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso retomar o processo coletivo e participativo de constru\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica e das pol\u00edticas p\u00fablicas por meio do incentivo \u00e0 participa\u00e7\u00e3o popular direta e por meio da utiliza\u00e7\u00e3o de instrumentos como o plebiscito. O plebiscitarismo pode ser utilizado de maneira estrat\u00e9gica pode ajudar no avan\u00e7o de pautas que buscam o enfrentamento de privil\u00e9gios das elites pol\u00edticas e econ\u00f4micas, evitando assim regress\u00f5es pol\u00edticas e direitos. A pioneira experi\u00eancia do Brasil com o sistema de vota\u00e7\u00e3o por urnas eletr\u00f4nicas \u00e9 um grande facilitador para a realiza\u00e7\u00e3o de consultas p\u00fablicas.<\/p>\n<h3><strong>XI. Entre o poss\u00edvel e o necess\u00e1rio<\/strong><\/h3>\n<p>A conjuntura brasileira revela uma tens\u00e3o central: o governo opera em alegados limites do poss\u00edvel, enquanto a realidade exige respostas na escala do necess\u00e1rio. Uma an\u00e1lise cr\u00edtica ao governo Lula III n\u00e3o pode ignorar as restri\u00e7\u00f5es impostas pela correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as no Congresso Nacional, mas tampouco a elas se acomodar. O poss\u00edvel n\u00e3o \u00e9 dado, imut\u00e1vel, n\u00e3o \u00e9 poste, deve ser o resultado da mobiliza\u00e7\u00e3o popular e pela luta aberta em busca pela realiza\u00e7\u00e3o do necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>O enfrentamento ao bolsonarismo e \u00e0 extrema-direita n\u00e3o ter\u00e1 sucesso apenas pela defesa das institui\u00e7\u00f5es ou pela administra\u00e7\u00e3o prudente de crises. \u00c9 preciso mais: projeto, mobiliza\u00e7\u00e3o e a capacidade de oferecer ao pa\u00eds um horizonte concreto de futuro. Sem isso, o mal-estar social seguir\u00e1 sendo capturado por for\u00e7as reacion\u00e1rias, que se alimentam da frustra\u00e7\u00e3o, do medo e da aus\u00eancia de perspectivas.<\/p>\n<p>O Brasil tem diante de si uma janela hist\u00f3rica: transformar sua pot\u00eancia ecol\u00f3gica, energ\u00e9tica, tecnol\u00f3gica e humana em base de um novo ciclo de desenvolvimento, capaz de enfrentar desigualdades, ampliar direitos e reposicionar o pa\u00eds no mundo. Mas isso s\u00f3 ocorrer\u00e1 com ativa a\u00e7\u00e3o estatal.<\/p>\n<p>Janelas hist\u00f3ricas, por\u00e9m, n\u00e3o permanecem abertas para sempre. Se n\u00e3o formos capazes de oferecer um futuro convincente, outros seguir\u00e3o oferecendo respostas autorit\u00e1rias e regressivas para o sofrimento social. Por isso \u00e9 momento para reconstruir a esperan\u00e7a, organizar a vontade coletiva e fazer do Brasil n\u00e3o apenas o pa\u00eds do poss\u00edvel, mas o pa\u00eds que atenda o necess\u00e1rio e que responda \u00e0s demandas de seu povo.<\/p>\n<h3><strong>XI. Uma s\u00edntese para debate:<\/strong><\/h3>\n<ol>\n<li><em>Mudan\u00e7a na pol\u00edtica macroen\u00f4mica<\/em>. Sair da armadilha da austeridade permanente, do constrangimento autoimposto pelo arcabou\u00e7o fiscal, pelos limites da pol\u00edtica de metas de infla\u00e7\u00e3o e pela elevada taxa de juros, com estabelecimento de metas para redu\u00e7\u00e3o da taxa Selic, no mais breve tempo, a patamares que estimulem o financiamento para o setor produtivo nacional e garantam recursos necess\u00e1rios para pol\u00edticas sociais p\u00fablicas;<\/li>\n<li><em>Reforma fiscal<\/em>: \u00e9 imperativa a imediata exclus\u00e3o das regras de conten\u00e7\u00e3o fiscal dos gastos em sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, ci\u00eancia e tecnologia, capitaliza\u00e7\u00e3o de empresas estatais e em investimentos em infraestrutura realizados pela administra\u00e7\u00e3o direta em todos os n\u00edveis. A pol\u00edtica fiscal deve instituir nova tabela de imposto de renda, centrada numa forte taxa\u00e7\u00e3o nas maiores rendas; instituir taxa\u00e7\u00e3o dos lucros e dividendos recebidos pelos acionistas de empresas; maior taxa\u00e7\u00e3o das remessas de lucros para o exterior por parte das empresas e por pessoas f\u00edsicas; forte taxa\u00e7\u00e3o de lucros de investimentos financeiros;<\/li>\n<li><em>\u00c9 estrat\u00e9gico reverter a autonomia do Banco Central<\/em>, alterar a composi\u00e7\u00e3o do Conselho Monet\u00e1rio Nacional e do COPOM, para permitir a subordina\u00e7\u00e3o dessas inst\u00e2ncias \u00e0s pol\u00edticas de desenvolvimento econ\u00f4mico e social sufragadas pelo voto popular;<\/li>\n<li><em>Reestabelecer controle sobre a conta de capital<\/em>, mais especificamente, sobre os fluxos de capitais especulativos que t\u00eam imposto ao pa\u00eds a depend\u00eancia de reservas em d\u00f3lar em alto n\u00edvel;<\/li>\n<li><em>Diversificar os ativos de nossas reservas internacionais<\/em>, reduzindo a depend\u00eancia de t\u00edtulos do Tesouro dos EUA. Por exemplo, adquirindo renminbi (RMB), yuan, euro, rublo, ou seja, moedas de nossos principais parceiros comerciais e estrat\u00e9gicos;<\/li>\n<li><em>BRICS.<\/em> \u00c9 preciso dar continuidade \u00e0s diretrizes j\u00e1 expressas nas duas \u00faltimas c\u00fapulas do BRICs de buscar sistemas de pagamento alternativos \u00e0 economia do d\u00f3lar;<\/li>\n<li><em>Reestabelecer as diferen\u00e7as entre empresa nacional e estrangeira<\/em>, com implica\u00e7\u00f5es sobre financiamentos, remessas de lucros e tributa\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li><em>Tornar o BNDES<\/em> um banco voltado exclusivamente para o desenvolvimento, dot\u00e1-lo de maior aporte de recursos e que cesse o financiamento a privatiza\u00e7\u00f5es e a empresas de capital estrangeiro;<\/li>\n<li><em>Fortalecer a capacidade de investimento do Estado<\/em> com a recupera\u00e7\u00e3o do controle p\u00fablico sobre a Petrobr\u00e1s Distribuidora, o Banco do Brasil, a Eletrobr\u00e1s e a recria\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es legais para operar em \u00e1reas estrat\u00e9gicas para o pa\u00eds, como a produ\u00e7\u00e3o de minerais presentes em terras raras;<\/li>\n<li><em>O programa de industrializa\u00e7\u00e3o<\/em> com planejamento e financiamento de longo prazo deve estar no centro da agenda econ\u00f4mica e, como investimento, ser retirado de constrangimento da pol\u00edtica fiscal;<\/li>\n<li><em>Intelig\u00eancia artificial e seguran\u00e7a digital. <\/em>Constru\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas dirigidas para pesquisa e aplica\u00e7\u00e3o de Intelig\u00eancia artificial e economia digital em \u00e1reas estrat\u00e9gicas para o Brasil, como na Gest\u00e3o de biomas complexos e bioeconomia; para a Sa\u00fade P\u00fablica e fortalecimento do SUS num pa\u00eds continental como o Brasil, na \u00e1rea de semicondutores com parceria, sobretudo com a China, na busca de autonomia tecnol\u00f3gica<strong>. <\/strong>Tr\u00eas diretrizes s\u00e3o essenciais para caminharmos nesta dire\u00e7\u00e3o: a) a<em> c<\/em>onstru\u00e7\u00e3o de infraestruturas soberanas de armazenamento e processamento de dados; b) estabelecer uma pol\u00edtica nacional de dados e c) uma pol\u00edtica industrial para semicondutores e hardware estrat\u00e9gico. Para dar conta dessa estrat\u00e9gia prop\u00f5e-se a cria\u00e7\u00e3o de um fundo de financiamento para o desenvolvimento de chips nacionais e para a aquisi\u00e7\u00e3o de hardware de treinamento de IA \u2014 GPUs em quantidade e qualidade suficientes;<\/li>\n<li><em>Redefinir em novas bases os contratos de concess\u00f5es das empresas de energia e de comunica\u00e7\u00f5es<\/em> com tarifas pelo custo e subs\u00eddios cruzados. As concession\u00e1rias n\u00e3o poder\u00e3o ser controladas por empresas de capital estrangeiro;<\/li>\n<li><em>Repactuar a reforma trabalhista<\/em> estabelecida ap\u00f3s o golpe de 2016, para recuperar direitos e atualizar a agenda que fortale\u00e7a o direito e as condi\u00e7\u00f5es para o trabalho, que prestigie e incentive os \u00f3rg\u00e3os de representa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores;<\/li>\n<li><em>Retomar a pol\u00edtica de valoriza\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo<\/em> para cumprir suas fun\u00e7\u00f5es legalmente estabelecidas para o sustento das fam\u00edlias;<\/li>\n<li><em>As pol\u00edticas de transfer\u00eancia de renda como o Bolsa-fam\u00edlia<\/em> devem ter seus valores reajustados anualmente (h\u00e1 tr\u00eas anos n\u00e3o h\u00e1 reajuste) e serem transformados em um direito por concess\u00e3o estatal, como de uma renda m\u00ednima ou renda b\u00e1sica, que n\u00e3o sup\u00f5e nem sele\u00e7\u00e3o nem condicionalidades;<\/li>\n<li><em>Manuten\u00e7\u00e3o dos pisos constitucionais<\/em> de Sa\u00fade e Educa\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de mudan\u00e7as estruturais no arcabou\u00e7o fiscal;<\/li>\n<li><em>Reestruturar as For\u00e7as Armadas<\/em> \u00e0 luz dos ensinamentos do ocorrido na Venezuela e das guerras da Ucr\u00e2nia e Ir\u00e3, para que estejam melhor preparadas para defender a soberania nacional;<\/li>\n<li><em>Priorizar a recupera\u00e7\u00e3o e a efici\u00eancia das pol\u00edticas e dos servi\u00e7os p\u00fablicos<\/em>, com o fortalecimento do SUS (eliminar subs\u00eddios ao setor privado, a terceiriza\u00e7\u00e3o, fortalecer ind\u00fastria nacional da sa\u00fade, uma nova pol\u00edtica nacional para os recursos humanos), da educa\u00e7\u00e3o em todos os n\u00edveis e idades, da previd\u00eancia p\u00fablica, das pol\u00edticas aten\u00e7\u00e3o social, como o BPC;<\/li>\n<li><em>Incentivo \u00e0 cultura e a cria\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es para a dissemina\u00e7\u00e3o nacional das atividades f\u00edsicas e esportivas;<\/em><\/li>\n<li><em>Zerar o d\u00e9ficit habitacional e desenvolver um amplo programa para ampliar o transporte coletivo nas cidades, com modalidades menos poluentes;<\/em><\/li>\n<li><em>Por uma nova pol\u00edtica nacional de Seguran\u00e7a P\u00fablica<\/em> na dire\u00e7\u00e3o do preconizado na PEC-51, no Congresso desde 2013, que possibilite conter a autonomiza\u00e7\u00e3o inconstitucional das pol\u00edcias, redefinir seus papeis, que defina investimentos necess\u00e1rios e perenes em ci\u00eancia, tecnologia e educa\u00e7\u00e3o\/forma\u00e7\u00e3o. Medidas cuja implanta\u00e7\u00e3o deve ser coordenada pela indispens\u00e1vel constru\u00e7\u00e3o de um Minist\u00e9rio de Seguran\u00e7a P\u00fablica;<\/li>\n<li><em>Reforma Agr\u00e1ria, produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de alimentos<\/em>. A pol\u00edtica fundi\u00e1ria no Brasil caminhou para pior com rela\u00e7\u00e3o at\u00e9 mesmo ao Estatuto da Terra, criado por lei (Lei n\u00ba 4.504, de 30 de novembro de 1964) pela ditadura militar. Nos \u00faltimos 60 anos ampliou-se o monop\u00f3lio da propriedade da terra e de seu uso. \u00c9 necess\u00e1rio cessar quaisquer amplia\u00e7\u00e3o, prosseguimento deste proceso, limit\u00e1-lo. Medida necess\u00e1ria para retomar a reforma agr\u00e1ria com terra para quem nela queira trabalhar, com foco para garantir a produ\u00e7\u00e3o e o acesso a alimentos de qualidade para a popula\u00e7\u00e3o brasileira;<\/li>\n<li><em>Endividamento das fam\u00edlias<\/em>. Os baixos sal\u00e1rios, altos juros, custos elevados para moradia, <br \/>transporte, alimenta\u00e7\u00e3o, vestu\u00e1rio e para aquisi\u00e7\u00e3o de bens de consumo dur\u00e1veis, agravados com a nociva novidade de apostas (<em>bets<\/em>), tem imposto um crescente e elevado endividamento por parte da popula\u00e7\u00e3o. Trata-se de uma brutal transfer\u00eancia de renda dos mais pobres para as empresas do com\u00e9rcio e sobretudo do setor financeiro. \u00c0 semelhan\u00e7a do socorro a bancos para evitar quebradeiras, considerada a inoper\u00e2ncia em evitar sonega\u00e7\u00e3o e limita\u00e7\u00e3o para a cobran\u00e7a de empresas inscritas na d\u00edvida ativa da Uni\u00e3o, se imp\u00f5e uma alternativa que livre, anistie d\u00edvidas da popula\u00e7\u00e3o com renda inferior a 5 sal\u00e1rios m\u00ednimos;<\/li>\n<li><em>A Quest\u00e3o Ambiental<\/em>. As principais fontes emissoras de poluentes do ar que afetam a sa\u00fade humana e produzem eleva\u00e7\u00e3o da temperatura s\u00e3o a queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis, termoel\u00e9tricas, queima de biomassa (florestas, pastagens e lavouras como a de cana), ind\u00fastrias e a atividade pecu\u00e1ria. Soma-se a esses fatores o conjunto das atividades envolvidas na fren\u00e9tica e predat\u00f3ria atividade voltada \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de edif\u00edcios na maioria das cidades m\u00e9dias e grandes, que produzem habita\u00e7\u00f5es para quem n\u00e3o precisa enquanto faltam moradias para milh\u00f5es. \u00c9 necess\u00e1ria interven\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio das Cidades com medidas regulat\u00f3rias para cessar a destrui\u00e7\u00e3o ambiental promovida de forma acelerada pela especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria. Por outro lado, a mudan\u00e7a da matriz energ\u00e9tica o incentivo ao transporte p\u00fablico e uma melhor regula\u00e7\u00e3o para o uso da terra s\u00e3o decisivos para que o Brasil reduza emiss\u00f5es. E t\u00e3o ou mais importante \u00e9 a ado\u00e7\u00e3o de pol\u00edtica para cessar a redu\u00e7\u00e3o das \u00e1reas de florestas, recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas, em particular na Amaz\u00f4nia e no Cerrado, com a ado\u00e7\u00e3o concomitante de pol\u00edticas que permitam uma adequada condi\u00e7\u00e3o de sustento e vida das popula\u00e7\u00f5es l\u00e1 sediadas.<\/li>\n<\/ol>\n<hr>\n<p><strong>SIGNAT\u00c1RIOS<\/strong><\/p>\n<p>Aldo Fornazieri (soci\u00f3logo, FESP-SP), Ant\u00f4nio Carlos Lopes Granado (Instituto Sul-americano para a Coopera\u00e7\u00e3o e a Gest\u00e3o Estrat\u00e9gica de Pol\u00edticas P\u00fablicas \u2013 Amsur), Ant\u00f4nio Martins (Jornalista e editor Outras Palavras), Aparecida Linhares Pimenta (m\u00e9dica sanitarista, FESP-SP), Barbara Vallejos (soci\u00f3loga, DIEESE e FESP-SP), Cid Benjamin (professor e jornalista), Clemente Ganz L\u00facio (soci\u00f3logo), Denise Gentil (economista, IE-UFRJ), Franklin de Sousa Martins (jornalista), Gerson Rozzo (advogado, Centro de Estudos Pol\u00edticos, Econ\u00f4micas e Sociais- Santos), Gilberto Maringoni (jornalista e professor universit\u00e1rio UFABC), Guilherme de Oliveira Estrella (ge\u00f3logo), Jailma Lopes Dutra Serafim (advogada, MST), Jo\u00e3o Vicente Silva Cayres (Secret\u00e1rio Regional Brasil na PSI \u2013 Public Services International), Jos\u00e9 Geno\u00edno Neto (ex-deputado federal e ex-presidente do PT), Jos\u00e9 Luiz Del Roio (historiador), Ladislau Dowbor (economista e Professor PUC-SP), Leonardo Severo (MST), Ligia Bahia (m\u00e9dica sanitarista e professora UFRJ), Luis Ant\u00f4nio Silva (presidente sindicato de trabalhadores em telecomunica\u00e7\u00f5es-RJ \u2013SINTTEL\/RJ e da Federa\u00e7\u00e3o Interestadual de Trabalhadores em Telecomunica\u00e7\u00f5es), Luiz Eduardo Soares (antrop\u00f3logo, CBAE\/UFRJ), Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo (economista, professor UNICAMP), Luiz Martins de Melo (economista e professor UFRJ), Luiz Nassif (jornalista), Manuel Domingos Neto (historiador), Marcos Queiroga Barreto (economista, FESP-SP), Maria Maeno (m\u00e9dica, Fundacentro e FESP-SP), Maria Silvia Portela de Castro (soci\u00f3loga e Vice Presidente do Conselho Superior da FESP), Paulo Kliass (economista e Especialista em Pol\u00edticas P\u00fablicas e Gest\u00e3o Governamental, do governo federal), Pedro Celestino (engenheiro), Pedro Paulo Zahluth Bastos (economista, UNICAMP), Rafael Rodrigues da Costa (soci\u00f3logo, FESP-SP), Roberto Tavares (historiador e coordenador do Centro de Estudos Pol\u00edticos, Econ\u00f4micas e Sociais- Santos), Rosa Maria Marques\u00a0(economista, PUC-SP), Sergio Amadeu da Silveira (soci\u00f3logo e professor UFABC), Simonae Deos (economista e professora UNICAMP), Sonia Fleury (soci\u00f3loga, psic\u00f3loga, Fiocruz), Ubiratan de Paula Santos (m\u00e9dico no HCFMUSP e Conselheiro na FESP-SP), Vicente Trevas (soci\u00f3logo, Presidente do Instituto AMSUR, Vice Presidente do Conselho Superior da FESP), Walter Sorrentino (m\u00e9dico, presidente da Funda\u00e7\u00e3o Maur\u00edcio Grabois).<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. Se voc\u00ea valoriza nossa produ\u00e7\u00e3o, contribua com um PIX para <strong>outrosquinhentos@outraspalavras.net<\/strong> e fortale\u00e7a o jornalismo cr\u00edtico.<\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>The post Elei\u00e7\u00f5es: A agenda necess\u00e1ria ao Brasil appeared first on Outras Palavras.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/cuba-e-china-buscam-aprofundar-cooperacao-em-biotecnologia-e-infraestrutura\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Cuba e China buscam aprofundar coopera\u00e7\u00e3o em biote...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/no-dia-do-trabalhador-bancada-do-pt-no-senado-reforca-luta-pelo-fim-da-escala-6x1-e-defesa-de-direitos-sociais\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">No Dia do Trabalhador, bancada do PT no Senado ref...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/exercicio-profissional-de-acupuntura-e-regulamentado-no-brasil\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Exerc\u00edcio profissional de acupuntura \u00e9 regulamenta...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/felipe-neto-derrota-outra-fake-news-bolsonarista-vereadora-sonaira-fernandes-separa-r-20-mil-para-danos-morais\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Felipe Neto derrota outra fake news bolsonarista: ...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reunidos em SP, ativistas e pensadores alertam: pa\u00eds ainda fala em \u201cajuste fiscal\u201d, enquanto mundo recupera papel indutor e planejador do Estado. Reviravolta geopol\u00edtica abre janela, mas Lula precisa oferecer futuro convincente. Documento prop\u00f5e esbo\u00e7o de programa nacional <\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/outrapolitica\/eleicoes-a-agenda-necessaria-ao-brasil\/\">Elei\u00e7\u00f5es: A agenda necess\u00e1ria ao Brasil<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":88911,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[347,2626,6307,114,1140,9076,11437,6569,61550,17045,9,423,61551,14217,12471,6219,1630,61552,112,10615,2956,5825,5097,3550,4360,2482,4972,73,3132,1482,4036,480,553],"tags":[],"class_list":["post-88910","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-america-latina","category-arcabouco-fiscal","category-bioeconomia","category-bolsonarismo","category-brics","category-campo-progressista","category-democracia-liberal","category-desenvolvimentismo","category-disputa-geopolitica","category-estado","category-eua","category-extrema-direita","category-fesp","category-financeirizacao","category-gastos-publicos","category-ia","category-industrializacao","category-inflexao-historica","category-lula","category-minerais-criticos","category-neoliberalismo","category-outra-politica","category-plataformizacao","category-politica-digital","category-redemocratizacao","category-reducao-da-jornada","category-rentismo","category-seguranca-publica","category-soberania-nacional","category-sul-global","category-terras-raras","category-trabalhadores","category-transicao-energetica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/88910","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=88910"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/88910\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/88911"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=88910"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=88910"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=88910"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}