{"id":89120,"date":"2026-05-27T17:10:35","date_gmt":"2026-05-27T20:10:35","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/por-que-a-europa-rejeita-a-carne-brasileira\/"},"modified":"2026-05-27T17:10:35","modified_gmt":"2026-05-27T20:10:35","slug":"por-que-a-europa-rejeita-a-carne-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/por-que-a-europa-rejeita-a-carne-brasileira\/","title":{"rendered":"Por que a Europa rejeita a carne brasileira"},"content":{"rendered":"<figure><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1280\" height=\"853\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/photo_4952011848668613739_y.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/photo_4952011848668613739_y.jpg 1280w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/photo_4952011848668613739_y-300x200.jpg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/photo_4952011848668613739_y-768x512.jpg 768w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/photo_4952011848668613739_y-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 1280px) 100vw, 1280px\"><figcaption>Foto: Cristiane Mattos\/O Tempo<\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<p><imgsrc=\"\" width=\"1\" height=\"1\" alt=\".\" border=\"0\">\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Isso de ser exatamente o que se \u00e9 ainda vai nos levar al\u00e9m<br \/>Paulo Leminski<\/p>\n<p>Assim que surgiu a primeira not\u00edcia de que a Uni\u00e3o Europeia (UE) fechou as portas para a carne brasileira, a rea\u00e7\u00e3o imediata foi: seria c\u00f4mico se n\u00e3o fosse tr\u00e1gico, ou soaria melhor o contr\u00e1rio: seria tr\u00e1gico se n\u00e3o fosse c\u00f4mico? Na d\u00favida, ambas parecem descrever bem essa situa\u00e7\u00e3o em que tudo aquilo que a \u201cmoderna\u201d pecu\u00e1ria defende, fomenta e, a partir disso, exclui, desqualifica e invisibiliza, passou a justificar novas barreiras econ\u00f4micas, agora sustentadas por argumentos sanit\u00e1rios apresentados como meramente t\u00e9cnicos e objetivos. Mas aquilo que os \u201cagentes da moderniza\u00e7\u00e3o\u201d sempre fizeram acabou se voltando contra eles. Ir\u00f4nico, n\u00e3o? O \u201cgrande\u201d que exclui vira o \u201cpequeno\u201d que \u00e9 exclu\u00eddo, n\u00e3o porque n\u00e3o se modernizou, mas justamente porque se modernizou demais. O que nos lembra uma das caracter\u00edsticas centrais desses sistemas de produ\u00e7\u00e3o: a cria\u00e7\u00e3o cont\u00ednua de suas pr\u00f3prias crises. Como a imagem da serpente que devora a pr\u00f3pria cauda, a expans\u00e3o desenfreada do sistema acaba produzindo as tens\u00f5es que amea\u00e7am suas condi\u00e7\u00f5es de estabilidade. Infla tanto que uma hora explode (Fraser, 2023).<\/p>\n<p>Isso significa que at\u00e9 mesmo o sucesso do sistema, medido em milhares e bilh\u00f5es de frangos, porcos e bois abatidos e carnes exportadas, torna-se uma fonte real de crise e potencial colapso. Mas tratando-se de mercados, e em especial, do mercado global de carne, a quest\u00e3o nunca \u00e9 apenas sanit\u00e1ria. Faz diferen\u00e7a que esse grande produtor seja um pa\u00eds latino-americano que sempre precisou seguir os ensinamentos dos pa\u00edses hegem\u00f4nicos, que constru\u00edram o modelo e agora o devolvem em chamas, tentando separar criador e criatura sob um manto verde de preocupa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o sabemos ao certo se \u00e9 ambiental, \u00e9tica, econ\u00f4mica-protecionista ou pol\u00edtica \u2013 talvez todas juntas.<\/p>\n<div>\n<div><imgsrc=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/1-41.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/1-41.png 680w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/15-300x110.png 300w\" sizes=\"(max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Quando colocamos como ep\u00edgrafe a frase do poeta Paulo Leminski (com todas as desculpas que o uso merece), a inten\u00e7\u00e3o era brincar com essa invers\u00e3o: o \u201cal\u00e9m\u201d alcan\u00e7ado depois \u201cde ser exatamente o que se \u00e9\u201d talvez seja descobrir que \u00e9 poss\u00edvel sofrer san\u00e7\u00f5es por ser demasiadamente moderno. Em outras palavras, trata-se de um modelo que, ao buscar produzir uma vida cada vez mais industrial, tecnol\u00f3gica e uniformizada, maximizando a efici\u00eancia e a produtividade, acaba por produzir suas pr\u00f3prias vulnerabilidades (Blanchette, 2020). Ao tratar a natureza como recurso infinito, organismos animais e vegetais como absolutamente pass\u00edveis de serem manipulados, e ao se embrenhar no mundo microbiol\u00f3gico realizando \u201ctruques de Deus\u201d (Haraway, 1995), a economia capitalista est\u00e1 sempre \u00e0 beira de desestabilizar suas condi\u00e7\u00f5es de exist\u00eancia.<\/p>\n<p>Definitivamente n\u00e3o \u00e9 tarefa f\u00e1cil, e talvez nem poss\u00edvel, se preocupar com problemas sanit\u00e1rios e cat\u00e1strofes ecol\u00f3gicas sem abrir m\u00e3o das ambi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas. Muito antes das atuais crises socionaturais, o pr\u00f3prio Karl Marx j\u00e1 anunciava o colapso do capitalismo diante do acirramento de suas contradi\u00e7\u00f5es. Mas aqui, tais contradi\u00e7\u00f5es permitem qualificar o capitalismo como \u201ccanibal\u201d, nos termos de Nancy Fraser, por necessitar da natureza, mas depreci\u00e1-la ao mesmo tempo, mantendo uma rela\u00e7\u00e3o que consome, transforma e, por que n\u00e3o, tamb\u00e9m subverte a riqueza do planeta para acumular mais valor. E n\u00e3o para por a\u00ed, pois trata-se de um modelo que deposita nos meios t\u00e9cnico-econ\u00f4micos (Hui, 2020) a expectativa de resolver os problemas que eles mesmos produzem.<\/p>\n<p>Mas o que temos visto \u00e9 que esse otimismo n\u00e3o se comprova. Ao longo do s\u00e9culo XX, os problemas foram se sobrepondo e se complexificando, a ponto de vivermos hoje aquilo que alguns pesquisadores descrevem como \u201co tempo das doen\u00e7as infecciosas emergentes\u201d (Fortan\u00e9 e Keck, 2015; Grisotti, 2010). Mas isso n\u00e3o significa que o modelo tenha perdido legitimidade, mesmo diante de crises que n\u00e3o s\u00e3o pontuais, mas constitutivas. No entanto, as pe\u00e7as se movem no tabuleiro e, no caso brasileiro, o modelo que sempre excluiu agora se v\u00ea exclu\u00eddo por seguir at\u00e9 as \u00faltimas consequ\u00eancias o destino para o qual foi preparado.<\/p>\n<p>Apesar dessas considera\u00e7\u00f5es sobre a rela\u00e7\u00e3o entre Brasil e Europa, n\u00e3o se trata de opor um agroneg\u00f3cio brasileiro \u201cb\u00e1rbaro\u201d a um mercado europeu \u201ccivilizado\u201d. Pois se estamos falando de um modelo hegem\u00f4nico, de uma pecu\u00e1ria que se fez moderna e industrial, ela se constituiu do casamento entre economia liberal, ci\u00eancia (principalmente saberes zoot\u00e9cnicos) e racionalidade t\u00e9cnica instrumental. Foi em raz\u00e3o das transforma\u00e7\u00f5es ancoradas nesses pressupostos que o Brasil passou a ocupar um papel central na produ\u00e7\u00e3o global de carne, \u00e0 medida que inaugurou modos in\u00e9ditos de cria\u00e7\u00e3o, abate e produ\u00e7\u00e3o (Perrota, 2019).<\/p>\n<p>A promessa era resolver, por meio dos saberes zoot\u00e9cnicos, a \u201cinefici\u00eancia\u201d da pecu\u00e1ria brasileira praticada at\u00e9 ent\u00e3o. E, de fato, ao longo do s\u00e9culo XX, essa rede produtiva se expandiu exponencialmente, mas isso exigiu uma infraestrutura cada vez mais artificial, com sabor de controle microbiol\u00f3gico, antibi\u00f3ticos, protocolos sanit\u00e1rios, altera\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas, tecnologias de biosseguran\u00e7a e sistemas intensivos de confinamento. Frangos modificados para desenvolver megapeitos e grandes coxas em tempo recorde v\u00eam acompanhados de uma orienta\u00e7\u00e3o zoot\u00e9cnica por alimentos batizados com analg\u00e9sicos, antibi\u00f3ticos e promotores de crescimento (Haraway, 2022). Mas junto dessa expans\u00e3o, uma s\u00e9rie de novos problemas sanit\u00e1rios emergiram.<\/p>\n<p>Embora a rela\u00e7\u00e3o entre cria\u00e7\u00e3o animal e doen\u00e7as infecciosas n\u00e3o seja uma novidade do nosso tempo \u2013 afinal, com o processo de domestica\u00e7\u00e3o, novas formas de coexist\u00eancia entre m\u00faltiplos seres criaram as condi\u00e7\u00f5es para o surgimento de enfermidades ligadas \u00e0 intensifica\u00e7\u00e3o do contato com animais (Ujvani, 2020; Weiss, 2001; Horwitz e Smith, 2000) \u2013 essa hist\u00f3ria ganha um novo cap\u00edtulo com o modelo inaugurado no s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio, os empreendimentos agropecu\u00e1rios modernos precisaram lidar com esse inc\u00f4modo estrutural. Apesar da ideia de que os novos conhecimentos t\u00e9cnico-cient\u00edficos acabariam com ele, a inven\u00e7\u00e3o da cria\u00e7\u00e3o intensiva e da monocultura gen\u00e9tica (Wallace, 2020) fizeram desse modelo produtivo um l\u00f3cus ideal para a muta\u00e7\u00e3o e prolifera\u00e7\u00e3o de pragas e pat\u00f3genos. Em vez de eliminar as amea\u00e7as, a moderniza\u00e7\u00e3o possibilitou transforma\u00e7\u00f5es epidemiol\u00f3gicas que criaram formas de virul\u00eancia antes inexistentes (Blanchette, 2020; Mitman et al., 2019).<\/p>\n<div>\n<div><imgsrc=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/HUCITEC-basaglia4-3.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/HUCITEC-basaglia4-3.png 728w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/HUCITEC-basaglia4-300x37.png 300w\" sizes=\"(max-width: 728px) 100vw, 728px\" width=\"728\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Desse modo, em vez de pensar que o inferno s\u00e3o os outros (os pequenos que, no discurso modernizador, n\u00e3o alcan\u00e7am nem a efici\u00eancia produtiva nem a seguran\u00e7a sanit\u00e1ria), o problema \u00e9 que os mesmos mecanismos mobilizados para aumentar a produtividade e controlar os riscos criam continuamente novas patologias e problemas sanit\u00e1rios, al\u00e9m de in\u00fameros problemas sociais e ambientais. Ent\u00e3o, se hoje a Europa precisa se preocupar em restringir mercados, isso acontece tamb\u00e9m como consequ\u00eancia do que essa parte privilegiada do globo inventou e agora colhe os frutos de sua cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Desde o surgimento do mal da vaca louca, identificado no Reino Unido em 1986 e transformado em uma grande crise sanit\u00e1ria nos anos 1990, pa\u00edses europeus mudaram as rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o e consumo de alimentos. A popula\u00e7\u00e3o passou a tomar decis\u00f5es cada vez mais orientadas pela ideia de rastreabilidade, numa tentativa de escapar do tecnomonstro que o sistema ajudou a criar. Isso porque a doen\u00e7a surgiu justamente do uso otimizado dos recursos na pecu\u00e1ria, que foi alimentar o gado confinado com farinha de sangue e ossos dos pr\u00f3prios bovinos. O \u201cnada se perde, tudo se aproveita\u201d, lema positivo em debates sobre alimenta\u00e7\u00e3o, adquire aqui um vi\u00e9s assustador, como diria L\u00e9vi-Strauss, j\u00e1 que essa pr\u00e1tica significou tornar os bovinos canibais. O que nos lembra outra frase da m\u00fasica popular brasileira: \u201cnos perderemos entre monstros da nossa pr\u00f3pria cria\u00e7\u00e3o\u201d. E, de fato, a Europa sentiu na pele esses monstros depois de convid\u00e1-los para jantar e at\u00e9 servir ch\u00e1: os microrganismos, as superbact\u00e9rias e as doen\u00e7as mutantes que podem surgir da\u00ed. Agora, como se fosse poss\u00edvel, tenta frear o trem desgovernado. Mas nesse caminho de uma geopol\u00edtica tortuosa, h\u00e1 quem chegue ao precip\u00edcio primeiro (embora todo o planeta caia junto).<\/p>\n<p>A expans\u00e3o exponencial da produ\u00e7\u00e3o e da exporta\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos anos por pa\u00edses como o Brasil reflete uma reconfigura\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, pol\u00edtica e energ\u00e9tica global, marcada pela transfer\u00eancia de ind\u00fastrias para pa\u00edses do chamado \u201cSul Global\u201d \u2013 \u00c1sia, \u00c1frica e Am\u00e9rica Latina \u2013 e por uma redistribui\u00e7\u00e3o desigual de recursos e atividades. Para os prop\u00f3sitos da lucratividade, essa organiza\u00e7\u00e3o tem funcionado brilhantemente. Pa\u00edses com bastante terra e vidas convertidas em recursos s\u00e3o apresentados e se apresentam, orgulhosamente, como grandes celeiros do mundo (afinal, o agro \u00e9 pop), enquanto pa\u00edses do \u201cNorte Global\u201d se especializam em setores financeiros, tecnol\u00f3gicos e de servi\u00e7os, com capacidade de construir m\u00e9tricas verdes e discursos preocupados com o futuro do planeta. O curioso \u00e9 que, enquanto supervisionam, rastreiam e fiscalizam os celeiros, s\u00e3o os do Norte os maiores respons\u00e1veis pelo aumento do consumo de carbono, seja com viagens a\u00e9reas, pavimenta\u00e7\u00e3o, produtividade material e, claro, consumo de carne (Fraser, 2023).<\/p>\n<p>Portanto, a mobiliza\u00e7\u00e3o de quest\u00f5es sanit\u00e1rias para se referir a produ\u00e7\u00e3o de certos territ\u00f3rios nunca \u00e9 inocente. O recente acontecimento nos lembra quem tem autoridade para definir o que \u00e9 um risco leg\u00edtimo e, por que n\u00e3o, uma modernidade e uma circula\u00e7\u00e3o leg\u00edtimas de mercadorias no sistema global. Mais uma vez, vemos a Europa transformar seus padr\u00f5es em condicionantes de acesso aos mercados. Durante muito tempo, o modelo imposto atendeu aos interesses de muitas das elites do agroneg\u00f3cio, mas agora essa rela\u00e7\u00e3o parece ter se estremecido.<\/p>\n<p>H\u00e1 d\u00e9cadas, o Brasil segue regulamenta\u00e7\u00f5es internacionais e certificados exigidos pela Uni\u00e3o Europeia para exportar seus produtos, principalmente na rede de produ\u00e7\u00e3o da carne bovina. Mas o que aparece como uma simples regula\u00e7\u00e3o horizontal do mercado global funciona tamb\u00e9m como uma rela\u00e7\u00e3o de poder, em que grandes produtores agropecu\u00e1rios precisam se adequar constantemente \u00e0s exig\u00eancias dos pa\u00edses compradores para garantir a abertura dos mercados. Na avicultura, em que a Europa n\u00e3o figura entre os cinco principais compradores, o mercado asi\u00e1tico se destaca pelo rigor sobre o uso de antibi\u00f3ticos nas aves, realizando sele\u00e7\u00f5es criteriosas dos frigor\u00edficos e impondo suas condi\u00e7\u00f5es. O que evidencia como as agroestrat\u00e9gias est\u00e3o profundamente conectadas a modalidades de rela\u00e7\u00f5es transnacionais e \u00e0 seguran\u00e7a alimentar global, muitas vezes \u00e0s custas da inseguran\u00e7a dos pa\u00edses produtores.<\/p>\n<p>Mas se essa alian\u00e7a comercial se mant\u00e9m h\u00e1 anos, com regras contra antimicrobianos que existem na UE desde 2006 \u2013 quando o bloco proibiu oficialmente antibi\u00f3ticos promotores de crescimento \u2013 qual \u00e9 exatamente o problema agora? Ao que tudo indica, o Brasil n\u00e3o ofereceu garantias de controle ao longo da vida dos animais exportados. Uma quest\u00e3o de confiabilidade, rastreabilidade e governan\u00e7a, mas tamb\u00e9m de <em>timing<\/em> pol\u00edtico. Afinal, os pa\u00edses europeus est\u00e3o mesmo t\u00e3o preocupados com o destino do planeta?<\/p>\n<p>A exclus\u00e3o do Brasil veio poucos dias ap\u00f3s a entrada em aplica\u00e7\u00e3o provis\u00f3ria do acordo entre UE e Mercosul, justamente em um momento em que agricultores franceses intensificaram cr\u00edticas ao tratado, por temerem a concorr\u00eancia de carnes e outros produtos sul-americanos produzidos em larga escala e a custos menores. Parece que, de fato, o modernizador vira amea\u00e7a porque modernizou demais. Se antes \u00e9ramos os selvagens, b\u00e1rbaros, primitivos e fundamentalmente ineficientes \u2013 aqueles que a sociedade das luzes deveria ensinar com seus valores universais \u2013 agora o \u00edmpeto modernizador nos transformou em um risco, porque o mercado brasileiro se tornou altamente eficiente em elevar a produtividade a n\u00edveis recordes, com as li\u00e7\u00f5es t\u00e9cnico-cient\u00edficas e liberais.<\/p>\n<p>Esse epis\u00f3dio evidencia como o deslocamento das pe\u00e7as do tabuleiro faz emergir as contradi\u00e7\u00f5es da ideologia liberal em torno da abertura de mercados e da flexibiliza\u00e7\u00e3o das regulamenta\u00e7\u00f5es estatais. Os efeitos imediatos de um acordo de livre-com\u00e9rcio rec\u00e9m assinado, depois de anos de debate, soam quase como uma proclama\u00e7\u00e3o europeia: liberais do mundo, uni-vos! (mas n\u00e3o no meu quintal).<\/p>\n<p>Aqui no Brasil, por sua vez, o que embaralhou o liberalismo diz respeito ao papel do Estado como agente regulador. Peri\u00f3dicos jornal\u00edsticos, notoriamente defensores do liberalismo, como a <u>Veja<\/u>, apressaram-se em afirmar que a culpa \u00e9 do Estado, incapaz de fiscalizar a venda indiscriminada de antibi\u00f3ticos. Enquanto isso, setores do agroneg\u00f3cio preocupados em flexibilizar regula\u00e7\u00f5es para si pr\u00f3prios e, ao mesmo tempo, endurecer para excluir os pequenos (Cintr\u00e3o, 2016), recorrem agora ao Estado para mediar esse \u201cproblema diplom\u00e1tico\u201d que resultou em sua pr\u00f3pria exclus\u00e3o.<\/p>\n<p>Produzir para o mundo \u00e0s custas da explora\u00e7\u00e3o de humanos, animais e do ambiente tornou-se uma especialidade dos setores ligados ao agroneg\u00f3cio brasileiro. Mas todo celeiro precisa conhecer o seu lugar quando come\u00e7a a amea\u00e7ar mercados hegem\u00f4nicos. Nesses casos, o processo civilizat\u00f3rio parece agora dizer que talvez seja melhor conter um pouco \u201cnosso\u201d impulso modernizador e voltar a ocupar um lugar de subalternidade dentro da divis\u00e3o global da produ\u00e7\u00e3o, enquanto seguimos ouvindo li\u00e7\u00f5es sobre ecologia e soberania.<\/p>\n<p>Essa n\u00e3o \u00e9, no entanto, uma defesa do uso de antibi\u00f3ticos como promotores de crescimento, mas uma reflex\u00e3o de que n\u00e3o ser\u00e1 a abertura ou o fechamento do mercado europeu que resolver\u00e1 o problema. Uma situa\u00e7\u00e3o de \u201clobo cuidando das ovelhas\u201d parece se adequar a este caso, em que pa\u00edses hegem\u00f4nicos e grandes criadores do atual modelo de produ\u00e7\u00e3o intensiva concentram o poder de extrair mat\u00e9ria-prima, definir o uso da terra, controlar sistemas alimentares inteiros, estabelecer regulamenta\u00e7\u00f5es e abrir ou fechar mercados a partir de suas conveni\u00eancias econ\u00f4micas e pol\u00edticas. Enquanto isso, os pa\u00edses que adotaram esse modelo e se especializaram em sua l\u00f3gica s\u00e3o, vez ou outra, convidados a participar de um jogo cujas regras n\u00e3o controlam, al\u00e9m de lhes ser atribu\u00edda uma responsabilidade de conter a cria\u00e7\u00e3o alheia, a degrada\u00e7\u00e3o ambiental, reduzir o uso de antimicrobianos, evitar desperd\u00edcios e \u201csalvar o planeta\u201d.<\/p>\n<p>Interna e externamente, \u00e9 caracter\u00edstica das sociedades capitalistas deixar nas m\u00e3os de uma classe com fortes interesses em destruir a natureza o poder de administrar nossas rela\u00e7\u00f5es com ela. Nisso, os agroneg\u00f3cios brasileiro e mundial se entrela\u00e7am, mas com posi\u00e7\u00f5es muito diferentes em termos de poder e capacidade de decis\u00e3o. Acreditando que a tecnologia n\u00e3o \u00e9 antropologicamente universal (Hui, 2020), talvez solu\u00e7\u00f5es vindas de fora dos meios t\u00e9cnico-econ\u00f4micos possam ser mais eficazes para repensar tais impasses estruturais. O que temos visto \u00e9 que, sem retirar o poder de definir os rumos da produ\u00e7\u00e3o global de alimentos das m\u00e3os desses setores hegem\u00f4nicos, dificilmente algum tipo de transforma\u00e7\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel.<\/p>\n<hr>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>BLANCHETTE, Alex. Industrial meat production. Annual Review of Anthropology, v. 47,<br \/>p. 185-199, 2018.<\/p>\n<p>BLANCHETTE, Alex. Porkopolis. American Animality, Standardized Life and the Factory<br \/>Farm. Duke University Press, Durham and London, 2020.<\/p>\n<p>CINTR\u00c3O, Ros\u00e2ngela Pezza. Seguran\u00e7a, qualidade e riscos: a regula\u00e7\u00e3oo sanit\u00e1ria e os<br \/>processos de (i)legaliza\u00e7\u00e3oo dos queijos artesanais de leite cru em Minas Gerais. Rio de<br \/>Janeiro, Tese de Doutorado, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, 2016.<\/p>\n<p>DONATO, Veruska Costa. Agricultores na Irlanda apresentaram provas \u00e0 Uni\u00e3o<br \/>Europeia sobre a carne brasileira. Veja, 13 maio 2026. Dispon\u00edvel em:<br \/>https:\/\/veja.abril.com.br\/economia\/agricultores-na-irlanda-apresentaram-provas-a-uniao-euro<br \/>peia-sobre-a-carne-brasileira\/.<\/p>\n<p>FORTAN\u00c9, Nicolas e KECK, Fr\u00e9d\u00e9ric. Ce que fait la Bios\u00e9curit\u00e9 \u00e0 la surveillance des<br \/>animaux. Revue d\u2019anthropologie des connaissances \u2013 2015\/2.<\/p>\n<p>FRASER, Nancy. Capitalismo Can\u00edbal: Qu\u00e9 hacer con este sistema que devora la<br \/>democracia y el planeta y hasta pone en riesgo su propia existencia. Siglo Veintiuno<br \/>Editores, 2023.<\/p>\n<p>GRISOTTI, M\u00e1rcia. Doen\u00e7as infecciosas emergentes e a emerg\u00eancia das doen\u00e7as: uma<br \/>revis\u00e3o conceitual e novas quest\u00f5es. Ci\u00eancia &amp; Sa\u00fade Coletiva, 15(Supl. 1):1095-1104,<br \/>2010.<\/p>\n<p>HARAWAY, Donna. Quando as esp\u00e9cies se encontram. Ubu Editora, 2022.<\/p>\n<p>HARAWAY, Donna. Saberes localizados: a quest\u00e3o da ci\u00eancia para o feminismo e o<br \/>privil\u00e9gio da perspectiva parcial. In: Cadernos Pagu, n\u00ba 5, pp. 7-41, 1995.<\/p>\n<p>HUI, Yuk. Tecnodiversidade. S\u00e3o Paulo: Ubu Editora, 2020.<\/p>\n<p>MITMAN, Gregg; HARAWAY, Donna; TSING, Anna. Reflections on the Plantationocene.<br \/>Edge Effects, University of Wisconsin-Madison, 2019.<\/p>\n<p>PERROTA, Ana Paula. A busca pela carca\u00e7a perfeita: da cria\u00e7\u00e3o animal \u00e0 produ\u00e7\u00e3o<br \/>zoot\u00e9cnica. Revista TESSITURAS. V. 7, n. 1, Jan-Jun 2019.<\/p>\n<p>UJVANI, Stefan Cunha. A hist\u00f3ria da humanidade contada pelos v\u00edrus, bact\u00e9rias,<br \/>parasitas e outros microrganismos. S\u00e3o Paulo: Contexto, 2020.<\/p>\n<p>UOL. Uni\u00e3o Europeia pro\u00edbe importa\u00e7\u00e3o de carnes, ovos e animais do Brasil. UOL<br \/>Economia, S\u00e3o Paulo, 12 maio 2026. Dispon\u00edvel em:<br \/>https:\/\/economia.uol.com.br\/noticias\/redacao\/2026\/05\/12\/uniao-europeia-proibe-importacao-<br \/>de-carne-do-brasil-por-uso-de-antibioticos.ghtm. Acesso em: 12 maio 2026.<\/p>\n<p>WALLACE, Rob. Pandemia e agroneg\u00f3cio. Doen\u00e7as infecciosas, capitalismo e ci\u00eancia.<br \/>S\u00e3o Paulo: Elefante, 2020.<\/p>\n<p>WEISS, Robin. Animal origins of human infectious disease. Phil. Trans. R. Soc. Lond. B<br \/>(2001)<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Sem publicidade ou patroc\u00ednio, dependemos de voc\u00ea. Fa\u00e7a parte do nosso grupo de apoiadores e ajude a manter nossa voz livre e plural: <strong>apoia.se\/outraspalavras<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>The post Por que a Europa rejeita a carne brasileira appeared first on Outras Palavras.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/marcha-dos-vencidos-a-humilhacao-publica-dos-nazistas-em-moscou\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/marcha_dos_vencidos-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Marcha dos Vencidos: a humilha\u00e7\u00e3o p\u00fablica dos nazi...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/brasil-negocia-tarifaco-canada-retalia-e-ira-reage-a-pressao-dos-eua\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Brasil negocia tarifa\u00e7o, Canad\u00e1 retalia e Ir\u00e3 reag...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/ultimas-noticias-da-guerra-no-oriente-medio-em-9-de-abril\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Strait_of_Hormuz-svg-ensvg-1-e1775562405404-2-150x150.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">\u00daltimas not\u00edcias da guerra no Oriente M\u00e9dio em 9 d...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/sul21.com.br\/noticias\/geral\/2025\/08\/sociedade-brasileira-de-pediatria-pede-urgencia-na-votacao-de-projeto-sobre-adultizacao-infantil\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1654094&amp;o=node') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Sociedade Brasileira de Pediatria pede urg\u00eancia na...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nossa agropecu\u00e1ria aprofundou o modelo predat\u00f3rio e patol\u00f3gico do Norte Global &#8211; e agora paga o pre\u00e7o. Mas veto tamb\u00e9m comprova car\u00e1ter colonial do acordo UE-Mercosul: manufaturados europeus t\u00eam portas abertas, mas at\u00e9 produtos prim\u00e1rios do Sul s\u00e3o bloqueados<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/alemdamercadoria\/por-que-a-europa-rejeita-a-carne-brasileira\/\">Por que a Europa rejeita a carne brasileira<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":89121,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[117,6188,61968,45,2296,61969,61970,61971,61972,25813,40,35113,61973,61974,20500,987,61975,294,61976,1482,35470,6822],"tags":[],"class_list":["post-89120","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-agronegocio","category-alem-da-mercadoria","category-barreiras-economicas","category-brasil","category-carne-brasileira","category-carnes-exportadas","category-controle-microbiologico","category-crises-socionaturais","category-economia-capitalista","category-economia-liberal","category-europa","category-liberalismo","category-mercado-da-carne","category-microorganismos","category-norte-global","category-pecuaria","category-regulamentacoes-internacionais","category-sancoes","category-seguranca-sanitaria","category-sul-global","category-superbacterias","category-ue"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89120","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=89120"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89120\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/89121"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=89120"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=89120"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=89120"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}