{"id":89451,"date":"2026-05-29T17:00:45","date_gmt":"2026-05-29T20:00:45","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/violencia-contra-mulheres-resiste-a-queda-dos-homicidios-no-pais\/"},"modified":"2026-05-29T17:00:45","modified_gmt":"2026-05-29T20:00:45","slug":"violencia-contra-mulheres-resiste-a-queda-dos-homicidios-no-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/violencia-contra-mulheres-resiste-a-queda-dos-homicidios-no-pais\/","title":{"rendered":"Viol\u00eancia contra mulheres resiste \u00e0 queda dos homic\u00eddios no pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" width=\"580\" height=\"329\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/freepick.png\" alt=\"\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/freepick.png 580w, https:\/\/vermelho.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/freepick-300x170.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 580px) 100vw, 580px\"><\/p>\n<p>O Brasil chegou a 2024 com a menor taxa de homic\u00eddios dos \u00faltimos 11 anos, mas um dos retratos mais persistentes da viol\u00eancia contra as mulheres permaneceu praticamente inalterado. Dados do Atlas da Viol\u00eancia 2026 mostram que, enquanto os assassinatos femininos ocorridos fora das resid\u00eancias diminu\u00edram ao longo da \u00faltima d\u00e9cada, as mortes registradas dentro de casa permaneceram est\u00e1veis, indicando que a viol\u00eancia de g\u00eanero continua apresentando din\u00e2micas pr\u00f3prias mesmo em um cen\u00e1rio de redu\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia letal no pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>Saiba mais:<\/strong> <a href=\"https:\/\/vermelho.org.br\/2026\/05\/26\/brasil-tem-menor-taxa-de-homicidios-em-11-anos-maioria-das-vitimas-e-negra\/\" type=\"link\">Brasil tem menor taxa de homic\u00eddios em 11 anos; maioria das v\u00edtimas \u00e9 negra<\/a><\/p>\n<p>Em 2024, 3.642 mulheres foram assassinadas no Brasil, uma queda de 6,7% em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior. No entanto, ao analisar o local das ocorr\u00eancias, os pesquisadores identificaram uma diferen\u00e7a importante entre a trajet\u00f3ria dos homic\u00eddios femininos em espa\u00e7os p\u00fablicos e aqueles registrados no ambiente dom\u00e9stico.<\/p>\n<p><strong>A viol\u00eancia diminui nas ruas, mas n\u00e3o dentro de casa<\/strong><\/p>\n<p>Entre 2014 e 2024, a taxa de homic\u00eddios de mulheres ocorridos fora das resid\u00eancias caiu de 3,5 para 2,2 mortes por 100 mil mulheres. J\u00e1 os homic\u00eddios registrados dentro de casa permaneceram praticamente inalterados ao longo de toda a s\u00e9rie hist\u00f3rica, variando entre 1,2 e 1,3 por 100 mil mulheres.<\/p>\n<p>Segundo os autores do estudo, essa diferen\u00e7a sugere que a viol\u00eancia letal em espa\u00e7os p\u00fablicos respondeu de forma mais sens\u00edvel \u00e0s mudan\u00e7as observadas no per\u00edodo, enquanto a viol\u00eancia associada ao ambiente dom\u00e9stico manteve um comportamento mais est\u00e1vel.<\/p>\n<p>Em 2024, mais de um ter\u00e7o das mulheres assassinadas no pa\u00eds morreu dentro da pr\u00f3pria resid\u00eancia. O percentual, de 35,2%, permaneceu praticamente inalterado em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior.<\/p>\n<p>Embora os sistemas de sa\u00fade n\u00e3o permitam identificar diretamente os feminic\u00eddios, os pesquisadores apontam que o local da ocorr\u00eancia funciona como um importante indicador para compreender a viol\u00eancia baseada em g\u00eanero. Nesse contexto, os homic\u00eddios registrados dentro da resid\u00eancia podem refletir, em grande medida, situa\u00e7\u00f5es associadas \u00e0 viol\u00eancia contra mulheres.<\/p>\n<p><strong>A casa continua sendo o principal lugar de risco<\/strong><\/p>\n<p>A persist\u00eancia das mortes dentro da resid\u00eancia encontra paralelo nos registros de viol\u00eancia n\u00e3o letal.<\/p>\n<p>Em 2024, 150.211 notifica\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia dom\u00e9stica contra mulheres registradas pelos servi\u00e7os de sa\u00fade <strong>ocorreram dentro de casa<\/strong>, o equivalente a <strong>79,9% dos casos. <\/strong>Em vias p\u00fablicas, o percentual foi de apenas 6,1%.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros mostram que, mesmo diante da amplia\u00e7\u00e3o do debate p\u00fablico sobre viol\u00eancia de g\u00eanero e das <a href=\"https:\/\/vermelho.org.br\/2026\/05\/20\/lula-assina-decreto-que-responsabiliza-plataformas-digitais-por-violencia\/\" type=\"link\">pol\u00edticas de prote\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres<\/a>, a resid\u00eancia continua sendo o principal cen\u00e1rio das agress\u00f5es.<\/p>\n<figure><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"756\" height=\"315\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Captura-de-tela-2026-05-29-153747.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Captura-de-tela-2026-05-29-153747.png 756w, https:\/\/vermelho.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Captura-de-tela-2026-05-29-153747-300x125.png 300w\" sizes=\"(max-width: 756px) 100vw, 756px\"><\/figure>\n<\/p>\n<p><strong>A viol\u00eancia se repete<\/strong><\/p>\n<p>A concentra\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia no ambiente dom\u00e9stico \u00e9 apenas uma das caracter\u00edsticas apontadas pelo Atlas. Outro aspecto que chama aten\u00e7\u00e3o \u00e9 a reincid\u00eancia das agress\u00f5es.<\/p>\n<p>Entre os casos registrados em 2024 com informa\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel, 66,2% das mulheres atendidas pelos servi\u00e7os de sa\u00fade j\u00e1 haviam sofrido viol\u00eancia anteriormente.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" width=\"751\" height=\"187\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Captura-de-tela-2026-05-29-153409.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Captura-de-tela-2026-05-29-153409.png 751w, https:\/\/vermelho.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Captura-de-tela-2026-05-29-153409-300x75.png 300w\" sizes=\"(max-width: 751px) 100vw, 751px\"><\/figure>\n<p>Em outras palavras, para a maioria das v\u00edtimas, a agress\u00e3o registrada n\u00e3o foi a primeira. O resultado evidencia que a viol\u00eancia dom\u00e9stica continua atingindo repetidamente as mesmas mulheres e refor\u00e7a uma das caracter\u00edsticas mais persistentes da viol\u00eancia de g\u00eanero: a dificuldade de interromper ciclos de agress\u00e3o que se prolongam ao longo do tempo.<\/p>\n<p><strong>Atlas relaciona misoginia e persist\u00eancia da viol\u00eancia de g\u00eanero<\/strong><\/p>\n<p>Para os autores do Atlas, a estabilidade dos homic\u00eddios femininos dentro das resid\u00eancias, a concentra\u00e7\u00e3o das agress\u00f5es no ambiente dom\u00e9stico e a elevada reincid\u00eancia dos casos n\u00e3o podem ser analisadas apenas sob a \u00f3tica da seguran\u00e7a p\u00fablica.<\/p>\n<p>Na an\u00e1lise de conjuntura desta edi\u00e7\u00e3o, os pesquisadores defendem que a persist\u00eancia dos feminic\u00eddios, o crescimento da viol\u00eancia sexual e o fortalecimento de discursos mis\u00f3ginos fazem parte de um mesmo fen\u00f4meno social.<\/p>\n<p><strong>Saiba mais:<\/strong><a href=\"https:\/\/vermelho.org.br\/2026\/05\/26\/extrema-direita-machismo-e-a-ameaca-a-vida-das-mulheres\/\" type=\"link\"><strong> <\/strong>Extrema direita, machismo e a amea\u00e7a \u00e0 vida das mulheres<\/a><\/p>\n<p>O relat\u00f3rio destaca o avan\u00e7o da chamada cultura \u201cred pill\u201d e de conte\u00fados disseminados pela machosfera digital, que promovem a inferioriza\u00e7\u00e3o das mulheres e refor\u00e7am comportamentos de hostilidade, ass\u00e9dio e desvaloriza\u00e7\u00e3o feminina, especialmente entre adolescentes e jovens.<\/p>\n<p>Para os autores, compreender a viol\u00eancia contra as mulheres exige olhar n\u00e3o apenas para os crimes j\u00e1 consumados, mas tamb\u00e9m para os fatores culturais e sociais que contribuem para sua reprodu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Mulheres negras seguem mais expostas \u00e0 viol\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>As desigualdades raciais tamb\u00e9m aparecem de forma consistente nos indicadores analisados pelo Atlas.<\/p>\n<p>Das 3.642 mulheres assassinadas em 2024,<strong> 2.457 eram negras, o equivalente a 67,5% do total. <\/strong>A taxa de homic\u00eddios entre mulheres negras foi de quatro mortes por 100 mil mulheres, 66,7% superior \u00e0 observada entre mulheres n\u00e3o negras.<\/p>\n<p>Nos registros de viol\u00eancia dom\u00e9stica e intrafamiliar, as mulheres negras representaram <strong>58,6% das v\u00edtimas notificadas. <\/strong>A taxa de vitimiza\u00e7\u00e3o foi de 175,4 casos para cada 100 mil mulheres negras, contra 156,8 entre mulheres n\u00e3o negras.<\/p>\n<p>Os dados reunidos pelo Atlas da Viol\u00eancia indicam que a viol\u00eancia contra as mulheres continua marcada pela sobreposi\u00e7\u00e3o entre desigualdades de g\u00eanero e ra\u00e7a. Concentradas dentro de casa, frequentemente repetidas contra as mesmas v\u00edtimas e associadas a padr\u00f5es persistentes de discrimina\u00e7\u00e3o, as agress\u00f5es revelam que a viol\u00eancia de g\u00eanero permanece como um dos desafios mais resistentes \u00e0 redu\u00e7\u00e3o observada em outros indicadores de seguran\u00e7a p\u00fablica.<\/p>\n<\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/vermelho.org.br\/2026\/05\/29\/violencia-contra-mulheres-resiste-a-queda-dos-homicidios-no-pais\/\">Viol\u00eancia contra mulheres resiste \u00e0 queda dos homic\u00eddios no pa\u00eds<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/vermelho.org.br\/\">Vermelho<\/a>.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/depoimento-de-bolsonaro-complicou-ainda-mais-a-sua-situacao-avaliam-juristas\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; 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