{"id":89495,"date":"2026-05-30T00:00:21","date_gmt":"2026-05-30T03:00:21","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/doencas-e-dividas-cronicas-o-duplo-veneno\/"},"modified":"2026-05-30T00:00:21","modified_gmt":"2026-05-30T03:00:21","slug":"doencas-e-dividas-cronicas-o-duplo-veneno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/doencas-e-dividas-cronicas-o-duplo-veneno\/","title":{"rendered":"Doen\u00e7as e d\u00edvidas cr\u00f4nicas: o duplo veneno\u00a0"},"content":{"rendered":"<figure><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1500\" height=\"1000\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/00129777-2048x1365.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/00129777-1500x1000.jpg 1500w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/00129777-300x200.jpg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/00129777-768x512.jpg 768w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/00129777-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/00129777-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/00129777-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\"><figcaption>Foto: Brunno Covello\/SMCS<\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<p><imgsrc=\"\" width=\"1\" height=\"1\" alt=\".\" border=\"0\">\n<\/div>\n<\/div>\n<p><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u201cPago R$350 pelo dia de trabalho da minha faxineira, valor transferido para a conta dela de maneira digital. Como ela tem problemas de sa\u00fade, contratou um desses planos geridos por empresas que n\u00e3o entendem nada de sa\u00fade, s\u00e3o um grupo financeiro que oferece mensalidade que cabe no bolso. Ent\u00e3o descubro que entre os s\u00f3cios deste grupo est\u00e1 a BlackRock, a maior gestora de ativos do mundo, que administra trilh\u00f5es de d\u00f3lares.\u201d<\/em><\/p>\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<strong>\u00a0\u00a0Ladislau Dowbor<\/strong>, em entrevista \u00e0 Folha de SP, 2 de fevereiro de 2026<\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u201cChoveu, esfriou. \u00c9 o inverno que chega. E no inverno a gente come mais. A minha filha Vera come\u00e7ou pedir comida. E eu n\u00e3o tinha. Era a reprise do espet\u00e1culo. Eu estava com dois cruzeiros. Pretendia comprar um pouco de farinha para fazer um virado. Fui pedir um pouco de banha a dona Alice. Ela me deu a banha e arroz. Era 9 horas da noite quando comemos. E assim no dia 13 de maio de 1958 eu lutava contra a escravatura atual, a fome!\u201d<\/em><\/p>\n<div>\n<div><imgsrc=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/1-42.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/1-42.png 680w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/15-300x110.png 300w\" sizes=\"(max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<strong>Maria Carolina de Jesus<\/strong>, em <em>Quarto de Despejo: Di\u00e1rio de uma Favelada<\/em><\/p>\n<p>Devo, n\u00e3o nego\u2026 pago quando puder. O ditado popular \u00e9 categ\u00f3rico: mesmo que reconhe\u00e7amos nossas d\u00edvidas, quit\u00e1-las \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o que geralmente empurramos para um futuro indeterminado. Acredito que boa parte das pessoas que procede dessa maneira realmente n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de pagar o que anda devendo na pra\u00e7a. Mas, aten\u00e7\u00e3o, h\u00e1 quem seja bilion\u00e1rio, tenha uma respeit\u00e1vel (ou seria desrespeitosa?) cole\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas e, por saber muito bem como funciona o sistema financeiro, simplesmente vai rolando. Ou melhor, nos enrolando, j\u00e1 que certamente o credor de uma gorda fatia desse rocambole \u00e9 o Estado.\u00a0<\/p>\n<p>Na sociedade ultrafinancista em que vivemos, h\u00e1 quem seja miser\u00e1vel porque se endividou para comprar o b\u00e1sico \u2014 e caiu nas garras do sistema banc\u00e1rio vampiresco. E h\u00e1 quem seja riqu\u00edssimo justamente porque sabe como escapar de impostos e outras mordidas em suas negociatas, surfando com sua pr\u00f3pria inadimpl\u00eancia. Ali\u00e1s, os dois extremos s\u00f3 existem em conjunto, combinando-se em um processo de transfer\u00eancia unilateral de recursos, com modestas concess\u00f5es intermediadas pelo poder p\u00fablico, como \u00e9 o caso do Bolsa Fam\u00edlia. Mas o que \u00e9 receber uma bolsa de 600 reais mensais frente \u00e0 opul\u00eancia do que chamamos de bolsa banqueiro?<\/p>\n<p>Uma r\u00e1pida olhada na lista das principais pessoas jur\u00eddicas devedoras do munic\u00edpio de S\u00e3o Paulo de 2026 escancara esse abuso financeiro. Em primeir\u00edssimo lugar, encontramos o Grupo Ita\u00fa, cuja d\u00edvida \u00e9 de cerca de modestos 20 bilh\u00f5es de reais. Sim, \u00e9 a mesma empresa banc\u00e1ria que, em 2025, teve seu \u201cguidance\u201d (metas corporativas) totalmente cumprido e conquistou um recorde hist\u00f3rico quanto ao seu lucro, faturando 46,8 bilh\u00f5es de reais\u2026 e que, n\u00e3o satisfeita, ainda planeja bater novo recorde em 2026, de 51 bi! Mas ela n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica do setor; outros bancos, como o Bradesco, tamb\u00e9m podem ser vistos em posi\u00e7\u00f5es posteriores.\u00a0<\/p>\n<p>Se falarmos em termos estaduais, bisbilhotar a lista das empresas que devem ao estado de S\u00e3o Paulo, centro financeiro do pa\u00eds, nos permite encontrar gigantes do varejo, como o Grupo P\u00e3o de A\u00e7\u00facar \u2014 controlador da rede de supermercados com o dito nome e das redes Extra e Mini Extra. Ele ocupa o segundo lugar e deve quase 4 bilh\u00f5es de reais. E tamb\u00e9m vemos gigantes das telecomunica\u00e7\u00f5es, como a Tim Celular (que det\u00e9m 23% do mercado brasileiro de telefonia m\u00f3vel), ocupando o terceiro lugar e devendo tamb\u00e9m pouco menos de 4 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>J\u00e1 uma espiada na lista das maiores devedoras \u00e0 previd\u00eancia social, nos revela que o segundo lugar \u00e9 ocupado por ningu\u00e9m menos que a dinossaura do setor da carne JBS S\/A, devedora de 1,8 bilh\u00f5es de reais. E que, pouco mais abaixo, encontramos outra frigor\u00edfica de dentes afiados que atende pelo nome de Marfrig e ocupa a s\u00e9tima posi\u00e7\u00e3o, com uma d\u00edvida de 800 milh\u00f5es de reais. N\u00e3o custa lembrar que temos mais bois do que pessoas no Brasil \u2014 e que a pecu\u00e1ria est\u00e1 diretamente relacionada ao desmatamento e \u00e0s emiss\u00f5es de gases de efeito estufa, o que exige gastos volumosos por parte do governo e afeta a vida de todos os seres vivos.\u00a0<\/p>\n<p>Mas, como eu j\u00e1 havia mencionado, esses endividamentos n\u00e3o costumam ser obra do acaso. Segundo D\u00e3o Real Pereira dos Santos, presidente do Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Sindifisco Nacional), em depoimento ao Brasil de Fato, \u201cMuitas vezes, a sonega\u00e7\u00e3o \u00e9 usada de forma ostensiva para praticar concorr\u00eancia desleal e at\u00e9 predat\u00f3ria, aquela que visa eliminar a concorr\u00eancia, n\u00e3o apenas vender mais. Desse modo, a sonega\u00e7\u00e3o pode ser utilizada com o prop\u00f3sito de constituir monop\u00f3lios territoriais. Ao atingir determinado n\u00edvel de monop\u00f3lio, a empresa passa a determinar os pre\u00e7os dos produtos, ampliando sua margem de lucro\u201d.\u00a0<\/p>\n<div>\n<div><imgsrc=\"\" alt=\"\" width=\"728\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Traduzindo: ao turbinar suas d\u00edvidas com o Estado, essas empresas podem fazer com que a popula\u00e7\u00e3o tenha que pagar mais pelo que compra, um efeito que amplia o endividamento das fam\u00edlias. Redes varejistas de comida j\u00e1 oferecem seus pr\u00f3prios cart\u00f5es de cr\u00e9dito e parcelam a compra do m\u00eas em \u201csuaves\u201d presta\u00e7\u00f5es, fazendo com que o abastecimento b\u00e1sico da despensa de hoje signifique, muitas vezes, ficar em d\u00e9bito em rela\u00e7\u00e3o ao de amanh\u00e3.\u00a0<\/p>\n<p>Nestes tempos de vida digitalizada, n\u00e3o \u00e9 raro ver gente deixar de comprar comida para pagar a conta do telefone (o Instituto P\u00f3lis j\u00e1 mostrou como isso est\u00e1 ocorrendo para pagar a conta de energia). Afinal, experimente ficar devendo \u00e0 Tim para ver se ela \u00e9 t\u00e3o benevolente com voc\u00ea quanto o poder p\u00fablico \u00e9 com ela. Essa \u201cescolha\u201d n\u00e3o \u00e9 surpreendente porque, sem um celular funcionando, n\u00e3o se consegue nem mais ser considerado\/a cidad\u00e3o\/\u00e3, tamanha a depend\u00eancia dele para acessar servi\u00e7os b\u00e1sicos. E, se o pagamento da conta j\u00e1 \u00e9 indigesto, a rela\u00e7\u00e3o com o aparelho ainda tem outros elementos que valem uma reflex\u00e3o.<\/p>\n<h3><strong>Overdose publicit\u00e1ria\u00a0<\/strong><\/h3>\n<p>O fato \u00e9 que praticamente todo mundo tem uma traquitana chamada celular como \u201cparte do corpo\u201d. Ininterruptamente, ele extrai informa\u00e7\u00f5es sobre cada pessoa usu\u00e1ria e despeja uma carga profundamente desestabilizadora e sedutora sobre ela. Este \u00e9 um dos elementos-chave para compreender o atual mecanismo de endividamento das fam\u00edlias. Hoje, voc\u00ea mal acorda e j\u00e1 entra em uma plataforma, como WhatsApp ou Instagram, para \u201cse sentir no mundo\u201d. E muita gente leva o celular para a cama e fica navegando nas redes at\u00e9 dormir.<\/p>\n<p>Um dado que me chocou se refere \u00e0 Shopee, um marketplace internacional (plataforma que conecta vendedores e consumidores) extremamente popular. Cerca de 80 milh\u00f5es de brasileiros\/as t\u00eam cadastro para usar seus servi\u00e7os, e ela foi respons\u00e1vel por 54% das vendas via e-commerce. Um levantamento que mapeou esse tipo de com\u00e9rcio ao longo de 2025, revelou que pessoas usu\u00e1rias dessas plataformas compraram em m\u00e9dia 18 vezes (!) ao ano, com m\u00e9dia de R$141 por pedido. Haja cart\u00e3o de cr\u00e9dito! N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que o famoso \u201cimposto das blusinhas\u201d, rec\u00e9m revogado, gerou tanta impopularidade ao governo federal. Pagar tributos sobre os cacarecos adquiridos massivamente nesses sites acabaria pesando no bolso. A revoga\u00e7\u00e3o em um ano eleitoral era esperada, mas significa mais est\u00edmulo para esse tipo de gasto familiar e menos incentivo \u00e0 ind\u00fastria nacional, algo que piora a oferta de trabalho.\u00a0<\/p>\n<p>Resistir ao feiti\u00e7o de ficar colado\/a ao aparelho, bem como aos in\u00fameros outros feiti\u00e7os que ele propaga com sua programa\u00e7\u00e3o publicit\u00e1ria individualizada, \u00e9 praticamente um milagre. Al\u00e9m de an\u00fancios expl\u00edcitos que, de t\u00e3o ostensivos, chegam a impedir a leitura de um texto inteiro com sua pipoca\u00e7\u00e3o disparatada nas telas, h\u00e1 uma s\u00e9rie de inser\u00e7\u00f5es publicit\u00e1rias menos declaradas. De \u201cnovelinhas de frutas\u201d ao uso de influencers, empresas de produtos de v\u00e1rios tipos, sobretudo dos menos aconselh\u00e1veis, veiculam conte\u00fados marqueteiros ao seu p\u00fablico-alvo. No artigo Entre a Fomo e a fome: as big techs v\u00e3o nos devorar?, descrevo como esse ass\u00e9dio come\u00e7a na inf\u00e2ncia, fase mais vulner\u00e1vel do ponto de vista psicoemocional.\u00a0<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que vivemos em um sufocante ciclo vicioso, do qual fazem parte as big techs, as big foods, as big pharma e as big money. As primeiras invadem nossa vida com conte\u00fados que estimulam desequil\u00edbrios psicoemocionais (como ansiedade e esgotamento) e com publicidade altamente personalizada pelos algoritmos. \u00c9 um duplo est\u00edmulo ao consumo por impulso, aquele que vem como v\u00e1lvula de escape emocional e ilus\u00e3o de pertencimento por meio do acesso ao produto ou servi\u00e7o que o sistema de navega\u00e7\u00e3o sabe que se deseja, pois agiu para construir esse desejo.\u00a0<\/p>\n<p>Recentemente, gigantes high tech foram condenadas nos EUA por criarem, conscientemente, plataformas consideradas viciantes para o p\u00fablico infanto-juvenil. Seus executivos sabem que, quanto mais tempo passamos online, mais pe\u00e7as publicit\u00e1rias iremos ver, o que representa maior possibilidade de faturamento, atrav\u00e9s da venda de espa\u00e7o publicit\u00e1rio. E, quanto maior a exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 propaganda, maior o est\u00edmulo \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o de produtos, mesmo que seja necess\u00e1rio recorrer ao endividamento.\u00a0<\/p>\n<p>Voltando ao sistema de transfer\u00eancia de riquezas anteriormente apontado, podemos voltar a espiar a lista de pessoas jur\u00eddicas que devem ao munic\u00edpio paulistano. No segundo lugar do ranking repousa nada menos do que uma dessas plataformas tecnol\u00f3gicas ultrapoderosas, o Facebook Brasil, devendo 3,8 bilh\u00f5es de reais. Seu fundador, Mark Zuckerberg, \u00e9 uma das cinco pessoas mais ricas do mundo, tendo um patrim\u00f4nio de mais de R$ 1 trilh\u00e3o. Parece muito? Vamos aos dados de valor de mercado da controladora do Facebook, a Meta (que tamb\u00e9m controla o Instagram e o WhatsApp): cerca de 1 trilh\u00e3o e meio de\u2026 d\u00f3lares!\u00a0<\/p>\n<p>Uma empresa estadunidense que vale mais de 7 trilh\u00f5es de reais deve alguns \u201cm\u00edseros\u201d bilh\u00f5es de reais para um munic\u00edpio latino-americano e n\u00e3o tem a menor pressa para quitar essa d\u00edvida, seguindo numa boa na regi\u00e3o com suas atividades pra l\u00e1 de lucrativas. J\u00e1 as popula\u00e7\u00f5es dos pa\u00edses vampirizados por sanguessugas como ela enfrentam o terror de ficar com o nome sujo na pra\u00e7a, muitas vezes, por n\u00e3o conseguirem pagar o que ficaram devendo ao adquirirem os produtos anunciados em suas redes. Mas, sim, h\u00e1 d\u00edvidas por aquisi\u00e7\u00f5es ainda mais essenciais, como os \u00edtens da cesta b\u00e1sica. E \u00e9 aqui que as big money entram em campo.<\/p>\n<h3><strong>Juros sobre juros sobre juros<\/strong><\/h3>\n<p>A not\u00edcia \u00e9 desagrad\u00e1vel para o governo federal: em pleno ano de elei\u00e7\u00f5es majorit\u00e1rias, a inadimpl\u00eancia das fam\u00edlias atingiu a estratosfera. O fato ajuda a explicar porque, em um eventual segundo turno entre Lula e o filho Zero 1 de Jair Bolsonaro, as pesquisas registram empate t\u00e9cnico. Mesmo com o desastre da gest\u00e3o do miliciano golpista, que nos legou 700 mil mortes na pandemia de Covid e uma perda de 3,4 anos de vida com sua postura negacionista, e est\u00e1 metido at\u00e9 o \u00faltimo fio de cabelo em esc\u00e2ndalos de corrup\u00e7\u00e3o, ainda temos quase metade de votantes do pa\u00eds se recusando a votar no atual presidente \u201ccomunista\u201d. A revela\u00e7\u00e3o da bomba do BolsoMaster, mostrando a \u201cirmandade\u201d entre Fl\u00e1vio e Vorcaro (banqueiro que levou ao extremo o abuso costumeiro do dinheiro p\u00fablico no setor), j\u00e1 deveria, sozinha, ter implodido a candidatura bolsonarista.\u00a0<\/p>\n<p>Mas, enquanto o governo se vira para tentar desenrolar momentaneamente as finan\u00e7as do pov\u00e3o, lan\u00e7ando a segunda edi\u00e7\u00e3o do Desenrola (programa direcionado a limpar HOJE o nome de pessoas inadimplentes, para que possam se endividar novamente AMANH\u00c3), h\u00e1 quem passe muito bem, sim senhor\/a. Se o endividamento da popula\u00e7\u00e3o bate nos 49,9% (praticamente metade da renda anual das fam\u00edlias e um recorde na s\u00e9rie hist\u00f3rica) e acende um alerta desagrad\u00e1vel \u00e0 atual gest\u00e3o do pa\u00eds (sobretudo porque as d\u00edvidas n\u00e3o s\u00e3o para a aquisi\u00e7\u00e3o de patrim\u00f4nio), quem comanda o sistema financeiro acha agradabil\u00edssimo o recebimento dos juros decorrentes dessa sangria infind\u00e1vel. Afinal, como a crise de 2008 explicitou, h\u00e1 sempre o dinheiro p\u00fablico para socorrer as big money, caso tomem calote.<\/p>\n<p>A cadeia de financiamento do consumo \u00e9 formada por muitos tent\u00e1culos. Sem d\u00favida, os grandes bancos, fintechs e empresas de cart\u00e3o de cr\u00e9dito abocanham parte consider\u00e1vel desse banquete. As taxas de juros pagas pela popula\u00e7\u00e3o brasileira est\u00e3o entre as mais acachapantes do planeta: 428% no cart\u00e3o de cr\u00e9dito rotativo (dados de mar\u00e7o). Segundo a Abecs (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira das Empresas de Cart\u00f5es de Cr\u00e9dito e Servi\u00e7os), o faturamento do setor foi de mais de 3 trilh\u00f5es de reais em 2025, alta de quase 15% em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 2024. A constata\u00e7\u00e3o de que h\u00e1 mais cart\u00f5es do que pessoas no pa\u00eds explicita o n\u00edvel alt\u00edssimo de depend\u00eancia deles na sustenta\u00e7\u00e3o do nosso sistema de produ\u00e7\u00e3o e consumo.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>E, nesse mar de contas vencidas, nada mais corriqueiro do que fazer empr\u00e9stimos para pagar empr\u00e9stimos inadi\u00e1veis, j\u00e1 que ir parar no Serasa significa perder o acesso a bens, servi\u00e7os e at\u00e9 a certos programas governamentais. Se os juros s\u00e3o pornogr\u00e1ficos e tudo vai virando uma bola de neve aterrorizante, paci\u00eancia\u2026 algum deus ou alguma deusa h\u00e1 de ajudar. Ironias \u00e0 parte, talvez a f\u00e9 ainda seja um dos elementos que impedem que muita gente desista da luta pela sobreviv\u00eancia, e tamb\u00e9m algo que evite que banqueiros e demais vampiros sejam queimados em fogueiras p\u00fablicas. E a teologia da prosperidade est\u00e1 a\u00ed, com suas igrejas multiplicando-se nos mais diversos territ\u00f3rios e ensinando que cada pessoa merece a riqueza que puder acumular\u2026 ou a pobreza que a botar na lona, ao n\u00e3o reunir as qualidades \u201ccrist\u00e3s\u201d adequadas ao aben\u00e7oado enriquecimento.<\/p>\n<p>Mesmo com o apoio dessa cren\u00e7a em entidades divinas que promovem justi\u00e7a e zelam por quem as louva, n\u00e3o h\u00e1 sa\u00fade que resista \u00e0 press\u00e3o \u00e0 qual as pessoas inadimplentes (as que fazem parte da rapa, \u00e9 claro) est\u00e3o sendo expostas. CEOs estressados podem at\u00e9 ter burnout e dar um tempo em cl\u00ednicas de desestresse \u2014 cuja di\u00e1ria \u00e9 mais cara do que o que eu ou voc\u00ea ganhamos em meses de trabalho duro. Mas quem deve pouco (ou praticamente nada, para os padr\u00f5es dessa elite) \u00e9 que sente o que \u00e9 n\u00e3o conseguir dormir em suas camas duras, depois de labutar o dia inteiro no trabalho e nas tarefas dom\u00e9sticas, e n\u00e3o ver perspectiva de pagar em dia as contas mais b\u00e1sicas.\u00a0<\/p>\n<p>E tamanho desequil\u00edbrio psicoemocional, agravado por condi\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas j\u00e1 problem\u00e1ticas, decorrentes da m\u00e1 alimenta\u00e7\u00e3o, do contato com poluentes e da falta de acompanhamento m\u00e9dico, vai jogar essas pessoas diretamente no colo das big pharma. Em 2025, apenas o faturamento das 20 maiores empresas farmac\u00eauticas do mundo, localizadas no norte global (com exce\u00e7\u00e3o da \u00faltima do ranking), foi de quase 1 trilh\u00e3o de d\u00f3lares. No longo prazo \u00e9 poss\u00edvel perceber o crescimento cont\u00ednuo desse volume, como mostra um estudo feito pelo IPEA em 2024. Ele destaca a oligopoliza\u00e7\u00e3o do setor e o aumento intenso das importa\u00e7\u00f5es brasileiras a partir dos anos 90.\u00a0<\/p>\n<h3><strong>Batendo ponto na farm\u00e1cia\u00a0<\/strong><\/h3>\n<p>Seja um medicamento para depress\u00e3o ou ansiedade, seja para agir no sistema cardiovascular ou no sistema digestivo, o que pesa no bolso do povo em rela\u00e7\u00e3o aos produtos adquiridos no dia a dia s\u00e3o os de uso cont\u00ednuo. Isso significa que, por n\u00e3o curarem, mas apenas controlarem o problema, ser\u00e1 necess\u00e1rio compr\u00e1-los m\u00eas sim e m\u00eas tamb\u00e9m, deixando uma parte do que se ganha na conta das empresas ligadas ao campo farmac\u00eautico. Fabricantes, como as estrangeiras que fazem parte do ranking de faturamento acima mencionado, e distribuidoras, como as redes de drogarias, contam com esse consumo fiel para manterem seus n\u00edveis de lucratividade bem saud\u00e1veis.<\/p>\n<p>Conforme a popula\u00e7\u00e3o envelhece e a qualidade de vida \u00e9 atacada por ambientes mais e mais agressivos em termos qu\u00edmicos, clim\u00e1ticos, trabalhistas e pol\u00edticos, mais doente ela fica e mais o rendimento da fam\u00edlia fica comprometido com o gasto com o chamado mercado da sa\u00fade \u2014 que na real est\u00e1 mais para o mercado da doen\u00e7a. E aqui n\u00e3o entram apenas os rem\u00e9dios, mas tamb\u00e9m os suplementos e os produtos de uso di\u00e1rio, inclusive geri\u00e1tricos, como fraldas. Planos de sa\u00fade de todos os pre\u00e7os (e qualidades) s\u00e3o oferecidos em an\u00fancios veiculados aos quatro ventos, e a quantidade de reclama\u00e7\u00f5es que geram demonstra o n\u00edvel de estresse que geram para quem se associa a eles.\u00a0<\/p>\n<p>O estudo Mercado Prateado: consumo dos brasileiros 50+ estima que, em 2044, as pessoas com mais de cinco d\u00e9cadas de estrada sejam 40% no Brasil, respondendo por 50% do que se consome no setor, valor correspondente a R$559 bilh\u00f5es (de um total de R$ 1,1 trilh\u00e3o\/ano, considerando a popula\u00e7\u00e3o como um todo).\u00a0 Nessa fase da vida, cerca de 14% da renda fica comprometida; subindo para 21% ap\u00f3s os 80 anos. Segundo um depoimento dado \u00e0 Ag\u00eancia P\u00fablica por uma das coordenadoras da pesquisa, L\u00edvia Hollerbach, \u201ca sa\u00fade realmente vai tomar grande parte do bolso do brasileiro\u201d. Mesmo que uma parte disso tudo seja fornecida pelo sistema p\u00fablico, nosso velho SUS, o dinheiro para arcar com a manuten\u00e7\u00e3o desse ciclo \u2014 que parece inescap\u00e1vel aos simples mortais \u2014 vai sair da nossa conta, via compras governamentais.\u00a0<\/p>\n<p>Outro aspecto \u00e9 que estamos observando o aumento do n\u00famero de pessoas afastadas do trabalho por problemas de sa\u00fade cl\u00ednicos ou ps\u00edquicos. Em 2025, esse n\u00famero foi de mais de 4 milh\u00f5es de trabalhadores e trabalhadoras, um recorde em rela\u00e7\u00e3o aos \u00faltimos anos. E n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico recorde lament\u00e1vel que vemos, j\u00e1 que, dentro desse volume, os \u00edndices de afastamento por problemas de sa\u00fade mental tamb\u00e9m dispararam, atingindo cerca de 550 mil casos, no mesmo per\u00edodo. As mudan\u00e7as trabalhistas ocorridas nas \u00faltimas d\u00e9cadas, com a perda de direitos, a precariza\u00e7\u00e3o\/uberiza\u00e7\u00e3o e a entrada da IA Generativa no mercado, sem d\u00favida engrossaram o caldo que comp\u00f5e esse quadro dram\u00e1tico.\u00a0<\/p>\n<p>Al\u00e9m de precisarem ser sustentadas pelo Estado e n\u00e3o exercerem as fun\u00e7\u00f5es para as quais haviam se comprometido, o que tende a sobrecarregar colegas de trabalho, elas ainda v\u00e3o demandar cuidados m\u00e9dicos, gerando custos hospitalares e farmac\u00eauticos. Daria para falarmos mais sobre o cen\u00e1rio, ao olharmos para os motoboys que, escravizados pelas plataformas de entrega, se espatifam nas ruas a todo momento, tentando ganhar o ultraprocessado de cada dia. Mas j\u00e1 abordei em profundidade a quest\u00e3o no artigo A alimenta\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria dos que entregam a comida, h\u00e1 alguns anos e, infelizmente, ele segue bem atual.<\/p>\n<p>Mais gastos com rem\u00e9dios que n\u00e3o curam equivalem a menos recursos financeiros para alimenta\u00e7\u00e3o, moradia, lazer\u2026 tudo o que poderia promover maior qualidade de vida e, portanto, mais sa\u00fade e menos doen\u00e7as. Desse modo, o endividamento, tanto familiar quanto p\u00fablico, cresce de m\u00e3os dadas com o aumento do adoecimento, em um processo retroalimentador. \u00c9 uma dupla cronifica\u00e7\u00e3o, extremamente lucrativa para as Big Money e as Big Pharma. E ela ainda acaba favorecendo um outro setor multibilion\u00e1rio: o da jogatina.<\/p>\n<p>Liberado no governo Temer, o mercado de apostas encontrou um terreno f\u00e9rtil na onipresen\u00e7a digital. Com sua propriedade t\u00edpica de turbinar o desejo de se alcan\u00e7ar status de modo instant\u00e2neo, as redes sociais adubaram o solo para a entrada avassaladora das bets na vida da popula\u00e7\u00e3o. Estas, ocupando espa\u00e7os em todos os rinc\u00f5es do universo virtual, j\u00e1 remexem, por m\u00eas, em 20 bilh\u00f5es dos suados reais de integrantes da popula\u00e7\u00e3o brasileira, segundo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, trazendo alegria para seus magnatas e para quem surfa em sua onda, como plataformas e influenciadores\/as. Que o diga Neymar(keting), pois, imediatamente ap\u00f3s ter sua participa\u00e7\u00e3o confirmada na copa (algo que ocorreu para atender os interesses publicit\u00e1rios da CBF e do mundo empresarial), j\u00e1 correu para fazer um post muito bem in$erido no calor do momento, divulgando as maledetas.\u00a0<\/p>\n<p>As bets extraem o couro de quem cai em suas garras e devem ser consideradas uma quest\u00e3o de sa\u00fade p\u00fablica, como o Brasil est\u00e1 propondo junto \u00e0 OMS, equiparando-as \u00e0 ind\u00fastria tabagista. Elas t\u00eam um papel fundamental no aumento das d\u00edvidas familiares no pa\u00eds, atuando como um catalisador. O desespero de n\u00e3o ter como pagar as pr\u00f3prias contas e a frustra\u00e7\u00e3o por n\u00e3o ter a vida suculenta, como a que gente famosa no Instagram d\u00e1 a ideia de ter, empurra as pessoas para as apostas nesses ca\u00e7a-n\u00edqueis intern\u00e9ticos, que, como prop\u00f5e o Projeto de Lei 1808\/2026, de autoria do deputado federal Pedro Uszai (PT\/SC), deveriam ser proibidos.<\/p>\n<p>Uma vez fisgadas, a chance de as pessoas se viciarem \u00e9 alta, j\u00e1 que o mecanismo que permite ganhos iniciais ilude e estimula a perman\u00eancia no jogo. At\u00e9 que perder passa a ser a rotina e os valores negativos v\u00e3o se multiplicando. Vale mencionar que o principal motivo para solicitar a autoexclus\u00e3o dessas plataformas, atrav\u00e9s da ferramenta criada pelo Minist\u00e9rio da Fazenda, \u00e9 justamente a \u201cperda de controle sobre o jogo\/ sa\u00fade mental\u201d.\u00a0\u00a0<\/p>\n<h3><strong>Big foods em cena<\/strong><\/h3>\n<p>Ansiedade, frustra\u00e7\u00e3o, falta de grana, falta de tempo\u2026 tudo isso junto e misturado joga as pessoas no colo da ind\u00fastria aliment\u00edcia. Salgadinhos, salsichas, chocolates (sem cacau!), biscoitos e refrigerantes passam a ser companheiros na rotina alimentar. Os valores acess\u00edveis, a praticidade e a onipresen\u00e7a no ambiente favorecem seu consumo. Al\u00e9m disso, s\u00e3o elaborados com doses calculadas e generosas de a\u00e7\u00facar, gordura, sal e aditivos, viciando c\u00e9rebro e paladar. D\u00e3o uma bombada no humor, ativando neurotransmissores que geram prazer, como a dopamina, sem jamais saciar as necessidades nutricionais de quem os devora.\u00a0<\/p>\n<p>O modelo agroalimentar baseado em monoculturas de commodities, como soja, milho e cana de a\u00e7\u00facar, fornece a mat\u00e9ria-prima para que a cadeia da industrializa\u00e7\u00e3o do que \u00e9 comest\u00edvel produza uma falsa variedade de op\u00e7\u00f5es no mercado. Corantes, aromatizantes, espessantes e outros \u201cantes\u201d criados em laborat\u00f3rios altamente tecnol\u00f3gicos s\u00e3o combinados para serem incorporados a essa base, de forma a gerar produtos irresist\u00edveis. \u00c9 um processo extremamente lucrativo para as chamadas big foods, as gigantes que produzem e comercializam essa desgraceira sedutora.\u00a0<\/p>\n<p>Estudos cient\u00edficos demonstram que o consumo de ultraprocessados traz danos f\u00edsicos, emocionais e cognitivos. Ele acelera o desenvolvimento das doen\u00e7as cr\u00f4nicas n\u00e3o transmiss\u00edveis, as DCNTs, como diabetes, hipertens\u00e3o e esteatose hep\u00e1tica. E est\u00e1 umbilicalmente conectado \u00e0 epidemia de obesidade, considerada, a partir de 2023, o principal fator de risco no Brasil, segundo levantamento rec\u00e9m-divulgado na Revista Lancet. Os gastos familiares e governamentais para tratar os sintomas apresentados e lidar com as consequ\u00eancias dessa situa\u00e7\u00e3o s\u00e3o infind\u00e1veis. Ponto para as big pharma, que maximizam seus lucros ao produzir e vender os rem\u00e9dios para essa massa de pessoas adoecidas e mal nutridas.\u00a0<\/p>\n<p>N\u00e3o por coincid\u00eancia, os medicamentos que turbinaram o rendimento de algumas das 20 maiores farmac\u00eauticas (que fazem parte da lista que foi citada anteriormente) foram as tais canetas emagrecedoras, desenvolvidas inicialmente para o tratamento de diabetes. Elas t\u00eam alto custo e, ao tirar um peso consider\u00e1vel do corpo de quem as utiliza, jogam um peso imenso na vida financeira, inclusive coletiva, j\u00e1 que passaram a ser custeadas pelo poder p\u00fablico em algumas localidades. Mesmo com o vencimento da patente de uma das mais usadas delas no Brasil, a expectativa \u00e9 que os valores n\u00e3o se reduzam tanto, dadas as despesas de produ\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p>E, vale lembrar, h\u00e1 efeitos colaterais que podem exigir outros rem\u00e9dios ou procedimentos \u2014 sobretudo porque o mercado clandestino est\u00e1 na ativa, promovendo altera\u00e7\u00f5es na composi\u00e7\u00e3o e falta de cuidados no armazenamento. Mesmo usando um produto legalizado e sob orienta\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, \u00e9 preciso considerar que, caso se interrompa o uso, o emagrecimento n\u00e3o apenas cessa, mas \u00e9 poss\u00edvel que os quilos perdidos deem novamente o ar da gra\u00e7a, o que \u00e9 conhecido como efeito sanfona ou rebote, e faz bastante mal ao organismo. Portanto, trata-se de um paliativo, j\u00e1 que as ra\u00edzes sociais da obesidade n\u00e3o s\u00e3o atingidas. S\u00f3 que as Big Foods n\u00e3o perdem tempo e, ao ver suas vendas de guloseimas ca\u00edrem junto a esse p\u00fablico caneteiro, j\u00e1 desenvolvem produtos espec\u00edficos para atra\u00ed-lo e abrir novas frentes de lucro.\u00a0<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 apenas a sa\u00fade de cada ser humano exposto a essa realidade que precisa ser observada. Em meio a esse ataque \u00e0s pessoas, feito em conjunto por parte das big bigs (tech, food, money e pharma), a natureza \u00e9 bombardeada incessantemente. \u00c1gua, terra, min\u00e9rios, seres vivos\u2026 tudo \u00e9 explorado para engordar contas banc\u00e1rias de uma elite que se julga dona de todos os reinos. Contamina\u00e7\u00e3o, perda da biodiversidade, esteriliza\u00e7\u00e3o dos solos e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas revelam o profundo adoecimento que esse sistema insustent\u00e1vel causa em nossa Pachamama.<\/p>\n<h3><strong>D\u00edvidas em d\u00favida<\/strong>\u00a0<\/h3>\n<p>O que temos que nos perguntar \u00e9: quem est\u00e1 em d\u00edvida com quem nessa trama de rela\u00e7\u00f5es assim\u00e9tricas? Ser\u00e1 que \u00e9 a maior parte da nossa popula\u00e7\u00e3o, financeiramente vulnerabilizada devido \u00e0 explora\u00e7\u00e3o de seus corpos, suas emo\u00e7\u00f5es e suas energias durante s\u00e9culos, que est\u00e1 devendo a uma minoria de indiv\u00edduos que voam em jatinhos e navegam em iates? Fam\u00edlias que enriqueceram a partir da escraviza\u00e7\u00e3o seguem concentrando o poder no pa\u00eds \u2014 com seus integrantes bem instalados no executivo e no legislativo, atuando para manter e at\u00e9 ampliar os pr\u00f3prios privil\u00e9gios. E, segundo relat\u00f3rio feito pelo INESC, gastamos cinco vezes mais com o pagamento de juros da \u201cd\u00edvida p\u00fablica\u201d (que jamais foi auditada) do que com investimentos feitos pelo Estado em 2025. Trata-se de uma verdadeira drenagem da grana do povo para bolsos j\u00e1 muit\u00edssimo recheados.\u00a0<\/p>\n<p>Existe uma d\u00edvida hist\u00f3rica que as classes mais ricas precisam assumir em rela\u00e7\u00e3o aos povos que elas usaram, abusaram e massacraram para erguer suas mans\u00f5es blindadas. Ind\u00edgenas, afrodescendentes e imigrantes expulsos de seus pa\u00edses por conflitos pol\u00edticos ou desestrutura\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica t\u00eam direito a cobrar parte dessa conta, j\u00e1 que ela jamais ser\u00e1 completamente paga. Afinal, o sofrimento vivenciado por gera\u00e7\u00f5es n\u00e3o pode mais ser anulado. Mas h\u00e1 que se lutar por justi\u00e7a e botar um limite na gan\u00e2ncia de quem \u00e9 viciado em multiplicar os pr\u00f3prios bilh\u00f5es. Impostos substanciosos sobre suas transa\u00e7\u00f5es \u00e9 o m\u00ednimo que devemos exigir.\u00a0<\/p>\n<p>E o que dizer da d\u00edvida que essa elite tem com o planeta? A cada ano, o Dia da Sobrecarga da Terra chega mais cedo. Desde quando come\u00e7ou a ser monitorado, na d\u00e9cada de 1970, ele vem ocorrendo em meses cada vez mais distantes do final do ano. Em 2025, a data foi 24 de julho. Isso quer dizer que neste dia a humanidade j\u00e1 consumiu tudo o que poderia na natureza, sem comprometer a capacidade desta de repor o que foi extra\u00eddo dela. Todos os demais dias do ano foram vividos a partir de \u201cempr\u00e9stimos\u201d tomados junto \u00e0s pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es de seres vivos (n\u00e3o apenas os humanos). Em bom brasileiro: devemos at\u00e9 as cal\u00e7as, pois o que temos nos bolsos n\u00e3o d\u00e1 nem para come\u00e7ar a quitar essa d\u00edvida.<\/p>\n<p>S\u00f3 que a palavra n\u00e3o \u00e9 bem \u201cdevemos\u201d\u2026 Se olharmos os n\u00edveis de consumo no planeta, h\u00e1 pa\u00edses que sugam muito mais do que os demais. E, dentro desses pa\u00edses, h\u00e1 setores espec\u00edficos da popula\u00e7\u00e3o que drenam quantidades exorbitantes de mat\u00e9ria e energia. O mais vampiresco deles \u00e9, sem d\u00favida, o dos bilion\u00e1rios. Atualmente, segundo a pesquisa World\u2019s Billionaires da Forbes, s\u00e3o 3428 indiv\u00edduos no mundo \u2014 mais um famigerado recorde para nossa cole\u00e7\u00e3o, pois o n\u00famero aumentou em mais de 400 integrantes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 2024. Juntos, eles det\u00eam uma fortuna de mais de 20 trilh\u00f5es de d\u00f3lares. E o absurdo segue\u2026\u00a0<\/p>\n<p>Para dar uma ideia do n\u00edvel de desigualdade econ\u00f4mica que nos assola, um levantamento divulgado pelo World Inequality Report revela que 0,001% mais rico possui o equivalente ao que \u00e9 detido por mais da metade da popula\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria. E, se expandirmos um pouco e olharmos para o 1% mais rico, constatamos que esse pessoal tem mais riqueza do que o restante (99%!) da tal humanidade. Como nos mostra uma an\u00e1lise feita pela Oxfam, se essa turma dependesse s\u00f3 de suas \u201ccotas da natureza\u201d para viver, ela j\u00e1 teria esgotado no dia 10 de janeiro o que pode disp\u00f4r no ano inteiro \u2014 e passaria o resto dele em d\u00edvida.\u00a0<\/p>\n<p>J\u00e1 mencionamos aqui a Meta, empresa do trilion\u00e1rio (em reais) Mark Zuckerberg, com sua d\u00edvida bilion\u00e1ria no Brasil. Big techs como a que ele controla v\u00e3o pressionar cada vez mais nosso consumo de \u00e1gua e energia, com seus data centers se espalhando no territ\u00f3rio. Tamb\u00e9m j\u00e1 citamos bancos, redes varejistas e frigor\u00edficos (todos com CEOs que t\u00eam sal\u00e1rios nas estrelas), como devedores ao Estado. Mas vale acrescentar um outro sugador de dinheiro p\u00fablico: o agroneg\u00f3cio. Ao contr\u00e1rio do que se diz na propaganda, \u00e9 ele que \u00e9 carregado nas costas pelo povo brasileiro. As d\u00edvidas do setor chegam a quase 900 bilh\u00f5es de reais e cada vez fica mais evidente que seu modelo produtivo \u00e9 insustent\u00e1vel sob todos os pontos de vista. O Projeto de Lei 5.122\/2023 ainda tenta desviar os recursos do Fundo Social do Pr\u00e9-Sal (destinados \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e meio ambiente) para financiar produtores rurais afetados pelos problemas clim\u00e1ticos que, em boa parte, ocorrem devido \u00e0 pr\u00f3pria irresponsabilidade deles.<\/p>\n<p>Isen\u00e7\u00f5es tribut\u00e1rias para agrot\u00f3xicos somam 22 bilh\u00f5es de reais ao ano. O que se deixa de arrecadar devido \u00e0 Lei Kandir (que isenta exporta\u00e7\u00f5es de commodities, incluindo min\u00e9rios) ultrapassou os 900 bilh\u00f5es de reais somente entre 1999 e 2018 (valor atualizado em 2024). Tamb\u00e9m \u00e9 preciso considerar os danos financeiros decorrentes da destrui\u00e7\u00e3o ambiental em que o Agro est\u00e1 envolvido. S\u00f3 as perdas florestais no pa\u00eds est\u00e3o batendo nos 400 bilh\u00f5es de reais, considerando seus efeitos clim\u00e1ticos. E, para cada real gasto com venenos agr\u00edcolas, a estimativa \u00e9 de um gasto de R$1,28 com as intoxica\u00e7\u00f5es agudas que eles desencadeiam na popula\u00e7\u00e3o. Ainda daria para sapecar aqui muitos outros c\u00e1lculos que demonstram como muitos furos nos bolsos governamentais s\u00e3o feitos pelo grupelho ruralista, sob o comando de suas amigas corporativas transnacionais. Mas vamos adiante\u2026<\/p>\n<h3><strong>Pulsar em ritmo ancestral<\/strong><\/h3>\n<p>O atual modelo produtivo est\u00e1 destruindo as florestas e demais ecossistemas em que animais, plantas e fungos com poderes curativos vivem. Muitos s\u00e3o conhecidos h\u00e1 gera\u00e7\u00f5es e gera\u00e7\u00f5es pelos povos tradicionais. Outros nem chegaram a ser experimentados e podem se extinguir sem que ningu\u00e9m saiba quais s\u00e3o seus poderes. E n\u00e3o estamos falando somente sobre efeitos diretos\u00a0 no organismo humano. Estamos falando de efeitos sobre toda a teia vital planet\u00e1ria. A ideia de separar nossa sa\u00fade da sa\u00fade da natureza n\u00e3o p\u00e1ra em p\u00e9 nem com mil escoras.\u00a0<\/p>\n<p>H\u00e1 um longo movimento de resist\u00eancia \u00e0 tratoragem feita pelos donos da grana sobre nossos solos f\u00edsicos e emocionais. H\u00e1 cinco s\u00e9culos, os povos origin\u00e1rios t\u00eam insistido em manter formas menos eco-suicidas de viver. Outros povos tradicionais, como os quilombolas, tamb\u00e9m nos mostram maneiras n\u00e3o agressivas de lidar com os territ\u00f3rios em que se vive. \u00c9 ineg\u00e1vel que esse ato de resistir vem sendo transformado em uma postura menos defensiva e mais propositiva nas \u00faltimas d\u00e9cadas. Basta ver o protagonismo pol\u00edtico de ind\u00edgenas e afrodescendentes nas articula\u00e7\u00f5es sociais que buscam caminhos para sair desse adoecimento cr\u00f4nico em que nossos corpos, mentes e bolsos se encontram.\u00a0<\/p>\n<p>Entre os povos campesinos e as organiza\u00e7\u00f5es de ativismo relativo \u00e0s quest\u00f5es de g\u00eanero tamb\u00e9m h\u00e1 boas novas. Uma parceria entre o MST e a Marcha das Mulheres acaba de lan\u00e7ar uma iniciativa que pode inspirar esse percurso de liberta\u00e7\u00e3o popular em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s grandes corpora\u00e7\u00f5es. A IARAA \u2013 Intelig\u00eancia Artificial da Reforma Agr\u00e1ria e Agroecologia \u2014 foi desenvolvida sem a depend\u00eancia das gigantes high tech. Ela traz informa\u00e7\u00f5es e servi\u00e7os que est\u00e3o em sintonia com o modo agroecol\u00f3gico de se relacionar com a natureza e em sociedade. N\u00e3o transforma quem a usa em cobaia e mercadoria na m\u00e3o das big techs. E, se for usada com consci\u00eancia (sem reduzir ou mesmo substituir a constru\u00e7\u00e3o conjunta do conhecimento campesino), pode estimular a regenera\u00e7\u00e3o da natureza e a produ\u00e7\u00e3o de comida de verdade, aquela que gera sa\u00fade e n\u00e3o doen\u00e7a.\u00a0<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, contribui para fortalecer quem luta pela Reforma Agr\u00e1ria, processo essencial para mexer na estrutura que gera o endividamento das fam\u00edlias. Democratizar o acesso \u00e0 terra (e ao conhecimento para cuidar dela) \u00e9 um passo insubstitu\u00edvel para reduzir a explora\u00e7\u00e3o do sistema financeiro sobre as pessoas. Mais renda para a Agricultura Familiar, mais alimentos saud\u00e1veis a pre\u00e7os justos para a popula\u00e7\u00e3o, menos monoculturas de commodities envenenando nossos ecossistemas e extraindo benesses fiscais do poder p\u00fablico, menos ultraprocessados invadindo as refei\u00e7\u00f5es e drenando dinheiro do povo para a ind\u00fastria aliment\u00edcia, menos v\u00edcios em aditivos\u2026\u00a0<\/p>\n<p>A luta pela redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho \u00e9 outro exemplo de abertura de fissuras no sistema adoecedor que nos enreda. Trabalhar 6 dias da semana, muitas vezes em v\u00e1rios empregos precarizados ao mesmo tempo \u2014 o que requer o uso de quase todas as horas dispon\u00edveis e produz sofrimento psicoemocional \u2014 , \u00e9 completamente desastroso. Acidentes, redu\u00e7\u00e3o da produtividade, afastamento por doen\u00e7as\u2026 tudo isso poderia ser reduzido se adot\u00e1ssemos uma distribui\u00e7\u00e3o menos draconiana do tempo, como prop\u00f5e a PEC da escala 6\u00d71, que finalmente foi aprovada na C\u00e2mara dos\/as deputados\/as e agora segue para aprecia\u00e7\u00e3o no Senado. E ainda abriria espa\u00e7o para a entrada de mais pessoas na ativa, ocupando os turnos vagos pela redu\u00e7\u00e3o das jornadas.\u00a0<\/p>\n<p>Seres vivos (incluindo os humanos) t\u00eam grande capacidade de se recuperar de desequil\u00edbrios. Se estamos cronicamente doentes e inadimplentes, \u00e9 porque um conjunto de for\u00e7as corporativas lucra com nossa situa\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica. Big techs, big foods, big pharma e big money (para mencionar apenas os setores sobre os quais falei aqui) nos enredam num circuito labir\u00edntico, em que todas lucram com nossas depend\u00eancias e limita\u00e7\u00f5es. Romper estas pesadas correntes exige mudan\u00e7as estruturais que passam por desfazer os la\u00e7os hist\u00f3ricos entre os diversos oligop\u00f3lios que dominam a sociedade. Sabemos que \u00e9 uma batalha mais do que \u00e1rdua, mas precisamos encar\u00e1-la.\u00a0<\/p>\n<p>Individualmente, a busca por direitos, por sa\u00fade e por equil\u00edbrio \u00e9 apenas um cisco no olho do furac\u00e3o. Desvendar as tramas entre os diferentes setores corporativos, unir as causas pelas quais se luta e as for\u00e7as de quem luta por elas \u00e9 abrir possibilidades reais de transforma\u00e7\u00e3o. Nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s da Am\u00e9rica Latina est\u00e3o reagindo vigorosamente ao ataque sofrido pela nova onda colonialista em curso. Podemos e devemos somar nossas energias nessa caminhada. Para inspirar o percurso, compartilho aqui a Cartilha Mulheres-\u00c1rvore, fruto de um projeto que j\u00e1 tem mais de tr\u00eas d\u00e9cadas e atua na constru\u00e7\u00e3o dos saberes medicinais no RS. Recomendo que assistam o v\u00eddeo que acompanha o texto descritivo. Ele nos instiga a cultivar a alegria e a nos mantermos brincantes e dan\u00e7antes, mobilizando uma for\u00e7a que \u00e9, sim, revolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p>Que o ritmo da batida do cora\u00e7\u00e3o de nossa Pachamama ecoe dentro de n\u00f3s. Que tenhamos for\u00e7as para exigir que quem est\u00e1 no topo do topo do topo dos imp\u00e9rios financeiros \u2014 e est\u00e1 sugando seu sangue (do qual o nosso faz parte) \u2014 seja responsabilizado pelos danos causados a ela. E que pague tudo aquilo que lhe deve. Com juros e corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria, como essa corja sabe muito bem cobrar do povo!<\/p>\n<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Sem publicidade ou patroc\u00ednio, dependemos de voc\u00ea. Fa\u00e7a parte do nosso grupo de apoiadores e ajude a manter nossa voz livre e plural: <strong>apoia.se\/outraspalavras<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>The post Doen\u00e7as e d\u00edvidas cr\u00f4nicas: o duplo veneno\u00a0 appeared first on Outras Palavras.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/legislacao-sem-dentes-regulamentacao-das-plataformas-digitais-no-brasil-esta-em-vias-de-sucumbir-aos-interesses-das-big-techs\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Legisla\u00e7\u00e3o sem dentes: Regulamenta\u00e7\u00e3o das platafor...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/%f0%9f%9a%a9novo-%f0%9f%93%bb-%f0%9f%8e%99%ef%b8%8f-%f0%9f%92%9c-mes-das-mulheres-entrevista-deputada-maria-do-rosario-rs\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">\ud83d\udea9NOVO \ud83d\udcfb \ud83c\udf99\ufe0f- \ud83d\udc9c- M\u00eas das Mulheres \u2013 Entrevista \u2013 Dep...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/ira-dispara-misseis-contra-base-militar-dos-eua-no-catar-e-no-iraque\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Ir\u00e3 dispara m\u00edsseis contra base militar dos EUA no...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/quase-85-da-populacao-preta-no-brasil-afirma-ter-sofrido-discriminacao-racial\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Quase 85% da popula\u00e7\u00e3o preta no Brasil afirma ter ...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como ansiedade, precariza\u00e7\u00e3o, endividamento e captura do tempo levam milh\u00f5es ao consumo de ultraprocessados? Quais as conex\u00f5es entre ind\u00fastria aliment\u00edcia, rentismo e big techs? Por que \u00e9 preciso apostar em alternativas radicais, como a agroecologia?<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/descolonizacoes\/doencas-e-dividas-cronicas-o-duplo-veneno\/\">Doen\u00e7as e d\u00edvidas cr\u00f4nicas: o duplo veneno\u00a0<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":89496,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[1308,596,597,6477,637,36548,746,5599,47000,62881,62882,38046,1830,62883,47435,52441,62884,62885,30649,124,55463,62886,195,31374,126,609,62887,16688],"tags":[],"class_list":["post-89495","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-banqueiros","category-bets","category-big-techs","category-bilionarios","category-bolsa-familia","category-bolsomaster","category-credito","category-descolonizacoes","category-desenrola-brasil","category-desequilibrios-psicoemocionais","category-destruicao-do-planeta","category-direito-das-mulheres","category-dividas","category-elite-assanhada","category-empresas-devedoras","category-endividamento-das-familias","category-grupo-itau","category-high-tech","category-industria-alimenticia","category-juros","category-populacao-vulneravel","category-programacao-publicitaria","category-reforma-agraria","category-remedios","category-saude","category-sistema-financeiro","category-sociedade-ultrafinancista","category-sonegacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89495","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=89495"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89495\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/89496"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=89495"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=89495"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=89495"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}