{"id":89509,"date":"2026-05-29T14:54:22","date_gmt":"2026-05-29T17:54:22","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/quando-a-cnbb-enfrentava-o-atraso\/"},"modified":"2026-05-29T14:54:22","modified_gmt":"2026-05-29T17:54:22","slug":"quando-a-cnbb-enfrentava-o-atraso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/quando-a-cnbb-enfrentava-o-atraso\/","title":{"rendered":"Quando a CNBB enfrentava o atraso\u00a0"},"content":{"rendered":"<figure><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1280\" height=\"720\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/domhelder1134586.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/domhelder1134586.jpg 1280w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/domhelder1134586-300x169.jpg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/domhelder1134586-768x432.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1280px) 100vw, 1280px\"><figcaption>Dom H\u00e9lder, um influente l\u00edder religioso brasileiro em uma das grandes celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas em Recife, no Pernambuco. Imagem: Divulga\u00e7\u00e3o.<\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<p><imgsrc=\"\" width=\"1\" height=\"1\" alt=\".\" border=\"0\">\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Por <strong>Ramon Feliphe Souza <\/strong>para a coluna da <em>Biblioteca Virtual do Pensamento Social (BVPS)<\/em> | Edi\u00e7\u00e3o: <strong>Maur\u00edcio Ayer (TEL\/UnB)<\/strong>, no <em>Projeto Caminho de Formiga<\/em><\/p>\n<p>H\u00e1 70 anos, o Nordeste tornou-se palco de um evento singular na hist\u00f3ria pol\u00edtica brasileira: a primeira edi\u00e7\u00e3o do Encontro dos Bispos do Nordeste, realizada em 1956, em Campina Grande (PB). Tr\u00eas anos depois, em 1959, foi a vez da capital potiguar, Natal (RN), sediar a segunda edi\u00e7\u00e3o do encontro. Embora frequentemente mencionados pela historiografia, esses eventos permanecem pouco explorados em sua g\u00eanese, din\u00e2mica interna e efeitos mais duradouros.<\/p>\n<p>Convocados por bispos nordestinos articulados pela Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em plena experi\u00eancia democr\u00e1tica do per\u00edodo 1945\u20131964, os encontros reuniram lideran\u00e7as religiosas, t\u00e9cnicos do Estado e o presidente da Rep\u00fablica, Juscelino Kubitschek (1956\u20131961), em torno de uma agenda ambiciosa: o enfrentamento do subdesenvolvimento brasileiro, com foco especial no Nordeste. O jornal potiguar, <em>Di\u00e1rio da Noite,<\/em> destacou que as duas edi\u00e7\u00f5es dos encontros dos bispos do Nordeste resultaram na assinatura de 49 decretos presidenciais e na mobiliza\u00e7\u00e3o de cerca de 1,2 bilh\u00e3o de cruzeiros em recursos p\u00fablicos, envolvendo 37 \u00f3rg\u00e3os federais, bancos estatais e institui\u00e7\u00f5es de assist\u00eancia t\u00e9cnica. Esses dados evidenciam uma dimens\u00e3o ainda pouco analisada no pensamento social brasileiro: a influ\u00eancia de segmentos da Igreja Cat\u00f3lica na formula\u00e7\u00e3o e execu\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas durante o governo Juscelino Kubitschek (1956\u20131961) e na defini\u00e7\u00e3o do que veio a se constituir como \u201cNordeste subdesenvolvido\u201d. Mais do que uma nova postura pastoral inspirada por uma nova doutrina social da Igreja Cat\u00f3lica (<em>Rerum Novarum<\/em>, 1891), tratava-se da constru\u00e7\u00e3o de uma proposta pol\u00edtica pr\u00f3pria de desenvolvimento, o chamado <em>desenvolvimento integral<\/em>[1], que articulava dimens\u00f5es econ\u00f4micas, sociais, sanit\u00e1rias e tamb\u00e9m espirituais.<\/p>\n<div>\n<div><imgsrc=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Prancheta--44.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Prancheta--44.png 680w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Prancheta-4-300x110.png 300w\" sizes=\"(max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Em um pa\u00eds majoritariamente rural e marcado por profundas desigualdades regionais, os bispos do Nordeste emergiram como mediadores entre o Estado e a popula\u00e7\u00e3o. Defendiam pol\u00edticas fundamentadas em diagn\u00f3sticos sociol\u00f3gicos, especialmente nos estudos de comunidade, pelo seu car\u00e1ter pr\u00e1tico para fundamentar interven\u00e7\u00f5es no meio rural. Regi\u00e3o densamente povoada e fortemente impactada pela concentra\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria, o Nordeste era frequentemente atingido por secas que acirravam o ciclo de pobreza, adoecimento e migra\u00e7\u00e3o for\u00e7ada de sua popula\u00e7\u00e3o. Sob a lideran\u00e7a do bispo cearense Dom H\u00e9lder C\u00e2mara, ent\u00e3o secret\u00e1rio-geral da CNBB, diferentes dioceses brasileiras passaram a articular uma agenda comum de enfrentamento \u00e0s desigualdades, especialmente no Nordeste \u2013 que tamb\u00e9m era a regi\u00e3o de origem da maioria dos bispos signat\u00e1rios da CNBB (Costa, 2014). Para tal, os bispos estimularam a realiza\u00e7\u00e3o de \u201cexperi\u00eancias-piloto\u201d, isto \u00e9, iniciativas locais de diversos tipos voltadas \u00e0 melhoria da educa\u00e7\u00e3o, \u00e0 sa\u00fade e ao bem-estar social das comunidades sob sua influ\u00eancia.<\/p>\n<p>Nesse contexto, a Igreja Cat\u00f3lica deu forma a programas educacionais via r\u00e1dio, col\u00f4nias agr\u00edcolas, a\u00e7\u00f5es de extens\u00e3o rural e projetos habitacionais. Entre essas frentes, destacaram-se as <strong>semanas ruralistas<\/strong> (SR\u2019s), que foram as principais refer\u00eancias e inspira\u00e7\u00e3o para a realiza\u00e7\u00e3o dos Encontros dos Bispos do Nordeste.<\/p>\n<h3><strong>Semanas ruralistas: f\u00e9, ci\u00eancia e a\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p>A busca pelo desenvolvimento consolidou-se no p\u00f3s-Segunda Guerra Mundial, tendo o Norte Global como uma refer\u00eancia no quesito \u201cna\u00e7\u00f5es desenvolvidas\u201d. No Brasil, essa agenda ganhou urg\u00eancia em meio \u00e0 instabilidade pol\u00edtica da d\u00e9cada de 1950, marcada pela posse turbulenta de Juscelino Kubitschek, pela reorganiza\u00e7\u00e3o das Ligas Camponesas no Nordeste e pela intensifica\u00e7\u00e3o dos fluxos migrat\u00f3rios internos.<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio, diferentes dioceses passaram a mobilizar bispos, sacerdotes e leigos que recorreram \u00e0s ci\u00eancias sociais, especialmente \u00e0 sociologia rural, como instrumento de diagn\u00f3stico e interven\u00e7\u00e3o. Essa aproxima\u00e7\u00e3o aos m\u00e9todos da sociologia permitiu \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica produzir leituras sistem\u00e1ticas sobre a realidade agr\u00e1ria brasileira e, simultaneamente, contribuiu para a circula\u00e7\u00e3o e institucionaliza\u00e7\u00e3o das ci\u00eancias sociais no pa\u00eds. Tal articula\u00e7\u00e3o se expressou fortemente nas semanas ruralistas. Esses eventos, que eram realizados no Brasil desde os anos 1930, ao longo do tempo envolveram diferentes atores. Inicialmente organizadas por entidades privadas e, posteriormente, apoiadas pelo Estado, foi a partir da d\u00e9cada de 1950, quando passaram a ser promovidas pela Igreja Cat\u00f3lica, que se expandiram de modo mais sistem\u00e1tico.<\/p>\n<p>Com dura\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de cinco a sete dias, as semanas ruralistas reuniam atividades formativas, demonstra\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas e debates com especialistas, tendo como objetivo central a melhoria das condi\u00e7\u00f5es de vida das popula\u00e7\u00f5es rurais. Antes mesmo da realiza\u00e7\u00e3o das semanas, sacerdotes e leigos eram capacitados para atuar como mediadores entre t\u00e9cnicos especializados e para aplicar question\u00e1rios aos fi\u00e9is das comunidades locais para sistematizar informa\u00e7\u00f5es sobre a realidade local.<\/p>\n<figure><figcaption><strong>FIGURA 1: <\/strong>Recortes Jornais: Engajamento do clero cat\u00f3lico e a tem\u00e1tica rural. <strong>FONTE<\/strong>: <em>Jornal do Dia<\/em> [Rio de Janeiro], 21\/06\/1956: 8; <em>Correio da Manh\u00e3<\/em> [Rio de Janeiro], 23\/05\/1956: 4.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Ao final de cada evento, relat\u00f3rios finais sintetizavam os debates e conclus\u00f5es da semana ruralista e apresentavam recomenda\u00e7\u00f5es aos governos locais. A primeira semana ruralista organizada por uma diocese cat\u00f3lica ocorreu em Caxambu (MG) e resultou na carta pastoral <em>\u201c<\/em>Conosco, sem n\u00f3s ou contra n\u00f3s, se far\u00e1 a Reforma Rural<em>\u201d<\/em> (1950), de Dom Inoc\u00eancio Engelke, considerada o primeiro documento cat\u00f3lico explicitamente favor\u00e1vel \u00e0 reforma agr\u00e1ria. Em 1955, ocorreu a assinatura de um acordo entre a CNBB e o Minist\u00e9rio da Agricultura que garantiu financiamento e amplia\u00e7\u00e3o da realiza\u00e7\u00e3o das semanas ruralistas em todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Apesar da multiplica\u00e7\u00e3o dessas iniciativas, seus efeitos mostraram-se limitados diante da persist\u00eancia da pobreza estrutural, especialmente no Nordeste. Reformas estruturais defendidas por setores do episcopado, como a reforma agr\u00e1ria, foram progressivamente substitu\u00eddas por estrat\u00e9gias de moderniza\u00e7\u00e3o produtiva, sem enfrentamento direto da concentra\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria. Foi nesse contexto que os bispos nordestinos, munidos da experi\u00eancia acumulada pelas semanas ruralistas, passaram a articular respostas consideradas mais efetivas. Inspirada nesses eventos, a CNBB promoveu a primeira edi\u00e7\u00e3o do Encontro dos Bispos do Nordeste, em Campina Grande. O encontro, assim como as SR\u2019s, convocava diversos segmentos da sociedade brasileira e foi precedido por reuni\u00f5es preparat\u00f3rias nas quais se elaboraram diagn\u00f3sticos regionais e se definiram os eixos tem\u00e1ticos do evento.<\/p>\n<div>\n<div><imgsrc=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/HUCITEC-basaglia3-2.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/HUCITEC-basaglia3-2.png 728w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/HUCITEC-basaglia3-300x37.png 300w\" sizes=\"(max-width: 728px) 100vw, 728px\" width=\"728\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Uma dessas reuni\u00f5es preparat\u00f3rias chama a aten\u00e7\u00e3o: o encontro foi marcado por debates sobre coloniza\u00e7\u00e3o e agricultura nos chamados \u201cvales \u00famidos\u201d, no estado do Rio Grande do Norte. Na ocasi\u00e3o, o governador Dinarte Mariz (1903-1984), do partido Uni\u00e3o Democr\u00e1tica Nacional (UDN), argumentou que, para aquela regi\u00e3o, seria mais vi\u00e1vel a chegada de energia el\u00e9trica oriunda de Paulo Afonso, na Bahia, do que a drenagem dos vales \u00famidos em seu estado. Em contraste, defendeu que o vale seco do munic\u00edpio de A\u00e7u, no interior potiguar, apresentava maior potencial econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>T\u00e9cnicos e especialistas discordaram. Entre eles, o soci\u00f3logo H\u00e9lio Galv\u00e3o, que sustentou que as limita\u00e7\u00f5es dos vales \u00famidos poderiam ser \u201cfacilmente corrigidas\u201d para fins agr\u00edcolas, destacando, inclusive, a porosidade do solo como fator favor\u00e1vel ao armazenamento das \u00e1guas pluviais. Ao encerrar sua exposi\u00e7\u00e3o, o governador sintetizou sua posi\u00e7\u00e3o com uma frase emblem\u00e1tica: \u201cPaulo Afonso \u00e9 outro Nordeste.\u201d Essa afirma\u00e7\u00e3o evidencia como a pr\u00f3pria ideia de Nordeste ainda estava em disputa. Havia entendimentos divergentes sobre quais a\u00e7\u00f5es deveriam ser priorizadas para promover o desenvolvimento regional e, em \u00faltima inst\u00e2ncia, sobre o que se entendia por Nordeste.<\/p>\n<p>Na mesma reuni\u00e3o preparat\u00f3ria, Dinarte Mariz defendeu a constru\u00e7\u00e3o de a\u00e7udes particulares, sustentando que o Rio Grande do Norte n\u00e3o seria um estado marcado por latif\u00fandios. Para o governador, a aposta deveria recair sobre a pecu\u00e1ria, cuja rentabilidade considerava superior \u00e0 da agricultura. Entretanto, os dados do IBGE para o per\u00edodo contrastavam com essa narrativa e indicavam uma estrutura fundi\u00e1ria altamente concentrada no estado, com dom\u00ednio da terra restrito a poucas fam\u00edlias, as mesmas que controlavam a pol\u00edtica estadual e a representa\u00e7\u00e3o federal.<\/p>\n<p>Esses debates preparat\u00f3rios ajudam a compreender que os conv\u00eanios e decretos firmados durante o Encontro dos Bispos do Nordeste foram resultado de negocia\u00e7\u00f5es entre diferentes segmentos da sociedade, portadores de vis\u00f5es concorrentes sobre o desenvolvimento e sobre o pr\u00f3prio significado do Nordeste. Experi\u00eancias locais e regionais se cruzaram e, sob a influ\u00eancia decisiva dos bispos nordestinos, sustentaram um movimento que buscava enfrentar aquilo que, \u00e0 \u00e9poca, era apontado como entraves estruturais ao desenvolvimento regional: a falta de ind\u00fastrias e o \u00eaxodo rural.<\/p>\n<p>O engajamento dos bispos da CNBB em convocar um encontro para debater a agenda de desenvolvimento da regi\u00e3o contribuiu decisivamente para consolidar a no\u00e7\u00e3o de um Nordeste subdesenvolvido como problema nacional. Esse engajamento, especialmente em sua interface com o desenvolvimento, permanece pouco explorado pelo pensamento social brasileiro.<\/p>\n<h3><strong>O I Encontro dos Bispos do Nordeste: \u201cJuscelino far\u00e1 e a Igreja vigiar\u00e1\u201d<\/strong><\/h3>\n<p>Entre 21 e 26 de maio de 1956, Campina Grande recebeu representantes de \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos, lideran\u00e7as regionais, intelectuais e setores da sociedade civil. Tratava-se de uma articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica regional in\u00e9dita, marcada pelo uso recorrente de termos como <strong>democracia<\/strong>, <strong>coopera\u00e7\u00e3o e planejamento<\/strong>. A cidade paraibana foi escolhida como sede e \u201cexperi\u00eancia-piloto\u201d por j\u00e1 concentrar projetos em andamento, apesar de enfrentar severas car\u00eancias estruturais de abastecimento de \u00e1gua e energia el\u00e9trica. Chama a aten\u00e7\u00e3o o fato de que debates sobre projetos robustos de desenvolvimento tenham ocorrido \u00e0 luz de velas.<\/p>\n<div>\n<figure><figcaption><strong>FIGURA 2: <\/strong>Presidente Juscelino Kubistchek e os bispos nordestinos durante o IEBN. <strong>FONTE:<\/strong> Arquivo Nacional \u2013 Fundo Nacional.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>O Encontro em Campina Grande foi organizado em seis eixos tem\u00e1ticos apresentados por especialistas nordestinos: Planejamento, com R\u00f4mulo de Almeida; Agricultura, Cr\u00e9dito e Coloniza\u00e7\u00e3o, com Jo\u00e3o Gon\u00e7alves de Souza; Servi\u00e7o Social, com Aylda Pereira Reis, \u00fanica mulher respons\u00e1vel por um dos temas; Energia El\u00e9trica, com Edgar Amarante; Programas de Execu\u00e7\u00e3o Imediata, com Manuel Diegues; e A Igreja e os Problemas Sociais, com Dom Jos\u00e9 T\u00e1vora. Tamb\u00e9m se destacaram as falas de Dom H\u00e9lder C\u00e2mara, relator-geral do evento, e do presidente da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p>No discurso de encerramento, Juscelino Kubitschek enfatizou o car\u00e1ter do \u201cencontro\u201d como espa\u00e7o de coopera\u00e7\u00e3o entre os poderes temporal e espiritual. O presidente defendeu a cria\u00e7\u00e3o de um <strong>Plano do Nordeste<\/strong>, concebido como um sistema cooperativo entre Uni\u00e3o, estados, munic\u00edpios e iniciativa privada, com o objetivo de criar condi\u00e7\u00f5es para a perman\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o em sua regi\u00e3o de origem.<\/p>\n<p>Ao final do evento, foi redigida a <strong>Declara\u00e7\u00e3o dos Bispos do Nordeste<\/strong>, na qual vinte bispos da regi\u00e3o reafirmaram seu papel de mediadores sociais, sintetizado na frase de Dom H\u00e9lder C\u00e2mara: \u201cJuscelino far\u00e1 e a Igreja vigiar\u00e1\u201d. Muitas das propostas discutidas foram incorporadas \u00e0 agenda governamental por meio da assinatura de 19 decretos federais: ferrovias, a\u00e7udes, estradas, eletrifica\u00e7\u00e3o, programas de coloniza\u00e7\u00e3o, moderniza\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, campanhas sanit\u00e1rias e distribui\u00e7\u00e3o de medicamentos. Esse di\u00e1logo entre Igreja, Estado e sociedade projetou-se como uma experi\u00eancia in\u00e9dita de articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica em torno do desenvolvimento.<\/p>\n<h3><strong>O Encontro de Natal e o encerramento de um ciclo democr\u00e1tico<\/strong><\/h3>\n<p>Uma segunda edi\u00e7\u00e3o do Encontro dos Bispos do Nordeste ocorreu na capital potiguar, Natal, entre 24 e 26 de maio de 1959. O objetivo era duplo: avaliar as medidas implementadas desde 1956 e, sobretudo, apresentar um balan\u00e7o cr\u00edtico do governo Juscelino Kubitschek, que se aproximava do final de seu mandato.<\/p>\n<p>\u00a0Entre as duas edi\u00e7\u00f5es dos encontros dos bispos, as semanas ruralistas permaneceram como uma das principais frentes de atua\u00e7\u00e3o das dioceses cat\u00f3licas.\u00a0 Em Natal, destacava-se a atua\u00e7\u00e3o do ent\u00e3o padre Eug\u00eanio Sales, que desde 1945 trabalhava junto ao Servi\u00e7o de Assist\u00eancia Rural (SAR), uma das experi\u00eancias mais organizadas e duradouras de a\u00e7\u00e3o social cat\u00f3lica no pa\u00eds. A arquidiocese de Natal foi uma das primeiras a realizar semanas ruralistas, ainda em 1951, e acumulava experi\u00eancia que influenciaria diretamente os debates do encontro de 1959.<\/p>\n<p>O encontro de Natal realizou-se em um contexto pol\u00edtico mais contencioso do que aquele de 1956. Uma seca em 1958 contribuiu para a migra\u00e7\u00e3o de cerca de 500 mil nordestinos, somada ao recrudescimento da Guerra Fria devido \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o Cubana de janeiro de 1959, que ampliou o peso do anticomunismo no debate p\u00fablico. Temas como reforma agr\u00e1ria, que foram atenuados na primeira edi\u00e7\u00e3o em detrimento da moderniza\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, tornaram-se praticamente incontorn\u00e1veis. Mencion\u00e1-los, por\u00e9m, tornava-se ao mesmo tempo mais desafiador.<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio, nem mesmo o anticomunismo que marcava as a\u00e7\u00f5es da Igreja Cat\u00f3lica, defendendo reformas em uma perspectiva de \u201cantecipa\u00e7\u00e3o das agita\u00e7\u00f5es sociais\u201d, como uma terceira via entre liberalismo e comunismo, foi suficiente para blindar a CNBB de cr\u00edticas ao seu engajamento pol\u00edtico. No interior da pr\u00f3pria hierarquia cat\u00f3lica, bispos mais conservadores como Dom Ant\u00f4nio de Castro Mayer (1904-1991), bispo de Campos, e Dom Geraldo de Proen\u00e7a Sigaud, arcebispo de Diamantina (1909-1999), passaram a se articular contra o grupo que, por meio da CNBB, vinha estreitando v\u00ednculos com ag\u00eancias p\u00fablicas e defendendo reformas estruturais.<\/p>\n<p>Embora professasse a mesma f\u00e9, esses bispos mais conservadores optaram por alinhar-se a interesses tradicionais e acabaram apoiando o movimento golpista que interromperia um per\u00edodo f\u00e9rtil de di\u00e1logo entre o Estado e diversos setores da sociedade a partir de 1964. Esse epis\u00f3dio, de modo mais amplo, evidencia como o engajamento religioso pode tanto impulsionar quanto deformar experi\u00eancias democr\u00e1ticas e projetos de desenvolvimento mais participativos. A religi\u00e3o, nesse sentido, revela-se amb\u00edgua, mas nunca irrelevante.<\/p>\n<p>Um dos primeiros resultados do evento em Natal foi justamente a avalia\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel que os bispos fizeram das a\u00e7\u00f5es do governo federal na regi\u00e3o. Essa leitura, contudo, atenuava fatores de ordem econ\u00f4mica, sanit\u00e1ria, ambiental e social que intensificavam as demandas por novas abordagens para o Nordeste durante o governo de Juscelino Kubitschek. Mas, apesar da avalia\u00e7\u00e3o positiva, durante o encontro, a CNBB n\u00e3o deixou de registrar cr\u00edticas e de apontar caminhos considerados mais vi\u00e1veis para a consolida\u00e7\u00e3o de um desenvolvimento integral. Essa postura de apoio cr\u00edtico constitui uma das virtudes fundamentais da democracia: a possibilidade de discordar, avaliar e propor alternativas.<\/p>\n<p>Na vis\u00e3o do presidente, o IIEBN representava um exemplo emblem\u00e1tico das \u201c\u00edntimas rela\u00e7\u00f5es que se estabeleceram no Brasil entre o poder espiritual e o poder temporal, independentes, mas prontos a todas as formas de coopera\u00e7\u00e3o eficaz, dentro do respeito m\u00fatuo e em benef\u00edcio do interesse nacional\u201d. Nessa edi\u00e7\u00e3o do evento, ficou evidente que, apesar das contribui\u00e7\u00f5es significativas dos bispos, incluindo projetos robustos de infraestrutura, somente com a cria\u00e7\u00e3o da Superintend\u00eancia de Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE), institu\u00edda pela Lei n\u00ba 3.692, de 1959, ao final do governo Kubitschek, estruturar-se-ia um plano mais sistem\u00e1tico de desenvolvimento e industrializa\u00e7\u00e3o regional.<\/p>\n<p>No encerramento do encontro, Dom H\u00e9lder C\u00e2mara sintetizou os trabalhos afirmando que os bispos haviam sido bem-sucedidos ao demonstrar que era poss\u00edvel articular \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos que at\u00e9 ent\u00e3o atuavam de forma dispersa no Nordeste. Os bispos parabenizaram a chamada Opera\u00e7\u00e3o Nordeste (OPENO), que culminou com a cria\u00e7\u00e3o da autarquia da SUDENE. O bispo cearense concluiu sua participa\u00e7\u00e3o afirmando que o desejo da Igreja Cat\u00f3lica era o de <em>\u201clivrar o mundo do subdesenvolvimento.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Ap\u00f3s tr\u00eas dias de ora\u00e7\u00f5es e estudos, os bispos divulgaram uma nova <strong>Declara\u00e7\u00e3o dos Bispos do Nordeste<\/strong>, assinada por 22 sacerdotes. O documento reafirmava o apoio ao governo de Juscelino Kubitschek e defendia a necessidade de um planejamento econ\u00f4mico que incorporasse dimens\u00f5es humanas e sociais, de modo a evitar solu\u00e7\u00f5es \u201cinumanas e irreais\u201d. Essa edi\u00e7\u00e3o do evento foi marcada pela assinatura de 30 decretos federais \u2014 dez a mais do que na edi\u00e7\u00e3o de Campina Grande \u2013 que enfatizavam o cooperativismo, a extens\u00e3o rural e a educa\u00e7\u00e3o de base, abrangendo os estados compreendidos no territ\u00f3rio do <strong>Pol\u00edgono das Secas<\/strong>[2], como Alagoas, Bahia, Cear\u00e1, Maranh\u00e3o, Minas Gerais, Para\u00edba, Pernambuco e Piau\u00ed.<\/p>\n<p>Os encontros convocados pelos bispos ampliam o ainda pouco explorado repert\u00f3rio de experi\u00eancias brasileiras em busca de modelos de desenvolvimento mais inclusivos e igualit\u00e1rios, reafirmando a centralidade do di\u00e1logo democr\u00e1tico. Contudo, mesmo advertido por setores reformistas da Igreja Cat\u00f3lica sobre os limites de um modelo de desenvolvimento estritamente econ\u00f4mico, o Estado brasileiro priorizou a industrializa\u00e7\u00e3o como vetor de desenvolvimento e a constru\u00e7\u00e3o de uma nova capital, sem enfrentar de forma decisiva outras reformas, como a reforma agr\u00e1ria.<\/p>\n<p>A incapacidade do governo federal de aplicar medidas mais integrais, isto \u00e9, de um ponto de vista de um desenvolvimento crist\u00e3o \u2013 como era reivindicado pelos bispos nordestinos \u2013 d\u00e1 sinais de sua dimens\u00e3o autorit\u00e1ria e conservadora antes mesmo do golpe de 1964, haja vista o car\u00e1ter vertical das a\u00e7\u00f5es. A op\u00e7\u00e3o por um modelo de desenvolvimento cuja \u00eanfase na industrializa\u00e7\u00e3o n\u00e3o ocorria na mesma propor\u00e7\u00e3o que nas quest\u00f5es fundamentais para o bem-estar e a cidadania da popula\u00e7\u00e3o \u2013 como sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o \u2013 ajudam a expor os limites da democracia no per\u00edodo.<\/p>\n<h3><strong>Considera\u00e7\u00f5es finais<\/strong><\/h3>\n<p>Frequentemente reduzido, no senso comum, a uma regi\u00e3o marcada pela seca e pela pobreza, o Nordeste ocupa lugar central na hist\u00f3ria e no pensamento social brasileiro. Entre os anos de 1950 e 1964, um grupo de bispos cat\u00f3licos, por meio da CNBB, contribuiu para a constru\u00e7\u00e3o de um Brasil marcado por maior participa\u00e7\u00e3o civil.Os bispos nordestinos promoveram encontros n\u00e3o apenas com o presidente da Rep\u00fablica, mas entre um Brasil e um Nordeste que buscavam se conhecer e que, em comum, acusavam certo distanciamento da aten\u00e7\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, os alertas recorrentes dos bispos de que desenvolvimento n\u00e3o se reduzia \u00e0 industrializa\u00e7\u00e3o nem sempre encontraram eco nas pol\u00edticas implementadas. A realidade de viol\u00eancia, mis\u00e9ria e concentra\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria pouco se alterou no intervalo entre os dois encontros, pelo menos at\u00e9 a cria\u00e7\u00e3o da SUDENE, ao final do governo Kubitschek. De todo modo, experi\u00eancias como a articula\u00e7\u00e3o promovida pelos bispos nordestinos permanecem pouco exploradas como estrat\u00e9gias regionais de enfrentamento das assimetrias em sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, direitos sociais e desenvolvimento. Recuperar essa experi\u00eancia hist\u00f3rica ajuda a ampliar o repert\u00f3rio de provas tang\u00edveis da exist\u00eancia de outras possibilidades de se promover o desenvolvimento (Ioris, 2017). Mais recentemente, iniciativas como o Cons\u00f3rcio Nordeste, reunindo governadores de estados da regi\u00e3o, criado em resposta \u00e0 neglig\u00eancia do governo federal (2019-2022) durante a crise da pandemia de Covid-19, ecoam essa tradi\u00e7\u00e3o ainda pouco explorada de organiza\u00e7\u00e3o regional em defesa de interesses comuns e enriquecem o repert\u00f3rio de aprendizado social no Nordeste.<\/p>\n<hr>\n<p><strong>Notas<\/strong><\/p>\n<p>[1] Al\u00e9m dos artigos de Godoy (2016; 2020), destacamos a tese de Moares (2021) acerca do desenvolvimento Integral.<\/p>\n<p>[2] Regi\u00e3o criada por lei em 7 de janeiro de 1936, durante o primeiro governo de Get\u00falio Vargas, englobava oito dos nove estados da regi\u00e3o nordeste do Brasil (Piau\u00ed, Cear\u00e1, Rio Grande do Norte, Para\u00edba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia) al\u00e9m de\u00a0partes do territ\u00f3rio mineiro e do capixaba, na regi\u00e3o centro-sul. Com uma extens\u00e3o de cerca de Seus mais de 1.000.000 km\u00b2.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>COSTA, Iraneidson Santos. (2014). Os bispos nordestinos e a cria\u00e7\u00e3o da CNBB. <em>Intera\u00e7\u00f5es<\/em>, v. 9, n. 15, p. 109\u2013143.<\/p>\n<p>GODOY, Jos\u00e9 Henrique Artigas de. (2020). Dom Helder C\u00e2mara e Louis-Joseph Lebret: desenvolvimentismo e pr\u00e1xis progressista cat\u00f3lica nas d\u00e9cadas de 1950 e 1960. <em>Dados \u2013 Revista de Ci\u00eancias Sociais, <\/em>v. 63, p. 1\u201341.<\/p>\n<p>IORIS, Rafael Rossotto. (2017). <em>Qual desenvolvimento? Os debates, sentidos e li\u00e7\u00f5es da era desenvolvimentista<\/em>. Jundia\u00ed: Paco Editorial.<\/p>\n<p>MORAES, Marcio Andr\u00e9 Martins de. (2021).\u00a0<em>Vamos ao \u00e2mago do problema: a atua\u00e7\u00e3o de Dom H\u00e9lder Pessoa C\u00e2mara na defesa de um desenvolvimento integral para os pa\u00edses\/regi\u00f5es pobres do mundo (1964-1970)<\/em>. Tese de Doutorado. Universidade de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Sem publicidade ou patroc\u00ednio, dependemos de voc\u00ea. Fa\u00e7a parte do nosso grupo de apoiadores e ajude a manter nossa voz livre e plural: <strong>apoia.se\/outraspalavras<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>The post Quando a CNBB enfrentava o atraso\u00a0 appeared first on Outras Palavras.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/primeira-turma-do-stf-condena-bolsonaro-a-27-anos-de-prisao-em-regime-fechado\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Primeira Turma do STF condena Bolsonaro a 27 anos ...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/canoas-tera-ato-publico-neste-sabado-3-para-lembrar-enchente-e-cobrar-medidas-dos-governos\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Canoas ter\u00e1 ato p\u00fablico neste s\u00e1bado (3) para lemb...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/progressistas-ou-conservadores-qual-o-posicionamento-dos-brasileiros-no-conclave\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Progressistas ou conservadores? 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A hist\u00f3ria de uma Igreja que articulava pol\u00edticas p\u00fablicas e mobilizou at\u00e9 o presidente JK <\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/historia-e-memoria\/quando-a-cnbb-enfrentava-o-atraso\/\">Quando a CNBB enfrentava o atraso\u00a0<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":89510,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[26898,52020,62890,795,4092,7169,62891,61242,62892,6381,62893,5488,42381,1467,3756,720,2009,228,62894,968,62895,62896,62897,62898,525,62899,62900,32196],"tags":[],"class_list":["post-89509","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-anticomunismo","category-atividades-formativas","category-bispos-nordestinos","category-ciencia","category-cnbb","category-conservadorismo","category-desenvolvimento-integral","category-desigualdades-regionais","category-encontro-dos-bispos-do-nordeste","category-fe","category-fluxos-migratorios","category-historia-e-memoria","category-historia-politica","category-igreja-catolica","category-juscelino-kubitschek","category-ligas-camponesas","category-mobilizacoes","category-nordeste","category-pais-rural","category-paraiba","category-plano-do-nordeste","category-pobreza-estrutural","category-populacoes-rurais","category-projetos-de-infraestrutura","category-secas","category-semanas-ruralistas","category-sociologia-rural","category-sudene"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89509","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=89509"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89509\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/89510"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=89509"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=89509"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=89509"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}