{"id":89765,"date":"2026-06-01T17:40:51","date_gmt":"2026-06-01T20:40:51","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/entre-nos-a-dor-nacional-agronegocio-desertos-verdes-e-a-ameaca-a-natureza\/"},"modified":"2026-06-01T17:40:51","modified_gmt":"2026-06-01T20:40:51","slug":"entre-nos-a-dor-nacional-agronegocio-desertos-verdes-e-a-ameaca-a-natureza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/entre-nos-a-dor-nacional-agronegocio-desertos-verdes-e-a-ameaca-a-natureza\/","title":{"rendered":"\u201cEntre n\u00f3s, a dor nacional\u201d: Agroneg\u00f3cio, desertos verdes e a amea\u00e7a \u00e0 natureza"},"content":{"rendered":"<figure><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"759\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-3.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-3-1024x759.jpg 1024w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-3-300x222.jpg 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-3-768x569.jpg 768w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-3.jpg 1080w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption><em>Paisagem de Sorriso (MT): acima, monocultura de soja; abaixo, os lotes de um projeto de produ\u00e7\u00e3o agroflorestal<br \/>Foto: Fellipe Abreu\/Mongabay<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Por Fernanda Alc\u00e2ntara<br \/>Da P\u00e1gina do MST<\/em><\/p>\n<p>O Brasil sangra e a \u201cdor nacional\u201d, que Caetano Veloso cantou l\u00e1 atr\u00e1s, n\u00e3o \u00e9 poesia. Nesta <strong>Jornada Nacional em Defesa da Natureza e Seus Povos<\/strong>, o Plano Nacional do MST, <a href=\"https:\/\/mst.org.br\/especiais\/plantar-arvores-produzir-alimentos-saudaveis\/\">Plantar \u00c1rvores, Produzir Alimentos Saud\u00e1veis<\/a>, a partir do lema \u201cCombater o Agroneg\u00f3cio \u00e9 Cuidar da Natureza\u201d, puxa a fila e avisa sobre a realidade que temos diante de n\u00f3s e os caminhos para enfrentar os problemas que se aprofundam no campo brasileiro.<\/p>\n<p>O termo \u201cdeserto verde\u201d, m<strong>ais do que uma met\u00e1fora impactante, se tornou uma defini\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e pol\u00edtica para descrever um modelo de ocupa\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio que avan\u00e7a sobre diferentes regi\u00f5es do pa\u00eds.<\/strong> O conceito est\u00e1 associado, principalmente, \u00e0s extensas monoculturas de eucalipto e pinus, mas tamb\u00e9m pode ser aplicado \u00e0s grandes \u00e1reas ocupadas por soja e cana-de-a\u00e7\u00facar. S\u00e3o paisagens que, \u00e0 primeira vista, podem parecer exuberantes, mas que escondem ecossistemas empobrecidos, com pouca biodiversidade, escassa diversidade de vida e uma presen\u00e7a humana cada vez mais reduzida.<\/p>\n<p>Nesse contexto de disputa pelos territ\u00f3rios, a expans\u00e3o da silvicultura industrial, baseada principalmente no cultivo de eucalipto e pinus, tem provocado impactos ambientais significativos. Entre eles est\u00e3o o elevado consumo de \u00e1gua, o comprometimento de nascentes e a press\u00e3o sobre aqu\u00edferos e mananciais subterr\u00e2neos em diversas regi\u00f5es do Brasil.<\/p>\n<p>Mas a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda mais grave do que aparenta. O que as grandes empresas chamam de \u201creflorestamento\u201d \u00e9, na pr\u00e1tica, a expans\u00e3o de monoculturas que empobrecem a biodiversidade e afetam diretamente as popula\u00e7\u00f5es que dependem desses territ\u00f3rios. Por tr\u00e1s desse modelo est\u00e1 um projeto que privilegia os interesses do capital transnacional, deixando em segundo plano a fun\u00e7\u00e3o social da terra, a soberania nacional e a vida dos povos e comunidades tradicionais. Na perspectiva da luta de classes, esses desertos verdes s\u00e3o a express\u00e3o vis\u00edvel da alian\u00e7a entre o latif\u00fandio predat\u00f3rio e o capital financeiro global.<\/p>\n<h2>Pacto colonial atualizado<\/h2>\n<figure><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"794\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-6.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-6-1024x794.jpg 1024w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-6-300x233.jpg 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-6-768x595.jpg 768w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-6.jpg 1472w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption><em>Representa\u00e7\u00e3o do trabalho escravo no clico da cana-de-a\u00e7\u00facar, no per\u00edodo colonial no Brasil. Imagem: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>Para a pesquisadora e advogada Larissa Packer, a expans\u00e3o dos desertos verdes no Brasil faz parte de um processo mais amplo de atualiza\u00e7\u00e3o do pacto colonial, em que o agroneg\u00f3cio ocupa lugar central na reorganiza\u00e7\u00e3o da economia global. <\/p>\n<blockquote>\n<p><em>Estruturado pela integra\u00e7\u00e3o da agricultura com a ind\u00fastria mec\u00e2nica, qu\u00edmica, de petr\u00f3leo e g\u00e1s, residuais \u00e0 ind\u00fastria b\u00e9lica norte-americana do p\u00f3s-guerra, o agroneg\u00f3cio recolocou os termos do pacto colonial da plantation (baseada em grandes extens\u00f5es de terra, m\u00e3o de obra escarva e monocultivos para a exporta\u00e7\u00e3o), mantendo a continuidade da divis\u00e3o internacional do trabalho entre o Norte industrial, fornecedor de tecnologias e o Sul agr\u00edcola, fornecedor de recursos naturais e commodities de baixo valor agregado.\u201d<\/em><\/p>\n<p><sub><sup>Larissa Packer<\/sup><\/sub><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>O resultado \u00e9 a manuten\u00e7\u00e3o de uma rela\u00e7\u00e3o desigual, que aprofunda a depend\u00eancia econ\u00f4mica e enfraquece a soberania dos povos sobre seus territ\u00f3rios e recursos naturais. A produ\u00e7\u00e3o industrial de \u00e1rvores como o eucalipto, portanto, emula a l\u00f3gica do agroneg\u00f3cio de gr\u00e3os: plantio em larga escala, flexibiliza\u00e7\u00e3o extrema de leis trabalhistas \u2014 muitas vezes descambando para o trabalho an\u00e1logo \u00e0 escravid\u00e3o \u2014 e flagrante desrespeito aos ciclos da natureza.<\/p>\n<p>Eliandra Fernandes, da coordena\u00e7\u00e3o nacional e do setor de Sa\u00fade do MST no Esp\u00edrito Santo, exp\u00f5e como a monocultura do eucalipto \u00e9 o pilar central do agroneg\u00f3cio capixaba, destruindo bens naturais de forma irrevers\u00edvel para servir \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de celulose.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-4.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-4-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-4-300x200.jpg 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-4-768x512.jpg 768w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-4-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-4.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption><em>Planta\u00e7\u00e3o de eucalipto em Minas Gerais. Foto: Bianca Souza (CAV)<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<blockquote>\n<p><em>Rios foram fechados, seus cursos foram mudados para canalizar \u00e1gua para a f\u00e1brica que fica no munic\u00edpio de Aracruz; grandes extens\u00f5es de terras foram apropriadas pela empresa para simplesmente passar um canal que leva \u00e1gua para a f\u00e1brica de produ\u00e7\u00e3o de celulose. Existem lagos que foram constru\u00eddos atrav\u00e9s de barragens que s\u00e3o utilizados com produtos para clarear essa \u00e1gua que vai para a f\u00e1brica \u2013 esse lago fica em Barra do Riacho e \u00e9 chamado de lago azul.\u201d <\/em><\/p>\n<p><cite>Eliandra Fernandes<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<p>Para o <strong>Movimento<\/strong>, a \u00e1gua, que deveria ser um bem comum, foi sequestrada pela silvicultura, deixando para as comunidades quilombolas e camponesas apenas o rastro de peixes mortos e mananciais contaminados por venenos proibidos at\u00e9 no exterior. <\/p>\n<p>Neste sentido, os dados levantados por Eduardo Carline sobre o impacto ambiental da silvicultura e de outras <em>commodities <\/em>em 2024 e 2025 revelam a velocidade assustadora dessa transi\u00e7\u00e3o. No estado de S\u00e3o Paulo, sob a gest\u00e3o de Tarc\u00edsio de Freitas (Republicanos), houve a transi\u00e7\u00e3o de <strong>4.738,3 hectares<\/strong> <strong>de \u00e1reas de forma\u00e7\u00e3o natural para a silvicultura em apenas um ano<\/strong>.<\/p>\n<p>Simultaneamente, no Tocantins, a gest\u00e3o de Wanderlei Barbosa (Republicanos) permitiu a transi\u00e7\u00e3o de mais de <strong>300 mil hectares<\/strong> <strong>de forma\u00e7\u00e3o natural para monoculturas de \u00e1rvores<\/strong>, enquanto a <strong>soja avan\u00e7ou sobre outros 181,2 hectares, no mesmo per\u00edodo<\/strong>. Sob a \u00f3tica da geopol\u00edtica agr\u00e1ria, esses n\u00fameros materializam o que Packer descreve como a transforma\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rios em \u201czonas de sacrif\u00edcio\u201d, onde a vegeta\u00e7\u00e3o nativa \u00e9 triturada para dar lugar ao deserto monocolor que alimenta as bolsas de valores estrangeiras.<\/p>\n<p>Esta pol\u00edtica, existente tanto no Brasil como em outros pa\u00edses na Am\u00e9rica Latina, fortalece a condu\u00e7\u00e3o de pol\u00edtica fundi\u00e1ria, cambial, tribut\u00e1ria, ambiental e trabalhista orientada aos interesses da ind\u00fastria colonial extrativa-miner\u00e1ria e agroalimentar, lembra Parcker. \u201cComo consequ\u00eancia, persistimos com uma estrutura fundi\u00e1ria altamente concentrada: <strong>1% dos im\u00f3veis det\u00e9m cerca de 47% da \u00e1rea agricult\u00e1vel (IBGE\/2017)<\/strong>, que tem como pano de fundo a ind\u00fastria da<a href=\"https:\/\/agroefogo.org.br\/dossie\/presidencia-e-parlamento-a-servico-dos-grileiros-legislar-para-grilar\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"> grilagem de terras p\u00fablicas e coletivas<\/a>, com a massiva tomada de terras para instala\u00e7\u00e3o, principalmente, do complexo soja-carne e a consequente produ\u00e7\u00e3o de zonas de sacrif\u00edcio com a limpeza da terra de florestas, biodiversidade e gente\u201d.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" width=\"620\" height=\"343\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-1.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-1.jpg 620w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-1-300x166.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\"><figcaption><em>Ilustra\u00e7\u00e3o das culturas da cana \u2013 de \u2013 a\u00e7\u00facar e eucalipto, que alimentam o deserto verde. Imagem: Reprodu\u00e7\u00e3o <\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>Enquanto isso, o bioma do Cerrado e a da Amaz\u00f4nia sofrem press\u00f5es cr\u00edticas e crescentes. O <strong>Cerrado<\/strong>, tido como a principal zona de expans\u00e3o e investimentos das cadeias globais de valor do agroneg\u00f3cio, teve ao redor de <strong>50% de sua vegeta\u00e7\u00e3o nativa desmatada<\/strong>, e uma migra\u00e7\u00e3o de cerca de 30% da popula\u00e7\u00e3o rural, entre 1980 e 2010, com uma m\u00e9dia 3,6 milh\u00f5es de pessoas expulsas do campo para ocupar as periferias urbanas. Enquanto isso, os monocultivos de <strong>soja saltaram de<a href=\"https:\/\/grain.org\/system\/attachments\/sources\/000\/006\/141\/original\/PT_zonas_de_expans-o_e_investimento_na_Am-rica_do_Sul_PDF_18_09.pdf\"> 540 mil hectares em 1975<\/a>, para cerca de 25 milh\u00f5es de hectares hoje<\/strong>, representando a metade da \u00e1rea plantada de soja no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Pela primeira vez, aparecem \u00e1reas maiores que 1 milh\u00e3o de hectares de soja colhida, como em Alto Teles Pires e Parecis no estado do Mato Grosso, barreiras na Bahia e no sudoeste Goiano. A expans\u00e3o desse modelo agroexportador de baixo valor agregado gera o que Larissa Packer denomina de \u201cdor econ\u00f4mica\u201d, mantendo o pa\u00eds preso a uma estrutura agr\u00e1ria que impede o desenvolvimento industrial e tecnol\u00f3gico soberano. <\/p>\n<blockquote>\n<p><em>\u00c9 uma dor intergeracional, que vem do processo de instala\u00e7\u00e3o da \u2018plantation\u2019 e esse deslocamento for\u00e7ado das popula\u00e7\u00f5es rurais; a dor \u00e9 ecol\u00f3gica, pelo desmatamento e degrada\u00e7\u00e3o dos ecossistemas e da \u00e1gua, com essa ruptura metab\u00f3lica acelerada que o agroneg\u00f3cio e a ind\u00fastria extrativa fez; \u00e9 dor econ\u00f4mica, de manter o pa\u00eds como agr\u00e1rio-exportador de baixo valor agregado. \u00c9 a dor do trabalhador<\/em>, <em>primeiro com a escravid\u00e3o e com o genoc\u00eddio, e atualmente ainda tendo que lutar por um m\u00ednimo de dignidade, que \u00e9 a <strong>escala 6\u00d71<\/strong>\u201c.<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Enquanto exibe recordes de produtividade, as d\u00edvidas do agroneg\u00f3cio acumulam-se e s\u00e3o socializadas atrav\u00e9s do Estado. Na semana passada (27\/05), a Comiss\u00e3o de Assuntos Econ\u00f4micos do Senado autorizou o acesso ao <strong>Fundo Social do Pr\u00e9-Sal<\/strong> para renegociar <strong>R$ 180 bilh\u00f5es<\/strong> em d\u00edvidas do setor. \u00c9 mais do que uma evid\u00eancia de que o dinheiro p\u00fablico est\u00e1 subsidiando bancos e o agroneg\u00f3cio, enquanto o povo brasileiro paga a conta com a destrui\u00e7\u00e3o de seus biomas e o encarecimento do custo de vida.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"418\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-2.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-2.jpg 800w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-2-300x157.jpg 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-2-768x401.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\"><figcaption><em>Imagem: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>Packer denuncia que at\u00e9 o discurso ambiental foi sequestrado pelo capital: o setor tenta se reposicionar atrav\u00e9s das chamadas \u201cfinan\u00e7as verdes\u201d, pintando a \u201cguerra contra a fome\u201d de verde para capturar recursos p\u00fablicos. \u201cO Plano Setorial para Adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 Mudan\u00e7a do Clima e Baixa Emiss\u00e3o de Carbono na Agropecu\u00e1ria, com vistas ao Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (2020-2030) \u2013 ABC+, renomeado para <strong>RenovAgro<\/strong>, considera como pr\u00e1ticas eleg\u00edveis de uma agricultura de baixo carbono formas de manejo <strong>altamente controversas<\/strong>, tanto do ponto de vista ecol\u00f3gico como social\u201d, afirma. Por isso, programas como o <strong>Caminho Verde Brasil<\/strong> e o <strong>RenovAgro<\/strong> s\u00e3o criticados por subsidiar pr\u00e1ticas como o uso intensivo de calc\u00e1rio e fertilizantes, al\u00e9m do plantio direto com sementes transg\u00eanicas e glifosato, sob o r\u00f3tulo enganoso de \u201cregenera\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<div>\n<h2>Expans\u00e3o de Commodities no Brasil (2007-2024)<\/h2>\n<p>    <canvas><\/canvas>\n<\/div>\n<p><em>Gr\u00e1fico: MST<\/em><\/p>\n<h2>A engenharia do exterm\u00ednio<\/h2>\n<p>Para al\u00e9m dos n\u00fameros econ\u00f4micos, o avan\u00e7o do deserto verde opera o que Larissa Packer classifica como uma \u201climpeza de gente\u201d nos territ\u00f3rios, um processo de deslocamento interno for\u00e7ado que atinge duramente o Cerrado. Segundo a pesquisadora, desde a d\u00e9cada de 80, mais de <strong>30% da popula\u00e7\u00e3o<\/strong> nessas \u00e1reas perdeu seu territ\u00f3rio para a instala\u00e7\u00e3o do complexo soja-carne e do monocultivo florestal. \u201cIsso n\u00e3o \u00e9 migra\u00e7\u00e3o \u2014 \u00e9 deslocamento for\u00e7ado\u201d, enfatiza Packer, demonstrando que o esvaziamento do campo \u00e9 uma necessidade estrutural da monocultura mecanizada. <\/p>\n<p><strong>Esta an\u00e1lise se sustenta com os dados do Censo Demogr\u00e1fico 2022 do IBGE, que confirmam a perda de 4,3 milh\u00f5es de habitantes nas \u00e1reas rurais brasileiras nos \u00faltimos 12 anos, uma redu\u00e7\u00e3o que supera a popula\u00e7\u00e3o de estados inteiros como a Para\u00edba ou o Amazonas.<\/strong> O campo brasileiro est\u00e1 se tornando um espa\u00e7o sem camponeses, onde o envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o e a fuga da juventude para os centros urbanos em busca de sobreviv\u00eancia fragilizam os la\u00e7os comunit\u00e1rios e a resist\u00eancia cultural.<\/p>\n<p>Este modelo de desenvolvimento produz ao mesmo tempo uma crise de sa\u00fade p\u00fablica sem precedentes. Conforme explica Packer, a din\u00e2mica do agroneg\u00f3cio n\u00e3o se reverte em produ\u00e7\u00e3o de comida, mas na cria\u00e7\u00e3o de desertos alimentares onde os produtos saud\u00e1veis e frescos \u2014 frutas, legumes e verduras \u2014 tornam-se cada vez mais caros em compara\u00e7\u00e3o aos ultraprocessados. <\/p>\n<p>Citando dados alarmantes, a pesquisadora aponta que em 2019 <a href=\"https:\/\/www.ajpmonline.org\/article\/S0749-3797(22)00429-9\/fulltext\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ocorreram 57 mil mortes prematuras no Brasil associadas ao consumo de ultraprocessados<\/a>. Um n\u00famero que supera o total de homic\u00eddios no pa\u00eds no mesmo per\u00edodo. \u201cEsta modifica\u00e7\u00e3o do padr\u00e3o alimentar e da qualidade nutricional anuncia outra grande crise, a<a href=\"https:\/\/www.ft.com\/content\/4c98d410-38b1-4be8-95b2-d029e054f492\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"> <\/a>de<a href=\"https:\/\/www.ft.com\/content\/4c98d410-38b1-4be8-95b2-d029e054f492\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"> <\/a><a href=\"https:\/\/grain.org\/en\/article\/6962-o-negocio-da-fome-na-america-latina#_edn5\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">sa\u00fade <\/a><a href=\"https:\/\/www.ft.com\/content\/4c98d410-38b1-4be8-95b2-d029e054f492\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">p\u00fablica,<\/a> principalmente entre os mais pobres\u201d, projeta Packer.<\/p>\n<h2>A sede da terra e a engenharia da esterilidade<\/h2>\n<p>Este deserto que est\u00e1 sendo criado no pa\u00eds tem como impacto t\u00e9cnico-ecol\u00f3gico imediato a desregula\u00e7\u00e3o dos ciclos h\u00eddricos; por serem esp\u00e9cies de crescimento ultrarr\u00e1pido, essas \u00e1rvores operam como verdadeiras bombas de suc\u00e7\u00e3o, absorvendo quantidades de \u00e1gua que levam ao secamento de nascentes e \u00e0 exaust\u00e3o definitiva de mananciais subterr\u00e2neos. O capital florestal transforma a abund\u00e2ncia em escassez, convertendo territ\u00f3rios outrora f\u00e9rteis em zonas em que a \u00e1gua se torna um artigo de luxo ou de uso exclusivo das f\u00e1bricas.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-5.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-5-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-5-300x225.jpg 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-5-768x576.jpg 768w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-5.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption><em>Foto: Brenda Baleiro\/ PA<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>Paulo Rogerio Gon\u00e7alves, do Alternativas para Pequena Agricultura no Tocantins (APA-TO), traz o diagn\u00f3stico do \u201cch\u00e3o da f\u00e1brica\u201d no Tocantins, explicando que o desmatamento promovido pelo agroneg\u00f3cio destr\u00f3i a arquitetura viva do solo. Segundo Paulo, a vegeta\u00e7\u00e3o nativa possui ra\u00edzes que formam percursos naturais para que a \u00e1gua da chuva alimente os len\u00e7\u00f3is fre\u00e1ticos; no entanto, quando o trator passa e a monocultura se instala, esses canais f\u00edsicos s\u00e3o destru\u00eddos. <\/p>\n<p>Assim, sem a capacidade de infiltra\u00e7\u00e3o, a \u00e1gua que deveria recarregar o subsolo escorre pela superf\u00edcie, gerando um processo erosivo que remove at\u00e9 <strong>50 toneladas de solo por hectare<\/strong>, resultando no assoreamento massivo dos rios. \u201cConstruindo uma condi\u00e7\u00e3o <strong>de impossibilidade de<\/strong> um manejo ecol\u00f3gico do solo, e com este assoreamento o solo vai perdendo sua capacidade de ter a mesma fauna, uma <strong>microfauna<\/strong>. Assim, podemos ter um solo esterilizado que n\u00e3o permite nem a descida de \u00e1gua nem a sobreviv\u00eancia de insetos, fungos e bact\u00e9rias que s\u00e3o importantes para a manuten\u00e7\u00e3o de um solo vivo\u201d, afirma Paulo.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio de escassez h\u00eddrica ganha contornos dram\u00e1ticos quando analisamos o impacto regionalizado no <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/MATOPIBA\">Matopiba<\/a>. Paulo alerta para a crise do <strong>Aqu\u00edfero Urucuia<\/strong>, um recurso estrat\u00e9gico que abastece as bacias do rio S\u00e3o Francisco e do Tocantins, e que est\u00e1 sendo exaurido pela monocultura de soja no oeste da Bahia, onde se concentram <strong>3 milh\u00f5es de hectares<\/strong> de plantio. O esgotamento \u00e9 t\u00e3o severo que cerca de <strong>70% da \u00e1gua<\/strong> que deveria migrar para as \u00e1reas de recarga j\u00e1 n\u00e3o consegue mais circular, provocando o secamento de rios inteiros; no leste do Tocantins, h\u00e1 relatos de cursos d\u2019\u00e1gua que secaram por extens\u00f5es de at\u00e9 <strong>30 quil\u00f4metros<\/strong>. Conforme aponta o levantamento t\u00e9cnico, regi\u00f5es como Dian\u00f3polis e Almas j\u00e1 enfrentam condi\u00e7\u00f5es de semi\u00e1rido, com a seca constatada e os po\u00e7os comunit\u00e1rios atingindo o n\u00edvel zero de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E essa crise h\u00eddrica funciona como mais uma ferramenta de expuls\u00e3o populacional silenciosa. Paulo relata que, sistematicamente, quando chega o m\u00eas de setembro, as fam\u00edlias camponesas s\u00e3o obrigadas a se deslocar para as cidades por absoluta falta de \u00e1gua para beber. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 corroborada por cen\u00e1rios prospectivos da Embrapa, que preveem uma redu\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica na precipita\u00e7\u00e3o anual do Tocantins at\u00e9 2050. <\/p>\n<p>Outra dimens\u00e3o importante s\u00e3o os chamados \u201crios a\u00e9reos\u201d importantes para a manuten\u00e7\u00e3o do regime de chuvas no continente. Segundo Paulo, a umidade evaporada dos oceanos se desloca pelo territ\u00f3rio e \u00e9 constantemente reabastecida pela evapora\u00e7\u00e3o das florestas, especialmente da Amaz\u00f4nia, o que permite a continuidade do transporte de \u00e1gua na atmosfera. Nesse processo, as \u00e1reas florestadas funcionam como corredores que sustentam o fluxo de umidade mas, com o avan\u00e7o do desmatamento e a forma\u00e7\u00e3o de extensas \u00e1reas sem cobertura vegetal, esses corredores s\u00e3o interrompidos, dificultando a circula\u00e7\u00e3o dos rios a\u00e9reos e comprometendo a chegada das chuvas a diferentes regi\u00f5es.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"791\" height=\"885\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image.jpg 791w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-268x300.jpg 268w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-768x859.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 791px) 100vw, 791px\"><figcaption><em>Imagem: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>Mas enquanto o agroneg\u00f3cio altera os \u201crios a\u00e9reos\u201d ao impedir a transpira\u00e7\u00e3o das florestas nativas, o povo do campo assiste ao desaparecimento das chuvas que historicamente vinham do leste, restando apenas a resist\u00eancia dos corredores que ainda resistem na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>A instala\u00e7\u00e3o dos desertos verdes opera uma transforma\u00e7\u00e3o radical na biodiversidade, convertendo biomas complexos em o que o <strong>Movimento<\/strong> classifica como \u201ccemit\u00e9rios biol\u00f3gicos\u201d. Conforme demonstram as pesquisas realizadas por camponeses atingidos, a introdu\u00e7\u00e3o de clones de eucalipto em larga escala prejudica severamente a sobreviv\u00eancia de abelhas, o que desencadeia um efeito cascata que compromete a poliniza\u00e7\u00e3o e, consequentemente, a produ\u00e7\u00e3o de alimentos em toda a regi\u00e3o. <\/p>\n<p>J\u00e1 <strong>o uso intensivo de agrot\u00f3xicos \u00e9 a arma qu\u00edmica que mant\u00e9m a hegemonia da monocultura<\/strong>. Eliandra Fernandes denuncia que o agroneg\u00f3cio florestal faz uso de subst\u00e2ncias que, embora permitidas pela legisla\u00e7\u00e3o brasileira flex\u00edvel, s\u00e3o proibidas na Europa devido \u00e0 sua toxicidade extrema. \u201cPara al\u00e9m das planta\u00e7\u00f5es, eles prejudicam as pessoas, que s\u00e3o contaminadas pelo ar, que tomam \u00e1gua contaminada, que comem o peixe contaminado. Esses s\u00e3o casos recorrentes no Esp\u00edrito Santo, inclusive nas comunidades quilombolas que est\u00e3o sendo nesse momento impactadas pela morte dos peixes em seus lagos por subst\u00e2ncias usadas nos monocultivos de eucalipto e empresas que est\u00e3o ao redor das comunidades\u201d.<\/p>\n<p>O levantamento de Eduardo Carline corrobora essa press\u00e3o qu\u00edmica, inserindo a silvicultura no mesmo rol de <em>commodities <\/em>como a cana-de-a\u00e7\u00facar, que em estados como Pernambuco e Para\u00edba avan\u00e7am sobre \u00e1reas de forma\u00e7\u00e3o natural, esterilizando o solo para o plantio industrial. Finalmente, a engenharia da morte se completa com o respaldo do poder pol\u00edtico, que atua para desregulamentar a prote\u00e7\u00e3o ambiental. O lobby da Frente Parlamentar da Agropecu\u00e1ria (FPA) logrou aprovar o <strong>Projeto de Lei 1366\/22<\/strong>, que excluiu a silvicultura do rol de atividades potencialmente poluidoras, liberando as multinacionais como a Suzano da obriga\u00e7\u00e3o de licenciamento ambiental e do pagamento de taxas de fiscaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2>Reforma Agr\u00e1ria Popular: Agroecologia \u00e9 o caminho<\/h2>\n<p>Diante do avan\u00e7o dos desertos verdes, a Reforma Agr\u00e1ria Popular aponta um caminho concreto de enfrentamento em democratizar a terra, recuperar \u00e1reas degradadas, proteger a \u00e1gua e produzir alimentos saud\u00e1veis. N\u00e3o existe soberania alimentar, nem soberania popular quando os bens da natureza est\u00e3o concentrados nas m\u00e3os de corpora\u00e7\u00f5es transnacionais. Sem controle sobre o territ\u00f3rio, as sementes e a \u00e1gua, os povos tamb\u00e9m perdem o poder de decidir seu pr\u00f3prio destino.<\/p>\n<p>Diferente do \u201creflorestamento\u201d de mercado, o MST foca na planta\u00e7\u00e3o de milh\u00f5es de \u00e1rvores nativas em todos os biomas, integrando a floresta \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de alimentos saud\u00e1veis. Com o desafio audacioso de plantar <strong>100 milh\u00f5es de \u00e1rvores<\/strong> em todo o Brasil, o Plano Nacional Plantar \u00c1rvores, Produzir Alimentos saud\u00e1veis segue transformando \u00e1reas de <strong>assentamentos<\/strong>, <strong>acampamentos<\/strong>, escolas e centros de forma\u00e7\u00e3o em polos de recupera\u00e7\u00e3o da biodiversidade. \u00c9 a m\u00edstica da terra liberta se transformando em a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica para resfriar o planeta, garantindo que a terra sirva para alimentar o povo e n\u00e3o para engordar balan\u00e7os financeiros no exterior.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Agroecologia_Foto-Juliana-Adriano-8.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Agroecologia_Foto-Juliana-Adriano-8-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Agroecologia_Foto-Juliana-Adriano-8-300x225.jpg 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Agroecologia_Foto-Juliana-Adriano-8-768x576.jpg 768w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Agroecologia_Foto-Juliana-Adriano-8-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Agroecologia_Foto-Juliana-Adriano-8.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption><em>Foto: Juliana Adriano <\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>Durante a pandemia, por exemplo, foi a <strong>Reforma Agr\u00e1ria Popular<\/strong> que garantiu a distribui\u00e7\u00e3o de alimentos, em especial \u00e0s cidades pequenas e perif\u00e9ricas, como estrat\u00e9gia para combater a inseguran\u00e7a alimentar e reduzir o custo de vida. Ao todo, foram mais de 10 mil toneladas de alimentos fruto da Reforma Agr\u00e1ria Popular para a mesa dos trabalhadores. Ao fortalecer a agricultura familiar, o <strong>Movimento<\/strong> cria cintur\u00f5es verdes de produ\u00e7\u00e3o de alimentos que se contrap\u00f5em os desertos verdes do capital.<\/p>\n<p>O MST tamb\u00e9m investe na forma\u00e7\u00e3o de sua base social para a transi\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica, como por exemplo a Escola Popular de Agroecologia e Agrofloresta Eg\u00eddio Brunetto, no Extremo Sul da Bahia, situada justamente no ber\u00e7o de um dos maiores desertos verdes do pa\u00eds. H\u00e1 dez anos, a escola promove a transforma\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rios degradados em \u00e1reas de produ\u00e7\u00e3o diversa, provando que \u00e9 poss\u00edvel recuperar nascentes e solos exauridos atrav\u00e9s do manejo agroecol\u00f3gico.<\/p>\n<p>Contra o conceito de \u201czonas de sacrif\u00edcio\u201d do agroneg\u00f3cio, o MST, o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e a Articula\u00e7\u00e3o Nacional de Agroecologia (ANA) cunharam a proposta dos <strong>\u201cTerrit\u00f3rios de Abastecimento Popular de Alimentos e Resili\u00eancia Clim\u00e1tica\u201d<\/strong>. Esse conceito visa institucionalizar pol\u00edticas p\u00fablicas que apoiem quem realmente cuida da biodiversidade: as comunidades camponesas que h\u00e1 gera\u00e7\u00f5es gerenciam o patrim\u00f4nio gen\u00e9tico do pa\u00eds.<\/p>\n<blockquote>\n<p><em>S\u00e3o as digitais hist\u00f3ricas das comunidades camponesas que v\u00eam produzindo territ\u00f3rios agrobiodiversos de abastecimento popular de alimentos e resili\u00eancia clim\u00e1tica\u201d<\/em><\/p>\n<p><cite>\u2013 Larissa Packer<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<p>Como aponta Larissa Packer, esse \u00e9 o projeto que funciona e que tem sido sistematicamente desacreditado pelo <em>lobby<\/em> das finan\u00e7as verdes. \u201cMesmo que \u00e0 margem dos institutos de estat\u00edstica, s\u00e3o estes territ\u00f3rios que v\u00eam garantindo a produ\u00e7\u00e3o de renda para as fam\u00edlias do campo, de alimentos saud\u00e1veis a partir da agroecologia e agroflorestas, pouco dependentes de insumos externos e n\u00e3o atrelados \u00e0s oscila\u00e7\u00f5es dos mercados internacionais, e portanto, mais resilientes \u00e0s crises, \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies e variedades da agrobiodiversidade e o patrim\u00f4nio gen\u00e9tico do pa\u00eds, a regula\u00e7\u00e3o do microclima e h\u00eddrica, a conten\u00e7\u00e3o da contamina\u00e7\u00e3o e esgotamento de ecossistemas, solos e \u00e1gua, a preven\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as e comorbidades, etc.\u201d<\/p>\n<p>Enquanto o agroneg\u00f3cio usa programas como o <strong>RenovAgro<\/strong> para intensificar o uso de glifosato, a agroecologia regenera o territ\u00f3rio de forma real e profunda. \u201cEu queria linkar a \u2018dor nacional\u2019 por isso: ela entranha muitas camadas de dores. E a gente tem que, nas pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es, ir desatando essas dores, curando e construindo outras estradas a partir daqueles que se colocam como projeto. Aprender com a dor, curar e ir costurando outras a partir deles\u201d, finaliza Packer.<\/p>\n<p>Por fim, a luta contra o deserto verde \u00e9 a luta pela perman\u00eancia digna no campo. A agroecologia gera mais empregos e fixa as fam\u00edlias no territ\u00f3rio, interrompendo o ciclo de viol\u00eancia e abandono que caracteriza o \u00eaxodo rural. Se os desertos verdes n\u00e3o s\u00e3o uma solu\u00e7\u00e3o ambiental, a alternativa real, capaz de preservar os bens comuns e garantir o futuro, reside na coragem de fazer a <strong>Reforma Agr\u00e1ria<\/strong> e semear a agroecologia em cada palmo de terra deste pa\u00eds.<\/p>\n<p><em>*Editado por Solange Engelmann<\/em><\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/mst.org.br\/2026\/06\/01\/entre-nos-a-dor-nacional-agronegocio-desertos-verdes-e-a-ameaca-a-natureza\/\">\u201cEntre n\u00f3s, a dor nacional\u201d: Agroneg\u00f3cio, desertos verdes e a amea\u00e7a \u00e0 natureza<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/mst.org.br\/\">MST<\/a>.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/apos-fraude-no-inss-lupi-pede-demissao-do-ministerio-da-previdencia\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; 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