{"id":89900,"date":"2026-06-02T11:30:22","date_gmt":"2026-06-02T14:30:22","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/rebeldias-em-tempos-sombrios\/"},"modified":"2026-06-02T11:30:22","modified_gmt":"2026-06-02T14:30:22","slug":"rebeldias-em-tempos-sombrios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/rebeldias-em-tempos-sombrios\/","title":{"rendered":"Rebeldias em tempos sombrios"},"content":{"rendered":"<p>O caos se ancorava na amorosa e intensa dedica\u00e7\u00e3o coletiva de fazer algo, em um mundo e um pa\u00eds quase sem sentido, que parecia tudo interditar. O filme de Henrique Dantas desvela o caos criativo e a for\u00e7a coletiva em meio a circunst\u00e2ncias doentias<\/p>\n<figure><\/figure>\n<p>Henrique Dantas, jovem cineasta baiano, depois de filmar\u00a0<em>Os filhos de Jo\u00e3o<\/em>, dispon\u00edvel na Netflix para quem quiser ver a bela pel\u00edcula sobre os Novos Baianos, acabou de realizar um novo longa-metragem:\u00a0<em>Os anti-her\u00f3is do udigrundi baiano<\/em>, document\u00e1rio premiado do XXI Panorama Internacional Coisa de Cinema, edi\u00e7\u00e3o de 2026. No filme, o chamado \u201ccinema marginal\u201d na Bahia \u00e9 mexido e revirado de modo, ao mesmo tempo, afetuoso e cr\u00edtico.<\/p>\n<p>O chamado \u201ccinema marginal\u201d brasileiro aconteceu no per\u00edodo mais brutal da ditadura civil-militar, entre os anos de 1968 e 1973. Ele explode depois de impasses do Cinema Novo, interditado em boa medida pelo regime autorit\u00e1rio, que limitou a liberdade e a imagina\u00e7\u00e3o no pa\u00eds e colocou em xeque as possibilidades de realiza\u00e7\u00e3o de filmes cr\u00edticos da desigual sociedade brasileira. Al\u00e9m disso, a ditadura tentou coaptar cineastas, inclusive oriundos do pr\u00f3prio Cinema Novo, via obten\u00e7\u00e3o de apoios para realiza\u00e7\u00e3o de seus filmes com a cria\u00e7\u00e3o da poderosa Embrafilme, que visava desenvolver-domesticar o audiovisual brasileiro.<\/p>\n<p><a><\/a>Os anos do \u201ccinema marginal\u201d foram tempos sombrios, com a repress\u00e3o aos movimentos contestadores da ditadura, armados ou n\u00e3o, com censura, pris\u00f5es, torturas, assassinatos, como o de Rubens Paiva, e ex\u00edlios como os de Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Geraldo Vandr\u00e9. Com a vida prejudicada, a juventude buscou alternativas para expressar seu mal-estar com a situa\u00e7\u00e3o, seja por meio de movimentos pol\u00edticos, pac\u00edficos ou armados, seja atrav\u00e9s de manifesta\u00e7\u00f5es comportamentais, como o movimento hippie, ou por meio de outras rebeldias. O \u201ccinema marginal brasileiro\u201d teve como seus palcos principais S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro e envolveu figuras como Rog\u00e9rio Sganzerla (<em>O Bandido da Luz Vermelha<\/em>,\u00a0<em>A Mulher de Todos<\/em>), J\u00falio Bressane (<em>Matou a Fam\u00edlia e foi ao Cinema<\/em>,\u00a0<em>O Anjo Nasceu<\/em>) e Ozualdo Candeias (<em>A Margem<\/em>,\u00a0<em>A Heran\u00e7a<\/em>), al\u00e9m, da atriz Helena Ignez.<\/p>\n<p>Apesar da repress\u00e3o generalizada, o Brasil conheceu uma \u201cflora\u00e7\u00e3o tardia\u201d, no dizer perspicaz de Roberto Schwarz, entre 1964 e 1968, do potente movimento cultural que floresceu antes da ditadura. At\u00e9 o golpe de 1964, o pa\u00eds viveu um per\u00edodo de intensa criatividade e intelig\u00eancia nas mais diversas \u00e1reas da cultura. A ditadura, em sua fase inicial, mesmo reprimindo a sociedade e a cultura, n\u00e3o conseguiu conter a vida daquele movimento, pelo menos at\u00e9 1968, quando o golpe dentro do golpe, com o AI-5 e o decreto 477, implantou a fase mais terr\u00edvel e violenta da ditadura. O novo golpe imp\u00f4s um vazio cultural ao pa\u00eds, como denunciou a revista\u00a0<em>Vis\u00e3o<\/em>, conduzida por Wladimir Herzog, logo depois preso, torturado e assassinado pelo regime autorit\u00e1rio. Ap\u00f3s o aniquilamento da \u201cflora\u00e7\u00e3o tardia\u201d, o clima social, pol\u00edtico e cultural do pa\u00eds se tornou ainda mais desesperador. Nesse contexto nasce o \u201ccinema marginal\u201d.<\/p>\n<p><a><\/a>A situa\u00e7\u00e3o na Bahia viveu uma perplexidade singular, pois a ditadura, desde 1964, e a din\u00e2mica cultural, mais concentrada no eixo Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo, for\u00e7aram a migra\u00e7\u00e3o de parte significativa dos criadores culturais para aqueles estados. Nomes expressivos no movimento cultural baiano, intenso entre meados de 1950 e o golpe civil-militar de 1964, deixaram a Cidade da Bahia, como muitas vezes era chamada Salvador. Dentre muitos outros: Carlos Nelson Coutinho, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Maria Beth\u00e2nia, Gal Costa, Tom\u00a0Z\u00e9, Jos\u00e9 Carlos Capinan e Muniz Sodr\u00e9. Outros tiveram que se exilar no exterior, a exemplo de Milton Santos.<\/p>\n<p><a><\/a>Para al\u00e9m da persegui\u00e7\u00e3o da ditadura e do esvaziamento da cena local, outras din\u00e2micas atentaram contra a vida cultural baiana. A constru\u00e7\u00e3o no pa\u00eds de uma ind\u00fastria cultural, com a subordina\u00e7\u00e3o da televis\u00e3o a uma l\u00f3gica, crescentemente nacional, de produ\u00e7\u00e3o e difus\u00e3o, destruiu programa\u00e7\u00f5es, que visibilizavam as culturas regionais, e equipamentos culturais associados \u00e0s emissoras de r\u00e1dio e televis\u00e3o, como orquestras, grupos de teatro e de dan\u00e7a, coletivos musicais etc. Programas que divulgavam atra\u00e7\u00f5es culturais locais foram suprimidos. Caetano Veloso se recorda de ter visto Gilberto Gil pela primeira vez em um programa musical da TV Itapoan, dos Di\u00e1rios Associados na Bahia. Com isso, a cena cultural baiana perdeu muito de sua din\u00e2mica e de sua visibilidade, mecanismo vital para as manifesta\u00e7\u00f5es da jovem cultura, que emergia na Cidade da Bahia.<\/p>\n<p>Altera\u00e7\u00f5es urbanas em Salvador, com o decl\u00ednio do antigo centro hist\u00f3rico tamb\u00e9m impactaram a vida cultural, pois ela se nutria de uma combina\u00e7\u00e3o umbilical entre boemia e anima\u00e7\u00e3o cultural nos espa\u00e7os centrais da cidade. As remodela\u00e7\u00f5es urbanas implantadas por governos municipais e estaduais afetaram sobremodo tais enlaces. Elas, juntamente com a repress\u00e3o da ditadura, afetaram a din\u00e2mica do movimento cultural, debilitando sua vida e as andan\u00e7as bo\u00eamio-culturais no centro da cidade.<\/p>\n<p>Outro fator que n\u00e3o pode ser esquecido. A Universidade da Bahia, depois Universidade Federal da Bahia, acolheu entre meados de 1950 at\u00e9 1961, com o final do mandato do reitor Edgard Santos, um empolgante movimento cultural, que combinou express\u00f5es de vanguarda europeia, trazidas pelos in\u00fameros professores estrangeiros acolhidos pela universidade, com a din\u00e2mica pol\u00edtico-cultural brasileira, a exemplo daquela produzida pelo Centro Popular de Cultura da Uni\u00e3o Nacional dos Estudantes, em sua vers\u00e3o baiana. Especialmente nos anos de 1964 e de 1968, a universidade sofreu forte repress\u00e3o, com a persegui\u00e7\u00e3o de professores, estudantes e t\u00e9cnicos. Ela afetou sobretudo a anima\u00e7\u00e3o cultural universit\u00e1ria.<\/p>\n<p><a><\/a>Nem todos foram for\u00e7ados a abandonar a vida cultural baiana. Orlando Senna tentou continuar a viver a cultura na cidade, mas sua demiss\u00e3o do cargo de diretor do Teatro Castro Alves indicou que os tempos estavam cada vez mais sombrios, for\u00e7ando pouco depois sua migra\u00e7\u00e3o para o Rio de Janeiro. O Teatro Vila Velha, com Jo\u00e3o Augusto, e, j\u00e1 nos anos 1970, o Instituto Cultural Brasil-Alemanha (ICBA), dirigido por Roland Schaffner, e a atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-cinematogr\u00e1fica de Guido Ara\u00fajo, entretanto, mantiveram viva alguma din\u00e2mica cultural, que, por certo, alimentam o \u201ccinema marginal\u201d baiano. Mas a cultura na Bahia estava bastante debilitada se comparada \u00e0 criativa agita\u00e7\u00e3o cultural antes existente.<\/p>\n<p>O \u201ccinema marginal\u201d foi uma rebeldia contra ditadura e contra o conservadorismo que oprimia a sociedade e, especialmente, os setores jovens de classe m\u00e9dia. A rebeldia n\u00e3o tomou uma imediata conota\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, pois focou mais o mal-estar de ordem existencial e moral, traduzindo-se como revolta contra os valores dominantes impostos pela sociedade burguesa, sobredeterminada naquele momento pelo autoritarismo do regime civil-militar. A juventude se sentiu exclu\u00edda e enojada com aquele universo de valores conservadores. O mal-estar com a sociedade institu\u00edda aproximou e distanciou o \u201ccinema marginal\u201d de outras din\u00e2micas contraculturais, como o movimento hippie, vigentes ent\u00e3o no Brasil e no mundo. Entretanto, as rela\u00e7\u00f5es entre os variados movimentos de rebeldia, inclusive em suas op\u00e7\u00f5es mais pol\u00edticas, n\u00e3o aconteceram sem tens\u00f5es.<\/p>\n<p>Entre 1968 e 1972 foram produzidos quatro filmes na Bahia:\u00a0<em>Meteorango Kid, her\u00f3i intergal\u00e1tico<\/em>\u00a0(1969), de Andr\u00e9 Luiz Oliveira;\u00a0<em>Caveira, my friend<\/em>\u00a0(1970), de \u00c1lvaro Guimar\u00e3es,\u00a0<em>O anjo negro<\/em>\u00a0(1972), de Jos\u00e9 Umberto e\u00a0<em>Akpal\u00f4<\/em>\u00a0(1972), de Deolindo Checcucci e Jos\u00e9 Fraz\u00e3o. Eles tensionam seu tempo. Eles expressam anarquicamente o mal-estar de setores jovens das classes m\u00e9dias com a sociedade. Em\u00a0<em>Meteorango Kid<\/em>, o anti-her\u00f3i Lula (Antonio Luiz Martins), estudante universit\u00e1rio, vive o desesperado mal-estar di\u00e1rio, inconformado com a moral, a vida e a ditadura vigentes. Em\u00a0<em>Caveira, my friend<\/em>, a pel\u00edcula retrata um grupo de assaltantes, tema bastante comum no \u201ccinema marginal\u201d, acolhedor de comportamento desviantes na sociedade. Em\u00a0<em>O anjo negro<\/em>, a figura negra, misteriosa, m\u00edtica e poderosa de Calunga (M\u00e1rio Gusm\u00e3o) desmorona rela\u00e7\u00f5es patriarcais, al\u00e9m de introduzir uma singularidade baiana no \u201ccinema marginal\u201d ao real\u00e7ar a figura negra de M\u00e1rio Gusm\u00e3o e trazer para a cena culturas afrobaianas. Em\u00a0<em>Akpal\u00f4<\/em>, filme desaparecido, novamente a singularidade cultural negra da Bahia se faz presente.<\/p>\n<p><a><\/a>Henrique Dantas, em licen\u00e7a po\u00e9tica, acolhe no seu udigrundi baiano, o tempor\u00e3o\u00a0<em>SuperOutro<\/em>, lan\u00e7ado em 1989. O irreverente diretor (Edgard Navarro) e seu irreverente filme justificam a inser\u00e7\u00e3o atemporal. O anti-her\u00f3i, mendigo e louco (Bertrand Duarte), como um Dom Quixote contempor\u00e2neo, atrav\u00e9s de sua alucinada imagina\u00e7\u00e3o enfrenta a realidade hostil da cidade e malogra, mas realiza sua \u00faltima atua\u00e7\u00e3o tragic\u00f4mica: voar como um super-her\u00f3i. Fora do tempo, Edgard Navarro transp\u00f5e atitudes e tra\u00e7os vitais do \u201ccinema marginal\u201d para o contexto dos anos 80, quase 90. O pa\u00eds j\u00e1 parecia outro, em lugar da ditadura uma transi\u00e7\u00e3o pelo alto para uma democracia limitada, mas mant\u00e9m, perigosamente, valores e desconfortos dos anos sombrios. O escracho e a atitude an\u00e1rquica frente aos inc\u00f4modos de uma sociedade, que parece n\u00e3o mudar, apesar da transi\u00e7\u00e3o para a democracia, alimentam o filme de marcas vitais do \u201ccinema marginal\u201d. Sua inclus\u00e3o no udigrundi baiano \u00e9 bem-vinda.<\/p>\n<p>As diversas e deliciosas entrevistas com autores e estudiosos do \u201ccinema marginal baiano\u201d recuperam o dilema de filmar em meio ao autoritarismo, ao conservadorismo, \u00e0 aus\u00eancia de condi\u00e7\u00f5es para fazer cinema e ao desespero de falta de alternativas sociais. Um desafio apenas assegurado pela visceral contesta\u00e7\u00e3o existencial. A atitude an\u00e1rquica do criar cinema fica exposta em falas acerca da quase inexist\u00eancia de um roteiro pr\u00e9vio, com suas sucintas tr\u00eas p\u00e1ginas, ou das mudan\u00e7as intermin\u00e1veis e ininterruptas dos roteiros durante as filmagens, devido a m\u00faltiplos fatores, dentre eles as viagens alucin\u00f3genas. O caos se ancorava na amorosa e intensa dedica\u00e7\u00e3o coletiva de fazer algo, em um mundo e um pa\u00eds quase sem sentido, que parecia tudo interditar. O filme de Henrique Dantas desvela o caos criativo e a for\u00e7a coletiva em meio a circunst\u00e2ncias doentias. Diferente dos tempos individualistas atuais, os anos do udigrundi baiano eram tempos de desespero enfrentados anarquicamente em coletivo.<\/p>\n<p><a><\/a>As cinco pel\u00edculas acolhidas no filme s\u00e3o marcadas por clima e atitudes comuns frente a vida e a sociedade. \u00c1cidas, elas pretendem corroer o conservadorismo e o autoritarismo, recorrendo para isso ao deboche, \u00e0 irrever\u00eancia e \u00e0 desconstru\u00e7\u00e3o. Seus anti-her\u00f3is s\u00e3o tragic\u00f4micos. Eles parecem n\u00e3o buscar algo, mas expor, como uma ferida aberta, seu desconforto com o mundo alienado. Suas est\u00e9ticas possuem tra\u00e7os compartilhados. Seus conte\u00fados e formas denunciam o mal-estar vigente. Pode-se imaginar que o contexto e a vis\u00e3o de classe m\u00e9dia sejam os criadores do \u201ccinema marginal\u201d, pois independente das nuances criativas de cada diretor, sumamente importantes para tecer a singularidade de cada obra, os filmes possuem um horizonte pol\u00edtico-cultural comum, que circunscrevem seu horizonte cultural. Ele expressa segmentos jovens das classes m\u00e9dias, mesmo quando filmam e se encantam com outras classes sociais, como acontece com\u00a0<em>O anjo negro<\/em>, que tem sua singularidade anotada na entrevista de seu diretor, Jos\u00e9 Umberto, em perspicaz sintomia com mudan\u00e7as silenciosas em andamento na sociedade baiana, mesmo nos anos sombrios, que parecem ter poder de tudo paralisar e domesticar. As culturas afrobaianas encantam o diretor de classe m\u00e9dia, com elas tamb\u00e9m seduziram Glauber Rocha em\u00a0<em>Barravento<\/em>.<\/p>\n<p>No final do filme, Henrique Dantas d\u00e1 uma li\u00e7\u00e3o de delicadeza amorosa-cr\u00edtica. Ele, que vivenciou o udigrundi baiano em imers\u00e3o generosa e profunda, n\u00e3o pode se calar frente \u00e0s limita\u00e7\u00f5es do tempo presentes nos filmes. Eles, apesar da rebeldia, se contaminaram, de modo inconsciente, trai\u00e7oeiramente por valores conservadores vigentes na Bahia. Sem pretens\u00e3o de exig\u00eancias atemporais, Henrique Dantas exp\u00f5e, no momento final do filme, contradi\u00e7\u00f5es presentes nas pel\u00edculas rebeldes. Seus ares contestadores n\u00e3o os impedem de serem atravessados por algumas cenas homof\u00f3bicas e machistas. Marcas de um tempo de valores outros, acolhidos mesmo na irrever\u00eancia criativa do \u201ccinema marginal\u201d baiano. A inventiva homenagem dedicada por Henrique Dantas ao udigrundi baiano implica em traduzi-lo em sua plenitude de encantos e de contradi\u00e7\u00f5es. \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>Afirmar o udigrundi baiano como express\u00e3o f\u00edlmica de classe m\u00e9dia n\u00e3o desmerece seu contributo. Apenas assinala sua cria\u00e7\u00e3o datada e determinada na sociedade capitalista. Cabe reconhecer o direito da diversidade de olhares sociais sobre os dramas da sociedade e das pessoas. O problema, em verdade, \u00e9 a nega\u00e7\u00e3o de que outras classes sociais tenham esse direito interditado pelo capitalismo desigual. A diversidade cultural \u00e9 componente vital da democracia ampliada, que n\u00e3o se contenta apenas com elei\u00e7\u00f5es e votos, por mais importante que sejam. Ela exige, al\u00e9m dos ritos pol\u00edticos democr\u00e1ticos formalizados, a efetividade da igualdade e direitos id\u00eanticos para todos. A democracia ampliada demanda que a pluralidade de vozes pol\u00edtico-sociais se torne existente e reconhecida.<\/p>\n<p><a><\/a>O filme de Henrique Dantas ret\u00e9m intensa contemporaneidade. Em um mundo dist\u00f3pico, transbordante de amea\u00e7as, autoritarismos, guerras, moralismos e viol\u00eancias cotidianas, tratar os dilemas de rebeldias acontecidas em pret\u00e9ritos tempos sombrios, ditatoriais e conservadores, que pareciam n\u00e3o ter fim, demonstra vigorosa atualidade. Ela se torna ainda mais intensa quando o filme demonstra que, apesar de tudo, projetos coletivos, an\u00e1rquicos e ca\u00f3ticos, conseguiram se realizar, quando amados e vivenciados. Por certo, tal atitude coletiva diz muito aos habitantes da atualidade, que precisam de for\u00e7a coletiva para n\u00e3o cair no imobilismo e na indiferen\u00e7a ou, ainda pior, permitir que autoritarismos e barb\u00e1ries invadam o mundo e o Brasil.<\/p>\n<p><em>Antonio Albino Canelas Rubim \u00e9 pesquisador e professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA)<\/em><\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/barroso-revela-dor-no-coracao-em-voto-pela-prisao-de-lula-em-2018-lava-jato-se-perdeu-em-excessos\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Barroso revela \u201cdor no cora\u00e7\u00e3o\u201d em voto pela pris\u00e3...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/ira-x-israel-deportacoes-de-trump-palestina-e-portugal-sao-temas-do-janela-internacional\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Ir\u00e3 X Israel, deporta\u00e7\u00f5es de Trump, Palestina e Po...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/ativista-preso-por-israel-volta-ao-brasil-e-defende-rompimento-de-relacoes\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/thiagoavila_Foto-Paulo-Pinto_Agencia-Brasil-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Ativista preso por Israel volta ao Brasil e defend...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/alfeu-de-alcantara-monteiro-primeiro-militar-assassinado-pela-ditadura\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/alfeudealcantara-150x150.webp') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Alfeu de Alc\u00e2ntara Monteiro: primeiro militar assa...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O caos se ancorava na amorosa e intensa dedica\u00e7\u00e3o coletiva de fazer algo, em um mundo e um pa\u00eds quase sem sentido, que parecia tudo interditar. O filme de Henrique Dantas desvela o caos criativo e a for\u00e7a coletiva em meio a circunst\u00e2ncias doentias Henrique Dantas, jovem cineasta baiano, depois de filmar\u00a0Os filhos de Jo\u00e3o, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[8620],"tags":[],"class_list":["post-89900","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89900","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=89900"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89900\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=89900"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=89900"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=89900"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}