{"id":90392,"date":"2026-06-05T00:00:17","date_gmt":"2026-06-05T03:00:17","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/para-entender-a-industria-do-holocausto\/"},"modified":"2026-06-05T00:00:17","modified_gmt":"2026-06-05T03:00:17","slug":"para-entender-a-industria-do-holocausto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/para-entender-a-industria-do-holocausto\/","title":{"rendered":"Para entender a ind\u00fastria do Holocausto"},"content":{"rendered":"<figure><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1500\" height=\"825\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/260603-Finkelstein2b.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/260603-Finkelstein2b-1500x825.jpg 1500w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/260603-Finkelstein2b-300x166.jpg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/260603-Finkelstein2b-768x422.jpg 768w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/260603-Finkelstein2b-1536x845.jpg 1536w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/260603-Finkelstein2b-219x121.jpg 219w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/260603-Finkelstein2b.jpg 1935w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\"><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<p><imgsrc=\"\" width=\"1\" height=\"1\" alt=\".\" border=\"0\">\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Este \u00e9 o pref\u00e1cio do livro <em>A Ind\u00fastria do Holocausto: reflex\u00f5es sobre a explora\u00e7\u00e3o do sofrimento judeu, <\/em>de Norman Finkelstein, publicado pela Autonomia Liter\u00e1ria, parceira editorial do Outras Palavras. <br \/>O autor est\u00e1 no Brasil para o lan\u00e7amento. Participa da Feira do Livro 2026 (Pra\u00e7a Charles Miller, Pacaembu, S\u00e3o Paulo), at\u00e9 7 de junho. \u00c9 o convidado principal do painel <em>Holocausto e Palestina<\/em>, em 4 de junho (\u00e0s 16h45) no Audit\u00f3rio Museu do Futebol, cont\u00edguo ao est\u00e1dio)<\/p>\n<div>\n<figure><img decoding=\"async\" width=\"665\" height=\"1000\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/61RspAFtmxL_AC_UF10001000_QL80_.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/61RspAFtmxL_AC_UF10001000_QL80_.jpg 665w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/61RspAFtmxL._AC_UF10001000_QL80_-200x300.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 665px) 100vw, 665px\"><\/figure>\n<\/div>\n<p>Em <em>A Ind\u00fastria do Holocausto<\/em>, o autor judeu estadunidense Norman Finkelstein revela algo que se tornou um lugar comum no debate contempor\u00e2neo: de que os defensores do Estado de Israel fazem um uso pol\u00edtico do sofrimento dos judeus no holocausto para justificar os seus crimes no Oriente M\u00e9dio. Embora publicado em 2000, antes da \u201cGuerra ao Terror\u201d e da ascen\u00e7\u00e3o global das extrema-direitas, o livro \u00e9 extremamente relevante para entender a atua\u00e7\u00e3o da Ind\u00fastria do Holocausto durante o genoc\u00eddio em Gaza iniciado em outubro de 2023. O seu <em>modus operandi<\/em> segue basicamente o mesmo.<\/p>\n<p>Por exemplo, refer\u00eancias ao holocausto judaico foram utilizadas de forma recorrente por lideran\u00e7as israelenses para explicar o ataque da resist\u00eancia palestina em 7 de outubro de 2023, que deixou mais de mil israelenses mortos. Em cerim\u00f4nia do Dia Internacional em Mem\u00f3ria das V\u00edtimas do Holocausto realizada em 27 de janeiro de 2024, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ergueu uma c\u00f3pia em \u00e1rabe do <em>Mein Kampf<\/em> para criticar a a\u00e7\u00e3o, movida pela \u00c1frica do Sul na Corte Internacional de Justi\u00e7a, que acusou Israel de cometer o genoc\u00eddio em Gaza. \u201cEm nome de quem eles [os sul-africanos] vieram? Em nome do Hamas \u2014 em nome dos \u2018novos nazistas\u2019 \u2014 que vieram a cometer genoc\u00eddios contra n\u00f3s\u201d, afirmou Netanyahu.<sup><sup>1<\/sup><\/sup><\/p>\n<div>\n<div><imgsrc=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/15-8.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/15-8.png 680w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/15-300x110.png 300w\" sizes=\"(max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Na representa\u00e7\u00e3o sionista, a hist\u00f3ria colonial israelense de limpeza \u00e9tnica e <em>apartheid<\/em> contra os palestinos como raz\u00e3o explicadora para a viol\u00eancia anticolonial promovida pelos guerrilheiros palestinos foi substitu\u00edda por uma narrativa na qual o Hamas \u00e9 visto como o portador contempor\u00e2neo de um \u00f3dio ancestral irracional aos judeus \u2014 agora dirigido contra o Estado de Israel. Logo, esse ataque foi reduzido a mais um ato terrorista voltado \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de uma \u201cPalestina livre do rio ao mar\u201d, com o objetivo final de expulsar todos os judeus do territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>A manipula\u00e7\u00e3o do hist\u00f3rico slogan da resist\u00eancia palestina, que reivindica a Palestina como uma na\u00e7\u00e3o indivis\u00edvel entre o rio Jord\u00e3o e o mar Mediterr\u00e2neo, em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 sua partilha imposta pelo imperialismo ocidental, tornou-se uma das principais armas culturais das elites sionistas para reviver o medo do holocausto no s\u00e9culo XXI. O efeito tem sido a censura a sinais de solidariedade \u00e0 Palestina. Na Alemanha, essa frase foi proibida. Em S\u00e3o Paulo, um artista foi pressionado pelo movimento sionista, com o aux\u00edlio da pol\u00edcia e de pol\u00edticos, a excluir o termo \u201cdo rio ao mar\u201d de uma obra que pintou na empena de um edif\u00edcio ocupado por militantes sem-teto na esquina das avenidas Paulista e Rebou\u00e7as.<\/p>\n<p>A instrumentaliza\u00e7\u00e3o desse slogan palestino para enquadr\u00e1-lo como um manifesto antissemita \u00e9 um exemplo da \u201cguerra semi\u00f3tica\u201d, como classificou Edward Said,<sup><sup>2<\/sup><\/sup> travada contra os palestinos e da qual faz parte a Ind\u00fastria do Holocausto. Junto de todo o discurso orientalista que busca desumanizar os povos \u00e1rabes e mu\u00e7ulmanos, seu objetivo \u00e9 justificar o colonialismo israelense dentro da estrat\u00e9gia do imperialismo ocidental para o Oriente M\u00e9dio. O recurso mais poderoso em a\u00e7\u00e3o durante o genoc\u00eddio em Gaza \u00e9 a defini\u00e7\u00e3o de antissemitismo da Alian\u00e7a Internacional para a Mem\u00f3ria do Holocausto (ihra, na sigla em ingl\u00eas), que equipara cr\u00edticas a Israel a formas de antissemitismo. Entre elas est\u00e1 a compara\u00e7\u00e3o entre as a\u00e7\u00f5es de Israel e as do regime nazista na Segunda Guerra Mundial. A analogia com os algozes dos judeus europeus \u00e9 intoler\u00e1vel para os sionistas contempor\u00e2neos.<\/p>\n<p>Eu mesmo sempre evitei aproximar o holocausto da viol\u00eancia promovida por Israel contra os palestinos, para n\u00e3o travar o di\u00e1logo a respeito da situa\u00e7\u00e3o na Palestina. No entanto, em entrevista concedida em 8 de outubro de 2023, concordei com o questionamento de um jornalista sobre as semelhan\u00e7as entre o Gueto de Vars\u00f3via e a Faixa de Gaza.<sup><sup>3<\/sup><\/sup> Em rea\u00e7\u00e3o, recebi amea\u00e7a de morte de um ex-professor universit\u00e1rio de S\u00e3o Paulo que atua como assessor de uma das mais importantes organiza\u00e7\u00f5es do lobby israelense no Brasil. Esse \u00e9 um exemplo extremado do regime de intimida\u00e7\u00e3o criado pela Ind\u00fastria do Holocaustro.<\/p>\n<p>De toda forma, essa atitude virulenta me levou a refletir sobre se eu n\u00e3o estaria relativizando em excesso o genoc\u00eddio sofrido por meus antepassados \u2013 constam cerca de oitocentas pessoas chamadas Huberman no registro de mortos da Shoah,<sup><sup>4<\/sup><\/sup> termo em hebraico que significa cat\u00e1strofe e \u00e9 utilizado para se referir ao holocausto judeu. Estaria eu traindo a mem\u00f3ria da opress\u00e3o sofrida pelo meu pr\u00f3prio grupo diante do esfor\u00e7o de me solidarizar com os oprimidos de hoje, os palestinos?<\/p>\n<p>A resposta veio em poucos meses, quando o mundo passou a associar aos sobreviventes dos campos de concentra\u00e7\u00e3o nazistas as imagens de palestinos em Gaza em situa\u00e7\u00e3o de fome severa, como resultado do cerco imposto pelo Estado de Israel. A compara\u00e7\u00e3o entre o genoc\u00eddio nazista e o israelense n\u00e3o era apenas poss\u00edvel, mas \u00fatil para compreender as formas de a\u00e7\u00e3o de regimes fascistas que perseguem projetos de pureza racial.<\/p>\n<p>A for\u00e7a dessa compara\u00e7\u00e3o foi colocada \u00e0 prova quando, em fevereiro de 2024, Lula a realizou: \u201cO que est\u00e1 acontecendo na Faixa de Gaza com o povo palestino n\u00e3o existiu em nenhum outro momento hist\u00f3rico. Ali\u00e1s, existiu. Quando Hitler resolveu matar os judeus\u201d. O presidente brasileiro foi acusado de antissemitismo pelo governo israelense e classificado como <em>persona non grata<\/em>. O ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores de Israel, Israel Katz, convocou o embaixador brasileiro, Frederico Meyer, para uma repreens\u00e3o formal e p\u00fablica no Yad Vashem, o Museu do Holocausto de Jerusal\u00e9m \u2013 uma pr\u00e1tica incomum. O ato foi considerado uma humilha\u00e7\u00e3o pelo governo Lula, que congelou as rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas com Israel.<\/p>\n<div>\n<div><imgsrc=\"\" alt=\"\" width=\"728\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Para demonstrar sua insatisfa\u00e7\u00e3o com o governo brasileiro, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, convidou o ex-presidente Jair Bolsonaro para visitar o pa\u00eds. No entanto, Bolsonaro foi impedido de viajar por estar com o passaporte retido em raz\u00e3o da investiga\u00e7\u00e3o por tentativa de golpe de Estado, em 2022. Em seu lugar, foram os governadores de extrema direita Tarc\u00edsio de Freitas (S\u00e3o Paulo) e Ronaldo Caiado (Goi\u00e1s). No retorno, eles prontamente adotaram a defini\u00e7\u00e3o de antissemitismo da ihra, incentivando outros governadores bolsonaristas a tomar a mesma decis\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao menos doze estados, o Distrito Federal e munic\u00edpios brasileiros, como S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro, j\u00e1 acataram a defini\u00e7\u00e3o da ihra durante o genoc\u00eddio em Gaza. A ado\u00e7\u00e3o tem car\u00e1ter educativo e cultural, isto \u00e9, as pessoas n\u00e3o podem ser punidas criminalmente com base nela, mas sua concep\u00e7\u00e3o de antissemitismo pode ser empregada em materiais escolares e art\u00edsticos, como no ensino do Holocausto e da quest\u00e3o Palestina-Israel em escolas p\u00fablicas. Isso estaria ocorrendo em S\u00e3o Paulo, com permiss\u00e3o do governo Tarc\u00edsio, por meio da atua\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o StandWithUs Brasil, principal defensora da ihra no pa\u00eds. A manipula\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria do holocausto, ao focar excessivamente no sofrimento judaico e excluir as demais v\u00edtimas do regime nazista, assim como ao conect\u00e1-la diretamente \u00e0s din\u00e2micas da quest\u00e3o Palestina-Israel para justificar os crimes israelenses, faz parte do <em>modus operandi<\/em> da Ind\u00fastria do Holocausto nos Estados Unidos revelada por Finkelstein.<\/p>\n<p>No in\u00edcio de 2025, o ex-ministro de Bolsonaro e deputado federal coronel Eduardo Pazuello (PL-RJ) apresentou, a pedido da Embaixada de Israel, um projeto de lei que inseria a defini\u00e7\u00e3o de antissemitismo da ihra no C\u00f3digo Penal brasileiro.<sup><sup>5<\/sup><\/sup> J\u00e1 em mar\u00e7o de 2026, poucos dias ap\u00f3s Pazuello retirar o seu projeto de tramita\u00e7\u00e3o, a deputada federal de centro-esquerda T\u00e1bata Amaral (PSB-SP), que j\u00e1 participou de diversos eventos da Ind\u00fastria do Holocausto, liderou um novo projeto de lei, assinado tamb\u00e9m por pol\u00edticos de extrema-direita \u2014 particularmente aqueles alinhados com a bancada evang\u00e9lica \u2014, para a ado\u00e7\u00e3o do ihra nas pol\u00edticas p\u00fablicas brasileiras.<sup><sup>6<\/sup><\/sup><\/p>\n<p>Ao redor do mundo, o emprego desse instrumento n\u00e3o tem servido para combater a discrimina\u00e7\u00e3o racial contra judeus, mas para censurar ativistas solid\u00e1rios \u00e0 causa palestina \u2013 incluindo judeus.<sup><sup>7<\/sup><\/sup> Eu e o professor Reginaldo Nasser, que coordenamos o Grupo de Estudos de Conflitos Internacionais (Geci) da puc-sp, fomos chamados pela mantenedora da institui\u00e7\u00e3o, a Funda\u00e7\u00e3o S\u00e3o Paulo (Fundasp), a responder por acusa\u00e7\u00f5es de antissemitismo em raz\u00e3o de publica\u00e7\u00f5es na p\u00e1gina do Geci no Instagram sobre a hist\u00f3ria do Hamas.<\/p>\n<p>A acusa\u00e7\u00e3o an\u00f4nima, feita por estudantes da puc-sp, foi mediada pela Federa\u00e7\u00e3o Israelita do Estado de S\u00e3o Paulo (Fisesp). Como resultado do processo administrativo, a Fundasp adotou parcialmente a defini\u00e7\u00e3o de antissemitismo da ihra, tornando-se a \u00fanica universidade brasileira a assumir tal postura \u2013 disseminando medo de persegui\u00e7\u00e3o na comunidade acad\u00eamica. Outras pessoas solid\u00e1rias \u00e0 Palestina, como o jornalista judeu Breno Altman, que assina a orelha deste livro, tamb\u00e9m foram falsamente acusadas de antissemitismo com base na defini\u00e7\u00e3o da ihra.<sup><sup>8<\/sup><\/sup><\/p>\n<p>Diante dessa crescente press\u00e3o sobre a sociedade civil brasileira e o governo, em julho de 2025, o presidente Lula decidiu retirar o Brasil de sua posi\u00e7\u00e3o de Estado observador da ihra. A sa\u00edda abriu mais uma crise com a Ind\u00fastria do Holocausto brasileira, que interpretou o gesto como um abandono da mem\u00f3ria da Shoah. A decis\u00e3o foi justificada pela forte press\u00e3o em favor do emprego legal da defini\u00e7\u00e3o de antissemitismo da ihra. Lula vinha sendo acusado reiteradamente de antissemitismo pelo lobby israelense no Brasil por suas cr\u00edticas ao genoc\u00eddio israelense em Gaza.<\/p>\n<p>Para colocar panos quentes na situa\u00e7\u00e3o, em janeiro de 2026 o presidente escalou a ministra dos Direitos Humanos, Maca\u00e9 Evaristo, para uma visita ao Bom Retiro, tradicional bairro judaico de S\u00e3o Paulo. A ministra visitou o Memorial do Holocausto e a Casa do Povo, institui\u00e7\u00e3o judaica antifascista criada em 1946. Na mesma semana, Evaristo e a ministra Gleisi Hoffmann se reuniram com lideran\u00e7as da comunidade judaica no Brasil em torno do tema \u201co enfrentamento do antissemitismo no Brasil\u201d.<\/p>\n<p>O encontro contou com representantes da esquerda sionista e antissionista, rabinos, acad\u00eamicos, pol\u00edticos e membros da Ind\u00fastria do Holocausto: os irm\u00e3os Cl\u00e1udio Lottenberg, presidente da Confedera\u00e7\u00e3o Israelita do Brasil (Conib), e Fernando Lottenberg, comiss\u00e1rio da Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos (oea) para o Monitoramento e Combate ao Antissemitismo, al\u00e9m de Carlos Reiss, coordenador-geral do Museu do Holocausto de Curitiba. Reiss era o representante brasileiro na ihra e foi um grande cr\u00edtico da decis\u00e3o federal de deixar o \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n<p>A reuni\u00e3o revela duas din\u00e2micas fundamentais da Ind\u00fastria do Holocausto debatidas por Finkelstein. Em primeiro lugar, mostra como, em meio a um genoc\u00eddio perpetrado pelo Estado de Israel, a quest\u00e3o do antissemitismo e da mem\u00f3ria do holocausto permaneceu mais relevante e recebeu mais aten\u00e7\u00e3o do governo brasileiro do que as v\u00edtimas do massacre em curso: os palestinos. Durante os dois anos de genoc\u00eddio em Gaza, a comunidade palestina e os movimentos de solidariedade \u00e0 causa n\u00e3o foram recebidos pelo primeiro escal\u00e3o do Executivo federal para uma reuni\u00e3o de mesmo n\u00edvel daquela realizada com integrantes da comunidade judaica.<\/p>\n<p>O antissemitismo de fato est\u00e1 crescendo globalmente, como se observa em ataques a sinagogas e cemit\u00e9rios judaicos no Brasil e no atentado em Bondi Beach, na Austr\u00e1lia, durante a celebra\u00e7\u00e3o de Hanukkah, que provocou a morte de quinze pessoas. No entanto, os casos de antissemitismo recebem uma aten\u00e7\u00e3o desproporcional em rela\u00e7\u00e3o aos epis\u00f3dios de racismo antipalestino, que justificam a devasta\u00e7\u00e3o completa da Faixa de Gaza e provocaram a morte de ao menos 70 mil palestinos. Isso sem falar na toler\u00e2ncia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0queles que ainda negam o genoc\u00eddio em curso e a Nakba, a grande cat\u00e1strofe do povo palestino ocorrida entre 1947 e 1949, quando cerca de 750 mil palestinos foram expulsos e quinhentos vilarejos foram destru\u00eddos por mil\u00edcias sionistas no processo de constru\u00e7\u00e3o do Estado de Israel.<\/p>\n<p>Outro fen\u00f4meno observado por Finkelstein e presente no contexto brasileiro \u00e9 o fortalecimento recente da mem\u00f3ria do holocausto como produto da quest\u00e3o Palestina-Israel. O Museu do Holocausto de Curitiba foi aberto em 2011, seguido pelo Memorial do Holocausto de S\u00e3o Paulo, em 2017, e pelo Memorial \u00e0s V\u00edtimas do Holocausto no Rio de Janeiro, em 2023. A cidade de S\u00e3o Paulo ainda conta com o Museu Judaico, inaugurado em 2021, que tamb\u00e9m aborda a hist\u00f3ria do holocausto. Isso sem mencionar o Centro da Cultura Judaica, mantido pela Unibes Cultural.<\/p>\n<p>Na capital paulista, n\u00e3o h\u00e1 dois ou tr\u00eas grandes centros de exposi\u00e7\u00e3o destinados exclusivamente \u00e0 mem\u00f3ria do povo negro ou ind\u00edgena. O Museu Afro Brasil se dirige \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de artistas negros brasileiros, muitas vezes com tem\u00e1ticas pol\u00edticas, mas n\u00e3o tem como objetivo central narrar a hist\u00f3ria da escravid\u00e3o ou da perman\u00eancia de estruturas de apartheid no Brasil. Ademais, somente em 2023 foi inaugurado o Museu das Culturas Ind\u00edgenas, o primeiro na cidade dedicado aos povos origin\u00e1rios. Outras comunidades imigrantes mais numerosas em S\u00e3o Paulo, como a arm\u00eania, a italiana, a \u00e1rabe e a japonesa, n\u00e3o mobilizam a mem\u00f3ria politicamente da mesma forma que a comunidade judaica.<\/p>\n<p>Esse movimento museol\u00f3gico em torno do holocausto coincide com o fortalecimento do movimento de solidariedade \u00e0 Palestina no Brasil e com um contexto em que a quest\u00e3o Palestina-Israel passou a se tornar uma pauta cada vez mais presente no debate p\u00fablico brasileiro. Contribuem para isso as crises diplom\u00e1ticas entre os pa\u00edses nas administra\u00e7\u00f5es petistas, o crescimento do segmento evang\u00e9lico e o alinhamento ideol\u00f3gico observado no governo Jair Bolsonaro.<sup><sup>9<\/sup><\/sup> A manipula\u00e7\u00e3o do antissemitismo se tornou um instrumento da extrema-direita brasileira, impulsionada pelos evang\u00e9licos sionistas e a Ind\u00fastria do Holocausto, para conter la\u00e7os de solidariedade do governo Lula com a Palestina. O objetivo da Ind\u00fastria do Holocausto n\u00e3o \u00e9 a preserva\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria judaica, mas a sua manipula\u00e7\u00e3o como instrumento de poder geopol\u00edtico.<\/p>\n<p> <strong>A Ind\u00fastria do Holocausto no centro da alian\u00e7a Estados Unidos-Israel<\/strong><\/p>\n<p><em>The Fateful Triangle: The United States, Israel and the Palestinians<\/em>, de Noam Chomsky,<sup><sup>10<\/sup><\/sup> havia revelado, em 1983, a import\u00e2ncia estrat\u00e9gica de Israel para o imperialismo estadunidense na Guerra Fria. Em uma an\u00e1lise que vale ainda hoje, Chomsky nota que a alian\u00e7a entre os pa\u00edses n\u00e3o \u00e9 baseada em valores como democracia e liberdade, mas no enfrentamento a inimigos comuns \u2013 o pan-arabismo dirigido por Gamal Abdel Nasser e, depois de 1979, o islamismo revolucion\u00e1rio liderado pelo Ir\u00e3 \u2013 que obstruem o acesso estadunidense \u00e0s reservas de petr\u00f3leo da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao apontar, nesta obra, para a explora\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e econ\u00f4mica da hist\u00f3ria do holocausto por parte do <em>establishment<\/em> sionista estadunidense e do Estado de Israel, Finkelstein contribuiu de forma decisiva para revelar outros pilares que sustentam a alian\u00e7a entre Estados Unidos e Israel. Ao revelar parcela das din\u00e2micas intestinais da sociedade estadunidense que fundamentam a \u201camizade especial\u201d entre os pa\u00edses, a sua publica\u00e7\u00e3o dialoga com a de John Mearsheimer e Stephen Walt que, em 2007, chamou aten\u00e7\u00e3o para a atua\u00e7\u00e3o do lobby israelense nos corredores de Washington.<sup><sup>11<\/sup><\/sup><\/p>\n<p>Os lobistas pressionam principalmente os poderes Executivo e Legislativo dos Estados Unidos, al\u00e9m de influenciar a grande m\u00eddia, a fim de moldar os tomadores de decis\u00e3o da pol\u00edtica externa estadunidense em favor dos interesses israelenses no contexto da \u201cGuerra ao Terror\u201d. Mearsheimer e Walt chegam a argumentar que a invas\u00e3o do Iraque teria ocorrido principalmente por press\u00e3o do lobby israelense e que iria contra o interesse nacional estadunidense. Argumento semelhante tem sido utilizado para explicar a agress\u00e3o conjunta de Estados Unidos e Israel ao Ir\u00e3, iniciada em fevereiro de 2026.<\/p>\n<p>Embora o papel do lobby israelense tenha de ser analisado com cautela para n\u00e3o ser exagerado, a obra de Mearsheimer e Walt oferece um enquadramento institucional complementar ao livro de Finkelstein sobre a Ind\u00fastria do Holocausto \u2013 n\u00e3o por acaso, ambas as publica\u00e7\u00f5es sofreram resist\u00eancia do mercado editorial estadunidense, que n\u00e3o desejava comprar briga com interesses poderosos em Washington e Nova York. No entanto, Finkelstein aborda o conte\u00fado moral que fundamenta essa alian\u00e7a e constitui o consentimento popular em torno dela para al\u00e9m do lobby das burguesias petroleiras, que almeja tomar os campos do Oriente M\u00e9dio, e do complexo industrial-militar, que possui robustos investimentos em Tel Aviv.<\/p>\n<p>A Ind\u00fastria do Holocausto representa a alian\u00e7a dos Estados Unidos com Israel como a defesa do Estado judeu sob a amea\u00e7a de um novo holocausto \u2014 e, por extens\u00e3o, da civiliza\u00e7\u00e3o ocidental como um todo. Na raiz dessa constru\u00e7\u00e3o est\u00e1 a ideia da \u201cciviliza\u00e7\u00e3o judaico-crist\u00e3\u201d, defendida por sionistas protestantes desde o s\u00e9culo XIX e que se tornou um termo para designar a fronteira moral, pol\u00edtica e ideol\u00f3gica que une Estados Unidos, Europa e Israel contra seus inimigos: o Isl\u00e3, o comunismo, o ate\u00edsmo e demais amea\u00e7as provenientes do Oriente. Esse \u00e9 o verniz cultural que constr\u00f3i o consentimento para o papel de bucha de canh\u00e3o que Israel desempenha contra os inimigos das pot\u00eancias imperialistas no Oriente M\u00e9dio \u2014 os movimentos nacionalistas ou isl\u00e2micos que restringem o acesso irrestrito ocidental aos recursos naturais da regi\u00e3o, especialmente o petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>Para justificar a sua inclus\u00e3o como \u201cocidentais\u201d, os judeus \u2014 e, portanto, Israel \u2014 foram classificados como os guardi\u00f5es dos valores da civiliza\u00e7\u00e3o ocidental por terem sido as grandes v\u00edtimas da suposta maior barb\u00e1rie j\u00e1 cometida pelos europeus. Embora o holocausto judeu n\u00e3o tenha sido o maior genoc\u00eddio da hist\u00f3ria quando comparado aos exterm\u00ednios coloniais executados pelos pr\u00f3prios europeus contra povos amer\u00edndios, africanos e asi\u00e1ticos, ele se tornou excepcional porque foi a primeira vez que tamanha barb\u00e1rie foi cometida dentro da Europa. Essa \u00e9 a verdadeira excepcionalidade da Shoah, que os promotores da Ind\u00fastria do Holocausto n\u00e3o gostam de admitir, a fim de preservar o estigma de excepcionalidade que repousa sobre os judeus, seu genoc\u00eddio e seu Estado-na\u00e7\u00e3o.<sup><sup>12<\/sup><\/sup><\/p>\n<p>Como resultado, o que observamos \u00e9 que a homogeneiza\u00e7\u00e3o racista dos judeus n\u00e3o foi rompida \u2014 apenas houve uma invers\u00e3o do sinal, de negativo para positivo \u2014 a partir da integra\u00e7\u00e3o de Israel \u00e0 estrutura imperialista liderada pelos Estados Unidos. Esse fen\u00f4meno \u00e9 conhecido como filosemitismo: um suporte e apre\u00e7o inato aos judeus, normalmente manifestado atrav\u00e9s do apoio ao Estado de Israel. Assim, o sionismo n\u00e3o rompeu com a camisa de for\u00e7a racista que o antissemitismo lhe imp\u00f4s; apenas lutou por seu lugar ao sol no mundo dos brancos.<\/p>\n<p>Para isso, como nota o palestino Joseph Massad, cumpriu a tarefa de oprimir povos vistos como inferiores aos judeus na hierarquia racial global \u2014 os \u00e1rabes e os mu\u00e7ulmanos.<sup><sup>13<\/sup><\/sup> A estrutura racista que produziu o nazismo e o genoc\u00eddio dos judeus na Europa segue intacta. A extrema-direita contempor\u00e2nea apenas substituiu, como base de seu regime de supremacia racial, o antissemitismo pela islamofobia. Israel desempenha uma fun\u00e7\u00e3o central nesse processo.<\/p>\n<p>Logo, a Ind\u00fastria do Holocausto n\u00e3o est\u00e1 preocupada em desfazer os vetores racistas que originalmente levaram \u00e0 subjuga\u00e7\u00e3o dos judeus no interior da modernidade ocidental. Sua miss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 universal, como deveria ser aquela que zela pela mem\u00f3ria de um dos maiores genoc\u00eddios da hist\u00f3ria, mas identit\u00e1ria: centrada na defesa da perman\u00eancia do Estado de Israel como eixo central do imperialismo ocidental e das elites sionistas como parte das classes dominantes em na\u00e7\u00f5es como Estados Unidos, Fran\u00e7a e Brasil.<\/p>\n<p>Esse, no entanto, n\u00e3o foi um projeto un\u00e2nime dentro das comunidades judaicas e a \u00fanica alternativa pol\u00edtica constru\u00edda pelo juda\u00edsmo organizado no s\u00e9culo XX. A imposi\u00e7\u00e3o da hegemonia sionista sobre as comunidades judaicas e a constitui\u00e7\u00e3o de uma ideologia comum sobre o antissemitismo moderno foram processos hist\u00f3ricos fundamentais para o sucesso da Ind\u00fastria do Holoucasto e a ascen\u00e7\u00e3o pol\u00edtica das elites sionistas nesses pa\u00edses e no mundo. A capacidade de avan\u00e7o colonial de Israel sobre o Oriente M\u00e9dio foi combinado \u00e0 supress\u00e3o sionista sobre segmentos judaicos comunistas no contexto da Guerra Fria.<\/p>\n<p><strong>A hegemonia sionista sobre o juda\u00edsmo e o papel da Ind\u00fastria do Holocausto<\/strong><\/p>\n<p>No final do s\u00e9culo xix, o jornalista austro-h\u00fangaro Theodor Herzl, ap\u00f3s cobrir o Caso Dreyfus<sup><sup>14<\/sup><\/sup> na Fran\u00e7a, chegou \u00e0 conclus\u00e3o de que seria imposs\u00edvel a assimila\u00e7\u00e3o dos judeus \u00e0s democracias liberais europeias por causa do antissemitismo estrutural dessas sociedades. Para Herzl, a solu\u00e7\u00e3o seria o \u00eaxodo judaico por meio da coloniza\u00e7\u00e3o de uma terra virgem. \u201cUma terra sem povo para um povo sem terra\u201d, diz o slogan sionista. Esse, entretanto, n\u00e3o era o \u00fanico entendimento que os judeus elaboravam a respeito da discrimina\u00e7\u00e3o racial a que estavam sujeitos na Europa.<\/p>\n<p>Entre as classes trabalhadoras judaicas, o socialismo internacionalista, que defendia o fim dos Estados e das classes, era a principal for\u00e7a mobilizadora de cora\u00e7\u00f5es e mentes. Isso era especialmente verdadeiro na R\u00fassia czarista, onde os judeus viviam uma esp\u00e9cie de apartheid, submetidos \u00e0 segrega\u00e7\u00e3o na chamada Zona de Assentamento e expostos a constantes linchamentos \u2013 os pogroms. Um resultado disso foi a forma\u00e7\u00e3o do Bund \u2013 Uni\u00e3o Geral Oper\u00e1ria Judaica da Litu\u00e2nia, Pol\u00f4nia e R\u00fassia \u2013 em 1897.<sup><sup>15<\/sup><\/sup><\/p>\n<p>O Bund defendia um nacionalismo cultural que reivindicava a autonomia da cultura \u00eddiche em meio \u00e0s quest\u00f5es do movimento oper\u00e1rio russo. Pregava o princ\u00edpio de <em>doikeyt<\/em> (<em>hereness<\/em>), isto \u00e9, a ideia de que os judeus deveriam se envolver nas lutas contra a opress\u00e3o onde viviam, em conjunto com os demais trabalhadores n\u00e3o judeus, em vez de se engajar na forma\u00e7\u00e3o de um Estado territorial judaico alhures, como defendia o movimento sionista. Diante do avan\u00e7o da coloniza\u00e7\u00e3o sionista da Palestina, o Bund rejeita o sionismo, em 1901. Acreditava-se que a luta pela emancipa\u00e7\u00e3o era universal, e n\u00e3o exclusiva aos judeus.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m do Bund, muitos judeus se envolveram na causa oper\u00e1ria russa e participaram das revolu\u00e7\u00f5es de 1905 e 1917, como Leon Trotsky. O Bund se manteve como um partido importante at\u00e9 a Revolu\u00e7\u00e3o Russa, quando L\u00eanin ordenou \u2014 equivocadamente \u2014 sua dissolu\u00e7\u00e3o para impedir o que entendia como divis\u00f5es no interior do movimento dos trabalhadores. O Bund polon\u00eas permaneceu relevante at\u00e9 a Segunda Guerra Mundial, protagonizando a resist\u00eancia \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o nazista, especialmente no Levante do Gueto de Vars\u00f3via, em 1943.<\/p>\n<p>Nas comunidades judaicas ao redor do mundo, incluindo Estados Unidos e Brasil, o comunismo antissionista bundista foi uma ideologia relevante mesmo depois da cria\u00e7\u00e3o do Estado de Israel. No Brasil, o Partido Comunista Brasileiro (pcb) manteve um setor judaico a partir dos anos 1930. A Casa do Povo foi criada em S\u00e3o Paulo, em 1946, como uma frente antifascista liderada por judeus comunistas e com a participa\u00e7\u00e3o de sionistas socialistas. A Conib, fundada em 1948, n\u00e3o nasceu como mera representante do lobby israelense no Brasil, mas enquanto um \u00f3rg\u00e3o expressivo da pluralidade do juda\u00edsmo nacional.<\/p>\n<p>Nos Estados Unidos, boa parte das entidades judaicas, como o American Council for Judaism, n\u00e3o era sionista e defendia a integra\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade estadunidense. Em 1947, o governo dos Estados Unidos apoiou o Plano de Partilha da Palestina na onu de maneira c\u00e9tica, temendo desagradar tanto as na\u00e7\u00f5es \u00e1rabes ricas em petr\u00f3leo quanto seus eleitores judeus. O pr\u00f3prio Estado de Israel, em seus primeiros anos, tampouco era alinhado integralmente ao Ocidente.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de serem ideologicamente socialistas, muitos israelenses admiravam a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica por seu papel na derrota do nazismo e, especialmente, na liberta\u00e7\u00e3o dos campos de concentra\u00e7\u00e3o. Os sovi\u00e9ticos foram, ainda, fundamentais na aprova\u00e7\u00e3o da Partilha da Palestina ao entregar n\u00e3o apenas seu voto, mas tamb\u00e9m os da Ucr\u00e2nia e da Bielorr\u00fassia. Ainda em 1948, se n\u00e3o fosse a venda de armas tchecas para Israel, sob autoriza\u00e7\u00e3o sovi\u00e9tica, os israelenses poderiam ter sido derrotados na Guerra \u00c1rabe-Israelense. Al\u00e9m disso, a pol\u00edtica de n\u00e3o alinhamento de Israel em sua primeira d\u00e9cada de exist\u00eancia conferiu ao pa\u00eds um convite para a Confer\u00eancia de Bandung, em 1955.<sup><sup>16<\/sup><\/sup><\/p>\n<p>Foi a transforma\u00e7\u00e3o de Israel em ativo militar que mudou a hist\u00f3ria e construiu a hegemonia do sionismo sobre o juda\u00edsmo \u2014 al\u00e9m de dar a luz \u00e0 Ind\u00fastria do Holocausto, demonstra Finkelstein. O poderio demonstrado na Campanha do Sinai, contra o Egito, em 1956, ainda foi alvo de duras cr\u00edticas por parte do <em>establishment<\/em> judaico nos Estados Unidos, que via Israel como uma <em>rogue nation<\/em>. No entanto, Finkelstein nota que essas mesmas pessoas se tornaram defensoras do Estado judeu quando os Estados Unidos decidiram firmar a alian\u00e7a ap\u00f3s a vit\u00f3ria israelense na Guerra dos Seis Dias, em 1967. O autor observa corretamente que um Israel em paz com seus vizinhos \u00e1rabes ou, ainda, integrado ao movimento terceiro-mundista, n\u00e3o teria nenhuma utilidade para os Estados Unidos. Pelo contr\u00e1rio, poderia at\u00e9 se tornar um inimigo, como ocorrera com o pan-arabismo.<\/p>\n<p>A partir de ent\u00e3o, as lideran\u00e7as judaicas estadunidenses, de fonte para denunciar judeus comunistas \u00e0 persegui\u00e7\u00e3o Macartista, come\u00e7aram a ser convidadas para a Casa Branca para discutir o interesse nacional com o presidente. Logo Israel tornou-se sua religi\u00e3o. Uma passagem importante do livro \u00e9 quando Finkelstein nota como esse movimento na dire\u00e7\u00e3o do sionismo coincide com o afastamento das elites judaicas do movimento pelos direitos civis no final dos anos 1960, no momento em que este passou a assumir pautas econ\u00f4micas em defesa de a\u00e7\u00f5es afirmativas. Inclu\u00eddas, ainda que imperfeitamente, na branquitude, as elites judaicas \u2014 agora convertidas ao sionismo \u2014 poderiam se dar ao luxo de assumir posturas reacion\u00e1rias contra o movimento antirracista estadunidense, mesmo que suas pautas auxiliassem, em \u00faltima inst\u00e2ncia, no combate ao antissemitismo real.<\/p>\n<p>Do ponto de vista estrategico, se tornou mais vantajoso assumir a postura sionista de que o antissemitismo seria um mal at\u00e1vico do mundo gentil, especialmente vis\u00edviel no Oriente M\u00e9dio. O Hamas n\u00e3o \u00e9 o primeiro inimigo de Israel a ser classificado de neonazista, posi\u00e7\u00e3o que j\u00e1 foi ocupada por Nasser durante os anos 1950 e 1960. Na imprensa israelense, ocidental e na pr\u00f3pria diplomacia europeia, era comum Nasser ser representado como o \u201cHitler no Nilo\u201d.<sup><sup>17<\/sup><\/sup> Em carta de 1963 dirigida ao presidente dos Estados Unidos, John F. Kennedy, o premi\u00ea israelense, David Ben-Gurion, afirmou que \u201cNasser est\u00e1, de fato, adotando a ideologia nacional\u2011socialista dos nazistas\u201d e recorda que \u201cpor muitos anos o mundo civilizado n\u00e3o levou a s\u00e9rio\u201d as declara\u00e7\u00f5es de Hitler sobre a inten\u00e7\u00e3o de exterminar os judeus e adverte que algo semelhante poderia ocorrer com Israel caso Nasser obtivesse uma vit\u00f3ria militar.<sup><sup>18<\/sup><\/sup><\/p>\n<p>No Brasil, o golpe de 1964 foi um marco na divis\u00e3o entre o establishment judaico, que se tornava crescentemente sionista e desejava manter boas rela\u00e7\u00f5es com o governo federal, e os setores comunistas da classe trabalhadora judaica, que resistiram \u00e0 ditadura militar. Em S\u00e3o Paulo, a combina\u00e7\u00e3o entre a ascens\u00e3o socioecon\u00f4mica da comunidade judaica, que levou ao \u00eaxodo do bairro oper\u00e1rio do Bom Retiro, o fortalecimento da ideologia sionista ap\u00f3s 1967 e a repress\u00e3o militar sobre os movimentos comunistas resultou, por exemplo, no fechamento da Casa do Povo no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1980.<sup><sup>19<\/sup><\/sup> O movimento comunista judaico sempre deu protagonismo \u00e0 resist\u00eancia dos partisans ao nazifascista. No entanto, essa narrativa foi substitu\u00edda pela da Ind\u00fastria do Holocausto fabricada nos Estados Unidos \u00e0 medida que se desestruturou o segmento n\u00e3o sionista organizado da comunidade judaica.<\/p>\n<p>Essa hegemonia do sionismo sobre a identidade judaica refor\u00e7ou apenas uma forma de ser judeu no mundo: submeter-se aos interesses da na\u00e7\u00e3o israelense. Na pr\u00e1tica, isso significa cumplicidade com o expansionismo territorial judaico na Palestina e a elimina\u00e7\u00e3o do seu povo nativo. Como pano de fundo, todos os judeus do mundo seriam educados com a ideia de que Israel representa um \u00faltimo ref\u00fagio em caso de um novo holocausto. Essa ideia, completamente alienada da realidade, ignora como Israel \u00e9 o lugar mais perigoso para ser judeu no mundo. No entanto, n\u00e3o como v\u00edtima de antissemitismo, mas como colono submetido \u00e0 viol\u00eancia oriunda da resist\u00eancia anticolonial palestina.<\/p>\n<p>Logo a manipula\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria do holocausto e da acusa\u00e7\u00e3o de antissemitismo torna-se instrumento fundamental para manter a hegemonia sionista sobre as na\u00e7\u00f5es ocidentais e suas comunidades judaicas. Os n\u00e3o judeus, exceto aqueles extremamente sionistas, s\u00e3o idealizados como atavicamente antissemitas: todos os \u00e1rabes, especialmente os grupos isl\u00e2micos, seriam novas encarna\u00e7\u00f5es de um mal irracional e cruel que odeia os judeus por uma suposta inveja por serem o \u201cpovo escolhido\u201d, tal como Hitler e Rams\u00e9s ii.<sup><sup>20<\/sup><\/sup><\/p>\n<p>Para o sionismo, o \u00f3dio aos judeus seria um mal incorrig\u00edvel, e n\u00e3o haveria alternativa sen\u00e3o encerrar-se em uma \u201cEsparta\u201d exclusivamente judaica contra os inimigos que desejam eliminar os judeus da face da Terra. Esse judeopessimismo \u2013 para tomar de empr\u00e9stimo a analogia com a ideologia \u201cafropessimista\u201d,<sup><sup>21<\/sup><\/sup> que faz ju\u00edzo semelhante a respeito do racismo antinegro no mundo \u2013 abre m\u00e3o do universalismo que sempre orientou a \u00e9tica humanista judaica em prol do particularismo excludente e genocida do Estado de Israel.<\/p>\n<p> <strong>Superando o particularismo sionista na dire\u00e7\u00e3o de um universalismo judaico-palestino<\/strong><\/p>\n<p>No in\u00edcio de 2026, estive em duas cerim\u00f4nias do mesmo <em>shabat <\/em>\u2013 uma na noite de sexta-feira e outra na manh\u00e3 de s\u00e1bado \u2013 em duas sinagogas diferentes de S\u00e3o Paulo. Por essa raz\u00e3o, foi feita a leitura da mesma <em>parash\u00e1<\/em>, ou seja, a por\u00e7\u00e3o semanal da Tor\u00e1. A <em>parash\u00e1<\/em> tratava do momento em que Deus escolhe Mois\u00e9s para liderar os israelitas na liberta\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o no Egito Antigo.<\/p>\n<p>Na sexta \u00e0 noite, o debate girou em torno da ideia de \u201cpovo escolhido\u201d. Esse conceito \u00e9 particularmente relevante para a Ind\u00fastria do Holocausto, pois o antissemitismo at\u00e1vico dos gentios seria fundamentado em uma inveja incorrig\u00edvel em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 excepcionalidade dos judeus. Finkelstein relembra muito bem como a ideia de superioridade faz parte da forma\u00e7\u00e3o da maioria dos judeus do mundo. \u00c9 revelador do identitarismo que constitui a forma\u00e7\u00e3o judaica secular o trecho resgatado do escritor estadunidense Philip Roth: o que uma crian\u00e7a judia estadunidense herda n\u00e3o \u00e9 \u201cnenhum conjunto de leis, nenhum conjunto de ensinamentos e nenhum idioma e, por fim, nenhum Senhor\u2026 mas um tipo de psicologia: e essa psicologia pode ser traduzida em tr\u00eas palavras: \u2018Judeus s\u00e3o melhores\u2019\u201d.<\/p>\n<p>Finkelstein tamb\u00e9m recorda alguns dos argumentos que eu mesmo ouvi ao longo da vida para justificar essa superioridade. Entre eles est\u00e3o o n\u00famero de pr\u00eamios Nobel recebidos por judeus; o esp\u00edrito empreendedor dos judeus, em particular dos israelenses, imbu\u00eddos de <em>chutzpah<\/em>,<sup><sup>22<\/sup><\/sup>que ergueram uma na\u00e7\u00e3o rica em poucas d\u00e9cadas; e a sobrerrepresenta\u00e7\u00e3o em setores de prest\u00edgio, como advocacia e medicina \u2013 o Hospital Israelita Albert Einstein, avaliado como um dos melhores do mundo, \u00e9 a joia da coroa da comunidade judaica paulistana.<\/p>\n<p>Eu reconhe\u00e7o esse identitarismo na minha forma\u00e7\u00e3o, em especial na prefer\u00eancia por comediantes judeus e por seu humor \u00e1cido, ir\u00f4nico e autodepreciativo. A respeito dessa ideia de \u201cpovo escolhido\u201d, diz uma antiga piada judaica:<\/p>\n<p>Diante de Hashem [Deus], o crente pergunta: \u201c\u00c9 verdade que somos o Teu Povo Escolhido?\u201d<br \/>\u201cClaro\u201d, responde Deus.<br \/>\u201cEnt\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 na hora de escolher mais algu\u00e9m?\u201d, retruca o insolente.<\/p>\n<p>A piada expressa o sentimento contradit\u00f3rio do judeu em ser o \u201cpovo escolhido\u201d. No entanto, o rabino trouxe uma nova interpreta\u00e7\u00e3o a respeito desse conceito. A ideia de ser escolhido n\u00e3o quer dizer ser especial e, portanto, superior aos demais. Os judeus seriam escolhidos para carregar uma mensagem de liberta\u00e7\u00e3o contra a escravid\u00e3o imposta pelos eg\u00edpcios aos israelitas e a outros povos. No entanto, assim como a hist\u00f3ria do holocausto, a mem\u00f3ria da escravid\u00e3o no Egito Antigo tamb\u00e9m apaga as v\u00edtimas n\u00e3o judaicas. Os n\u00fabios, no atual Sud\u00e3o, os l\u00edbios, os levantinos e os cananeus \u2013 habitantes de territ\u00f3rios correspondentes \u00e0s atuais Palestina\/Israel, L\u00edbano, Jord\u00e2nia e S\u00edria \u2013 foram outros povos escravizados como consequ\u00eancia de guerras ou adquiridos via com\u00e9rcio.<\/p>\n<p>Deus teria escolhido os israelitas, em especial Mois\u00e9s, para confrontar o fara\u00f3 e libertar o povo hebreu, conduzindo-o durante o \u00eaxodo at\u00e9 a Terra Prometida. Mas, como bem apontou o segundo rabino na discuss\u00e3o da <em>parash\u00e1<\/em> no s\u00e1bado pela manh\u00e3, n\u00e3o foram libertos apenas os israelitas, mas todos aqueles escravizados pelo fara\u00f3. E vieram a se assentar na Terra Prometida, junto dos israelitas, todos aqueles que n\u00e3o tinham ref\u00fagio em sua terra natal. Por essa leitura dos acontecimentos b\u00edblicos, a Israel antiga teria sido, portanto, uma terra de liberta\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o para todos os povos submetidos ao cativeiro no Egito Antigo. Isto \u00e9, representava o princ\u00edpio da universalidade, que veio a fundamentar a \u00e9tica humanista judaica, e n\u00e3o um enclave exclusivamente judaico da Antiguidade.<\/p>\n<p>Contudo, como nota Karl Marx, a \u201chist\u00f3ria se repete, primeiro como trag\u00e9dia, depois como farsa\u201d.<sup><sup>23<\/sup><\/sup> Mil\u00eanios depois, quando os judeus foram submetidos novamente \u00e0 escravid\u00e3o, agora pelos nazistas, e almejaram reconstituir Israel como seu ref\u00fagio de liberdade, a sobreposi\u00e7\u00e3o do particularismo sionista ao princ\u00edpio universalista da tradi\u00e7\u00e3o humanista judaica fez da Israel moderna uma farsa. A representa\u00e7\u00e3o sionista do mundo como atavicamente antissemita \u2013 refor\u00e7ada diuturnamente pela Ind\u00fastria do Holocausto \u2013 apresenta como \u00fanica alternativa o fechamento exclusivista dos judeus em seu Estado, em detrimento da vida e da dignidade do outro.<\/p>\n<p>O fil\u00f3sofo judeu-franc\u00eas Emmanuel Levinas viu no juda\u00edsmo a possibilidade de realiza\u00e7\u00e3o de um universalismo, pois teria introduzido valores de justi\u00e7a e responsabilidade social, constituindo o exerc\u00edcio da religi\u00e3o como responsabilidade \u00e9tica pelo outro. Preso pelo nazismo durante a ocupa\u00e7\u00e3o da Fran\u00e7a, em 1939, o fil\u00f3sofo tornou-se um grande cr\u00edtico dos nacionalismos europeus, que imp\u00f5em limites \u00e0 \u00e9tica humana. Ele, no entanto, n\u00e3o assume uma postura antissionista, pois v\u00ea import\u00e2ncia hist\u00f3rica na refunda\u00e7\u00e3o de Israel, desde que isso n\u00e3o reduza o juda\u00edsmo a um nacionalismo, nem torne a identidade judaica exclusivista.<sup><sup>24<\/sup><\/sup><\/p>\n<p>A hist\u00f3ria da Israel moderna at\u00e9 poderia ter sido diferente, ainda que tamb\u00e9m problem\u00e1tica, caso reproduzisse a mesma l\u00f3gica da Israel antiga e abrigasse todas as v\u00edtimas do holocausto: romas, pessoas com defici\u00eancia, negros, lgbtqia+ e comunistas. Embora os palestinos continuassem sujeitos a um processo colonial europeu, a pluralidade dos grupos que comporiam essa sociedade provavelmente impediria a realiza\u00e7\u00e3o do projeto sionista de supremacia racial visto no Estado de Israel.<\/p>\n<p>Retornado da hist\u00f3ria contrafactual para do sionismo real na Palestina, a \u00e9tica humanista e universalista vista por Levinas na tradi\u00e7\u00e3o judaica foi substitu\u00edda, com a hegemonia sionista sobre todas as formas de ser judeu no mundo, por um exclusivismo identit\u00e1rio encerrado em um Estado ultramilitarizado, orientado por ideais racistas de \u201cchoque de civiliza\u00e7\u00f5es\u201d contra na\u00e7\u00f5es \u00e1rabes e mu\u00e7ulmanas. Como temia Levinas, o juda\u00edsmo foi reduzido ao sionismo, e a identidade judaica ficou encerrada em si mesma.<\/p>\n<p>Judith Butler recorre a Levinas para subvert\u00ea-lo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o palestina, radicalizar seu pensamento e elaborar, junto do pensamento de outras intelectuais judias como Hannah Arendt, o que classifica como tradi\u00e7\u00e3o judaica \u201cdiasp\u00f3rica\u201d: fundamentada na rela\u00e7\u00e3o com outros povos n\u00e3o judeus; enraizada em uma tradi\u00e7\u00e3o \u00e9tica que n\u00e3o se limita ao pr\u00f3prio grupo identit\u00e1rio; cr\u00edtica da soberania estatal absoluta; e defensora da coabita\u00e7\u00e3o<sup><sup>25<\/sup><\/sup> entre diferentes povos como condi\u00e7\u00e3o b\u00e1sica da pol\u00edtica.<sup><sup>26<\/sup><\/sup><\/p>\n<p>Esse sionismo \u201cdiasp\u00f3rico\u201d, ainda visto nas franjas das comunidades judaicas ao redor do mundo que resistem \u00e0 patrulha sionista, seria uma forma de Butler trazer para a contemporaneidade a tradi\u00e7\u00e3o judaica humanista secular. A fil\u00f3sofa estadunidense aponta que Israel se tornou uma exce\u00e7\u00e3o a essa tradi\u00e7\u00e3o diasp\u00f3rica e reivindica o abandono do exclusivismo nacional que caracteriza o sionismo pelo juda\u00edsmo. Isto \u00e9, defende o antissionismo como posi\u00e7\u00e3o fundamentada na tradi\u00e7\u00e3o judaica diasp\u00f3rica, como forma de elaborar uma cr\u00edtica judaica a Israel e construir a reconcilia\u00e7\u00e3o com os palestinos. Contudo, ela ressalta a necessidade de, ao mesmo tempo, negar a excepcionalidade da cr\u00edtica judaica a Israel com o objetivo de impedir a constru\u00e7\u00e3o de uma nova forma de particularidade judaica.<\/p>\n<p>A viol\u00eancia a que Israel submete o povo palestino os colocou em uma situa\u00e7\u00e3o de luta revolucion\u00e1ria constante por liberdade. Hoje, a centralidade que a Quest\u00e3o Palestina tem para o mundo faz o povo palestino emular a posi\u00e7\u00e3o de \u201cpovo escolhido\u201d a carregar a mensagem de liberta\u00e7\u00e3o universal. Portanto a emancipa\u00e7\u00e3o judaica vir\u00e1 do reencontro com essa mensagem e a partir de um engajamento ativo com a causa palestina. Isto \u00e9, por meio do rompimento com o particularismo sionista e do reconhecimento verdadeiro da humanidade do outro antes de qualquer pertencimento nacional ou religioso, tal como prega o princ\u00edpio humanista judaico.<\/p>\n<p>Butler demonstra que a realiza\u00e7\u00e3o de uma universalidade leg\u00edtima envolve combater falsos multiculturalismos que ocultam o car\u00e1ter colonial da situa\u00e7\u00e3o palestina, bem como encarar a pluralidade concreta que constitui os povos que coabitam o mesmo territ\u00f3rio sem homogeneizar suas identidades. Isso passa pela conjun\u00e7\u00e3o das identidades nacionais judaica e palestina na forma\u00e7\u00e3o de uma nova forma de identifica\u00e7\u00e3o pol\u00edtica anticolonial comum, libertadora e igualit\u00e1ria.<\/p>\n<p>O seu projeto deixa claro o tamanho do desafio do movimento de descoloniza\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio da Palestina, que inclui, implicitamente, a descoloniza\u00e7\u00e3o do juda\u00edsmo pelo sionismo. Um primeiro passo na dire\u00e7\u00e3o de um processo que seja universal e emancipador a todos e todas \u00e9 desfazer as mentiras constru\u00eddas pela Ind\u00fastria do Holocausto e reconhecer as hist\u00f3rias e humanidades de todos os povos oprimidos: do Egito Antigo, do holocausto nazista e do genoc\u00eddio israelense. Por essa raz\u00e3o, essa obra de Finkelstein \u00e9 uma contribui\u00e7\u00e3o fundamental para aqueles que lutam pela liberta\u00e7\u00e3o da Palestina.<\/p>\n<hr>\n<p><strong>Notas:<\/strong><\/p>\n<p>1 Lazaroff, Tovah; Spungin, Tal. <em>Benjamin Netanyahu holds up Mein Kampf to protest ICJ, calls Hamas \u201cnew Nazis\u201d.<\/em> The Jerusalem Post, 27 jan. 2024. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.jpost.com\/israel-hamas-war\/article-783989&gt;. Acesso em: 30 mar. 2026.<\/p>\n<p>2 Said, Edward W.<em> A quest\u00e3o da Palestina<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de Sonia Midori. S\u00e3o Paulo: Ed. Unesp, 2012.<\/p>\n<p>3 Huberman, Bruno. <em>Gaza vive opress\u00e3o maior que a do Gueto de Vars\u00f3via e de Soweto<\/em>. Opera Mundi, 8 out. 2023. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/operamundi.uol.com.br\/politica-e-economia\/gaza-vive-opressao-maior-que-a-do-gueto-de-varsovia-e-de-soweto\/&gt;. Acesso em: 30 mar. 2026.<\/p>\n<p>4 Didi-Huberman, Georges. <em>Cascas<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de Andr\u00e9 Telles. S\u00e3o Paulo: Editora 34, 2017.<\/p>\n<p>5 BRASIL. Projeto de Lei n. 472, de 2025. Institui a n\u00edvel nacional a defini\u00e7\u00e3o de antissemitismo da Alian\u00e7a Internacional para a Mem\u00f3ria do Holocausto. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.camara.leg.br\/proposicoesWeb\/prop_mostrarintegra?codteor=2855888&amp;filename=PL%20472\/2025&gt;. Acesso em: 30 mar. 2026.<\/p>\n<p>6 BRASIL. Projeto de Lei n. 1.424, de 2026. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.camara.leg.br\/proposicoesWeb\/prop_mostrarintegra?codteor=3105410&amp;filename=PL%201424\/2026&gt;. Acesso em: 30 mar. 2026.<\/p>\n<p>7 Gordon, N. Antisemitism and Zionism: The Internal Operations of the IHRA Definition. <em>Middle East Critique<\/em>, v. 33,n. 3,, p. 345-360, 2024.<\/p>\n<p>8 Altman, Breno. A verdadeira prova de antissemitismo. Folha de S.Paulo, 2026. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/opiniao\/2026\/03\/a-verdadeira-prova-de-antissemitismo.shtml&gt;. Acesso em: 30 mar. 2026.<\/p>\n<p>9 Huberman, Bruno. Why the Brazilian Jewish Left Is Not Anti-Zionist. <em>Historical Materialism<\/em>, Leiden: Brill, v. 32, n. 1, p. 58-86, 2024.<\/p>\n<p>10 Chomsky, Noam. <em>The fateful triangle: the United States, Israel, and the Palestinians.<\/em> Boston: South End Press, 1983.<\/p>\n<p>11 Mearsheimer, John J.; Walt, Stephen M. T<em>he Israel Lobby and U.S. Foreign Policy<\/em>. New York: Farrar, Straus and Giroux, 2007.<\/p>\n<p>12 Englert, Sai. The State, Zionism and the Nazi Genocide: Jewish Identity-Formation in the West between Assimilation and Rejection. <em>Historical Materialism<\/em>, v. 26, n. 2, p. 149-177, 2018.<\/p>\n<p>13 Massad, Joseph. <em>The persistence of the Palestinian question: Essays on Zionism and the Palestinians<\/em>. Routledge, 2006.<\/p>\n<p>14 Dreyfus foi um general judeu falsamente acusado de trai\u00e7\u00e3o ap\u00f3s a derrota francesa na Guerra Franco-Prussiana (1970-1971). O seu caso revelou a for\u00e7a do antissemitismo na sociedade francesa apesar de d\u00e9cadas de assimila\u00e7\u00e3o dos judeus.<\/p>\n<p>15 Clemesha, Arlene. <em>Marxismo e juda\u00edsmo: hist\u00f3ria de uma rela\u00e7\u00e3o dif\u00edcil<\/em>. 2. ed. rev. e ampl. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2025.<\/p>\n<p>16 Israel recusou o convite depois que foi confirmada a presen\u00e7a de palestinos como parte da delega\u00e7\u00e3o da Transjord\u00e2nia.<\/p>\n<p>17 Bakan, Abigail B.; Abu-Laban, Yasmeen. Antisemitism as anti-Jewish racism: reflections on an anti-racist analytic. <em>Historical Materialism<\/em>, v. 32, n. 1, p. 225-266, 2024.<\/p>\n<p>18 Prime Minister Ben-Gurion to President Kennedy, 12 May 1963, with State Department memo attached, 14 May 1963, Secret. National Security Archive, George Washington University, Washington, DC, 2019. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/nsarchive.gwu.edu\/document\/18724-national-security-archive-doc-25-prime-minister&gt;. Acesso em: 30 mar. 2026.<\/p>\n<p>19 Huberman, Bruno. Why the Brazilian Jewish Left Is Not Anti-Zionist. <em>Historical Materialism<\/em>, Leiden: Brill, v. 32, n. 1, p. 58-86, 2024.<\/p>\n<p>20 O fara\u00f3 eg\u00edpcio que teria escravizado os israelitas no s\u00e9culo xiii a.C.<\/p>\n<p>21 Okoth, Kevin Ochieng. <em>\u00c1frica vermelha: resgatando a pol\u00edtica negra revolucion\u00e1ria<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de Heci Regina Candiani. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2025.<\/p>\n<p>22 Termo em \u00eddiche que significa \u201caud\u00e1cia\u201d, usado para explicar a suposta capacidade inovadora particular dos israelenses.<\/p>\n<p>23 Marx, Karl. <em>O 18 de brum\u00e1rio de Lu\u00eds Bonaparte<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de N\u00e9lio Schneider. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2011.<\/p>\n<p>24 Sessler, Tal. <em>Leibowitz and Levinas: between Judaism and universalism<\/em>. Boston: Academic Studies Press, 2022.<\/p>\n<p>25 Coabita\u00e7\u00e3o \u00e9 um conceito de Arendt empregado por Butler que defende a conviv\u00eancia civil, plural e democr\u00e1tica entre grupos diferentes. Embora esses grupos n\u00e3o tenham escolhido viver em uma mesma comunidade, diante dos desafios impostos pelo processo hist\u00f3rico, optam pela coabita\u00e7\u00e3o ao inv\u00e9s de perseguir projetos pol\u00edticos exclusivistas baseados em identidades \u00e9tnicas, como do nazismo e do sionismo.<\/p>\n<p>26 Butler, Judith. <em>Caminhos divergentes: judaicidade e cr\u00edtica do sionismo<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de Rog\u00e9rio Bettoni. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2017.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Sem publicidade ou patroc\u00ednio, dependemos de voc\u00ea. Fa\u00e7a parte do nosso grupo de apoiadores e ajude a manter nossa voz livre e plural: <strong>apoia.se\/outraspalavras<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>The post Para entender a ind\u00fastria do Holocausto appeared first on Outras Palavras.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/fbi-e-lava-jato-por-que-entender-a-relacao-e-fundamental-para-analisar-o-presente\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">FBI e Lava Jato: por que entender a rela\u00e7\u00e3o \u00e9 fund...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/video-descontrolado-e-raivoso-marcos-do-val-ataca-bolsa-familia\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">V\u00eddeo: Descontrolado e raivoso, Marcos do Val atac...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/ativistas-da-global-sumud-flotilla-comecam-a-ser-libertados-por-israel\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Ativistas da Global Sumud Flotilla come\u00e7am a ser l...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/sul21.com.br\/noticias\/politica\/2025\/09\/bolsonaro-pode-ser-preso-ate-dezembro-se-recursos-forem-rejeitados\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1658529&amp;o=node') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Bolsonaro pode ser preso at\u00e9 dezembro se recursos ...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Norman Finkelstein escancara: Israel manipula o massacre dos judeus em busca de poder e dinheiro. Seu livro descreve a estrat\u00e9gia, que inclui distor\u00e7\u00e3o da Hist\u00f3ria, lobby pol\u00edtico e silenciamento dos cr\u00edticos. Autor faz s\u00e9rie de debates no Brasil <\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/direita-assanhada\/para-entender-a-industria-do-holocausto\/\">Para entender a ind\u00fastria do Holocausto<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":90393,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[5511,9202,7052,40585,2929,64699,61441,2441,64700],"tags":[],"class_list":["post-90392","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-capa","category-crimes-de-israel","category-direita-assanhada","category-edward-said","category-genocidio-em-gaza","category-industria-do-holocausto","category-norman-finkelstein","category-sionismo","category-ultradireita-israelense"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/90392","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=90392"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/90392\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/90393"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=90392"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=90392"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=90392"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}