{"id":90705,"date":"2026-06-08T11:14:15","date_gmt":"2026-06-08T14:14:15","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/confinamento-de-bois-avanca-sem-regras-claras-e-riscos-ao-bem-estar-animal\/"},"modified":"2026-06-08T11:14:15","modified_gmt":"2026-06-08T14:14:15","slug":"confinamento-de-bois-avanca-sem-regras-claras-e-riscos-ao-bem-estar-animal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/confinamento-de-bois-avanca-sem-regras-claras-e-riscos-ao-bem-estar-animal\/","title":{"rendered":"Confinamento de bois avan\u00e7a sem regras claras e riscos ao bem-estar animal"},"content":{"rendered":"<p><strong>O CONFINAMENTO BOVINO<\/strong> \u2014 sistema em que animais permanecem fechados por at\u00e9 quatro meses em currais, completamente dependentes do ser humano para comer e beber \u00e1gua \u2014 cresce no Brasil a um ritmo mais acelerado do que a expans\u00e3o da pecu\u00e1ria.<\/p>\n<p>Ativistas, no entanto, criticam o modelo por n\u00e3o garantir o bem-estar animal. Al\u00e9m disso, especialistas apontam que a recente flexibiliza\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o ambiental aprovada pelo Congresso Nacional abre brechas para impactos como a contamina\u00e7\u00e3o de rios.\u00a0<\/p>\n<p>Respondendo por um a cada cinco bovinos abatidos no Brasil, o confinamento aumentou 148% em 20 anos, de acordo com a Abiec (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira das Ind\u00fastrias Exportadoras de Carnes), passando de 3,5 milh\u00f5es de cabe\u00e7as em 2004, para 8,8 milh\u00f5es em 2024. No mesmo per\u00edodo, o rebanho nacional cresceu 11%, chegando a 194 milh\u00f5es de animais.<\/p>\n<p>O principal motivo para o aumento \u00e9 a demanda aquecida, especialmente da China, que responde por 53% das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras, segundo pesquisadores ouvidos pela <strong>Rep\u00f3rter Brasil<\/strong>.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cO confinamento acelera a produ\u00e7\u00e3o\u201d, explica Julio Palhares, pesquisador da Embrapa Pecu\u00e1ria Sudeste. \u201cNesse segmento, o animal \u00e9 abatido mais jovem, com 24 a 30 meses. J\u00e1 um animal criado a pasto pode ser abatido mais velho, com 36 e at\u00e9 48 meses\u201d, continua.<\/p>\n<p>Os pesquisadores apontam que, geralmente, os animais s\u00e3o confinados para a engorda no per\u00edodo de seca, de maio a outubro. O sistema tamb\u00e9m pode ocorrer na \u00e9poca das chuvas, por\u00e9m, essa op\u00e7\u00e3o aumenta os riscos relacionados ao manejo dos res\u00edduos produzidos pelo gado, \u00e0 eros\u00e3o do solo e ao bem-estar animal.<\/p>\n<p>\u201cComo se adensam animais em uma pequena \u00e1rea, \u00e9 produzido tamb\u00e9m, por consequ\u00eancia, um monte de res\u00edduo na forma de fezes e urina\u201d, afirma Palhares. \u201cEsses res\u00edduos t\u00eam que ser manejados de forma correta para n\u00e3o causar impacto ambiental. \u00c9 diferente de um sistema a pasto, em que os animais est\u00e3o espalhados em uma grande \u00e1rea e v\u00e3o distribuindo as suas fezes e urina naquela grande \u00e1rea\u201d.<\/p>\n<p>Defensores dos direitos dos animais criticam o confinamento por entender que o modelo n\u00e3o atenderia a padr\u00f5es de bem-estar animal. Ativistas dizem que esse tipo de cria\u00e7\u00e3o causa \u201csofrimento animal\u201d por criar um ambiente \u201cinsalubre\u201d, onde o gado vive em meio \u00e0 terra e aos pr\u00f3prios dejetos, sem prote\u00e7\u00e3o contra o sol e a chuva.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cO ambiente desses animais \u00e9 a pasto, em meio a \u00e1rvores, soltos, com bastante espa\u00e7o para formar grupos\u201d, afirma Luiza Schneider, vice-presidente de investiga\u00e7\u00f5es da ONG Mercy for Animals, especializada em bem-estar animal.\u00a0<\/p>\n<div data-elementor-type=\"section\" data-elementor-id=\"77670\" data-elementor-post-type=\"elementor_library\">\n<div data-id=\"17a659f\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\" data-settings='{\"background_background\":\"classic\"}'>\n<div>\n<div data-id=\"386385d\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n<div>\n<h2>ASSINE NOSSA NEWSLETTER<\/h2>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div data-id=\"6546917\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"html.default\">\n<div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n<\/p><\/div>\n<div data-id=\"8c2e333\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-settings='{\"button_width\":\"20\",\"step_next_label\":\"Next\",\"step_previous_label\":\"Previous\",\"button_width_mobile\":\"20\",\"step_type\":\"number_text\",\"step_icon_shape\":\"circle\"}' data-widget_type=\"form.default\">\n<div>\n<div>\n<div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<label for=\"form-field-email\"><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\tEmail\t\t\t\t\t\t\t<\/label><\/p><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<button type=\"submit\"><br \/>\n\t\t\t\t\t\t<span><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<span><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<i aria-hidden=\"true\"><\/i>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<span>Submit<\/span><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/span><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/span><br \/>\n\t\t\t\t\t<\/button>\n\t\t\t\t<\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<p>\u201cQuando a gente confina animais em piquetes pequenos, eles s\u00e3o mantidos ali sem praticamente nada do que seria natural: sem vegeta\u00e7\u00e3o, sem pasto, sem abrigo adequado e prote\u00e7\u00e3o contra sol e chuva, sem a possibilidade de pastar livremente, que \u00e9 o principal comportamento natural dessa esp\u00e9cie\u201d, defende.\u00a0<\/p>\n<p>Ela diz que um dos problemas relacionados ao bem-estar \u00e9 a inexist\u00eancia de regras de cumprimento obrigat\u00f3rio. \u00c9 o contr\u00e1rio do que se verifica no transporte, no abate humanit\u00e1rio e na exporta\u00e7\u00e3o de animais vivos, etapas para as quais h\u00e1 instru\u00e7\u00f5es normativas rigorosas.<\/p>\n<p>Atualmente, a instru\u00e7\u00e3o normativa n\u00ba 56\/2008 do Minist\u00e9rio da Agricultura determina o manejo cuidadoso e respons\u00e1vel dos animais em todas as fases da vida.\u00a0<\/p>\n<p>J\u00e1 o manual de boas pr\u00e1ticas da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria), vinculada ao governo federal, faz diversas recomenda\u00e7\u00f5es para o confinamento. Entre elas, est\u00e3o a instala\u00e7\u00e3o de cobertura nos cochos de alimenta\u00e7\u00e3o e, quando poss\u00edvel, o sombreamento para conforto t\u00e9rmico dos animais. As orienta\u00e7\u00f5es, contudo, n\u00e3o s\u00e3o mandat\u00f3rias.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o temos regulamenta\u00e7\u00f5es sobre o confinamento, ent\u00e3o acaba sendo um campo aberto para cada um fazer como bem entende\u201d, afirma Schneider.<\/p>\n<p>Paula Pimp\u00e3o, coordenadora da Campanha de Sistemas Alimentares da ONG Prote\u00e7\u00e3o Animal Mundial, sinaliza que os crit\u00e9rios legais para classificar maus-tratos ainda s\u00e3o \u201climitados e subjetivos\u201d, o que invisibiliza o sofrimento animal.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cO confinamento reflete um modelo de produ\u00e7\u00e3o industrial que prioriza efici\u00eancia e lucro em detrimento das necessidades dos animais, e que mesmo operando dentro das normas existentes, que t\u00eam lacunas e baixa efetividade, n\u00e3o assegura condi\u00e7\u00f5es compat\u00edveis com uma vida digna para animais sencientes [capazes de sentir]\u201d afirma.<\/p>\n<h2>Minist\u00e9rio P\u00fablico de S\u00e3o Paulo apura den\u00fancia contra fazendas de confinamento de JBS e Marfrig<\/h2>\n<p>A Mercy for Animals encaminhou uma den\u00fancia ao Minist\u00e9rio P\u00fablico de S\u00e3o Paulo que tem como alvo duas fazendas de confinamento no interior de S\u00e3o Paulo, uma da JBS e outra da MFG Agropecu\u00e1ria (do mesmo grupo da Marfrig). A den\u00fancia cita supostas pr\u00e1ticas de maus-tratos a animais e poss\u00edvel contamina\u00e7\u00e3o ambiental.\u00a0<\/p>\n<p>Baseada em imagens a\u00e9reas, a organiza\u00e7\u00e3o aponta que os animais estariam em condi\u00e7\u00f5es inadequadas, ao lado de tanques de dejetos e pilhas de esterco a c\u00e9u aberto, atraindo dezenas de urubus. Em um dos casos, n\u00e3o haveria sombreamento para os bois.<\/p>\n<p>\u201cA gente viu que os animais eram for\u00e7ados em ambas as fazendas a viver em ch\u00e3o de terra, em meio aos pr\u00f3prios dejetos. E ao lado deles tinham piscinas l\u00edquidas de dejeto, um ambiente \u00famido, insalubre, muito distante do que seria natural para esses animais, que \u00e9 um ambiente a pasto, a campo, com vegeta\u00e7\u00e3o\u201d, diz Schneider.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cE no caso da fazenda da JBS n\u00e3o havia nem prote\u00e7\u00e3o contra intemp\u00e9ries, nenhum sombreamento artificial. Esses animais ficavam expostos \u00e0 luz solar direta, sem qualquer prote\u00e7\u00e3o adequada\u201d, continua.<\/p>\n<p>Schneider acrescenta que o sistema pode levar a outros tipos de sofrimento. \u201cH\u00e1 a quest\u00e3o da alimenta\u00e7\u00e3o, com dietas \u00e0 base de gr\u00e3os, que pode levar a diversos dist\u00farbios digestivos e doen\u00e7as respirat\u00f3rias, al\u00e9m das temperaturas elevadas, no caso dos animais expostos a altas temperaturas sem sombra, que pode levar ao estresse t\u00e9rmico\u201d, afirma.<\/p>\n<p>\u201cA alta densidade de indiv\u00edduos e a mistura com grupos desconhecidos em um ambiente confinado causam altos n\u00edveis de estresse e agressividade, levando a um intenso sofrimento psicol\u00f3gico\u201d, continua.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio P\u00fablico de S\u00e3o Paulo confirmou \u00e0 <strong>Rep\u00f3rter Brasil<\/strong> o recebimento da den\u00fancia. A Promotoria de Justi\u00e7a de Lins (SP) encaminhou of\u00edcios \u00e0 Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de S\u00e3o Paulo) e ao Mapa (Minist\u00e9rio da Agricultura e Pecu\u00e1ria) solicitando vistorias nas propriedades e apura\u00e7\u00e3o sobre as condi\u00e7\u00f5es ambientais e sanit\u00e1rias e eventuais irregularidades na pr\u00e1tica de confinamento.<\/p>\n<p>Procurada, a MFG Agropecu\u00e1ria refutou \u201calega\u00e7\u00f5es de irregularidades\u201d e disse que os dejetos s\u00e3o manejados de forma t\u00e9cnica e destinados a \u00e1reas agr\u00edcolas, \u201csem qualquer acesso dos animais\u201d. O posicionamento enviado \u00e0 reportagem diz que a empresa adota \u201crigorosos protocolos de bem-estar animal\u201d e que as instala\u00e7\u00f5es j\u00e1 foram inspecionadas pelas autoridades.<\/p>\n<p>A JBS, por sua vez, disse em nota que \u201co bem-estar animal \u00e9 um compromisso permanente da companhia\u201d. A empresa afirmou realizar \u201cmonitoramento cont\u00ednuo\u201d, com equipes especializadas e auditorias regulares. \u201cA JBS tamb\u00e9m mant\u00e9m procedimentos rigorosos para manejo ambiental e gest\u00e3o de res\u00edduos em suas opera\u00e7\u00f5es\u201d. Leia as manifesta\u00e7\u00f5es na \u00edntegra.<\/p>\n<figure><figcaption>O transporte de gado vivo em caminh\u00f5es ou navios possuem regras mais r\u00edgidas de cuidado com os animais do que a cria\u00e7\u00e3o em confinamento (Foto: Mercy For Animals)<\/figcaption><\/figure>\n<h2>O que dizem as normas sobre bem-estar animal?<\/h2>\n<p>O bem-estar \u00e9 definido como o estado f\u00edsico e mental de um animal sobre as condi\u00e7\u00f5es em que vive e morre. Segundo a OMSA (Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade Animal), \u00e9 caracterizado por cinco liberdades: livre de fome, sede e desnutri\u00e7\u00e3o; livre de medo e ansiedade; livre de desconforto f\u00edsico e t\u00e9rmico; livre de dor, les\u00e3o e doen\u00e7a; e livre para expressar o comportamento natural.<\/p>\n<p>A professora Kamila Andreatta, coordenadora do NEPI-UFMT (N\u00facleo de Estudos em Pecu\u00e1ria Intensiva da Universidade Federal de Mato Grosso), explica que o bem-estar depende de uma s\u00e9rie de vari\u00e1veis, mas ressalta que o confinamento interfere diretamente no modo de vida dos bois. \u201cQualquer detalhe se transforma em um grande erro, porque s\u00e3o milhares de animais, a depender do projeto\u201d, afirma.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 preciso observar se esses animais t\u00eam disponibilidade de \u00e1gua suficiente, se est\u00e1 sendo fornecido comida direito, em quantidade adequada, se tem cocho para todo mundo, se eles n\u00e3o est\u00e3o atolando em lama, se o ambiente est\u00e1 proporcionando condi\u00e7\u00f5es insalubres, se eles est\u00e3o adoecendo\u201d, exemplifica a pesquisadora.\u00a0<\/p>\n<p>Apesar de a oferta de sombra para o gado n\u00e3o ser uma obriga\u00e7\u00e3o legal, ela pode reduzir o consumo de \u00e1gua.<\/p>\n<p>O pesquisador Julio Palhares, da Embrapa Pecu\u00e1ria Sudeste, \u00e9 um dos autores de um estudo que concluiu que bois confinados que tiveram acesso \u00e0 sombra consumiram diariamente, em m\u00e9dia, tr\u00eas litros de \u00e1gua a menos que o gado a pleno sol. A pesquisa ainda estimou que, se todo o gado confinado abatido em 2019 contasse com sombra semelhante, seriam economizados 1,5 bilh\u00e3o de litros de \u00e1gua nessa produ\u00e7\u00e3o. O volume \u00e9 o equivalente a 600 piscinas ol\u00edmpicas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, Palhares identificou que n\u00e3o houve diferen\u00e7a na produ\u00e7\u00e3o de carne entre os dois grupos. \u201cO animal que teve acesso \u00e0 sombra, hidricamente, \u00e9 mais eficiente porque ele produziu o mesmo quilo de carne dos que n\u00e3o tiveram acesso \u00e0 sombra, mas com menor quantidade de \u00e1gua\u201d, explica. \u201cCom as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, a \u00e1gua tamb\u00e9m \u00e9 afetada e \u00e9 um ativo estrat\u00e9gico. Ent\u00e3o, se existe uma pr\u00e1tica de manejo que propicia um menor consumo de \u00e1gua e tem vantagens em termos de bem-estar, por que n\u00e3o utilizar?\u201d<\/p>\n<p>\u201cBuscar bem-estar automaticamente vai fazer com que esses animais tamb\u00e9m deem o melhor lucro para o produtor porque isso interfere na qualidade da carne\u201d, acrescenta Kamila Andreatta.<\/p>\n<figure><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/57_322_DJI_0087_20230914-copiar-1.jpg\" alt=\"Megaconfinamento de bois ao lado da BR-163, no norte do Mato Grosso; Regi\u00e3o concentra boa parte da pecu\u00e1ria intensiva do pa\u00eds (Foto: Fernando Martinho\/Rep\u00f3rter Brasil\/14.09.23)\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/57_322_DJI_0087_20230914-copiar-1.jpg 1024w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/57_322_DJI_0087_20230914-copiar-300x200.jpg 300w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/57_322_DJI_0087_20230914-copiar-768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption>Megaconfinamento de bois, tamb\u00e9m conhecido como \u2018boitel\u2019, ao lado da BR-163, no norte de Mato Grosso; Regi\u00e3o concentra boa parte da pecu\u00e1ria intensiva do pa\u00eds (Foto: Fernando Martinho\/Rep\u00f3rter Brasil\/14.09.23)<\/figcaption><\/figure>\n<h2>Fazendas de confinamento s\u00e3o multadas por contamina\u00e7\u00e3o de rios<\/h2>\n<p>Para o pesquisador Julio Palhares, da Embrapa, um dos aspectos mais sens\u00edveis do confinamento bovino \u00e9 o impacto ambiental. Embora o sistema reduza a press\u00e3o por desmatamento, j\u00e1 que a pecu\u00e1ria extensiva \u00e9 um dos principais vetores de devasta\u00e7\u00e3o de matas nativas no Brasil, ele aumenta o risco de contamina\u00e7\u00e3o dos recursos h\u00eddricos.<\/p>\n<p>Foi o que aconteceu em fevereiro de 2024 no munic\u00edpio de Lu\u00eds Eduardo Magalh\u00e3es, no oeste da Bahia. O vazamento de res\u00edduos de animais confinados pela Captar Agrobusiness, a maior do setor no Nordeste, afetou o rio Cabaceira das Pedras e atingiu comunidades ribeirinhas. A empresa alegou que o intenso per\u00edodo de chuvas teria danificado o canal de drenagem.\u00a0<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o ocorrido, a companhia firmou um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) com o Minist\u00e9rio P\u00fablico estadual para reparar os danos socioambientais, incluindo compensa\u00e7\u00f5es financeiras acima de R$ 178 mil.\u00a0<\/p>\n<p>Na \u00e9poca, a fiscaliza\u00e7\u00e3o do Inema (Instituto do Meio Ambiente e Recursos H\u00eddricos), \u00f3rg\u00e3o do governo baiano, identificou \u201cirregularidades no licenciamento ambiental do empreendimento, relativas aos limites da licen\u00e7a de opera\u00e7\u00e3o concedida e ao descumprimento de condicionantes\u201d, conforme descrito em documento obtido pela <strong>Rep\u00f3rter Brasil<\/strong>.\u00a0<\/p>\n<p>Em seus perfis em redes sociais, a Captar Agrobusiness diz integrar \u201cdesenvolvimento e sustentabilidade de forma confi\u00e1vel\u201d. Procurada, a empresa n\u00e3o retornou at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o da reportagem.<\/p>\n<p>Dois anos antes, em Lucas do Rio Verde (MT), agentes da Secretaria de Estado de Meio Ambiente autuaram a JBS, a maior produtora de prote\u00edna animal do mundo, em mais de R$ 1,2 milh\u00e3o. O motivo foi a falta de licen\u00e7a ambiental para a cria\u00e7\u00e3o de gado confinado e a aus\u00eancia de autoriza\u00e7\u00e3o para escoamento dos rejeitos l\u00edquidos em curso d\u2019\u00e1gua. Na \u00e9poca, a empresa assinou um TAC com o Minist\u00e9rio P\u00fablico para pagar R$ 200 mil por polui\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n<p>Procurada pela <strong>Rep\u00f3rter Brasil<\/strong>, a assessoria da JBS informou que \u201ccumpriu integralmente\u201d as determina\u00e7\u00f5es do TAC, e que o Minist\u00e9rio P\u00fablico de Mato Grosso determinou o arquivamento do procedimento em mar\u00e7o de 2025. \u201cA empresa opera com todas as licen\u00e7as ambientais, em conformidade com a legisla\u00e7\u00e3o vigente\u201d, disse a JBS em nota.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de especialistas ouvidos pela reportagem, a falta de normas federais sobre o confinamento abre brechas para\u00a0 falhas na fiscaliza\u00e7\u00e3o e impactos ambientais, j\u00e1 que cabe a governos estaduais e prefeituras estabelecerem as diretrizes sobre a pr\u00e1tica.\u00a0<\/p>\n<p>A nova lei de licenciamento ambiental aprovada em 2025, apelidada de PL da Devasta\u00e7\u00e3o durante a tramita\u00e7\u00e3o no Congresso, fortaleceu ainda mais o papel desses entes federativos.<\/p>\n<p>Em seu artigo 9\u00ba, a Lei 15.190\/2025 libera do licenciamento ambiental os sistemas de pecu\u00e1ria extensiva (cria\u00e7\u00e3o de gado solto em pasto), semi-intensiva (mescla de alimenta\u00e7\u00e3o do pasto com suplementos) e intensiva (confinamento) de pequeno porte.\u00a0<\/p>\n<p>J\u00e1 os empreendimentos de pecu\u00e1ria intensiva de m\u00e9dio porte podem ser licenciados mediante procedimento simplificado, enquanto que o confinamento de grande porte, por seu potencial poluidor maior, ainda requer o licenciamento em tr\u00eas fases (licen\u00e7as pr\u00e9via, de opera\u00e7\u00e3o e de instala\u00e7\u00e3o).\u00a0<\/p>\n<p>Para a coordenadora de Pol\u00edticas P\u00fablicas do Observat\u00f3rio do Clima, Suely Ara\u00fajo, a nova lei \u00e9 um \u201cretrocesso da prote\u00e7\u00e3o ambiental\u201d por, entre outros fatores, ter delegado decis\u00f5es importantes aos estados e munic\u00edpios.\u00a0<\/p>\n<p>Isso significa que, como n\u00e3o h\u00e1 um n\u00famero padr\u00e3o de cabe\u00e7as de boi para definir o que \u00e9 pequeno, m\u00e9dio e grande porte, cada ente federativo pode delimitar a atividade como bem entender.<\/p>\n<p>\u201cQuando voc\u00ea faz uma delega\u00e7\u00e3o ampla para os estados regulamentarem, podem ocorrer regras completamente distintas e alguns estados podem, na verdade, diminuir mais ainda o alcance da licen\u00e7a\u201d, alerta Ara\u00fajo.<\/p>\n<p>A nova lei de licenciamento ambiental fragiliza tamb\u00e9m o bem-estar animal, avalia Paula Pimp\u00e3o, da Prote\u00e7\u00e3o Animal Mundial.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cAo ampliar a possibilidade de dispensa de licenciamento e o uso de mecanismos autodeclarat\u00f3rios, a lei reduz de forma significativa o controle preventivo e a an\u00e1lise t\u00e9cnica sobre atividades potencialmente impactantes, como \u00e9 o caso da pecu\u00e1ria industrial e dos sistemas de confinamento\u201d, afirma.<\/p>\n<div data-elementor-type=\"section\" data-elementor-id=\"129686\" data-elementor-post-type=\"elementor_library\">\n<div>\n<div data-id=\"e5e1762\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"image.default\">\n<div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img decoding=\"async\" width=\"360\" height=\"300\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/apoie-1-7.webp\" alt=\"Apoie a Rep\u00f3rter Brasil\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/apoie-1-7.webp 360w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/apoie-1-300x250.webp 300w\" sizes=\"(max-width: 360px) 100vw, 360px\">\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<p><strong>25 anos investigando para mudar.<\/strong><\/p>\n<p><strong>A Rep\u00f3rter Brasil j\u00e1 ajudou a impulsionar leis, fortalecer direitos e combater o trabalho escravo.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Em 2026, fazemos 25 anos \u2014 e vem muito mais por a\u00ed!<\/strong><\/p>\n<div data-elementor-type=\"container\" data-elementor-id=\"75228\" data-elementor-post-type=\"elementor_library\">\n<div data-id=\"5e8db1e6\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n<div>\n<div data-id=\"36eb6c91\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n<div>\n<div data-id=\"6f52f515\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n<div data-id=\"65d9f401\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"divider.default\">\n<div>\n<div>\n\t\t\t<span><br \/>\n\t\t\t\t\t\t<\/span>\n\t\t<\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div data-id=\"134a1245\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n<div>\n<div data-id=\"10fe55fe\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n<div>\n<p>Leia tamb\u00e9m<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div data-id=\"3c9495ae\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-settings='{\"template_id\":\"75221\",\"columns\":1,\"row_gap\":{\"unit\":\"px\",\"size\":10,\"sizes\":[]},\"_skin\":\"post\",\"columns_tablet\":\"2\",\"columns_mobile\":\"1\",\"edit_handle_selector\":\"[data-elementor-type=\"loop-item\"]\",\"row_gap_tablet\":{\"unit\":\"px\",\"size\":\"\",\"sizes\":[]},\"row_gap_mobile\":{\"unit\":\"px\",\"size\":\"\",\"sizes\":[]}}' data-widget_type=\"loop-grid.post\">\n<div>\n<div>\n\t\t<\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<p>The post Confinamento de bois avan\u00e7a sem regras claras e riscos ao bem-estar animal appeared first on Rep\u00f3rter Brasil.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related 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Brasil<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":90706,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[13690,17863,65526,65527,65528,5879,986,5891,11009,987,5799],"tags":[],"class_list":["post-90705","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-_destaque-da-home-1","category-bem-estar-animal","category-boi","category-boitel","category-confinamento","category-conteudo-original-em-portugues","category-gado","category-jbs","category-marfrig","category-pecuaria","category-reportagens"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/90705","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=90705"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/90705\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/90706"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=90705"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=90705"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=90705"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}