{"id":91049,"date":"2026-06-08T22:45:35","date_gmt":"2026-06-09T01:45:35","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/cidade-e-saude-um-dialogo-inadiavel\/"},"modified":"2026-06-08T22:45:35","modified_gmt":"2026-06-09T01:45:35","slug":"cidade-e-saude-um-dialogo-inadiavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/cidade-e-saude-um-dialogo-inadiavel\/","title":{"rendered":"Cidade e Sa\u00fade, um di\u00e1logo inadi\u00e1vel"},"content":{"rendered":"<figure><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"450\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Screenshot-2026-06-08-at-22-40-46-_126818229_terradedeusjpgwebp-imagem-WEBP-800-450-pixels.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Screenshot-2026-06-08-at-22-40-46-_126818229_terradedeusjpgwebp-imagem-WEBP-800-450-pixels.jpg 800w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Screenshot-2026-06-08-at-22-40-46-_126818229_terradedeus.jpg.webp-imagem-WEBP-800-\u00d7-450-pixels-300x169.jpg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Screenshot-2026-06-08-at-22-40-46-_126818229_terradedeus.jpg.webp-imagem-WEBP-800-\u00d7-450-pixels-768x432.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\"><figcaption>Ocupa\u00e7\u00e3o Terra de Deus, na zona sul de S\u00e3o Paulo, que cresceu durante a pandemia de covid-19. Foto: Leandro Machado\/BBC Brasil<br \/><\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<p><imgsrc=\"\" width=\"1\" height=\"1\" alt=\".\" border=\"0\">\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Este texto \u00e9 fruto de uma parceria entre o\u00a0Outras Cidades\u00a0e\u00a0o BrCidades.<\/p>\n<p>O que a fila de uma unidade de sa\u00fade tem a ver com o pre\u00e7o dos alugu\u00e9is? De que forma a falta de saneamento b\u00e1sico pode aparecer anos depois como uma fila no hospital? Como a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria redefine n\u00e3o s\u00f3 onde se vive, mas tamb\u00e9m quanto se vive? Qual \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o entre uma crise de ansiedade e o tempo gasto no transporte p\u00fablico? O que a precariedade da moradia tem a ver com surtos de doen\u00e7as respirat\u00f3rias? Embora costumem ser tratadas como quest\u00f5es distintas, sa\u00fade e cidade se cruzam muito antes da porta do consult\u00f3rio. A forma como moramos, nos deslocamos e acessamos os espa\u00e7os urbanos ajuda a definir quem adoece, quem se cuida e quem tem direito a uma vida digna.\u00a0<\/p>\n<p>Em um debate promovido pelo BrCidades e pelo Outras Palavras, dois protagonistas de importantes lutas democr\u00e1ticas do pa\u00eds \u2014 o sanitarista Gast\u00e3o Wagner de Sousa Campos e a urbanista Erm\u00ednia Maricato \u2014 refletiram sobre uma quest\u00e3o inc\u00f4moda: por que a Reforma Sanit\u00e1ria conseguiu construir o SUS, enquanto a Reforma Urbana, apesar de importantes conquistas legais, permanece longe de transformar a realidade das cidades brasileiras?<\/p>\n<div>\n<div><imgsrc=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/14-1-7.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/14-1-7.png 680w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/14-1-300x110.png 300w\" sizes=\"(max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Afinal, enquanto a Reforma Sanit\u00e1ria lutou pela cria\u00e7\u00e3o de um sistema universal de sa\u00fade, a Reforma Urbana reivindicou o direito \u00e0 cidade e a fun\u00e7\u00e3o social da propriedade. Em suas origens, ambas reconheciam que enfrentar as desigualdades sociais exigia transformar n\u00e3o apenas as pol\u00edticas setoriais, mas tamb\u00e9m a forma como as cidades s\u00e3o planejadas, ocupadas e governadas.\u00a0<\/p>\n<p>\u00c9, portanto, um ponto de converg\u00eancia para os movimentos sociais, gestores p\u00fablicos e pesquisadores, seja das lutas urbanas ou sanitaristas, que participaram do encontro: a disputa concreta por direitos e condi\u00e7\u00f5es de vida nos territ\u00f3rios; a possibilidade de construir pol\u00edticas integradas capazes de articular sa\u00fade, habita\u00e7\u00e3o, saneamento e mobilidade; e o desafio de compreender como a produ\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o urbano incide diretamente sobre os indicadores de sa\u00fade, revelando a cidade como uma infraestrutura decisiva da vida social e n\u00e3o apenas como cen\u00e1rio das pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n<p><strong>As bases para este debate, incluindo o trabalho desenvolvido pelo BrCidades em territ\u00f3rios das cinco regi\u00f5es do Brasil e a parceria com o Outras Palavras, podem ser lidas aqui. <\/strong><\/p>\n<p><strong>O <em>rolar de pedras<\/em> nas cidades (e na pol\u00edtica)<\/strong><\/p>\n<p>O m\u00e9dico sanitarista Gast\u00e3o Wagner de Sousa Campos, que participou do Movimento pela Reforma Sanit\u00e1ria nos anos 1970, avalia que as cidades m\u00e9dias e grandes brasileiras vivem um processo de degrada\u00e7\u00e3o urbana. Citou exemplos como Campinas \u2014 cujo centro classificou como \u201cum horror\u201d \u2014 e Recife, cidade que disse lhe causar tristeza devido \u00e0 \u201cfeiura dos bairros\u201d. Entre os problemas apontados est\u00e3o a escassez de \u00e1reas verdes, a falta de equipamentos p\u00fablicos para atividades f\u00edsicas, a precariedade da mobilidade urbana e o avan\u00e7o de territ\u00f3rios sob controle de grupos armados, como mil\u00edcias e organiza\u00e7\u00f5es ligadas ao narcotr\u00e1fico.\u00a0<\/p>\n<p>Ao refletir sobre os avan\u00e7os da sa\u00fade p\u00fablica, embora ressalte que \u201cn\u00f3s n\u00e3o conseguimos tudo isso\u201d, Gast\u00e3o sustenta que transforma\u00e7\u00f5es duradouras n\u00e3o nascem da pureza ideol\u00f3gica nem de projetos perfeitos, mas da capacidade de construir s\u00ednteses, articular diferen\u00e7as e disputar institui\u00e7\u00f5es. Segundo ele, o SUS s\u00f3 se tornou vi\u00e1vel quando os diversos setores progressistas deixaram de lado disputas internas e convergiram em torno de uma proposta comum \u2014 um documento de cerca de 15 p\u00e1ginas que conquistou 72% dos votos na Assembleia Constituinte. Assim, em pleno avan\u00e7o do neoliberalismo, o SUS emergiu como fruto de um movimento social amplo, participativo e plural, capaz de reunir periferias, trabalhadores, mulheres, universidades e gestores p\u00fablicos em torno de um objetivo compartilhado. As conquistas s\u00e3o sempre parciais e incompletas, apregoa Gast\u00e3o, mas justamente por isso devem ser valorizadas, celebradas e defendidas.\u00a0<\/p>\n<p>O sanitarista defende a cria\u00e7\u00e3o de mecanismos capazes de impedir que o Estado seja capturado por for\u00e7as conservadoras. Inspirando-se em Gramsci, argumenta que a tarefa n\u00e3o \u00e9 ampliar ou reduzir o Estado burocr\u00e1tico, mas \u201cench\u00ea-lo de democracia direta, de sociedade e de controle\u201d. Essa experi\u00eancia j\u00e1 existe, ainda que parcialmente, no SUS, por meio de conselhos e confer\u00eancias, e deveria inspirar tamb\u00e9m a gest\u00e3o urbana, diz \u2014 e acrescenta: a democratiza\u00e7\u00e3o do Estado segue sendo uma tarefa central, sustentada pela participa\u00e7\u00e3o popular, pelo controle social e pela amplia\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os de decis\u00e3o coletiva. Por\u00e9m, muitos setores progressistas falam em nome do povo, mas t\u00eam dificuldade de incorporar os desejos, necessidades e sofrimentos concretos das pessoas. Humildade, escuta e constru\u00e7\u00e3o de alian\u00e7as amplas; menos sectarismo e mais capacidade de transformar demandas dispersas em projetos compartilhados \u2014 esta \u00e9 sua \u201cf\u00f3rmula\u201d para enfrentar os desafios contempor\u00e2neos. \u201cAgora eu n\u00e3o falo t\u00e3o alto como falava, nem com tanta arrog\u00e2ncia\u201d, parafraseou os versos de Bob Dylan em <em>Like A Rolling Stone<\/em>.<\/p>\n<div>\n<div><imgsrc=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/BANNER-outras-palavras-ABRIL-memoria-de-menina.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/BANNER-outras-palavras-ABRIL-memoria-de-menina.jpg 728w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/BANNER-outras-palavras-ABRIL-memoria-de-menina-300x37.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 728px) 100vw, 728px\" width=\"728\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Analfabetismo urban\u00edstico<\/strong><\/p>\n<p>A urbanista Erm\u00ednia Maricato participou da Assembleia Nacional Constituinte na defesa da emenda popular da Reforma Urbana, mobiliza\u00e7\u00e3o que ajudou a garantir a inclus\u00e3o, na Constitui\u00e7\u00e3o Federal, dos princ\u00edpios da fun\u00e7\u00e3o social da propriedade \u2014 posteriormente regulamentados pelo Estatuto da Cidade. Ela reconhece a import\u00e2ncia dessas conquistas, mas avalia que elas pouco alteraram a realidade urbana brasileira. \u201cEfetivamente, n\u00f3s conquistamos um arcabou\u00e7o legal avan\u00e7ad\u00edssimo e nada disso fez a diferen\u00e7a\u201d, afirmou. Ao contr\u00e1rio do SUS, que considera uma exce\u00e7\u00e3o na hist\u00f3ria recente do pa\u00eds, a Reforma Urbana produziu poucos resultados concretos. Seu diagn\u00f3stico: vivemos uma fase de \u201cregress\u00e3o profunda\u201d e \u201cdistopia\u201d. Afinal, provoca, o que poderia explicar, por exemplo, a demoli\u00e7\u00e3o de edif\u00edcios em bom estado para dar lugar a empreendimentos ainda maiores \u2014 pr\u00e9dios de 23 andares em Fortaleza e de 8 andares em S\u00e3o Paulo \u2014 e projetos imobili\u00e1rios extravagantes, como edif\u00edcios com elevador para carros em Goi\u00e2nia? O que 41% da popula\u00e7\u00e3o brasileira est\u00e3o vivendo em territ\u00f3rios controlados por fac\u00e7\u00f5es e mil\u00edcias, dada a expans\u00e3o da informalidade urbana e \u00e0 consolida\u00e7\u00e3o de uma \u201ccidade sem Estado\u201d?<\/p>\n<p>Sua inquieta\u00e7\u00e3o: por que o SUS se consolidou como uma experi\u00eancia bem-sucedida de pol\u00edtica p\u00fablica, enquanto a Reforma Urbana produziu resultados t\u00e3o limitados? Sua resposta remete \u00e0 pr\u00f3pria forma\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica do Brasil. A heran\u00e7a colonial, a escravid\u00e3o, o patrimonialismo e a concentra\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria criaram aquilo que ela chama de um \u201cn\u00f3 da terra\u201d, respons\u00e1vel por estruturar desigualdades e restringir o acesso democr\u00e1tico \u00e0 cidade. Segundo a urbanista, ap\u00f3s a aboli\u00e7\u00e3o, as elites trataram de \u201cescravizar a terra\u201d, consolidando um regime de propriedade que excluiu a popula\u00e7\u00e3o rec\u00e9m-liberta do acesso formal ao solo. Esse legado persiste at\u00e9 hoje: a precariedade habitacional, a informalidade e a segrega\u00e7\u00e3o territorial n\u00e3o s\u00e3o desvios, mas componentes centrais da forma como as cidades brasileiras foram produzidas. A seu ver, a Reforma Urbana tornou-se a grande frustra\u00e7\u00e3o do campo progressista porque esbarra diretamente nos interesses ligados \u00e0 propriedade da terra \u2014 um obst\u00e1culo hist\u00f3rico que o SUS, por se estruturar como servi\u00e7o p\u00fablico, conseguiu contornar, mas que permanece no centro dos conflitos urbanos brasileiros.<\/p>\n<p>As cidades e a sa\u00fade p\u00fablica, aponta Erm\u00ednia, enfrentam problemas em comum, como a falta de saneamento, a mobilidade prec\u00e1ria, a polui\u00e7\u00e3o, a ocupa\u00e7\u00e3o de \u00e1reas de risco e a segrega\u00e7\u00e3o socioespacial. O lugar onde uma pessoa vive influencia diretamente suas condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade e at\u00e9 sua expectativa de vida, revelando como a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria e a apropria\u00e7\u00e3o privada da renda da terra ajudam a reproduzir desigualdades.\u00a0<\/p>\n<p>A urbanista prop\u00f5e repensar o projeto de cidade a partir da perspectiva da sa\u00fade coletiva, em que saneamento b\u00e1sico, mobilidade urbana, acidentes de tr\u00e2nsito e viol\u00eancias urbanas condicionam o acesso tanto \u00e0 cidade quanto \u00e0 sa\u00fade \u2014 sobretudo entre popula\u00e7\u00f5es vulnerabilizadas. Essa rela\u00e7\u00e3o se evidencia nas condi\u00e7\u00f5es de moradia e seus efeitos sobre doen\u00e7as em grande medida trat\u00e1veis e evit\u00e1veis, como a tuberculose em favelas do Rio de Janeiro e as diarreias recorrentes em \u00e1reas prec\u00e1rias de Santos (SP). Outro dado alarmante apresentado por Erm\u00ednia diz respeito \u00e0 rela\u00e7\u00e3o entre expectativa de vida e territ\u00f3rio de moradia na cidade de S\u00e3o Paulo. Quanto mais perif\u00e9rica a resid\u00eancia, menor a idade m\u00e9dia ao morrer \u2014 em alguns distritos, a diferen\u00e7a chega a at\u00e9 20 anos. Ao cruzar esses indicadores com dados sobre pre\u00e7o do metro quadrado, composi\u00e7\u00e3o racial e inser\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho, observa-se um padr\u00e3o persistente de desigualdade: as regi\u00f5es com menor expectativa de vida concentram maiores propor\u00e7\u00f5es de popula\u00e7\u00e3o negra e parda e de trabalhadores informais. Em contraste, os distritos com maior valor imobili\u00e1rio apresentam predomin\u00e2ncia de popula\u00e7\u00e3o branca e maior presen\u00e7a de empregos formais.<\/p>\n<p>Maricato sustenta: as agendas transformadoras precisam caminhar juntas. Citando S\u00e9rgio Arouca<em>[1941-2003, importante expoente da luta pelo SUS]<\/em>, ela lembra que Reforma Sanit\u00e1ria, Reforma Agr\u00e1ria e Reforma Urbana s\u00e3o partes de uma mesma luta por direitos. Tamb\u00e9m prop\u00f5e fortalecer uma agenda capaz de aproximar estas batalhas. N\u00e3o h\u00e1 sa\u00fade coletiva sem condi\u00e7\u00f5es dignas de vida urbana nem sem enfrentar as estruturas que transformam a cidade em mercadoria, diz ela.\u00a0<\/p>\n<p>Mas a realidade \u00e9 que a popula\u00e7\u00e3o \u2014 e at\u00e9 institui\u00e7\u00f5es e universidades \u2014 desconhece os mecanismos reais de produ\u00e7\u00e3o da cidade. Diante desse quadro, defende o combate ao \u201canalfabetismo urban\u00edstico\u201d, tornando mais vis\u00edveis os mecanismos que produzem a exclus\u00e3o nas cidades. Arquitetos, urbanistas e engenheiros poderiam atuar tamb\u00e9m como agentes da sa\u00fade p\u00fablica, j\u00e1 que n\u00e3o h\u00e1 sa\u00fade coletiva sem condi\u00e7\u00f5es dignas de vida urbana \u2014 uma garantia j\u00e1 expressa na lei federal de Assist\u00eancia T\u00e9cnica em Habita\u00e7\u00e3o de Interesse Social (ATHIS). Mas, para come\u00e7ar, \u00e9 preciso um trabalho sistem\u00e1tico de forma\u00e7\u00e3o e conscientiza\u00e7\u00e3o, em chave quase \u201cpaulo-freiriana\u201d, voltado a \u201ctirar o v\u00e9u\u201d que encobre a realidade urbana brasileira e a tornar vis\u00edveis os mecanismos que reproduzem a exclus\u00e3o.<\/p>\n<p><em>[Com a colabora\u00e7\u00e3o de Laurianna Vieira e Marcos Vin\u00edcius, do GT Sa\u00fade\/BRCidades de Goi\u00e1s]<\/em><\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. 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Como construir um di\u00e1logo robusto entre urbanismo e sa\u00fade coletiva? <i>Outras Palavras<\/i> e <i>BrCidades<\/i> promoveram um debate crucial para o futuro do Brasil<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/outras-cidades\/cidade-e-saude-um-dialogo-inadiavel\/\">Cidade e Sa\u00fade, um di\u00e1logo inadi\u00e1vel<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":91050,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[66243,30105,5872,44527,4903,50652,66244],"tags":[],"class_list":["post-91049","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-analfabetismo-urbanistico","category-outras-cidades","category-planejamento-urbano","category-reforma-sanitaria","category-reforma-urbana","category-segregacao-urbana","category-sus-e-cidades"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/91049","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=91049"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/91049\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/91050"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=91049"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=91049"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=91049"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}