{"id":91287,"date":"2026-06-10T17:21:12","date_gmt":"2026-06-10T20:21:12","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wikifavelas-quem-aprova-as-chacinas-em-favelas\/"},"modified":"2026-06-10T17:21:12","modified_gmt":"2026-06-10T20:21:12","slug":"wikifavelas-quem-aprova-as-chacinas-em-favelas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wikifavelas-quem-aprova-as-chacinas-em-favelas\/","title":{"rendered":"WikiFavelas: Quem aprova as chacinas em favelas?"},"content":{"rendered":"<figure><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1500\" height=\"931\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/photo_4994860349378989137_w.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/photo_4994860349378989137_w-1500x931.jpg 1500w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/photo_4994860349378989137_w-300x186.jpg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/photo_4994860349378989137_w-768x477.jpg 768w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/photo_4994860349378989137_w-1536x954.jpg 1536w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/photo_4994860349378989137_w.jpg 1960w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\"><figcaption>Foto: Ricardo Moraes\/Reuters<\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<p><imgsrc=\"\" width=\"1\" height=\"1\" alt=\".\" border=\"0\">\n<\/div>\n<\/div>\n<p>As megaopera\u00e7\u00f5es policiais s\u00e3o um ator importante no jogo pol\u00edtico no Rio de Janeiro e em todo o Brasil. Na \u00faltima semana, um grupo de moradores, pesquisadores, ativistas e institui\u00e7\u00f5es de favelas publicou um estudo chamado \u201c<u>Por que moradores de favelas<\/u> <u>aprovam ou reprovam opera\u00e7\u00f5es policiais com confronto armado?<\/u>\u201c, no qual apresentam que mais de 70% dos moradores de favelas desaprovam as megaopera\u00e7\u00f5es, especialmente pelos seus efeitos na vida de quem mora nesses territ\u00f3rios.<\/p>\n<p>Em 2025, logo depois da opera\u00e7\u00e3o no Alem\u00e3o e na Penha, <u>uma pesquisa produzida pela<\/u> <u>Quaest apontou que mais de 60% da popula\u00e7\u00e3o fluminense aprovaria a chacina<\/u> e defenderia a\u00e7\u00f5es semelhantes em outras favelas. Na ocasi\u00e3o, <u>o Presidente Lula classificou a opera\u00e7\u00e3o como desastrosa e afirmou que houve matan\u00e7a<\/u>. O ent\u00e3o governador do estado, afirmou que <u>os policiais mortos eram her\u00f3is, sem lamentar a morte dos mais de 120 moradores que<\/u> <u>foram executados pelo Estado<\/u>. Diante do discurso punitivista quase hegem\u00f4nico na sociedade, parte dos envolvidos decidiu promover campanhas em torno das mortes, como o ent\u00e3o <u>governador do Rio de Janeiro que anunciou mais dez opera\u00e7\u00f5es semelhantes<\/u>.<\/p>\n<p>Por que o dado atual \u00e9 importante? Em 2025, logo ap\u00f3s a <u>chacina nos Complexos da Penha<\/u> <u>e do Alem\u00e3o<\/u>, o Dicion\u00e1rio de Favelas Marielle Franco publicou, no Outras Palavras, um texto discutindo o papel eleitoreiro daquela opera\u00e7\u00e3o. No texto, chamado \u201c<u>A direita convida \u00e0<\/u> <u>pol\u00edtica do medo<\/u>\u201d, discutimos as rela\u00e7\u00f5es da opera\u00e7\u00e3o policial, que se tornou a mais letal da hist\u00f3ria do Brasil, com o cen\u00e1rio pol\u00edtico pr\u00e9-eleitoral que enfrentamos aqui no Rio de Janeiro. Desde ent\u00e3o, diferentes pesquisas confirmam a grande preocupa\u00e7\u00e3o nacional com a seguran\u00e7a p\u00fablica.<\/p>\n<div>\n<div><imgsrc=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/14--10.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/14--10.png 680w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/14-1-300x110.png 300w\" sizes=\"(max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Essa preocupa\u00e7\u00e3o tem sido respondida, por parte do poder p\u00fablico, com um <u>modelo<\/u> <u>punitivista e violento, sustentado pela ret\u00f3rica do confronto armado<\/u> em territ\u00f3rios de favelas e pela explora\u00e7\u00e3o da sensa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a. Em nome de um certo tipo de ordenamento, todos os direitos de parte da popula\u00e7\u00e3o s\u00e3o suspensos, inclusive as garantias legais b\u00e1sicas. Com isso, a <u>letalidade causada pelo Estado<\/u> dispara, mas outros crimes tamb\u00e9m s\u00e3o cometidos todos os dias, como viola\u00e7\u00f5es de domic\u00edlio sem ordem judicial, viol\u00eancias conhecidas como esculachos, entre outros.<\/p>\n<p>A abordagem de seguran\u00e7a p\u00fablica centrada na viol\u00eancia produz profundas disputas de narrativa entre as esferas institucionais, como secretarias de seguran\u00e7a, \u00f3rg\u00e3os de pesquisa e empresas estat\u00edsticas que atuam em articula\u00e7\u00e3o com o Estado ou atendem \u00e0s demandas do grande capital, e a realidade vivida nos territ\u00f3rios diretamente afetados por essas pol\u00edticas. Para analisar essa din\u00e2mica, \u00e9 necess\u00e1rio deslocar o olhar para os efeitos estruturais das a\u00e7\u00f5es militarizadas nas favelas, compreendendo as l\u00f3gicas pol\u00edticas que sustentam sua perman\u00eancia.<\/p>\n<p>Mais do que perguntar se a popula\u00e7\u00e3o concorda com o enfrentamento ao crime organizado, \u00e9 preciso observar <u>o que as opera\u00e7\u00f5es recorrentes produzem concretamente na vida das<\/u> <u>pessoas<\/u>. Isso porque os estudos especializados em seguran\u00e7a p\u00fablica apontam, h\u00e1 d\u00e9cadas, os limites de estrat\u00e9gias de combate que operam sem enfrentar as redes de financiamento do crime, sem refletir sobre pol\u00edticas antiproibicionistas e direcionando sua atua\u00e7\u00e3o quase exclusivamente aos territ\u00f3rios pobres, pretos e favelados. Nesse sentido, um modelo de seguran\u00e7a centrado na militariza\u00e7\u00e3o das favelas tem se mostrado incapaz de alterar estruturalmente a din\u00e2mica da viol\u00eancia no pa\u00eds, ao mesmo tempo em que intensifica a exposi\u00e7\u00e3o cotidiana dessas popula\u00e7\u00f5es \u00e0 <u>viol\u00eancia estatal<\/u>.<\/p>\n<p>O estudo mencionado no in\u00edcio deste texto, de autoria de diferentes organiza\u00e7\u00f5es como o grupo A Rocinha Resiste, Fala Ro\u00e7a, Frente Penha, Instituto Papo Reto, Instituto Ra\u00edzes em Movimento e Redes da Mar\u00e9 afirma que \u201ch\u00e1 uma longa tradi\u00e7\u00e3o no Brasil de colocar a favela no centro do debate p\u00fablico sem tomar em conta a opini\u00e3o dos seus moradores \u201c, considerando que estudos como o publicado pela Quaest s\u00e3o feitos de forma a n\u00e3o considerar o que pessoas que s\u00e3o afetadas de fato pelas din\u00e2micas das opera\u00e7\u00f5es pensam sobre esse tipo de pol\u00edtica de seguran\u00e7a e seus efeitos.<\/p>\n<p>A <u>rotiniza\u00e7\u00e3o das opera\u00e7\u00f5es policiais<\/u> e do estado de exce\u00e7\u00e3o demonstra incapacidade de enfrentar o crime organizado e, ao mesmo tempo, exp\u00f5e a imensa maioria da popula\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o possui qualquer envolvimento com o regime varejista de drogas, a uma experi\u00eancia cotidiana marcada pela guerra, pelo horror, pela viol\u00eancia e pela morte. Nesse sentido, o clamor social existente n\u00e3o pode ser automaticamente traduzido como demanda por mais opera\u00e7\u00f5es policiais nos moldes atuais, nem por opera\u00e7\u00f5es mais \u201ceficazes\u201d, mas como um desejo de mudan\u00e7a da realidade marcada por opress\u00f5es.<\/p>\n<p>O Governo Federal de Lula enviou uma Proposta de Emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o (PEC) sobre Seguran\u00e7a P\u00fablica ao Congresso Nacional, recriando o Minist\u00e9rio da Seguran\u00e7a P\u00fablica e trabalha para constitucionalizar o Sistema \u00danico de Seguran\u00e7a P\u00fablica (SUSP), ampliando o poder de coordena\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o e tentando integrar a intelig\u00eancia em um sistema historicamente fragmentado. A inten\u00e7\u00e3o do Governo Federal \u00e9 demonstrar autoridade, servi\u00e7o e compet\u00eancia para incidir sobre o problema da seguran\u00e7a. O problema dessa l\u00f3gica, contudo, \u00e9 que produzir arranjos burocr\u00e1ticos sem intervir diretamente na racionalidade da pol\u00edtica p\u00fablica \u00e9 insuficiente: \u00e9 preciso contrapor o modelo punitivo com outro projeto, outro paradigma para a seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Um exemplo que n\u00e3o \u00e9 revisto pela PEC \u00e9 o debate sobre a pol\u00edtica de drogas. A perpetua\u00e7\u00e3o da l\u00f3gica da guerra \u00e0s drogas \u00e9 um problema estrat\u00e9gico na nossa pol\u00edtica de seguran\u00e7a, inclusive pelo recente mecanismo promovido pelos Estados Unidos que classifica <u>Comando Vermelho e do PCC como organiza\u00e7\u00f5es terroristas internacionais<\/u> (fato celebrado e incentivado por lideran\u00e7as vinculadas \u00e0 extrema direita como Fl\u00e1vio Bolsonaro). O populismo penal vende \u00e0 sociedade a ilus\u00e3o de que o endurecimento de penas, a constru\u00e7\u00e3o de mais pres\u00eddios e o aumento do policiamento ostensivo trar\u00e3o paz. No entanto, essa l\u00f3gica ignora deliberadamente que o crime organizado transnacional n\u00e3o se combate no varejo ou nas banquinhas de drogas das favelas, mas no estrangulamento de suas cadeias log\u00edsticas e financeiras e na altera\u00e7\u00e3o dos paradigmas proibicionistas, pensando a pol\u00edtica de drogas como um problema que deve ser elaborado a partir de pol\u00edticas de sa\u00fade.<\/p>\n<div>\n<div><imgsrc=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/728x90.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/728x90.png 728w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/728x90-300x37.png 300w\" sizes=\"(max-width: 728px) 100vw, 728px\" width=\"728\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<p>A PEC enviada pelo Governo Federal foi apreciada pela C\u00e2mara dos Deputados, e agora aguarda debate no Senado. Na proposta que seguiu para o Senado, h\u00e1 um endurecimento de penas, acenos \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da maioridade penal e ao aumento rigoroso do tempo de interna\u00e7\u00e3o de adolescentes em casos de crimes hediondos. Al\u00e9m disso, em fun\u00e7\u00e3o de a tramita\u00e7\u00e3o ter sido simult\u00e2nea ao debate do PL Anti-Fac\u00e7\u00e3o, prev\u00ea-se um endurecimento das regras de progress\u00e3o de regime prisional e a restri\u00e7\u00e3o das sa\u00eddas tempor\u00e1rias.<\/p>\n<p>Entre as disputas dos governos, os favelados seguem ref\u00e9ns da l\u00f3gica de guerra, entre grupos civis armados e governos. E agora, com outro ator construindo essas disputas: as pesquisas de opini\u00e3o. Sim, a seguran\u00e7a p\u00fablica preocupa a popula\u00e7\u00e3o. Sim, parte da popula\u00e7\u00e3o concorda com as opera\u00e7\u00f5es. Em tempos de populismo penal, esse conjunto de pesquisas incentiva o recrudescimento da viol\u00eancia nesses territ\u00f3rios, com vidas perdidas para que votos sejam ganhos.<\/p>\n<h3><strong> Entre PECs e opera\u00e7\u00f5es, como ficam as favelas?<\/strong><\/h3>\n<p>As disputas pol\u00edticas sobre o tema da <u>seguran\u00e7a p\u00fablica<\/u> se materializam de forma rotineira nas favelas. O estado do Rio de Janeiro \u00e9 um dos grandes laborat\u00f3rios da necropol\u00edtica das opera\u00e7\u00f5es policiais. Por aqui, lideran\u00e7as pol\u00edticas da extrema direita, inclusive o ex-governador Cl\u00e1udio Castro, surfam na est\u00e9tica do confronto armado. Aqui, as chacinas s\u00e3o um indicador de produtividade estatal, sucesso abertamente reivindicado.<\/p>\n<p>Essa rela\u00e7\u00e3o entre governadores e favelados n\u00e3o \u00e9 tensa apenas no per\u00edodo recente. H\u00e1 20 anos, S\u00e9rgio Cabral dizia que a favela \u00e9 f\u00e1brica de marginal. Com seu sucessor, Luiz Fernando Pez\u00e3o, houve interven\u00e7\u00e3o militar na seguran\u00e7a p\u00fablica. H\u00e1 menos de 10 anos, Wilson Witzel dizia que sua pol\u00edtica de seguran\u00e7a envolvia \u201cmirar na cabecinha e atirar\u201d. Essa sequ\u00eancia produz uma <u>s\u00e9rie hist\u00f3rica de chacinas<\/u> no estado que cresce a cada ano. Ao mesmo tempo, chama aten\u00e7\u00e3o o fato de que muitos dos governadores que fizeram do endurecimento da seguran\u00e7a p\u00fablica sua principal plataforma eleitoral acabaram presos, denunciados ou associados a esquemas de corrup\u00e7\u00e3o. <u>O pr\u00f3prio presidente Lula chegou a afirmar que o Rio<\/u> <u>de Janeiro foi governado por \u201cladr\u00f5es\u201d e \u201cmilicianos\u201d<\/u> que devem ser presos. H\u00e1, portanto, uma contradi\u00e7\u00e3o evidente, enquanto o discurso oficial aponta permanentemente para o combate ao \u201ccrime\u201d, parcela importante da pr\u00f3pria estrutura estatal \u00e9 atravessada por rela\u00e7\u00f5es de corrup\u00e7\u00e3o, mil\u00edcias e captura pol\u00edtica. Ainda assim, a resposta oferecida segue sendo a amplia\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia e da retirada de direitos sobre os mesmos territ\u00f3rios pobres, pretos e favelados.<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio, a rela\u00e7\u00e3o do Estado com as favelas tem sido estruturada por uma suspens\u00e3o cont\u00ednua das garantias constitucionais, com <u>presen\u00e7as marcantes do caveir\u00e3o e do fuzil<\/u>, ao passo que \u00e9 negligenciada qualquer outra forma de presen\u00e7a ou cuidado. Quando uma opera\u00e7\u00e3o policial da magnitude daquela ocorrida na Penha e no Alem\u00e3o \u00e9 deflagrada, a favela para. O asfalto continua a viver, mas, nos morros, as escolas fecham, os postos de sa\u00fade interrompem o atendimento e o direito b\u00e1sico de ir e vir \u00e9 interditado. Trabalhadores perdem o dia de servi\u00e7o, crian\u00e7as perdem o direito ao aprendizado, quando n\u00e3o perdem a pr\u00f3pria vida, e o terror psicol\u00f3gico se instaura de forma generalizada.<\/p>\n<p>A ret\u00f3rica da guerra \u00e9 utilizada para justificar a invas\u00e3o de domic\u00edlios sem mandado, as revistas vexat\u00f3rias e a agress\u00e3o verbal e f\u00edsica contra moradores, os esculachos. Tenta-se construir a narrativa de que a favela \u00e9 um territ\u00f3rio inimigo que precisa ser conquistado, ignorando que ali pulsa uma rede complexa de sociabilidade, inova\u00e7\u00e3o social e resist\u00eancias. <u>A viol\u00eancia do Estado n\u00e3o desarticula as din\u00e2micas do crime<\/u>, j\u00e1 que seus centros pensantes n\u00e3o est\u00e3o ali. O que ela desarticula s\u00e3o as redes de prote\u00e7\u00e3o social locais, retroalimentando o ciclo de inseguran\u00e7a. O morador da favela se v\u00ea, assim, duplamente ref\u00e9m, porque \u00e9 pressionado pela regula\u00e7\u00e3o dos grupos civis armados de um lado e pelo terror de Estado de outro.<\/p>\n<p>A insist\u00eancia nesse <u>modelo de confronto armado constitui um projeto de controle<\/u> <u>socioterritorial<\/u> que utiliza o pretexto da seguran\u00e7a para manter intacta a estrutura de segrega\u00e7\u00e3o e racismo da cidade. Nesse sentido, \u00e9 preciso evitar uma armadilha recorrente: a defesa da ideia de uma \u201copera\u00e7\u00e3o policial eficiente\u201d, que muitas vezes opera apenas como atualiza\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria guerra \u00e0s drogas. Mesmo quando n\u00e3o produz chacinas de grande repercuss\u00e3o, esse modelo mant\u00e9m a militariza\u00e7\u00e3o das favelas, a suspens\u00e3o cotidiana de direitos e a presen\u00e7a armada do Estado como resposta central \u00e0 quest\u00e3o das drogas.<\/p>\n<p>A chamada efici\u00eancia costuma ser medida pelo volume de drogas apreendidas ou pelo n\u00famero de pris\u00f5es, sem que se questione se essas a\u00e7\u00f5es alteram as estruturas do crime organizado ou reduzem concretamente a inseguran\u00e7a da popula\u00e7\u00e3o. A experi\u00eancia recente do Rio de Janeiro demonstra justamente o contr\u00e1rio: opera\u00e7\u00f5es celebradas como \u201cbem-sucedidas\u201d n\u00e3o impediram a expans\u00e3o das fac\u00e7\u00f5es e mil\u00edcias, nem interromperam as redes econ\u00f4micas que sustentam o mercado ilegal. <u>As grandes apreens\u00f5es de drogas tamb\u00e9m precisam ser problematizadas<\/u>. Al\u00e9m de n\u00e3o desarticularem o ecossistema do crime organizado, frequentemente produzem reacomoda\u00e7\u00f5es territoriais, disputas armadas e fortalecimento de mercados ilegais mais violentos e lucrativos. O foco permanente no varejo das drogas nas favelas preserva intactas as estruturas financeiras e pol\u00edticas que organizam o crime em larga escala. Nesse cen\u00e1rio, a defesa de opera\u00e7\u00f5es supostamente mais \u201cinteligentes\u201d ou \u201cmenos letais\u201d acaba legitimando a continuidade da l\u00f3gica de guerra. O debate passa a girar em torno da gest\u00e3o da viol\u00eancia, e n\u00e3o da necessidade de romper com o paradigma proibicionista e punitivista que sustenta o encarceramento em massa, a militariza\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios pobres e a viol\u00eancia de Estado. Por isso, enfrentar a inseguran\u00e7a exige deslocar o debate das drogas do campo exclusivamente policial para uma perspectiva de sa\u00fade p\u00fablica, redu\u00e7\u00e3o de danos, regula\u00e7\u00e3o estatal e enfrentamento das redes de financiamento do crime organizado.<\/p>\n<h3><strong>Quando as favelas pesquisam sobre seguran\u00e7a p\u00fablica, o que aparece?<\/strong><\/h3>\n<p>Diante de um cen\u00e1rio marcado por profunda assimetria de poder e disputas de narrativas, a seguran\u00e7a p\u00fablica \u00e9 um dos principais campos de antagonismo entre debates, inclusive envolvendo p\u00e2nico moral e caminhos autorit\u00e1rios de gest\u00e3o estatal. Os rios de sangue das megaopera\u00e7\u00f5es policiais nas favelas representam uma pe\u00e7a macabra dessa disputa, em que a gram\u00e1tica da pol\u00edtica \u00e9 o populismo penal.<\/p>\n<p>Diante disso, pesquisas publicadas, como a realizada pela Quaest, que apontou 64% de aprova\u00e7\u00e3o dos cariocas \u00e0s megaopera\u00e7\u00f5es, funcionam como o oxig\u00eanio que mant\u00e9m viva essa m\u00e1quina letal, porque conferem certa legitimidade popular ao exterm\u00ednio. Contudo, \u00e9 urgente questionar o sujeito dessa opini\u00e3o p\u00fablica e o modo de produzir verdades nas institui\u00e7\u00f5es. O universo de respondentes \u00e9 afetado pelas opera\u00e7\u00f5es de que forma? Quanto das respostas v\u00eam de moradores do asfalto e das classes m\u00e9dias e quanto vem das favelas?<\/p>\n<p>A <u>produ\u00e7\u00e3o de conhecimentos<\/u>, pesquisas e dados deve compreender que, no processo de fabrica\u00e7\u00e3o de verdades, as diferentes vozes envolvidas nos fen\u00f4menos devem ser ouvidas. Assim, <u>a produ\u00e7\u00e3o de conhecimentos das\/pelas\/nas favelas emerge como uma ferramenta<\/u> <u>poderosa de resist\u00eancia<\/u>. \u00c9 nesse lugar que a pesquisa \u201cPor que moradores de favelas aprovam ou reprovam opera\u00e7\u00f5es policiais com confronto armado?\u201d, realizada \u201cde dentro para fora\u201d pela Redes da Mar\u00e9, Frente Penha, Instituto Ra\u00edzes em Movimento, Instituto Papo Reto, Fala Ro\u00e7a e A Rocinha Resiste, ganha centralidade.<\/p>\n<p>A pesquisa foi feita combinando grupos focais e entrevistas estruturadas com moradores de quatro dos maiores conjuntos de favelas do Rio de Janeiro: Complexo do Alem\u00e3o, Complexo da Penha, Mar\u00e9 e Rocinha. A coleta de dados foi realizada em janeiro de 2026. Os territ\u00f3rios escolhidos foram justificados por concentrarem parte expressiva dos tiroteios motivados por opera\u00e7\u00f5es policiais e por alto \u00edndice de pessoas baleadas.<\/p>\n<p>No material publicado, h\u00e1 resultados organizados em quatro eixos tem\u00e1ticos: 1. an\u00e1lise dos moradores sobre as opera\u00e7\u00f5es (considerando os que concordam e discordam); 2. reflex\u00f5es sobre as din\u00e2micas de vida no contexto das opera\u00e7\u00f5es (o que ocorre quando a pol\u00edcia entra na favela?); 3. efeitos psicossociais das opera\u00e7\u00f5es; 4. abusos, ilegalidades e racismos no contexto das opera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><u>A articula\u00e7\u00e3o de grupos, institui\u00e7\u00f5es, pesquisadores e coletivos de favelas para produzir<\/u> <u>dados sobre sua realidade opera uma invers\u00e3o nas metodologias mais tradicionais entre os<\/u> <u>lugares predefinidos de sujeitos e objetos<\/u>, rompendo com o extrativismo da ci\u00eancia tradicional, que historicamente tratou a favela e a popula\u00e7\u00e3o negra e pobre como objetos passivos de an\u00e1lise. Esse campo de produ\u00e7\u00e3o cidad\u00e3 de dados nas favelas ganha contornos pr\u00f3prios, com o desenvolvimento de epistemologias de becos e vielas. Os conhecimentos favelados afirmam o morador como sujeito cr\u00edtico e cognoscente, capaz de produzir sistematiza\u00e7\u00f5es, proposi\u00e7\u00f5es e interfer\u00eancias sobre sua realidade. Sob a l\u00f3gica do n\u00f3s por n\u00f3s, a experi\u00eancia nos territ\u00f3rios, o cheiro da p\u00f3lvora e a rotina de prote\u00e7\u00e3o deixam de ser empecilhos \u00e0 neutralidade cient\u00edfica e passam a ser a pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o de possibilidade para compreender a fundo a engrenagem da viol\u00eancia estatal.<\/p>\n<p>Os achados dessa pesquisa implodem o mito do consenso punitivista explorado pela pesquisa da Quaest no final de 2025. Ouvindo mais de 4.080 residentes de quatro grandes conjuntos de favelas do Rio de Janeiro, os dados revelam que a reprova\u00e7\u00e3o \u00e9 ampla: 73% dos moradores discordam das opera\u00e7\u00f5es policiais realizadas em seus territ\u00f3rios.<\/p>\n<p>Mais do que isso, os dados confrontam diretamente a efic\u00e1cia e a moralidade da for\u00e7a extrema, evidenciando que, para 95% das fam\u00edlias, incluindo as que eventualmente dizem apoiar as a\u00e7\u00f5es pela absoluta falta de alternativas p\u00fablicas, as incurs\u00f5es n\u00e3o melhoram a seguran\u00e7a concreta de suas casas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, 85% dos entrevistados afirmam que opera\u00e7\u00f5es de grande porte como a dos Complexos da Penha e do Alem\u00e3o, em 2025, n\u00e3o devem se repetir, 91% reconhecem que a pol\u00edcia comete excessos e ilegalidades e 61% identificam o racismo estrutural no planejamento dessas a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A din\u00e2mica de seguran\u00e7a p\u00fablica no Rio de Janeiro escancara o abismo entre a percep\u00e7\u00e3o do asfalto sobre seguran\u00e7a e a realidade das favelas, onde o cotidiano \u00e9 regido por um permanente estado de exce\u00e7\u00e3o. As duas pesquisas apontam isso de forma n\u00edtida. A viol\u00eancia de Estado imp\u00f5e um ciclo de trauma cont\u00ednuo que se divide em ao menos tr\u00eas momentos: o \u201cantes\u201d, marcado pelo terror psicol\u00f3gico, pelas not\u00edcias confusas de opera\u00e7\u00f5es e pelo som dos helic\u00f3pteros que anunciam a invas\u00e3o; o \u201cdurante\u201d, que instaura o caos, suspende o direito de ir e vir e fecha escolas e postos de sa\u00fade; e o \u201cdepois\u201d, quando a pr\u00f3pria vizinhan\u00e7a \u00e9 for\u00e7ada a carregar os corpos das v\u00edtimas, a disputar a mem\u00f3ria de quem foi morto (\u201cele era trabalhador, ele n\u00e3o era bandido\u201d) e a lidar com as aus\u00eancias. Essa rotina de guerra urbana gera impactos profundos na sa\u00fade mental dos moradores e paralisa a vida e a economia local, uma vez que os trabalhadores s\u00e3o impedidos de exercer seus of\u00edcios e expostos a riscos.<\/p>\n<p>Diante desse cen\u00e1rio de viola\u00e7\u00f5es sistem\u00e1ticas, <u>a produ\u00e7\u00e3o cidad\u00e3 de dados e as<\/u> <u>epistemologias dos becos e vielas emergem como um imperativo de sobreviv\u00eancia e<\/u> <u>autodefesa<\/u>. Essa invers\u00e3o posiciona o morador como sujeito, capaz de formular cartografias precisas sobre as din\u00e2micas de poder e as sa\u00eddas estruturais necess\u00e1rias para o territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>Destacamos que a supera\u00e7\u00e3o desse modelo letal exige a articula\u00e7\u00e3o coletiva de grupos locais e a consulta constante \u00e0 popula\u00e7\u00e3o que historicamente \u00e9 silenciada, transformando a produ\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es e saberes em uma ferramenta incisiva para disputar narrativas e confrontar o populismo penal dos governos. Para isso, <u>metodologias pr\u00f3prias s\u00e3o<\/u> <u>desenvolvidas<\/u>, at\u00e9 porque \u00e9 comum que as pr\u00e1ticas tradicionais da academia sejam recha\u00e7adas nesses espa\u00e7os, pelo hist\u00f3rico extrativista que as universidades desenvolveram com as favelas.<\/p>\n<p>A consolida\u00e7\u00e3o desse conhecimento encarnado esbarra em limites estruturais severos e em um hist\u00f3rico apagamento institucional. O principal gargalo observado \u00e9 a cr\u00f4nica falta de financiamento para pesquisas faveladas. Essa escassez de recursos atua como uma barreira pol\u00edtica que impede a realiza\u00e7\u00e3o de levantamentos cont\u00ednuos e em larga escala, restringindo o alcance de um trabalho cient\u00edfico vital que frequentemente sobrevive apenas pelo esfor\u00e7o comunit\u00e1rio.<\/p>\n<p>O horizonte de uma seguran\u00e7a p\u00fablica cidad\u00e3 exige posicionar as favelas como produtoras de saberes e dados que devem ser o alicerce insubstitu\u00edvel para o desmonte do Estado letal, a supera\u00e7\u00e3o do paradigma proibicionista e a prote\u00e7\u00e3o intransigente da vida.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. 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Produ\u00e7\u00e3o cidad\u00e3 de dados e \u201cepistemologias dos becos\u201d s\u00e3o cruciais para derrubar falsos consensos<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/outras-cidades\/wikifavelas-quem-aprova-as-chacinas-em-favelas\/\">WikiFavelas: Quem aprova as chacinas em favelas?<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":91288,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[27402,6455,1428,61772,17045,1895,161,66674,3735,14502,66675,7646,30105,1614,66676,54857,35743,214,48772,66677,1292,49,73,3225,15076,77,44288],"tags":[],"class_list":["post-91287","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-complexo-da-penha","category-complexo-do-alemao","category-crime-organizado","category-debates-publicos","category-estado","category-favelas","category-governo-federal","category-megaoperacoes-policiais","category-militarizacao","category-necropolitica","category-operacoes-letais","category-operacoes-policiais","category-outras-cidades","category-pcc","category-pecs","category-policiamento-ostensivo","category-politica-de-drogas","category-politicas-publicas","category-populacao-pobre","category-populacap-preta","category-quaest","category-rio-de-janeiro","category-seguranca-publica","category-susp","category-territorios","category-violencia","category-violencia-estatal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/91287","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=91287"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/91287\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/91288"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=91287"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=91287"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=91287"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}