{"id":91610,"date":"2026-06-11T16:44:21","date_gmt":"2026-06-11T19:44:21","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/o-marxismo-de-john-reed\/"},"modified":"2026-06-11T16:44:21","modified_gmt":"2026-06-11T19:44:21","slug":"o-marxismo-de-john-reed","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/o-marxismo-de-john-reed\/","title":{"rendered":"O marxismo de John Reed"},"content":{"rendered":"<figure><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"950\" height=\"500\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/photo_4997112149192674334_y.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/photo_4997112149192674334_y.jpg 950w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/photo_4997112149192674334_y-300x158.jpg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/photo_4997112149192674334_y-768x404.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 950px) 100vw, 950px\"><figcaption>Imagem: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Nova Cultura<\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<p><imgsrc=\"\" width=\"1\" height=\"1\" alt=\".\" border=\"0\">\n<\/div>\n<\/div>\n<p>MAIS<br \/><em>Outras Palavras <\/em>passa a publicar verbetes do Dicion\u00e1rio Marxismo na Am\u00e9rica, uma iniciativa do N\u00facleo Pr\u00e1xis-USP, que busca resgatar personagens centrais na hist\u00f3ria das lutas sociais de nosso continente. John Reed, autor de <em>Dez dias que abalaram o mundo,<\/em> abre a s\u00e9rie<\/p>\n<h3><strong>Vida e pr\u00e1xis pol\u00edtica<\/strong><\/h3>\n<p>John Silas Reed nasceu no \u00d3regon, Noroeste dos Estados Unidos, filho de Charles Jerome Reed e de Margaret Green Reed. Com a m\u00e3e, aprendeu a ler ainda na inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Em 1906, mudou-se para Cambridge, no estado de Massachusetts, para estudar Jornalismo na Universidade de Harvard, onde se formou em 1910. Nesta cidade, John conheceu Walter Lippmann e Charles Townsend Copeland. Sob a influ\u00eancia do primeiro, participou do Clube Socialista de Harvard; com o segundo, ent\u00e3o professor em Harvard, aprendeu t\u00e9cnicas de composi\u00e7\u00e3o em ingl\u00eas e assimilou a import\u00e2ncia de escrever em uma linguagem comum, para melhor expor as circunst\u00e2ncias da realidade e observar a beleza escondida do mundo sens\u00edvel. Em Harvard, teve tamb\u00e9m suas primeiras experi\u00eancias com jornais e revistas; por volta de 1910, escreveu para o <em>Lampoon<\/em> e para o <em>Harvard Monthly<\/em>, em que publicou seus primeiros poemas e textos em prosa rom\u00e2ntica.<\/p>\n<div>\n<div><imgsrc=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Prancheta--13.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Prancheta--13.png 680w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Prancheta-4-300x110.png 300w\" sizes=\"(max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Ap\u00f3s a faculdade, em 1911, foi viver na cidade de Nova Iorque. Como muitos jovens imaginativos, sonhadores e impetuosos do turbulento come\u00e7o do s\u00e9culo XX, John desejava escrever poesia; esta vontade era resultado da combina\u00e7\u00e3o singular de um aluno mediano com a de um leitor infatig\u00e1vel de romances e grandes escritores como Walter Scott e Thomas Malory. Mas a vida o levaria por caminhos distintos: o de jornalista internacional e militante socialista.<\/p>\n<p>Em 1913, em Nova Iorque, John Reed teve uma de suas mais importantes experi\u00eancias intelectuais e profissionais, que o formariam como jornalista comprometido com as causas populares: por indica\u00e7\u00e3o de Lincoln Steffens, amigo de sua fam\u00edlia, ele foi contratado como rep\u00f3rter da <em>Metropolitan Magazine<\/em>. Por este tempo, presenciou a greve do setor t\u00eaxtil em Paterson, Nova Jersey. Em sua quase autobiografia, <em>Almost thirty<\/em> [<em>Quase trinta<\/em>], publicada nos anos 1930, ele diria sobre o per\u00edodo: \u201ceu soube ent\u00e3o, e n\u00e3o foi pelos livros, como os trabalhadores produzem toda a riqueza do mundo, e que esta vai para aqueles que nada fazem para merec\u00ea-la\u201d. Trabalhando para o <em>Metropolitan Magazine<\/em>, Reed acompanhou de perto a Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana. Chegando ao M\u00e9xico pelo Texas, atravessou a fronteira, encontrou as tropas revolucion\u00e1ria da Divis\u00e3o Norte e conheceu o general Francisco Villa \u2013 com quem diz que \u201csobreviveu a batalhas sangrentas, bebeu, dan\u00e7ou\u201d e escreveu um dos seus livros mais importantes, <em>M\u00e9xico insurgente <\/em>(publicado em 1914)<sup>1<\/sup>.<\/p>\n<p>Quando regressou a Nova Iorque, relatou as batalhas de Pancho Villa e seus companheiros rebeldes, e ainda em 1913, o jovem jornalista viajou para a Europa pela primeira vez, para encontrar-se, em N\u00e1poles, com Mabel Dodge, estadunidense envolvida com o mundo das artes, de quem ele foi amante. Logo, o casal seguiu viagem para a Fran\u00e7a, depois retornando \u00e0 It\u00e1lia<sup>2<\/sup>.<\/p>\n<p>No ano seguinte, estourou a I Guerra Mundial. O conflito instigou Reed, e ele estava pronto para cobri-lo, por\u00e9m, por ser frequentador do bar do Hotel Ritz de Paris, ambiente que reunia famosos escritores e artistas, preferiram mant\u00ea-lo a\u00ed, negando-lhe a tarefa. Ele, ent\u00e3o, junto ao correspondente do <em>New York Evening Post<\/em>, Robert Dunn, obteve um <em>visto m\u00e9dico<\/em>, podendo assim viajar para Nice, em setembro de 1914. Em dezembro, seguiu para Berlim, onde conseguiu entrevistar Karl Liebknecht, o l\u00edder da ala radical revolucion\u00e1ria do Partido Social-Democrata Alem\u00e3o, que tinha votado contra os cr\u00e9ditos de guerra no parlamento alem\u00e3o.<\/p>\n<p>Sua experi\u00eancia da guerra se aprofundou quando, em janeiro de 1915, foi \u00e0 frente de batalha de Ypres, na B\u00e9lgica, onde, ao lado de Robert Dunn, presenciou os horrores das trincheiras e viu os corpos de soldados franceses mortos. Outro epis\u00f3dio marcante ocorreu este mesmo ano, tamb\u00e9m na regi\u00e3o de Ypres, quando acompanhado por um oficial (e do colega Dunn), Reed chegou a manusear um fuzil e disparar na dire\u00e7\u00e3o inimiga \u2014 um gesto breve, mas que o perturbou, ao expor a ambiguidade de seu papel como correspondente de guerra, no qual a linha entre observar e participar podia ser t\u00eanue<sup>3<\/sup>. Al\u00e9m disto, o fato teve consequ\u00eancias para sua carreira no jornalismo: ao receber a informa\u00e7\u00e3o da ocorr\u00eancia, o <em>New York Evening Post<\/em> comunicou que ele n\u00e3o poderia mais entrar na Europa pela Fran\u00e7a. Da\u00ed que mais tarde John Reed, junto ao ilustrador Boardman Robinson, que agora o acompanhava, teria que ingressar na Europa pela zona oriental do continente, sempre que tivesse que l\u00e1 voltar para dar continuidade a sua cobertura.<\/p>\n<p>Enquanto a experi\u00eancia da Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana incitou em Reed a paix\u00e3o pelas causas populares, a I Guerra Mundial o levou a nutrir sentimentos de \u00f3dio pela guerra e desprezo pelos governantes \u2013 entendendo que todos, igualmente, usavam a classe trabalhadora no conflito para obten\u00e7\u00e3o de benef\u00edcios pr\u00f3prios.<\/p>\n<p>Ainda em 1915, John Reed voltou para Nova Iorque. Na cidade, tentou reatar sua rela\u00e7\u00e3o com Mabel Dodge, que naquele momento vivia afastada de seu novo universo pol\u00edtico. Inst\u00e1vel emocionalmente, Reed retomou a escrita de poesia. No per\u00edodo, escreveu tamb\u00e9m textos importantes para o jornal <em>The Masses <\/em>[<em>As Massas<\/em>], com destaque para o conto \u201cDaughter of the Revolution\u201d [\u201cA filha da Revolu\u00e7\u00e3o\u201d], de fevereiro de 1915, mais tarde publicado em colet\u00e2nea p\u00f3stuma; e o artigo \u201cThe worst thing in Europe\u201d[\u201cA pior coisa da Europa\u201d], de mar\u00e7o do mesmo ano.<\/p>\n<div>\n<div><imgsrc=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/ADC30_Engels_anuncio_OP-1.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/ADC30_Engels_anuncio_OP-1.jpg 728w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/ADC30_Engels_anuncio_OP-300x37.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 728px) 100vw, 728px\" width=\"728\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Antes da grande aventura da sua vida \u2013 que seria a cobertura e relato da Revolu\u00e7\u00e3o Bolchevique \u2013, Reed viajou brevemente \u00e0 Europa Oriental, onde, em fevereiro de 1916, escreveu o artigo <em>The world well lost<\/em> [<em>O mundo bem perdido<\/em>]. No texto, descreveu a experi\u00eancia de um socialista s\u00e9rvio que, ap\u00f3s a I Guerra Mundial, e decepcionado com a atua\u00e7\u00e3o dos social-democratas, n\u00e3o acreditava mais nas possibilidades de reformas.<\/p>\n<p>Entretanto, foi no relato das gl\u00f3rias da Revolu\u00e7\u00e3o Russa que John Silas Reed se tornaria um dos grandes nomes da hist\u00f3ria do marxismo e do movimento comunista. J\u00e1 tendo como companheira a ativista feminista e escritora Louise Bryant \u2013 que conhecera durante um intervalo do trabalho em campo, quando viveu em Nova Iorque \u2013, Reed chegou \u00e0 R\u00fassia em setembro de 1917. Louise tinha sido casada com um dentista novaiorquino chamado Paul Trullinger, mas se envolveu com Reed, com quem se identificava quanto ao esp\u00edrito rebelde e imaginativo, sendo colaboradora dos jornais anarquistas dirigidos por Alexander Berkman e Emma Goldman, respectivamente, o <em>Blast<\/em> e o <em>Mother Earth<\/em>. Estes anos de 1916 e 1917, ao lado de Louise, foram permeados pela boemia e por projetos art\u00edsticos, al\u00e9m da ruptura com Walter Lippmann. \u00c0 \u00e9poca, Reed, que conquistava uma reputa\u00e7\u00e3o nacional como jornalista, se op\u00f4s \u00e0 entrada dos Estados Unidos na I Guerra, o que o levou a v\u00e1rias a\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas que fizeram com que perdesse o emprego em grandes jornais corporativos; com isto, nenhum peri\u00f3dico comercial de porte se disp\u00f4s a pagar por sua estadia e reportagens na R\u00fassia. Foi Max Eastman, editor do <em>The Masses<\/em>, um jornal mensal socialista, quem levantou os recursos para Reed e Louise cobrirem o acontecimento.<\/p>\n<p>A partir desse momento, at\u00e9 a sua morte em 1920, John Silas Reed, que j\u00e1 professava as causas dos trabalhadores, defenderia abertamente as bandeiras do movimento comunista e, nos Estados Unidos, ajudaria a construir uma organiza\u00e7\u00e3o que tivesse no horizonte os feitos do Partido Bolchevique.<\/p>\n<p>Entre 1918 e 1919, ap\u00f3s cobrir a Revolu\u00e7\u00e3o de 1917, Reed voltou para os Estados Unidos, onde foi julgado pela campanha antimilitarista que havia levado a cabo em 1916. Aproveitando a estada em seu pa\u00eds, ele organizou concorridos com\u00edcios, nos quais explicou aos estadunidenses o que havia sido a Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro na R\u00fassia.<\/p>\n<p>Nesse per\u00edodo, John Reed ingressou no Partido Socialista dos Estados Unidos; por\u00e9m, insatisfeito com o envolvimento da organiza\u00e7\u00e3o no sistema partid\u00e1rio do pais, come\u00e7ou vislumbrar a possibilidade de criar outro partido. Em 31 de agosto de 1919, ao lado de outros militantes expulsos do Partido Socialista, Reed iniciou a constru\u00e7\u00e3o do <em>Communist Labor Party <\/em>dos Estados Unidos [Partido Comunista dos Trabalhadores] \u2013 que seria o embri\u00e3o do <em>Communist Party of the United States of America<\/em> [Partido Comunista dos EUA] \u2013, do qual ele e o comunista estadunidense Louis Fraina seriam os representantes junto \u00e0 Internacional Comunista.<\/p>\n<p>Entusiasmado com a vit\u00f3ria dos bolcheviques, e superando obst\u00e1culos do regime estadunidense (que o proibia de sair do pa\u00eds), Reed, clandestinamente, voltou para a R\u00fassia revolucion\u00e1ria para concluir a jornada que o consagraria como jornalista radical.<\/p>\n<p>John Reed morreu num gelado dia do outono russo, aos 32 anos, de tifo, em Moscou, tr\u00eas anos depois de ter vivenciado e relatado \u2013 na espetacular obra <em>Ten days that shook the world <\/em>[<em>Dez dias que abalaram o mundo<\/em>] \u2013 o maior acontecimento para os trabalhadores do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<h3><strong>Contribui\u00e7\u00f5es ao marxismo<\/strong><\/h3>\n<p>Reed n\u00e3o foi um propriamente um te\u00f3rico do materialismo hist\u00f3rico, nem um militante estritamente devotado \u00e0 a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, mas sua biografia sobressai por ter narrado o maior evento pol\u00edtico e social da hist\u00f3ria comunista. A obra <em>Dez dias que abalaram o mundo<\/em> \u00e9 a apreens\u00e3o testemunhal-ocular da Revolu\u00e7\u00e3o Russa de 1917. Seu legado \u2013 como marxista e jornalista \u2013 \u00e9 considerado um marco da reportagem moderna, pela forma como uniu imers\u00e3o direta nos acontecimentos, for\u00e7a narrativa e tomada de posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, ampliando os limites do que significa testemunhar e narrar a hist\u00f3ria. A grande proeza hist\u00f3rica, pol\u00edtica e liter\u00e1ria de Reed foi ter conseguido, dentro dos seus termos e convic\u00e7\u00f5es, manter fixamente seu olhar apaixonado nos detalhes do processo din\u00e2mico da Revolu\u00e7\u00e3o, assim como em seus personagens menores e mesmo an\u00f4nimos \u2013 tendo observado atentamente os pr\u00f3prios trabalhadores em a\u00e7\u00e3o a tomar o destino em suas m\u00e3os<sup>4<\/sup>.<\/p>\n<p>Algumas considera\u00e7\u00f5es s\u00e3o importantes sobre <em>Dez dias que abalaram o mundo<\/em>, a saber: 1) John Reed, para escrever, valeu-se de documentos do dia-a-dia da revolu\u00e7\u00e3o, proclama\u00e7\u00f5es emitidas, panfletos, p\u00f4ster de propaganda, jornais di\u00e1rios de organiza\u00e7\u00f5es e folhetos de distribui\u00e7\u00e3o r\u00e1pida; 2) desde que chegou \u00e0 R\u00fassia, em setembro de 1917, com Louise Bryant, ele teve a acolhida tanto dos membros do Governo Provis\u00f3rio (interessado na divulga\u00e7\u00e3o socialista de seu governo no exterior), como dos bolcheviques \u2013 pois Reed foi logo tido pelos comunistas russos como um jornalista revolucion\u00e1rio, sendo esta receptividade decisiva para a constru\u00e7\u00e3o viva de sua reportagem-hist\u00f3ria; 3) ele n\u00e3o desejou apenas descrever a Revolu\u00e7\u00e3o para a audi\u00eancia estadunidense, mas sim o fez para os leitores vindouros, para os futuros trabalhadores e socialistas de todo o mundo; 4) Reed n\u00e3o se preocupou em contar o que havia antes, nem as consequ\u00eancias de m\u00e9dio prazo da Revolu\u00e7\u00e3o; 5) A grande conquista de <em>Dez dias <\/em>reside no fato de que John Reed conseguiu relatar, com riqueza de detalhes, os sentimentos imediatos daqueles que buscavam transformar suas vidas, apreendendo em suas p\u00e1ginas a vontade expressa nos momentos de entusiasmo pol\u00edtico e social.<\/p>\n<p>Um ponto que merece aten\u00e7\u00e3o \u2013 concernente \u00e0 contribui\u00e7\u00e3o de Reed ao marxismo e ao campo do jornalismo cr\u00edtico \u2013 foi o estilo que usou para relatar os eventos que estava cobrindo, conseguindo transformar fatos rudes e acontecimentos secos em narrativas com for\u00e7a de express\u00e3o e capacidade de despertar o interesse humano, sens\u00edvel, dos leitores<sup>5<\/sup>.<\/p>\n<p>Foi esse romantismo rebelde que fez o seu livro mais conhecido e importante sobreviver com exuber\u00e2ncia at\u00e9 nossos dias, apesar de tantos revezes sofridos pelos socialistas, em especial ap\u00f3s a Queda do Muro de Berlim e a dissolu\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica nos anos 1990<sup>6<\/sup>.<\/p>\n<p>Interessante destacar as t\u00e9cnicas narrativas que o excepcional jornalista liter\u00e1rio que foi John Reed utilizou: ele n\u00e3o apenas observava os protagonistas dos eventos, mas os tipificava com seus tra\u00e7os mais caracter\u00edsticos; ele tinha como ideal \u2013 e em certa medida o concretizou \u2013 documentar diretamente as declara\u00e7\u00f5es, adotando como estrat\u00e9gia jornal\u00edstica a reprodu\u00e7\u00e3o de relatos integrais, de modo a tornar os acontecimentos mais claros e evidentes para o leitor; seu objetivo n\u00e3o era apenas o de relatar os fatos, mas o que o movia era reconstru\u00ed-los em suas circunst\u00e2ncias concretas e atmosfera social, de modo a torn\u00e1-los o mais v\u00edvidos para o leitor; e, por fim, a preocupa\u00e7\u00e3o de Reed foi, sobretudo, descrever em detalhes o esp\u00edrito eminentemente humano que envolve os grandes eventos hist\u00f3ricos<sup>7<\/sup>.<\/p>\n<p>Assim, o intenso relato sobre a Revolu\u00e7\u00e3o Russa de 1917, cujo resultado foi um sucesso \u00edmpar, combinou investiga\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica, impress\u00f5es subjetivas, paix\u00e3o pol\u00edtica e o detalhe liter\u00e1rio dos fatos.<\/p>\n<p>John Reed recebeu uma severa cr\u00edtica de certas figuras do s\u00e9culo XX \u2013 em grande medida pelo esp\u00edrito do tempo, a Guerra Fria. Mas mereceu tamb\u00e9m elogios serenos positivos de alguns dos que o criticavam: George F. Kennan reconheceu seu \u201cpoder liter\u00e1rio\u201d; Walter Lippmann, seu antigo amigo de Harvard, destacou seu dom para autodramatiza\u00e7\u00e3o; Max Eastman escreveu um romance em que Reed foi ficcionalizado; e Warren Beatty produziu um filme sobre ele em 1981, o famoso <em>Reds<\/em>.<\/p>\n<p>Mas a contribui\u00e7\u00e3o de John Reed para o marxismo e para as lutas de milhares de pessoas subalternizadas que hoje t\u00eam a esperan\u00e7a de uma vida melhor foi reconhecida por dois dos principais personagens do livro do pr\u00f3prio Reed; ao prefaciar o <em>Dez dias que abalaram o mundo<\/em>, Krupskaia disse que: \u201co livro de Reed oferece um quadro aut\u00eantico da revolta, e \u00e9 por isso que ter\u00e1 uma import\u00e2ncia toda especial para a juventude, para as gera\u00e7\u00f5es futuras, para quem a Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro j\u00e1 ser\u00e1 hist\u00f3ria\u201d; \u201cno seu g\u00eanero, o livro de Reed \u00e9 uma epopeia\u201d<sup>8<\/sup>. J\u00e1 L\u00eanin afirmou sobre a obra que: \u201cgostaria de ver publicada aos milh\u00f5es de exemplares [\u2026] para todas as l\u00ednguas, pois tra\u00e7a um quadro [\u2026] extraordinariamente vivo dos acontecimentos [\u2026] da Revolu\u00e7\u00e3o da Ditadura do Proletariado\u201d<sup>9<\/sup>. Com efeito, a obra de Reed tra\u00e7a com emocionante precis\u00e3o todos os acontecimentos, pessoas, organiza\u00e7\u00f5es e os temperamentos vividos nas duas semanas mais importantes do s\u00e9culo XX. L\u00eanin ainda diria que o livro de Reed foi fundamental para o verdadeiro esclarecimento do proletariado mundial acerca do que ocorreu em 1917 na R\u00fassia.<\/p>\n<p>John Reed foi um entusiasta do socialismo que se organiza <em>desde baixo<\/em>, al\u00e9m de adepto do socialismo dos sovietes de oper\u00e1rios, camponeses e soldados. O artigo que publicou em 1918 no <em>The Liberator<\/em>, que na ocasi\u00e3o era dirigido por Max Eastman, com o t\u00edtulo \u201cSoviets in action\u201d [\u201cSovietes em a\u00e7\u00e3o\u201d] revela seu modo de pensar o socialismo. Neste ensaio \u2013 uma de suas principais contribui\u00e7\u00f5es para o marxismo \u2013, Reed apresenta alguns conceitos e pr\u00e1ticas pol\u00edticas que entende como fundamentais: capacidade de organiza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora; coordena\u00e7\u00e3o pelos conselhos das atividades sociais e econ\u00f4micas essenciais; participa\u00e7\u00e3o efetiva dos trabalhadores; representa\u00e7\u00e3o direta; sensibilidade para com os mais necessitados; pol\u00edtica aut\u00f4noma; descentraliza\u00e7\u00e3o e governo local na cria\u00e7\u00e3o de um governo central; mandato revog\u00e1vel a qualquer momento; flexibilidade pol\u00edtica; e defesa consciente da revolu\u00e7\u00e3o<sup>10<\/sup>.<\/p>\n<p>John Silas Reed morreu em outubro de 1920, ainda jovem, deixando para as gera\u00e7\u00f5es futuras de socialistas essa concep\u00e7\u00e3o de socialismo dos sovietes, que defendia, al\u00e9m de uma obra preciosa que ajudou a difundir pelo mundo os ideais comunistas e a hist\u00f3ria da emblem\u00e1tica Revolu\u00e7\u00e3o Bolchevique.<\/p>\n<h3><strong>Coment\u00e1rio sobre a obra<\/strong><\/h3>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o intelectual John Silas Reed constitui-se principalmente de sua vasta atividade jornal\u00edstica, al\u00e9m de poemas esparsos e cartas a pessoas \u00edntimas. Contudo, seus poucos livros publicados em vida s\u00e3o um repert\u00f3rio imaginativo e apaixonante de significativas experi\u00eancias humanas no in\u00edcio do s\u00e9culo XX. Seus escritos foram publicados em diversos idiomas, inclusive na l\u00edngua portuguesa.<\/p>\n<p>Destacam-se de John Reed as seguintes obras: <em>Mexico insurgent<\/em> [<em>M\u00e9xico insurgente<\/em>] (Nova Iorque: Daniel Appleton e Company, 1914), traduzido no Brasil como <em>M\u00e9xico rebelde<\/em> (Rio de Janeiro: Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, 1968); <em>The war in Eastern Europe <\/em>[<em>A guerra na Europa Oriental<\/em>] (Nova Iorque: Charles Scribner\u2019s Sons, 1916), traduzido como <em>Guerra dos B\u00e1lc\u00e3s<\/em> (S\u00e3o Paulo: Conrad, 2002); e seu cl\u00e1ssico <em>Ten days that shook the world <\/em>(Nova Iorque: Boni and Liveright, 1919), logo publicado em Portugal, em 1927, com o t\u00edtulo <em>Dez dias que abalaram o mundo<\/em> (Lisboa: Editorial Inqu\u00e9rito) \u2013 mas vindo a sair no Brasil apenas em 1967, pela Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira.<\/p>\n<p>Outras obras suas de impacto, mas menos relevantes para hist\u00f3ria do marxismo, s\u00e3o: <em>Daughter of the Revolution and other stories <\/em>(Nova Iorque: Vanguard Press, 1927), colet\u00e2nea de contos editada por Floyd Dell e traduzida ao portugu\u00eas como <em>A filha da Revolu\u00e7\u00e3o<\/em> (S\u00e3o Paulo: Conrad, 2000); e o esbo\u00e7o autobiogr\u00e1fico \u201cAlmost thirty\u201d, escrito em 1917 mas publicado somente em 1936 na revista <em>The New Republic<\/em>.<\/p>\n<p>Al\u00e9m destas, dentre a obra po\u00e9tica do jovem John Reed, cabe mencionar <em>The day in bohemia, or, Life among the artists<\/em> [<em>Um dia na Bo\u00eamia, ou, A vida entre os artistas<\/em>], s\u00e1tira sobre a cena art\u00edstica de bairros bo\u00eamios de Nova Iorque, publicada como livreto em 1913, em edi\u00e7\u00e3o independente (Riverside\/EUA: Hillacre). E <em>Tamburlaine and other verses<\/em> (Riverside\/EUA: Hillacre, 1917), pequeno livro que re\u00fane 25 poemas com reflex\u00f5es sobre a vida e personagens hist\u00f3ricos.<\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o a seus escritos principais, <em>Mexico insurgent<\/em> foi sua primeira obra como correspondente internacional cobrindo um fato de import\u00e2ncia para os trabalhadores. No livro, Reed narra a Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana liderada por Pancho Villa. O jornalismo liter\u00e1rio de Reed, ao relatar a rebeli\u00e3o dos villistas, ao contr\u00e1rio de muitos de seus colegas, que tomavam informa\u00e7\u00f5es de l\u00edderes pol\u00edticos com uma vis\u00e3o enviesada do processo, buscou captar o sentimento dos mais pobres, dos verdadeiros democratas, do dia a dia das tropas e dos revolucion\u00e1rios.<\/p>\n<p>J\u00e1 <em>The war in Eastern Europe <\/em>\u00e9 talvez o livro mais desencantado de John Reed. Nele, informa ao p\u00fablico estadunidense o ocorrido na I Guerra Mundial, sobretudo na regi\u00e3o dos B\u00e1lc\u00e3s. Isto porque ele n\u00e3o nutria nenhum sentimento positivo pela guerra e pelas elites governantes que a promoviam, levando \u00e0 morte os que menos tinham a ganhar com a guerra: a classe trabalhadora mundial. Ao descrever o primeiro conflito mundial entre pot\u00eancias imperialistas, Reed detalhou o sofrimento expresso na carne viva e nos ossos fraturados de homens que davam suas vidas pelos interesses do lucro. Aqui, por\u00e9m, a morte foi narrada por Reed sem a mesma paix\u00e3o de <em>M\u00e9xico insurgente<\/em>, ainda que com uma imensid\u00e3o de detalhes.<\/p>\n<p>Entretanto, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida que<em> Ten days that shook the world <\/em>\u00e9 sua grande obra, e que \u00e9 tamb\u00e9m um dos grandes livros do s\u00e9culo XX. N\u00e3o se trata, contudo, de um livro did\u00e1tico sobre a Revolu\u00e7\u00e3o Russa, e tamb\u00e9m n\u00e3o foi escrito para o senso comum que deseja conhecer o evento sem maiores complexidades \u2013 engana-se quem for l\u00ea-lo com isto em mente. <em>Dez dias<\/em> conta, de maneira romanesca, os dias que antecederam a Revolu\u00e7\u00e3o e o dia preciso (25 de outubro) em que se deu a conquista do poder pelos trabalhadores, camponeses e soldados reunidos e organizados nos sovietes [conselhos] \u2013 tendo a seu lado os bolcheviques e os l\u00edderes L\u00eanin, Zinoviev, Kamenev, Tr\u00f3tski, Bukharin, Kollontai, Lunatcharski e Krupskaia \u00e0 frente. Ou seja, narra as duas semanas anteriores \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o, e a subjetividade de milhares de trabalhadores, trabalhadoras, camponeses, camponesas e soldados revolucion\u00e1rios. \u00c9 o principal texto sobre este evento hist\u00f3rico, junto com a <em>Hist\u00f3ria da Revolu\u00e7\u00e3o Russa <\/em>(1930-1932\/ 3 volumes),de Tr\u00f3tski, e <em>A Revolu\u00e7\u00e3o Bolchevique<\/em><sup>11<\/sup> (1917-1923\/3 vol.), de Edward Hallet Carr. Esta informa\u00e7\u00e3o \u00e9 importante pois estabelece tr\u00eas g\u00eaneros textuais distintos sobre o mesmo fen\u00f4meno. A obra de Tr\u00f3tski \u00e9 o testemunho denso e abrangente de um dos atores do processo revolucion\u00e1rio de 1917. Edward Carr, que foi professor no <em>Trinity College<\/em> em Cambridge, Inglaterra, escreveu com rigor historiogr\u00e1fico e detalhamento dos eventos talvez a mais completa \u2013 e, portanto, mais importante \u2013 obra sobre a Revolu\u00e7\u00e3o Sovi\u00e9tica \u2013 obra esta que seria inclu\u00edda em sua <em>Hist\u00f3ria da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica<\/em>, publicada em 14 volumes. Por sua vez, e em termos comparativos, o livro de John Reed, <em>Dez dias que abalaram o mundo<\/em>, descreve com vivacidade e emo\u00e7\u00e3o objetiva as semanas que antecederam a conquista do poder pelos sovietes e o partido de L\u00eanin, o que torna seu trabalho, no \u00e2mbito do g\u00eanero textual jornal\u00edstico, not\u00e1vel para o entendimento das causas que levaram a uma revolu\u00e7\u00e3o na R\u00fassia no come\u00e7o do s\u00e9culo XX \u2013 acontecimento que mudaria a hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Em <em>Daughter of the Revolution <\/em>encontramos Reed escrevendo pequenas hist\u00f3rias e casos que presenciou em alguns momentos da carreira jornal\u00edstica. Esses epis\u00f3dios ganham tra\u00e7os ficcionais e romanescos na escrita efervescente, e ao mesmo tempo objetiva, do autor. S\u00e3o fatos que ele presenciou no M\u00e9xico, na I Guerra Mundial, na Nova Iorque dos anos 1910, e na Revolu\u00e7\u00e3o Russa de 1917 (mas que est\u00e3o ausentes do livro <em>Dez dias<\/em>).<\/p>\n<p><em>Almost thirty <\/em>\u00e9 um relato nost\u00e1lgico de Reed sobre seus dias em Harvard como aluno de jornalismo. Ali, mesmo ocupando a presid\u00eancia do <em>Clube Cosmopolita<\/em> e a ger\u00eancia do <em>Clube Musical<\/em>, ele se sentia isolado e estranho \u2013 em meio \u00e0quele ambiente aristocratizado dos estudantes pertencentes \u00e0 elite estadunidense. A obra consiste de seus temores, ang\u00fastias e receios da adolesc\u00eancia no per\u00edodo universit\u00e1rio. Narra suas impress\u00f5es sobre o contato com Charles Townsend Copeland e Walter Lippmann; conta do impacto que lhe causou a greve oper\u00e1ria em Paterson, do \u00eaxtase com a cidade de Nova Iorque: \u201cEm Nova Iorque eu amei pela primeira vez, e eu escrevi pela primeira vez as coisas que eu vi com intensa alegria de cria\u00e7\u00e3o\u201d. Trata da experi\u00eancia de viajar ao M\u00e9xico como correspondente de guerra pelo <em>The Metropolitan Magazine<\/em> para acompanhar Pancho Villa e a Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana, e da ida, tamb\u00e9m como jornalista, \u00e0 Europa para cobrir a I Guerra. E sobre estes dois eventos que marcaram sua vida, Reed afirma que na Europa n\u00e3o encontrou \u201cnenhuma espontaneidade, nenhum idealismo\u201d como presenciara na Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana. A biografia \u00e9 o autorrelato de um personagem, de um homem apaixonado, aventureiro no bom sentido, de um radical e bo\u00eamio que se encontraria realizado ao testemunhar em 1917 \u2013 na R\u00fassia dos conselhos de trabalhadores, camponeses e soldados, dos bolcheviques e de L\u00eanin \u2013 os dez dias que abalariam todo o s\u00e9culo XX<sup>12<\/sup>.<\/p>\n<p>H\u00e1 alguns portais que disponibilizam as obras de John Reed, como: <em>Marxists<\/em> (www.marxists.org); e <em>The Oregon Encyclopedia<\/em> (www.oregonencyclopedia.org).<\/p>\n<hr>\n<p><strong>Bibliografia de refer\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p> BINGHAM, Edwin R. \u201cThe lost revolutionary: a biography of John Reed by Richard O\u2019Connor\u201d. <em>The Pacific Northwest Quarterly<\/em>, v. 60, n. 2, 1969.<\/p>\n<p>______. \u201cSo Short a Time: a biography of John Reed and Louise Bryant by Barbara Gelb\u201d. <em>The Pacific Northwest Quarterly<\/em>, v. 66, n. 2, 1975.<\/p>\n<p>BUSTAMENTE, Fernando. <em>Duas revolu\u00e7\u00f5es: percurso est\u00e9tico-pol\u00edtico na literatura de John Reed<\/em>. Disserta\u00e7\u00e3o [Mestrado], Faculdade de Filosofia, Letras e Ci\u00eancias Humanas da Universidade de S\u00e3o Paulo, S\u00e3o Paulo, 2014.<\/p>\n<p>CHILL\u00d3N, Albert. <em>Literatura y periodismo: una tradici\u00f3n de relaciones promiscuas<\/em>. Bellaterra: Universitat Aut\u00f2noma de Barcelona, 1999.<\/p>\n<p>CORR\u00caA, V\u00edtor de Abreu. <em>Testemunho e t\u00e9cnica no jornalismo liter\u00e1rio: a contribui\u00e7\u00e3o de John Reed<\/em>. Trabalho de Conclus\u00e3o de Curso, Centro Universit\u00e1rio de Bras\u00edlia,Bras\u00edlia, 2006.<\/p>\n<p>FRAZIER, Ian. \u201cJohn Reed\u2019s \u2013 unblinking stare\u201d. <em>The American Scholar<\/em>, v. 71, 2002.<\/p>\n<p>HOMBERGER, Eric. <em>John Reed<\/em>. Manchester\/Nova Iorque: Manchester University Press, 1990.<\/p>\n<p>KISCH, Egon Erwin. \u201cO autor e sua obra\u201d. Em: REED, John. <em>Os dez dias que abalaram o mundo<\/em>. Porto Alegre: LPM, 2002.<\/p>\n<p>KRUPSKAIA, Nadeja. \u201cPref\u00e1cio \u00e0 Primeira Edi\u00e7\u00e3o Russa\u201d. Em: REED, John S. <em>Os dez dias que abalaram o mundo<\/em>. S\u00e3o Paulo: C\u00edrculo do Livro, S\/D.<\/p>\n<p>L\u00caNIN, Vladimir I. \u201cPref\u00e1cio \u00e0 Edi\u00e7\u00e3o Norte-Americana\u201d. Em: REED, John S. <em>Os dez dias que abalaram o mundo<\/em>. S\u00e3o Paulo: C\u00edrculo do Livro, S\/D.<\/p>\n<p>ROSENSTONE, Robert A. <em>Romantic revolutionary: a biography of John Reed<\/em>. Nova Iorque: Random House, 1975.<\/p>\n<p>SPENCER, Arthur C. \u201cRomantic Revolutionary: a biography of John Reed by Robert A. Rosenstone\u201d. <em>Oregon Historical Quarterly<\/em>, v. 77, n. 1, 1976.<\/p>\n<p>TAYLOR, A. J. P. Introdu\u00e7\u00e3o. Em: REED, John. <em>Dez dias que abalaram o mundo<\/em>. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2016.<\/p>\n<p>VENTURA, Zuenir. Apresenta\u00e7\u00e3o. Em: REED, John. <em>Dez dias que abalaram o mundo: a <\/em><em>hist\u00f3ria de uma revolu\u00e7\u00e3o<\/em>. S\u00e3o Paulo: Ediouro, 2002.<\/p>\n<hr>\n<p><strong>Notas editoriais<\/strong><\/p>\n<p>1 Reed (1936).<\/p>\n<p>2 Homberger (1990).<\/p>\n<p>3 Ver: DUNN, Robert. <em>Five fronts: on the firing-lines with the english, french, austrian, german and russian troops <\/em>[<em>Cinco frentes: nas linhas de tiro com as tropas inglesas, francesas, austr\u00edacas, alem\u00e3s e russas<\/em>] (1915).<\/p>\n<p>4 KISCH (2002)<\/p>\n<p>5 CORREA (2006).<\/p>\n<p>6 ROSENSTONE (1975).<\/p>\n<p>7 CHILL\u00d3N (1999).<\/p>\n<p>8 KRUPSKAIA (s\/d) [1919].<\/p>\n<p>9 L\u00caNIN (s\/d) [1919].<\/p>\n<p>10 REED (2007) [1918].<\/p>\n<p>11 CARR. <em>A history of soviet Russia<\/em>, Londres: Macmillan, 1950\u20131978 [<em>The Bolshevik Revolution<\/em> (3 volumes)]. O livro de Carr ainda n\u00e3o possui tradu\u00e7\u00e3o para o portugu\u00eas; h\u00e1 um livro que resume a obra maior do historiador ingl\u00eas, traduzido entre n\u00f3s como: <em>A Revolu\u00e7\u00e3o Russa de L\u00eanin a St\u00e1lin (1917-1929)<\/em>, Rio de Janeiro: Zahar, 1981. Existe tamb\u00e9m, como alternativa, a edi\u00e7\u00e3o em espanhol: CARR. <em>La historia de la Rusia sovi\u00e9tica<\/em>, Madrid: Alianza Editorial, 1972 [<em>La Revoluci\u00f3n Bolchevique 1917-1923 <\/em>(3 volumes)].<\/p>\n<p>12 CORR\u00caA (2006).<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. 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Cobriu processos revolucion\u00e1rios mexicanos e sovi\u00e9ticos. E mostrou, com olhos v\u00edvidos, as rebeldias dos <i>de baixo<\/i>. Leia a nova coluna de Outras Palavras: Dicion\u00e1rio Marxismo na Am\u00e9rica<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/historia-e-memoria\/o-marxismo-de-john-reed\/\">O marxismo de John Reed<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":91611,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[67344,1014,42008,67345,9630,9,5216,5488,67346,67347,42705,3027,67348,3794,726,67349,67350,6318,67351,3165,43],"tags":[],"class_list":["post-91610","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-a-arte-da-poesia","category-classe-trabalhadora","category-cobertura-jornalistica","category-correspondente-internacional","category-escritor","category-eua","category-harvard","category-historia-e-memoria","category-i-guerra-mundial","category-john-silas-reed","category-jornalismo-critico","category-jornalista","category-jornalista-internacional","category-marxismo","category-mexico","category-militante-socialista","category-obras-de-impacto","category-partido-socialista","category-revolucao-mexicana","category-revolucionario","category-russia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/91610","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=91610"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/91610\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/91611"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=91610"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=91610"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=91610"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}