{"id":91646,"date":"2026-06-12T18:05:02","date_gmt":"2026-06-12T21:05:02","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/para-entender-o-fenomeno-dos-jovens-antifeministas\/"},"modified":"2026-06-12T18:05:02","modified_gmt":"2026-06-12T21:05:02","slug":"para-entender-o-fenomeno-dos-jovens-antifeministas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/para-entender-o-fenomeno-dos-jovens-antifeministas\/","title":{"rendered":"Para entender o fen\u00f4meno dos jovens antifeministas"},"content":{"rendered":"<figure><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1500\" height=\"1000\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/file-20260305-82-cqyvzs.avif\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/file-20260305-82-cqyvzs-1500x1000.avif 1500w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/file-20260305-82-cqyvzs-300x200.avif 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/file-20260305-82-cqyvzs-768x512.avif 768w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/file-20260305-82-cqyvzs-272x182.avif 272w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/file-20260305-82-cqyvzs.avif 1536w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\"><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<p><imgsrc=\"\" width=\"1\" height=\"1\" alt=\".\" border=\"0\">\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Por <strong>Nuria Alabao<\/strong>, no <em>CTXT<\/em> | Tradu\u00e7\u00e3o: <strong>R\u00f4ney Rodrigues<\/strong><\/p>\n<p>Em 2021, ser feminista era a coisa mais pr\u00f3xima de um consenso geracional que a Espanha havia conhecido em d\u00e9cadas. Metade dos jovens se identificava com o feminismo, um n\u00famero muito superior ao da d\u00e9cada anterior. Apenas quatro anos depois, esse apoio diminuiu consideravelmente \u2013 para 38,4% \u2013, e n\u00e3o apenas entre os rapazes, embora seja neles que encontramos a maior queda.<\/p>\n<p>O antifeminismo \u00e9 uma posi\u00e7\u00e3o constru\u00edda politicamente no calor da direitiza\u00e7\u00e3o global. Mas tamb\u00e9m poder\u00edamos incluir outros fatores: quando o feminismo mais viv\u00edvel se identifica com o governo, com o sistema educacional, com o politicamente correto, para uma parte dos jovens ele se torna a voz da autoridade. E toda autoridade gera sua rebeldia. Esses rapazes percebem uma culpabiliza\u00e7\u00e3o \u2013 responsabilizam-nos pelo machismo antes mesmo de terem vivido suas vidas \u2013 e encontram nos espa\u00e7os antifeministas um al\u00edvio que mistura provoca\u00e7\u00e3o e divers\u00e3o contracultural. Tamb\u00e9m \u00e9 importante n\u00e3o superdimensionar o fen\u00f4meno: as posi\u00e7\u00f5es abertamente antifeministas continuam sendo minorit\u00e1rias entre os jovens, mas o alarme social que produzem amplifica seu eco.<\/p>\n<div>\n<div><imgsrc=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Prancheta--17.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Prancheta--17.png 680w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Prancheta-4-300x110.png 300w\" sizes=\"(max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Quando falamos das causas dessa direitiza\u00e7\u00e3o, costumamos apontar a machosfera, onde esses conte\u00fados se difundem na internet e nas redes sociais e onde tamb\u00e9m circulam determinados afetos negativos amplificados pelos algoritmos. No entanto, tamb\u00e9m \u00e9 preciso fazer uma pergunta fundamental: por que o conte\u00fado antifeminista encontra um terreno f\u00e9rtil em uma gera\u00e7\u00e3o que cresceu em um ambiente mais igualit\u00e1rio do que as anteriores? Que tipo de sa\u00eddas ele oferece para as frustra\u00e7\u00f5es desses rapazes?<\/p>\n<h3><strong>Entre o material e o cultural<\/strong><\/h3>\n<p>Em <em>Incels, gymbros, criptobros e outras esp\u00e9cies antifeministas <\/em>(CTXT, 2026), eu tentava explicar como os mal-estares materiais e as inquietudes sobre o futuro podem ser convertidos em rea\u00e7\u00e3o antifeminista nas novas gera\u00e7\u00f5es que j\u00e1 sabem que viver\u00e3o pior do que seus pais. Isso no sentido de menor acesso a bens de consumo ou propriedades \u2013 a habita\u00e7\u00e3o \u00e9 muito mais cara \u2013, sal\u00e1rios proporcionalmente mais baixos, etc. Mas viver melhor n\u00e3o \u00e9 apenas ter melhores condi\u00e7\u00f5es materiais, embora isso seja importante. As mulheres da gera\u00e7\u00e3o X \u2013 nascidas entre 1965 e 1980 \u2013 sabemos que, ao introduzir a dimens\u00e3o cultural, de fato vivemos melhor do que nossas m\u00e3es em termos de expectativas e possibilidades de vida, no acesso ao estudo e ao trabalho, na liberdade para viver nossa sexualidade, embora essa vantagem v\u00e1 se reduzindo nas gera\u00e7\u00f5es posteriores \u00e0 medida que a igualdade social cresce.<\/p>\n<p>Portanto, o debate sobre causas culturais e materiais nem sempre pode ser separado e tem v\u00e1rias arestas. Uma delas \u00e9 como o g\u00eanero tem uma capacidade especial de condensar mal-estares materiais que acabam sendo codificados \u2013 ou desviados \u2013 em termos culturais. Ou seja: as sensa\u00e7\u00f5es de perda, de medo ou de falta de reconhecimento social frequentemente encontram express\u00e3o, e \u00e0s vezes distor\u00e7\u00e3o, na linguagem do g\u00eanero. Por exemplo, os processos de desindustrializa\u00e7\u00e3o podem dar origem a uma nostalgia patriarcal, e isso n\u00e3o tem necessariamente a ver com perdas de status reais, mas sim com as autopercebidas. Vejamos um exemplo.<\/p>\n<h3><strong>Coreia do Sul como laborat\u00f3rio<\/strong><\/h3>\n<p>A Coreia do Sul tem a taxa de natalidade mais baixa do mundo \u2013 0,75 filhos por mulher \u2013 e apresenta algumas peculiaridades na rela\u00e7\u00e3o entre homens e mulheres. L\u00e1, historicamente, o casamento tem sido uma demonstra\u00e7\u00e3o da chegada \u00e0 vida adulta dos var\u00f5es e um marcador de sucesso no qual o homem se casa, constitui e mant\u00e9m uma fam\u00edlia. Na Espanha tamb\u00e9m foi assim, mas hoje essa demanda j\u00e1 n\u00e3o opera da mesma maneira: ningu\u00e9m espera que os jovens sejam o sustento da fam\u00edlia e que as mulheres n\u00e3o trabalhem. O que acontece na Coreia do Sul \u00e9 que essas expectativas foram desmanteladas muito rapidamente por ambos os lados ao mesmo tempo.<\/p>\n<p>Pelo lado econ\u00f4mico, a precariedade laboral e o pre\u00e7o da habita\u00e7\u00e3o fizeram com que muitos homens jovens n\u00e3o consigam cumprir o papel de provedor que o modelo tradicional lhes exige. O mercado matrimonial sul-coreano continua funcionando com expectativas r\u00edgidas e, diferentemente do que acontece na Espanha, espera-se que o homem contribua com habita\u00e7\u00e3o e estabilidade econ\u00f4mica. Sem isso, muitos ficam de fora.<\/p>\n<p>Por outro lado, as mulheres evolu\u00edram de maneira muito r\u00e1pida e, de fato, uma parte crescente decidiu que n\u00e3o quer se casar nem ter filhos nessas condi\u00e7\u00f5es. Segundo uma pesquisa de 2022, 65% das mulheres jovens sul-coreanas n\u00e3o querem ter descend\u00eancia, contra 48% dos homens. E mais de 62% das mulheres jovens solteiras se declaravam satisfeitas com sua situa\u00e7\u00e3o sentimental, contra 38% dos homens solteiros. O movimento chamado 4B \u2013 sem casamento, sem filhos, sem encontros, sem sexo \u2013 \u00e9 a express\u00e3o mais radical dessa rejei\u00e7\u00e3o. Aqui pudemos ver debates semelhantes nas redes \u2013 chamamos de heteropessimismo \u2013, mas seu alcance n\u00e3o \u00e9 nem de longe parecido com o do caso sul-coreano.<\/p>\n<p>O resultado \u00e9 um desacoplamento. Os homens jovens percebem que o casamento se torna inalcan\u00e7\u00e1vel para eles e, em vez de tentar modificar suas pr\u00f3prias expectativas sobre a masculinidade que os oprime, ou direcionar sua frustra\u00e7\u00e3o contra um sistema econ\u00f4mico que os impede de cumprir o papel que lhes foi atribu\u00eddo, projetam-na contra o feminismo e contra as mulheres que j\u00e1 n\u00e3o aceitam esse pacto.<\/p>\n<div>\n<div><imgsrc=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/curso-rosa-luxemburgo.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/curso-rosa-luxemburgo.png 728w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/curso-rosa-luxemburgo-300x37.png 300w\" sizes=\"(max-width: 728px) 100vw, 728px\" width=\"728\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Isso tem consequ\u00eancias pol\u00edticas muito diretas. Nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais sul-coreanas de 2022, 63% dos <em>idenam<\/em> \u2013 homens na faixa dos vinte anos \u2013 votaram no conservador antifeminista Yoon Suk-yeol \u2013 a maior ades\u00e3o de qualquer faixa et\u00e1ria \u2013 contra 26% das mulheres da mesma idade. Segundo uma pesquisa da Gallup Korea, 56,1% dos homens jovens sul-coreanos participam ativamente em espa\u00e7os online masculinos. Como j\u00e1 \u00e9 habitual, os autores da pesquisa correlacionam a participa\u00e7\u00e3o na machosfera com um aumento do sexismo hostil e moderno, bem como com menor apoio a praticamente todas as pol\u00edticas destinadas a promover a igualdade de g\u00eanero. No entanto, neste caso, alertam que essas associa\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o necessariamente causais, ou seja, n\u00e3o podem determinar se esses espa\u00e7os radicalizam ou se os homens j\u00e1 radicalizados os procuram.<\/p>\n<h3><strong>Antifeminismo e precariedade<\/strong><\/h3>\n<p>Uma pesquisa na Coreia do Sul da soci\u00f3loga Joeun Kim tentou responder \u00e0 pergunta de se a ideologia do vitimismo masculino \u2013 a cren\u00e7a de que os homens s\u00e3o hoje os principais discriminados \u2013 se explica pela precariedade econ\u00f4mica. O que ela descobriu \u00e9 que os homens desempregados, com baixa renda ou sem ensino superior n\u00e3o eram mais propensos ao vitimismo do que os demais homens com boa situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. Ela constatou que a correla\u00e7\u00e3o entre ideias antifeministas e posi\u00e7\u00e3o social estava mais relacionada \u00e0 percep\u00e7\u00e3o de decl\u00ednio socioecon\u00f4mico em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 gera\u00e7\u00e3o de seus pais, e de forma especialmente acentuada entre homens de classe m\u00e9dia e alta. Ou seja, neste caso, n\u00e3o eram os mais marginalizados que necessariamente abra\u00e7avam o discurso antifeminista, mas sim aqueles que sentiam que estavam descendo de classe ou que sua posi\u00e7\u00e3o estava amea\u00e7ada.<\/p>\n<p>Em um segundo estudo experimental, Kim demonstrou que a exposi\u00e7\u00e3o a cen\u00e1rios de amea\u00e7a ao status \u2013 o decl\u00ednio das oportunidades matrimoniais e laborais \u2013 n\u00e3o aumentava o sexismo hostil em todos os homens, mas o aumentava significativamente entre homens que j\u00e1 experimentavam mobilidade descendente. E a descoberta mais reveladora \u00e9 que o mecanismo \u00e9 especificamente generificado, ou seja, aumenta a hostilidade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres, mas n\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade em geral. A frustra\u00e7\u00e3o n\u00e3o se dirigia contra o sistema econ\u00f4mico que produz a precariedade ou contra sua pr\u00f3pria opress\u00e3o de g\u00eanero, que gera expectativas inalcan\u00e7\u00e1veis, mas sim contra o feminismo, que se torna bode expiat\u00f3rio de uma descida social cujas causas s\u00e3o estruturais.<\/p>\n<p>Por sua vez, a pesquisadora Soohyun Christine Lee atribui o peso dessa quest\u00e3o ao fato de que, em um pa\u00eds etnicamente homog\u00eaneo, sem imigrantes que possam funcionar como bodes expiat\u00f3rios, as mulheres se tornaram o principal objeto substitutivo das frustra\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas: \u201cA inseguran\u00e7a econ\u00f4mica, aliada ao familismo tradicional e \u00e0s normas matrimoniais, gerou uma ansiedade t\u00f3xica entre os homens jovens, j\u00e1 que levar uma \u2018vida normal\u2019 de casamento e fam\u00edlia est\u00e1 fora de seu alcance\u201d. A misoginia se torna assim a v\u00e1lvula de escape do seu mal-estar e da crise de masculinidade, na qual esta tamb\u00e9m \u00e9 insepar\u00e1vel dos determinantes econ\u00f4micos.<\/p>\n<p>Por fim, \u00e9 interessante refletir aqui sobre a quest\u00e3o geracional. Na Coreia do Sul, ela \u00e9 especialmente acentuada, j\u00e1 que os homens na faixa dos vinte anos expressam posi\u00e7\u00f5es mais hostis ao feminismo do que qualquer outra corte masculino, incluindo os maiores de 60 anos. Esse padr\u00e3o n\u00e3o \u00e9 exclusivamente sul-coreano. Na Espanha, alguns dados peculiares sobre valores nos falam dessa invers\u00e3o. Por exemplo, 23% da Gera\u00e7\u00e3o Z considera que ficar em casa para cuidar dos filhos faz com que um homem seja \u201cmenos homem\u201d, contra 4% dos <em>boomers<\/em>, segundo a Ipsos. Globalmente, a invers\u00e3o geracional \u00e9 ainda mais acentuada: 31% dos var\u00f5es da Gera\u00e7\u00e3o Z de 29 pa\u00edses consideram que uma esposa deve sempre obedecer ao marido, contra 13% dos homens <em>boomers<\/em>, segundo o mesmo estudo.<\/p>\n<p>Uma explica\u00e7\u00e3o que poder\u00edamos dar tem a ver com a mem\u00f3ria: as gera\u00e7\u00f5es mais velhas estariam mais vinculadas \u00e0s lutas pela igualdade e perceberiam esses direitos como conquistas que precisam ser protegidas. Mas as pesquisas citadas trazem uma leitura complementar de tipo material. Se o preditor mais significativo do antifeminismo n\u00e3o \u00e9 a precariedade objetiva, mas sim a percep\u00e7\u00e3o de decl\u00ednio de status, e isso nos jovens tem a ver com uma descida em rela\u00e7\u00e3o aos pais, cabe perguntar se a posi\u00e7\u00e3o consolidada dos <em>boomers<\/em> \u2013 com taxas de propriedade, n\u00edveis salariais e patrim\u00f4nio acumulado muito superiores aos dos jovens \u2013 n\u00e3o opera aqui como um amortecedor em rela\u00e7\u00e3o ao ressentimento de g\u00eanero. Quem n\u00e3o percebe que seu status se deteriora tem menos raz\u00f5es para buscar culpados. Quem sente que o ch\u00e3o se move sob seus p\u00e9s \u00e9 mais vulner\u00e1vel \u00e0 narrativa que aponta o feminismo como respons\u00e1vel por sua queda.<\/p>\n<p>Nesse contexto, e em meio \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o das frustra\u00e7\u00f5es dos jovens como ferramenta de direitiza\u00e7\u00e3o, para desarmar a armadilha do antifeminismo teremos que tirar a quest\u00e3o de g\u00eanero da guerra cultural \u2013 onde s\u00f3 podemos perder \u2013 e devolv\u00ea-la ao terreno das condi\u00e7\u00f5es materiais de exist\u00eancia. Um marco pol\u00edtico feminista eficaz para estes tempos exige tamb\u00e9m afirmar que o mandato de masculinidade produz sofrimento em homens e mulheres, embora de forma diferente. Colocarmo-nos a destruir esse mandato n\u00e3o seria, ent\u00e3o, um gesto de generosidade para com os var\u00f5es, mas sim uma condi\u00e7\u00e3o para a emancipa\u00e7\u00e3o de todos, todas e todes.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. 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H\u00e1 frustra\u00e7\u00f5es concretas como a sensa\u00e7\u00e3o de deteriora\u00e7\u00e3o da vida em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 gera\u00e7\u00e3o de seus pa\u00eds. O g\u00eanero vira bode expiat\u00f3rio do mal-estar \u2013 e n\u00e3o quem os precariza. Caso sul-coreano ilustra essa nova realidade<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/feminismos\/para-entender-o-fenomeno-dos-jovens-antifeministas\/\">Para entender o fen\u00f4meno dos jovens antifeministas<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":91647,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[17006,1120,67454,423,1088,6956,67455,67456,11150,38241,11153,1865,7117],"tags":[],"class_list":["post-91646","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-antifeminismo","category-coreia-do-sul","category-criptobros","category-extrema-direita","category-feminicidio","category-feminismos","category-gymbros","category-heteropessimismo","category-incel","category-machosfera","category-manosfera","category-precarizacao","category-sexismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/91646","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=91646"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/91646\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/91647"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=91646"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=91646"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=91646"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}