{"id":92228,"date":"2026-06-17T12:11:12","date_gmt":"2026-06-17T15:11:12","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/como-a-agropecuaria-devasta-as-areas-de-floresta-e-de-comunidades-tradicionais-no-brasil\/"},"modified":"2026-06-17T12:11:12","modified_gmt":"2026-06-17T15:11:12","slug":"como-a-agropecuaria-devasta-as-areas-de-floresta-e-de-comunidades-tradicionais-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/como-a-agropecuaria-devasta-as-areas-de-floresta-e-de-comunidades-tradicionais-no-brasil\/","title":{"rendered":"Como a agropecu\u00e1ria devasta as \u00e1reas de floresta e de comunidades tradicionais no Brasil?"},"content":{"rendered":"<figure><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"559\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/benira-enquadramento-capa-78.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/benira-enquadramento-capa-78-1024x559.jpg 1024w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/benira-enquadramento-capa-78-300x164.jpg 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/benira-enquadramento-capa-78-768x419.jpg 768w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/benira-enquadramento-capa-78.jpg 1100w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption><em>Desmatamento na Amaz\u00f4nia\u00a0\u2013\u00a0Foto: PF\/Gov.Br<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Por Solange Engelmann<br \/>Da P\u00e1gina do MST<\/em><\/p>\n<p>A abertura de \u00e1reas de floresta tem sido uma pr\u00e1tica adotada ao longo de d\u00e9cadas para dar lugar \u00e0 agricultura, agropecu\u00e1ria, constru\u00e7\u00f5es de centros urbanos, entre outros, mas principalmente para a produ\u00e7\u00e3o de \u00e1reas de monoculturas, que invadem os territ\u00f3rios antes cobertos por diversos tipos de vidas, cultura e esp\u00e9cies. Essa pr\u00e1tica se intensifica na d\u00e9cada de 1970, com a \u201cRevolu\u00e7\u00e3o Verde\u201d, e a abertura de novas fronteiras agr\u00edcolas pela ditadura militar, o avan\u00e7o do capital e da mecaniza\u00e7\u00e3o no campo, que inclusive, tem como resultado a expuls\u00e3o de agricultores a trabalhadores rurais do campo, criando a chamada categoria dos hoje \u201csem-terra\u201d.<\/p>\n<p>S\u00e3o \u00e1reas imensas que abrigavam uma biodiversidade diversa composta por florestas, que passam por um processo de desmatamento, que passa a ser invadidas por uma imensid\u00e3o de pastagem e outras culturas, que servem, principalmente, ao modelo de produ\u00e7\u00e3o do agroneg\u00f3cio para encher os bolsos dos propriet\u00e1rios de terras e latifundi\u00e1rios, a partir da exporta\u00e7\u00e3o de <em>commodities<\/em> \u2013 ou seja, produ\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria-prima, como carne, soja, milho, cana-de-a\u00e7\u00facar para exporta\u00e7\u00e3o para outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>Atualmente, o governo federal tem investido em um maior controle sobre o desmatamento no pa\u00eds, que se encontra em tend\u00eancia de queda em todos os biomas, principalmente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Amaz\u00f4nia e ao Cerrado, com redu\u00e7\u00e3o de 37,5% em compara\u00e7\u00e3o ao ciclo anterior (agosto de 2024 a maio de 2025), conforme estimativa do sistema Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). J\u00e1 o <a href=\"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/\">MapBiomas<\/a>, aponta para uma queda de 20,6% do desmatamento do Brasil em 2025, em rela\u00e7\u00e3o a 2024.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Desmatamento_e_Queimdas_2020_50224597237.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Desmatamento_e_Queimdas_2020_50224597237-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Desmatamento_e_Queimdas_2020_50224597237-300x200.jpg 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Desmatamento_e_Queimdas_2020_50224597237-768x512.jpg 768w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Desmatamento_e_Queimdas_2020_50224597237-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Desmatamento_e_Queimdas_2020_50224597237.jpg 1778w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption><em>Desmatamento na floresta Amaz\u00f4nica. Foto: Amaz\u00f4nia Real\/Creative Commons<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>Com isso, o Brasil atingiu em 2025 um marco no monitoramento do desmatamento, em que pela primeira vez desde 2019, a \u00e1rea total de <strong>vegeta\u00e7\u00e3o nativa desmatada ficou abaixo de 1 milh\u00e3o de hectares em um \u00fanico ano<\/strong>. <\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/destaques-fact-sheet-mapbiomas-brasil-colecao10-13082025-versao5-3.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/destaques-fact-sheet-mapbiomas-brasil-colecao10-13082025-versao5-3-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/destaques-fact-sheet-mapbiomas-brasil-colecao10-13082025-versao5-3-300x169.jpg 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/destaques-fact-sheet-mapbiomas-brasil-colecao10-13082025-versao5-3-768x432.jpg 768w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/destaques-fact-sheet-mapbiomas-brasil-colecao10-13082025-versao5-3.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption><em>Fonte: Projeto MapBiomas \u2013 Mapeamento Anual de Cobertura e Uso da Terra no Brasil \u2013 Cole\u00e7\u00e3o 10<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>Por\u00e9m, um estudo da <a href=\"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2025\/08\/Fact_Colecao10_22.08.2025_v9.pdf\">MapBiomas<\/a>, mostra que entre 1985 e 2024,\u202fo pa\u00eds perdeu <strong>em m\u00e9dia 2,9 milh\u00f5es de hectares de \u00e1reas naturais por ano<\/strong>, alcan\u00e7ando uma redu\u00e7\u00e3o de 111,7 milh\u00f5es de hectares. Assim, mesmo com a diminui\u00e7\u00e3o no desmatamento,\u00a0<strong>em 2025, a \u00e1rea m\u00e9dia desmatada no Brasil foi de 2.698 hectares por dia, cerca de 112 hectares por hora<\/strong>. A t\u00edtulo de compara\u00e7\u00e3o, \u00e9 o mesmo que 17 parques do Ibirapuera \u2013 o maior parque urbano da cidade de S\u00e3o Paulo, fossem desmatados todos os dias. <\/p>\n<p>J\u00e1 o Cerrado segue sendo o bioma com a maior \u00e1rea desmatada, chegando a 540.614 hectares devastados em 2025, o que equivale \u00e0 perda de 1.482 hectares de vegeta\u00e7\u00e3o nativa por dia. Na Amaz\u00f4nia, o desmatamento foi de 792 hectares por dia, o que equivale \u00e0 perda de cerca de 5 \u00e1rvores por segundo.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"585\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/destaques-fact-sheet-mapbiomas-brasil-colecao10-13082025-versao5-5_1.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/destaques-fact-sheet-mapbiomas-brasil-colecao10-13082025-versao5-5_1-1024x585.jpg 1024w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/destaques-fact-sheet-mapbiomas-brasil-colecao10-13082025-versao5-5_1-300x171.jpg 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/destaques-fact-sheet-mapbiomas-brasil-colecao10-13082025-versao5-5_1-768x439.jpg 768w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/destaques-fact-sheet-mapbiomas-brasil-colecao10-13082025-versao5-5_1.jpg 1260w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption><em>Fonte: Projeto MapBiomas \u2013 Mapeamento Anual de Cobertura e Uso da Terra no Brasil \u2013 Cole\u00e7\u00e3o 10<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>Nesse cen\u00e1rio, entre 1985 e 2024, <strong>a pastagem e a agricultura foram as \u00e1reas de terra com maior expans\u00e3o<\/strong> sob as \u00e1reas de vegeta\u00e7\u00e3o nativa, com <strong>62,7 milh\u00f5es de hectares para a pastagem<\/strong> e <strong>44 milh\u00f5es de hectares para a agricultura<\/strong>. Como resultado disso, em 2024, cerca de 65% da \u00e1rea do pa\u00eds estava coberta por vegeta\u00e7\u00e3o nativa, <strong>e 32% ocupada pela agropecu\u00e1ria<\/strong>. <\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"585\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/destaques-fact-sheet-mapbiomas-brasil-colecao10-13082025-versao5-9.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/destaques-fact-sheet-mapbiomas-brasil-colecao10-13082025-versao5-9-1024x585.jpg 1024w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/destaques-fact-sheet-mapbiomas-brasil-colecao10-13082025-versao5-9-300x171.jpg 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/destaques-fact-sheet-mapbiomas-brasil-colecao10-13082025-versao5-9-768x439.jpg 768w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/destaques-fact-sheet-mapbiomas-brasil-colecao10-13082025-versao5-9.jpg 1260w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption><em>Fonte: Projeto MapBiomas \u2013 Mapeamento Anual de Cobertura e Uso da Terra no Brasil \u2013 Cole\u00e7\u00e3o 10<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>Nesse mesmo intervalo de tempo, ao analisar o percentual de munic\u00edpios em que a <strong>pr\u00e1tica da agropecu\u00e1ria<\/strong> com \u00e1reas de pastagem ocupa a maior parte de seu territ\u00f3rio, o percentual subiu de 47% em 1985 <strong>para 59% em 2024.<\/strong><\/p>\n<h2>Cinco estados mais DF puxam fila no desmatamento da floresta por \u00e1reas de pastagem<\/h2>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"888\" height=\"591\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/marcus-mesquita-9135-1-.webp\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/marcus-mesquita-9135-1-.webp 888w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/marcus-mesquita-9135-1--300x200.webp 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/marcus-mesquita-9135-1--768x511.webp 768w\" sizes=\"(max-width: 888px) 100vw, 888px\"><figcaption><em>\u00c1reas de pastagem aumentaram em 68% entre 1985 e 2024. Foto: Marcus Mesquita\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>Em alguns estados a devasta\u00e7\u00e3o das \u00e1reas de floresta para abertura de pastagem segue em ritmo acelerado. O ge\u00f3grafo e doutorando no Ineaf\/UFPA, Eduardo Carlini explica que, com base nos dados do MapBiomas alguns estados do pa\u00eds da Amaz\u00f4nia, Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste v\u00eam puxando a fila do desmatamento.<\/p>\n<p>\u201cPros estados do Tocantins, S\u00e3o Paulo, Pernambuco, Para\u00edba e tamb\u00e9m o Distrito Federal, [entre 2007 e 2024] temos um total de mais de <strong>4 milh\u00f5es de hectares que foram convertidos em pastagem<\/strong>, <strong>112.000 hectares<\/strong> de forma\u00e7\u00e3o natural <strong>convertidas em soja<\/strong>, <strong>8 mil hectares<\/strong> que foram convertidos <strong>em cana<\/strong> e <strong>9 mil hectares<\/strong>, convertidos em <strong>citricultura<\/strong> e <strong>64 mil hectares<\/strong>, convertidos em <strong>silvicultura<\/strong>. E um pouco mais de <strong>1 mil hectares<\/strong> de forma\u00e7\u00e3o natural convertidos em \u00e1reas de <strong>minera\u00e7\u00e3o<\/strong>\u201c, resume ele.<\/p>\n<p>O que mais assusta, na vis\u00e3o do ge\u00f3grafo, s\u00e3o os dados do Tocantins por estar localizado no territ\u00f3rio da Amaz\u00f4nia Legal e, ao mesmo tempo despontar como estado campe\u00e3o na destrui\u00e7\u00e3o de \u00e1reas de florestas, justamente em um bioma t\u00e3o importante para as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, mas que segue tendo as \u00e1reas de mata, dando lugar a imensos campos de pastagem.<\/p>\n<p>\u201cEm rela\u00e7\u00e3o aos dados de transi\u00e7\u00e3o de forma\u00e7\u00e3o natural para pastagem, o Estado do Tocantins desponta. Ele totaliza mais de 3.300.000 hectares de pastagens, mas que nesse per\u00edodo de 2007 a 2024 at\u00e9 eram \u00e1reas de forma\u00e7\u00f5es naturais\u201d, enfatiza Carlini.<\/p>\n<p>O estado do Tocantins integra a \u00e1rea do<a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/atualidades\/regiao-chamada-de-matopiba-se-consolida-como-a-nova-fronteira-agricola-do-brasil\/\"> MATOPIBA<\/a>, que tamb\u00e9m abarca os estados do\u00a0Maranh\u00e3o,\u00a0Piau\u00ed\u00a0e\u00a0Bahia. Com uma \u00e1rea de 73 milh\u00f5es de hectares, Matopiba \u00e9 considerado uma das principais regi\u00f5es de fronteira agr\u00edcola do agroneg\u00f3cio brasileiro no s\u00e9culo XXI, situada em grande parte no bioma\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Cerrado\">Cerrado<\/a>.\u00a0A regi\u00e3o foi criada em 2015 e abrange 337 munic\u00edpios.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"900\" height=\"506\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/transcerrado-rota-de-escoamento-da-producao-do-matopiba-1660333753734_v2_900x506.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/transcerrado-rota-de-escoamento-da-producao-do-matopiba-1660333753734_v2_900x506.jpg 900w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/transcerrado-rota-de-escoamento-da-producao-do-matopiba-1660333753734_v2_900x506-300x169.jpg 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/transcerrado-rota-de-escoamento-da-producao-do-matopiba-1660333753734_v2_900x506-768x432.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 900px) 100vw, 900px\"><figcaption><em>Transcerrado, rota de escoamento da produ\u00e7\u00e3o do Matopiba. Imagem: Governo do Piau\u00ed\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>Nos \u00faltimos anos a \u00e1rea tem se tornado um dos principais motores do desmatamento, sofrendo a perda da vegeta\u00e7\u00e3o nativa de floresta para a ocupa\u00e7\u00e3o de culturas do agroneg\u00f3cio, como a soja, o milho, algod\u00e3o e a pecu\u00e1ria, que aliado ao uso massivo de agrot\u00f3xicos, garantem a exporta\u00e7\u00e3o desses produtos para outros pa\u00edses, alavancando a <a href=\"https:\/\/ojoioeotrigo.com.br\/2026\/03\/enquanto-soja-avanca-estados-do-matopiba-vivem-reducao-de-milhares-de-hectares-colhidos-de-arroz-feijao-e-mandioca\/\">expans\u00e3o econ\u00f4mica \u00e0s custas da destrui\u00e7\u00e3o da floresta e direitos das comunidades locais<\/a>.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o aos tipos de culturas com maior potencial de press\u00e3o sobre as \u00e1reas de florestas, os dados do MapBiomas apontam que a expans\u00e3o da agropecu\u00e1ria age como principal vetor, pois o desmatamento associado \u00e0 expans\u00e3o da agropecu\u00e1ria responde por mais de 97% de toda a perda de vegeta\u00e7\u00e3o nativa no Brasil nos \u00faltimos sete anos. Ao mesmo tempo, a press\u00e3o do avan\u00e7o das \u00e1reas de pastagens responde por 99% da vegeta\u00e7\u00e3o nativa perdida no Brasil em 2025.<\/p>\n<p>Nesse sentido, a abertura da pastagem e o desmatamento das \u00e1reas de florestas s\u00e3o fundamentais para a expans\u00e3o de \u00e1reas produtivas, mas tamb\u00e9m envolvem o processo da grilagem de terras, ou seja, s\u00e3o pr\u00e1ticas usadas at\u00e9 hoje para mascarar a usurpa\u00e7\u00e3o de terras p\u00fablicas por latifundi\u00e1rios e, geralmente ocupantes do poder local, como chama aten\u00e7\u00e3o o ge\u00f3grafo Eduardo Carlini.<\/p>\n<p>\u201cEm rela\u00e7\u00e3o \u00e0 grilagem de terras, que \u00e9 o principal motor do desmatamento, sobretudo na Amaz\u00f4nia Legal. Funciona da seguinte forma: o grileiro precisa justificar a posse dele para entrar com o processo de regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria. E uma das coisas que o grileiro faz \u00e9 justamente o desmatamento entre todas as outras. Ele vai fazer o cadastro no Incra, uma s\u00e9rie de procedimentos, mas tamb\u00e9m precisa desmatar para comprovar a posse daquela \u00e1rea. Ent\u00e3o, quando a gente v\u00ea esse movimento de desmatamento na Amaz\u00f4nia, o que n\u00f3s estamos vendo acontecer \u00e9 o processo de grilagem em curso\u201d, denuncia.<\/p>\n<p>Outro agravante nesse processo de desmatamento e abertura de \u00e1reas para pastagem e monoculturas, na vis\u00e3o de Eduardo, \u00e9 o modelo de concentra\u00e7\u00e3o de terras, que garante o predom\u00ednio do latif\u00fandio, com amplas \u00e1reas de pastagens e monocultura, e uso de agrot\u00f3xicos como armas de destrui\u00e7\u00e3o. \u201cEsse modelo do latif\u00fandio e da monocultura torna poss\u00edvel que o Brasil tenha uma \u00e1rea equivalente \u00e0 da Alemanha de soja e, portanto, torna o Brasil um dos maiores consumidores de agrot\u00f3xicos do mundo. Essa presen\u00e7a massiva dos agrot\u00f3xicos tem uma s\u00e9rie de desdobramentos: desde a contamina\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o consumidora at\u00e9 o envenenamento dos rios, das \u00e1guas subterr\u00e2neas e dos trabalhadores rurais e, o uso desses agroqu\u00edmicos como armas em conflitos fundi\u00e1rios para expuls\u00e3o dessas popula\u00e7\u00f5es.\u201d <\/p>\n<p>Como alternativa para barrar esse processo de expans\u00e3o do desmatamento e abertura de pastagens o pesquisador ressalta que o levantamento de dados e pesquisas tem demonstrado a pot\u00eancia das Terras Ind\u00edgenas (TI) e unidades de conserva\u00e7\u00e3o como barreiras importantes. E dessa forma, destaca tamb\u00e9m a import\u00e2ncia na resist\u00eancia das comunidades tradicionais e cria\u00e7\u00e3o de \u00e1reas de assentamentos, reconhecimento por parte dos \u00f3rg\u00e3os governamentais.<\/p>\n<p>\u201cO grileiro sabe que essas terras p\u00fablicas n\u00e3o podem ser destacadas pro patrim\u00f4nio privado, ent\u00e3o, como grilar \u00e9 um investimento caro, ele sabe que n\u00e3o pode gastar dinheiro \u00e0 toa em terras que n\u00e3o podem ser regularizadas futuramente. A\u00ed reside um dos motivos porque \u00e9 t\u00e3o importante o Brasil demarcar as Terras Ind\u00edgenas, assentar, criar assentamentos extrativistas, unidades de conserva\u00e7\u00e3o de uso sustent\u00e1vel, justamente porque, a partir desse reconhecimento territorial desses povos, isso se configura tamb\u00e9m como um bloqueio \u00e0 grilagem e, sobretudo, ao desmatamento.\u201d<\/p>\n<p>Outra alternativa concreta para frear a expans\u00e3o da pastagem, do desmatamento e enfrentar as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, concentra-se no fortalecimento de um modelo de agricultura baseado em pr\u00e1ticas agroecol\u00f3gicas, como resposta para a preserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente, a produ\u00e7\u00e3o de alimentos saud\u00e1veis, gerando vida e sa\u00fade, ocupando o vazio da contamina\u00e7\u00e3o e das doen\u00e7as espalhadas pelo modelo do agroneg\u00f3cio.<\/p>\n<p>\u201cA agroecologia se apresenta como uma resist\u00eancia a esse processo, ao reafirmar as t\u00e9cnicas e tecnologias tradicionais dos povos de cada regi\u00e3o, de cada bioma. Nesse sentido, a luta do MST por pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas ao fortalecimento e implementa\u00e7\u00e3o da agroecologia n\u00e3o \u00e9 apenas a proposta de um modelo alternativo para o campo, mas sobretudo, <strong>uma proposta civilizat\u00f3ria<\/strong> para toda a sociedade\u201d, carimba Carlini.<\/p>\n<h2>Assentamentos do MST: Experi\u00eancias agroecol\u00f3gicas s\u00e3o alternativa contra avan\u00e7o de pastagem<\/h2>\n<p>Com o esgotamento no modelo de agricultura convencional do agroneg\u00f3cio, que explora os recursos da natureza, gerando o desmatamento e a grilagem, com a abertura da \u00e1reas de pastagens e monocultivos, que empobrecem o solo, secam rios e fontes de \u00e1guas, al\u00e9m de contaminar o meio ambiente e espalhar as doen\u00e7as e a viol\u00eancia no campo, com o uso de agrot\u00f3xicos e defensivos qu\u00edmicos.<\/p>\n<p>Diante disso, nos \u00faltimos anos o MST tem apostado na massifica\u00e7\u00e3o do modelo de produ\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gico, com foco em processos de forma\u00e7\u00e3o junto aos camponeses(as), e na busca por saber e conhecimentos e novas tecnologias adaptadas para a agricultura familiar para o enraizamento de experi\u00eancias de transi\u00e7\u00e3o entre o convencional, org\u00e2nico at\u00e9 a substitui\u00e7\u00e3o por pr\u00e1ticas totalmente agroecol\u00f3gicas nas \u00e1reas de Reforma Agr\u00e1ria Popular.<\/p>\n<p>Aliado \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de alimentos saud\u00e1veis o MST desenvolve o Plano Nacional, <a href=\"https:\/\/mst.org.br\/especiais\/plantar-arvores-produzir-alimentos-saudaveis\/\">Plantar \u00c1rvores, Produzir Alimentos Saud\u00e1veis<\/a>, com a meta de plantar 100 milh\u00f5es de \u00e1rvores em dez anos nas \u00e1reas de assentamento e acampamento e demais espa\u00e7os de Reforma Agr\u00e1ria, como escolas do campo, cooperativas, centros de forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, pra\u00e7as, avenidas e nas cidades, com a inten\u00e7\u00e3o de fortalecer a produ\u00e7\u00e3o de alimentos saud\u00e1veis, por meio da Reforma Agr\u00e1ria Popular como um projeto concreto para combater a fome e enfrentar a crise clim\u00e1tica, al\u00e9m de denunciar o modelo de destrui\u00e7\u00e3o do agroneg\u00f3cio e seus impactos ao meio ambiente e \u00e0 vida no planeta.<\/p>\n<p>Nesse contexto, se insere o desenvolvimento de uma diversidade de pr\u00e1ticas agroecol\u00f3gicas por todo o pa\u00eds. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 mitiga\u00e7\u00e3o no avan\u00e7o de \u00e1reas de pastagem e dos impactos nocivos da agropecu\u00e1ria. A seguir apresentamos duas experi\u00eancias importantes, com frutos positivos junto \u00e0s fam\u00edlias camponesas do MST nos estados do Maranh\u00e3o e do Paran\u00e1.<\/p>\n<p><strong>Sistema Integra\u00e7\u00e3o Lavoura Pecu\u00e1ria e Floresta (ILPF)<\/strong><\/p>\n<p>No <a href=\"https:\/\/mst.org.br\/2023\/04\/24\/mst-ma-e-embrapa-cocais-realizam-dia-de-campo-em-assentamento-com-producao-experimental\/\">assentamento Cristina Alves<\/a>, localizado no munic\u00edpio de Itapecuru Mirim (MA), um grupo de 15 fam\u00edlias assentadas est\u00e3o desenvolvendo a experi\u00eancia de produ\u00e7\u00e3o no Sistema Integra\u00e7\u00e3o Lavoura Pecu\u00e1ria e Floresta (ILPF). O sistema tem como foco intensificar a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola em uma \u00fanica \u00e1rea da agricultura familiar camponesa, com uma diversidade de cultivos, que podem agregar, por exemplo, a produ\u00e7\u00e3o anualmente de arroz, feij\u00e3o, que s\u00e3o culturas de lavoura e, ap\u00f3s a colheita da lavoura, os camponeses(as) podem colocar os animais no mesmo terreno, de um a dois hectares.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/DJI_0334-1024x768-1.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/DJI_0334-1024x768-1.jpg 1024w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/DJI_0334-1024x768-1-300x225.jpg 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/DJI_0334-1024x768-1-768x576.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption><em>Cons\u00f3rcio de cultivos entre arroz, milho, feij\u00e3o-caupi e mandioca, no assentamento Cristina Alves, Itapecuru Mirim.\u00a0Foto: Elitiel Guedes<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>A engenheira agr\u00f4noma, Regina Costa, que presta assist\u00eancia t\u00e9cnica ao sistema ILPF, ressalta que depois da retirada da lavoura nesse sistema, a principal orienta\u00e7\u00e3o para aproveitar a vegeta\u00e7\u00e3o na \u00e1rea \u201c\u00e9 colocar bovinos ou caprinos. A nossa inten\u00e7\u00e3o \u00e9 que sejam colocados os caprinos, porque a quantidade de animais \u00e9 bem maior, em uma \u00e1rea.\u201d<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s vantagens desse sistema, Regina destaca que torna poss\u00edvel a otimiza\u00e7\u00e3o de solos, com o cons\u00f3rcio de diversas culturas, ao mesmo tempo em que promove a recupera\u00e7\u00e3o da natureza. \u201cVoc\u00ea pode produzir, ter uma diversidade de v\u00e1rios cultivos em uma \u00e1rea pequena. A outra vantagem \u00e9 que voc\u00ea produz sem agredir o meio ambiente, pois na implanta\u00e7\u00e3o do sistema ILPF voc\u00ea pode aproveitar uma \u00e1rea que existe e que possui \u00e1rvores ou pode inserir outras variedades tamb\u00e9m. Na implanta\u00e7\u00e3o das \u00e1rvores, voc\u00ea tem uma ciclagem de nutrientes muito grande e \u00e9 uma forma de produzir, sem agredir o meio ambiente\u201d, explica ela.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"461\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-16-at-201350.jpeg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-16-at-20.13.50-1024x461.jpeg 1024w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-16-at-20.13.50-300x135.jpeg 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-16-at-20.13.50-768x346.jpeg 768w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-16-at-20.13.50-1536x691.jpeg 1536w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-16-at-201350.jpeg 1600w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption><em>Sistema ILPF do assentamento Cristina Alves, integra produ\u00e7\u00e3o de lavoura, pastagem e florestal em uma mesma \u00e1rea. Imagem: MST MA<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>Joaquim Bezerra Costa, pesquisador da EMBRAPA \u2013 MA, tamb\u00e9m aponta a vantagem da preserva\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies nativas, a redu\u00e7\u00e3o da temperatura e o estoque de carbono.<\/p>\n<p>\u201cA quest\u00e3o da redu\u00e7\u00e3o da temperatura ambiente, principalmente quando voc\u00ea tem animal no sistema, ent\u00e3o melhora a ambi\u00eancia dos animais, em at\u00e9 dez graus de diferen\u00e7a de um ano, de um ambiente em pleno sol, com ambiente com \u00e1rvore. Al\u00e9m da quest\u00e3o do aumento da biodiversidade, se voc\u00ea puder deixar as esp\u00e9cies nativas, melhor ainda. E tem a quest\u00e3o do estoque de carbono: voc\u00ea deixa a \u00e1rvore no sistema e ela consegue estocar muito mais carbono do que uma pastagem, por exemplo, comparando aos sistemas pecu\u00e1rios. Ent\u00e3o a \u00e1rvore vai estocar o carbono, e mitigar a quest\u00e3o dos efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.\u201d<\/p>\n<p>Outras vantagens importantes desse sistema tamb\u00e9m s\u00e3o observadas, em rela\u00e7\u00e3o ao aumento da produtividade e diversidade de culturas e renda, rompendo com a monocultura e a depend\u00eancia do mercado. \u201cEm rela\u00e7\u00e3o \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de alimentos, a gente tem visto o aumento da produtividade, porque voc\u00ea tem um sistema mais balanceado e mais produ\u00e7\u00e3o em uma mesma \u00e1rea e, ao mesmo tempo, diversifica a renda. Isso tamb\u00e9m vai impactar de forma direta nas condi\u00e7\u00f5es de vida das fam\u00edlias. Voc\u00ea sai de um \u00fanico produto, normalmente quando est\u00e1 em monocultivo, para pelo menos de tr\u00eas a seis produtos que vai produzir. Ent\u00e3o voc\u00ea tem essa diversifica\u00e7\u00e3o de renda e fica menos a merc\u00ea do mercado\u201d, resume Joaquim.<\/p>\n<p>O assentamento Cristina Alves possui 19 anos de consolida\u00e7\u00e3o, como fruto da hist\u00f3ria de luta coletiva do MST. A conquista do local \u00e9 o resultado de dois processos de luta pela terra, promovidos pelo Movimento entre 2001 e 2007, na Regi\u00e3o Norte Maranhense e est\u00e1 organizado em duas vilas, a vila 17 de abril e Cabanagem, local em que vivem 113 fam\u00edlias assentadas.<\/p>\n<p><strong>Comunidade agroflorestal Jos\u00e9 Lutzenberger<\/strong><\/p>\n<p>No caso do Paran\u00e1, localizado no munic\u00edpio de Antonina (situado a 90\u00a0km de Curitiba), o MST instalou a <a href=\"https:\/\/mst.org.br\/2022\/11\/24\/comunidade-do-mst-premiada-por-recuperar-a-mata-atlantica-conquista-assentamento\/\">comunidade agroflorestal Jos\u00e9 Lutzenberger<\/a>, a partir de 2004, com a ocupa\u00e7\u00e3o de uma fazenda devastada pela pecu\u00e1ria extensiva de b\u00fafalo e por crimes ambientais, como o desvio do leito do Rio Pequeno, que atravessa o territ\u00f3rio.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"942\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Luzinete-maria-francelino-edit.jpeg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Luzinete-maria-francelino-edit.jpeg 960w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Luzinete-maria-francelino-edit-300x294.jpeg 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Luzinete-maria-francelino-edit-768x754.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\"><figcaption><em>Com t\u00e9cnicas agroecol\u00f3gicas de manejo da terra e uso de sementes crioulas, comunidade conseguiu resgatar esp\u00e9cies nativas. Na foto, a moradora Luzinete. Foto: Maria Francelino<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>Como o munic\u00edpio est\u00e1 inserido na \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental (APA) de Guaraque\u00e7aba, al\u00e9m de fazer parte da Reserva de Mata Atl\u00e2ntica. A \u00e1rea se encontra em um territ\u00f3rio de preserva\u00e7\u00e3o ambiental permanente. Entendendo a import\u00e2ncia disso, ap\u00f3s a ocupa\u00e7\u00e3o, as 22 fam\u00edlias do MST, que passaram a viver no local, optaram pela produ\u00e7\u00e3o a partir de um sistema agroflorestal. Semelhante ao que as comunidades tradicionais da regi\u00e3o desenvolvem para a produ\u00e7\u00e3o de subsist\u00eancia e preserva\u00e7\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica, por\u00e9m trabalhando a terra de forma coletiva.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s adotamos o sistema florestal manejado, ou seja, a produ\u00e7\u00e3o de produtos para consumo interno e com esp\u00e9cies nativas tamb\u00e9m. Para esse cons\u00f3rcio, tanto faz o processo de recuperar o solo, de produzir a alimenta\u00e7\u00e3o para as fam\u00edlias, e o excedente a gente comercializa. Com essa experi\u00eancia do sistema florestal, melhoramos muito a quest\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es ambientais da \u00e1rea, porque colocou uma cobertura florestal em cima diversa. Com isso, tivemos tamb\u00e9m a recupera\u00e7\u00e3o do solo e come\u00e7amos a ter um solo mais poroso, com mais ventila\u00e7\u00e3o, ou seja, com melhor dreno para a quest\u00e3o das chuvas\u201d, explica o coordenador da comunidade, Jonas de Souza.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 biodiversidade, Jonas comemora os frutos de mais de 20 anos de luta e resist\u00eancia no territ\u00f3rio. \u201cEssa quest\u00e3o da biodiversidade trouxe muitos pontos positivos, com v\u00e1rios tipos de esp\u00e9cies de fauna para dentro do territ\u00f3rio. Inclusive, os mam\u00edferos at\u00e9 os maiores. Hoje a gente tem uma rela\u00e7\u00e3o dentro da comunidade com a anta, com a on\u00e7a. Tem as aves igual o jacu, a jacutinga e animais amea\u00e7ados de extin\u00e7\u00e3o. A introdu\u00e7\u00e3o da palmeira ju\u00e7ara, da palmeira pupunha, dos c\u00edtricos, de algumas esp\u00e9cies de plantas nativas da Mata Atl\u00e2ntica, que a gente come\u00e7a a resgatar\u201d, relata.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"534\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2022-08-31-at-111915.jpeg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2022-08-31-at-111915.jpeg 800w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2022-08-31-at-11.19.15-300x200.jpeg 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2022-08-31-at-11.19.15-768x513.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\"><figcaption><em>Comunidade produz alimentos e recupera Mata Atl\u00e2ntica onde antes a pastagem de b\u00fafalo causava destrui\u00e7\u00e3o. Foto: J\u00falia Rohden<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>O trabalho e as pr\u00e1ticas s\u00f3cio-pol\u00edticas da comunidade tamb\u00e9m mudaram a vis\u00e3o da sociedade local sobre o MST, ao mesmo tempo em que tamb\u00e9m garante comida saud\u00e1vel para as crian\u00e7as das escolas na regi\u00e3o, atrav\u00e9s do abastecimento por meio de programas governamentais como o PNAE e PAA, destaca Jonas. \u201cN\u00f3s n\u00e3o temos nenhum problema de rela\u00e7\u00e3o com a sociedade, eles entendem e compreendem a import\u00e2ncia do nosso trabalho aqui. E a gente coloca na mesa das crian\u00e7as um alimento seguro, saud\u00e1vel. Que a gente tamb\u00e9m atende as escolas com parte da nossa produ\u00e7\u00e3o.\u201d <\/p>\n<p>Nesse sentido, o campon\u00eas resume como experi\u00eancias de sistemas agroecol\u00f3gicos similares representam alternativas concretas, no contexto da Reforma Agr\u00e1ria para enfrentar a devasta\u00e7\u00e3o do modelo do agroneg\u00f3cio, causado pelo desmatamento da floresta, as \u00e1reas de pastagens e os monocultivos sem fim, garantindo a diversidade de alimentos, diversidade na biodiversidade e na fauna, bem como de renda e vida no campo.<\/p>\n<p>\u201cPara n\u00f3s, a \u00e1rea \u00e9 simb\u00f3lica para a regi\u00e3o do litoral e para mostrar como o sistema agroflorestal \u00e9 importante para a Reforma Agr\u00e1ria e no reconhecimento dos territ\u00f3rios das comunidades tradicionais. Hoje n\u00f3s temos \u00e1gua boa, sem nenhum tipo de contamina\u00e7\u00e3o, porque todas as nossas pr\u00e1ticas s\u00e3o agroecol\u00f3gicas, sem usar defensivos qu\u00edmicos. As fam\u00edlias t\u00eam renda, t\u00eam as condi\u00e7\u00f5es de trabalho adequado. Toda a nossa pr\u00e1tica \u00e9 voltada para a restaura\u00e7\u00e3o do meio ambiente e da Mata Atl\u00e2ntica, com a produ\u00e7\u00e3o de alimentos saud\u00e1veis\u201d, conclui Jonas.<\/p>\n<p><em>*Editado por Fernanda Alc\u00e2ntara<\/em><\/p>\n<\/p>\n<\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/mst.org.br\/2026\/06\/17\/como-a-agropecuaria-devasta-as-areas-de-floresta-e-de-comunidades-tradicionais-no-brasil\/\">Como a agropecu\u00e1ria devasta as \u00e1reas de floresta e de comunidades tradicionais no Brasil?<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/mst.org.br\/\">MST<\/a>.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/www.pragmatismopolitico.com.br\/2025\/08\/empresario-que-agrediu-mulher-em-elevador-com-cotoveladas-e-socos-e-bolsonarista-cidadao-de-bem.html\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/www.pragmatismopolitico.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/cleber-lucio.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Empres\u00e1rio que agrediu mulher em elevador com coto...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/pf-pede-a-fachin-suspeicao-de-toffoli-no-inquerito-do-banco-master\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">PF pede a Fachin suspei\u00e7\u00e3o de Toffoli no inqu\u00e9rito...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/eduardo-bolsonaro-acumula-derrotas-em-serie-em-um-ano-de-exilio-e-fuga-aos-eua\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/109486389_hi057033814jpg-150x150.webp') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Eduardo Bolsonaro acumula derrotas em s\u00e9rie em um ...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/vacinacao-nacional-contra-gripe-comeca-no-sabado\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Vacina\u00e7\u00e3o nacional contra gripe come\u00e7a no s\u00e1bado...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desmatamento na Amaz\u00f4nia\u00a0\u2013\u00a0Foto: PF\/Gov.Br Por Solange EngelmannDa P\u00e1gina do MST A abertura de \u00e1reas de floresta tem sido uma pr\u00e1tica adotada ao longo de d\u00e9cadas para dar lugar \u00e0 agricultura, agropecu\u00e1ria, constru\u00e7\u00f5es de centros urbanos, entre outros, mas principalmente para a produ\u00e7\u00e3o de \u00e1reas de monoculturas, que invadem os territ\u00f3rios antes cobertos por diversos tipos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[533,853,5345,6771,7316,191,848,212,209],"tags":[],"class_list":["post-92228","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-agro-e-desmatamento","category-agroecologia-e-o-caminho","category-combate-ao-agronegocio","category-jornada-da-natureza","category-jornada-nacional-em-defesa-da-natureza-e-seus-povos","category-noticias","category-pastagem","category-plantar-arvores-produzir-alimentos-saudaveis","category-reportagens-especiais"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/92228","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=92228"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/92228\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=92228"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=92228"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=92228"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}