{"id":92429,"date":"2026-06-18T16:08:32","date_gmt":"2026-06-18T19:08:32","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/o-marxismo-brasileiro-pelo-rastro-dos-livros\/"},"modified":"2026-06-18T16:08:32","modified_gmt":"2026-06-18T19:08:32","slug":"o-marxismo-brasileiro-pelo-rastro-dos-livros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/o-marxismo-brasileiro-pelo-rastro-dos-livros\/","title":{"rendered":"O marxismo brasileiro pelo rastro dos livros"},"content":{"rendered":"<\/p>\n<p>Em 1924, o Partido Comunista imprimiu em Recife uma brochura de Charles Rappoport, <em>No\u00e7\u00f5es do Comunismo<\/em>, cuja contracapa trazia uma ordem curta: \u201cLede e fazei ler\u201d. Dainis Karepovs colheu essa frase e a p\u00f4s como ep\u00edgrafe de sua bibliografia<a href=\"https:\/\/fpabramo.org.br\/o-marxismo-brasileiro-pelo-rastro-dos-livros\/#_ftn1\">[1]<\/a>. A escolha tem peso de m\u00e9todo. Ler e fazer ler s\u00e3o opera\u00e7\u00f5es distintas, e a dist\u00e2ncia entre elas organiza o livro. Uma ideia pode ser lida por um militante e parar ali; para circular, precisa de papel, gr\u00e1fica, tradutor, livreiro, sebo e um leitor seguinte. <a href=\"https:\/\/atelie.com.br\/produto\/uma-bibliografia-do-marxismo-no-brasil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Uma bibliografia do Marxismo no Brasil: dos prim\u00f3rdios a 1968<\/em><\/a>, lan\u00e7ado em maio de 2026 em coedi\u00e7\u00e3o da Ateli\u00ea Editorial e da Funda\u00e7\u00e3o Perseu Abramo, na <a href=\"https:\/\/atelie.com.br\/categoria-produto\/colecoes\/100-anos-da-revolucao-russa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Cole\u00e7\u00e3o 100 Anos da Revolu\u00e7\u00e3o Russa<\/a>, foi armado ao redor dessa diferen\u00e7a.<\/p>\n<\/p>\n<hr>\n<figure><img fetchpriority=\"high\" data-dominant-color=\"e03c44\" data-has-transparency=\"false\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"724\" height=\"1024\" sizes=\"(max-width: 724px) 100vw, 724px\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Bibliografia-do-Marxismo-capa-1.webp\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/fpabramo.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Bibliografia-do-Marxismo-capa-724x1024.webp 724w, https:\/\/fpabramo.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Bibliografia-do-Marxismo-capa-212x300.webp 212w, https:\/\/fpabramo.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Bibliografia-do-Marxismo-capa-106x150.webp 106w, https:\/\/fpabramo.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Bibliografia-do-Marxismo-capa-768x1087.webp 768w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Bibliografia-do-Marxismo-capa-1.webp 826w\"><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<p><strong>Uma Bibliografia do Marxismo no Brasil: Dos Prim\u00f3rdios a 1968<\/strong><\/p>\n<p><strong>Dainis Karepovs<\/strong> <\/p>\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: <strong>1\u00aa<\/strong><\/p>\n<p><strong>2026 <\/strong><\/p>\n<p><strong>Editora Funda\u00e7\u00e3o Perseu Abramo e Ateli\u00ea Editorial <\/strong><\/p>\n<p><strong>ISBN: 978-65-5626-171-3 (Funda\u00e7\u00e3o Perseu Abramo) <\/strong><\/p>\n<p><strong>547 p\u00e1ginas<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<hr>\n<p>Karepovs desloca a <strong>hist\u00f3ria do marxismo no Brasil<\/strong> do terreno das doutrinas para o dos <strong>meios materiais <\/strong>que permitiram ler, traduzir, imprimir, vender, apreender, destruir, esconder e preservar textos marxistas. O gesto tem genealogia. Secco lembra, no pref\u00e1cio, que o marxismo s\u00f3 se tornou objeto acad\u00eamico no Brasil a partir dos anos 1960, e que mesmo a vaga de estudos cr\u00edticos sobre as ideias marxistas anteriores a 1964, formada na d\u00e9cada de 1970, raramente se debru\u00e7ou sobre a infraestrutura intelectual dessas ideias, isto \u00e9, sobre seus suportes materiais. \u00c9 essa lacuna que a bibliografia ocupa. Em vez de reconstituir a recep\u00e7\u00e3o de Marx pela via dos conceitos, Karepovs a reconstitui pela via dos objetos que a tornaram poss\u00edvel: a brochura barata, o fasc\u00edculo destac\u00e1vel de jornal, a tradu\u00e7\u00e3o feita a partir do franc\u00eas, a tiragem clandestina, o exemplar sobrevivente num sebo.<\/p>\n<p>Quem procurar uma hist\u00f3ria das ideias encontrar\u00e1 uma <strong>hist\u00f3ria do livro<\/strong>, da cultura pol\u00edtica da esquerda, da repress\u00e3o anticomunista e da forma\u00e7\u00e3o intelectual dos trabalhadores. Essas quatro camadas n\u00e3o s\u00e3o paralelas; elas se determinam. A hist\u00f3ria do livro fornece o suporte; a cultura pol\u00edtica da esquerda fornece as redes de autores, capistas, tradutores e distribuidores que faziam o impresso andar; a repress\u00e3o anticomunista fornece o limite, a apreens\u00e3o e a fogueira; e a forma\u00e7\u00e3o intelectual dos trabalhadores fornece a finalidade, j\u00e1 que o impresso marxista, no Brasil, quase sempre nasceu com fun\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica, voltado a formar quadros e a alfabetizar politicamente um p\u00fablico que o Estado mantinha \u00e0 margem da cultura letrada. Ler a bibliografia por qualquer uma dessas camadas isoladamente \u00e9 desfigur\u00e1-la.<\/p>\n<\/p>\n<h4><strong>Bibliografia como instrumento<\/strong><\/h4>\n<p>A bibliografia \u00e9 o instrumento; a circula\u00e7\u00e3o dos impressos \u00e9 o objeto. A distin\u00e7\u00e3o importa porque define o estatuto epistemol\u00f3gico do livro. Uma bibliografia, na acep\u00e7\u00e3o corrente, \u00e9 repert\u00f3rio que agrupa textos para facilitar o acesso a eles, e nessa medida serve ao pesquisador como ferramenta. Karepovs aceita essa fun\u00e7\u00e3o, mas a subordina a outra. Aqui o repert\u00f3rio n\u00e3o apenas localiza t\u00edtulos; ele permite reconstruir a curva de presen\u00e7a social do marxismo no pa\u00eds, ano a ano, editora a editora. O n\u00famero de edi\u00e7\u00f5es de um t\u00edtulo deixa de ser dado bibliogr\u00e1fico e passa a ser ind\u00edcio hist\u00f3rico, do mesmo modo que uma tiragem confiscada documenta menos um fracasso editorial do que um ato de Estado. Conv\u00e9m, por\u00e9m, n\u00e3o confundir os planos. A bibliografia registra o que sobreviveu e o que ficou documentado, n\u00e3o a totalidade do que circulou. Entre o impresso e o registro h\u00e1 a perda, e essa perda, como o pr\u00f3prio autor reconhece, \u00e9 parte constitutiva do objeto, n\u00e3o uma falha do levantamento.<\/p>\n<p>Cham\u00e1-la de cat\u00e1logo \u00e9 correto, desde que se entenda o cat\u00e1logo como forma hist\u00f3rica de organizar vest\u00edgios de luta pol\u00edtica e circula\u00e7\u00e3o intelectual. Quando a lista registra tiragens, edi\u00e7\u00f5es, editoras e anos, deixa de ser invent\u00e1rio e passa a medir a presen\u00e7a social de uma corrente de ideias. O n\u00famero de edi\u00e7\u00f5es de um t\u00edtulo funciona como \u00edndice, no sentido que a lingu\u00edstica d\u00e1 ao termo: indica, sugere, corrobora em parte. Sozinho, n\u00e3o decide nada. Cruzado com o momento pol\u00edtico e econ\u00f4mico, mostra quando uma ideia encontrou leitores e quando foi empurrada para a clandestinidade. \u00c9 por a\u00ed que a bibliografia se torna pergunta historiogr\u00e1fica: como uma tradi\u00e7\u00e3o intelectual se converte em for\u00e7a social?<\/p>\n<p>O pref\u00e1cio de Lincoln Secco faz, nesse ponto, o trabalho mais produtivo do volume. Secco insiste em que as ideias marxistas nunca circularam sozinhas. Dependeram de livros, brochuras, jornais, volantes, revistas, editoras, gr\u00e1ficas, tradutores, capistas, distribuidores, livreiros, sebos, leitores e redes militantes<a href=\"https:\/\/fpabramo.org.br\/o-marxismo-brasileiro-pelo-rastro-dos-livros\/#_ftn2\">[2]<\/a>. A consequ\u00eancia \u00e9 metodol\u00f3gica. A hist\u00f3ria das ideias se empobrece quando aparta a doutrina de seu suporte, porque a greve, o com\u00edcio e a formula\u00e7\u00e3o de um quadro partid\u00e1rio passavam pelo impresso. Estudar o marxismo brasileiro sem estudar suas gr\u00e1ficas \u00e9 examinar o sintoma e ignorar o corpo.<\/p>\n<p>Essa convic\u00e7\u00e3o vem de uma linhagem precisa. O ponto de partida \u00e9 Edgard Carone, que em 1986 publicou <em>O Marxismo no Brasil: das origens a 1964<\/em>, recenseando em boa parte livros do pr\u00f3prio acervo. Karepovs declara partir dele e, segundo Secco, amplia a periodiza\u00e7\u00e3o, multiplica os t\u00edtulos e reorganiza tudo por autor, com \u00edndices de editoras e de ano<a href=\"https:\/\/fpabramo.org.br\/o-marxismo-brasileiro-pelo-rastro-dos-livros\/#_ftn3\">[3]<\/a>. Reduzir Carone a precursor seria impreciso. O que une os dois \u00e9 concreto: o colecionismo, os sebos, as bibliotecas pessoais, a hist\u00f3ria da Rep\u00fablica, do movimento oper\u00e1rio e do livro. A bibliografia de Karepovs nasceu como corre\u00e7\u00e3o nas margens de seu exemplar de Carone, fruto de cerca de trinta anos de garimpo em arquivos, bibliotecas e sebos<a href=\"https:\/\/fpabramo.org.br\/o-marxismo-brasileiro-pelo-rastro-dos-livros\/#_ftn4\">[4]<\/a>. Essa origem artesanal explica por que a obra liga o dado seco de uma tiragem ao gesto de encontrar um volume raro numa estante empoeirada.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o mais discut\u00edvel, e por isso a mais instrutiva, est\u00e1 na periodiza\u00e7\u00e3o. Karepovs recua o marco inicial para 1893 e fecha em 1968. O recuo exige cuidado, porque o marxismo brasileiro do fim do s\u00e9culo XIX se confunde com socialismos reformistas, com a Segunda Internacional, com a imprensa oper\u00e1ria e com formas inst\u00e1veis de milit\u00e2ncia. Cobrar daqueles homens uma ortodoxia que s\u00f3 se firmaria d\u00e9cadas depois seria anacronismo. Karepovs escapa da armadilha apoiando-se em Claudio Batalha, que estudou a difus\u00e3o do marxismo na virada do s\u00e9culo e concluiu que os socialistas brasileiros daquele per\u00edodo podem n\u00e3o ser marxistas pelos crit\u00e9rios de hoje, mas seriam classificados como tais pelos crit\u00e9rios de seu tempo<a href=\"https:\/\/fpabramo.org.br\/o-marxismo-brasileiro-pelo-rastro-dos-livros\/#_ftn5\">[5]<\/a>. Com isso, o recuo a 1893 deixa de ser detalhe cronol\u00f3gico e se torna escolha conceitual. A bibliografia n\u00e3o pergunta se aqueles textos satisfazem uma defini\u00e7\u00e3o posterior de marxismo, mas como o socialismo foi lido, impresso e debatido quando come\u00e7ou a circular em livro no Brasil.<\/p>\n<p>O marco final opera no mesmo registro. Karepovs separa o golpe de 1964, corte pol\u00edtico, do Ato Institucional n. 5, corte cultural. A distin\u00e7\u00e3o se apoia em Roberto Schwarz e em sua tese sobre a relativa hegemonia cultural da esquerda sob a ditadura de direita<a href=\"https:\/\/fpabramo.org.br\/o-marxismo-brasileiro-pelo-rastro-dos-livros\/#_ftn6\">[6]<\/a>. O paradoxo \u00e9 forte: entre 1964 e 1968, num pa\u00eds governado por militares, as edi\u00e7\u00f5es marxistas aumentaram. A primeira tradu\u00e7\u00e3o integral do Livro 1 de <em>O Capital<\/em> saiu em 1968, pela Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira de \u00canio Silveira; a <em>Hist\u00f3ria da Revolu\u00e7\u00e3o Russa<\/em>, de Trotsky, fora anunciada em p\u00e1gina inteira de jornal em 1967. Schwarz n\u00e3o entra como ornamento. D\u00e1 o conceito que permite ler 1968, e n\u00e3o 1964, como o ano em que a circula\u00e7\u00e3o foi rompida, quando o AI-5 destr\u00f3i a hegemonia cultural que o golpe n\u00e3o conseguira tocar.<\/p>\n<p>Duas barreiras pesaram sobre essa circula\u00e7\u00e3o, e a introdu\u00e7\u00e3o as encara de frente. A primeira \u00e9 o analfabetismo, que Karepovs liga \u00e0 forma\u00e7\u00e3o social brasileira, \u00e0 heran\u00e7a escravista e \u00e0 restri\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica da cultura letrada \u00e0s classes dominantes. Os n\u00fameros s\u00e3o duros: na virada para a Rep\u00fablica, mais de 80% da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o sabia ler, contra 13,3% nos Estados Unidos; a taxa nacional ainda era de 65,3% em 1900 e de 33,7% em 1970<a href=\"https:\/\/fpabramo.org.br\/o-marxismo-brasileiro-pelo-rastro-dos-livros\/#_ftn7\">[7]<\/a>. Num mercado de leitores t\u00e3o estreito, imprimir mil exemplares de um texto marxista significa coisa diferente do mesmo gesto numa sociedade alfabetizada. A segunda barreira \u00e9 a viol\u00eancia estatal e paraestatal, que n\u00e3o funciona como contexto externo, e sim como parte da pr\u00f3pria hist\u00f3ria dos impressos. Karepovs reconstr\u00f3i o desaparecimento do acervo da editora Unitas<a href=\"https:\/\/fpabramo.org.br\/o-marxismo-brasileiro-pelo-rastro-dos-livros\/#_ftn8\">[8]<\/a>, em S\u00e3o Paulo, entre 1935 e 1936: dezenas de milhares de volumes apreendidos e, ao cabo de anos de tramita\u00e7\u00e3o no Tribunal de Seguran\u00e7a Nacional, incinerados, com a perda dos pr\u00f3prios autos que deveriam comprovar a apreens\u00e3o. A burocracia, nesse relato, \u00e9 instrumento de destrui\u00e7\u00e3o que opera por of\u00edcios e memorandos.<\/p>\n<p>Nenhum exemplo condensa melhor o m\u00e9todo do livro do que a primeira edi\u00e7\u00e3o brasileira do <em>Manifesto Comunista<a href=\"https:\/\/fpabramo.org.br\/o-marxismo-brasileiro-pelo-rastro-dos-livros\/#_ftn9\"><strong>[9]<\/strong><\/a><\/em>, de 1924, traduzida por Oct\u00e1vio Brand\u00e3o. A tiragem de tr\u00eas mil exemplares, anotada no relat\u00f3rio que Brand\u00e3o enviou \u00e0 Internacional Comunista, s\u00f3 ganha sentido ao lado do que veio depois: centenas de exemplares apreendidos e destru\u00eddos pela pol\u00edcia nos Correios de Porto Alegre e uma censura postal que confiscava correspond\u00eancia e fornecia c\u00f3pias \u00e0 repress\u00e3o. O n\u00famero, isolado, seria curiosidade. Cruzado com o ciclo pol\u00edtico e com a repress\u00e3o postal, vira a prova do argumento central: a ideia s\u00f3 se torna for\u00e7a social quando encontra suporte, rede e leitor.<\/p>\n<p>H\u00e1 cr\u00edtica a fazer, e ela nasce da pr\u00f3pria escala do empreendimento. Diante do trecho dispon\u00edvel, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel avaliar os crit\u00e9rios de inclus\u00e3o e exclus\u00e3o, as lacunas regionais, o tratamento das correntes internas do marxismo ou a coer\u00eancia do corpo bibliogr\u00e1fico ao longo de quase tr\u00eas mil registros<a href=\"https:\/\/fpabramo.org.br\/o-marxismo-brasileiro-pelo-rastro-dos-livros\/#_ftn10\">[10]<\/a>. A grandeza de um trabalho assim n\u00e3o dispensa a pergunta sobre seus crit\u00e9rios. Ao contr\u00e1rio, torna-a mais urgente. Karepovs \u00e9 transparente quanto a algumas escolhas: aboliu as divis\u00f5es tem\u00e1ticas de Carone, manteve apenas a exce\u00e7\u00e3o dos livros de viagem aos pa\u00edses socialistas e suprimiu a se\u00e7\u00e3o \u201cLiteratura Prolet\u00e1ria\u201d por consider\u00e1-la incompleta. Resta saber, e s\u00f3 o exemplar integral dir\u00e1, como essas decis\u00f5es se sustentam no conjunto, sobretudo no tratamento das correntes que disputaram o nome do marxismo no Brasil.<\/p>\n<p>A ep\u00edgrafe da introdu\u00e7\u00e3o fecha melhor do que qualquer s\u00edntese. Em 1894, Machado de Assis observava que o socialismo chegaria ao Brasil a seu tempo, e que os livros j\u00e1 estavam aqui havia muito, restando traduzi-los e espalh\u00e1-los<a href=\"https:\/\/fpabramo.org.br\/o-marxismo-brasileiro-pelo-rastro-dos-livros\/#_ftn11\">[11]<\/a>. A bibliografia de Karepovs \u00e9 o invent\u00e1rio daquele \u201ctraduzi-los e espalh\u00e1-los\u201d, com tudo o que a tarefa custou. O livro n\u00e3o arquiva um passado encerrado. Reabre uma pergunta que segue de p\u00e9: como uma tradi\u00e7\u00e3o intelectual sobrevive quando seus livros s\u00e3o caros, perseguidos, apreendidos, mal distribu\u00eddos ou esquecidos? A resposta, no caso brasileiro, est\u00e1 menos nas doutrinas do que no papel que as carregou, tantas vezes reduzido a cinzas. A bibliografia mede o que sobreviveu; o que ardeu nos incineradores do Tribunal de Seguran\u00e7a Nacional permanece como aus\u00eancia, e nenhuma lista, por mais paciente, devolve um livro queimado.<\/p>\n<p>A import\u00e2ncia desse trabalho para a historiografia marxista brasileira n\u00e3o se mede pelo que ele acrescenta ao que j\u00e1 se sabia, e sim pelo que ele torna poss\u00edvel perguntar daqui em diante. Durante muito tempo, a hist\u00f3ria do marxismo no Brasil foi escrita como hist\u00f3ria de ideias, de rupturas te\u00f3ricas e de filia\u00e7\u00f5es doutrin\u00e1rias, como se o pensamento se transmitisse por cont\u00e1gio entre cabe\u00e7as e n\u00e3o por media\u00e7\u00f5es materiais. Um levantamento dessa ordem desloca o solo da pesquisa. Ele obriga quem estuda a esquerda a tratar a edi\u00e7\u00e3o, a tradu\u00e7\u00e3o, a tiragem e a distribui\u00e7\u00e3o como vari\u00e1veis explicativas, e n\u00e3o como pano de fundo. Quem quiser, depois disto, sustentar que tal corrente foi hegem\u00f4nica num dado momento ter\u00e1 de mostrar onde estavam suas gr\u00e1ficas, quantas edi\u00e7\u00f5es alcan\u00e7ou e a que p\u00fablico chegou. A bibliografia funciona, nesse aspecto, como uma exig\u00eancia metodol\u00f3gica imposta ao campo: ela encarece as afirma\u00e7\u00f5es gen\u00e9ricas e premia as que se ancoram em evid\u00eancia impressa.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda um efeito mais dif\u00edcil de quantificar, que \u00e9 o que mais conta. Trabalhos como este transformam a perda em objeto de conhecimento. Ao registrar o que circulou e ao deixar vis\u00edvel, por contraste, o que foi destru\u00eddo, a bibliografia converte a repress\u00e3o de obst\u00e1culo externo em dado interno da hist\u00f3ria intelectual brasileira. Isso tem consequ\u00eancia pol\u00edtica, n\u00e3o s\u00f3 erudita. Significa reconhecer que a fragilidade da tradi\u00e7\u00e3o marxista no Brasil n\u00e3o decorre de alguma incapacidade nativa para a teoria, e sim de uma viol\u00eancia sistem\u00e1tica contra os seus suportes, exercida por um Estado que preferiu queimar livros a discuti-los. Reconstituir essa materialidade \u00e9 uma forma de restitui\u00e7\u00e3o. N\u00e3o devolve os exemplares incinerados, mas devolve \u00e0 esquerda brasileira a mem\u00f3ria de uma cultura impressa que existiu, resistiu e foi parcialmente apagada. Para uma historiografia que se quer cr\u00edtica, esse \u00e9 o servi\u00e7o mais duradouro que um invent\u00e1rio de livros pode prestar: provar que houve o que destruir.\u00a0<\/p>\n<\/p>\n<p><strong>Erik Chiconelli Gomes<\/strong>, p\u00f3s-Doutor (USP | Unicamp), Doutor em Hist\u00f3ria Econ\u00f4mica \u2013 USP e Coordenador Acad\u00eamico e do Centro de Pesquisa e Estudos da Escola Superior de Advocacia \u2013 OAB\/SP<\/p>\n<p><strong>Notas<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/fpabramo.org.br\/o-marxismo-brasileiro-pelo-rastro-dos-livros\/#_ftnref1\">[1]<\/a>A ep\u00edgrafe abre o volume (KAREPOVS, Dainis. <em>Uma bibliografia do Marxismo no Brasil: dos prim\u00f3rdios a 1968<\/em>. Cotia: Ateli\u00ea Editorial; S\u00e3o Paulo: Funda\u00e7\u00e3o Perseu Abramo, 2026, p. 9). Em nota, o autor informa que a frase foi retirada da contracapa da brochura de Charles Rappoport, <em>No\u00e7\u00f5es do Comunismo<\/em>, editada pelo PCB em Recife, em 1924 (p. 10).<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/fpabramo.org.br\/o-marxismo-brasileiro-pelo-rastro-dos-livros\/#_ftnref2\">[2]<\/a>SECCO, Lincoln. Pref\u00e1cio. In: KAREPOVS, Dainis. <em>Uma bibliografia do Marxismo no Brasil: dos prim\u00f3rdios a 1968<\/em>. Cotia: Ateli\u00ea Editorial; S\u00e3o Paulo: Funda\u00e7\u00e3o Perseu Abramo, 2026, p. 13-15.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/fpabramo.org.br\/o-marxismo-brasileiro-pelo-rastro-dos-livros\/#_ftnref3\">[3]<\/a>SECCO, 2026, p. 14-15; KAREPOVS, 2026, p. 21. O livro de refer\u00eancia \u00e9 CARONE, Edgard. <em>O Marxismo no Brasil: das origens a 1964<\/em>. Rio de Janeiro: Dois Pontos, 1986, do qual Karepovs declara partir, ampliando a periodiza\u00e7\u00e3o e a quantidade de t\u00edtulos.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/fpabramo.org.br\/o-marxismo-brasileiro-pelo-rastro-dos-livros\/#_ftnref4\">[4]<\/a>KAREPOVS, 2026, p. 67-68. Sobre os cerca de trinta anos de pesquisa em arquivos, bibliotecas e sebos, ver tamb\u00e9m CEMAP INTERLUDIUM. <em>Uma bibliografia do marxismo no Brasil<\/em>. S\u00e3o Paulo, 21 maio 2026. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/cemap-interludium.org.br\/uma-bibliografia-do-marxismo-no-brasil\/2026\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/cemap-interludium.org.br\/uma-bibliografia-do-marxismo-no-brasil\/2026\/<\/a>. Acesso em: 18 jun. 2026.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/fpabramo.org.br\/o-marxismo-brasileiro-pelo-rastro-dos-livros\/#_ftnref5\">[5]<\/a>BATALHA, Claudio H. M. A difus\u00e3o do marxismo e os socialistas brasileiros na virada do s\u00e9culo XIX. In: MORAES, Jo\u00e3o Quartim de (org.). <em>Hist\u00f3ria do marxismo no Brasil: os influxos te\u00f3ricos<\/em>. Campinas: Editora da Unicamp, 1995. v. 2, p. 11-43. Karepovs cita a passagem pela 2. ed. (2007), p. 9 (cf. KAREPOVS, 2026, p. 26).<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/fpabramo.org.br\/o-marxismo-brasileiro-pelo-rastro-dos-livros\/#_ftnref6\">[6]<\/a>KAREPOVS, 2026, p. 22-23, que cita SCHWARZ, Roberto. Cultura e pol\u00edtica, 1964-1969. In: <em>O pai de fam\u00edlia e outros estudos<\/em>. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1978, p. 62.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/fpabramo.org.br\/o-marxismo-brasileiro-pelo-rastro-dos-livros\/#_ftnref7\">[7]<\/a>KAREPOVS, 2026, p. 18-20. As taxas reproduzem dados do IBGE, Censos Demogr\u00e1ficos, e o cotejo internacional (Estados Unidos, 13,3%) aparece \u00e0 p. 18.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/fpabramo.org.br\/o-marxismo-brasileiro-pelo-rastro-dos-livros\/#_ftnref8\">[8]<\/a> KAREPOVS, 2026, p. 45-47. O autor reconstr\u00f3i a apreens\u00e3o de dezenas de milhares de volumes em S\u00e3o Paulo entre dezembro de 1935 e mar\u00e7o de 1936 e o destino dado a esse acervo no Tribunal de Seguran\u00e7a Nacional.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/fpabramo.org.br\/o-marxismo-brasileiro-pelo-rastro-dos-livros\/#_ftnref9\">[9]<\/a> KAREPOVS, 2026, p. 29-31. A tiragem de tr\u00eas mil exemplares consta do relat\u00f3rio de Oct\u00e1vio Brand\u00e3o \u00e0 Internacional Comunista; a apreens\u00e3o e destrui\u00e7\u00e3o de parte da edi\u00e7\u00e3o nos Correios de Porto Alegre e a descri\u00e7\u00e3o da censura postal aparecem \u00e0s p. 29-30.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/fpabramo.org.br\/o-marxismo-brasileiro-pelo-rastro-dos-livros\/#_ftnref10\">[10]<\/a>KAREPOVS, 2026, p. 60 (\u201cquase tr\u00eas mil livros e brochuras, inclu\u00eddas as reedi\u00e7\u00f5es\u201d) e p. 64-67 (Tabelas 7 e 8, que somam 2.929 publica\u00e7\u00f5es entre 1893 e 1968).<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/fpabramo.org.br\/o-marxismo-brasileiro-pelo-rastro-dos-livros\/#_ftnref11\">[11]<\/a>MACHADO DE ASSIS. A Semana. Gazeta de Not\u00edcias, Rio de Janeiro, 15 abr. 1894. Apud KAREPOVS, Dainis. Uma bibliografia do Marxismo no Brasil: dos prim\u00f3rdios a 1968. Cotia: Ateli\u00ea Editorial; S\u00e3o Paulo: Funda\u00e7\u00e3o Perseu Abramo, 2026. p. 17.<\/p>\n<hr>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>BATALHA, Claudio H. M. A difus\u00e3o do marxismo e os socialistas brasileiros na virada do s\u00e9culo XIX. In: MORAES, Jo\u00e3o Quartim de (org.). <em>Hist\u00f3ria do marxismo no Brasil: os influxos te\u00f3ricos<\/em>. Campinas: Editora da Unicamp, 1995. v. 2, p. 11-43.<\/p>\n<p>CARONE, Edgard. <em>O Marxismo no Brasil: das origens a 1964<\/em>. Rio de Janeiro: Dois Pontos, 1986.<\/p>\n<p>CEMAP INTERLUDIUM. <em>Uma bibliografia do marxismo no Brasil<\/em>. S\u00e3o Paulo, 21 maio 2026. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/cemap-interludium.org.br\/uma-bibliografia-do-marxismo-no-brasil\/2026\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/cemap-interludium.org.br\/uma-bibliografia-do-marxismo-no-brasil\/2026\/<\/a>. Acesso em: 18 jun. 2026.<\/p>\n<p>FUNDA\u00c7\u00c3O PERSEU ABRAMO. <em>Conhe\u00e7a Uma bibliografia do Marxismo no Brasil de Dainis Karepovs<\/em>. S\u00e3o Paulo, 17 jun. 2026. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/fpabramo.org.br\/conheca-uma-bibliografia-do-marxismo-no-brasil-de-dainis-karepovs\/\">https:\/\/fpabramo.org.br\/conheca-uma-bibliografia-do-marxismo-no-brasil-de-dainis-karepovs\/<\/a>. Acesso em: 18 jun. 2026.<\/p>\n<p>KAREPOVS, Dainis. <em>Uma bibliografia do Marxismo no Brasil: dos prim\u00f3rdios a 1968<\/em>. Cotia: Ateli\u00ea Editorial; S\u00e3o Paulo: Funda\u00e7\u00e3o Perseu Abramo, 2026.<\/p>\n<p>MACHADO DE ASSIS. A Semana. <em>Gazeta de Not\u00edcias<\/em>, Rio de Janeiro, 15 abr. 1894.<\/p>\n<p>SCHWARZ, Roberto. Cultura e pol\u00edtica, 1964-1969. In: <em>O pai de fam\u00edlia e outros estudos<\/em>. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1978.<\/p>\n<p>SECCO, Lincoln. Pref\u00e1cio. In: KAREPOVS, Dainis. <em>Uma bibliografia do Marxismo no Brasil: dos prim\u00f3rdios a 1968<\/em>. Cotia: Ateli\u00ea Editorial; S\u00e3o Paulo: Funda\u00e7\u00e3o Perseu Abramo, 2026. p. 13-15.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/vorcaro-ja-esta-na-pf-preparando-a-delacao-premiada-nao-poupara-ninguem-sinaliza-defesa\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Vorcaro j\u00e1 est\u00e1 na PF preparando a dela\u00e7\u00e3o premiad...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/quem-trava-a-tarifa-social-da-agua-no-brasil\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Screenshot-2025-08-15-at-15-45-41-nova-tarifa-social-agua-sppng-imagem-PNG-700-440-pixels-150x150.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Quem trava a tarifa social da \u00e1gua no Brasil?<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/sul21.com.br\/noticias\/politica\/2025\/11\/projeto-quer-liberar-eventos-no-parque-harmonia-e-orla-do-guaiba-apos-a-meia-noite\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Projeto quer liberar eventos no Parque Harmonia e ...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/sul21.com.br\/noticias\/economia\/2025\/11\/pf-prende-dono-do-banco-master-no-aeroporto-de-guarulhos\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">PF prende dono do Banco Master no aeroporto de Gua...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 1924, o Partido Comunista imprimiu em Recife uma brochura de Charles Rappoport, No\u00e7\u00f5es do Comunismo, cuja contracapa trazia uma ordem curta: \u201cLede e fazei ler\u201d. Dainis Karepovs colheu essa frase e a p\u00f4s como ep\u00edgrafe de sua bibliografia[1]. A escolha tem peso de m\u00e9todo. Ler e fazer ler s\u00e3o opera\u00e7\u00f5es distintas, e a dist\u00e2ncia [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[68676,461,3556,3794,20740],"tags":[],"class_list":["post-92429","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-bibliografia","category-historia","category-livros","category-marxismo","category-resenha"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/92429","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=92429"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/92429\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=92429"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=92429"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=92429"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}