{"id":92622,"date":"2026-06-20T10:00:00","date_gmt":"2026-06-20T13:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/desafios-humanitarios-um-olhar-sobre-o-dia-mundial-do-refugiado-e-o-dia-do-imigrante\/"},"modified":"2026-06-20T10:00:00","modified_gmt":"2026-06-20T13:00:00","slug":"desafios-humanitarios-um-olhar-sobre-o-dia-mundial-do-refugiado-e-o-dia-do-imigrante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/desafios-humanitarios-um-olhar-sobre-o-dia-mundial-do-refugiado-e-o-dia-do-imigrante\/","title":{"rendered":"Desafios humanit\u00e1rios: um olhar sobre o Dia Mundial do Refugiado e o Dia do Imigrante"},"content":{"rendered":"<figure><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"464\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-2-51.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/image-2-51-1024x464.jpg 1024w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/image-2-51-300x136.jpg 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/image-2-51-768x348.jpg 768w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-2-51.jpg 1170w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption><em>Uma menina carrega \u00e1gua em um acampamento para deslocados internos em Bentiu, Sud\u00e3o do Sul. Foto: UNICEF\/Mark Naftalin<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Por Fernanda Alc\u00e2ntara<\/em><br \/><em>Da P\u00e1gina do MST<\/em>*<\/p>\n<p>Designado pela ONU, o Dia Mundial do Refugiado, celebrado nesta quinta-feira (20 de junho), \u00e9 uma data que remete ao reconhecimento da dignidade de milh\u00f5es de pessoas no mundo e no Brasil. Uma luta t\u00e3o importante envolve internacionalismo, solidariedade e, principalmente, o entendimento sobre a import\u00e2ncia da cultura e mem\u00f3ria dos povos.<\/p>\n<p>Refugiados s\u00e3o pessoas for\u00e7adas a deixar suas casas devido a conflitos, persegui\u00e7\u00f5es e viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos. Hoje, em todo o mundo, h\u00e1 cerca de 117,3 milh\u00f5es de pessoas deslocadas de seu territ\u00f3rio em 2023, um aumento de 8,8 milh\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o a 2022, segundo relat\u00f3rio divulgado na semana passada pela Ag\u00eancia da ONU para os Refugiados (ACNUR). Um marco hist\u00f3rico, impulsionado por crises persistentes e emergentes.<\/p>\n<p>A luta por direitos humanos est\u00e1 intr\u00ednseca no acolhimento e internacionalismo, palavras importantes para entender a cultura Sem Terra. Discursos de \u00f3dio at\u00e9 atos de viol\u00eancia que temos visto na \u00faltima d\u00e9cada se estendem a estes imigrantes e refugiados, que muitas vezes chegam ao Brasil e recebem a hostilidade alimentada por estere\u00f3tipos e preconceitos dos ditos \u201cultra-nacionalistas\u201d ou de \u201cultra-direita\u201d. Mas afinal, quem s\u00e3o os refugiados no mundo e no Brasil?<\/p>\n<p>J\u00e1 na pr\u00f3xima ter\u00e7a-feira (25), \u00e9 comemorado o Dia do Imigrante, que tamb\u00e9m nos convida a pensar sobre as experi\u00eancias de milh\u00f5es de pessoas que, por diferentes motivos, deixaram seus pa\u00edses em busca de uma vida melhor no Brasil. Diferente dos refugiados, os imigrantes optam por deixar seus pa\u00edses em busca de melhores oportunidades econ\u00f4micas, educacionais ou familiares. Embora suas decis\u00f5es possam ser motivadas por dificuldades, eles t\u00eam a liberdade de retornar ao seu pa\u00eds de origem.<\/p>\n<h2>A \u00c1frica em n\u00f3s<\/h2>\n<p>Quando falamos em refugiados, \u00e9 importante come\u00e7ar com o continente africano, que continua a enfrentar uma das mais severas situa\u00e7\u00f5es de refugiados no mundo. Pa\u00edses como Eti\u00f3pia e Z\u00e2mbia s\u00e3o alguns dos tantos pa\u00edses que acolhem milhares de pessoas que fogem de conflitos armados, repress\u00e3o pol\u00edtica e instabilidade pol\u00edticas. De acordo com a ACNUR, a Eti\u00f3pia abriga hoje mais de 800 mil refugiados provenientes principalmente da Eritreia, Sud\u00e3o do Sul, Som\u00e1lia e Sud\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos refugiados, a crise humanit\u00e1ria em Tigr\u00e9, regi\u00e3o do norte da Eti\u00f3pia, tamb\u00e9m se intensificou, com muitas pessoas internamente deslocadas em busca de ajuda. A capacidade do pa\u00eds para fornecer assist\u00eancia adequada \u00e9 desafiada pela magnitude da emerg\u00eancia destes refugiados. Para se ter uma ideia, s\u00f3 os confrontos que iniciaram no territ\u00f3rio sudan\u00eas, em 2023 geraram 10,8 milh\u00f5es de desalojados.<\/p>\n<p>Este ano, atrav\u00e9s da Ag\u00eancia Brasileira da Coopera\u00e7\u00e3o (ABC), o Governo brasileiro entregou 8 toneladas de alimentos do Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)  doados para refugiados da Eti\u00f3pia. A contribui\u00e7\u00e3o incluiu 65 purificadores de \u00e1gua port\u00e1teis, 10 toneladas de alimentos nutritivos desidratados, 4 toneladas de arroz e 4 toneladas de leite em p\u00f3, <a href=\"https:\/\/mst.org.br\/2024\/02\/17\/8-toneladas-de-alimentos-do-mst-sao-doadas-para-refugiados-da-etiopia\/\">produzidos e doados pelo MST<\/a>.<\/p>\n<p>Embora n\u00e3o seja destacada nas manchetes internacionais, a Z\u00e2mbia tamb\u00e9m segue como refer\u00eancia por seu hist\u00f3rico \u201cpac\u00edfico\u201d, e abriga hoje cerca de 100 mil refugiados, principalmente de Angola, Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo (RDC) e Ruanda. Estes refugiados fogem especialmente da instabilidade pol\u00edtica em seus pa\u00edses de origem, e governo zambiano, com o apoio de organiza\u00e7\u00f5es internacionais, t\u00eam trabalhado para fornecer abrigo, alimenta\u00e7\u00e3o e assist\u00eancia m\u00e9dica a essas popula\u00e7\u00f5es vulner\u00e1veis.<\/p>\n<p>Elizabeth Cerqueira, coordenadora da Brigada Samora Machel, atualmente na Z\u00e2mbia, lembra que o pa\u00eds geograficamente est\u00e1 localizado na \u00c1frica subsaariana e faz fronteira com oito pa\u00edses, por isso recebe tantos imigrantes. \u201cEm 2023, a Z\u00e2mbia recebeu mais de 10.851 refugiados da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, mas historicamente, a Z\u00e2mbia tamb\u00e9m recebeu muitos refugiados de Angola (mais de 13.000 pessoas), Burundi (mais de 9.000 pessoas), Ruanda (mais de 4.000 pessoas) e Som\u00e1lia (mais de 3.576 pessoas)\u201d.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" width=\"1020\" height=\"717\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Brigada-Internacionalista-Samora-Machel-Zambia_Foto-Fabio-Andrey-Pimentel-1.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Brigada-Internacionalista-Samora-Machel-Zambia_Foto-Fabio-Andrey-Pimentel-1.jpg 1020w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Brigada-Internacionalista-Samora-Machel-Zambia_Foto-Fabio-Andrey-Pimentel-1-300x211.jpg 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Brigada-Internacionalista-Samora-Machel-Zambia_Foto-Fabio-Andrey-Pimentel-1-768x540.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1020px) 100vw, 1020px\"><figcaption><em>Foto: Fabio Andrey Pimentel<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>A crise de refugiados no continente africano \u00e9 um lembrete constante da necessidade de a\u00e7\u00f5es coordenadas e solid\u00e1rias para enfrentar os desafios humanit\u00e1rios globais. No Sud\u00e3o, por exemplo, as crian\u00e7as e mulheres gr\u00e1vidas e lactantes est\u00e3o entre os mais vulner\u00e1veis, com quase 5 milh\u00f5es de pessoas diagnosticadas com desnutri\u00e7\u00e3o aguda.<\/p>\n<blockquote>\n<p><em>N\u00f3s, na Brigada Samora Machel e no Partido Socialista, ainda n\u00e3o temos uma a\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para os refugiados. Contudo, trabalhamos com agroecologia e educa\u00e7\u00e3o e, em Western Province, por exemplo, realizamos campanhas de alfabetiza\u00e7\u00e3o e oficinas de agroecologia, al\u00e9m de a\u00e7\u00f5es em sa\u00fade e preven\u00e7\u00e3o. Essas iniciativas visam levar dignidade \u00e0s pessoas e estamos falando de pequenas revolu\u00e7\u00f5es que devemos cultivar no dia a dia\u201d,<\/em> exp\u00f5e Elizabeth<em>.<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<h2>Palestina e a Faixa de Gaza<\/h2>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o dos refugiados palestinos \u00e9 uma das mais antigas e complexas crises humanit\u00e1rias do mundo. Desde a cria\u00e7\u00e3o do Estado de Israel, em 1948, milh\u00f5es de palestinos foram deslocados de suas terras natais. Atualmente, estima-se que cerca de 5,7 milh\u00f5es de refugiados palestinos estejam registrados na Ag\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas de Assist\u00eancia aos Refugiados da Palestina (UNRWA), espalhados por Gaza, Cisjord\u00e2nia, Jord\u00e2nia, L\u00edbano e S\u00edria.<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio da opera\u00e7\u00e3o militar de Israel em outubro de 2023, quase dois milh\u00f5es de pessoas foram for\u00e7adas a deixar suas casas na Faixa de Gaza. As principais \u00e1reas urbanas do sul de Gaza, como as cidades de Khan Younis e Rafah, t\u00eam sido bombardeadas intensamente e a superlota\u00e7\u00e3o se tornou uma preocupa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica nestes abrigos de emerg\u00eancia. Muitos desses abrigos excederam sua capacidade, e antes mesmo do conflito atual, cerca de 80% da popula\u00e7\u00e3o de Gaza j\u00e1 dependia de aux\u00edlio humanit\u00e1rio.<\/p>\n<p>De acordo com a ONU, cerca de 1,7 milh\u00e3o de pessoas, mais de 75% da popula\u00e7\u00e3o da Faixa de Gaza, j\u00e1 eram registradas como refugiados antes de Israel alertar os palestinos para que deixassem o norte do territ\u00f3rio. Mais de 500 mil refugiados viviam em oito campos superlotados ao longo da Faixa. O mapa abaixo, apontado em mat\u00e9ria da BBC, mostra que novas \u00e1reas de tendas surgiram perto da fronteira com o Egito entre o in\u00edcio de dezembro e meados de janeiro, cobrindo aproximadamente 3,5 km\u00b2, o equivalente a cerca de 500 campos de futebol. <\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" width=\"574\" height=\"1024\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-2-35.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/image-2-35-574x1024.jpg 574w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/image-2-35-168x300.jpg 168w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-2-35.jpg 624w\" sizes=\"(max-width: 574px) 100vw, 574px\"><\/figure>\n<p>Em maio deste ano, um ataque a\u00e9reo israelense atingiu um acampamento em Rafah, matando 45 pessoas, incluindo mulheres e crian\u00e7as. O local do ataque era usado para a entrega de ajuda humanit\u00e1ria e abrigava tendas de pessoas evacuadas ap\u00f3s o in\u00edcio da ofensiva israelense. Na \u00faltima quarta (18\/06), ataques a\u00e9reos israelenses mataram pelo menos 17 palestinos em dois dos campos de refugiados hist\u00f3ricos na cidade de Rafah, na Faixa de Gaza. Al\u00e9m disso, h\u00e1 uma crise de perspectiva de futuro, j\u00e1 que autoridades de Gaza alertam que mais de 500 mil pessoas n\u00e3o ter\u00e3o casas para onde voltar.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o dos refugiados palestinos n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o regional, mas uma responsabilidade que requer um compromisso cont\u00ednuo e sustentado para alcan\u00e7ar uma solu\u00e7\u00e3o justa e duradoura. No Oriente M\u00e9dio, como um todo, a ACNUR estima que mais de 2,6 milh\u00f5es de refugiados afeg\u00e3os vivem fora do pa\u00eds, principalmente no Paquist\u00e3o e no Ir\u00e3. O Paquist\u00e3o, por sua vez, abriga um dos maiores n\u00fameros de refugiados no mundo, com mais de 1,4 milh\u00e3o de afeg\u00e3os registrados, enfrentando desafios de integra\u00e7\u00e3o e acesso a servi\u00e7os b\u00e1sicos.<\/p>\n<h2>Deslocados clim\u00e1ticos<\/h2>\n<p>Embora o termo \u201crefugiado clim\u00e1tico\u201d n\u00e3o tenha reconhecimento formal de acordo com a Conven\u00e7\u00e3o de Genebra de 1951, que define refugiados como pessoas que fogem de seus pa\u00edses devido a persegui\u00e7\u00f5es baseadas em ra\u00e7a, religi\u00e3o, nacionalidade, opini\u00e3o pol\u00edtica ou pertencimento a grupos sociais, a realidade do deslocamento ambiental \u00e9 ineg\u00e1vel e crescente. No Brasil, a Lei de Migra\u00e7\u00e3o (Lei n.\u00ba 13.445\/2017) menciona a prote\u00e7\u00e3o a deslocados ambientais, mas essa prote\u00e7\u00e3o deixa uma lacuna para aqueles afetados por desastres ambientais.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-7.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image-300x200.jpg 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image-768x512.jpg 768w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-7.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption><em>Enchente em Porto Alegre. Foto: Giliuam Serafim\/ PMPA<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>No contexto brasileiro, a condi\u00e7\u00e3o das pessoas for\u00e7adas a sair de suas casas devido a secas, enchentes, deslizamentos de terra, desastres causados por barragens e minera\u00e7\u00e3o vem desde o s\u00e9culo XX, mas agravado em tempos de ebuli\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica. Apesar da gravidade da situa\u00e7\u00e3o, essas pessoas muitas vezes permanecem invis\u00edveis, pois n\u00e3o h\u00e1 pol\u00edticas p\u00fablicas ou leis absolutas que garantam sua prote\u00e7\u00e3o e apoio.<\/p>\n<p>Ainda que o termo \u201crefugiado clim\u00e1tico\u201d n\u00e3o tenha reconhecimento legal, a realidade enfrentada por essas pessoas \u00e9 urgente e necessita de aten\u00e7\u00e3o. Este \u201cref\u00fagio ambiental\u201d ou deslocamento ambiental pode ser causado tanto por fen\u00f4menos naturais quanto por atividades humanas. Entre as causas naturais, as mais comuns s\u00e3o secas e estiagem e enchentes. J\u00e1 entre as causas antr\u00f3picas \u2013 relativa a a\u00e7\u00e3o humana, destacam-se a desertifica\u00e7\u00e3o, desmatamento, queimadas, acidentes industriais e desastres relacionados \u00e0 minera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h4>O desafio humanit\u00e1rio e urgente do RS<\/h4>\n<p>As chuvas intensas e inunda\u00e7\u00f5es devastadoras que causaram o maior desastre clim\u00e1tico da hist\u00f3ria do Rio Grande do Sul afetou mais de 2 milh\u00f5es de pessoas e for\u00e7ou milhares a deixarem suas casas. Mais de 55 mil encontram-se atualmente em abrigos e, ao todo, 581 mil pessoas foram deslocadas e 43 mil necessitam de prote\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Os n\u00fameros continuam sendo assustadores. As inunda\u00e7\u00f5es causaram um cen\u00e1rio de destrui\u00e7\u00e3o em 463 munic\u00edpios ga\u00fachos, com o registro de 157 mortos, 88 desaparecidos e 806 feridos. At\u00e9 o come\u00e7o de junho, a Defesa Civil informou que cerca de 350 fam\u00edlias seguem isoladas, recebendo donativos e \u00e1gua pot\u00e1vel com a ajuda de aeronaves e pequenas embarca\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Entretanto, a ajuda institucional caminha em passos lentos, conta Let\u00edcia Paranhos, integrante da Amigos da Terra Brasil. \u201cAs medidas do governo e das prefeituras de direita e neoliberais focam na contrata\u00e7\u00e3o de empresas privadas com dinheiro p\u00fablico para elaborar propostas p\u00fablicas e planejamento estatal, desinvestindo nas universidades p\u00fablicas e institui\u00e7\u00f5es de pesquisa. Essas consultorias privadas gerenciam desastres como empresas, distorcendo o papel social do Estado e aproveitando a crise para lucrar e aprofundar a l\u00f3gica neoliberal, subordinando o Estado ao capital e ao poder corporativo\u201d.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"533\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-2-40.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-2-40.jpg 800w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/image-2-40-300x200.jpg 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/image-2-40-768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\"><figcaption><em>Refor\u00e7ando o esp\u00edrito comunit\u00e1rio e a solidariedade entre os moradores, os volunt\u00e1rios se dedicam \u00e0 limpeza e recupera\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os p\u00fablicos.<\/em>\u00a0<em>Foto: Rafa Dotti<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>Dos dez assentamentos do MST, pelo menos dois tiveram todas as casas destru\u00eddas, obrigando os moradores a se deslocarem para outros assentamentos, e outros dois assentamentos tiveram metade de suas casas destru\u00eddas. De acordo com \u00c1lvaro DeLaTorre, da coordena\u00e7\u00e3o do MST no RS, o Instituto Nacional de Coloniza\u00e7\u00e3o e Reforma Agr\u00e1ria (INCRA) est\u00e1 conduzindo uma vistoria t\u00e9cnica para avaliar as condi\u00e7\u00f5es das estradas, canais de irriga\u00e7\u00e3o, drenagem das lavouras de arroz, sistemas de irriga\u00e7\u00e3o, barragens e moradias.Ainda assim, Let\u00edcia se sente pessimista diante da situa\u00e7\u00e3o. \u201cAlvarez e Marsal e McKinsey n\u00e3o trar\u00e3o solu\u00e7\u00f5es ao Rio Grande do Sul, deixando um rastro de aus\u00eancia de defesa dos direitos, superfaturamento, falta de transpar\u00eancia e di\u00e1logo, demiss\u00f5es em massa, privatiza\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os p\u00fablicos e sobreposi\u00e7\u00e3o do interesse privado sobre o p\u00fablico.\u201d<\/p>\n<p>Atualmente o MST n\u00e3o tenha nenhuma fam\u00edlia em abrigos, o Movimento segue na retirada das fam\u00edlias dos territ\u00f3rios, e organizou cozinhas comunit\u00e1rias que atendem suas fam\u00edlias e os munic\u00edpios atingidos, distribuindo 100 mil marmitas at\u00e9 o in\u00edcio de junho. Esfor\u00e7os de limpeza dos territ\u00f3rios foram realizados atrav\u00e9s de mutir\u00f5es, que limparam casas, escolas, cooperativas, centros comunit\u00e1rios e estradas internas.<\/p>\n<p>Para apoiar as fam\u00edlias afetadas, o MST est\u00e1 distribuindo kits contendo sementes, adubo e cestas b\u00e1sicas, al\u00e9m das a\u00e7\u00f5es de apoio e a <a href=\"https:\/\/mst.org.br\/2024\/05\/22\/em-meio-a-devastacao-voluntarios-se-unem-na-producao-das-marmitas-solidarias-do-mst\/\">produ\u00e7\u00e3o de marmitas<\/a>. A solidariedade e a mobiliza\u00e7\u00e3o t\u00eam sido essenciais para enfrentar esta crise humanit\u00e1ria. <\/p>\n<p>\u201cO Rio Grande do Sul est\u00e1 sendo reconstru\u00eddo pelo povo organizado nos movimentos sociais, universidades p\u00fablicas e institui\u00e7\u00f5es de pesquisa. Os movimentos prop\u00f5em alternativas populares para a crise sist\u00eamica, baseadas na solidariedade de classe. A solu\u00e7\u00e3o deveria ser transformar im\u00f3veis vazios em moradias dignas, conforme a Constitui\u00e7\u00e3o brasileira. Cozinhas solid\u00e1rias alimentam quem j\u00e1 sofria com fome e agora est\u00e1 desabrigado. Militantes atuam no resgate de desabrigados, doa\u00e7\u00f5es de materiais e assist\u00eancia m\u00e9dica. Juventude e milit\u00e2ncia comprometida limpam e reconstroem comunidades ignoradas pelo poder p\u00fablico, pois o governo neoliberal abandona a popula\u00e7\u00e3o empobrecida. Quem n\u00e3o contribuiu para a mudan\u00e7a clim\u00e1tica paga a conta mais cara\u201d, finaliza Let\u00edcia.<\/p>\n<h4>Os \u2018refugiados\u2019 de Macei\u00f3<\/h4>\n<p>Dentre os casos de deslocamento resultante da atua\u00e7\u00e3o humana, para al\u00e9m da popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena e quilombola que muitas vezes se v\u00ea obrigada a mudar enquanto \u201ca boiada passa\u201d, destaca-se tamb\u00e9m a maior trag\u00e9dia ambiental urbana j\u00e1 causada pela minera\u00e7\u00e3o, na capital de Alagoas, em Macei\u00f3, em que o ch\u00e3o de alguns bairros est\u00e1 cedendo devido ao colapso de cavernas subterr\u00e2neas.<\/p>\n<p>O afundamento do solo causado pela minera\u00e7\u00e3o da empresa Braskem j\u00e1 significou o deslocamento de cerca de 60 mil pessoas, ou 5% da popula\u00e7\u00e3o da cidade. Este desastre, que come\u00e7ou com um tremor de magnitude 2,5 na escala Richter em mar\u00e7o de 2018, resultou em rachaduras em im\u00f3veis e um impacto social, cultural e econ\u00f4mico para a cidade. <\/p>\n<p>A Braskem, que tem a Odebrecht e a Petrobras como s\u00f3cias, concordou em pagar mais de R$ 12 bilh\u00f5es em indeniza\u00e7\u00f5es, realoca\u00e7\u00e3o de escolas e hospitais, e financiamento de a\u00e7\u00f5es para mitigar os danos causados. A situa\u00e7\u00e3o se agravou quando a amplia\u00e7\u00e3o do mapa de monitoramento da Defesa Civil, que incluiu 1,2 mil im\u00f3veis, foi suspensa pelo Tribunal Regional Federal da 5\u00aa Regi\u00e3o, em janeiro de 2024, a pedido da Braskem. Desde ent\u00e3o, o processo est\u00e1 paralisado na Justi\u00e7a, deixando milhares de moradores em situa\u00e7\u00e3o de incerteza e vulnerabilidade, como desabafa o morador de Flexais, Antonio dos Santos.<\/p>\n<p>\u201cNo bairro de Bebedouro, ainda h\u00e1 3.500 moradores isolados, ilhados e em total descaso. Nossa luta \u00e9 pela realoca\u00e7\u00e3o, conforme indicado no <a href=\"https:\/\/mst.org.br\/2024\/05\/24\/crime-ambiental-indiciamentos-e-recomendacoes-entenda-o-relatorio-da-cpi-da-braskem\/\">relat\u00f3rio da CPI<\/a>, que afirma que devemos ser inclu\u00eddos no mapa de realoca\u00e7\u00e3o. At\u00e9 o presente momento, isso ainda n\u00e3o ocorreu, e na verdade estamos sendo muito massacrados desde o in\u00edcio. Eu sa\u00ed do Flexais com minha fam\u00edlia, deixando alguns parentes na Rua do Funchal, pois muitas pessoas n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de pagar aluguel. Fechamos nossa resid\u00eancia porque muitos da minha fam\u00edlia estavam doentes, incluindo minha esposa, minha m\u00e3e e minha sogra.\u201d<\/p>\n<p>Segundo a prefeitura de Macei\u00f3, at\u00e9 2021, cerca de 55 mil pessoas foram for\u00e7adas a abandonar suas resid\u00eancias, com o n\u00famero projetado para continuar subindo. Aproximadamente 4.319 im\u00f3veis estavam na \u00e1rea de remo\u00e7\u00e3o, impactando cerca de 57 mil pessoas. Em novembro, a prefeitura declarou estado de emerg\u00eancia devido ao risco iminente de colapso de uma mina na Lagoa Munda\u00fa, no bairro do Mutange.<\/p>\n<p>Ant\u00f4nio afirma que sua esposa, depois do acontecido, agora se tornou depende de rem\u00e9dios para dormir, algo que n\u00e3o fazia parte da vida deles antes. Ele afirmou que o afundamento do solo impactou \u201ctodos os aspectos das nossas vidas: espiritual, f\u00edsica, mental e psicol\u00f3gica\u201d, afetando gravemente muitos outros moradores.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Foto_Zazo.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Foto_Zazo-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Foto_Zazo-300x200.jpg 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Foto_Zazo-768x512.jpg 768w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Foto_Zazo-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Foto_Zazo.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption><em>Imagem de bairros inteiros em Macei\u00f3 destru\u00eddos pela Braskem. Foto: Zazo<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>De acordo com a Associa\u00e7\u00e3o dos Moradores do Bom Parto, bairro que tamb\u00e9m foi inclu\u00eddo na CPI como \u00e1rea de risco, a falta de alternativas de renda e a crescente vulnerabilidade social das fam\u00edlias aumentaram muito em 2024. Quase 27 mil pessoas ainda permanecem no bairro, com suas casas rachando e o len\u00e7ol fre\u00e1tico quase ao n\u00edvel da rua. O processo de realoca\u00e7\u00e3o para 15% do bairro, que est\u00e1 na segunda inst\u00e2ncia federal, n\u00e3o tem perspectiva de avan\u00e7o.<\/p>\n<p>\u201cA Defesa Civil de Macei\u00f3 trabalha em prol da mineradora Braskem e segue inoperante ao n\u00e3o olhar para as pessoas. Retirou 60.000 pessoas de cinco bairros e deixou 3.500 em uma situa\u00e7\u00e3o de descaso e desumanidade. Fomos \u00e0 Defesa Civil na semana passada e n\u00e3o quiseram nos receber. Estamos lutando contra a Braskem, contra a Prefeitura Municipal de Macei\u00f3 e contra o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal e Estadual, que apoiam uma \u201crevitaliza\u00e7\u00e3o\u201d que n\u00e3o entendo. Como \u00e9 poss\u00edvel revitalizar apenas dois trechos de rua? No Rio Grande do Sul, haver\u00e1 uma revitaliza\u00e7\u00e3o geral, mas revitalizar apenas dois trechos n\u00e3o faz sentido\u201d, conta Ant\u00f4nio.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"576\" height=\"1024\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Flexal.jpeg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Flexal-576x1024.jpeg 576w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Flexal-169x300.jpeg 169w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Flexal-768x1366.jpeg 768w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Flexal-864x1536.jpeg 864w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Flexal.jpeg 899w\" sizes=\"(max-width: 576px) 100vw, 576px\"><figcaption><em>Casa de Ant\u00f4nio dos Santos, em Flexal, teve que ser abandonada. Foto: Arquivo Pessoal<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<h2>Di\u00e1spora e identidade<\/h2>\n<p>O desastre clim\u00e1tico do Rio Grande do Sul e urbano em Macei\u00f3 destacam a gravidade das crises de deslocados internos, v\u00edtimas do agroneg\u00f3cio predat\u00f3rio. No artigo<a href=\"https:\/\/mst.org.br\/2024\/05\/09\/a-culpa-nao-e-do-clima-o-extremo-climatico-no-rio-grande-do-sul-nao-e-isolado\/\"> A culpa n\u00e3o \u00e9 do clima: o extremo clim\u00e1tico no Rio Grande do Sul n\u00e3o \u00e9 isolado<\/a>, publicado pelo Plano Nacional \u201cPlantar \u00c1rvores, Produzir Alimentos Saud\u00e1veis\u201d, o debate trazido fala sobre como a crise ambiental tem suas origens no pr\u00f3prio modo com que o sistema organiza a rela\u00e7\u00e3o entre o ser humano e a natureza.<\/p>\n<p>Do ponto de vista internacional, neste Dia Mundial do Refugiado, o MST traz a reflex\u00e3o sobre as dificuldades enfrentadas por milh\u00f5es de pessoas ao redor do mundo, mas tamb\u00e9m se coloca diante de como esta crise tem bases s\u00f3lidas em como o mundo est\u00e1 colocado. A solidariedade, internacionalista, \u00e9 parte das solu\u00e7\u00f5es que precisam ser efetivadas, mas a quest\u00e3o exige uma resposta coordenada para que as pessoas n\u00e3o tenham que fugir de seus locais de origem para encontrar seguran\u00e7a e dignidade.<\/p>\n<p>\u201cNeste Dia do Refugiado, \u00e9 importante pensar na \u00c1frica e no silenciamento que a geopol\u00edtica imp\u00f5e a este continente. Temos uma vis\u00e3o romantizada demais da \u00c1frica, que foca apenas em sua fauna e flora, invisibilizando os processos de emancipa\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora. A situa\u00e7\u00e3o de ser refugiado n\u00e3o \u00e9 o in\u00edcio, mas a consequ\u00eancia de a\u00e7\u00f5es anteriores. No Ocidente, ouvimos muito sobre guerras, mas \u00e9 necess\u00e1rio entender as ra\u00edzes desses conflitos e suas consequ\u00eancias\u201d, finalizou Elizabeth Cerqueira.<\/p>\n<p>Em declara\u00e7\u00e3o em prepara\u00e7\u00e3o \u00e0 reuni\u00e3o do G7, o Subsecret\u00e1rio-geral para Assuntos Humanit\u00e1rios e Coordenador de Ajuda de Emerg\u00eancia da ONU, Martin Griffiths, disse que a ajuda humanit\u00e1ria n\u00e3o \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o para os conflitos e que os pa\u00edses do G7 \u201cdevem usar imediatamente a sua influ\u00eancia pol\u00edtica substancial e os seus recursos financeiros para que as organiza\u00e7\u00f5es de ajuda possam chegar a todas as pessoas necessitadas\u201d.<\/p>\n<p>A intersec\u00e7\u00e3o entre as datas do Dia do Refugiado e Dia do Imigrante no Brasil, de certa forma, destaca a import\u00e2ncia de promover a compreens\u00e3o e a empatia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s diversas formas de deslocamento humano. Ambas alertam sobre a responsabilidade coletiva em acolher e apoiar aqueles que chegam a novos pa\u00edses em busca de seguran\u00e7a, dignidade e oportunidade. Ao reconhecer as contribui\u00e7\u00f5es e os desafios tanto de refugiados quanto de imigrantes, reafirmamos a humanidade comum que compartilhamos e fortalecemos, como brasileiros, como Sem Terra, na cultura e diversidade entre os povos.<\/p>\n<p><em>*Texto publicado originalmente em 2024<\/em><\/p>\n<p>**<em>Editado por Solange Engelmann<\/em><\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/mst.org.br\/2026\/06\/20\/desafios-humanitarios-um-olhar-sobre-o-dia-mundial-do-refugiado-e-o-dia-do-imigrante-2\/\">Desafios humanit\u00e1rios: um olhar sobre o Dia Mundial do Refugiado e o Dia do Imigrante<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/mst.org.br\/\">MST<\/a>.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/indiciamento-de-jair-bolsonaro-e-eduardo-repercute-na-imprensa-internacional\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; 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