{"id":92999,"date":"2026-06-22T22:43:06","date_gmt":"2026-06-23T01:43:06","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/transporte-publico-um-novo-horizonte-se-abre\/"},"modified":"2026-06-22T22:43:06","modified_gmt":"2026-06-23T01:43:06","slug":"transporte-publico-um-novo-horizonte-se-abre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/transporte-publico-um-novo-horizonte-se-abre\/","title":{"rendered":"Transporte P\u00fablico: um novo horizonte se abre?"},"content":{"rendered":"<figure><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"956\" height=\"500\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/lotado.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/lotado.jpg 956w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/lotado-300x157.jpg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/lotado-768x402.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 956px) 100vw, 956px\"><figcaption>Foto: jornal O Hoje<\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<p><imgsrc=\"\" width=\"1\" height=\"1\" alt=\".\" border=\"0\">\n<\/div>\n<\/div>\n<p>O presidente Lula sancionou, com vetos, a lei que institui o novo Marco Legal para o Transporte P\u00fablico Coletivo no pa\u00eds. Aprovado pelo Congresso Nacional em maio, o texto promove uma s\u00e9rie de mudan\u00e7as na organiza\u00e7\u00e3o do setor. Em tramita\u00e7\u00e3o h\u00e1 seis anos, o projeto \u2014 considerado por especialistas um dos mais importantes para a regula\u00e7\u00e3o do transporte p\u00fablico brasileiro \u2014 passa agora a ser a lei federal (Lei n\u00ba 15.432\/2026). O Marco entra em vigor daqui a um ano. At\u00e9 l\u00e1, o texto aprovado ainda precisar\u00e1 ser detalhado por decretos e programas espec\u00edficos, sob coordena\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio das Cidades. Estados e munic\u00edpios, por sua vez, ter\u00e3o esse per\u00edodo para adaptar seus regulamentos, editais e contratos \u00e0s novas diretrizes nacionais.<\/p>\n<p>\u00c9 uma mudan\u00e7a significativa para o transporte p\u00fablico brasileiro. Enquanto a Pol\u00edtica Nacional de Mobilidade Urbana (PNMU), institu\u00edda em 2012, estabeleceu que o transporte coletivo e a mobilidade ativa devem ser prioridades \u2014 e que, por ser de certa forma uma \u201ccarta de inten\u00e7\u00f5es\u201d, pode ser ignorada por falta de mecanismos de puni\u00e7\u00e3o ou condicionantes espec\u00edficos \u2014 o Marco Legal cria um novo ordenamento jur\u00eddico. Ou seja, seguindo as diretrizes da PNMU, altera a forma como o Estado contrata as empresas, substituindo antigas concess\u00f5es por contratos de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os, pre\u00e7os fixados em edital e metas de qualidade.<\/p>\n<p>Para o pesquisador Daniel Santini, o novo Marco representa um avan\u00e7o capaz de abrir novos horizontes para o setor, embora ainda deixe lacunas importantes. Autor dos livros \u201cSem Catraca: da utopia \u00e0 realidade da Tarifa Zero (2024)\u201d e \u201cPasse Livre: as possibilidades da Tarifa Zero contra a Distopia da Uberiza\u00e7\u00e3o (2019)\u201d, Santini \u00e9 coordenador de projetos na Funda\u00e7\u00e3o Rosa Luxemburgo e uma refer\u00eancia nos estudos de mobilidade urbana no Brasil. Ele conta que a caminhada para aprovar o novo Marco deu-se sobre um terreno \u00e1rido. Houve um esfor\u00e7o ativo do governo federal em dialogar com a sociedade civil, por meio de processos abertos e participativos, aponta Santini. S\u00f3 que, ao mesmo tempo, o setor privado tamb\u00e9m se mexeu fortemente para garantir contratos longos, com condi\u00e7\u00f5es bem generosas \u2014 um modelo que tamb\u00e9m concentra poder e abre brechas na fiscaliza\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<div>\n<div><imgsrc=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/14--35.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/14--35.png 680w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/14-1-300x110.png 300w\" sizes=\"(max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Aprovado pelo Congresso em maio, o texto chegou a perder, durante a tramita\u00e7\u00e3o no Senado e sob press\u00e3o do lobby empresarial, dispositivos considerados cruciais para reequilibrar a rela\u00e7\u00e3o entre prefeituras e operadoras. Entre eles estavam o controle p\u00fablico sobre as garagens e a amplia\u00e7\u00e3o da atua\u00e7\u00e3o do Cade na fiscaliza\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas anticompetitivas no setor. O n\u00f3 da disputa ficou por conta da remunera\u00e7\u00e3o: enquanto a sociedade civil defendeu o pagamento por oferta, baseado no custo por quil\u00f4metro rodado, as empresas insistiram na l\u00f3gica da demanda, atrelada ao n\u00famero de passageiros. Assim, podem garantir subs\u00eddios e margens de lucro sem assumir, de fato, o compromisso com a qualidade do servi\u00e7o. O novo Marco era visto pelas empresas do setor como uma forma de manter seus privil\u00e9gios e, ao mesmo tempo, como uma \u201cjanela de oportunidade\u201d para disputar o or\u00e7amento p\u00fablico diante da crise profunda e estrutural do transporte p\u00fablico no pa\u00eds, especialmente a partir da pandemia.<\/p>\n<p><strong>A crise, a \u201cpegadinha\u201d e o ponto final<\/strong><\/p>\n<p>As catracas rodam menos. Dados de 2024 da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Transportes (CNT) revelam um \u201c\u00eaxodo\u201d: 29,4% dos usu\u00e1rios abandonaram o transporte p\u00fablico desde 2017, e outros 27,5% reduziram a frequ\u00eancia de uso. Esse movimento de fuga \u00e9 impulsionado por uma combina\u00e7\u00e3o perversa de tarifas elevadas, frota sucateada, baixa flexibilidade, longo tempo de espera e viagem, e uma percep\u00e7\u00e3o generalizada de servi\u00e7os de baixa confiabilidade. A perda de passageiros \u00e9 causada n\u00e3o somente pelo servi\u00e7o prec\u00e1rio, mas tamb\u00e9m pelos cortes de linhas implementados para manter o \u201cequil\u00edbrio financeiro\u201d dos contratos. Com isso, a oferta de transporte encolhe, o servi\u00e7o piora e mais usu\u00e1rios abandonam o sistema. A percep\u00e7\u00e3o p\u00fablica confirma esse cen\u00e1rio: a pesquisa Agenda Urbana 2024, realizada pela ONU-Habitat, apontou que 44% dos brasileiros identificam a mobilidade como o principal desafio de suas cidades. Em S\u00e3o Paulo, esse sentimento \u00e9 mais agudo: 64,8% dos entrevistados consideram absurdo o tempo de espera no transporte p\u00fablico.\u00a0<\/p>\n<p>Com esta debandada de passageiros, as operadoras de transporte passaram a defender que as prefeituras e governos estaduais se tornassem seus \u201cclientes\u201d por meio de subs\u00eddios vultuosos. Havia, portanto, a \u201cpegadinha\u201d: manter a remunera\u00e7\u00e3o atrelada ao volume de passageiros, e n\u00e3o ao custo real da opera\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p>O Marco Legal busca colocar <em>um ponto final <\/em>nesta artimanha ao instituir o pagamento por oferta (quil\u00f4metro rodado), impedindo, por exemplo, que operadoras sacrifiquem linhas perif\u00e9ricas ou reduzam hor\u00e1rios para cortar custos e lucrar mais. Al\u00e9m disso, cria dispositivos para o passageiro deixar de ser o \u00fanico \u201cfinanciador\u201d do sistema. Parte da valoriza\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria gerada por obras p\u00fablicas, como metr\u00f4s e corredores de \u00f4nibus, poder\u00e1 ser direcionada para baratear as tarifas; e grandes empreendimentos, como shoppings ou centros comerciais, pagar taxas ou investir na infraestrutura local para compensar seus impactos na mobilidade urbana.<\/p>\n<p>Com o Marco, a gest\u00e3o dever\u00e1 ser orientada por indicadores de desempenho \u2014 como pontualidade, seguran\u00e7a e acessibilidade \u2014 e promove uma mudan\u00e7a estrutural no modelo de contrata\u00e7\u00e3o: substitui as antigas \u201cconcess\u00f5es\u201d por contratos de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os e pre\u00e7os fixados em editais de licita\u00e7\u00e3o, visando evitar \u201ccontratos prec\u00e1rios\u201d ou arranjos provis\u00f3rios prolongados que n\u00e3o oferecem seguran\u00e7a jur\u00eddica ou metas de qualidade. \u201cO que a gente precisa hoje s\u00e3o contratos menores. Contratos super longos, com garantias de lucro muito generosas e sistemas gigantescos, interessam apenas \u00e0s grandes empresas\u201d, sublinha Santini. \u201cS\u00e3o dif\u00edceis de fiscalizar, implicam uma concentra\u00e7\u00e3o de poder muito grande e trazem condi\u00e7\u00f5es bastante favor\u00e1veis \u00e0s empresas. O que a gente tem visto, a partir destes tipos de contratos, \u00e9 uma queda significativa na qualidade da opera\u00e7\u00e3o dos sistemas\u201d. Leia artigo do <em>Outras Cidades<\/em> que mostra como o setor de transporte p\u00fablico brasileiro \u00e9 dominado por 26 conglomerados.<\/p>\n<p>Para garantir a capilaridade da rede, o Marco autoriza subs\u00eddios cruzados\u00a0 \u2014 linhas ou servi\u00e7os que arrecadam mais podem ajudar a financiar aqueles que operam com preju\u00edzo \u2014 e estabelece a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica como pilar central, incentivando a substitui\u00e7\u00e3o gradual de combust\u00edveis f\u00f3sseis por fontes limpas. A medida tamb\u00e9m busca dar fim \u00e0 \u201ccaixa-preta\u201d das operadoras: imp\u00f5e transpar\u00eancia radical, obrigando a abertura de dados sobre custos, receitas e quilometragem para facilitar a fiscaliza\u00e7\u00e3o e o controle social \u2014 algo crucial para o Minist\u00e9rio das Cidades, que tenta resgatar o CIMUR (Sistema de Informa\u00e7\u00f5es sobre Mobilidade Urbana) para construir uma base de dados nacional confi\u00e1vel que permita ao governo federal, estados e munic\u00edpios monitorar a realidade do transporte em todo o pa\u00eds.<\/p>\n<div>\n<div><imgsrc=\"\" alt=\"\" width=\"728\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Para entender os vetos de Lula<\/strong><\/p>\n<p>Em suma, Daniel Santini avalia que os vetos presidenciais possuem uma fundamenta\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica clara e foram cruciais para evitar um \u201cretrocesso grave\u201d. O principal foi ao dispositivo que obrigaria estados e munic\u00edpios a custear integralmente gratuidades e descontos. \u00c0 primeira vista, parece fazer sentido: h\u00e1 a cria\u00e7\u00e3o de um custo e, logo, deveria haver um or\u00e7amento reservado para cobri-lo. \u201cO problema \u00e9 que <em>gratuidade n\u00e3o \u00e9 custo<\/em>\u201d, aponta o pesquisador. A gratuidade para idosos, cita ele, ilustra como o custo do transporte \u00e9 essencialmente operacional: um \u00f4nibus em circula\u00e7\u00e3o custa o mesmo, independentemente de transportar apenas benefici\u00e1rios ou passageiros pagantes. Direitos sociais, portanto, n\u00e3o podem ser convertidos pelas empresas em um suposto \u201ccusto vari\u00e1vel\u201d para justificar a amplia\u00e7\u00e3o de subs\u00eddios.<\/p>\n<p>Quanto ao veto \u00e0 obrigatoriedade de subs\u00eddios federais para tarifas locais, Santini considera a medida \u201crazo\u00e1vel\u201d: h\u00e1 cautela do governo federal para n\u00e3o criar despesas permanentes sem previs\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria imediata. No entanto, ressalta que a luta para garantir fontes de financiamento dos governos federal, estaduais e municipais deve continuar como um dos caminhos para estruturar adequadamente o sistema. J\u00e1 o veto \u00e0 isen\u00e7\u00e3o de ped\u00e1gio para \u00f4nibus em rodovias estaduais e municipais seria outro cuidado do governo para evitar interfer\u00eancias indevidas na gest\u00e3o de outros entes federativos.<\/p>\n<p>Quanto ao veto presidencial \u00e0 vincula\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria da Cide-Combust\u00edveis, ele n\u00e3o sepulta o debate sobre o financiamento do setor. Para Daniel Santini, essa \u00e9 uma disputa em aberto no Congresso, pois acredita que h\u00e1 uma compreens\u00e3o cada vez maior de que vincular o financiamento da mobilidade sustent\u00e1vel \u00e0 tributa\u00e7\u00e3o de modos poluentes trar\u00e1 grandes benef\u00edcios para a sociedade. \u201cVoc\u00ea quer andar sozinho em uma SUV gigante, movida a diesel, com duas toneladas? Tudo bem, voc\u00ea tem esse direito\u201d, exemplifica o pesquisador. \u201cMas isso provoca uma s\u00e9rie de externalidades para a sociedade, e \u00e9 razo\u00e1vel que esse custo n\u00e3o seja coletivizado, mas assumido de maneira individual. Ao mesmo tempo, a gente tem que premiar, beneficiar e estimular quem utiliza o transporte p\u00fablico coletivo ou opta pela mobilidade ativa\u201d.<\/p>\n<p><strong>Mordedura da lei e luta pela Tarifa Zero<\/strong><\/p>\n<p>Santini enxerga muitas fragilidades; a principal: o novo Marco \u201cn\u00e3o tem dentes\u201d. Cita a Pol\u00edtica Nacional de Mobilidade Urbana, que prev\u00ea <em>textualmente<\/em> que o transporte coletivo e a mobilidade ativa devem ser prioridades. Mas, passados quase quinze anos de sua aprova\u00e7\u00e3o, o que se v\u00ea \u00e9 o oposto: \u201cinvestimentos em obras para atender carros e motos, com uma expans\u00e3o muito significativa das estruturas f\u00edsicas voltadas a ampliar o espa\u00e7o para a circula\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos motorizados privados, e muito pouco esfor\u00e7o para construir infraestrutura para os \u00f4nibus e para os sistemas de transporte sobre trilhos\u201d, avalia ele. \u201cEm S\u00e3o Paulo, por exemplo, n\u00e3o foram feitos corredores exclusivos de \u00f4nibus neste per\u00edodo nem avan\u00e7aram as pol\u00edticas de infraestrutura para bicicletas. H\u00e1 casos muito concretos que mostram que <em>regras sem dentes<\/em>, sem mecanismos de puni\u00e7\u00e3o e sem condicionantes podem ser solenemente ignoradas\u201d.<\/p>\n<p>No ano passado, uma expectativa \u2014 n\u00e3o totalmente ing\u00eanua \u2014 tomou conta do debate. Diante da atual<em> onda de tarifas zero<\/em> em v\u00e1rias partes do Brasil, apesar de limitada a pequenas e m\u00e9dias cidades, o presidente Lula encomendou ao Minist\u00e9rio da Fazenda um estudo interno sobre a viabilidade da tarifa zero em todo o territ\u00f3rio nacional. A inten\u00e7\u00e3o seria buscar uma nova \u201cmarca de gest\u00e3o\u201d no mesmo patamar do Bolsa Fam\u00edlia, Prouni, Mais M\u00e9dicos e Minha Casa Minha Vida? Paralelamente, outro estudo, encomendado pela Frente Parlamentar em Defesa da Tarifa Zero, que re\u00fane 184 deputados, demonstrava a viabilidade da gratuidade universal e, tamb\u00e9m, propunha um \u201cmeio-termo\u201d provis\u00f3rio: uma reforma na pol\u00edtica do vale-transporte que, a princ\u00edpio, beneficiaria apenas a popula\u00e7\u00e3o de baixa renda inscrita no Cad\u00danico \u2014 o que atenderia 24 milh\u00f5es de brasileiros. E a implementa\u00e7\u00e3o poderia ser iniciada j\u00e1 em 2026! Leia artigo do <em>Outras Cidades<\/em> sobre o tema.\u00a0<\/p>\n<p>Pois bem. Nada disso veio.<\/p>\n<p>No horizonte de lutas sociais continua, claro, a Tarifa Zero, com o potencial de transformar a l\u00f3gica do transporte p\u00fablico: em vez de ser tratado apenas como mercadoria, ele pode passar a ser entendido como uma infraestrutura essencial para reduzir desigualdades, enfrentar a crise clim\u00e1tica, diminuir congestionamentos, salvar vidas no tr\u00e2nsito, promover bem-estar coletivo etc\u2026 \u2014 embora Santini destaque que a Tarifa Zero \u201cn\u00e3o resolve tudo\u201d: \u201c\u00e9 uma base, um marco sem\u00e2ntico para mudar as prioridades, mas ela deve vir acompanhada de aumento da oferta, de qualidade e de um trabalho para garantir efetivamente o transporte p\u00fablico para as pessoas\u201d.<\/p>\n<p>Neste sentido, outra frente de batalha est\u00e1 aberta e exige mobiliza\u00e7\u00e3o popular. Tramita no Congresso a PEC 25\/2023, de autoria da deputada Lu\u00edsa Erundina, que prop\u00f5e a cria\u00e7\u00e3o do Sistema \u00danico de Mobilidade (SUM). O diagn\u00f3stico da PEC \u00e9 claro: hoje, o peso do transporte p\u00fablico recai quase inteiramente sobre os passageiros, por meio da tarifa. A proposta defende que esse custo seja compartilhado por toda a sociedade, com repasses do governo federal aos munic\u00edpios. A justificativa se apoia em tr\u00eas pontos: os usu\u00e1rios s\u00e3o, em sua maioria, a parcela mais vulner\u00e1vel da popula\u00e7\u00e3o; o transporte p\u00fablico beneficia at\u00e9 quem n\u00e3o o utiliza, ao garantir o funcionamento da cidade e a fluidez do tr\u00e2nsito; e a Uni\u00e3o, por concentrar a maior parte dos recursos p\u00fablicos, tem condi\u00e7\u00f5es \u2014 e dever \u2014 de contribuir, sobretudo com os munic\u00edpios mais pobres.<\/p>\n<p>O SUM funcionaria nos moldes do SUS: uma gest\u00e3o compartilhada entre Uni\u00e3o, estados e munic\u00edpios, que juntos arcariam com os custos e a administra\u00e7\u00e3o do transporte p\u00fablico nas cidades. Na pr\u00e1tica, isso abriria caminho para mudan\u00e7as significativas: redu\u00e7\u00e3o \u2014 e at\u00e9 gratuidade \u2014 das tarifas em alguns casos; renova\u00e7\u00e3o da frota com \u00f4nibus el\u00e9tricos, mais confort\u00e1veis e menos poluentes; melhoria da infraestrutura urbana, como terminais, esta\u00e7\u00f5es, pontos de \u00f4nibus, cal\u00e7adas, corredores e faixas exclusivas; maior integra\u00e7\u00e3o entre redes municipais e intermunicipais; e, por fim, amplia\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o popular nas decis\u00f5es sobre gest\u00e3o e controle do servi\u00e7o.<\/p>\n<p>A PEC, no entanto, enfrenta forte resist\u00eancia de seus opositores, que tentam impedir sua vota\u00e7\u00e3o na Comiss\u00e3o de Constitui\u00e7\u00e3o e Justi\u00e7a e de Cidadania (CCJC). Est\u00e3o conseguindo,<em> por enquanto<\/em>.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. Se voc\u00ea valoriza nossa produ\u00e7\u00e3o, seja nosso apoiador e fortale\u00e7a o jornalismo cr\u00edtico: <strong>apoia.se\/outraspalavras<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>The post Transporte P\u00fablico: um novo horizonte se abre? appeared first on Outras Palavras.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/harmonia-entre-estados-e-a-forma-mais-eficaz-de-construir-parcerias-produtivas-diz-lula\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/lula-montenegro_Foto-Ricardo-Stuckert-_-PR1-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Harmonia entre Estados \u00e9 a forma mais eficaz de co...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/isencao-do-imposto-de-renda-ate-r-5-mil-sera-votado-na-quarta\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Isen\u00e7\u00e3o do Imposto de Renda at\u00e9 R$ 5 mil ser\u00e1 vota...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/a-hora-de-enfrentar-o-eixo-motta-globo-lira-emendas\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">A hora de enfrentar o eixo Motta-Globo-Lira-emenda...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/votacao-na-camara-de-porto-alegre-que-abria-brecha-para-privatizacao-do-dmae-e-suspensa\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Vota\u00e7\u00e3o na C\u00e2mara de Porto Alegre que abria brecha...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diante da perda de passageiros, passagem cara e p\u00e9ssimo servi\u00e7o, transporte p\u00fablico ganha novo marco regulat\u00f3rio. Ataca distor\u00e7\u00f5es que geram lucros obscenos ao setor privado e exige transpar\u00eancia radical. Pode ser o primeiro passo para a tarifa zero? Como garantir seu cumprimento?<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/outras-cidades\/transporte-publico-um-novo-horizonte-se-abre\/\">Transporte P\u00fablico: um novo horizonte se abre?<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":93000,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[70233,70234,70235,485,30105,70236,31949,70237,663,345],"tags":[],"class_list":["post-92999","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cide-combustiveis","category-cimur","category-marco-legal-para-o-transporte-publico-coletivo","category-ministerio-das-cidades","category-outras-cidades","category-politica-nacional-de-mobilidade-urbana","category-sistema-unico-de-mobilidade","category-sum","category-tarifa-zero","category-transporte-publico"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/92999","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=92999"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/92999\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/93000"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=92999"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=92999"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=92999"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}