{"id":93307,"date":"2026-06-25T16:08:13","date_gmt":"2026-06-25T19:08:13","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/a-rebeldia-e-o-marxismo-de-pagu\/"},"modified":"2026-06-25T16:08:13","modified_gmt":"2026-06-25T19:08:13","slug":"a-rebeldia-e-o-marxismo-de-pagu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/a-rebeldia-e-o-marxismo-de-pagu\/","title":{"rendered":"A rebeldia e o marxismo de Pagu"},"content":{"rendered":"<figure><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"600\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/photo_5039685132045978704_x.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/photo_5039685132045978704_x.jpg 800w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/photo_5039685132045978704_x-300x225.jpg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/photo_5039685132045978704_x-768x576.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\"><figcaption>Imagem: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Document\u00e1rio \u2018Eh Pagu Eh\u201d, de Ivo Branco.<\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<p><imgsrc=\"\" width=\"1\" height=\"1\" alt=\".\" border=\"0\">\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Por<strong> Walnice Nogueira Galv\u00e3o<\/strong>, no <em>Dicion\u00e1rio Marxismo na Am\u00e9rica<\/em><\/p>\n<h3><strong>1 \u2013 Vida e pr\u00e1xis pol\u00edtica<\/strong><\/h3>\n<p>Paulista do interior, Patr\u00edcia Rehder Galv\u00e3o, que seria conhecida como Pagu, foi criada na capital, para onde seus pais se transferiram quando ela tinha 2 anos. Era filha de Ad\u00e9lia Rehder e Thiers Galv\u00e3o de Fran\u00e7a, advogado e jornalista, sendo Pagu a terceira de tr\u00eas irm\u00e3os: Concei\u00e7\u00e3o, Homero e Sid\u00e9ria (esta \u00faltima seria pelo resto da vida uma aliada, confidente e c\u00famplice). Iniciou os estudos no Grupo Escolar da Liberdade, \u00e0 rua Galv\u00e3o Bueno.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s frequentar a Escola Normal do Br\u00e1s, bairro em que residia, formou-se em 1928 pela Escola Normal Caetano de Campos, na Pra\u00e7a da Rep\u00fablica (Centro de S\u00e3o Paulo), diploma que habilitava ao ensino de crian\u00e7as, na escola prim\u00e1ria. Fen\u00f4meno recente no panorama brasileiro, a \u201cnormalista\u201d abria a perspectiva da emancipa\u00e7\u00e3o feminina atrav\u00e9s do trabalho. Simultaneamente, Pagu assistiu aulas no Conservat\u00f3rio Musical.<\/p>\n<div>\n<div><imgsrc=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Prancheta--36.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Prancheta--36.png 680w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Prancheta-4-300x110.png 300w\" sizes=\"(max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Por este tempo, Pagu foi apresentada por Raul Bopp a Tarsila do Amaral e Oswald de Andrade, figuras de proa do Modernismo. Com sua formosura juvenil, charme e comportamento inconvencional, Pagu abalou o cen\u00e1culo modernista; a exuber\u00e2ncia da cabeleira, a boca polpuda, os olhos derramados \u2013 registrados no c\u00e9lebre poema que lhe dedicou Raul Bopp, \u201cCoco Pagu\u201d \u2013 tornaram-se sua marca registrada. Rec\u00e9m-sa\u00edda de um concurso de beleza em sua cidade natal, a mo\u00e7a foi tragada pelo turbilh\u00e3o da sociabilidade modernista, brilhando em festas e saraus paulistanos nos quais declamava a poesia de seus novos amigos.<\/p>\n<p>Em 1929, Pagu e Oswald de Andrade passaram a viver juntos. Num gesto t\u00edpico de esc\u00e2ndalo modernista, celebrariam sua uni\u00e3o numa cerim\u00f4nia de casamento ao p\u00e9 do jazigo da fam\u00edlia de Oswald, no Cemit\u00e9rio da Consola\u00e7\u00e3o. Dessa uni\u00e3o, com cinco anos de dura\u00e7\u00e3o, nasceu um filho, Rud\u00e1 Poronominare Galv\u00e3o de Andrade. Pagu participaria intensamente da fase antropof\u00e1gica do Modernismo e prestaria colabora\u00e7\u00e3o \u00e0 <em>Revista de Antropofagia<\/em> com desenhos, contos e poemas<em>.<\/em><\/p>\n<p>No ano seguinte, ela viajou de navio a Buenos Aires, no intuito de participar de um recital e tentar encontrar Luiz Carlos Prestes, que ali vivia em ex\u00edlio, mas n\u00e3o o encontrou. Entretanto, durante o percurso, fez amizade com Zorrilla de San Martin e travou contatos na \u00e1rea liter\u00e1ria com o grupo de escritores da revista <em>Sur<\/em>: Jorge Luis Borges, Victoria Ocampo, Eduardo Mallea. \u00c0 volta, ela trouxe livros e outros materiais marxistas. J\u00e1 em S\u00e3o Paulo, Astrojildo Pereira, intelectual fundador do PCB, procura o casal. Pagu, cativada, passou a traduzir panfletos a seu pedido, declarando com entusiasmo dedicar-se doravante \u00e0 \u201ccausa dos oprimidos\u201d.<\/p>\n<p>Com a crise econ\u00f4mica que estourara em 1929, abriu-se passo a uma reconfigura\u00e7\u00e3o de for\u00e7as, com radicaliza\u00e7\u00e3o de intelectuais, \u00e0 direita e \u00e0 esquerda. Encerrava-se a d\u00e9cada de eclos\u00e3o e fast\u00edgio do Modernismo, baseada numa fus\u00e3o de vanguardistas com mecenas cafeicultores. Nesse processo, em 1931 Patr\u00edcia e Oswald filiaram-se ao Partido Comunista do Brasil (PCB) e passaram a militar pela revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ainda em 1931, o casal fundou o tabloide <em>O Homem do Povo<\/em>, que duraria apenas oito n\u00fameros. Hostilizado pelos estudantes da vizinha Faculdade de Direito \u2013 que chegaram a invadir a reda\u00e7\u00e3o \u2013, acabou proibido por ordem policial. Ap\u00f3s o fechamento do peri\u00f3dico, Pagu e Oswald decidiram embarcar para Montevid\u00e9u, onde finalmente se encontraram com Prestes. Juntos, passariam dias conversando, tendo formado uma forte conex\u00e3o. Pagu data deste encontro sua convers\u00e3o definitiva \u00e0 luta pol\u00edtica socialista, tal o poder de convic\u00e7\u00e3o do l\u00edder. Sentindo-se ignorante, da\u00ed em diante Pagu procurou estudar, e mergulhou na milit\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Sua primeira pris\u00e3o se deu nesse ano de 1931, em Santos \u2013 maior porto do Brasil, escoadouro da riqueza principal de ent\u00e3o, o caf\u00e9 \u2013, quando participou de uma greve ap\u00f3s ser designada para militar na organiza\u00e7\u00e3o do Socorro Vermelho. Logo solta, trabalhando como oper\u00e1ria, discursou no palanque do com\u00edcio de uma greve de estivadores e foi novamente presa quando acudia um manifestante baleado pela pol\u00edcia. O epis\u00f3dio ganhou primeira p\u00e1gina em <em>A Tribuna, <\/em>de Santos, com o nome de Patr\u00edcia Galv\u00e3o em manchete sensacionalista e acusadora. \u00c9 deste evento que data sua reputa\u00e7\u00e3o de ser a primeira mulher presa pol\u00edtica no Brasil. Contudo, a rea\u00e7\u00e3o do PCB diante do esc\u00e2ndalo armado pela m\u00eddia foi negativa: a origem pequeno-burguesa de Pagu seria atacada num manifesto que desautorizava sua atua\u00e7\u00e3o \u2013 como agitadora individual \u2013 no palanque do com\u00edcio.<\/p>\n<p>O per\u00edodo que se segue \u00e9 de dificuldades para Pagu e Oswald. A pol\u00edcia mant\u00e9m constante vigil\u00e2ncia sobre suas a\u00e7\u00f5es, for\u00e7ando-os a redobrar os cuidados. Ent\u00e3o, em 1932, o PCB recomenda a transfer\u00eancia dela para o Rio de Janeiro. Iniciou-se ent\u00e3o sua fase carioca. Vivendo em um corti\u00e7o, viu-se proibida pelo partido de trabalhar no <em>Di\u00e1rio da Noite<\/em>, por ser esta uma atividade considerada \u201cintelectual\u201d \u2013 enquanto o PCB considerava necess\u00e1rio que ela passasse por um processo de \u201cproletariza\u00e7\u00e3o\u201d. Depois de procurar em ag\u00eancias e tentar coloca\u00e7\u00f5es como empregada dom\u00e9stica ou de f\u00e1brica, conseguiu um posto como lanterninha de cinema na Cinel\u00e2ndia, passando a agir na organiza\u00e7\u00e3o de um sindicato dos trabalhadores de cinema e casas de divers\u00e3o. Descoberta pelos patr\u00f5es, foi despedida, indo ent\u00e3o trabalhar como oper\u00e1ria numa metal\u00fargica. Em seguida, foi nomeada para a Confer\u00eancia Nacional do PCB e designada para participar da seguran\u00e7a \u2013 o que lhe trouxe muita alegria, refor\u00e7ando sua f\u00e9 na luta pol\u00edtica e no comunismo.<\/p>\n<div>\n<div><imgsrc=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/banner.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/banner.jpg 728w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/banner-300x37.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 728px) 100vw, 728px\" width=\"728\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Nessa metal\u00fargica, ela organizou duas c\u00e9lulas, mas, ao adoecer, perdeu o emprego, ficando em situa\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria. Assim, o PCB ordenou que voltasse a S\u00e3o Paulo e passasse a militar no meio intelectual. Corria o ano de 1932; na esteira do movimento separatista de S\u00e3o Paulo, ela e Oswald receberam ordem de pris\u00e3o e passam \u00e0 clandestinidade. Neste contexto, o partido \u2013 que ent\u00e3o vivia sua fase \u201cobreirista\u201d (de valoriza\u00e7\u00e3o de oper\u00e1rios na dire\u00e7\u00e3o, em detrimento de intelectuais) \u2013 abriu uma campanha contra os \u201cintelectuais pequeno-burgueses\u201d, gerando a indigna\u00e7\u00e3o de Pagu, que recebe um \u201cbilhete de afastamento\u201d.<\/p>\n<p>Recolhe-se ent\u00e3o para escrever, refletindo sobre sua experi\u00eancia como trabalhadora prolet\u00e1ria. Em 1933, sob o pseud\u00f4nimo de Mara Lobo, publicou <em>Parque industrial: romance prolet\u00e1rio<\/em>, obra ao mesmo tempo comunista, modernista e feminista.<\/p>\n<p>Em seguida, Pagu, Oswald e o filho mudaram-se para o Rio, indo morar na ilha de Paquet\u00e1. Ela buscou isolamento e aguardou que o Partido a chamasse de volta. Com efeito, logo seria nomeada para um \u00f3rg\u00e3o secreto da Internacional Comunista \u2013 ao qual mais tarde se referiria como \u201cComit\u00ea Fantasma\u201d. Sentiu-se honrada, mas acabou por se insurgir quando recebeu a miss\u00e3o de obter informa\u00e7\u00f5es sobre o governo, usando de seu poder de sedu\u00e7\u00e3o. Afastando-se deste comit\u00ea clandestino, reintegrou-se \u00e0 milit\u00e2ncia ordin\u00e1ria, antes de receber ordens de viajar, saindo do Brasil.<\/p>\n<p>Logo encetou seu grande p\u00e9riplo (1933-1934). Tendo visitado Estados Unidos, Jap\u00e3o, China e R\u00fassia, al\u00e9m de pa\u00edses da Europa, da viagem enviaria correspond\u00eancias para o <em>Correio da Manh\u00e3 <\/em>e<em> o Di\u00e1rio de Not\u00edcias, <\/em>ambos do Rio, e para o<em> Di\u00e1rio da Noite,<\/em> de S\u00e3o Paulo. Nesse itiner\u00e1rio, teve contato com surrealistas franceses e ficou admirada com as realiza\u00e7\u00f5es da Revolu\u00e7\u00e3o Russa, apesar da mis\u00e9ria que tamb\u00e9m observou. Uma vez em Paris, Pagu mergulhou no ativismo pol\u00edtico, tratando de afiliar-se ao Partido Comunista Franc\u00eas. Era a \u00e9poca de for\u00e7a das esquerdas, coligadas no <em>Front Populaire<\/em>, e da luta contra o nazifascismo em ascens\u00e3o. Foi hospedada pela cantora modernista brasileira Elsie Houston, que era casada com Benjamin P\u00e9ret, do n\u00facleo surrealista. Entrou assim em contato com Andr\u00e9 Breton, Paul \u00c9luard, Ren\u00e9 Crevel, Louis Aragon. Tornou-se aluna da <em>Universit\u00e9 Populaire<\/em>, tendo aulas com, entre outros, Politzer e Paul Nizan, fazendo cursos de Economia Pol\u00edtica e Materialismo Hist\u00f3rico. Trabalhou como tradutora e redatora do peri\u00f3dico <em>L\u00b4Avant-Garde<\/em>, e participou de grupos de autodefesa, que faziam seguran\u00e7a nos com\u00edcios. Por\u00e9m, identificada pela repress\u00e3o, acabaria por ser presa e deportada ao Brasil, gra\u00e7as \u00e0 interven\u00e7\u00e3o do embaixador Souza Dantas. Por esta \u00e9poca, separou-se definitivamente de Oswald.<\/p>\n<p>Foi no rescaldo do Levante Comunista de 1935 que Pagu, arribando de sua viagem, seria presa mais uma vez. Em 1937 conseguiu fugir \u2013 do Hospital da Cruz Azul, para onde fora transferida \u2013, sendo por\u00e9m novamente presa em 1938. Processada e condenada pelo Tribunal de Seguran\u00e7a Nacional, s\u00f3 seria libertada em 1940, deixando o c\u00e1rcere exaurida e muito magra.<\/p>\n<p>Rompeu ent\u00e3o com o PCB, que por sua vez a expulsou por insubordina\u00e7\u00e3o. Em 1940, iniciou-se sua uni\u00e3o com Geraldo Ferraz, escritor e jornalista, com quem viveria at\u00e9 o fim de seus dias. Da uni\u00e3o nasceria outro filho, Geraldo Galv\u00e3o Ferraz, em 1941.<\/p>\n<p>Em 1942, retomou, para n\u00e3o mais deix\u00e1-lo, o jornalismo, seu ganha-p\u00e3o e canal de express\u00e3o. Come\u00e7ou a trabalhar na ag\u00eancia de not\u00edcias <em>France-Presse <\/em>em 1945, ali permanecendo por um dec\u00eanio, e entrou para o corpo de reda\u00e7\u00e3o da <em>Vanguarda Socialista<\/em>, fundada por M\u00e1rio Pedrosa, que congregaria a nata da intelectualidade trotskista. Ainda neste ano, publicou <em>A famosa revista<\/em>, livro escrito a quatro m\u00e3os com o esposo. J\u00e1 mais distante da est\u00e9tica modernista de <em>Parque industrial<\/em>, abandonou o fragmento em prol do discurso cont\u00ednuo, mantendo todavia uma linguagem inovadora e incisiva, demolidora de lugares-comuns.<\/p>\n<p>Depois, Pagu ingressou no pequeno Partido Socialista, pelo qual foi candidata a deputada estadual em 1950. Na campanha, publicou a plaquete <em>Verdade e liberdade<\/em>, expondo os motivos que a levaram a romper com o PCB. Entre 1952 e 1953, frequentaria a Escola de Arte Dram\u00e1tica de S\u00e3o Paulo, hoje instalada na ECA-USP, para a qual deixaria em legado seus livros de teatro.<\/p>\n<p>\u00c0 \u00e9poca, escreveria em v\u00e1rios jornais da grande imprensa e acabaria por fixar resid\u00eancia em Santos, onde viveu desde 1954 at\u00e9 morrer \u2013 acompanhando sempre a cena cultural, visitando exposi\u00e7\u00f5es, teatros, concertos, lendo livros novos e velhos, \u00e1gua para o moinho de seus escritos.<\/p>\n<p>Nessa fase de sua vida \u2013 a partir da sa\u00edda da pris\u00e3o em 1940, mas intensificando-se a partir da mudan\u00e7a para Santos \u2013, produziu cr\u00f4nicas, poemas, cr\u00edtica liter\u00e1ria, tradu\u00e7\u00f5es de fragmentos, coment\u00e1rios de artes pl\u00e1sticas, de teatro e de televis\u00e3o, artigos de pol\u00edtica nacional e internacional. Escreveu tamb\u00e9m sobre m\u00fasica de vanguarda nacional e estrangeira, promovendo jovens compositores eruditos de Santos, como Gilberto Mendes e Willy Corr\u00eaa de Oliveira, que ent\u00e3o estreavam. Pelo resto da vida se dedicaria ao jornalismo cultural e ao ativismo institucional em Santos, onde presidiu a Uni\u00e3o dos Teatros Amadores de Santos em 1951, e fundou o Centro de Estudos Fernando Pessoa em 1955. Fundou ainda a Associa\u00e7\u00e3o de Jornalistas Profissionais de Santos e o Teatro Universit\u00e1rio de Santos, em 1956. Com Paschoal Carlos Magno, criou em 1958 o Festival de Teatro Amador de Santos. Nesse per\u00edodo, dirigiu duas montagens teatrais em Santos com turn\u00ea em S\u00e3o Paulo \u2013 <em>Fando e Lis, <\/em>de Arrabal, e <em>A filha de Rapaccini, <\/em>de Octavio Paz \u2013, e traduziu <em>A cantora careca, <\/em>de Ionesco, para encena\u00e7\u00e3o na Escola de Arte Dram\u00e1tica de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Passada a fase modernista e militante, encerrada com sua liberta\u00e7\u00e3o do c\u00e1rcere \u2013 ap\u00f3s as experi\u00eancias de proletariza\u00e7\u00e3o e clandestinidade que viveu \u2013, a autora comunista e feminista romperia as amarras partid\u00e1rias. Mas seu esp\u00edrito libert\u00e1rio continuaria a empunhar a bandeira do socialismo e do modernismo \u2013 movimento de que guardou o esp\u00edrito cr\u00edtico irreverente, o amor \u00e0s artes e at\u00e9, \u00e0s vezes, a iconoclastia.<\/p>\n<p>Em 1960, acometida por um c\u00e2ncer de pulm\u00e3o, Pagu viajou a Paris para tentar um tratamento, que n\u00e3o teve bom resultado. Decepcionada com a situa\u00e7\u00e3o, decidiu acabar com sua vida, mas a tentativa de suic\u00eddio falhou. Ela ent\u00e3o regressou ao Brasil, e em 12 de dezembro de 1962 morreu em Santos, v\u00edtima da doen\u00e7a. Ap\u00f3s seu falecimento, a cidade onde se fixou e tanto labutou na \u00faltima fase de vida fez-lhe justa homenagem, ao consagrar e batizar a Casa de Cultura Patr\u00edcia Galv\u00e3o, da prefeitura de Santos. Mais tarde, em 2011, Pagu seria agraciada com a Medalha do M\u00e9rito Cultural, conferida pela presidenta da Rep\u00fablica, Dilma Roussef.<\/p>\n<h3><strong>2 \u2013 Contribui\u00e7\u00f5es ao marxismo<\/strong><\/h3>\n<p>Militante pol\u00edtica, Pagu entrou no Partido Comunista em 1931. No PCB, participou do Socorro Vermelho, agitou greves e ajudou a organizar sindicatos. Foi tamb\u00e9m membro do comit\u00ea clandestino ultrassecreto da III Internacional. Logo de seu ingresso no partido, com seu companheiro Oswald editou o peri\u00f3dico <em>O Homem do Povo<\/em>, no qual publicou artigos, hist\u00f3rias em quadrinhos e desenhos. A\u00ed, escreveu a coluna significativamente intitulada \u201cA mulher do povo\u201d, de tom panflet\u00e1rio, em que fustigava a burguesia e as suas institui\u00e7\u00f5es. Reservava virul\u00eancia maior para as gr\u00e3-finas e outras mulheres ociosas, sobretudo as \u201cfeministas de elite\u201d, cujas pautas se limitavam \u00e0 reivindica\u00e7\u00e3o da liberdade sexual feminina e do direito ao voto de \u201cmulheres cultas\u201d, negando com isto a participa\u00e7\u00e3o das trabalhadoras com menos acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando caiu no torvelinho da sociabilidade modernista, Pagu passou a frequentar festas e saraus, nos quais declamava poesia moderna. Contudo, com a radicaliza\u00e7\u00e3o, marcada pela entrada no PCB, sua vida mudou. Passou a militar intensamente, em S\u00e3o Paulo, Santos e Rio de Janeiro, sendo presa v\u00e1rias vezes. Dentre elas, ficou presa em S\u00e3o Paulo, nos famigerados pres\u00eddios Maria Z\u00e9lia e Para\u00edso, e no Rio, na n\u00e3o menos famigerada Casa de Deten\u00e7\u00e3o, em cuja <em>C\u00e9lula 4<\/em> estiveram c\u00e9lebres comunistas como Nise da Silveira, Eneida de Moraes, Maria Werneck de Castro, Elisa Berger e Olga Benario Prestes \u2013 todas levadas de rold\u00e3o pela repress\u00e3o que se seguiu ao Levante Comunista de 1935. Graciliano Ramos, um codetento, fala delas em <em>Mem\u00f3rias do c\u00e1rcere<\/em> (1953).<\/p>\n<p>No final dos anos 1930, Pagu j\u00e1 estava desiludida com a burocracia partid\u00e1ria. Sofrendo cr\u00edticas do PCB por algumas de suas a\u00e7\u00f5es, um panfleto do Comit\u00ea Central, de 1939, intitulado <em>Contra o trotskismo<\/em> lhe fez graves acusa\u00e7\u00f5es. Sob o intert\u00edtulo \u201cOs que s\u00e3o expulsos agora: Patr\u00edcia Galv\u00e3o\u201d, o texto declara que Pagu n\u00e3o pertencia \u00e0 agremia\u00e7\u00e3o desde 1937, tendo sido expulsa por insubordina\u00e7\u00e3o e \u201ctrotskismo\u201d \u2013 \u00e0 \u00e9poca acusa\u00e7\u00e3o grave, equivalente a traidor e venal.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o rompimento com o Partido, nos anos 1940 seu \u00e2nimo ativista passaria a anti-stalinista, aproximando-a dos trotskistas. Escreveria a quatro m\u00e3os com Geraldo Ferraz o romance <em>A famosa revista<\/em> (1945), uma s\u00e1tira ao PCB, cujos males ela aponta: burocratismo e autoritarismo, al\u00e9m do ass\u00e9dio de que foi alvo. Esses tra\u00e7os tamb\u00e9m ser\u00e3o ressaltados na plaquete <em>Verdade e liberdade<\/em>, em que explicita sua plataforma quando candidata a deputada estadual pelo pequeno Partido Socialista de S\u00e3o Paulo, em 1950. N\u00e3o estava mal rodeada: tamb\u00e9m foram candidatos a deputado estadual por este partido, na mesma \u00e9poca, figuras como Antonio Candido, S\u00e9rgio Buarque de Holanda e Decio de Almeida Prado, entre outros.<\/p>\n<p>Pagu se referiria muitas vezes, no futuro, a suas experi\u00eancias pol\u00edticas, mostrando rep\u00fadio ao Estado Novo e \u00e0 ditadura de Get\u00falio Vargas (1937-45), seus algozes. Mas criticava tamb\u00e9m o PCB, a quem atribu\u00eda desmandos e arbitrariedades, que se expressavam nas tarefas perigosas que lhe impuseram, sem respaldo log\u00edstico, levando aos maus tratos que sofreu em v\u00e1rias cadeias. Essa atitude cr\u00edtica vem \u00e0 tona tanto em <em>A famosa revista <\/em>e em <em>Verdade e liberdade<\/em>, como em seus artigos jornal\u00edsticos.<\/p>\n<p>Nas d\u00e9cadas de 1940 e 1950, ela gravitaria na \u00f3rbita de M\u00e1rio Pedrosa e da <em>Vanguarda Socialista, <\/em>e desde ent\u00e3o se dedicaria ao jornalismo cultural e ao ativismo institucional. Defendeu sistematicamente as vanguardas e a experimenta\u00e7\u00e3o art\u00edstica, consagrando sua pena \u00e0 propaganda das principais figuras e dando destaque, dentre todas, a Fernando Pessoa (a quem divulgou incansavelmente desde um primeiro artigo no <em>Fanfulla,<\/em> em 1950).<\/p>\n<p>Doravante, Pagu seria uma militante sobretudo do socialismo democr\u00e1tico e da cultura. No ide\u00e1rio desta socialista, continuariam sempre a figurar, ao lado da defesa dos direitos democr\u00e1ticos e da cultura \u2013 n\u00e3o concebia uma sem a outra \u2013, tamb\u00e9m o materialismo, o racionalismo e o laicismo, bandeiras na luta antifascista.<\/p>\n<p>Sua produ\u00e7\u00e3o na <em>Vanguarda Socialista <\/em>confirma com a maior clareza o quanto manteve a f\u00e9 socialista, ainda que tivesse rompido com o PCB. Neste panfleto de propaganda pol\u00edtica, Pagu faz uma cr\u00edtica ao fascismo, narra momentos de sua vida, testemunhando o que a levou \u00e0 luta socialista, e exp\u00f5e suas diverg\u00eancias com os m\u00e9todos do Partido Comunista que a havia condenado e expulsado. Criticou a atua\u00e7\u00e3o do partido tamb\u00e9m na s\u00e1tira <em>A famosa revista<\/em>, e de maneira expl\u00edcita em sua plataforma eleitoral <em>Verdade e liberdade.<\/em><\/p>\n<p>Entretanto, a teoria marxista n\u00e3o foi a principal de suas preocupa\u00e7\u00f5es nem mesmo nos tempos do fervor comunista. Seu romance <em>Parque industrial <\/em>(1933), que tem por fio condutor a luta de classes, \u00e9 o que apresenta mais afinidades neste sentido. Leandro Konder, em <em>Intelectuais brasileiros e marxismo<\/em> (1991)<em>, <\/em>argumenta que era comum entre os militantes socialistas que a f\u00e9 na utopia obscurecesse a necessidade de embasamento te\u00f3rico, visto como secund\u00e1rio ante as convic\u00e7\u00f5es igualit\u00e1rias e o anseio imediato por justi\u00e7a social. Era antes uma quest\u00e3o de \u00e9tica. Isso, por\u00e9m, n\u00e3o impediria que Pagu manifestasse opini\u00f5es tingidas de teoria em muitos de seus artigos, entremeadas por cr\u00edticas \u00e0 Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e a St\u00e1lin.<\/p>\n<p>Ao comentar a Constituinte de 1945, seu sarcasmo est\u00e1 impregnado j\u00e1 no t\u00edtulo do artigo: \u201cKonstituinte Kremliniana\u201d (<em>Vanguarda Socialista, <\/em>21\/09\/1945), enfatizando o quanto \u00e9 autorit\u00e1ria a agremia\u00e7\u00e3o que redige a nova Constitui\u00e7\u00e3o para um Brasil democr\u00e1tico. Ataca tamb\u00e9m aquilo que chama de \u201cLiteratura oportunista\u201d, t\u00edtulo de seu texto respondendo a um grupo de jovens que lhe perguntam como ser\u00e1 a literatura do futuro, fazendo-a sair em defesa da autonomia da obra de arte. Esse \u00e9 tamb\u00e9m o rumo que toma \u201cInflu\u00eancia de uma revolu\u00e7\u00e3o na literatura\u201d (<em>Vanguarda Socialista<\/em>, 09\/11\/1945), em que examina o que aconteceu nas letras russas. Conclui que tentar comprimir a arte dentro de um dogma prejudicou o ato de criar, resultando numa literatura atrasada, indigna da filia\u00e7\u00e3o a Tolst\u00f3i e Dostoi\u00e9vski. E que ficou para tr\u00e1s, enquanto a literatura no resto do mundo produzia James Joyce, Virginia Woolf e Andr\u00e9 Malraux, autores em que Pagu se apoiava. Em \u201cN\u00f3s, os bombardeados\u201d (<em>Di\u00e1rio de S. Paulo<\/em>, 01\/08\/1948), satirizou o poder extraordin\u00e1rio que a bomba at\u00f4mica lan\u00e7ada pelo governo dos Estados Unidos sobre Hiroshima e Nagasaki no fim da II Guerra lhes conferiu, solidarizando-se com as v\u00edtimas.<\/p>\n<p>J\u00e1 na segunda metade do s\u00e9culo, \u00e9 seu apego ao teatro que daria a t\u00f4nica, eclodindo entre 1952 e 1953 \u2013 quando frequenta a Escola de Arte Dram\u00e1tica de S\u00e3o Paulo, na qual apresenta tradu\u00e7\u00e3o e estudo de <em>A cantora careca<\/em>, de Ionesco. Batalhadora sem esmorecimento, assume a coordena\u00e7\u00e3o do Teatro Universit\u00e1rio Santista (1956) e a presid\u00eancia da Uni\u00e3o dos Teatros Amadores da cidade (1961). A partir de 1957 mant\u00e9m a coluna \u201cPalcos e atores\u201d, em <em>A Tribuna<\/em>, jornal local. Combativa, sua coluna seria uma trincheira na luta sem descanso pela dramaturgia experimental e pela liberdade de cria\u00e7\u00e3o. Dirige a encena\u00e7\u00e3o da pe\u00e7a <em>Fando e Lis<\/em>, de Arrabal, que recebeu v\u00e1rios pr\u00eamios. Mais tarde, encenaria tamb\u00e9m <em>A filha de Rapaccini<\/em>, de Octavio Paz. Em 1958, ao lado do grande homem de teatro Paschoal Carlos Magno, \u00e0 \u00e9poca o militante mais destacado dessa arte no pa\u00eds, criaria o Festival de Teatro Amador de Santos.<\/p>\n<p>Confirmando sua indiscut\u00edvel qualidade, o jornalismo que Pagu praticou entre 1931 e 1962 \u2013 recentemente editado em 4 volumes e reunido na antologia <em>Palavras em rebeldia <\/em>(2023) por Kenneth David Jackson \u2013 esteve presente nos mais influentes peri\u00f3dicos do pa\u00eds, de S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro e Santos. Entre eles <em>Di\u00e1rio de Not\u00edcias, A Noite, O Di\u00e1rio de S\u00e3o Paulo, O Jornal, Fanfulla, Correio da Manh\u00e3,<\/em> afora os j\u00e1 mencionados <em>O Homem do Povo, Vanguarda Socialista<\/em>, e <em>A Tribuna<\/em>,deSantos. Adepta de pseud\u00f4nimos, al\u00e9m de Mara Lobo e King Shelter, que assinam respectivamente <em>Parque industrial <\/em>e<em> Safra macabra<\/em>, utilizou ainda os de Pat, Pt, Patsy, Peste, Ariel, Gim, Solange Sohl, Zaz\u00e1, Paula, G. L\u00e9a, e Leonnie. Embora na parte final de sua vida tenha renegado o apelido Pagu e exigido que a chamassem de Patr\u00edcia, ficaria Pagu para sempre.<\/p>\n<p>Por influ\u00eancia do atual movimento feminista, tem-se elevado Pagu ao posto de precursora e de \u00edcone gra\u00e7as ao comportamento acima do convencional, muito \u00e0 frente de seu tempo. Como consequ\u00eancia, t\u00eam surgido homenagens e fecundas an\u00e1lises. A repercuss\u00e3o de suas ideias e de sua pr\u00e1tica continua em crescente expans\u00e3o.<\/p>\n<p>Pagu designaria, entre outros, um centro de pesquisa na Universidade Santa Cec\u00edlia, de Santos, e outro na Universidade Estadual de Campinas, que edita a revista <em>Cadernos de Pagu<\/em>. E tamb\u00e9m diversos parques, jardins, escolas, centros culturais, teatros.<\/p>\n<h3><strong>3 \u2013 Coment\u00e1rio sobre a obra<\/strong><\/h3>\n<p>A obra de Pagu \u00e9 not\u00e1vel por sua variedade e pela manifesta\u00e7\u00e3o de uma intelig\u00eancia fulgurante. N\u00e3o h\u00e1 duas realiza\u00e7\u00f5es iguais, nem mesmo semelhantes: um romance, um volume de contos policiais, um \u00e1lbum de desenhos e uma hist\u00f3ria em quadrinhos, uma autobiografia parcial, poemas, jornalismo. Por outro lado, a publica\u00e7\u00e3o se fez mais ou menos ao l\u00e9u das descobertas. Assim, assistimos \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o e consolida\u00e7\u00e3o de uma obra heterog\u00eanea, mas nem por isso menos instigante. A recep\u00e7\u00e3o tem sido entusi\u00e1stica, o que se infere do fato de alguns desses itens alcan\u00e7arem sucessivas edi\u00e7\u00f5es. Deve-se ainda levar em conta a crescente extrapola\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios limites da obra e a exalta\u00e7\u00e3o da biografia, como se verifica nas deriva\u00e7\u00f5es que surgem na m\u00fasica popular, na escola de samba, no cinema, na televis\u00e3o e no teatro.<\/p>\n<p>De 1929 \u00e9 sua produ\u00e7\u00e3o de estreia, <em>Croquis de Pagu e outros momentos felizes que foram devorados reunidos <\/em>(S\u00e3o Paulo: Cortez, 2004), um \u00e1lbum de desenhos \u2013 oferecido pela autora a Tarsila do Amaral \u2013 que ficaria in\u00e9dito at\u00e9 bem mais tarde. Foi publicado 75 anos depois, gra\u00e7as aos cuidados de uma grande pesquisadora e especialista da \u00e1rea, L\u00facia Teixeira Furlani, com assessoria de Rud\u00e1 de Andrade, filho da autora.<\/p>\n<p>Outro conjunto coerente de seus escritos contempla as mat\u00e9rias que escreveu para o jornal tabloide <em>O Homem do Povo<\/em> (S\u00e3o Paulo, 1931). Ap\u00f3s seu ingresso no Partido Comunista em 1930, este \u00f3rg\u00e3o de agita\u00e7\u00e3o e propaganda, criado por Oswald e por ela, seria sua contribui\u00e7\u00e3o ao preparo da revolu\u00e7\u00e3o. N\u00e3o resistiria mais do que 8 edi\u00e7\u00f5es, tiradas durante o ano de 1931, sob o ataque de estudantes da Faculdade de Direito, pr\u00f3xima de sua sede, com tentativas de empastelamento e linchamento, combinadas com a persegui\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia. Pagu assinava uma hist\u00f3ria em quadrinhos (tendo por protagonista uma garota por nome Kabeluda\u2026) e uma coluna cr\u00edtica intitulada \u201cA mulher do povo\u201d, cujos artigos satirizavam as institui\u00e7\u00f5es e pensamento burgueses, em especial as ideias limitadas das \u201cfeministas de elite\u201d. Estas, com vis\u00e3o estreita \u201cnegam o voto aos oper\u00e1rios e trabalhadores sem instru\u00e7\u00e3o\u201d, esquecendo-se de que \u201cos problemas todos da vida econ\u00f4mica e social ainda est\u00e3o para serem resolvidos\u201d. No artigo intitulado \u201cMaltus Alem\u201d (27\/03\/1931), Pagu refuta a perspectiva retr\u00f3grada de certas feministas que defendiam mudan\u00e7as sociais atrav\u00e9s do controle da natalidade. Afirma que \u201cMarx j\u00e1 passou um sab\u00e3o no celibat\u00e1rio Maltus, que desviava o sentido da revolu\u00e7\u00e3o para um detalhe que a R\u00fassia, por exemplo, j\u00e1 resolveu\u201d; e que \u201co materialismo, solucionando problemas maiores, faz com que esse problema desapare\u00e7a por si\u201d. A edi\u00e7\u00e3o fac-similar \u2013 Oswald de Andrade e Patr\u00edcia Galv\u00e3o, <em>O Homem do Povo<\/em> (S\u00e3o Paulo: Imprensa Oficial, 1985) \u2013, preparada com originais da Cole\u00e7\u00e3o Astrojildo Pereira, \u00e9 de responsabilidade de Augusto de Campos, especialista em Pagu.<\/p>\n<p>Em seguida, vem sua obra mais completa e mais bem realizada, que \u00e9 <em>Parque industrial<\/em> (S\u00e3o Paulo: edi\u00e7\u00e3o particular, 1933). Cl\u00e1ssico do \u201cromance prolet\u00e1rio\u201d, assinado pelo pseud\u00f4nimo Mara Lobo, recebe em 2018 reedi\u00e7\u00e3o impec\u00e1vel pela Linha a Linha, que honra a autora e a obra. Abre-o um pref\u00e1cio de Augusto de Campos. At\u00e9 essa redescoberta, tinha-se vaga no\u00e7\u00e3o de uma Pagu associada tanto aos fastos modernistas quanto \u00e0 saga da esquerda. A diagrama\u00e7\u00e3o manteve a distribui\u00e7\u00e3o em blocos, acentuando a concep\u00e7\u00e3o da narrativa fragmentada, em instant\u00e2neos ou flagrantes que se disp\u00f5em por curtos e incisivos cap\u00edtulos. A prosa, entre expressionista e cubista, certamente \u00e9 de vanguarda. Visa \u00e0 s\u00edntese, apoiando-se sobre elipses e cortes s\u00fabitos, acentuando a velocidade do discurso que n\u00e3o perde tempo em explica\u00e7\u00f5es ou transi\u00e7\u00f5es. Um pouco tendendo ao que ent\u00e3o se chamava \u201cestilo telegr\u00e1fico\u201d. A narrativa \u2013 que se passa no Br\u00e1s, \u00e0 \u00e9poca reduto oper\u00e1rio de imigrantes italianos em S\u00e3o Paulo \u2013, ao encaminhar-se num crescendo para a eclos\u00e3o de uma greve, traz uma evid\u00eancia logo de sa\u00edda: trata-se de um romance de mulheres. S\u00e3o mo\u00e7as de v\u00e1rios tipos e inst\u00e2ncias da vida social, embora unidas pela classe, pois pertencem todas ao proletariado. H\u00e1 poucas exce\u00e7\u00f5es, como aquela que subiu na vida casando-se com um homem de posses; ou outra que chegou aos abismos da prostitui\u00e7\u00e3o mais desamparada, por n\u00e3o ter sa\u00fade para enfrentar a extenuante jornada de trabalho. No mais, s\u00e3o oper\u00e1rias mais politizadas ou mais alienadas, mais decididas a enfrentar as agruras da vida ou mais desesperadas. O dia-a-dia das jovens trabalhadoras \u00e9 mostrado em suas facetas de tarefas, vida social, amores, milit\u00e2ncia. A imers\u00e3o de Pagu em sua pr\u00f3pria proletariza\u00e7\u00e3o e trabalho na f\u00e1brica \u00e9 h\u00famus para a elabora\u00e7\u00e3o ficcional. Seu ativismo \u00e9 ponto de partida, e mais anos de c\u00e1rcere ainda viriam. Mostra tamb\u00e9m o ass\u00e9dio que as oper\u00e1rias sofrem dos rapazes de autom\u00f3vel, para quem s\u00e3o mercadoria de carne, ali\u00e1s descart\u00e1vel. Nem noivas nem prostitutas, n\u00e3o s\u00e3o eleg\u00edveis para casamento nem exigem pagamento \u2013 portanto s\u00e3o altamente convenientes, at\u00e9 por sa\u00edrem barato. Ali\u00e1s, nesse mesmo ano de 1933 Noel Rosa comp\u00f4s o samba \u201cTr\u00eas apitos\u201d, em que \u2013 coisa rara tanto na literatura quanto na m\u00fasica popular \u2013 fala das oper\u00e1rias de f\u00e1brica e desse ass\u00e9dio, s\u00f3 que mediante idealiza\u00e7\u00e3o benigna e sentimental, nada predadora, do dono do autom\u00f3vel.<\/p>\n<p>Depois v\u00eam os trabalhos sem maiores consequ\u00eancias da s\u00e9rie de nove contos policiais publicados na revista <em>Detetive<\/em>, entre 15 de junho e dezembro de 1944. A revista, dirigida por Nelson Rodrigues, era uma das muitas publica\u00e7\u00f5es do g\u00eanero, em papel barato e alheia a cuidados editoriais (ditas <em>pulp fiction<\/em>), que ent\u00e3o surgiram em abund\u00e2ncia. Assinados sob o pseud\u00f4nimo deliberadamente norte-americanizado de \u201cKing Shelter\u201d, a contribui\u00e7\u00e3o de Pagu foi mais tarde descoberta e editada por seu filho Geraldo Galv\u00e3o Ferraz, conforme narra no pref\u00e1cio \u00e0 primeira edi\u00e7\u00e3o da colet\u00e2nea <em>Safra macabra<\/em> (Rio de Janeiro: Jos\u00e9 Olympio, 1998).<\/p>\n<p>Escreveria a quatro m\u00e3os com Geraldo Ferraz o romance <em>A famosa revista<\/em> (Rio de Janeiro: Americ-Edit, 1945), s\u00e1tira em forma de alegoria, contendo suas cr\u00edticas ao Partido Comunista, com o qual rompera em 1940. As principais acusa\u00e7\u00f5es s\u00e3o: burocratismo, autoritarismo, policiamento, intrus\u00e3o na vida pessoal e moralismo.<\/p>\n<p>A plaquete <em>Verdade e liberdade<\/em> \u00e9 antes uma plataforma eleitoral, mas muito interessante, escrita quando de sua candidatura a deputada estadual pelo Partido Socialista, em 1950. A candidatura foi apoiada por M\u00e1rio Pedrosa e Pagu se sente na obriga\u00e7\u00e3o de dizer ao eleitor ao que veio, ao pedir seu voto. Ali, ao tratar de expor suas convic\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, repete algumas das cr\u00edticas que fizera ao PCB em <em>A famosa revista<\/em>. Como o eleitorado se apresenta dividido, ou seja, a esquerda est\u00e1 em disputa, Pagu aproveita para falar em nome da igualdade e da fraternidade, afirmando seus ideais socialistas para al\u00e9m das investidas contra o partido.<\/p>\n<p>As ideias e a pr\u00e1tica pol\u00edtica de Pagu ganhariam sobrevida a partir de um hiato de ostracismo, angariando uma admira\u00e7\u00e3o crescente. Devemos ao conhecido poeta concreto Augusto de Campos a redescoberta de Pagu: \u00e9 de 1982 <em>Pagu vida-obra <\/em>(S\u00e3o Paulo: Brasiliense, 1982), livro que traz achados, estudos e uma antologia. Em 2014, a obra foi reeditada (S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras), em edi\u00e7\u00e3o na qual o poeta nos brinda com o que se pode chamar de definitiva. Revista e ampliada, tem 472 p\u00e1ginas, trazendo farta iconografia e novos textos; inclui agora uma entrevista do organizador e texto seu sobre <em>O Homem do Povo<\/em>, al\u00e9m de um estudo introdut\u00f3rio intitulado \u201cRe-Pagu\u201d. A antologia contempla os livros e as colunas period\u00edsticas, constituindo-se numa amostra rica e fidedigna.<\/p>\n<p>Para a biografia de Pagu h\u00e1 ainda a contribui\u00e7\u00e3o de uma catadora-recicladora, Selma Morgana Sarti, que encontrou no lixo, em uma rua do bairro paulistano do Butant\u00e3, diversos pap\u00e9is, e percebeu sua import\u00e2ncia. Estas s\u00e3o as circunst\u00e2ncias mirabolantes que cercaram a recupera\u00e7\u00e3o e doa\u00e7\u00e3o de um caderno aut\u00f3grafo ao Arquivo Edgar Leuenroth da Universidade Estadual de Campinas. O caderno traz mem\u00f3rias parciais em forma de carta \u00edntima a seu marido Geraldo Ferraz, escritas em 1940, que s\u00f3 seriam publicadas muitos anos ap\u00f3s a morte de ambos: <em>Paix\u00e3o Pagu: a autobiografia precoce<\/em> <em>de Patr\u00edcia Galv\u00e3o <\/em>(S\u00e3o Paulo: Agir, 2005). O <em>Jornal da Unicamp<\/em> (n. 257, 26\/06\/2004), que d\u00e1 conta do achado e doa\u00e7\u00e3o, traz a lista de outros materiais encontrados, inclusive medalhas e condecora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Por \u00faltimo, e sendo o mais tardiamente resgatado do esquecimento, pois s\u00f3 publicado em 2023, o jornalismo profissional abre uma janela a iluminar seu ativismo na fase ainda menos conhecida, e final, de sua vida. \u00c9 not\u00e1vel pelo que Pagu escreveu em v\u00e1rios \u00f3rg\u00e3os, cobrindo 30 anos de jornalismo (1931-1962), com \u00eanfase na fase de <em>A Tribuna<\/em>. S\u00e3o 4 volumes publicados eletronicamente e uma antologia impressa, intitulada <em>Palavras em rebeldia <\/em>(S\u00e3o Paulo: EDUSP, 2023), trazendo cerca de 200 colunas que constituem boa amostragem do jornalismo militante de Pagu. A obra foi organizada por Kenneth David Jackson, professor da <em>Yale University <\/em>(Estados Unidos), especialista em Modernismo e estudioso de Pagu, de quem traduziu <em>Parque industrial <\/em>ao ingl\u00eas. Assim se completa uma parte fundamental e ainda in\u00e9dita da produ\u00e7\u00e3o de Pagu. A leitura deste jornalismo produz um impacto no leitor, pela abrang\u00eancia dos assuntos e pela qualidade da escrita modernista.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m de 2023 s\u00e3o os livros: <em>Os cadernos de Pagu: manuscritos in\u00e9ditos de Patr\u00edcia Galv\u00e3o <\/em>(Santos: Nocelli\/Unisanta), organizada por L\u00facia Teixeira, bi\u00f3grafa da autora que re\u00fane textos in\u00e9ditos escritos entre os anos 1920 e 1960; e <em>At\u00e9 onde chega a sonda: escritos passionais <\/em>(S\u00e3o Paulo: F\u00f3sforo), organizado por Silvana Jeha, que traz manuscritos redigidos no angustiante contexto de tortura que Pagu sofreu na pris\u00e3o.<\/p>\n<p>Se uma amplia\u00e7\u00e3o da popularidade levou Pagu a enredos de escola-de-samba e \u00e0 m\u00fasica popular (can\u00e7\u00e3o \u201cPagu\u201d, de Rita Lee e Z\u00e9lia Duncan, 2004), por outro lado levou-a ao cinema e \u00e0 televis\u00e3o. Entre os filmes, destacam-se <em>Eh Pagu, Eh<\/em> (1982), document\u00e1rio em curta-metragem dirigido por Ivo Branco; e <em>Eternamente Pagu<\/em> (1988), fic\u00e7\u00e3o dirigida por Norma Bengell. J\u00e1 surgiu tamb\u00e9m em miniss\u00e9rie sobre o Modernismo (<em>Um s\u00f3 cora\u00e7\u00e3o<\/em>, de Maria Adelaide Amaral, 2004), e recentemente vem aparecendo muito mais, devido \u00e0s comemora\u00e7\u00f5es do Centen\u00e1rio da Semana de 1922 \u2013 como no curta-metragem \u201cPagu musa-medusa\u201d, epis\u00f3dio da miniss\u00e9rie <em>Rep\u00fablica da Poesia<\/em> (2022).<\/p>\n<p>Sua dedica\u00e7\u00e3o ao teatro tem sido recompensada pela fartura de encena\u00e7\u00f5es que sua vida e obra provocou; entre as principais, destacam-se <em>Pagu que<\/em> (2004), e <em>Pagu pra qu\u00ea<\/em> (2017). Sua autobiografia parcial <em>Paix\u00e3o Pagu<\/em> inspirou a pe\u00e7a <em>Di\u00e1rio de uma revolucion\u00e1ria <\/em>(Companhia do Feij\u00e3o, 2015); e o texto memorial\u00edstico <em>At\u00e9 onde chega a sonda: escritos passionais<\/em> (S\u00e3o Paulo: F\u00f3sforo, 2023), escrito na pris\u00e3o em 1939, seria transformado em espet\u00e1culo solo (2022).<\/p>\n<p>Em 2009, Pagu ganharia exposi\u00e7\u00e3o no Museu Lasar Segall, na qual apareceu ladeada por duas figuras decisivas de seu conv\u00edvio, donde o t\u00edtulo: <em>Pagu, Oswald, Segall <\/em>\u2013 trabalho que constou de 60 obras, entre pinturas, desenhos, documentos, fotografias e iconografia em geral, incluindo pe\u00e7as de Portinari, Di Cavalcanti, e do pr\u00f3prio ep\u00f4nimo da casa.<\/p>\n<p>Alguns de seus escritos podem ser encontrados livremente na rede.<\/p>\n<hr>\n<h3><strong>4 \u2013 Bibliografia de refer\u00eancia<\/strong><\/h3>\n<p>ARMONY, Adriana. <em>Pagu no metr\u00f4. <\/em>S\u00e3o Paulo: N\u00f3s, 2022.<\/p>\n<p>CAMPOS, Augusto de. <em>Pagu vida-obra. <\/em>S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2014<\/p>\n<p>COSTA, Marcia, <em>De Pagu a Patr\u00edcia: \u00faltimo ato. <\/em>Santos: Dobra Editorial\/Fundo de Cultura de Santos, 2013.<\/p>\n<p>FURLANI, Lucia Maria Teixeira; e Ferraz, Geraldo Galv\u00e3o. <em>Viva Pagu: fotobiografia de Patr\u00edcia Galv\u00e3o. <\/em>Santos: Unisanta\/Imprensa Oficial, 2010.<\/p>\n<p>GUEDES, Thelma, <em>Pagu. Literatura e revolu\u00e7\u00e3o. Um estudo sobre o romance <\/em>Parque industrial. S\u00e3o Paulo: Ateli\u00ea\/Nankin, 2003.<\/p>\n<p>JACKSON, Kenneth David (org.). <em>O jornalismo de Patr\u00edcia Galv\u00e3o.<\/em> S\u00e3o Paulo: Edusp, 2023.<\/p>\n<p>KASSAB, \u00c1lvaro. \u201cA incr\u00edvel hist\u00f3ria da catadora de rua que resgatou Pagu do lixo\u201d. <em>Jornal da Unicamp<\/em>, n. 257 (26\/06\/2004). Disp: https:\/\/unicamp.br.<\/p>\n<p>KONDER, Leandro. <em>Intelectuais brasileiros e marxismo<\/em>. S\u00e3o Paulo: Oficina de Livros, 1991.<\/p>\n<p>LIMA, Luiz Costa. <em>Fios do tempo: cem anos da Semana de 22. <\/em>Rio de Janeiro: Ateli\u00ea de Humanidades, 2022.<\/p>\n<p>REZENDE, Maria Val\u00e9ria. <em>Patr\u00edcia Galv\u00e3o: militante irredut\u00edvel<\/em>. S\u00e3o Paulo: Rosa dos Tempos, 2023.<\/p>\n<p>VENTURINI, Mariana. \u201cComunistas do Brasil e a quest\u00e3o da mulher\u201d (08\/03\/2021). Disp: https:\/\/vermelho.org.br.<\/p>\n<hr>\n<p><strong>Notas<\/strong><\/p>\n<p>Walnice Nogueira Galv\u00e3o \u00e9 cr\u00edtica liter\u00e1ria e professora em\u00e9rita de Teoria Liter\u00e1ria e Literatura Comparada da Faculdade de Filosofia, Letras e Ci\u00eancias Humanas da Universidade de S\u00e3o Paulo; graduada em Ci\u00eancias Sociais (USP), \u00e9 livre-docente e doutora em Letras (USP). Autora de, entre outras obras: <em>Lendo e relendo<\/em> (Ouro sobre Azul\/Sesc, 2019); e <em>A donzela-guerreira: um estudo de g\u00eanero<\/em> (Senac, 1998). \u00c9 integrante do Conselho Editorial do <em>Dicion\u00e1rio marxismo na Am\u00e9rica<\/em>.<\/p>\n<p>Com colabora\u00e7\u00e3o e edi\u00e7\u00e3o de texto de Yuri Martins-Fontes, Joana Aparecida Coutinho e \u00c2ndrea Francine Batista, e ilustra\u00e7\u00e3o de Marcelo Guimar\u00e3es Lima, este artigo foi originalmente publicado no portal do\u00a0N\u00facleo Pr\u00e1xis-USP, sendo um dos verbetes do\u00a0<em>Dicion\u00e1rio marxismo na Am\u00e9rica<\/em>; permite-se sua reprodu\u00e7\u00e3o, sem fins comerciais, desde que citada a fonte (nucleopraxisusp.org) e que seu conte\u00fado n\u00e3o seja alterado. Sugest\u00f5es e cr\u00edticas s\u00e3o bem-vindas: nucleopraxis.usp.br@gmail.com.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. Se voc\u00ea valoriza nossa produ\u00e7\u00e3o, contribua com um PIX para <strong>outrosquinhentos@outraspalavras.net<\/strong> e fortale\u00e7a o jornalismo cr\u00edtico.<\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>The post A rebeldia e o marxismo de Pagu appeared first on Outras Palavras.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/ndb-o-banco-do-brics-recebe-minc-para-tratar-de-financiamento-para-infraestrutura-cultural\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-1-150x150.webp') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">NDB, o banco do BRICS, recebe MinC para tratar de ...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/rearmamento-da-europa-e-uma-loucura-diz-lula-em-moscou\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Rearmamento da Europa \u2018\u00e9 uma loucura\u2019, diz Lula em...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/mst-consolida-polo-cultural-no-centro-de-sp-com-armazem-do-campo-expressao-popular-e-espaco-elza-soares\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">MST consolida polo cultural no centro de SP com Ar...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/o-que-e-noticia-no-jornal-tvt-news-primeira-edicao-04-03-2026\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/jornal_tvt_news-4-150x150.jpeg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">O que \u00e9 not\u00edcia no Jornal TVT News Primeira Edi\u00e7\u00e3o...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ela via na arte uma ferramenta poderosa na luta de classes. Integrou \u00f3rg\u00e3o secreto da Internacional Comunista, mas recha\u00e7ou dogmatismos. Retratou a altivez das mulheres oper\u00e1rias. Fundou jornais. Foi presa. E defendeu: luta pol\u00edtica e cultura s\u00e3o indissoci\u00e1veis<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/historia-e-memoria\/a-rebeldia-e-o-marxismo-de-pagu\/\">A rebeldia e o marxismo de Pagu<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":93308,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[41254,3024,70872,70873,1014,1311,4014,42583,61830,70874,2859,5488,798,1948,2366,3027,70875,25736,10051,26556,3477,3051,7936,1664],"tags":[],"class_list":["post-93307","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ativismo-politico","category-autoritarismo","category-burocracia-partidaria","category-burocratismo","category-classe-trabalhadora","category-comunismo","category-crise-economica","category-direitos-democraticos","category-escritora","category-experiencias-politicas","category-feminismo","category-historia-e-memoria","category-intelectuais","category-jornada-de-trabalho","category-jornalismo","category-jornalista","category-levante-comunista","category-luta-politica","category-militancia","category-modernismo","category-movimento-feminista","category-oswald-de-andrade","category-pagu","category-pcb"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93307","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=93307"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93307\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/93308"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=93307"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=93307"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=93307"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}