{"id":93793,"date":"2026-06-29T10:47:20","date_gmt":"2026-06-29T13:47:20","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/quando-a-vida-torna-se-diagnostico\/"},"modified":"2026-06-29T10:47:20","modified_gmt":"2026-06-29T13:47:20","slug":"quando-a-vida-torna-se-diagnostico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/quando-a-vida-torna-se-diagnostico\/","title":{"rendered":"Quando a vida torna-se diagn\u00f3stico"},"content":{"rendered":"<figure><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"603\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/photo_5051105458675977215_y.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/photo_5051105458675977215_y.jpg 1000w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/photo_5051105458675977215_y-300x181.jpg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/photo_5051105458675977215_y-768x463.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\"><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<p><imgsrc=\"\" width=\"1\" height=\"1\" alt=\".\" border=\"0\">\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Vivemos em uma \u00e9poca na qual emo\u00e7\u00f5es, comportamentos e experi\u00eancias cotidianas s\u00e3o cada vez mais interpretadas atrav\u00e9s de diagn\u00f3sticos psiqui\u00e1tricos. Termos originalmente t\u00e9cnicos como ansiedade, depress\u00e3o, T.O.C, bipolaridade, autismo, d\u00e9ficit de aten\u00e7\u00e3o e narcisismo, passaram a habitar conversas familiares, relacionamentos amorosos, ambientes de trabalho, redes sociais e narrativas pessoais.<\/p>\n<p>Crescentemente, utilizamos tais classifica\u00e7\u00f5es para dizer sobre algu\u00e9m. Ou at\u00e9 mesmo para explicar quem somos, o que sentimos e por que sofremos.<\/p>\n<p>\u00c0 primeira vista, isso pode parecer apenas um reflexo dos avan\u00e7os no conhecimento sobre sa\u00fade mental. E em muitos aspectos, \u00e9. Reconhecer o sofrimento constitui uma condi\u00e7\u00e3o fundamental para que ele possa ser acolhido. Nomear determinadas experi\u00eancias pode favorecer sua compreens\u00e3o, reduzir estigmas e ampliar possibilidades de cuidado.<\/p>\n<div>\n<div><imgsrc=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Prancheta--42.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Prancheta--42.png 680w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Prancheta-4-300x110.png 300w\" sizes=\"(max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Entretanto, esse cen\u00e1rio levanta quest\u00f5es mais profundas:<\/p>\n<p>O que explica a facilidade com que categorias originalmente produzidas no campo da sa\u00fade mental passaram a organizar a compreens\u00e3o que temos de n\u00f3s mesmos? Por que os diagn\u00f3sticos se tornaram refer\u00eancias t\u00e3o poderosas para interpretar a experi\u00eancia humana? Que efeitos essa apropria\u00e7\u00e3o produz sobre a subjetividade? <strong>Por que os diagn\u00f3sticos nos atraem tanto?<\/strong><\/p>\n<p>S\u00e3o essas perguntas que orientam o estudo <em>La patologizaci\u00f3n de la vida: ensayo a favor de la expansi\u00f3n subjetiva<\/em>. Distanciando-me tanto da rejei\u00e7\u00e3o dos diagn\u00f3sticos quanto de sua aceita\u00e7\u00e3o acr\u00edtica, eu \u2013 Ianni Macedo, psic\u00f3loga e pesquisadora no campo da Psicossociologia -, proponho uma reflex\u00e3o sobre a tem\u00e1tica pautada nas contribui\u00e7\u00f5es de autores do campo da Psicologia Social, as quais ser\u00e3o aqui, de maneira sintetizada, apresentadas.<\/p>\n<h3><strong>A necessidade humana de nomear<\/strong><\/h3>\n<p>Antes de nos aprofundarmos propriamente na tem\u00e1tica da patologiza\u00e7\u00e3o da vida, convido voc\u00ea, leitor, a algumas reflex\u00f5es: O que \u00e9 a realidade? O que \u00e9 o ser humano? O que se espera de seu comportamento?<\/p>\n<p>Provavelmente, nenhuma dessas perguntas despertar\u00e1 uma \u00fanica resposta.<\/p>\n<p>Sob a perspectiva da Psicologia Social, aquilo que pensamos, sentimos e compreendemos sobre a realidade n\u00e3o constitui uma verdade universal ou natural, mas \u00e9 continuamente constru\u00eddo nas intera\u00e7\u00f5es sociais, por meio de cren\u00e7as, valores, s\u00edmbolos,<\/p>\n<p>experi\u00eancias e conhecimentos compartilhados que orientam nossa maneira de perceber e interpretar o mundo.<\/p>\n<div>\n<div><imgsrc=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/HUCITEC-basaglia1-1.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/HUCITEC-basaglia1-1.png 728w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/HUCITEC-basaglia1-300x37.png 300w\" sizes=\"(max-width: 728px) 100vw, 728px\" width=\"728\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Isso significa que n\u00e3o vivemos apenas entre fatos, mas entre os sentidos que produzimos sobre eles. Uma realidade desprovida de significados talvez fosse apenas um conjunto ca\u00f3tico de acontecimentos, incapaz de orientar nossas a\u00e7\u00f5es, escolhas ou mesmo nossa compreens\u00e3o sobre quem somos. \u00c9 a produ\u00e7\u00e3o de sentidos que transforma acontecimentos em experi\u00eancias, comportamentos em identidades e viv\u00eancias em hist\u00f3rias.<\/p>\n<p>Talvez seja justamente por isso que nomear ocupe um lugar t\u00e3o central na experi\u00eancia humana:<\/p>\n<p>Dar nome \u00e0s coisas \u00e9 uma forma de compreend\u00ea-las. Classific\u00e1-las \u00e9 uma maneira de reduzir a incerteza. Produzir significados \u00e9, talvez, uma das formas mais humanas de tornar o mundo habit\u00e1vel.<\/p>\n<p>Diante daquilo que n\u00e3o compreendemos, buscamos explica\u00e7\u00f5es. Quando uma experi\u00eancia escapa \u00e0s nossas refer\u00eancias, tentamos traduzi-la em palavras capazes de lhe conferir alguma estabilidade. O desconhecido produz desconforto; a ambiguidade nos desestabiliza. Nomear, nesse contexto, n\u00e3o \u00e9 apenas um exerc\u00edcio da linguagem, mas uma tentativa de tornar o mundo menos incerto.<\/p>\n<h3><strong>Quem define o que \u00e9 normal?<\/strong><\/h3>\n<p>As reflex\u00f5es propostas por <em>O Alienista<\/em>, de Machado de Assis, embora elaboradas no s\u00e9culo XIX, permanecem surpreendentemente atuais. Na narrativa, o m\u00e9dico Sim\u00e3o Bacamarte dedica sua vida \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o da loucura, estabelecendo crit\u00e9rios cada vez mais precisos para distinguir sanidade e doen\u00e7a. \u00c0 medida que sua busca pela defini\u00e7\u00e3o da normalidade se radicaliza, comportamentos antes percebidos como ordin\u00e1rios passam a ser interpretados como patol\u00f3gicos, fazendo com que, rapidamente, grande parte da popula\u00e7\u00e3o da sua cidade seja internada.<\/p>\n<p>Ao ver a cidade vazia, o m\u00e9dico percebe que a \u201cloucura\u201d havia se tornado a regra. Diante desse paradoxo, inverte completamente seus crit\u00e9rios diagn\u00f3sticos: aqueles antes considerados doentes s\u00e3o libertados, enquanto pessoas tidas como perfeitamente equilibradas passam a ser classificadas como anormais. Entretanto, ao buscar indiv\u00edduos que correspondessem a esse ideal de equil\u00edbrio absoluto, Bacamarte percebe que tal condi\u00e7\u00e3o praticamente n\u00e3o existia. O resultado? Considerando-se, segundo seus pr\u00f3prios crit\u00e9rios, o \u00fanico verdadeiramente equilibrado, o m\u00e9dico interna a si mesmo, tornando-se, no final, v\u00edtima da l\u00f3gica classificat\u00f3ria que ele pr\u00f3prio havia criado.<\/p>\n<p>Mais do que uma s\u00e1tira \u00e0 psiquiatria de seu tempo, Machado de Assis constr\u00f3i uma reflex\u00e3o sobre os riscos inerentes \u00e0s classifica\u00e7\u00f5es, convidando-nos a refletir: com base em quais crit\u00e9rios criamos sentidos sobre aquilo que \u00e9 normal ou patol\u00f3gico?<\/p>\n<p>Se a realidade \u00e9 constru\u00edda por meio de significados compartilhados, tamb\u00e9m o s\u00e3o as ideias que elaboramos sobre aquilo que consideramos normal, anormal, saud\u00e1vel ou patol\u00f3gico. Longe de constitu\u00edrem categorias naturais ou universais, essas distin\u00e7\u00f5es refletem valores, expectativas e formas historicamente constru\u00eddas de compreender o comportamento humano.<\/p>\n<h3><strong>A patologiza\u00e7\u00e3o da vida: o novo normal na contemporaneidade?<\/strong><\/h3>\n<p>\u00c9 nesse cen\u00e1rio que os diagn\u00f3sticos do campo da sa\u00fade mental assumem um papel central. Elaborados para orientar a pr\u00e1tica cl\u00ednica, favorecer a comunica\u00e7\u00e3o entre profissionais, subsidiar pesquisas e direcionar interven\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas, constituem ferramentas fundamentais para o cuidado em sa\u00fade mental. Ao mesmo tempo, participam da constru\u00e7\u00e3o de significados sobre o comportamento humano, contribuindo para delimitar aquilo que, em determinado contexto hist\u00f3rico e social, \u00e9 compreendido como normal ou patol\u00f3gico.<\/p>\n<p>Como vimos, por\u00e9m, essas categorias n\u00e3o permanecem restritas ao campo especializado.<\/p>\n<p><strong>Pessoas que, naturalmente, n\u00e3o disp\u00f5em do conhecimento t\u00e9cnico que orienta sua utiliza\u00e7\u00e3o cl\u00ednica apropriam-se crescentemente desse vocabul\u00e1rio para interpretar<\/strong> <strong>emo\u00e7\u00f5es, comportamentos, rela\u00e7\u00f5es e modos de existir.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Nessa dire\u00e7\u00e3o, quanto mais categorias diagn\u00f3sticas passam a integrar o repert\u00f3rio cotidiano de significados, maior pode ser a tend\u00eancia de recorrer a elas para interpretar experi\u00eancias ordin\u00e1rias, mesmo quando estas n\u00e3o correspondem, necessariamente, aos referenciais que orientam seu uso no campo da sa\u00fade mental.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Nesse movimento, aquilo que inicialmente foi concebido para orientar o cuidado passa, pouco a pouco, a organizar a maneira como compreendemos a experi\u00eancia humana.<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 nesse movimento que situo a reflex\u00e3o sobre a patologiza\u00e7\u00e3o da vida. O problema n\u00e3o reside na exist\u00eancia dos diagn\u00f3sticos e n\u00e3o se trata aqui de questionar sua import\u00e2ncia. A quest\u00e3o emerge quando categorias constru\u00eddas para orientar o cuidado passam a ocupar um lugar privilegiado na interpreta\u00e7\u00e3o das viv\u00eancias cotidianas, enquadrando e limitando a complexidade da experi\u00eancia humana aos referenciais produzidos no campo da sa\u00fade mental.<\/p>\n<p>Diante da complexidade das emo\u00e7\u00f5es, elas oferecem explica\u00e7\u00f5es; diante da ambiguidade do sofrimento, oferecem classifica\u00e7\u00f5es; diante da incerteza, oferecem sentidos.<\/p>\n<p>\u00c9 justamente a\u00ed que emerge o principal risco. Quanto maior a necessidade de compreender, maior pode ser a tend\u00eancia de traduzir experi\u00eancias singulares em categorias j\u00e1 conhecidas, como se todo comportamento, necessariamente, correspondesse a uma classifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Talvez seja justamente a\u00ed que <em>O Alienista <\/em>permane\u00e7a t\u00e3o atual. Sim\u00e3o Bacamarte n\u00e3o errou por buscar compreender a loucura. Sua inquieta\u00e7\u00e3o come\u00e7ou quando a necessidade de classificar passou a orientar sua maneira de compreender todos os aspectos da exist\u00eancia.<\/p>\n<p>Diante disso, permanece uma pergunta: ser\u00e1 que, ao incorporarmos cada vez mais a linguagem diagn\u00f3stica ao nosso cotidiano, tamb\u00e9m n\u00e3o corremos o risco de transformar uma ferramenta de cuidado em uma forma de aprisionar, ainda que involuntariamente, n\u00f3s mesmos?<\/p>\n<h3><strong>A proposta de expans\u00e3o subjetiva<\/strong><\/h3>\n<p>Ao longo desta reflex\u00e3o, observamos que nomeamos, classificamos e produzimos categorias porque precisamos tornar o mundo compreens\u00edvel. N\u00e3o h\u00e1 nada de equivocado nesse movimento. Pelo contr\u00e1rio, \u00e9 ele que possibilita organizar a experi\u00eancia, compartilhar significados e construir a pr\u00f3pria vida em sociedade.<\/p>\n<p>O risco surge quando esquecemos que aquilo que constru\u00edmos para compreender o mundo passa a determinar os limites do nosso pr\u00f3prio mundo. Quando as categorias deixam de ser representa\u00e7\u00f5es da experi\u00eancia para converterem-se na pr\u00f3pria experi\u00eancia. Quando os conceitos passam a valer mais do que aquilo que pretendem representar.<\/p>\n<p>E talvez a patologiza\u00e7\u00e3o da vida revele, em \u00faltima inst\u00e2ncia, uma dificuldade contempor\u00e2nea de sustentar aquilo que escapa \u00e0s nossas formas de conhecer. A ambiguidade, a contradi\u00e7\u00e3o, a imprevisibilidade e o inacabamento tornam-se inc\u00f4modos quando esperamos que toda experi\u00eancia possa ser traduzida em categorias est\u00e1veis.<\/p>\n<p>Cabe aqui reiterar que os diagn\u00f3sticos psiqui\u00e1tricos s\u00e3o categorias historicamente constru\u00eddas para uma finalidade espec\u00edfica: favorecer o cuidado em sa\u00fade mental. Sua import\u00e2ncia reside precisamente nesse prop\u00f3sito, e n\u00e3o em oferecer defini\u00e7\u00f5es capazes de explicar, por si s\u00f3, a complexidade da experi\u00eancia humana.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia humana \u00e9 plural, din\u00e2mica e atravessada por hist\u00f3rias, rela\u00e7\u00f5es, afetos, contextos, contradi\u00e7\u00f5es e m\u00faltiplos sentidos. Nem toda experi\u00eancia corresponde a um diagn\u00f3stico e, mesmo quando um diagn\u00f3stico existe, ele diz respeito a uma dimens\u00e3o da vida do sujeito, jamais \u00e0 sua totalidade. Nenhuma categoria \u00e9 capaz de abarcar integralmente aquilo que somos.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 a partir da\u00ed que proponho a ideia de expans\u00e3o subjetiva<\/strong>.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cDespatologizar, desde essa perspectiva, \u00e9 afirmar o direito \u00e0 complexidade, \u00e0 ambiguidade e \u00e0 inven\u00e7\u00e3o de si, resistindo aos enquadramentos redutores que capturam a experi\u00eancia humana em esquemas predefinidos.\u201d (Macedo, Ianni, 2025)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>A expans\u00e3o subjetiva constitui menos uma resposta do que uma postura \u00e9tica diante da exist\u00eancia. N\u00e3o se trata de rejeitar as classifica\u00e7\u00f5es psicopatol\u00f3gicas ou negar o sofrimento, mas questionar sua apropria\u00e7\u00e3o acr\u00edtica como verdades sobre o ser, afirmando o direito \u00e0 complexidade, \u00e0 ambiguidade e \u00e0 inven\u00e7\u00e3o de si.<\/p>\n<p>Trata-se de um convite para despatologizar a vida. Isto \u00e9, um convite para habitarmos a complexidade das nossas experi\u00eancias, sem a urg\u00eancia de reduzi-las.<\/p>\n<p>Com isso, ampliar os modos de existir e de atribuir sentido \u00e0 pr\u00f3pria experi\u00eancia para al\u00e9m de termos diagn\u00f3sticos, <strong>sustentando a pluralidade das express\u00f5es subjetivas como pot\u00eancia, e n\u00e3o como desvio<\/strong>.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cTalvez o maior gesto de resist\u00eancia hoje seja justamente este: recusar a pressa de nomear, sustentar o sil\u00eancio quando ele for f\u00e9rtil e continuar interrogando os sentidos atribu\u00eddos \u00e0quilo que chamamos de \u2018normal\u2019.\u201d (Macedo, 2025)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Que possamos relembrar: nenhuma categoria \u00e9 capaz de conter, integralmente, a pot\u00eancia, a singularidade e a permanente transforma\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia humana.<\/p>\n<p>Nomear \u00e9 necess\u00e1rio; limitar, jamais. Vamos juntos e, nessa dire\u00e7\u00e3o, (re)existir?<\/p>\n<h3><strong>Refer\u00eancia<\/strong><\/h3>\n<hr>\n<p><strong>Santos de Macedo, I. (2025). <\/strong><em>La patologizaci\u00f3n de la vida: ensayo a favor de la expansi\u00f3n subjetiva<\/em>. <strong>Cuadernos Universitarios<\/strong>, 18, 39\u201352.<\/p>\n<p>https:\/\/revistas.ucasal.edu.ar\/index.php\/CU\/article\/view\/713\/746<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. 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Isso limita a forma de interpretar a si e ao mundo. Talvez seja necess\u00e1ria uma <i>expans\u00e3o subjetiva<\/i> para enxergar a diversidade da experi\u00eancia humana\u2026 <\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/crise-civilizatoria\/quando-a-vida-torna-se-diagnostico\/\">Quando a vida torna-se diagn\u00f3stico<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":93794,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[9548,4775,71950,2687,71951,9230,71952,71953,71954,71955,71956,71957,21988],"tags":[],"class_list":["post-93793","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ansiedade","category-autismo","category-bipolaridade","category-crise-civilizatoria","category-deficit-de-atencao","category-depressao","category-diagnosticos-psiquiatricos","category-loucura","category-o-alienista","category-patologias","category-patologizacao","category-patologizacao-da-vida","category-sofrimento-mental"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93793","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=93793"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93793\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/93794"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=93793"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=93793"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=93793"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}