{"id":94092,"date":"2026-07-01T16:07:55","date_gmt":"2026-07-01T19:07:55","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/dois-caminhos-para-o-brasil-na-nova-transicao-global\/"},"modified":"2026-07-01T16:07:55","modified_gmt":"2026-07-01T19:07:55","slug":"dois-caminhos-para-o-brasil-na-nova-transicao-global","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/dois-caminhos-para-o-brasil-na-nova-transicao-global\/","title":{"rendered":"Dois caminhos para o Brasil, na nova transi\u00e7\u00e3o global"},"content":{"rendered":"<figure><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1500\" height=\"563\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/BBR2024_Cover-Story_Hero_1600x600_03_header.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/BBR2024_Cover-Story_Hero_1600x600_03_header-1500x563.jpg 1500w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/BBR2024_Cover-Story_Hero_1600x600_03_header-300x113.jpg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/BBR2024_Cover-Story_Hero_1600x600_03_header-768x288.jpg 768w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/BBR2024_Cover-Story_Hero_1600x600_03_header-1536x576.jpg 1536w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/BBR2024_Cover-Story_Hero_1600x600_03_header.jpg 1600w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\"><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<p><imgsrc=\"\" width=\"1\" height=\"1\" alt=\".\" border=\"0\">\n<\/div>\n<\/div>\n<p>A ideia de que o Brasil pode viver um novo superciclo de riqueza \u00e9 sedutora. O mundo ingressa em uma era de transforma\u00e7\u00f5es estruturais marcada pela transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, pela intelig\u00eancia artificial, pela emerg\u00eancia clim\u00e1tica, pela reconfigura\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica e pela reorganiza\u00e7\u00e3o das cadeias globais de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em quase todas essas frentes, o Brasil aparece como pot\u00eancia poss\u00edvel. Re\u00fane, simultaneamente, abund\u00e2ncia de \u00e1gua, biodiversidade, energia renov\u00e1vel, capacidade agroalimentar, minerais estrat\u00e9gicos, territ\u00f3rio continental e uma base cient\u00edfica capaz de transformar recursos naturais em conhecimento, tecnologia e desenvolvimento. Poucos pa\u00edses disp\u00f5em de tantas condi\u00e7\u00f5es objetivas para ocupar lugar central na nova economia mundial.<\/p>\n<p>Mas a hist\u00f3ria brasileira recomenda prud\u00eancia diante do entusiasmo f\u00e1cil. O pa\u00eds j\u00e1 foi apresentado, muitas vezes, como territ\u00f3rio do futuro. E, quase sempre, esse futuro foi sequestrado por elites internas associadas a interesses externos. A promessa de riqueza nacional converteu-se, repetidamente, em prosperidade privada para poucos e depend\u00eancia estrutural para muitos.<\/p>\n<div>\n<div><imgsrc=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Prancheta-4.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Prancheta-4.png 680w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Prancheta-4-300x110.png 300w\" sizes=\"(max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>A Am\u00e9rica Latina talvez seja a maior evid\u00eancia hist\u00f3rica de que riqueza e desenvolvimento n\u00e3o s\u00e3o sin\u00f4nimos. Como demonstrou Eduardo Galeano em <em>As Veias Abertas da Am\u00e9rica Latina<\/em>, o continente foi constru\u00eddo pelo sistema colonial europeu sobre um paradoxo brutal: produzir riquezas extraordin\u00e1rias para o mundo e conservar pobreza, exclus\u00e3o e depend\u00eancia para grande parte de seu pr\u00f3prio povo.<\/p>\n<p>O ouro brasileiro ajudou a financiar a expans\u00e3o europeia. O a\u00e7\u00facar, o caf\u00e9, a borracha e os min\u00e9rios alimentaram sucessivos ciclos de acumula\u00e7\u00e3o de capital nos pa\u00edses do Norte Global. Mais recentemente, as <em>commodities<\/em> agr\u00edcolas e minerais voltaram a sustentar parte importante do crescimento mundial, agora cada vez mais demandado tamb\u00e9m pelo Oriente.<\/p>\n<p>Em troca, a Am\u00e9rica Latina recebeu uma heran\u00e7a marcada pela concentra\u00e7\u00e3o extrema da propriedade, pela exclus\u00e3o social, pela depend\u00eancia tecnol\u00f3gica, pela baixa capacidade de inova\u00e7\u00e3o, pela desigualdade territorial e pela fragilidade das institui\u00e7\u00f5es de planejamento. A l\u00f3gica colonial n\u00e3o desapareceu com a independ\u00eancia pol\u00edtica. Ela se reorganizou sob novas formas, enquanto enclaves exportadores, elites rentistas, subordina\u00e7\u00e3o financeira e Estados nacionais impedidos de comandar plenamente seus pr\u00f3prios destinos.<\/p>\n<p>No Brasil, essa estrutura foi apenas parcialmente enfrentada durante o projeto nacional-desenvolvimentista das d\u00e9cadas de 1930 a 1970. Naquele per\u00edodo, a industrializa\u00e7\u00e3o, o planejamento estatal, a infraestrutura, a forma\u00e7\u00e3o de empresas p\u00fablicas estrat\u00e9gicas e a amplia\u00e7\u00e3o do mercado interno permitiram ao pa\u00eds ensaiar uma ruptura com a condi\u00e7\u00e3o prim\u00e1rio-exportadora. Mesmo de forma desigual, autorit\u00e1ria em alguns momentos e socialmente incompleta, havia uma aposta de na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ainda assim, as ilhas de prosperidade permaneceram cercadas por vastos oceanos de desigualdade. O Brasil industrializou-se, mas n\u00e3o democratizou plenamente a propriedade, a renda, o conhecimento e o poder. Construiu f\u00e1bricas, universidades, empresas estatais e infraestrutura, mas n\u00e3o completou a revolu\u00e7\u00e3o social capaz de transformar crescimento econ\u00f4mico em cidadania substantiva para todos.<\/p>\n<p>Neste primeiro ter\u00e7o do s\u00e9culo XXI, a demanda crescente por minerais estrat\u00e9gicos, energia limpa, alimentos, biodiversidade e dados recoloca, em novas bases, o velho risco hist\u00f3rico do Brasil retornar ao papel de grande fazend\u00e3o, grande mina, grande reserva ambiental e grande plataforma de extra\u00e7\u00e3o para o capitalismo global.<\/p>\n<p>No passado, exportavam-se ouro, prata, a\u00e7\u00facar, caf\u00e9, borracha e min\u00e9rio. Hoje, pode crescer a exporta\u00e7\u00e3o de l\u00edtio, ni\u00f3bio, terras raras, hidrog\u00eanio verde, energia renov\u00e1vel, cr\u00e9ditos de carbono, biodiversidade, conhecimento gen\u00e9tico e dados. Mudam os produtos. Muda a tecnologia. Mudam os compradores. Mas pode permanecer a mesma l\u00f3gica do Brasil fornecer a base material da riqueza mundial, enquanto importa tecnologia, plataformas, patentes, m\u00e1quinas, algoritmos, financiamento e decis\u00f5es estrat\u00e9gicas.<\/p>\n<div>\n<div><imgsrc=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Banner-fixo.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Banner-fixo.png 728w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Banner-fixo-300x37.png 300w\" sizes=\"(max-width: 728px) 100vw, 728px\" width=\"728\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<p>As antigas metr\u00f3poles n\u00e3o desapareceram. Foram substitu\u00eddas, em parte, por fundos globais, plataformas digitais, gigantes tecnol\u00f3gicos, bancos transnacionais, cadeias produtivas comandadas de fora e novos imp\u00e9rios corporativos. As novas veias abertas da Am\u00e9rica Latina podem n\u00e3o ser apenas minas, florestas, planta\u00e7\u00f5es ou po\u00e7os de petr\u00f3leo. Podem ser tamb\u00e9m os dados, a biodiversidade, o conhecimento gen\u00e9tico, a capacidade de produzir energia limpa, os recursos minerais estrat\u00e9gicos e at\u00e9 o comportamento cotidiano da popula\u00e7\u00e3o convertido em ativo econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>A nova depend\u00eancia \u00e9 mais sofisticada. N\u00e3o chega apenas com navios, tropas ou administradores coloniais. Chega por contratos, algoritmos, patentes, plataformas, acordos financeiros, regimes de propriedade intelectual, mecanismos de arbitragem internacional e narrativas aparentemente neutras sobre efici\u00eancia, competitividade e moderniza\u00e7\u00e3o. O velho saque tornou-se mais limpo, mais jur\u00eddico, mais digital e mais elegante. Mas continua sendo saque quando impede a maioria de se apropriar da riqueza que ajuda a produzir.<\/p>\n<p>A encruzilhada hist\u00f3rica est\u00e1 novamente diante dos brasileiros e latino-americanos. O Brasil possui condi\u00e7\u00f5es excepcionais para protagonizar um novo ciclo de prosperidade. Mas a riqueza, por si s\u00f3, n\u00e3o garante desenvolvimento. Sem projeto nacional, ela pode apenas renovar a depend\u00eancia. Sem Estado forte, pode virar enclave. Sem ind\u00fastria, pode virar exporta\u00e7\u00e3o bruta. Sem ci\u00eancia, pode virar patente estrangeira. Sem democracia social, pode virar concentra\u00e7\u00e3o de renda. Sem soberania, pode virar mais uma rodada de subordina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O grande desafio deste in\u00edcio do s\u00e9culo XXI n\u00e3o \u00e9 apenas produzir riqueza sob novas bases. \u00c9 decidir quem vai comandar essa riqueza, quem vai se apropriar dela e a servi\u00e7o de qual projeto hist\u00f3rico ela ser\u00e1 colocada.<\/p>\n<p>A transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, por exemplo, n\u00e3o pode significar apenas transformar o Brasil em fornecedor barato de minerais e energia limpa para a descarboniza\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses ricos. N\u00e3o basta exportar l\u00edtio, ni\u00f3bio, terras raras ou hidrog\u00eanio verde. \u00c9 preciso dominar as cadeias tecnol\u00f3gicas, produzir baterias, equipamentos, softwares, m\u00e1quinas, semicondutores, sistemas de armazenamento, intelig\u00eancia embarcada e conhecimento aplicado. Sem isso, a economia verde ser\u00e1 apenas uma nova cor para a velha depend\u00eancia.<\/p>\n<p>O mesmo vale para a biodiversidade. A Amaz\u00f4nia, o Cerrado, a Caatinga, o Pantanal, a Mata Atl\u00e2ntica e os demais biomas brasileiros n\u00e3o podem ser tratados como almoxarifado biol\u00f3gico do capitalismo global. A biodiversidade deve ser base de uma bioeconomia soberana, com ci\u00eancia nacional, ind\u00fastria nacional, prote\u00e7\u00e3o dos povos origin\u00e1rios, valoriza\u00e7\u00e3o dos saberes tradicionais e reparti\u00e7\u00e3o justa dos benef\u00edcios. Transformar a natureza em ativo financeiro controlado de fora seria apenas uma forma renovada de colonialismo verde.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m os dados se tornaram territ\u00f3rio de disputa. Na economia digital, quem controla dados controla mercados, comportamentos, intelig\u00eancia artificial, consumo, comunica\u00e7\u00e3o e poder pol\u00edtico. Um pa\u00eds que entrega seus dados, suas infraestruturas digitais e sua intelig\u00eancia informacional a plataformas estrangeiras abdica de parte decisiva de sua soberania. No s\u00e9culo XXI, soberania nacional n\u00e3o se mede apenas por fronteiras f\u00edsicas, mas tamb\u00e9m por nuvens computacionais, cabos submarinos, centros de dados, algoritmos, semicondutores e capacidade pr\u00f3pria de produzir intelig\u00eancia.<\/p>\n<p>Por isso, o Brasil precisa superar a ilus\u00e3o neoliberal de que o mercado, sozinho, conduzir\u00e1 o pa\u00eds ao desenvolvimento. O neoliberalismo foi vendido como moderniza\u00e7\u00e3o, mas produziu regress\u00e3o produtiva, desindustrializa\u00e7\u00e3o precoce, privatiza\u00e7\u00e3o de capacidades estrat\u00e9gicas, fragiliza\u00e7\u00e3o do Estado, precariza\u00e7\u00e3o do trabalho e depend\u00eancia tecnol\u00f3gica. Prometeu efici\u00eancia e entregou vulnerabilidade. Prometeu integra\u00e7\u00e3o ao mundo e entregou subordina\u00e7\u00e3o. Prometeu liberdade econ\u00f4mica e entregou captura do futuro por interesses privados e financeiros.<\/p>\n<p>Romper com essa heran\u00e7a n\u00e3o significa voltar ao passado. Significa recuperar a capacidade de planejar o futuro. O Estado brasileiro precisa ser reformulado para a era digital, ecol\u00f3gica e do conhecimento. N\u00e3o um Estado m\u00ednimo, ajoelhado diante do rentismo. Tampouco um Estado burocr\u00e1tico incapaz de inovar. Mas um Estado planejador, indutor, tecnol\u00f3gico, democr\u00e1tico e comprometido com a soberania nacional e o bem-estar coletivo.<\/p>\n<p>A riqueza decorrente da nova economia somente se converter\u00e1 em desenvolvimento se estiver integrada a um projeto nacional capaz de articular industrializa\u00e7\u00e3o verde, soberania tecnol\u00f3gica, ci\u00eancia e inova\u00e7\u00e3o, infraestrutura digital p\u00fablica, educa\u00e7\u00e3o de qualidade, trabalho decente, redu\u00e7\u00e3o das desigualdades e fortalecimento das capacidades estatais. O pa\u00eds precisa decidir se quer ser apenas exportador de recursos ou produtor de conhecimento. Se quer ser mercado consumidor de plataformas estrangeiras ou criador de tecnologias pr\u00f3prias. Se quer ser reserva de valor para fundos globais ou na\u00e7\u00e3o soberana.<\/p>\n<p>Pela primeira vez em muitas d\u00e9cadas, o Brasil re\u00fane condi\u00e7\u00f5es materiais, ambientais, energ\u00e9ticas e cient\u00edficas para realizar uma transi\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica. Pode deixar de ser apenas fornecedor de recursos naturais e tornar-se pot\u00eancia do conhecimento, da bioeconomia, da intelig\u00eancia artificial, da energia limpa e da sustentabilidade. Mas essa passagem n\u00e3o ocorrer\u00e1 espontaneamente. Ela exigir\u00e1 conflito pol\u00edtico, decis\u00e3o estrat\u00e9gica e enfrentamento dos interesses que lucram com o pa\u00eds subordinado.<\/p>\n<p>Porque o subdesenvolvimento n\u00e3o \u00e9 uma fatalidade. \u00c9 uma constru\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica. E, como toda constru\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, pode ser desmontado. O que n\u00e3o se pode \u00e9 continuar aceitando como destino nacional aquilo que interessa apenas a uma minoria rentista, associada e colonial em sua mentalidade. O Brasil n\u00e3o \u00e9 pobre. Foi empobrecido por formas sucessivas de apropria\u00e7\u00e3o privada de sua riqueza coletiva.<\/p>\n<p>Em s\u00edntese, o novo superciclo poder\u00e1 representar o fechamento definitivo das veias abertas da Am\u00e9rica Latina. Mas tamb\u00e9m poder\u00e1 abrir novas feridas, agora mais sofisticadas, anestesiadas por discursos tecnol\u00f3gicos, ambientais e digitais. A depend\u00eancia do futuro talvez n\u00e3o tenha a apar\u00eancia brutal do passado. Poder\u00e1 vir embalada em contratos verdes, plataformas inteligentes, finan\u00e7as sustent\u00e1veis e promessas de inova\u00e7\u00e3o sem soberania.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a grande disputa hist\u00f3rica do nosso tempo. O Brasil pode escolher entre ser objeto ou sujeito da nova ordem mundial. Pode aceitar a condi\u00e7\u00e3o de fornecedor perif\u00e9rico da transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e digital ou construir um projeto nacional capaz de comandar sua pr\u00f3pria riqueza. Pode repetir o ciclo colonial, agora com linguagem moderna, ou inaugurar uma etapa soberana de desenvolvimento.<\/p>\n<p>A oportunidade hist\u00f3rica est\u00e1 posta. Mas oportunidade n\u00e3o \u00e9 destino. Para que ela se realize, ser\u00e1 necess\u00e1rio romper com anos de dom\u00ednio neoliberal, reconstruir a capacidade de planejamento, reindustrializar o pa\u00eds em novas bases, democratizar o acesso ao conhecimento e colocar a riqueza nacional a servi\u00e7o da maioria.<\/p>\n<p>O desafio n\u00e3o \u00e9 apenas crescer. \u00c9 decidir para quem, por quem e com que projeto o Brasil crescer\u00e1. \u00c9 transformar uma na\u00e7\u00e3o extraordinariamente rica em uma sociedade efetivamente pr\u00f3spera, democr\u00e1tica, soberana e menos desigual. \u00c9 fechar as veias abertas n\u00e3o pela resigna\u00e7\u00e3o, mas pela constru\u00e7\u00e3o combativa de uma Na\u00e7\u00e3o Soberana.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. Se voc\u00ea valoriza nossa produ\u00e7\u00e3o, seja nosso apoiador e fortale\u00e7a o jornalismo cr\u00edtico: <strong>apoia.se\/outraspalavras<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>The post Dois caminhos para o Brasil, na nova transi\u00e7\u00e3o global appeared first on Outras Palavras.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/o-papel-do-ministerio-publico-e-da-defensoria-publica-na-afirmacao-das-cotas-raciais-nos-municipios-brasileiros\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">O papel do Minist\u00e9rio P\u00fablico e da Defensoria P\u00fabl...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/pessoas-com-deficiencia-terao-cotas-no-ensino-tecnico-e-superior-de-sp\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Pessoas com defici\u00eancia ter\u00e3o cotas no ensino t\u00e9cn...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/com-tarifas-entre-r-450-e-r35-metropolitana-do-recife-tem-20-linhas-especiais-de-onibus-voltadas-para-o-carnaval\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Com tarifas entre R$ 4,50 e R$35, Metropolitana do...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/stf-julga-denuncia-contra-nucleo-3-da-tentativa-de-golpe\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">STF julga den\u00fancia contra n\u00facleo 3 da tentativa de...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>IA, bioeconomia e mudan\u00e7a energ\u00e9tica provocar\u00e3o enormes mudan\u00e7as nos cen\u00e1rios geopol\u00edtico e econ\u00f4mico. Ap\u00f3s quatro d\u00e9cadas de reprimariza\u00e7\u00e3o, pa\u00eds tem chance de virada. Mas o colonialismo tamb\u00e9m se configura. Muito depender\u00e1 de novo projeto de pa\u00eds<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/crise-brasileira\/dois-caminhos-para-o-brasil-na-nova-transicao-global\/\">Dois caminhos para o Brasil, na nova transi\u00e7\u00e3o global<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":94093,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[72590,6307,6007,72591,5502,1312,1228,72592,13555,72593,10839,5498,3132,553],"tags":[],"class_list":["post-94092","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-as-veias-abertas-da-america-latina","category-bioeconomia","category-crise-brasileira","category-economia-agroexportadora","category-eduardo-galeano","category-geopolitica","category-inteligencia-artificial","category-nacao-soberana","category-neocolonialismo","category-nova-economia-mundial","category-projeto-nacional","category-soberania-digital","category-soberania-nacional","category-transicao-energetica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/94092","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=94092"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/94092\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/94093"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=94092"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=94092"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=94092"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}