{"id":94100,"date":"2026-07-01T16:54:39","date_gmt":"2026-07-01T19:54:39","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/clima-a-necessaria-reparacao-aos-povos-negros\/"},"modified":"2026-07-01T16:54:39","modified_gmt":"2026-07-01T19:54:39","slug":"clima-a-necessaria-reparacao-aos-povos-negros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/clima-a-necessaria-reparacao-aos-povos-negros\/","title":{"rendered":"Clima: A necess\u00e1ria repara\u00e7\u00e3o aos povos negros"},"content":{"rendered":"<figure><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"935\" height=\"624\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Screenshot-2026-07-01-at-16-54-09-turismo-minas_gerais-brumadinho-vale-do-paraopeba-1749653239avif-imagem-AVIF-1280-854-pixels-Redimensionada-73.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Screenshot-2026-07-01-at-16-54-09-turismo-minas_gerais-brumadinho-vale-do-paraopeba-1749653239avif-imagem-AVIF-1280-854-pixels-Redimensionada-73.jpg 935w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Screenshot-2026-07-01-at-16-54-09-turismo-minas_gerais-brumadinho-vale-do-paraopeba-1749653239.avif-imagem-AVIF-1280-\u00d7-854-pixels-Redimensionada-73-300x200.jpg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Screenshot-2026-07-01-at-16-54-09-turismo-minas_gerais-brumadinho-vale-do-paraopeba-1749653239.avif-imagem-AVIF-1280-\u00d7-854-pixels-Redimensionada-73-768x513.jpg 768w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Screenshot-2026-07-01-at-16-54-09-turismo-minas_gerais-brumadinho-vale-do-paraopeba-1749653239.avif-imagem-AVIF-1280-\u00d7-854-pixels-Redimensionada-73-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 935px) 100vw, 935px\"><figcaption>Foto: Rede Terra \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<p><imgsrc=\"\" width=\"1\" height=\"1\" alt=\".\" border=\"0\">\n<\/div>\n<\/div>\n<p>A disputa global sobre financiamento clim\u00e1tico entrou em uma nova fase ap\u00f3s a realiza\u00e7\u00e3o da COP30, em Bel\u00e9m. Em meio ao agravamento da crise ambiental, ao avan\u00e7o das desigualdades raciais e \u00e0s limita\u00e7\u00f5es dos atuais mecanismos multilaterais, organiza\u00e7\u00f5es negras passaram a defender mudan\u00e7as estruturais na forma como os recursos internacionais s\u00e3o distribu\u00eddos.\u00a0<\/p>\n<p>Constru\u00edda pela Coaliz\u00e3o Internacional para a Defesa, Conserva\u00e7\u00e3o e Prote\u00e7\u00e3o dos Territ\u00f3rios, Meio Ambiente, Uso da Terra e Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas dos Povos e Comunidades Afrodescendentes da Am\u00e9rica Latina e do Caribe (CITAFRO) a proposta reivindica acesso direto ao financiamento clim\u00e1tico, reconhecimento territorial e participa\u00e7\u00e3o efetiva das comunidades negras na governan\u00e7a global sobre clima e biodiversidade.<\/p>\n<p>A abordagem foi consolidada no documento \u201cEstrat\u00e9gia de Financiamento Clim\u00e1tico sob a Perspectiva Afrodescendente na Am\u00e9rica Latina e no Caribe\u201d, elaborado por organiza\u00e7\u00f5es afrodescendentes que participaram das articula\u00e7\u00f5es internacionais em torno da 30\u00aa Confer\u00eancia do clima e dos debates vinculados \u00e0 Conven\u00e7\u00e3o-Quadro das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a do Clima (CQNUMC). O texto prop\u00f5e a cria\u00e7\u00e3o de um \u201cMecanismo Afrodescendente de Financiamento Direto\u201d (MAFD), estrutura voltada a garantir acesso direto, simplificado e permanente aos recursos clim\u00e1ticos internacionais para comunidades negras e quilombolas da regi\u00e3o.<\/p>\n<div>\n<div><imgsrc=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Prancheta-4-1.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Prancheta-4-1.png 680w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Prancheta-4-300x110.png 300w\" sizes=\"(max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>A proposta parte do reconhecimento de que as popula\u00e7\u00f5es afrodescendentes s\u00e3o sujeitos coletivos de direitos e desempenham papel estrat\u00e9gico na preserva\u00e7\u00e3o ambiental do continente. Atualmente, representam cerca de 153,7 milh\u00f5es de pessoas \u2013 aproximadamente 23,7% da popula\u00e7\u00e3o latino-americana e caribenha \u2013 ocupando mais de 205 milh\u00f5es de hectares distribu\u00eddos em 16 pa\u00edses. Esses territ\u00f3rios concentram florestas, manguezais, maret\u00f3rios, \u00e1reas \u00famidas, zonas agr\u00edcolas e ecossistemas fundamentais para a manuten\u00e7\u00e3o da biodiversidade global.<\/p>\n<p>Apesar disso, apenas cerca de 5% dessas \u00e1reas possuem titula\u00e7\u00e3o coletiva formalizada. A aus\u00eancia de seguran\u00e7a jur\u00eddica amplia a vulnerabilidade das comunidades diante do avan\u00e7o do desmatamento, dos grandes empreendimentos econ\u00f4micos, da minera\u00e7\u00e3o, da explora\u00e7\u00e3o petrol\u00edfera e dos impactos extremos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p><strong>Justi\u00e7a clim\u00e1tica e repara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica<\/strong><\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia constru\u00edda pelas organiza\u00e7\u00f5es afrodescendentes denuncia que n\u00e3o existe justi\u00e7a clim\u00e1tica sem justi\u00e7a racial e repara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, especialmente diante do fato de que as comunidades negras seguem entre as popula\u00e7\u00f5es mais afetadas por enchentes, eros\u00e3o costeira, secas prolongadas, perda da biodiversidade e inseguran\u00e7a alimentar, mesmo sendo respons\u00e1veis historicamente pela preserva\u00e7\u00e3o de alguns dos territ\u00f3rios mais conservados da Am\u00e9rica Latina e Caribe.<\/p>\n<p>O documento tamb\u00e9m critica a l\u00f3gica atual do financiamento clim\u00e1tico internacional, marcada por barreiras burocr\u00e1ticas, baixa participa\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria e concentra\u00e7\u00e3o de recursos em grandes institui\u00e7\u00f5es internacionais, o que dificulta o acesso direto das comunidades afrodescendentes aos fundos multilaterais.<\/p>\n<p>Segundo o documento, os mecanismos globais ainda falham em reconhecer os conhecimentos ancestrais, os modos de vida tradicionais e as formas pr\u00f3prias de governan\u00e7a constru\u00eddas historicamente pelos povos negros da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Por isso, a estrat\u00e9gia defende que o financiamento clim\u00e1tico passe a considerar salvaguardas \u00e9tnico-raciais, seguran\u00e7a territorial e reconhecimento dos direitos coletivos como elementos centrais das pol\u00edticas internacionais de mitiga\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica.<\/p>\n<div>\n<div><imgsrc=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/HUCITEC-basaglia3.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/HUCITEC-basaglia3.png 728w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/HUCITEC-basaglia3-300x37.png 300w\" sizes=\"(max-width: 728px) 100vw, 728px\" width=\"728\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Financiamento direto para territ\u00f3rios afrodescendentes<\/strong><\/p>\n<p>O principal eixo da proposta trata-se da cria\u00e7\u00e3o do Mecanismo Afrodescendente de Financiamento Direto (MAFD), pensado como uma estrutura internacional espec\u00edfica para canalizar recursos diretamente \u00e0s comunidades afrodescendentes.<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia estabelece como meta mobilizar ao menos 50 milh\u00f5es de d\u00f3lares entre 2026 e 2030, incluindo recursos provenientes de pledges internacionais, coopera\u00e7\u00e3o bilateral, bancos regionais e fundos globais de clima.<\/p>\n<p>O documento afirma que os recursos precisam fluir de forma \u201cdireta, expedita e coerente\u201d para os territ\u00f3rios afrodescendentes, reconhecendo que essas comunidades est\u00e3o entre as mais impactadas pela crise clim\u00e1tica e, simultaneamente, entre as que mais contribuem para a conserva\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 proposto que a maior parte do financiamento seja destinada \u00e0 titula\u00e7\u00e3o coletiva e \u00e0 seguran\u00e7a jur\u00eddica dos territ\u00f3rios, compreendidas como bases fundamentais da resili\u00eancia clim\u00e1tica afrodescendente.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, as informa\u00e7\u00f5es reunidas reivindicam a inclus\u00e3o obrigat\u00f3ria dos povos afrodescendentes nos pledges e compromissos financeiros internacionais firmados no \u00e2mbito clim\u00e1tico global.<\/p>\n<p><strong>Governan\u00e7a afrodescendente e protagonismo comunit\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio enfatizar que o ponto central da proposta \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o do Conselho Afrodescendente de Governan\u00e7a Clim\u00e1tica, estrutura que dever\u00e1 garantir participa\u00e7\u00e3o direta das comunidades na defini\u00e7\u00e3o das prioridades pol\u00edticas e financeiras.<\/p>\n<p>H\u00e1 a previs\u00e3o de paridade de g\u00eanero e participa\u00e7\u00e3o significativa das juventudes negras nos processos de governan\u00e7a, formula\u00e7\u00e3o e execu\u00e7\u00e3o dos projetos clim\u00e1ticos.<\/p>\n<p>Entre as metas estabelecidas para 2030 est\u00e3o:<\/p>\n<ul>\n<li>implementa\u00e7\u00e3o de 200 projetos clim\u00e1ticos em territ\u00f3rios afrodescendentes;<\/li>\n<li>fortalecimento de 100 organiza\u00e7\u00f5es negras;<\/li>\n<li>prote\u00e7\u00e3o, restaura\u00e7\u00e3o ou titula\u00e7\u00e3o de 150 mil hectares;<\/li>\n<li>alcance direto de cerca de 300 mil benefici\u00e1rios;<\/li>\n<li>garantia de participa\u00e7\u00e3o de mulheres em pelo menos 50% das iniciativas;<\/li>\n<li>presen\u00e7a das juventudes em 40% dos processos de gest\u00e3o e execu\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Al\u00e9m disso, prev\u00ea que pelo menos 80% dos projetos contem com mecanismos documentados de \u201cConsulta Pr\u00e9via, Livre e Informada\u201d (CLPI), refor\u00e7ando o direito das comunidades de participarem das decis\u00f5es que impactem seus territ\u00f3rios.<\/p>\n<p><strong>Titula\u00e7\u00e3o coletiva como estrat\u00e9gia clim\u00e1tica<\/strong><\/p>\n<p>A regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria deve ser reconhecida internacionalmente como medida priorit\u00e1ria de enfrentamento \u00e0 crise clim\u00e1tica. Isso porque ao dispor de seguran\u00e7a jur\u00eddica os territ\u00f3rios apresentam melhores indicadores de preserva\u00e7\u00e3o ambiental, prote\u00e7\u00e3o h\u00eddrica e conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade.<\/p>\n<p>Defender a titula\u00e7\u00e3o coletiva n\u00e3o apenas garante direitos territoriais, mas tamb\u00e9m \u00e0 prote\u00e7\u00e3o dos modos de vida tradicionais, das economias comunit\u00e1rias e dos conhecimentos ancestrais afrodescendentes.<\/p>\n<p>Ela prev\u00ea linhas espec\u00edficas de financiamento voltadas para:<\/p>\n<ul>\n<li>adapta\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica comunit\u00e1ria;<\/li>\n<li>restaura\u00e7\u00e3o ambiental;<\/li>\n<li>transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica justa;<\/li>\n<li>sa\u00fade clim\u00e1tica;<\/li>\n<li>fortalecimento da sociobioeconomia;<\/li>\n<li>bioempreendimentos comunit\u00e1rios;<\/li>\n<li>recupera\u00e7\u00e3o de perdas e danos.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Saberes ancestrais e transi\u00e7\u00e3o justa<\/strong><\/p>\n<p>Os povos afrodescendentes n\u00e3o devem ser tratados apenas como benefici\u00e1rios das pol\u00edticas ambientais, mas como protagonistas da a\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica global, reivindicando o reconhecimento dos conhecimentos tradicionais afrodescendentes como parte fundamental das solu\u00e7\u00f5es internacionais de mitiga\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>Pr\u00e1ticas ancestrais de manejo territorial, agricultura tradicional, prote\u00e7\u00e3o dos maret\u00f3rios, preserva\u00e7\u00e3o h\u00eddrica e formas coletivas de organiza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria s\u00e3o apontadas como contribui\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas fundamentais para a manuten\u00e7\u00e3o dos ecossistemas latino-americanos.<\/p>\n<p>Nesse sentido, a proposta defende que os planos nacionais de adapta\u00e7\u00e3o e mitiga\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses da regi\u00e3o incorporem os saberes afrodescendentes em suas pol\u00edticas clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p><strong>Indicadores, monitoramento e compromissos internacionais<\/strong><\/p>\n<p>Ao longo dos anos, as popula\u00e7\u00f5es afrodescendentes rurais da Am\u00e9rica Latina e Caribe n\u00e3o receberam acompanhamento adequado por parte das institui\u00e7\u00f5es respons\u00e1veis pela implementa\u00e7\u00e3o e monitoramento das pol\u00edticas clim\u00e1ticas e territoriais. Diante desse cen\u00e1rio, torna-se fundamental a cria\u00e7\u00e3o de mecanismos de monitoramento e indicadores de acompanhamento que garantam transpar\u00eancia, controle social e efetividade na execu\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es financiadas.<\/p>\n<p>Entre os indicadores previstos est\u00e3o:<\/p>\n<ul>\n<li>volume de recursos mobilizados;<\/li>\n<li>percentual de acesso direto afrodescendente aos fundos;<\/li>\n<li>redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de carbono;<\/li>\n<li>hectares restaurados;<\/li>\n<li>n\u00famero de empregos verdes criados;<\/li>\n<li>participa\u00e7\u00e3o de mulheres e juventudes;<\/li>\n<li>quantidade de t\u00edtulos coletivos emitidos;<\/li>\n<li>implementa\u00e7\u00e3o da CLPI.<\/li>\n<\/ul>\n<p>O documento dialoga diretamente com os \u201cObjetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel\u201d (ODS) da ONU, especialmente aqueles relacionados \u00e0 erradica\u00e7\u00e3o da pobreza, igualdade de g\u00eanero, redu\u00e7\u00e3o das desigualdades, a\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica, prote\u00e7\u00e3o da biodiversidade, fortalecimento institucional e constru\u00e7\u00e3o de alian\u00e7as globais.<\/p>\n<p><strong>Uma nova disputa pol\u00edtica sobre o clima<\/strong><\/p>\n<p>Por fim, a estrat\u00e9gia constru\u00edda representa tamb\u00e9m um debate estrat\u00e9gico sobre quem participa da governan\u00e7a clim\u00e1tica internacional. Ao reivindicar financiamento direto, seguran\u00e7a territorial e reconhecimento dos direitos coletivos, as organiza\u00e7\u00f5es negras denunciam o racismo estrutural presente nos mecanismos globais de distribui\u00e7\u00e3o de recursos clim\u00e1ticos.<\/p>\n<p>Em outras palavras, n\u00e3o haver\u00e1 enfrentamento efetivo da crise clim\u00e1tica sem participa\u00e7\u00e3o ativa das popula\u00e7\u00f5es historicamente respons\u00e1veis pela prote\u00e7\u00e3o dos ecossistemas do continente.<\/p>\n<p>Mais do que reivindicar recursos financeiros, os povos afrodescendentes defendem uma transforma\u00e7\u00e3o profunda da l\u00f3gica internacional de governan\u00e7a clim\u00e1tica, baseada em repara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, justi\u00e7a racial, autonomia territorial e valoriza\u00e7\u00e3o dos conhecimentos ancestrais.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a realiza\u00e7\u00e3o da COP30, seguimos pressionando governos, organismos multilaterais e institui\u00e7\u00f5es financeiras internacionais para que os compromissos discutidos durante a confer\u00eancia sejam convertidos em mecanismos concretos, permanentes e vinculantes de financiamento direto para os territ\u00f3rios negros da Am\u00e9rica Latina e Caribe.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. 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inclusive, hist\u00f3rica<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/terraeantropoceno\/clima-a-necessaria-reparacao-aos-povos-negros\/\">Clima: A necess\u00e1ria repara\u00e7\u00e3o aos povos negros<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":94101,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[72601,11512,3984,4632,5840],"tags":[],"class_list":["post-94100","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-comunidades-afrodescendentes","category-financiamento-climatico","category-justica-climatica","category-reparacao-historica","category-terra-e-antropoceno"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/94100","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=94100"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/94100\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/94101"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=94100"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=94100"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=94100"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}